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TURISMO SUSTENTÁVEL. Aula 4

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TURISMO SUSTENTÁVEL

Aula 4

(2)

Sumário

Indicadores de sustentabilidade: Conceito de indicador;

Características desejáveis nos indicadores;

Tipos de Indicadores;

Fórmulas e operações de cálculo de diversos tipos de indicadores e índices.

Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS);

Indicadores de sustentabilidade no turismo: tipologias, exemplos;

Bibliografia:

Rizzone, A.; Albuquerque, A.; Gaspar, R.; Papudo, R. E ulião, R. Revisões bibliográficassobre indicadores de ambiente e ordenamento do território. Lisboa: Instituto Geográfico Português, 2006.

Rocha, A. (coord.). Construção e Análise de Indicadores. Curitiba, Brasil: Serviço Social da Indústria - Departamento Regional do Estado do Paraná,Observatório Regional Base de Indicadores de

Sustentabilidade. 2010.

(3)

A necessidade de indicadores de desenvolvimento sustentável

À medida que o conceito de desenvolvimento sustentável foi sendo interiorizado pelas instituições, sentiu-se a necessidade de avaliar o desempenho das economias com base em indicadores mais versáteis do que os indicadores meramente económicos como o PIB (Produto Interno Bruto).

É atualmente consensual que este indicador não reflete

necessariamente o bem-estar social e que a sua evolução ao longo do tempo não permite avaliar a sustentabilidade do

desenvolvimento.

(4)

Indicadores, objetivos e metas

Para aplicar o conceito de desenvolvimento

sustentável torna-se fundamental o estabelecimento de indicadores, metas e objetivos que possam dar a medida do desempenho de um país em matéria de sustentabilidade. Uma vez estabelecidas as metas, poder-se-á então em qualquer altura, avaliar a

distância que separa o país/região do fim em vista.

(5)

Conceito de indicador

Medida, geralmente quantitativa, que pode ser usada para ilustrar e comunicar um conjunto de

fenómenos complexos de uma forma simples, incluindo tendências e progressos ao longo do tempo (EEA,

2005, p. 7).

(6)

Aplicabilidade dos indicadores

Atribuição de recursos – suporte de decisões, ajudando os decisores ou gestores na atribuição de fundos, afetação de recursos naturais e

determinação de prioridades;

Classificação de locais – comparação de condições em diferentes locais ou áreas geográficas;

Cumprimento de normas legais – aplicação a áreas específicas para clarificar e sintetizar a informação sobre o nível de cumprimento das normas ou critérios legais;

Análise de tendências – aplicação a séries de dados para detectar tendências no tempo e no espaço;

Investigação científica – aplicações em desenvolvimentos científicos servindo nomeadamente de alerta para a necessidade de investigação científica mais aprofundada.

Informação ao público – informação ao público sobre os processos de desenvolvimento sustentável.

(7)

Características desejáveis nos indicadores

Credibilidade, rastreabilidade, facilidade de acesso, em relação à informação de base

Relevância para a sociedade e para as políticas Facilidade de compreensão e comunicação, tanto pelos decisores como pelo público

Devem reflectir cientificamente o estado da arte

Eficiência (capacidade para caracterizar o fenómeno que se pretende analisar)

Sensibilidade a prováveis e possíveis mudanças

(8)

Pirâmide da informação

Retirado de Rocha (2010)

(9)

Tipos de Indicadores: nomenclatura, fórmulas e operações

Na sua maioria, os indicadores possuem baixa

complexidade de cálculo, utilizando princípios básicos da divisão e multiplicação, de modo a que a maioria das pessoas, mesmo com um nível de conhecimento matemático pouco avançado, possam compreender facilmente sua construção.

(10)

Exemplos de tipos indicadores 1

Valor Absoluto: resultado de uma contagem ou estimativa. São dados comuns que, por terem sido dotados de um significado ou conceito, passam a ser considerados indicadores.

Número de casos de dengue

Mediana: valor que separa a metade inferior da população da metade superior

Mediana do rendimento disponível =

Valor que separa a população em duas partes iguais de acordo com o seu rendimento disponível

(11)

Exemplos de tipos indicadores 2

Média

Salário médio dos trabalhadores não qualificados

Rácio

Rácio entre homens e mulheres alfabetizados

Soma dos salários dos trabalhadores não qualificados

Número de trabalhadores não qualificados

RÁCIO

(12)

Exemplos de tipos indicadores 3

Percentagem ou Proporção

% de pessoas abaixo do limiar de pobreza

Taxa

Taxa de mortalidade infantil em 2007

Número de pessoas com rendimento disponível inferior a 60%

da mediana do rendimento disponível População Total

%

(13)

Exemplos de tipos de indicadores 4

Incidência

Nº de novos casos de SIDA em relação à população

Prevalência

Nº de portadores de SIDA em relação à população

Nº de novos casos de SIDA registados

População Total

INCIDÊNCIA=

Nº de pessoas portadoras de SIDA

População Total

PREVALÊNCIA=

(14)

Integram uma vasta quantidade de informação num formato de leitura simples, facilitando a análise de fenómenos

complexos;

Transformam um conjunto de indicadores simples, relacionados com determinado fenómeno, num único indicador sintético e de fácil leitura.

Fornecem aos decisores políticos informação de suporte à tomada de decisão;

Permitem apreender com facilidade a evolução de fenómenos complexos.

Características dos índices

(15)

Seleção de indicadores

O número de indicadores de base deve ser o menor possível

A selecção dos indicadores de base deve ter em conta, por um lado, a sua relevância analítica para os domínios de análise e, por outro lado, a

disponibilidade e qualidade desta informação com a desagregação espacial e a periodicidade

pretendidas.

(16)

Antes de calcular um índice é necessário ter alguns cuidados prévios com as variáveis:

1. Tentar reduzir o seu número, atendendo ao seu significado económico e à eventual presença de correlações fortes entre as variáveis;

2. Eliminar os efeitos de dimensão da região -

“standardização” ou padronização (percentagem, índice, valores per capita, valores por quilómetro quadrado)

3. Uniformizar o intervalo de variação - normalização

Procedimento

(17)

Normalização de indicadores

Os indicadores seleccionados podem ser medidos em unidades ou escalas diferentes, tornando-se assim

fundamental expressá-los numa unidade de medida e numa escala comuns. A normalização serve este

objectivo, expurgando as diferenças de valores entre indicadores das diferenças de unidades de medida e de escalas.

(18)

Normalização das variáveis

Calcula-se a norma de cada variável e divide-se o valor de cada observação pela norma.

A norma corresponde à raiz quadrada da soma dos quadrados das observações

(19)

Exemplo de Índices

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é a média geométrica de três indicadores: índice de educação; esperança de vida; Produto Interno Bruto per capita.

O Índice de Qualidade do Ar (IQAr) numa dada área resulta da média aritmética calculada para cada um dos poluentes medidos em todas as

estações da rede dessa área.

O Índice Sintético de Desenvolvimento Regional

(20)

É um indicador multicritério, sintético, que assenta numa estrutura

tridimensional em que o desenvolvimento global de cada região resulta dos desempenhos regionais em três componentes essenciais:

Competitividade que propicia capacidade de penetração nos mercados e crescimento económico;

Coesão que, em resultado de níveis aceitáveis de equidade de condições de vida, propicia condições sociais para a reprodução social e económica sustentável e para a atractividade dos territórios; e,

Qualidade ambiental, expressa numa dupla e integrada perspectiva de condições ambientais de vida na região e de sustentabilidade ambiental dos processos de desenvolvimento económico, social e territorial.

Índice Sintético de Desenvolvimento

Regional

(21)

Estruturação do Índice sintético de

desenvolvimento

(22)

Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS)

7 Objetivos estratégicos

1. Sociedade do conhecimento

2. Crescimento, competitividade e eficiência energética 3. Ambiente e património natural

4. Equidade e coesão social

5. Valorização do território e conectividade internacional 6. Participação ativa na cooperação internacional

7. Administração Pública eficiente

80 indicadores

(23)

IDS da ENDS especialmente vocacionados para o sector turístico

3. Ambiente e património natural

47. Turismo de habitação e turismo no espaço rural (% da capacidade total de alojamento)

1,5 2,0 2,5 3,0

2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Turismo de habitação e turismo no espaço rural - Portugal

(percentagem da capacidade total de alojamento)

5,0 10,0 15,0 20,0

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Turismo de habitação e turismo no Espaço Rural -

Portugal (taxa de ocupação - %)

(24)

IDS da ENDS especialmente vocacionados para o sector turístico

5. Valorização do território e conectividade internacional

72. Intensidade turística (Rácio entre o número de dormidas e a população residente)

0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0

2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Intensidade turística

(milhares de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros e similares por 100 habitantes)

Portugal Continente Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve Região Autónoma dos Açores Região Autónoma da Madeira

(25)

IDS da ENDS indiretamente relacionados com o ecoturismo

3. Ambiente e património natural

46. Índice de aves comuns

0,9 1,0 1,1 1,2 1,3

2004 2005 2006 2007 2008 2009

Evolução dos principais indicadores de aves comuns em Portugal Continental (2004 = 1)

IAC (61 espécies) IACZA (23 espécies) IACZF (20 espécies) IACOH (18 espécies)

(26)

Indicadores de sustentabilidade no turismo

No contexto do desenvolvimento sustentável do

turismo, os indicadores são conjuntos de informação formalmente seleccionados para serem regularmente usados na medição das alterações produzidas em

aspetos que constituem a chave do desenvolvimento e gestão do turismo num determinado destino.

(27)

Para quê indicadores específicos de sustentabilidade no turismo?

A construção de indicadores serve para melhorar os mecanismos de controlo do desenvolvimento da actividade turística e medir a sua contribuição para a

sustentabilidade em geral.

O setor turístico dispõe de uma informação estatística de base particularmente fraca e as questões colocadas

pelas análises no âmbito do desenvolvimento sustentável acrescentam ainda algum grau de incerteza.

(28)

Tipos de indicadores (conforme a sua utilidade para os decisores)

Indicadores de aviso (ex: decréscimo do número de turistas que pensa voltar);

Indicadores de pressão sobre o sistema (ex: aumento da criminalidade);

Indicadores de medição do estado do sector (ex: taxas de ocupação hoteleira);

Indicadores de medição do impacto (ex: índice de

urbanização da orla costeira, alterações no padrão de consumo e nível de rendimento das comunidades locais);

Indicadores de medição do esforço de gestão ( ex: custo de limpeza da costa);

Indicadores de performance ou resposta (ex: alterações nos níveis de poluição, maior número de turistas que repetem a visita, etc.).

(Retirado de DREM, 2006)

(29)

Indicadores básico de desenvolvimento sustentável para o Turismo 1 (CE, 2006)

Indicadores de estado / Forças impulsionadoras

1. Número de camas em hotéis e estabelecimentos similares

2. Número de viagens por meio de transporte 3. Emprego no turismo (% do emprego total) 4. Consumo das famílias em turismo

5. Peso do turismo no PIB

(30)

Indicadores básico de desenvolvimento sustentável para o Turismo 3 (CE, 2006)

Indicadores de Estado

11.Áreas utilizadas para atividades de lazer

específicas (marinas, campos de golfe, estâncias de ski, etc.), séries temporais

12.Áreas cobertas por florestas (%), séries temporais 13.Superfície das áreas protegidas (% da área das

regiões turísticas), séries temporais

(31)

Indicadores básico de desenvolvimento sustentável para o Turismo 2 (CE, 2006)

Indicadores de Pressão

6. Número de dormidas em diferentes tipos de estabelecimentos

7. Emissões de CO2 resultantes do uso de energia em instalações turísticas

8. Uso de água pelos turistas, por pessoa e dia, em relação ao uso realizado pela população residente 9. Lixo produzido pelos turistas

10. Descargas de água para o esgotos devidas ao turismo

(32)

Indicadores básico de desenvolvimento sustentável para o Turismo 4 (CE, 2006)

Indicadores de Impacto

14.Turistas expostos a ruído em hotéis e estabelecimentos similares

15.Qualidade das águas balneares, série temporal

(33)

Indicadores básico de desenvolvimento sustentável para o Turismo 5 (CE, 2006)

Resposta

16. Estações de tratamento de água –volume de água tratada, série temporal

17. Percentagem de estabelecimentos turísticos que

participam em programas ambientais reconhecidos 18. Despesas para conservar/restaurar património

cultural e histórico

19. Instalações turísticas com rótulo ecológico (% do total) 20. Existência de uso da terra ou em processo de

planeamento especificamente dedicada a atividades de turismo

(34)

Exemplos de temas, subtemas e indicadores de turismo sustentável (Macronésia)

Retirado de DREM, 2006

(35)

Benefícios da utilização de bons indicadores

Identificação de riscos emergentes, permitindo tomar medidas preventivas;

Identificação dos impactos, permitindo tomar, atempadamente, medidas correctivas;

Avaliação dos progressos realizados no desenvolvimento sustentável do turismo, através da medição de performance de implementação de planos de

desenvolvimento e de acções de gestão;

Redução do risco de incorrer em erros de planeamento, através da identificação de limites e oportunidades;

Maior responsabilidade na tomada de decisões, por parte do governo e dos diversos stakeholders, dada a disponibilização de informação credível e

consistente;

Contínuo melhoramento devido a uma monitorização constante.

(36)

Outros elementos chave para a gestão da sustentabilidade do Turismo

Os indicadores são uma ferramenta preciosa mas constituem apenas um dos pilares que suportam o complexo edifício da gestão da sustentabilidade do Turismo. Outros elementos chave, incluem:

Plano do Turismo – é necessária a existência de um sistema de

planeamento e gestão do turismo para utilizar a informação fornecida pelos indicadores e incorporá-la na tomada de decisões;

Monitorização – uma vez identificados, os indicadores devem ser medidos e organizados de modo a tornarem-se úteis aos utilizadores. A sua

disponibilização através de meios dequados e a actualização no tempo são fundamentais;

Valores-padrão – os gestores de turismo necessitam de metas, para avaliar os resultados dos indicadores. Estas metas podem ser limites ambientais, por exemplo, ou valores aceitáveis de modo geral;

Responsabilização – Cada vez mais o sector do turismo, tal como outros, tende a ser responsabilizado pelos impactes ambientais da sua actividade.

A apresentação de relatórios às entidades governamentais e ao público em geral torna-se, pois, uma necessidade.

(37)

Desafios no uso de indicadores de sustentabilidade no turismo

1. Não há uma definição clara e

genericamente aceite de quais as formas de turismo mais sustentáveis

Como identificar metas e indicadores que permitam monitorar

a aproximação à sustentabilidade?

(38)

Desafios no uso de indicadores de sustentabilidade no turismo

2. A sustentabilidade de uma actividade com impacte global como o turismo (contribuição para o aquecimento global, contribuição do

setor para o desenvolvimento, etc.) só pode ser avaliada a uma escala global mas apenas se

implementaram sistemas de indicadores à escala local ou nacional

No entanto, existem dados à escala global (por exemplo:

fluxos turísticos, receitas, transportes, impactos ambientais, etc.)

(39)

Indicadores de impacto globais (Ex.)

Pegada Ecológica

http://conservacao.quercusancn.pt/

Pegada de carbono

http://www.pegadadecarbono.com/

(40)

Desafios no uso de indicadores de sustentabilidade no turismo

3. Melhoria na qualidade dos dados e investimento em investigação.

Por exemplo, as relações entre o turismo e o aquecimento global (o turismo contribui para o aquecimento global e este, por sua vez, ameaça o turismo) ou entre o turismo e a

biodiversidade deveriam ser aprofundadas e melhor quantificadas em termos de indicadores;

(41)

Desafios no uso de indicadores de sustentabilidade no turismo

4. Tendo em conta a tendência recente para a auto- regulação no campo do turismo através da

certificação, deveria ser dada prioridade à definição dos critérios e metas que permitam controlar a atribuição desses certificados.

(42)

Referências

Butler, R. (1999). Sustainable tourism: a state-of-the-art review. Tourism Geographies 1(1), 7-25 Comissão Europeia (2006). Methodological work on measuring the sustainable development of tourism. Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities.

Direcção Regional de Turismo da Madeira (2006). Sistema de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo da Macaronésia 2000-2005. Direcção Regional de Estatística da Madeira -

Funchal: D.R.E.

European Environment Agency (2005). EEA core set of indicators — Guide: (EEA Technical report No 1/2005 Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities.

GOMES, M.; MARCELINO, M.; ESPADA, M.; RAMOS, T. (consultor); RODRIGUES, V. (consultor) (2000). Proposta para um Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, Direcção Geral do Ambiente.

Organização Mundial do Turismo (1993). Sustainable Tourism Development: Guide for Local Planners. Madrid: OMT.

ROCHA, A. (coord.) (2010). Construção e Análise de Indicadores. Curitiba, Brasil: Serviço Social da Indústria - Departamento Regional do Estado do Paraná,Observatório Regional Base de Indicadores de Sustentabilidade.

Turismo de Portugal (2009). Relatório de Sustentabilidade 2009. Lisboa: Direção de Estudos e Planeamento Estratégico

Referências

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