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ANEXOS Anexo A - Guião de entrevistas;

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Academic year: 2019

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ANEXOS

Anexo A - Guião de entrevistas;

GUIÃO DE ENTREVISTA

Tema: ASPECTOS EDUCATIVOS DO ESTUDO DA FILOSOFIA DOS DOZE PASSOS

- UM OLHAR SOBRE AS EXPERIÊNCIAS DE COORDENADORES DOS GRUPOS

DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS - AA DO BRASIL E DE PORTUGAL

Objetivo geral:

Levantar os aspectos educativos, significado e importância, atribuídos pelos coordenadores dos grupos de Alcóolicos Anônimos - AA, ao estudo sistematizado dos doze passos.

Objetivos específicos:

Identificar o perfil dos coordenadores dos grupos.

Saber como cada coordenador sente, entende e percebe sua função de coordenador e o estudo dos Doze Passos.

Conhecer a importância atribuída pelos coordenadores dos grupos, ao estudo dos Doze Passos

PERGUNTAS DAS ENTREVISTAS:

1º Bloco de Perguntas: Perfil dos coordenadores:

01-Que idade tem e há quanto tempo você realiza a função coordenador nas salas de AA? 02-Qual seu nível de escolaridade?

03-Quanto as reuniões, qual o número médio de participantes e sua duração?

04-Você identifica algum valor à mais atribuído ao estudo em grupo, em relação a quem o conduz? Poderia explicar?

05-O que você considera importante ter para realizar a função de coordenador de grupo de estudo? Que tipo de postura é importante para realizar a referida função?

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06- Há alguma diferença de compreensão entre receber orientação das mãos de outrem e você mesmo repassa-lo? O que muda quando você se escuta?

07-Como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos DOZE PASSOS?

08-Onde na partilha das considerações sobre o estudo em grupo, você considera que é afetado e como você afeta?

09-Você identifica alguma ou algumas mudanças na compreensão do estudo da literatura por você, com o passar do tempo? Poderia explicar?

3º Bloco: Sobre a importância e entendimento atribuído pelos coordenadores dos grupos ao estudo dos DOZE PASSOS.

10-Na sua visão, que efeito sofre o estudo dos Doze Passos ele sendo estudado individualmente e em grupo?

11 – Qual sua opinião a respeito da literatura de suporte publicada pela irmandade para o grupo? Qual publicação você considera que mais contribuiu para seu aprendizado?

11-Você identifica alguma contribuição do grupo para seu processo pessoal de aprendizagem? Pode exemplificar?

12-Você poderia citar no seu entendimento, que fatores contribuem para o êxito durante tanto tempo e em escala tão grande do referido estudo em dos Doze Passos?

13- Na sua visão, que pré-requisito ou o que precisam ter, os que estudam os Doze Passos, para que possam compreender o que está sendo estudado?

14-Poderia descrever alguma situação experienciada por você durante a função de coordenador grupo, que considere relevante para o processo de aprendizagem?

15-O que na sua visão, acontece nos grupos que faz com que haja aprendizagem significativa durante o processo de estudo?

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Anexo B - Transcrição das entrevistas dos portugueses;

Antes de cada entrevista, nós apresentávamos brevemente nosso percurso dentro da pesquisa em Alcoólicos Anônimos, como a entrevista se daria apresentando o tema dos três blocos de perguntas, bem como o porquê de estar ali realizando a mesma.

 Transcrição das entrevistas feitas aos coordenadores de grupo nas salas de Alcoólicos Anônimos em Portugal.

Entrevistado Português 01 – EP1

PERGUNTAS DAS ENTREVISTAS

1º Bloco de Perguntas: Perfil dos coordenadores:

I-Que idade tem e há quanto tempo você realiza a função coordenador nas salas de AA?

EP1- Eu tenho 70 anos e estou em AA a 21 anos, portanto ao longo desse tempo tenho realizado uma série de trabalho e uma série de serviços em AA, inclusive a função de coordenadora.

I- Mas me diga nesse tempo em que realiza trabalhos inclusive de coordenação nos grupos, a senhora pode me dizer quantos está dedicado ao serviço de coordenação? Desses 21 anos quantos foram de coordenação de grupos de estudo? Foi assim que chegou ao grupo?

EP1- Não, não, foi uns dois anos depois.

I- Então nós podemos dizer que tem uns 19 anos de coordenação?

EP1- Sim claro.

I-Qual seu nível de escolaridade?

EP1- Pós-graduada.

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EP1- De 8 a 10 pessoas nos grupos, a reunião dura de 1hora e 30minutos

I-Você identifica algum valor à mais atribuído ao estudo em grupo, em relação a quem o conduz? Poderia explicar?

EP1- A quem conduz? Você quer dizer a quem coordena?

I- Sim. Dependendo de quem coordena, você acredita que há diferença de valor no que se refere ao assunto estudado? Se for coordenado por X , Y, Z , há diferença do que está sendo estudado? Há algum valor a mais atribuído ao estudo em relação a quem conduz? Ou não, independe de quem coordena?

EP1- É assim, em AA não há protagonismo, são os princípios acima das personalidades. Portanto não há valor a mais, de quem ou por quem coordena, a não sei, vamos lá: eventualmente, pois o que que é importante em uma coordenação/ deixar as pessoas falarem. Não há protagonismo do coordenador, portanto a única coisa é que, se há algum conflito, se há algum problema, dependendo da assertividade do coordenador o problema é melhor ou não resolvido. Mas o sucesso da reunião ou o bem-estar da reunião, depende do grupo todo, não é do coordenador porque, o coordenador não tem protagonismo. Eu digo que o AA não há chefes em AA não há topos de pirâmides, pelo contrário.

I- Então nessa questão o valor a ser agregado seria muito mais em havendo conflitos etc? Não no que vai ser estudado, é isso?

EP1- Exatamente

I- O que você considera importante ter para realizar a função de coordenador de grupo de estudo? Que tipo de postura é importante para realizar a referida função?

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não importa, por isso é que em AA está tudo nivelado pela mesma bitola, o engenheiro e o pobre da rua.

2º bloco: Como cada coordenador entende, sente e percebe a sua função

I- Há alguma diferença de compreensão entre receber orientação das mãos de outrem e

você mesmo repassa-lo? O que muda quando você se escuta?

EP1- Eu preferiria generalizar essa resposta, veja, não é função do coordenador que me traz essa ou aquela especificidade, mas eu membro AA num grupo quando escuto a partilha de outro membro. Eu penso que é essa a questão eu você está colocando, não é? Pois quando eu partilho alguma dificuldade, minha da minha própria experiência, é como se eu tirasse de dentro de mim, alguma coisa que me angustia, alguma coisa que está cá dentro e é como se eu visse aqui do lado de fora, a cor, a forma, o tamanho daquela dificuldade ou daquela coisa que eu estou a partilhar, eu tenho é... na medida que eu partilho eu tiro pra fora de mim a minha dificuldade ou a minha inexperiência, eu estou a visualizá-la e a corporiza - la fora de mim e é mais fácil eu poder trabalhar sobre ela, ou seja se eu tenho um problema então eu tenho um insight, na medida em que eu vi a coisa. É isso que eu acho muito importante. Falar é fundamental. Falar significa que eu consegui verbalizar uma coisa que está dentro de mim. Falar significa que eu consegui visualizar o problema que eu só senti. Eu falo eu consigo visualizar e ai eu ponho pra fora e isso é muito importante, isso até é se a gente quiser usar a palavra; terapêutico. De um lado eu acho importantíssimo a experiência da partilha, até por que “entre aspas’ é terapêutico, porque não há um olha

crítico do outro, porque em AA não há devolução, as pessoas, assim eu me sinto mais à vontade para partilhar e por outro lado, quando eu ouço o outro, quando eu estou ouvindo o outro em geral eu me identifico com a partilha do outro. O outro é, eu posso me identificar com uma série de coisas, ligadas a partilha do outro, que o que vocês chamam em brasileiro o compartilhamento. Então eu me identifico com a partilha do outro então eu me sinto fazendo parte de um grupo que fala a mesma língua que entende meu problema, porque vive o meu problema da mesma maneira. Não sei se eu respondo a sua questão.

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melhor há diferentes aprendizagem, mas não há uma melhor que a outra. É isso que você me diz:

EP1- Sim é isso, é isso. Não há uma melhor que a outra elas são complementares.

I- Ok agora me diga, como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos DOZE PASSOS?

EP1- Bom os doze passos são fundamentais, você com certeza conhece e o que nós fazemos em geral aqui em AA. É lermos uma vez por mês um passo. Existe uma reunião em que uma vez por mês nós lemos um passo. Um passo por mês. Ou seja, o primeiro passo em janeiro e o décimo segundo passo em dezembro etc. Quer dizer a cada passo corresponde a um mês. Naquele mês lê-se o passo e fala-se sobre o passo. O que é muito importante aí e é a função do coordenador em relação ao passo, é importante dirigir, dirigir não é o caso, mas não permitir, permitir não é o caso porque elas não se usam em AA porque o usamos são palavras orientadoras. Enfim é propiciar que as partilhas girem em torno daquele passo. Isso é que é importante, que não aja outro tipo de partilha, quero dizer, digamos que, motivar as pessoas a falarem sobre aquele passo. E sobre a sua experiência sobre aquele determinado passo.

I- Então, não seria atenção que precisa ter, vou falar para ver se consigo organizar essa resposta, veja se é: então você está me dizendo que a atenção do coordenador precisa ter para que naquele momento o assunto gire em torno do passo, não saia do assunto referente ao passo.

EP1- De preferência que não saia do assunto do passo, de preferência, não seria a atenção, seria a habilidade, ou a sensibilidade, seria a palavra ideal que o coordenador deveria ter para motivar o grupo partilhar dentro ou em torno do passo.

I- Ok. Onde na partilha das considerações sobre o estudo em grupo, você considera que é afetado e como você afeta?

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sente gratificado e se sente emocionalmente próximo de mim, porque nós interagimos. Ele conseguiu me afetar, percebe isso é eu porque fui afetada percebo que ele conseguiu me afetar. Portanto isso cria um laço, cria uma coisa muito boa que é o espírito de irmandade de fraternidade, de identificação completa.

I -Você identifica alguma ou algumas mudanças na compreensão do estudo da literatura por você, com o passar do tempo? Poderia explicar?

EP1- Claro. Eu acho que isso tem a ver com a progressão nossa em alguma coisa, quero dizer a minha progressão na vida, eu considero que nunca se ler o mesmo livro da mesma

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percebendo isso é que eu vou vivendo em AA é que eu vou partilhando e que eu vou ouvindo. Então essa literatura vai tomando, vai entrando de outra maneira a medida em que eu vou identificando as minhas necessidades.

I- Então eu posso dizer que, vou trazer outra linguagem e saber de ti se eu estou formulando bem: Eu posso dizer então que essa mudança de compreensão está par a passo com o seu processo de compreensão de mundo, seu capital intelectual, no sentido de compreensão de mundo, não no sentido de formação acadêmica?

EP1- Sim compreensão de mundo e a compreensão de mim mesma através do meu programa de doze passos. E essa compreensão de mundo tem a ver com o meu programa de AA

3º Bloco: Sobre a importância e entendimento atribuído pelos coordenadores dos grupos ao estudo dos DOZE PASSOS.

I- Na sua visão, que efeito sofre o estudo dos Doze Passos ele sendo estudado individualmente e em grupo?

EP1- Claro, e isso tem a ver com toda a dinâmica de AA, porque tudo em AA é partilha e identificação. Ora quando eu... os doze passos é minha vida e quando eu no primeiro passo

“admitimos que somos impotentes diante do álcool e que nossa vida tinha se tornado ingovernável”, pronto, isso eu sei. Mas quando eu ouço outra pessoa dizer a mesma coisa, há naquele momento uma identificação. É dinâmica da reunião de grupo de AA que é a partilha e a identificação. Então é muito diferente ler e estudar, ou seja, falar dos passos e das tradições em grupo do que ler e estudar só e individualmente.

I- Então eu posso dizer que a partilha e a identificação ela vai agregar valor ao estudo e isso, faz a diferença no estudo?

EP1- Sim com certeza

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EP1- O livro dos “Doze Passos” certamente e o livro que me foi muito importante no início que eu entrei no AA foi o “Viver Sóbrio”, porque era muito simples, com sugestões muito claras e simples sobre o dia a dia, as 24 horas do processo de começar a deixar de beber.

I-Você identifica alguma contribuição do grupo para seu processo pessoal de aprendizagem? Pode exemplificar?

EP1- Toda porque é fundamental vir ao grupo, o grupo em devolve aquilo que eu dei a ele.

É fundamental, pois sem o grupo não haveria AA, porque o grupo me devolve a identificação, me proporciona o sentido de integração com a comunidade, me ajuda a me perceber, me ajuda a me amar, o grupo me aceita. O grupo foi e é fundamental para o meu crescimento qualquer que ele seja.

I- Então novamente a necessidade de relação, posso dizer isso? EP1- Claro, é fundamental de relação e de identificação.

I-Você poderia citar no seu entendimento, que fatores contribuem para o êxito durante tanto tempo e em escala tão grande do referido estudo em dos Doze Passos?

EP1- Porque os AAs são um programa de vida muito simples e um programa de vida voltado para hoje. Eu posso dizer que durante muito tempo da minha vida aqui e no Brasil eu fiz muito tempo psicologia, fiz terapia, psicanálise ... e toda a experiência que tenho com

o apoio psicoterapêutico de maneira geral tinha a ver com o passado. Era “ Ha mais você

tinha isso porque sua mãe fez aquilo, ou o meu marido ou o mundo ou não sei mais o quê”.

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ninguém me obrigou a beber, eu não bebo porque eu estou triste ou eu estou alegre. Não é nada por causa disso. Eu conduzo a minha vida, eu tenho a minha vida em minhas mãos. Isso é o que o AA me ensinou.

I- Na sua visão, que pré-requisito ou o que precisam ter, os que estudam os Doze Passos, para que possam compreender o que está sendo estudado?

EP1- O pré-requisito é “mente aberta”, não é nem força de vontade é “mente aberta”,

espírito aberto. Boa vontade, humildade e mente aberta.

I-Poderia descrever alguma situação experienciada por você durante a função de coordenador grupo, que considere relevante para o processo de aprendizagem?

EP1- Sim eu posso dizer que eu descobri no grupo que não importa o nível intelectual ou a forma de percepção para você seguir o programa. Nós tínhamos num grupo em que eu coordenei em Évora, um operário, um senhor da construção civil que teve um cancro na laringe e estava muito mal e ele continuava indo ao grupo mesmo em fase terminal, e ele dizia: eu vou morrer, mas eu não bebo. Eu sei que tenho os dias contados, mas nem por isso eu vou beber. Ele aguentou firme, nunca voltou a beber, porque ele achava que só por 24 horas e viver sóbrio era muito melhor do que continuar a beber. Outro caso era uma outra companheira que o marido continuava bebendo e vivia e tentava por tudo que ela voltasse a beber. A vida doente que eles tinham justificava e validava a dele e por isso ele queria a companhia dela nesse processo. E ela dizia: eu até posso me suicidar, mas beber nunca mais. A convicção que ela tinha. Sim é claro que ela não pode dizer isso porque em AA a gente só vive as 24 horas, só por hoje a gente não vai beber. Porque a gente não pode dizer que nunca mais vai beber. Mas essa experiência, essa vontade tão grande de manter sua sanidade, foi uma coisa, foram duas experiências que foram marcantes pra mim.

I-O que na sua visão, acontece nos grupos que faz com que haja aprendizagem significativa durante o processo de estudo?

EP1- O respeito e o espirito de grupo. A espiritualidade que se gera quando se partilha de coração.

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EP1- Sim, talvez tentar perceber qual é a magia, dinâmica de AA independentemente da coordenação, que faz com que o AA funcione com tanta gente. Eu lembro que havia, que há um grande psiquiatra americano chamado Vaillant que fez um estudo longitudinal mais importante sobre o AA de 40 anos, ele acompanhou o AA por 40 anos e ele dizia... ele estava no brasil para uma conferência e ele dizia; “ Não há ateus nas trincheiras”. Sabe eu

acho isso muito importante, quer dizer o sofrimento é tão grande, é uma trincheira na realidade para o alcoólatra, sabe essa validade da espiritualidade, quando as pessoas chegaram ao fundo do poço. Acho que essa magia que existe em AA e que se reflete nos grupos acho que é muito importante.

I- Então seria identificar que magia é essa...

EP1- Sim identificar e isso não tem a ver com direção, com a coordenação. Ao contrário, tem a ver com essa simplicidade que tem trazido tanto efeito de fazer bem a tanta gente.

I- Eu agradeço muito, sua partilha e sua contribuição com o meu trabalho.

Entrevistado Português 02 – EP2

PERGUNTAS DAS ENTREVISTAS

1º Bloco de Perguntas: Perfil dos coordenadores:

I-Que idade tem e há quanto tempo você realiza a função coordenador nas salas de AA?

EP2- Tenho 67 anos e coordeno a praticamente 11 anos

I- Qual seu nível de escolaridade?

EP2- Secundário

I-Quanto as reuniões, qual o número médio de participantes e sua duração?

EP2- Entre 4 a 20 participantes, o tempo é de uma hora e meia.

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EP2- Tem diferença sim quem conduz o estudo. Nem todo coordenador tem o mesmo perfil, porque nem todos tem o perfil de coordenar uma reunião de estudos de uma maneira mais ou menos eficaz, porque cada um tem seu estilo.

I- Então nesse caso não é só o assunto a ser estudado e sim a pessoa que conduz o estudo que o faz de forma significativa ou não para agregar valor ao que está sendo estudado. É isso?

EP2- Completamente

I-O que você considera importante ter para realizar a função de coordenador de grupo de estudo? Que tipo de postura é importante para realizar a referida função?

EP2- Na minha opinião é importante ter uma boa dicção, ter bom conhecimento no assunto dos passos, habilidade de saber conduzir qualquer reunião e claro ter boa vontade.

2º bloco : Como cada coordenador entende , sente e percebe a sua função

I- Há alguma diferença de compreensão entre receber orientação das mãos de outrem e

você mesmo repassa-lo? O que muda quando você se escuta?

EP2- Essa pergunta é bocado complicada, não sei se eu percebi bem, portanto se há uma diferença entre, por exemplo a minha companheira estar ali para coordenar e eu perceber o que ela diz, se tenho o mesmo entendimento se for eu a coordenar...

I- É porque quando a gente fala a gente se escuta, então vamos supor que nós estamos falando de rendição, há diferença de compreensão do assunto quando você fala e você se escuta ou quando você escuta de outro? Quando você elabora o raciocínio?

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pensamento dele, mas também depende muito de quem está a transmitir isso. Se for uma pessoa eloquente que transmite bem a mensagem não há diferença.

I-Como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos DOZE PASSOS?

EP2- Primeiro ele tem de ser conhecedor profundo do que ele vai estar ali a falar e depois conseguir transmitir a parte mais importante do estudo que é a essência do passo. Depois saber orientar por exemplo quando há de ter em posta uma discussão, saber conduzir bem e não deixar sair daquele tema. Estar fixo naquele tema.

I- Onde na partilha das considerações sobre o estudo em grupo, você considera que é afetado e como você afeta?

EP2- Eu penso que quando há identificação eu fico afetado porque eu sinto mais o que está sendo falado e se eu sinto que o que eu estou a transmitir e consigo ter a atenção do outro e se eu experimentei e vivenciei eu consigo melhor afetar o outro. Eu consigo transmitir o que eu já passei o que já senti.

I- Então você está me dizendo que a identificação é a grande questão de afetar e ser afetado

é isso? EP2- Sim é isso.

I-Você identifica alguma ou algumas mudanças na compreensão do estudo da literatura por você, com o passar do tempo? Poderia explicar?

EP2- É. Porque quando eu chego, o primeiro livro que eu li foi o “Alcoólicos Anônimos” e

eu me identifiquei logo, mas quando eu voltei agora a ler e vou lendo não ele seguido, mas as partes que eu me identifico mais e nessa hora eu vou descobrindo outras coisas que eu já estou a vivenciar, portanto eu já sinto diferente, pois cada vez que eu leio o texto da nossa literatura ou dos passos, vou descobrindo coisas novas que na altura eu não percebia. Penso que será cada vez mais em que eu vou crescendo em sobriedade em recuperação, eu vou percebendo melhor o que o autor quis dizer.

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EP2- É. Alagar-se mais os horizontes e eu consigo ver mais ao longe porque eu já vivenciei me identifico mais e sinto que posso fazer mais.

I- Então você está me dizendo que é importante a prática para a compreensão das questões

é isso?

EP2- Muito.

I- Eu posso dizer então pelo que você me descreve que, a teoria precisa de uma prática

para que ela seja mais fortalecida, é isso que você está me dizendo? EP2- É isso mesmo.

3º Bloco: Sobre a importância e entendimento atribuído pelos coordenadores dos grupos ao estudo dos DOZE PASSOS.

I- Na sua visão, que efeito sofre o estudo dos Doze Passos ele sendo estudado individualmente e em grupo?

EP2- Em grupo o estudo dos passos passa a ser mais importante. A experiência daquele que já vivenciou é importante para aquele que está a começar. A experiência da partilha do passo que estamos a falar tem... fica mais rico. Não é a mesma coisa de eu levar o livro, e eu posso e devo levar o livro e ler, até porque o coordenador quando vai coordenar a reunião sobre determinado passo ele vai estudar esse passo. Não que haja nada que o obrigue a estudar o que vai coordenar, mas eu entendo que eu preciso estudar o passo em casa certo? Ler, estudar para que eu possa explica-lo, mas a discussão é enriquecida em grupo porque as experiências dos outros é que vai ... que enriquece o conhecimento.

I – Qual sua opinião a respeito da literatura de suporte publicada pela irmandade para o grupo? Qual publicação você considera que mais contribuiu para seu aprendizado?

EP2- A literatura em AA importantíssima, ela faz parte do nosso grupo e nós utilizamos toda ela com os temas da reunião e em casa também, porque em casa eu recorro muito o

livro que é “Na opinião de Bil”, que dá enxerto dos outros livros que está escrito. Eu abro

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coisa. Mas eu destaco mais o livro “Alcoólicos Anônimos”. Esse eu li logo todo. Logo

depois que eu cheguei da reunião, logo que cheguei a casa, eu li o livro “azul” todo nessa

noite. Eu quase não dormi. Foi quase que compulsivo e eu me identificando sempre, sempre. Eu dizia isso me diz respeito e esse livro pra mim é o mais importante e na comunidade eu também penso que sim porque é um livro que tem recuperado uma multidão de pessoas que esteja longe, que não tenha grupos, se a pessoa tiver boa vontade e quiser através desse livro, a pessoa pode recupera-se. Para mim e a experiência me diz, da nossa história de 81 anos que muitas gentes se recuperou com o livro. É claro que o grupo é melhor, mas muita gente se recuperou com o livro por isso eu destaco ele. É claro que o livro dos passos é importante, todos eles são importantes. Porque os passos são o suporte da nossa recuperação. Se eu não praticar os passos eu não consigo entender coisa nenhuma, porque assim eu não vou manter-me em recuperação. É preciso eu pôr em prática e para mim os primeiros cinco passos são importantíssimos. São passos de reflexão, que eu faço uma análise de mim, da minha condição de alcoólica e de me preparar para os sete passos a seguir que eu vou pôr em pratica todos os dias e eu não preciso fazer seguidos. O primeiro ele é sempre o primeiro que é aceitação de tudo que eu sou alcoólico e depois a aceitação de tudo. Aceitar a vida como ela é que eu não tenho que consertar as coisas, porque assim eu não vou ser feliz. Preciso aceitar os outros e cada passo tem que ser praticado conforme nossas necessidades, não é? Portanto todos eles, a literatura é importante.

I-Você identifica alguma contribuição do grupo para seu processo pessoal de aprendizagem? Pode exemplificar?

EP2- Sim porque o grupo para o exemplo quando eu entrei em AA, eu não sabia o que era o AA, eu estava perdida para o aspecto psicológico. Foi no grupo que eu encontrei forças, se não eu estava perdida. Portanto o grupo para mim é tudo e é no grupo que eu consigo a

prender a viver. Para mim desde o primeiro dia foi o sentimento de “eu estou no sítio

certo”, porque antes eu tinha procurado muita coisa. Fiz tudo, várias coisas, fui a médicos,

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E eles falarem da experiência, porque no início eu não falava eu só ouvia, precisei ouvir muito e eu sentia cá dentro como se fosse eu.

I- Então você está me dizendo que esse era um lugar de identificação? EP2- Completamente, completamente e eu me sentia fazendo parte.

I- Então eu posso dizer que você sentia pertencimento, que você estava em um lugar... EP2- Sim de pertencimento, por isso eu estava voltando, voltando, porque as pessoas não

me ignoram como cá fora. As pessoas cá fora as vezes eu cumprimentava com bom dia e nem me respondia. Quando eu encontrava um membro de AA era diferente e eu não precisava dizer a ninguém de onde conheci aquela pessoa do AA. É meu amigo, é minha amiga e eu abraço e dá cá um abraço e só isso nos ajuda. É a força do grupo é a força do AA. Nos sentirmos como uma família. Eu posso não gostar de toda a gente, de gostar de conviver diariamente, mas aceito o outro. Não preciso conviver com ele, mas é como uma família.

I- Você acha então eu dor é um elemento que os une? RP2- Sim a dor nos une independentemente do tipo de caráter. Mas existe uma coisa que é

o elo, que é a experiência de cada um. Eu antes achava que não era alcoólatra, mas foi a identificação a identificação do sofrimento.

I- Eu posso dizer então que isso, o sofrimento é o que sobrepõe a todas as outras coisas? EP2- Sim, não interessa se é branco, preto, a postura moral, intelectual, bonito ou feio,

diferenças sociais, econômicas e intelectuais. O que nos une é a identificação, completamente.

I-Você poderia citar no seu entendimento, que fatores contribuem para o êxito durante tanto tempo e em escala tão grande do referido estudo em dos Doze Passos?

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incondicional, esse existe. E isso prende nos e só um alcoólico entende outro alcoólico. E isso que faz eu voltar, eu querer. Infelizmente nem toda gente que chega a AA fica, mas é só por quer porque todo grupo o que faz é receber bem o recém-chegado e se ele não fica nós, costumamos fazer um inventário do grupo, para saber se fizemos a mal se estamos precisando fazer algo e fazendo o inventário e percebendo e tendo a consciência de grupo que fizemos tudo para o recém chegar possa vir, então se ele não vem é porque ainda não quis parar. Se ele não quiser, não há ninguém que o possa obrigar

I- Na sua visão, que pré-requisito ou o que precisam ter, os que estudam os Doze Passos, para que possam compreender o que está sendo estudado?

EP2 - Eu penso que qualquer pessoa que tenha boa vontade para se recuperar, entende até aquilo que não sabe, porque a través da partilha do outro entende pois temos casos de pessoas que mal sabem ler entendem porque tem essa boa vontade. Costumamos dizer que a pessoa precisa ter boa vontade honestidade. Isso é muito importante, a pessoa entende os passos. Pode levar mais tempo que o outro mas acaba por entender pois ele precisa praticar. Há pessoas que vão as reuniões, mas não pratica os passos e por isso não vai aprender sobre ele. Se não fizermos as tais mudanças que é sugerido. Eu costumo dizer que quando eu parava, mas não aplicava os passos, quando havia alguma complicação eu recorria ao álcool novamente. Não tinha onde me agarrar, não sabia aceitar avida, não sabia lhe dar com os sofrimentos. Não conhecia os passos, não me conhecia os defeitos e nem as minhas qualidades.

I- É a diferença que se diz de estar sóbrio e sobriedade?

EP2- É. Não é só estar abstinente e sim estar sóbrio. Muitos ainda não conseguem estar sóbrio embora estejam abstêmios. Há diferença grande.

I-Poderia descrever alguma situação experienciada por você durante a função de

coordenador grupo, que considere relevante para o processo de aprendizagem? EP2- Sim, as vezes quando termina a reunião e depois as pessoas que estão ali assistindo e

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de ajudar o outro. Porque todos nós não somos professores, somos todos iguais, claro uns com mais tempo e experiência que outros mas se eu estou a explicar um passo e eu as tiver vivenciado, muitas vezes as lágrimas me chegam aos olhos e o coração me chega a boca e as pessoas entendem e eu sempre escuto em AA; quando eu estou dano ao outro é que estou me dando e por mais que eu dê eu não consigo dar tudo que me foi dado. Mais do que parar de beber em AA foi aprender a viver. Eu podia aprender a parar de beber, mas depois eu não sabia viver comigo. Portanto em AA eu aprendo a saber viver sem a muleta do álcool, que é importantíssimo, que é a aceitação, aceitar a vida como ela é e não como eu quero que ela seja.

I-O que na sua visão, acontece nos grupos que faz com que haja aprendizagem significativa

durante o processo de estudo? I-Houve alguma pergunta que você considera importante e que eu não fiz durante essa

entrevista quanto ao estudo do modelo nos grupos de Alcóolicos Anônimos? EP2- Eu penso que tá ai tudo. Eu penso que sim.

I- Eu gradeço sua disposição de me ajudar. Muito obrigada.

Entrevistado Português 03 – EP3

PERGUNTAS DAS ENTREVISTAS:

1º Bloco de Perguntas: Perfil dos coordenadores:

I-Que idade tem e há quanto tempo você realiza a função coordenador nas salas de AA? EP3- Tenho 44 anos, como coordenador uns 5 a 6 anos.

I-Qual seu nível de escolaridade? EP3- Sou licenciado. Sou advogado

I-Quanto as reuniões, qual o número médio de participantes e sua duração? EP3- Número média deixe-me pensar... 14.

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EP3- Sim. Tem sempre, sempre há diferenças. Nós nos grupos temos, pelo menos naquele em que nós conhecemos tem reuniões temáticas e a dos Doze Passos e ai nós temos que estudar os passos então dependendo de quem vai conduzir a reunião, por que há sempre a perspectiva pessoal e experiência do passado, as experiência de recuperação, as recaídas ou não, então há sim diferenças.

I-O que você considera importante ter para realizar a função de coordenador de grupo de estudo? Que tipo de postura é importante para realizar a referida função?

EP3- Em primeiro lugar aquelas características que devem ter qualquer servidor do grupo, que é em primeiro lugar conhecer bem o grupo, ser assíduo as reuniões, estar atento as coisas que acontecem nas reuniões. Mais do que é dito estar atento aquilo que não é dito, nessa perspectiva pois o silêncio as vezes fala mais do que as próprias palavras. Depois ter o gosto por ler. Porque há companheiros que têm muitas experiências, mas não leem. Tem que ter gosto e interesse em ler, não só ouvir mais ler. E há literatura sobre AA, há literaturas sobre dependências, há literaturas vastíssimas e esse interesse é sempre uma mais valia para o grupo. E aí o coordenador vai mais além do que o básico, do que o obvio. Há livros dos Doze Passo e Doze tradições, há o livro azul e pois há muito mais e há relatos de textos e de experiências que são um amais valia para uma sala de Alcoólicos Anônimos. E todas essas perspectivas o coordenador pode oferecer, principalmente aqueles que chegam. Há a textualidade do material, mas há coisas que só a experiência pode ajudar e o problema não é só a questão do alcoolismo, mas outras que advém dela e que são da vida, que diz respeito ao desemprego, a família, ligados a ansiedade, ao desejo de beber, isso tudo é importante.

I- Então você está me dizendo que é importante que o coordenador seja um leitor, que ele conheça o grupo, que ele seja assíduo não é isso?

EP3- Sim é isso.

2º bloco : Como cada coordenador entende , sente e percebe a sua função

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EP3- Eu acho diferente porque eu me escuto partilhando em voz alta, quando meus pensamentos saem e voltam a entrar, tem uma compreensão muito diferente. Agora na minha experiência nas salas doa Alcoólicos Anônimos, há muitas coisas que nos une, mas é importante que saber que temos muitas diferenças e que é preciso saber conviver com elas. Então eu posso dizer que a própria interpretação que eu posso ter do primeiro passo é diferente dependendo de como eu estou e o que eu vivi., da minha impotência diante do álcool, e nesse aspecto cada um trabalha com a vossa experiência. A experiência de um não é a experiência de outro, portanto muda.

I- Bem agora eu ainda queria tentar conseguir sintetizar mais essa resposta. Quando a gente fala a gente estrutura o pensamento e você falou muito bem disso e você disse que ele sai, vai para fora e volta porque você se ouviu, essa mensagem ela chega de um jeito e te afeta de um jeito, e se você pudesse dizer para mim como afeta o seu discurso para você e o discurso do outro também para você.

EP3- Bem quando é o meu próprio discurso do meu pensamento ele ganha outra perspectiva porque eles foram partilhados, já foram experimentados por mim. Portanto quando eu penso sobre aquilo que já disse e começo a comparar com o que já vivi antes ele tem uma perspectiva muito mais diferente pois ele já me parece mais objetivo. Agora relativo ao discurso dos outros, tem sempre a relação com a identificação. São sempre duas perspectivas diferentes. Os meus pensamentos ficam mais objetivos e eu me situo e quando escuto o outro eu tenho identificação e isso me faz sentir um sentimento de pertença e crio laços com o outro.

I- Você está me dizendo então eu quando você se escuta você se situa e quando escuta o outro você entra no processo de identificação é isso?

RP3- Sim é isso.

I-Como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos

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RP3- Como qualquer coordenação penso que o mais importante é perceber que ele faz falta mais que ele não sobressaia. Está sempre na sombra, intervir quando for preciso, orientar não deixar que saia do assunto dos Doze Passos, na verdade é a função de orientar. Essa reunião é sobre os passos, pois vamos falar sobre ele e em outro momento haverá tempo para falar sobre outras coisas. Tentar orientar e de preferência sem se sobressair. O coordenador não deve falar muito, não deve fazer a partilha principal sobre o tema. Ele ter a postura de anonimato e se ele mais anônimo está, se ele conseguir fazer isso em uma reunião de estudo isso é um ótimo sinal. Ele não pode personalizar. Ele pode até quere fazer o trabalho, mas se o grupo entende que ele não tem o perfil para isso ele vai fazer outra coisa. Mas depois de ter sido eleito para coordenar o grupo não mais interessa que o faz, se A, B ou C. Interessa eu o trabalho esteja sendo feito. O serviço não está associado aquela pessoa em especifico se não a rotatividade não tinha porque ser. Aquele faz tão bem porque não podemos manter ele lá? Então o anonimato faz muito sentido porque até porque ele evita de ser apontado desde que o fez bem ou em algum momento porque errou, portanto o anonimato nesse aspecto é um salvaguarda e embora não se tenha hierarquias há necessidades de líderes e são esses líderes que sabem se pôr de lado quando for a horas, sabem se sobressair, sabem não dar ordens e sim sugestões. Isso é um trabalho mais difícil do que ser um líder de uma empresa, porque tem se sempre travar a sua personalidade, tem que sempre está em anonimato.

I- É então o a literatura do AA chama de servir?

EP3- Sim. Servir sempre no anonimato. Sempre que eu aceito a responsabilidade de servir eu tenho que sempre lembrar que eu estou ali para servir. E tem a responsabilidade de que se alguma coisa não está a correr bem, ser assertivo, sem criar constrangimento a ninguém. As vezes se passa por pouco simpático, mas as vezes tem que ser, pois as vezes se combinamos que cada um tem um tempo para partilhar mas passa desse tempo, o coordenador tem que tomar a palavra e dizer companheiro por hoje acabou o seu tempo. Isso especialmente é muito difícil.

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EP3- não sei se percebi bem, mas você está me perguntando onde na minha partilha eu sinto que afeto e onde eu sou afetado na partilha do outro?

I- Sim,

EP3- Ok, por exemplo eu falo muito bem e isso as vezes me deixa cheio de orgulho, mas eu gostava que as palavras que eu uso fossem vistas mais o que está por trás delas. As palavras eu sei tem muita força, mas eu gostaria que fosse percebida de outra maneira, mas eu não posso falar de outra maneira porque eu sou fruto das minhas experiências e eu sou licenciado e sei que a minha partilha afeta as vezes pela identificação e também as vezes pela não identificação. Eu particularmente pela minha experiência em alcoolismo fui muito abaixo, fiz muita coisa errada e felizmente não é a história da maioria e as vezes eu percebo que minha partilha pode afetar de forma ruim. Se há identificação nas semelhanças há também em alguns casso coisas que chocam, e isso não vai ajudar a ninguém. Tenho isso muito presente na minha experiência de algumas partilhas e então as vezes parece me inibir de partilhar em algumas salas e se calhar não vai ajudar e eu prefiro então partilhar com meu padrinho ou um outro. Agora a partilha dos companheiros, as vezes há partilhas que quando eles falam a identificação é total e a identificação de como fala, o que fala. Por exemplo tem uma companheira que quando ela fala, ela é mais velha que tem outras vivencias, mas quando ela fala do passo eu digo sempre, quero isso ai para mim, quero aquela visão e as vezes não tem nada haver em ser alcoólico mas tem a ver com a maneira de estar, de servir. E aí eu começo a criar esses laços que tem a ver com a identificação e isso é o grande caminho dentro da comunidade e isso tem a ver com a identificação dentro de cada passo. E isso acontece mais quando há essas reuniões temáticas dos passos e das tradições.

I-Você identifica alguma ou algumas mudanças na compreensão do estudo da literatura por você, com o passar do tempo? Poderia explicar?

EP3- Há sim claro que sim. Esse livro que você estava a folhear o “Vier Sóbrio”, quando eu

li logo que peguei de uma vez só do princípio ao fim e me ajudou muito, mas pronto estava ali o livro e depois com o tempo eu fui vendo que precisava voltar a trás e ir ler de maneira diferente com outro jeito e voltei e pegar no livro e a partir daí nunca, mas o guardei. Então

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sentido ler hoje. Por exemplo o livro “azul” comecei a fazer a mesma coisa. Eu penso o que

eu preciso me refrescar. O que eu preciso repetir e rebater é preciso ler as coisas de outra maneira de uma outra perspectiva diferente. Por exemplo essa semana tinha uma companheira recém-chegada e ela estava lá reclamando que não acreditava em certas coisas, que quilo era um religião etc. E a companheira que estava coordenando falou algumas coisas pra ela mas no final da reunião percebi que faltava alguma, que ela precisava perceber que ali não havia nenhuma religião e coisa, ai peguei o livro e escolhi o tema da fé e escolhi algumas passagens. E eu percebo que em algumas situações é muito melhor ler em voz alta um livro do que está a dizer é assim é assado. O que está escrito foi pensado, bem pensado, portanto se for eu a falar dependendo do estadão de espirito posso interferir. E ai quando eu li eu comecei a lembra da passagem da bíblia que diz que a fé sem obras é morta e eu vi como retornar a literatura ela me leva a outras coisas, inclusive a outros livros e eu estou até hoje pensando nisso, por exemplo, na fé sem obras é morta. Que Deus ajuda amis quem se ajuda a si próprio. Então a literatura é importante porque é onde posso recorrer quando estou em dúvidas.

I- Então eu posso dizer que seus conteúdos internos, a sua leitura de mundo, interfere na sua leitura da palavra, da textualidade da literatura com o tempo?

EP3- Há sim! A partir que eu me debruço sobre o mesmo livro, mas tendo passado por experiências outras a minha leitura passa a ser outra. Vejo com outro olho.

3º Bloco: Sobre a importância e entendimento atribuído pelos coordenadores dos grupos ao estudo dos DOZE PASSOS.

I-Na sua visão, que efeito sofre o estudo dos Doze Passos ele sendo estudado individualmente e em grupo?

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e que deu muito trabalho para isso acontecer e que tudo isso foram experiências coletivas. Que a escrita dos Doze Passos por exemplo foi a experiência de anos de várias pessoas e que falavam sobre isso e que partilhavam e que chagavam a conclusão que isso funcionava graças as experiências do passado. Portanto deixar que esse estudo seja feito individualmente, não quero dizer que seja perigoso, mas que é menos bom. Porque me grupo é a experiência minha, a experiência do outro e do outro e se eles puderam ser partilhados, isso me ajuda ou a mudar de ideias ou me convencer que o que eu estou fazendo é realmente bom para mim.

I- Então eu posso dizer que a partir das experiências facilita o entendimento?

EP3- Sim Claro! E assim é mais fácil, não é mais fácil é mais confortável porque eu tenho um termo de comparação e assim eu posso dizer para mim: é acho que é melhor ir por aqui ou se calhar não é melhor eu experimentar outro caminho. Porque as vezes a minha mente tem um percurso de desonestidade e de manipulação e se isso for feito sozinho não me parece muito bom.

I – Qual sua opinião a respeito da literatura de suporte publicada pela irmandade para o grupo? Qual publicação você considera que mais contribuiu para seu aprendizado?

EP3- Sim o livro “viver sóbrio”, mas há um folheto que eu acho extraordinário que eu gosto muito, muito mais pelo intuito com que ele foi feito que é o; “você pensa que é diferente”. E eu acho fantástica essa ideia do folheto, por causa da identificação e por

perceber que a ideia que eu tenho desse texto é valioso m as a ideia subjacente a escrita dele

é extraordinária. Mas em termo de sumo o livro “Alcoólicos Anônimos”.

I- E foi interessante que você me falou sobre a literatura em outra pergunta mas que está aqui dentro que é quando você diz que em alguns casos é melhor que se leia o livro do que se falar sobre, então você está me dizendo que a literatura funciona como uma autoridade por ter sido impressa por ter sido pensada. Foi isso realmente que você me disse?

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I-Você identifica alguma contribuição do grupo para seu processo pessoal de aprendizagem? Pode exemplificar?

EP3- Há sim claro. Mas lembro que quando eu comecei no serviço no AA, não foi na coordenação de grupo, foi como representante de serviços gerais e fiz isso muito cedo, eu ainda não tinha nem um ano na irmandade e eu não pensei nas eventuais consequências de aceitar esse serviço. E eu aceitei com uma questão de ego e pelo grupo ter confiado em mim e em sete meses de sobriedade já ser representante de serviços gerais. Ok se aqui somos todos bons há alguns que são melhores e percebi o quanto isso poderia ter sido perigoso para mim. Felizmente aquela pré - recaída foi logo a seguir e eu lembro bem que eu ouvia dentro de mim: não tu não vais beber porque você recebeu a confiança do grupo, tu tens essa obrigação acrescida e essa questão do ego aí acabou por funcionar de forma positiva e a meu favor.

I- Então você está me dizendo que a noção de reponsabilidade te ajudou a se manter limpo. Então o grupo te ajudou nisso, é isso?

EP3- Sim o grupo ao me dá confiança a um serviço, acabou por segurar a minha recuperação naquele momento, pois eu tenho certeza absoluta que se fosse o contrário eu teria recaído.

I-Você poderia citar no seu entendimento, que fatores contribuem para o êxito durante tanto tempo e em escala tão grande do referido estudo em dos Doze Passos?

EP3- Olha não são tanto os passos aplicados, mas que as tradições são para se cumprirem entre aspas.

I- Você está se referindo as doze tradições que são o roteiro para a manutenção do grupo não é? É só para pode ficar registrado.

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endosso de nenhuma outra comunidade, não haver interferência da irmandade em nada mesmo até nas questões do alcoolismo, sobre lei seca, blits, diagnósticos... E ter sempre em mente que essa comunidade tem um propósito específico que é não vamos nos afastar dele e só por aí é que conseguimos sobreviver nessas mudanças de tempo de mentalidade de países é a única maneira. E cá estar a pensara que se miudássemos em relação a legislação, cada país seria diferente e o alcoólatra é igual em qualquer lugar. Se as mudanças de diferenças de países, legislação etc mudar o AA aí começa a perigar e eu espero que isso nunca aconteça. O cumprimento das Doze Tradições e de forma estrita, sem manobras de nenhuma forma.

I- Na sua visão, que pré-requisito ou o que precisam ter, os que estudam os Doze Passos, para que possam compreender o que está sendo estudado?

EP3- Ter noção do que é estar em recuperação, aí o companheiro está mais seguro para poder estudar, para poder partilhar e para poder se orientar. Saber o que abstinência e o que é recuperação.

I- Então você está me dizendo que este é o pré-requisito para se compreender os Doze Passos?

EP3- Sim ter essa visão, saber dessa diferença.

I-Poderia descrever alguma situação experienciada por você durante a função de coordenador grupo, que considere relevante para o processo de aprendizagem?

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agido por ego, para ser autoritário, para dizer que fui eu que pus ordem naquilo, e depois cheguei à conclusão que não, que acabou por ser a atitude melhor aquilo, por pensar no bem-estar do grupo. Mas eu andei a pensar por um tempo que não naquela situação, mas em outras situações da vida eu tive a abusar um bocadinho da minha autoridade no sentido de ter sido mais áspero do que era preciso, pois eu já tinha me vangloriado mais por ser autoritário. E eu percebi que não foi naquela situação em concreto, mas em outras e que essa experiência no grupo me ensinou muito. E foram meus próprios companheiros que me deixaram eu chegar a essa conclusão. Nunca me apontaram, nunca me criticaram e foi eu mesmo que fiz um olhar para trás e revi o meu percurso no serviço eu percebi que tinha errado em alguns determinados episódios e eu percebi que meus companheiros me deram oportunidade até de errar para ver depois acertar e a partir daí eu entendi que definitivamente estava no lugar certo. Me deixaram descobrir meu próprio caminho sem críticas. Isso agora é uma perspectiva minha quando vejo um companheiro que chaga e acha que descobriu a pólvora, e eu aí começo a pensar: há esse aí precisa abaixar a bola e aí eu me lembro e digo: quem sou eu? Olho para traz e vejo, deixa lá ele chegar a uma conclusão no tempo dele e acho que só no serviço é que se entende isso.

I- Então eu posso dizer que a aprendizagem, esse processo de construção humana ela está alinhada à prática, ao exercício e a experiência? A partilha dá então suporte independente de ser boa ou rui, é isso?

EP3- Sim, e as partilhas que não são boas é que são as melhores, porque é delas que se tiram as melhores lições. E as experiências em serviços principalmente. E foram as experiências em serviços que tirei muitas coisas para minha vida própria, inclusive a profissional. Eu mudei completamente a minha perspectiva no trabalho, a maneira como eu me comportava com as pessoas com os julgamentos e isso foi a minha experiência em serviços dentro do AA.

I-O que na sua visão, acontece nos grupos que faz com que haja aprendizagem significativa durante o processo de estudo?

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necessário, porque as tradições têm essa importância pois se chegou alguém novo, ele tem que te r a mesma oportunidade de estudar os passos e nós de revê-los. Cada um tem a experiência de fazer a aprendizagem como eu fiz. Ele precisa seguir o programa dos passos e apesar de todas as outras literaturas, o estudo dos passos é importante.

I- Então você está me dizendo que a repetição, a constância do que se está estudado é que dá significado é isso?

EP3- Dá, é isso.

I-Houve alguma pergunta que vc considera importante e que eu não fiz durante essa entrevista quanto ao estudo do modelo nos grupos de Alcóolicos Anônimos?

EP3- Eu gostei imenso das perguntas e eu acho que não. Acho que referente ao estudo dos passos não, foi tudo.

I- Eu agradeço a sua disposição de ajudar nessa pesquisa. Muito obrigada.

Entrevistado Português 04 – EP4

PERGUNTAS DAS ENTREVISTAS:

1º Bloco de Perguntas: Perfil dos coordenadores:

I-Que idade tem e há quanto tempo você realiza a função coordenador nas salas de AA?

EP4- tenho 46 anos e estou nas salas seguramente há uns 13 anos.

I-Qual seu nível de escolaridade?

EP4- Tenho frequência universitária incompleta.

I-Quanto as reuniões, qual o número médio de participantes e sua duração?

EP4- No meu grupo básico varia entre 5 a 10 pessoas. E a duração uma hora e meia.

I-Você identifica algum valor à mais atribuído ao estudo em grupo, em relação a quem o conduz? Poderia explicar?

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como conduzir os passos e aplicar o programa na sua vida. Portanto há seguramente, estilos e formas, diferenças nas formas de conduzir as reuniões de AA.

I- Então isto muda o que vai ser estudado?

EP4- Não; porque o fio condutor é o mesmo, é realmente o espirito de entre ajuda. A mensagem subjacente que eu procuro transmitir e outro coordenador procura transmitir, no meu entendimento é a mesma que é a mensagem de esperança na sobriedade. Na abstinência e na sobriedade, a parte espiritual do programa também, independente de os estilos ser diferentes. Eu consigo comunicar ou transmitir para um determinado grupo de pessoas e a outros não, ou alguma outra pessoa consegue tocar um certo grupo de pessoas diferentes de mim que eu não conseguirei tocar.

I-Então o conteúdo do que vai ser trabalhado, ele pode sofrer alguma interferência em relação a quem trabalha o conteúdo?

EP4- Não entendi bem;

I- Assim se você fala do passo referente a rendição, mesmo seguindo um roteiro para ajudar nessa explanação e o outro colega também fala de rendição na reunião que ele conduz, o conteúdo sofre interferências de quem fala, mesmo o conteúdo sendo o mesmo?

EP4- Sim é isso que eu estou dizendo. Diria que sim, que sofre interferência de quem fala.

I-O que você considera importante ter para realizar a função de coordenador de grupo de estudo? Que tipo de postura é importante para realizar a referida função?

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à vontade com os temas e ter sido minimamente apadrinhado, ou ensina, apadrinhado é um termo de dentro do programa e das salas. Mas ter sido apadrinhado e orientado porque coordenar uma reunião se aprende para se éter um a capacidade de falar sobre os temas da reunião, ter pensado, ter meditado, ter trabalhado sobre esses temas, penso que são condições importantes. E depois duas coisas que penso também que de alguma forma são, ter algum controlo do tempo e capacidade de ser assertivo de quando um companheiro ou uma companheira começar a falar demasiado e de uma forma educada mais firme, dizer que o companheiro está falando fora do seu tempo , também com respeito ao tema, se for descontextualizado, saber também , interromper e não permitir que se fale de temas que não são o propósito da reunião, sem falar do que já me aconteceu algumas vezes de pessoas que chegam profundamente embriagadas, e que aconteceram com dois indivíduos por duas vezes diferentes e em que um deles chegou profundamente agressivo e quis jogar uma cadeira e atirar a cadeira como forma de mostrar seu desespero. Mas pronto não vou falar tanto nesse extremo, mas tem que ter essa habilidade. Mas essa habilidade aprende- se, mas qualquer pessoa que tenha boa vontade de fazer verdadeiramente isso pode fazer.

I- E como se aprende essa habilidade lá dentro?

RP4-Eu aprendi pela assistência, pela cópia dos exemplos e pelas perguntas que fazia e ouvindo as respostas porque é desse jeito assim e não assado e também pensando se me faz sentido ou não, não é? Eu se estiver ouvindo uma partilha que eu sinta também e veja que a pessoa está a precisar de falar eu não vou estar a olhar para o relógio e logo interromper. É também algo muito subjetivo, tem que ter sensibilidade.

2º bloco : Como cada coordenador entende , sente e percebe a sua função

I- Há alguma diferença de compreensão entre receber orientação das mãos de outrem e você mesmo repassa-lo? O que muda quando você se escuta?

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mas de sei que de alguma forma nem sempre sai como eu desejaria e que não há duas formas diferentes.

I- Sim a minha pergunta está muito votada para você. Você ouvir de outro e você ouvir de ti. Essa elaboração do pensamento estrutural sobre determinada coisa ela muda quando é você que o faz, ou quando é outro que o faz para você?

EP4- Sim penso que sim. Penso que muda.

I- Consegue identificar qual a diferença?

EP4- Não sei, eventualmente porque eu quando eu escuto o outro eu estou a ouvi-lo eu estou a pensar e a raciocinar e quando eu não estou ouvindo o outro posso também raciocinar e posso também meditar e raciocinar. Quando sou eu é difícil eu não consigo explicar como é se ouvir. Mas há sim diferenças. Não sou papagaio que repito e nem as pessoas são papagaio que repetem o que eu digo ou falo. Acho que o valor acrescentado é o amor com que eu coloco na mensagem que eu próprio quero passar.

I-Como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos DOZE PASSOS?

EP4- Eu descobri e tive que experimentar, e quando cheguei aos alcoólicos anônimos e quando cheguei a fazer o serviço do chá, toda gente dizia que esse serviço era bom que me fazia crescer, ponha-me em contato com aquilo que eu não gostava e não sabia lhe dar que era ouvir dizer não e ouvir dizer sim, era realmente eu achava aquilo muito vago. Pois eu chego com toda a minha arrogância pois eu sei mais do que toda essa gente que aqui está eles não sabem nada coitados. Eu achava que eu sabia como lá chegar e ao começar a fazer o serviços e pela prática de realizar o serviço eu realmente percebi que é importante fazer o serviço. Eu me perdi no meio da resposta. Pode me repetir por favor?

I-Como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos DOZE PASSOS?

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realmente ser coordenador me faz crescer enquanto estou no meu processo de recuperação e de abstinência.

I-Onde na partilha das considerações sobre o estudo em grupo, você considera que é afetado e como você afeta?

EP4-Não sei particularizar isso. Eu consigo, eu quando ouço a partilha de um companheiro e de uma companheira eu estou...não sei, há uma magia qualquer que eu digo assim: há mais esse indivíduo está a falar das coisas que eu sinto e das coisas que eu penso. É algo tão pouco claro mais está relacionado com a identificação. Mas não consigo verbalizar o que é como é. É uma das coisas que me faz ver esse programa como um mistério, eu sou uma pessoa que insistentemente procura explicação das coisas e acho que eu sou muito racional e embora minha companheira ache que eu sou muito emotivo, mas sempre penso, porque isso é assim, porque viajo desse jeito, porque não sei o quê. E a magia que acontece nas salas de alcoólicos anônimos que me trouxeram e ainda continuam a me trazer é quando dessa partilha e dessa identificação é que eu não consigo buscar o racional para explicar de determinado comportamento, mas é como se eu estivesse nele e eu os vejo para aprender e não continuar a repetir ou repetir o que me é bom. Portanto é uma coisa muito pouca verbalizada por mim, não sei bem.

I- Sim, quando eu trago essa questão de afetar e ser afetado é porque em muitos de nós existem pontos nevrálgicos em que a nossa identificação ali se apresenta; por exemplo uma mãe pode se sentir afetada sempre que um assunto referente a maternidade se apresenta, algumas pessoas saber que existem pontos que lhe afetam de forma mais significativa, se for falar de espiritualidade isso me afeta, se for falar de trabalho isso e afeta. É nesse sentido de que tipo de cousa lhe afeta mais significativamente na partilha sua e do outro.

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relacionamentos com os sentimentos e o saber me relacionar comigo e com os outros e algo que me toca e quando alguém partilha esses temas eu fico particularmente tocado, não é? E tudo tem a ver com esse desespero que é a consequência que me levou ao alcoolismo, é algo que me toca profundamente.

I-Você identifica alguma ou algumas mudanças na compreensão do estudo da literatura por você, com o passar do tempo? Poderia explicar?

EP4- Claro que sim, eu quando leio, eu vou lendo com alguma regularidade, porque aqui em Portugal, não sei bem como é no Brasil, mas aqui em Portugal os folhetos são relativamente poucos e a literatura é relativamente pouca, mas a medida em que eu vou avançando no programa e no meu próprio estudo e no meu próprio entendimento, uma

leitura que eu fiz quando eu tina um ano de sobriedade do livro “azul”, hoje eu vou lê-la de outra forma. Por exemplo as questões da espiritualidade, eu não acreditava na espiritualidade, porque tinha muito aquela relação de Deus, religião e espiritualidade muito misturada e muito negativa e eu hoje, apesar de eu continuar a não acreditar em Deus e eu ser muito agnóstico e quase ateu em relação a existência de outra vida eu tenho uma espiritualidade dentro de mim e eu digo; olha isso é a minha espiritualidade, são todos vós, o mundo a vida, isso o meu poder superior. E isso foi mudando com o avançar do programa e aí ler trechos dos livros hoje tenho um entendimento é diferente dentro do que tenho e tinha há dez anos atrás, não é?

3º Bloco: Sobre a importância e entendimento atribuído pelos coordenadores dos grupos ao estudo dos DOZE PASSOS.

I-Na sua visão, que efeito sofre o estudo dos Doze Passos ele sendo estudado individualmente e em grupo?

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isolado com ami há garrafa e se tivesse havido alguém que não se tivesse se apresentado vulnerável para mim, se mostrado efetivamente como é, com seu lado negro e branco, com seu lado mais escuro e mais bondoso, eu nunca teria crescido nesse programa. E quando eu me permito tornar-me vulnerável, quando eu deixo todas as proteções que tenho e deixo sair de mim tudo que é verdadeiro, os elementos genuínos. Tu empregas a palavra estudo e eu não gosto, da palavra estudo nesse contexto mais é a semântica, mas eu acho que quando a outra partilha comigo e eu partilho com o outro genuinamente há um crescimento nos dois lados.

I- Então você está me dizendo que a partilha da experiência vai agregando valor ao conhecimento é isso que você está me dizendo?

EP4- Sim o todo é maior que a soma das partes. Portanto o estudo em grupo é bem mais valioso do que eu sentar sozinho para estudar. Sim porque se eu não tiver uma validação, não sei bem se essa é a palavra para não entrar em outros campos, mas algo que me devolva, alguma opinião sobre o meu raciocínio, como é que eu vejo, como eu que eu infiro meu raciocínio e isso não tem a ver com sentimento, mas com o que penso.

I – Qual sua opinião a respeito da literatura de suporte publicada pela irmandade para o grupo? Qual publicação você considera que mais contribuiu para seu aprendizado?

EP4- Pra mim o livro “Viver Sóbrio” e depois o livro “Azul”. São fundamentais.

I-Você identifica alguma contribuição do grupo para seu processo pessoal de aprendizagem? Pode exemplificar?

EP4- O grupo me trouxe um conjunto de vivencia de experiências que eu sozinho não quero dizer que eu não conseguir inferir sobre ela, mas, o grupo permitiu-me, se calhar em um tempo mais curto, chegar a esse gênero de crescimento.

I-Você poderia citar no seu entendimento, que fatores contribuem para o êxito durante tanto tempo e em escala tão grande do referido estudo em dos Doze Passos?

EP4- Acho que ... por ser.… por me mostrar que se eu for humilde eu consigo ser eu

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I- Na sua visão, que pré-requisito ou o que precisam ter, os que estudam os Doze Passos, para que possam compreender o que está sendo estudado?

EP4- Predisposta a estar, a ouvir.

I-Poderia descrever alguma situação experienciada por você durante a função de coordenador grupo, que considere relevante para o processo de aprendizagem?

EP4- Quando eu me predisponho a ouvir sem nenhum preconceito. Uma partilha de qualquer companheiro ou companheira é sempre um aspecto de grande valia para meu crescimento. Qualquer um. Tenho é que fazer a minha parte. Não há nada que eu possa falar especificamente.

I-O que na sua visão, acontece nos grupos que faz com que haja aprendizagem significativa durante o processo de estudo?

EP4- Não sei. Digo que se eu soubesse eu era rico. Mas sabe nós temos um companheiro que ele tem mais de seis meses de sobriedade do que eu, e ele não acredita nos Doze Passos e ele acha que é uma fanchada e é fato que ele vai as reuniões e apesar de negar e dizer que o programa não funciona eu vejo o programa nele e como ele foi se modificando no longo dos anos e foi falando com os outros companheiros que estão entrando e, portanto, não há assim um jeito. Eu não sei dizer o que é significativo. Eu sei que é um milagre não e´? Especialmente para mim que infelizmente ou felizmente me tenho sempre no plano do pensamento, não é? Permitir-me sentir, seja bom ou seja mal... e já me disseram que aquilo que eu sinto é o que está certo né. Então é algo que é muito difícil e fazer isso é dádiva eu não sei, é dádiva. Não sei dizer.

I-Houve alguma pergunta que você considera importante e que eu não fiz durante essa entrevista quanto ao estudo do modelo nos grupos de Alcóolicos Anônimos?

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I- Pois eu agradeço muito a disposição de ajudar e de ter me recebido. Grata.

Entrevistado Português 05 – EP5

PERGUNTAS DAS ENTREVISTAS:

1º Bloco de Perguntas: Perfil dos coordenadores:

I-Que idade tem e há quanto tempo você realiza a função coordenador nas salas de AA?

EP5- Tenho 62 anos, entrei para alcoólicos anônimos com 44 anos e desde os 45 que coordeno as reuniões de AA.

I-Qual seu nível de escolaridade?

EP5- Licenciatura em serviço social

I-Quanto as reuniões, qual o número médio de participantes e sua duração?

EP5 - 10 a 12 a média

I-Você identifica algum valor à mais atribuído ao estudo em grupo, em relação a quem o conduz? Poderia explicar?

EP5 – Sim sem dúvida, quem conduz a reunião é isso, não é? Depende muito de quem está a coordenar o grupo para que essa reunião decorra com maior produtividade, ou seja se nós estamos a falar de uma tradição de um passo, vai depender da experiência que essa pessoa que está conduzindo a reunião tem. Tenha praticado efetivamente para poder dá uma experiência mais rica. Se você percebe que é teoricamente que sabe, não tem tanto efeito e tanto resultado.

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EP5- Em primeiro lugar tem que conhecer as tradições de AA. Portanto o alcoólico tem muita tendência a inventar e a criar novas situações e por vezes não dá muitos resultados. É preciso conhecer as tradições, é necessário ter uma postura de respeito e ouvir ao outro, de empatia e ter muita tolerância e muita paciência por vezes nas reuniões pois há os mais variados níveis de pessoas uns mais variados tempos das pessoas, desde os recém-chegados, aqueles que ainda não parou de beber ou que já ode ter uma serenidade. Pode ter um que tenha um comportamento muito alterado e compete ao coordenador, ter calma, saber como lhe dar com isso é não entrar em conflito com os companheiros.

I- E essa habilidade é formada dentro do grupo?

EP5- Não, ela não é formada ela é construída a partir das experiências dos outros e tem muito a ver com a prática do programa e o praticar dos passos. Vamos praticando os passos e vamos experimentando o que dá certo e o que não dá certo.

2º bloco: Como cada coordenador entende, sente e percebe a sua função

I- Há alguma diferença de compreensão entre receber orientação das mãos de outrem e

você mesmo repassa-lo? O que muda quando você se escuta?

EP5- Muda. E o que muda é a responsabilidade. Eu sinto maior responsabilidade se eu for coordenar uma reunião de um passo e para isso eu terei que me preparar melhor e para isso não é teorizar as coisas, mas é preparar-me. Saber exatamente o que o passo, o que está lá escrito, fazer a minha interpretação e conduzir a reunião nesse sentido. Quando eu estou escutando como participante sem coordenar e sem eu mesma elaborar o raciocínio, eu recebo e recebo de todos os outros a experiência, mas estou mais despreocupada. Não sinto a responsabilidade de me preparar para isso e acontece de eu ir a uma reunião e nem sei que lá está a se falar de passo e sou surpreendida que aquela reunião é para se falar dos passos e pronto. E não fui pensando no passo e fui surpreendida lá na altura.

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EP5- Sim porque quando eu coordeno e falo espera-se que eu tenha estudado e isso me enriquece mais. Eu me aproprio mais do conteúdo. Porque o estudo anterior me ajuda muito e é assim que nós vamos estudando a própria literatura dos Alcoólicos Anônimos não é?

I-Como você designaria e /ou entende ser a função coordenador do estudo em grupo dos DOZE PASSOS?

EP5- A função dele tem muito a ver em dar a conhecer o programa dos Alcoólicos Anônimos. Dar a conhecer que existem os passos, que cada um pode usar à sua maneira, falando também no apadrinhamento que é importante e que o apadrinhamento é sempre feito com aquela pessoa que tem mais tempo e que pratica os passo e que vai ajudar a pessoa a fazer e que tem a ver com a melhoria da qualidade de vida e da filosofia de vida e o caminho da recuperação. Naturalmente que a condução desse trabalho ou melhor desse serviço, o coordenador tem muito a ver com sua própria experiência e prática dos Doze Passos e das tradições também, obviamente.

I-Onde na partilha das considerações sobre o estudo em grupo, você considera que é afetado e como você afeta?

EP5- Eu sou afetado muito com a realidade da vida de outra pessoa. A tal identificação em que eu vou buscar identificação da minha, seja do passado seja do presente com o outro. Portanto isso afeta-me e isso sempre de forma positiva, pode ter alguma memória, alguma recordação menos boa, mas o que é verdade que até isso me ajuda a olhar para ela e arrumar isso. E penso que ao contrário também acontece. Acho que a identificação é a palavra-chave.

I-Você identifica alguma ou algumas mudanças na compreensão do estudo da literatura por você, com o passar do tempo? Poderia explicar?

EP5- Sim, sem dúvida. Para mim a literatura tem sido um instrumento fundamental na minha recuperação, e a medida que eu vou lendo a literatura de AA, mais eu vou entendo o que ela significa e a mais valia que me pode trazer para a minha vida. Sei lá o livro “azul”,

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Tabela 1- PERFIL DO COORDENADOR
Tabela 2 FUNÇÃO DE COORDENDOR
Tabela 3- SOBRE O ESTUDO DOS PASSOS
Tabela 4- SOBRE O GRUPO
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Referências

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