UMA CAMI��AD�
COM
GIOvAnnI SAlERA JúnIOR
PAlMAS, 2019DEU�
É proibida a reprodução total ou parcial do texto deste livro por quaisquer meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos etc.), a não ser em citações breves, com indicação da fonte bibliográfica.
diagramação / capa Marcelo Soares da Silva revisão Tânia Prinsceswal
Damares Neiva Soares
S163a
Salera Júnior, Giovanni
Arias Soares Silva: 70 anos: Uma caminhada com Deus / Giovanni Salera Júnior – Campinas: MX Gráfica e Editora Online, 2019. 144p.: il.; color., 16X23cm.
1. Biografia. 2. Arias Soares Silva 3. Professor. 4. Pastor Evangélico I. Título
CDD 920
os meus sinceros agradecimentos.
�P�ESEntAçãO
Uma imensa alegria é o sentimento que tem me acompanhado durante todos os momentos na elaboração desta obra.
M esmo tendo sido um processo longo e exaustivo de entrevistas, pesquisa, coleta de depoimentos, leitura e escrita, foi também re- cheado de satisfação e entusiasmo.
Sinto-me privilegiado por conhecer e registrar os 70 anos de sua bela e virtuosa história.
Arias Soares teve sua origem no interior maranhense, numa grande família de onze irmãos. Após algumas mudanças, chegou a Imperatriz, onde aconteceu sua conversão ao Evangelho, aos 18 anos. Uma atitude ousada de rompimento com a religião tradicional de seus pais. Ele foi o primeiro de sua geração - numa época em que apenas cerca de 5% da po- pulação professava essa fé no Brasil (no Maranhão esse número era ainda menor!).
Como pioneiro, ele abriu caminho para que os demais membros de sua família abraçassem a fé cristã, tornando-se, ainda, no decorrer de sua car- reira, um valoroso protagonista no fortalecimento e expansão do Reino de Cristo.
Sua vida pode ser descrita como uma longa e intensa Caminhada com Deus.
É incrível sua versatilidade e produtividade ao longo de seus 50 anos de trabalho e dedicação ao ministério pastoral.
Além de retratar sua origem, formação acadêmica e realizações profis-
sionais/ministeriais, esse livro mostra com detalhes sua essência, quali-
dades e virtudes, bem como relata momentos de intimidade, reverses e
desafios em sua caminhada de fé. Trata-se de um verdadeiro raio x de sua
personalidade! São aspectos que tornam essa narrativa realmente dife-
renciada! Talvez esse seja o mais significativo registro histórico-biográ-
fico, até agora, devido sua riqueza de detalhes e aprofundamento, a ser
publicado sobre uma personalidade batista do Tocantins.
O leitor terá oportunidade ímpar de aprofundar-se no conhecimento das particularidades de Arias Soares – uma pessoa transparente, de fácil compreensão, que não utiliza máscaras. Um ser humano bondoso, sim- ples, amável, leal, que se dedica em favor ao próximo, com comporta- mento equilibrado e genuíno, portando-se de maneira semelhante diante de situações fáceis ou difíceis, não fazendo acepção de qualquer pessoa, independente de posição ou classe social.
Sua biografia nos apresenta um exemplo que se encaixa perfeitamente na descrição do “servo fiel e prudente” da Parábola dos Talentos contada pelo Senhor Jesus (Mateus 25:14-30), pois soube usar com sabedoria seus dons e habilidades para engrandecimento do Reino de Cristo.
Sua trajetória nos mostra, ainda, sob uma ótica mais abrangente, um as- pecto valioso de como o Bondoso-Criador tem utilizado as igrejas evangé- licas, por meio de ferramentas variadas - pregação, música, ensino e ações sociais - para transformação social e cultural de nosso amado Brasil!
Perto de completar 70 anos, Arias, sua família, amigos e irmãos de fé têm muito o que comemorar!
Ter sua vida registrada numa obra literária, por si só, é motivo de conten- tamento e regozijo. Contudo, esse registro nos revela outros beneméritos.
A vida de Arias Soares é uma manifestação constante e intensa de gra- tidão a Deus. Sua caminhada é fruto dessa intimidade relacional com o Espírito Santo.
Outro aspecto, tão relevante quanto este, que está patente em todos ca- pítulos, é seu reconhecimento e apreço às pessoas especiais que fizeram parte de sua caminhada. Há um vasto número de nomes daqueles que ti- veram presença marcante em sua jornada, nos momentos mais diversos, nas lutas, dores, superações e conquistas. O biografado não expôs suas memórias e lembranças para dizer aos seus entes queridos que ele é “im- portante”. Pelo contrário: as narrativas são um reconhecimento peculiar e genuíno àqueles que estão carinhosamente guardados em sua mente e em seu coração. É uma belíssima maneira que ele diz a cada um: “vocês são importantes para mim!”
Por fim, essa obra deixa uma ótima referência para sua posteridade.
Poucos têm o privilégio de alcançar a marca septuagenária. Conquista
maior ainda é quando tal longevidade vem acompanhada de um passa-
do cheio de virtudes e de um bom nome. Seus filhos, netos e bisnetos serão agraciados por terem essa bela narrativa como referencial de he- rança bendita. Certamente, que esse livro é um presente abençoado que irá acompanhar sua árvore genealógica, servindo de inspiração e orgulho para seus descendentes e para tantos outros que tiverem acesso a esse escrito, para honra e glória de Deus!
Parabéns e que venham muitos anos repletos de alegria e realizações!
Giovanni Salera Júnior
Mas em nada tenho a minha vida por preciosa contanto que cumpra com alegria a carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus Cristo para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.
— Atos 20:24A biografia do pastor e professor Arias Soares é um legado para esta geração e outras que virão. Um jovem que dedicou a sua vida à obra do Senhor Jesus Cristo, experimentando as marcas da graça e da misericór- dia de Deus em seu viver. Vidas e Igrejas foram abençoadas porque ele decidiu ser bênção.
Nestes anos de convivência, ao sentar para ouvir suas histórias, é voltar a um tempo de desafios e lutas, mas de imensas conquistas e vitórias.
O livro que você, querido leitor, tem em mãos é um convite à reflexão sobre o que Deus pode fazer através de uma vida colocada em suas mãos.
São lições práticas e seguras sobre o exercício de uma caminhada com Deus, para marcar a sua geração em seu tempo.
Que você, assim como eu, possa ser confrontado com esta biografia de um homem simples e humilde, mas que não furtou a sua vida do Reino de Deus; ao contrário, ofertou-se a si mesmo. Todos nós ganhamos por ser ele canal a serviço desse Reino.
Walmir Andrade
Pastor Sênior da SIBAPAApresentação ... 7
Prefácio ...10
Origem ...13
Sua mãe Rosa Maria ...14
Quem é Arias Soares? ...29
Formação Acadêmica ...35
Atuação Ministerial ...41
Pastorado ...41
Ministério de Música ...55
Ministério de Educação Cristã...63
Ensino Teológico ...66
Ministério Social ...68
Trabalho Secular ...75
Família ...79
Albúm de Família ...84
O Casal Viajante ...87
Álbum de fotos ...91
Caminhada Com Deus...105
Depoimentos ...117
Bibliografia ...139
C A P Í t U l O 1
O�IGEM
A rias Soares é um experiente e carismático líder cristão que, em mais de 50 anos de evangelho, contribui com seu exemplo de fé e dedi- cação, promovendo a expansão do Reino de Deus por meio do evange- lismo, ensino bíblico, ações e projetos sociais, por meio da música, como ministro de música sacra/erudita, da abertura e consolidação de diversas igrejas em municípios das regiões Norte e Nordeste. Em sua extensa e bem-aventurada trajetória ministerial, destaca-se por ter sido, entre 2006 e 2007, o sexto presidente da Segunda Igreja Batista em Palmas, conheci- da carinhosamente como SIBAPA!
A biografia de Arias Soares, apelidado Luís pelos familiares, é bem pe- culiar e nos revela várias experiências e situações que Deus usou para forjar em seu caráter e sua alma valores e princípios que inspiram po- sitivamente aqueles que tiveram e têm o privilégio de partilhar com ele momentos de aprendizado e comunhão.
Sua família de ambos os lados - materno e paterno - tem origem no município de Parnarama, localizado na região leste do Maranhão, na di- visa com o Piauí.
Vista aérea da cidade de Parnarama
Veja essa foto ampliada e colorida na página 91
Arias Soares nasceu em 25 de agosto de 1949, no povoado chamado Fazendinha, distrito de Parnarama - Maranhão, filho de João Soares Costa e Rosa Maria da Conceição. É o décimo filho dos onze que o casal teve, a saber: Maria, Liduína, Valdomiro, Zelina, Osmar, Floriza, Zilda, Raimundo, José, Arias e Valdiomiro.
SUA MãE ROSA MARIA
Rosa Maria da Conceição, mãe
Veja essa foto ampliada e colorida na página 91
Na época em que Arias nasceu, as mu- lheres cuidavam do lar e tinham muitos filhos. Começavam a ter as primeiras gestações bem jovens, logo após o casa- mento, e engravidavam regularmente até a menopausa, pois não existiam mé- todos contraceptivos eficientes, tais como temos hoje com uso de medica- mentos e procedimentos cirúrgicos.
Não havia hospitais e médicos para atender aos moradores das comunida- des rurais e os partos aconteciam em casa com auxílio de parteiras. A família de Arias Soares seguiu esse padrão cul- tural, com sua mãe tendo muitos filhos – todos vieram à luz pelas mãos habilidosas de parteiras tradicionais. Ele veio ao mundo quando sua mãe tinha 39 anos e seu pai 47 anos.
Na década de 1950, a população brasileira já estava em 51,9 milhões, sendo que a maior parte - cerca de 64% - residia na zona rural e apenas 36% dos habitantes moravam nas cidades. No Nordeste, esses índices eram ainda mais desiguais. Aproximadamente 90% dos maranhenses viviam em áreas rurais. As famílias obtinham seu sustento da criação de gado e pequenos animais domésticos, da produção agrícola de subsistên- cia e da caça e pesca.
Arias Soares teve uma infância como qualquer criança. Gostava de
brincar com carrinhos de madeira, às vezes, construídos na oficina do
pai, outros fabricados com talo de buriti (uma palmeira frondosa típica da
região); gostava de pescar e tomar banho nos córregos e lagoas, sempre acompanhado de muitos amigos.
Aos sete anos, jogava bola nos terreiros das casas ou nos campos dos povoados por onde morou. O futebol já era o esporte mais popular e am- plamente praticado em todo território nacional. Um esporte barato e extremamente acessível. Bastava apenas um espaço aberto e uma bola, que podia ser improvisada de pano, recheada com folhas e palha, para as crianças se divertirem à vontade. A criançada jogava com os pés descal- ços e as traves do gol eram improvisadas com o uso de galhos de árvores, pedras ou pedaços de tijolos.
Ele era um menino franzino e um pouco desajeitado, que não se dava bem com aquela atividade. Com relação ao futebol veja o que diz o atleta:
“Sempre que iam formar os times, eu tinha uma grande preocupação e perguntava a mim mesmo: será que vão me escolher?. Eu era um dos piores jogadores e, às vezes, só entrava em um time quando faltava alguém para completá-lo”.
A rotina do menino não era só de brincadeiras e diversão. Em tenra ida- de colaborava em atividades domésticas e produtivas, juntamente com seus irmãos e irmãs, ajudando a mãe Rosa Maria nos afazeres diários, nas atividades na roça e na cultura do coco babaçu.
No período de preparo da terra, as crianças e adolescentes trabalhavam na lavoura do arroz, feijão, mandioca, milho etc., de modo a garantir parte do alimento, que era armazenado após a colheita e consumido até a pró- xima temporada de plantio.
O coco babaçu tinha enorme importância econômica e social para mi- lhares de famílias do interior maranhense. Dessa grande palmeira apro- veita-se praticamente tudo.
As casas eram rústicas, construídas pelos próprios moradores. Emprega- vam madeira na estrutura da casa; as palhas do babaçu serviam para cober- tura e para construção das paredes. Das castanhas eram produzidos óleo e leite; as cascas eram queimadas e, ao serem transformadas em carvão, serviam como combustível no preparo dos alimentos no fogão à lenha.
Veja a casa que Arias e sua família moraram em um povoado chamado
Feitoria.
Nesta casa, além de ser a morada da família, funcionava a carpintaria do senhor João Soares. Sempre que se mudavam eles construíam uma nova casa, mantendo a mesma estrutura, dividindo ao meio a edificação:
de um lado, a moradia; e do outro, a área de trabalho.
“Meu pai, em sua carpintaria, além de fabricar móveis
domésticos, comerciais e rústicos, como: camas, baús, malas, banca de potes de barro, cristaleiras, prateleiras e rodas de fiar;
também produzia engenhos, ancoretas, alambiques e dornas – itens básicos na produção e comércio de aguardente de cana- de-açúcar. Uma qualidade que diferenciava o trabalho do meu pai de outros carpinteiros era sua habilidade para fabricar instrumentos musicais, como: viola, violino, banjo, pandeiro, cavaquinho e tambor chamado surdo. O mais interessante é que, além de fabricar, ele tocava todos esses instrumentos”, diz Arias Soares.
A carpintaria era considerada profissão nobre, devido sua importân- cia e rentabilidade. Praticamente tudo era feito de madeira. Não existiam objetos de plástico, tampouco era comum empregar itens de metal em construções e na movelaria. A carpintaria era extremamente importante para suprir itens essenciais para edificação de casas, além de dezenas de apetrechos domésticos e para uso em atividades produtivas e comerciais nas fazendas, povoados e cidades.
Não faltava trabalho para o Sr. João Soares Costa. Aonde quer que fosse ele tinha serviço e renda para sustentar sua numerosa prole.
Em 1957, sua família mudou-se para o povoado chamado Barra da Ju- çara, situado no mesmo município de Parnarama. Foi ali, aos oito anos,
Representação da casa da família Soares, que era uma morada típica do interior do Maranhão. Essa pintura à óleo foi obra de Arias, que também é um exímio pintor de quadros.
Veja essa foto ampliada e colorida na página 91
Cristaleira e Viola fabricadas pelo senhor João Soares em sua carpintaria
Veja mais fotos nas páginas 91 e 92
que ele começou a frequentar a escola. O kit de material escolar era bem simples: lápis, borracha, um pequeno caderno e uma carta de ABC, que continha o alfabeto com letras cursivas, maiúsculas e minúsculas, além de sílabas, palavras e números.
O aluno tinha que decorar todas as letras do
alfabeto para se preparar para a prova oral,
arguido pela professora, com uso de uma fo-
lha de papel com um pequeno orifício ao
meio. A professora sentava-se em uma ca-
deira à frente da sala de aula e chamava ale-
atoriamente um aluno para verificação do
aprendizado de cada lição em sua carta de
ABC. A mestra abria a carta e posicionava a
folha de papel de modo que uma única letra
ou sílaba ficasse visível pelo orifício e o alu-
no deveria responder corretamente. Era uma verdadeira prova de tensão, toda a classe ficava em silêncio, os corações disparados, mas na hora da arguição era necessário superar o nervosismo e o medo, o que só era pos- sível se o aluno tivesse estudado bastante a lição em casa. Arias era um aluno aplicado e geralmente tinha bom desempenho.
“Foi também naquela escola municipal que eu ouvi falar de Deus, como Trindade, pela primeira vez. Aprendi também alguns valores e princípios cristãos, ensinados nas aulas de catecismo.
Só que na prática, era cultivada a adoração à Maria e aos santos e a fé neles. Não se falava, especificamente, da pessoa de Jesus Cristo”, afirma Arias Soares.
O município de Imperatriz estava vivendo uma verdadeira revolução.
De acordo com o censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1950, Imperatriz nem aparecia entre as dez cida- des mais populosas do Maranhão. Após a construção da Rodovia Federal Belém-Brasília (BR 153), obra iniciada em 1958, no governo do Presidente da República, Juscelino Kubistchek, o crescimento vertiginoso da cidade, em pouco tempo, colocou-a na segunda posição, superando a histórica Carolina, que até então era a maior cidade do interior do Estado, atrás apenas da capital São Luís.
Em 1960, aos onze anos, nova mudança. Desta vez migraram para a região sudoeste do Estado do Maranhão, indo morar no povoado de Olho d’Água do Martim, município de Imperatriz.
Entre tantas mudanças, seus irmãos mais velhos foram se dispersando.
Era comum os filhos deixarem cedo a casa dos pais, por motivo de ma- trimônio ou por trabalho. Alguns que já estavam casados permaneceram
Cidade de Imperatriz nos anos 60
Veja essa foto ampliada na página 93
nos povoados anteriores, outros mudaram-se para novas localidades em busca de oportunidades.
Desse modo, para o povoado de Olho d’Água do Martim foram os pais, Sr. João Soares e dona Rosa Maria, e seis filhos.
Ali, Arias Soares passou sua adolescência e parte da juventude. Não foi uma adolescência como a de hoje. Naquela época os meninos de doze anos pra frente já trabalhavam em serviços pesados, principalmente na roça e na cultura do babaçu.
Além do trabalho, os adolescentes partilhavam momentos de lazer pró- prios dos adultos. Frequentavam bailes noturnos, dançavam, namora- vam e tinham uma vida bem livre. Arias Soares, mesmo muito tímido, gostava de dançar ao som de sanfona, ritmos musicais, como: baião, sam- ba, xote, bolero e valsa. Tinha muita dificuldade de conquistar uma garota, dada a sua timidez. Temia receber um não como resposta. Ficava ao longe, observando e admirando as moças e, frequentemente, se apaixonava por alguma sem que a mesma soubesse. Às vezes, precisava da ajuda de um amigo para poder chegar até a garota com quem queria conversar.
Como a maioria de sua geração, era amante da MPB e da Bossa Nova, com destaque para os cantores da Jovem Guarda: Roberto Carlos, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso e Agnaldo Timóteo. Admirava as canções da dupla Leno & Lílian e as composições das bandas de Rock The Fevers e Renato e Seus Blue Caps. Usou calça boca de sino e sapatos de salto meio altos. Recorda-se bem daquele período de descontração e alegria que a juventude dos anos 60 vivenciou.
O tempo foi passando e as responsabilidades tornaram-se cada vez maiores. A essa altura seu pai João Soares, com mais de 60 anos, sofria de problemas cardíacos, e com a ausência de três dos seus irmãos mais velhos, ele e seu irmão Valdiomiro precisavam trabalhar bastante para ajudar nas despesas da família.
No segundo semestre de 1966, foi passar uns meses na cidade para aprender a pintar. Foi incentivado por sua professora, que via nele um talen- to para aquele ofício, pois o garoto gostava de desenhar. Assim, ele rapida- mente aprendeu a pintar casas, prédios e a abrir letreiros no comércio local.
No início do primeiro semestre de 1967 voltou para o interior a fim
ajudar na colheita da última roça. Em todo tempo que passou no povo-
ado Olho d’Água do Martim, o jovem Arias pensava em retornar para a cidade.
Em julho de 1967, conseguiu levar a família, indo morar na rua Ceará, nº 303, no Bairro Jussara. Era uma casa tosca, construída com a estrutura de madeira e paredes de barro. Ele usou seu talento artístico e deu uma cara nova àquela casa, pintando todos os seus cômodos.
Antes da mudança definitivamente para a cidade, ele passou por alguns momentos de ansiedade. Seu grande sonho era encontrar vaga em uma das escolas públicas da cidade. Apegou-se com a alma da “Nega Velha”, fazendo-lhe uma promessa que, caso encontrasse vaga em uma das es- colas públicas, acenderia velas e rezaria para ela durante sete dias o Pai Nosso e a Ave Maria.
“Fazer promessas para a alma da Nega Velha era uma crença popular com relação à estória de uma escrava que havia
morrido há muitas décadas e sua alma era venerada por muitas pessoas, inclusive por meu pai”, relata Arias.
Mesmo partilhando crendices populares e sem reconhecer tanto o amor divino por sua vida ele sempre foi uma pessoa temente a Deus. Chegou a sonhar em ser padre, descartando essa ideia quando seu pai lhe disse de forma áspera: “Negro não pode ser padre”.
Naquele tempo boa parte dos clérigos da igreja católica que dirigia as paróquias no Maranhão era de origem italiana. As missas eram celebra- das em Latim e não havia seminários na região. Para seu pai, era impossí- vel imaginar um jovem interiorano de linhagem mestiça ocupando uma função de destaque social.
Entretanto, para surpresa de seus pais e familiares, Deus tinha outro propósito, algo maior e mais excelente, para sua vida.
Chegando a Imperatriz, foi em busca do sonho de dar sequência na sua formação escolar. Indagou por referências e percorreu várias localidades, mas não encontrou vaga em nenhuma escola.
Certo dia, através de alguns amigos, foi informado de que havia vagas
na escola onde estudavam, por ser uma escola particular. Aquela notícia
fez seu coração saltar de alegria, por pouco tempo, pois logo foi comuni-
cado que era uma escola de elite e que pertencia aos crentes. Ele, ouvindo
aquilo, questionou: “Dos crentes?”. Aquela alegria inicial deu lugar à apatia e ao desalento.
Havia enorme preconceito acerca dos protestantes, que eram vistos com desconfiança e certo desprezo por significativa parcela da população majoritariamente católica.
Nessa época, o número de evangélicos no Brasil era bem pequeno, ape- nas 4% da população. Na região sudoeste do Maranhão, onde se situa a cidade de Imperatriz, esse número era ainda menor.
Mesmo com toda desconfiança e preconceito reinante na cultura local, o desejo de estudar que Arias Soares carregava em seu coração foi maior, levando-lhe a ingressar na Escola Batista de Imperatriz, mantida pela Junta de Missões Nacionais (JMN).
De modo geral, a precariedade do ensino no Brasil era deveras grande e mais drástica ainda era a situação das cidades do interior, em especial nas regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste. As igrejas tentavam suprir a carência de ensino, mantendo suas próprias escolas para formação das crianças e jovens que não tinham acesso à rede pública de ensino. A despeito dos pré-julgamentos, as escolas da Junta de Missões Nacionais eram reconhecidamente meritórias.
Arias guarda boas lembranças daquele período escolar, em especial da professora missionária Eliaci Amado dos Reis que, além de dar aulas, ad- ministrava o educandário. A Escola Batista de Imperatriz era muito dinâ- mica e bem-conceituada.
“Ela me ajudou muito. A escola era particular; e, por muitas vezes, para eu pagar as mensalidades fazia serviços de pinturas necessárias na escola”, afirma Arias Soares.
Às sextas-feiras eram celebrados no auditório da Primeira Igreja Batista de Imperatriz (PIBI), cultos de louvor e pregação da palavra de Deus. Ele e os demais estudantes da Escola Batista frequentavam
Alunos da Escola Batista de Imperatriz.
Arias é o segundo da direita para a esquerda, na primeira fileira.
A professora Eliaci no canto direito.
Veja essa foto ampliada na página 93
essas reuniões, onde ele ouviu e passou a entender a mensagem do evangelho de Jesus.
Dentre os pregadores, ele apreciava com especial estima os sermões do irmão Raimundo Nonato Rocha.
“Como aquele senhor tinha o dom da Palavra e a simpatia para anunciá-la”! recorda Arias Soares.
A partir de então, a missionária Eliaci e a irmã Maria Alves (apelidada carinhosamente de dona Maroca) passaram a convidá-lo regularmente para participar da Escola Bíblica Dominical (EBD) e para assistir aos cultos de domingo à noite.
A Primeira Igreja Batista de Imperatriz foi fundada em 14 de junho de 1959, pelo Pastor João Paulo Ataíde. Era uma igreja alegre e muito aco- lhedora. Possuía um coral que cantava quase todos os domingos. Arias Soares tem ótimas lembranças daqueles tempos.
“Era encantador! Músicas bem ensaiadas pela Prof.ª Eliaci Amado dos Reis; vozes bem trabalhadas e algumas peças de natureza erudita eram cantadas por aquele coral. Só depois que estudei música pude compreender o seu valor artístico e espiritual”, relembra Arias.
Sempre que a missionária Eliaci o convidava para ir à igreja, ele pergun- tava: “O Coral vai cantar hoje?”.
Aquele ambiente agradável da igreja, com pessoas gentis, sermões que tocavam sua alma e músicas lindas foi atraindo cada vez mais seu interesse.
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.
— sAlmos 122:1
Em virtude disso, Arias começou a entrar em conflito interior. Não que- ria deixar a igreja na qual havia sido batizado quando criança, mas ao
Fachada da PIB de Imperatriz depois de uma reforma arquitetada por Arias Soares no começo dos anos 80
Veja essa foto ampliada e colorida na página 93
mesmo tempo sentia enorme apreço pela música e ensinamentos dos batistas. Esse dilema perdurou alguns meses, gerando um rebuliço em sua mente e coração.
Aos domingos, às 19 horas, lá estava ele na missa, ouvindo os sermões em Latim, que quase nada entendia e muito pouco conseguia aplicar em benefício de sua vida. À medida que frequentava a paróquia, descobria que aquilo não era o que ele buscava para si. Às vezes, antes de o padre terminar o sermão, ele já estava se dirigindo para a igreja batista.
Não suportando mais aquele conflito, no final de 1967, tomou a atitude de ficar naquela igreja que tanto o atraía.
Certo dia, Arias Soares ouviu uma poderosa mensagem do Pr. João Pau- lo Ataíde, que tocou profundamente sua alma.
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.
— RomAnos 10:17
Ao final da pregação, o pastor fez o apelo de conversão e, enquanto o coral cantava à meia voz o hino nº 92 do Cantor Cristão “Morri na Cruz Por Ti, Que fazes tu por mim?”, com a ajuda do Espírito Santo, ele publicou sua decisão de ser um seguidor de Jesus.
Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.
— RomAnos 10:9
Aquele ato de ir à frente do altar da igreja para entregar sua vida a Jesus tirou-lhe um enorme fardo das costas. Daquele momento em diante não precisaria mais estar em conflito consigo mesmo. Dali até o fim de sua vida, seu coração seria somente de Cristo.
Então, todo o meu ser transbordará de gratidão ao Senhor e se regozijará na sua salvação.
— sAlmos 35:9Em janeiro de 1968, Arias Soares foi batizado nas águas do rio Tocan- tins, numa celebração conduzida pelo Pr. João Paulo Ataíde, ingressando na membresia da PIB de Imperatriz.
Contudo, tal decisão não agradou sua família que era de religião católica
por tradição.
Pastor João Paulo Ataíde e sua esposa Neusa Ataíde
Veja essa foto ampliada e colorida na página 93
O pastor e sua esposa Neusa Ataíde visi- tavam com frequência a casa do neófito Arias Soares e, aos poucos, foram levan- do a mensagem de Cristo a seus pais que, posteriormente, naquele mesmo ano, também se converteram a Cristo.
E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.
— Atos 16:31Com o passar do tempo, outros mem- bros de sua família tomaram a mesma decisão, para a glória de Deus, entregan- do suas vidas ao Salvador. Por tudo isso e muito mais que ele sempre diz:
“Sou fruto, juntamente com minha família, do trabalho da Junta de Missões Nacionais na região do Tocantins”.
Só depois, ao fazer uma retrospectiva que ele percebeu que o bondoso Deus havia preparado meios para tocar seu coração, despertando grada- tivamente seu interesse pela mensagem de redenção que transformaria sua vida completamente.
Porém Deus, na sua graça, me escolheu antes mesmo de eu nascer e me chamou para servi-lo.
— GálAtAs 1:15Ele se recorda com muita alegria que, em 1965, ao pôr do sol de uma linda tarde, na rua principal do povoado Olho d’Água do Martim, parou um jipe com algumas pessoas. Eram os crentes da PIB de Imperatriz em viagem missionária por aquelas bandas.
Ao descerem do jipe, saíram convidando os moradores para assistirem
a um culto relâmpago que realizariam naquela rua. Arias resistiu um
pouco, porque na sua crença familiar, o católico que assistisse a um cul-
to evangélico perderia uma missa no céu. Contudo, ele deixou de lado
aquela crendice e foi assistir ao culto; gostou da pregação, dos hinos e da
simpatia dos crentes.
Quando o jipe partiu, os crentes começaram a cantar o hino nº 112
“Vencendo Vem Jesus”, como se fosse um grande coral. Arias Soares, ao ouvir aquelas vozes, disse:
“Se um dia eu tiver que ser crente, quero fazer parte de uma igreja que canta igual àquele grupo”.
É interessante lembrar que a Prof.ª Eliaci fazia parte daquela tur- ma. Cerca de dois anos depois, lá estava Arias Soares fazendo parte da igreja deles.
“Como nosso Deus dirige os passos daqueles que O buscam de todo o coração! Glórias ao Teu Santo Nome!”, exalta Arias Soares.
Seu crescimento espiritual na PIB de Imperatriz aconteceu de maneira bastante rápida. Reconhece que sua evolução na fé cristã se deve ao genero- so apoio recebido por inúmeras pessoas, entre as quais: Pr. João Paulo Ataíde, sua esposa dona Neusa Ataíde, professores da EBD, dentre estes os irmãos Ezir de Sousa Leite e Raimundo Nonato Rocha, o treinamento da juventude e por seu próprio esforço em conhecer a Palavra de Deus. Ele lia a Bíblia com regularidade e buscava colocar em prática diariamente seus ensinamentos.
Seu amor pela obra e seu interesse no crescimento do Reino de Deus mani- festavam-se em suas atitudes e práticas cotidianas. Envolvia-se em todas as atividades da igreja. Logo se tornou professor, pregador e líder de jovens.
Em 1969, a Professora Eliaci Amado do Reis saiu de férias para sua terra natal, Espírito Santo, e não mais voltou. Nestes 50 anos que já se passaram desde sua partida, infelizmente, ninguém de Imperatriz obte- ve informações de seu paradeiro. Ela teve papel primordial no começo da caminhada cristã de Arias, que até hoje guarda ótimas recordações e anseia por alguma notícia de sua querida mestra. Pena que a amada Eliaci não pôde ver os frutos que foram gerados ao longo da trajetória de Arias – muitos dos quais plantados por ela como sementes de incentivo, carinho e compaixão.
“Louvo a Deus por ter nascido espiritualmente naquela Igreja. Eu
nunca me esquecerei do início de minha caminhada e de outros
momentos que ali passei. Uma igreja dinâmica, missionária,
que alcançou muitas vidas naquela grande região do sudoeste do Maranhão. Como é bom lembrar alguns dos muitos irmãos do Coral: os tenores Nonato Rocha, Expedito Delmondes e Rui Aguilar; dos baixos Ezir Leite, Antônio Fernandes e Raimundo Araújo; dos contraltos Berenice Aguilar, Wasty Sousa e Creusa Rocha; dos sopranos Neusa Ataíde e Irene Rosendo; da regente Professora Eliaci Amado dos Reis; do coral e dos conjuntos masculino e feminino que, mais tarde, tive o privilégio de ensaiar e reger. Também recordo bem de muitas mensagens e da voz do saudoso Pastor João Paulo Ataíde. Um grande homem de Deus, trabalhador incansável na obra; tinha o dom da oratória, exímio pregador e profundo conhecedor da Palavra; apascentava bem as suas ovelhas. E como esquecer os ministérios e os irmãos que me ajudaram a desenvolvê-los: educação cristã, música e direção da igreja por um ano e quatro meses? Todos foram uma bênção em minha vida. Louvado seja Deus por tudo e por todos.
Aleluias!”, relata, com muita saudade, Arias Soares.
Prosseguiu os estudos no Ginásio Bandeirantes, ingressando, posterior- mente, no período noturno na Escola Técnica de Comércio de Imperatriz.
Tinha uma rotina bem corrida; trabalhando de dia e estudando à noite.
O Ginásio Bandeirantes era público, entretanto a Escola Técnica era particular. Nos dias de provas, os alunos que estivessem inadimplentes com as mensalidades da Escola Técnica não podiam fazer provas. Aquilo gerava um constrangimento enorme e muitos estudantes, pela falta de recursos, abandonavam os estudos.
Por várias vezes, ele não tinha rentabilidade suficiente para pagar suas mensalidades no vencimento previsto no carnê. Graças a Deus que ele encontrou uma ajuda providencial, por meio de um acordo dadivoso com uma funcionária da unidade escolar, que via seu esforço e empenho. A Secretária-geral e professora de matemática Sofia Oliveira Dias avalizava seus carnês, de maneira que o jovem podia entrar tranquilo na escola.
“Sou imensamente grato à Professora Sofia por ter contribuído
de maneira benevolente para que eu pudesse continuar os meus
estudos” diz Arias Soares.
Para aliviar a saudade, em janeiro deste ano, Arias Soares teve a alegria de se reencontrar com a inesquecível Prof.ª Sofia Oliveira Dias, numa via- gem que realizou com a esposa Damares Neiva Soares para a cidade de Imperatriz.
Lembra-se também com alegria do Roberto Cassimiro Dias, esposo da prof. Sofia, que foi seu professor de inglês na ETC. Curiosamente, anos mais tarde, quando Arias retornou de Recife, encontrou seu antigo pro- fessor Roberto cursando o Seminário Teológico de Imperatriz, onde ele passou a dar aulas. Os papéis se inverteram, o aluno tornou-se professor do mestre.
A PIB de Imperatriz era uma igreja missionária e bastante atuante na região. Dela saíam vários rapazes e moças para cursar Teologia em semi- nários administrados pela Junta de Missões Nacionais, como o Instituto Teológico Batista de Carolina, e da Convenção Batista Brasileira, como o Seminário do Norte, em Recife.
Foi através desse convívio na PIB de Imperatriz que Arias Soares deu um salto para sua formação acadêmica, tornando-se o primeiro de sua família a adquirir um diploma de 3º grau, e seguindo uma frutífera traje- tória profissional e ministerial.
Em setembro de 1968, após uma poderosa pregação sobre a obra mis- sionária, baseada em Isaías 6:1-8, Arias Soares decidiu atender ao apelo do pregador, respondendo como o profeta: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.
Continuava trabalhando como pintor para sustentar sua família. Seu pai, senhor João Soares, em decorrência da idade avançada e dos proble- mas cardíacos, veio a falecer no ano de 1970. Uma perda muito dolorida para familiares e amigos. Infelizmente, seu pai não pôde ver as inúmeras conquistas que Deus estava preparando para o jovem Arias.
Ele prosseguiu seus estudos na Escola Técnica de Comercio de Impe- ratriz, até 1972. Para recuperar os anos perdidos enquanto morava na
Professora Sofia Oliveira Dias e seu esposo Pr. Roberto Dias
Veja essa foto ampliada e colorida na página 92
zona rural e com o desejo ardente de ir para o Seminário, fez o supletivo do ensino médio, habilitando-se para seguir adiante.
Em fevereiro de 1973, iniciou a grande aventura, deixando tudo em Im- peratriz, inclusive sua mãe, dona Rosa Maria da Conceição, que ficou aos cuidados de sua neta de 12 anos, Maria de Jesus Costa, e de alguns filhos que moravam naquela cidade, e viajou para Recife, onde iniciaria seu cur- so de Teologia.
Uma jornada que iria mudar completamente sua vida, proporcionando- lhe desafios, aprendizado, crescimento intelectual, experiências diversas de intercâmbio sociocultural, que reforçariam seu caráter e sua fé para grandes obras e serviços que Deus lhe conduziria anos depois.
Sou eu o Senhor teu Deus quem te conduz pelo caminho que
deves viver!
— IsAíAs 48:17bC A P Í t U l O 2
QUEM é �RIAS �OARES?
C ada indivíduo apresenta uma gama de singularidades e particulari- dades que lhe dão aspectos de individualmente.
Uma boa biografia não deve limitar-se simplesmente em relatar a ori- gem familiar e as realizações de uma pessoa; deve ir além, descrevendo a personalidade, características e qualidades do biografado. Tal descrição é deveras importante em virtude de proporcionar aos leitores melhor co- nhecimento e compreensão da essência de uma pessoa.
Em se tratando de alguém tão especial como Arias Soares, seria, no mí- nimo, um desleixo deixar de retratar nessa obra sua essência, singulari- dades e virtudes.
No livro dos Salmos, no capítulo 139 versículo 13 está escrito: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre da minha mãe.”
Deus fez cada ser humano de modo único. Muitos dos traços físicos e comportamentais de Arias Soares são compartilhados com seus irmãos e irmãs de sangue. Outras características são fruto das suas experiências cotidianas e da transformação diária que o Espírito Santo tem operado em sua alma, mente e coração.
Arias Soares tem ampla bagagem teórica, acumulada em anos de estudo e aprendizado. Entre outras áreas do conhecimento humano, ele é profun- do conhecedor dos conceitos e metodologias da Psicologia e Psicanálise - ciências que utiliza frequentemente para acolher e ajudar pessoas das
mais diversas classes sociais.
Desse modo, aproveito essa base conceitual da Psicologia e da Psicaná- lise para apresentar um conjunto de caraterísticas que lhe definem.
Segundo os vários tipos de características que retratam a individualida-
de de alguém, Arias Soares descreve sua personalidade, sua pessoa, seu
self, assim:
“Sou introvertido, perfeccionista, detalhista, tradicionalista, realista, leal, pacificador, justo, honesto, tranqüilo... Sou de temperamento fleumático com um pouco melancólico, isto é, introvertido, tímido, sensível, etc”
Contudo, a melhor descoberta que Arias Soares fez de si mesmo, en- quanto fazia uma pesquisa, foi a seguinte citação:
“Não sou um diabo, para ser totalmente mau; nem um anjo, para ser totalmente bom; sou um homem com defeitos e virtudes”
— DesconhecIDo
A partir dessa declaração, ele descobriu suas virtudes, as quais estão alicerçadas nos princípios e valores cristãos, morais e éticos. Em seguida podemos conhecer Arias Soares, através de suas virtudes por ele desco- bertas.
Humildade – é ter equilíbrio em si mesmo, sem buscar honra em ninguém.
• É grato a Deus por tudo: sabe que todos seus talentos e sucessos vêm de Deus; trabalha e se esforça com esmero, mas nunca esque- ce que é Deus quem lhe dá a vida e todas as coisas que tem.
• Aceita seus erros: reconhece que não é perfeito nem faz tudo cor- retamente; procura mudar diante dos erros cometidos e aprender com eles para melhorar no que for necessário.
• Não procura glórias para si mesmo: não faz as coisas para ganhar tratamento especial, nem para parecer melhor que outros; faz o que é certo, porque é certo, não porque vai parecer “santo” ou para “estar na mídia”.
• Procura servir: não vê em Deus nem em outras pessoas um meio para conseguir o que quer; no entanto, quer obedecer a Deus e ajudar os demais, mesmo quando a tarefa parece ser humilhante e difícil.
• Respeita outras pessoas: reconhece o valor de cada pessoa; sabe
que Deus ama a todos indistintamente; não vê problemas em ser
amigo de pessoas diferentes, quer sejam de classe social mais baixa
ou mais alta que a sua; admira e respeita as experiências, gostos e
costumes alheios.
Por isso, pela graça que me foi dada digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter;
mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.
— RomAnos 12:3Amabilidade – expressa essa qualidade na forma de amar a Deus, a si mesmo e ao próximo.
• Ama a Deus sobre todas as coisas, pelo o que Ele é; louva e o adora, pelo que Ele é e faz: esse sentimento manifesta não só na igreja, mas no seu cotidiano, por meio de palavras, gestos e atitudes. Isso tornou-se seu estilo de vida.
• Ama a si mesmo como um ser de grande valor por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus e por ter sido alcançado pelas gra- ça e misericórdias deste mesmo Deus: Reconhece suas limitações;
sabe em que precisa mudar e em que precisa melhorar, mas re- conhece também suas capacidades e habilidades. Tem admiração pela própria pessoa.
• Ama as pessoas de maneira incondicional: tem um olhar de com- paixão e ternura, amando aqueles que lhe rodeiam, independente de quem sejam; ama do jeito que elas são e não como ele gostaria que elas fossem; não pelo que elas têm ou deixam der ter, mas em respeito à sua individualidade.
Amor ao próximo não é amor comum, uma simples amizade, filantro- pia; vai muito além disso! É aquele amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. É ver no próximo o “outro-nós”. É fazer ao nosso se- melhante aquilo que faríamos por nós mesmos.
“Não posso fazer mal a você sem ferir a mim mesmo”
mAhAtmA GAnDhI
Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos.
RomAnos 12:16
Hospitalidade – o seu lar, seu tempo, dons e talentos estão abertos para acolher e confraternizar.
• Busca pelo bem-estar a satisfação do outro.
• Sempre hospedou e cuidou de pessoas em sua casa, mesmo sendo algumas desconhecidas.
Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos.
— hebReus 13:2Simplicidade – “Ser simples não é questionável, pois simplesmente ele é, ou melhor, se aceita tal qual é.”
— AutoR DesconhecIDoPor muitas vezes e durante muito tempo, ele ouviu a seguinte expressão:
“Você é muito simples”. Isso às vezes o incomodava, pois interpretava tal adjetivo como sendo uma diminuição de sua pessoa, como se dissessem que ele fosse alguém tolo, ingênuo ou simplório. Depois de uma pesquisa feita sobre o assunto, Arias Soares descobriu que realmente é simples, e percebeu que ser simples não se trata de um defeito ou anormalidade;
mas pelo contrário: “...ser simples é uma parte valiosa de sua essência, que lhe traz orgulho e singularidade”. Desde então, ele faz questão de ser mesmo um homem “simples”.
Veja o que ele descobriu acerca do significado de ser simples:
• Ser real.
• Pautar seu viver na alegria, na honestidade e na transparência; na semeadura e no cultivo dos bons hábitos e costumes.
• Expressar toda satisfação e contentamento em poder participar e contribuir com a magnitude da vida.
• O simples é aquele que tem uma riqueza de ser, pronto para o es- sencial como: abraçar, sorrir, aconchegar, ouvir etc.
• Irradiar a luz, assim como revelar sua alma na expressão da alegria e honestidade, pois na pureza do seu coração e na retidão de suas atitudes existe transparência; nada a esconder, tudo às claras.
Em respostas a estas virtudes, Arias Soares diz: “Este cara sou eu”.
Outras de suas qualidades: serenidade, honestidade, fidelidade, bonda-
de, cumplicidade e todas as fatias encontradas no fruto do Espírito Santo,
como citado em Gálatas 5:22.
Com relação aos gostos pela estética e cultura diz ser um pouco clássico, principalmente com relação ao vestir, música, pintura, arquitetura e às coisas boas da vida.
Agora, tomando como referência as opiniões de terceiros que convivem de perto com Arias Soares, há praticamente unanimidade nas palavras que usam para descrevê-lo. É sempre mencionado como um homem valoroso, cuja personalidade é fácil de interpretação e compreensão. Di- zem reiteradamente que ele é alguém autêntico, que não utiliza máscaras, nem se veste de personagens para agradar aqueles que lhe rodeiam.
É uma pessoa da qual seus amigos, ex-alunos, colegas de trabalho etc.
recorrentemente tecem palavras boas e elogiosas. É abundante o núme- ro daqueles que enfatizam com frequência suas virtudes e qualidades.
Falam que ele é sempre o mesmo, com comportamento equilibrado e genuíno, portando-se de maneira semelhante diante de situações fáceis ou difíceis, não fazendo acepção de qualquer pessoa, independente de posição ou classe social.
Como é feliz quem teme o Senhor, quem anda em seus caminhos!
Você comerá do fruto do seu trabalho e será feliz e próspero.
— sAlmos 128:1-2
“A vida é um caminho longo, onde nós somos mestres e aprendizes; algumas vezes ensinamos; e todos os dias aprendemos.”
— DesconhecIDo“Amar a si mesmo significa lançar mão do autocuidado, do auto respeito e do autovalor, como pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus.”
— ARIAs soARes“Precisamos estar presentes em nossas vidas; prestar atenção
o que estar ocorrendo ao nosso redor e apreciar a plena
importância dos fatos ocorridos.”
— ARIAs soAResC A P Í t U l O 3
�ORMAçãO ACADÊMIC�
“Uma viagem rumo ao desconhecido e em busca de um sonho.
Tudo era uma questão de fé”
— ARIAs soAResA rias Soares foi privilegiado por realizar um curso superior, num pe- ríodo em que poucos tinham essa oportunidade. Foi o primeiro de sua família a alcançar tal grau de escolaridade, acontecimento que en- cheu de orgulho sua mãe, irmãos e amigos.
Com apenas sete anos que havia saído da roça, em fevereiro de 1973, im- pulsionado pelo seu ideal missionário, teve que tomar uma decisão muito difícil em sua vida: deixar familiares, inclusive sua mãe, viúva com 63 anos, pela qual era responsável, sob os cuidados de sua neta de 13 anos, Maria de Jesus Costa, e de alguns dos filhos casados residentes em Imperatriz.
O seu coração pulsava forte pelo chamado ministerial, mas ao mesmo tempo sentia um aperto no peito ao pensar que permaneceria alguns anos longe de sua terra natal e de sua querida mãe Rosa Maria.
Por fim, Deus acalmou seu coração, de modo que decidiu seguir viagem.
Fez as malas e embarcou num ônibus rumo a São Luís, onde encontraria outros candidatos ao Seminário.
Lá chegando, após 12 horas de viagem, foram recepcionados, pelo Se- cretário-executivo da Convenção Batista Maranhense Donald MacNell.
Após alguns dias na capital maranhense, ele e outros candidatos ao Semi- nário embarcaram rumo a Pernambuco em um avião teco-teco pilotado pelo missionário americano John Backer. Eram sete pessoas na aeronave.
O avião fez um pouso em Fortaleza, por alguns minutos, onde recebeu checkup de rotina e foi abastecido. Logo decolou rumo ao seu destino final – Recife.
Aquela foi uma viagem inesquecível por duas razões: foi a sua primeira
experiência numa aeronave e também por ser uma viagem muito difí-
cil. Ao sobrevoar o sertão nordestino, dada às muitas serras existentes naquela região, o avião subia e descia o tempo todo, de modo que Arias começou a passar mal, tonturas e enjoos, até que, finalmente, para seu alí- vio, chegou ao aeroporto de Recife. Pegaram um taxi e foram em direção ao Seminário.
“Meu coração batia forte em saber que logo chegaria àquele lugar que tanto almejava”, disse Arias Soares.
Foi bem recebido por um jovem piauiense, muito simpático, chamado Rodrigo Pereira de Sousa, que era Presidente do Grêmio Acadêmico do Seminário, que o levou ao quarto onde haveria de ficar, situado no pri- meiro andar do prédio do internato masculino.
A estrutura do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (STBNB) é realmente surpreendente, equiparado as melhores universidades que existiam naquele período no Brasil. É o mais antigo seminário protes- tante brasileiro, fundado em 1º de abril de 1902, pelo missionário judeu Salomão Luiz Ginsburg.
Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (STBNB)
Veja mais fotos, ampliadas e coloridas na página 94
O campus do STBNB é belíssimo, com prédios de arquitetura clássica, bem de- corados, mobiliário fino, fabricado em madeira de lei, com árvores frondosas e jardins floridos que tornam o ambiente extremamente agradável e aconche- gante.
A área de aproximadamente 9.000m² possui 15 prédios de salas de aula, moradia para alunos solteiros e casa- dos, auditórios, escritórios, salas para música, restaurante, uma sala de con- vivência, quadras esportivas, jardins, além da belíssima Capela David Mein e o centro gráfico equipado para atender a toda demanda de cópias e impressos da biblioteca segmentada para os cursos de Teologia, Música e Educação Religiosa.
Após instalar-se, Arias Soares desceu para contemplar a beleza dos jar-
dins, das árvores e dos prédios. Parece ter ficado dopado! Tudo era muito novo, bonito. Interrogou a si mesmo:
“É aqui que ficarei por cinco anos?! Depois de tanta ansiedade e expectativa, era inacreditável, agora estar neste lugar! Era tudo um presente de Deus.”
O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os de uma corsa, e me fará andar em lugares altos.
— hAbAcuque 3.19Na primeira semana, a nova turma, que era formada por 60 alunos de várias partes do Brasil, fez breve turismo em alguns pontos históricos de Recife e Olinda. Quando retornou do passeio foi conhecer o funcionamen- to da biblioteca, a maior dentre os Seminários Batistas em toda América Latina, com 128 mil volumes. Ficou maravilhado em meio a tantas publi- cações e planejou passar muitas horas ali, esquadrinhando as prateleiras para aprofundar seu saber.
Depois, efetivou matrículas e teve a aula inaugural, quando foi apresen- tada como a turma de calouros de 1973.
Carteira de Estudante dos alunos do STBNB
Na semana posterior, as aulas começa- ram normalmente, no turno matutino.
Logo foi informado que o Seminário oferecia serviço de bolsas de estudos para quem quisesse ou precisasse. Em contrapartida, o aluno-bolsista tinha que trabalhar nas atividades de manu- tenção da instituição.
Arias precisou da bolsa estudantil por 4 anos – período que desempenhou di- ferentes funções: auxiliando na jardinagem, na biblioteca e na portaria do prédio dos internatos.
No último ano, não precisando mais do serviço de bolsa, foi ao Reitor Dr. David Mein (1919-1995), para agradecer-lhe o apoio que recebera nos anos como bolsista.
“Foi uma experiência muito boa. Aprendi que todo trabalho
dignifica a pessoa”.
Pastor David Mein, reitor do Seminário
Os estudantes moravam nos internatos masculino e feminino. Viviam como se fossem irmãos. Os funcionários eram ótimos. A diretora do refeitório, Dona Rosa, era a mãe de todos, preocupada e zelosa com cada aluno.
“Posso lembrar-me de que, em meus cinco anos, a gestão do Seminário era americana. O Reitor, Dr. David Mein, foi uma bênção em minha vida. Era o meu pai norte- americano. Facilitou tudo para que eu fizesse meu curso”. Relembra Arias Soares.
Estudar naquela instituição foi uma bênção, algo divino, orgulho gos- pel. Lá, ele teve o privilégio de estudar com docentes mestres e doutores, muitos dos quais eram missionários americanos. Cita, com muito cari- nho, alguns deles, incluindo brasileiros também: Harald Schaly – Grego e Hebraico; Charles Dickson – Homilética; Merval Rosa – Psicologia e Psi- cologia Pastoral; Manfred Grellert – Teologia Contemporânea; Olga Silva e Célia Reis – Piano; Ray Fleet – Canto e Uso da Voz; Fred Spann – Regência Coral; Wade Smith – Educação Religiosa e Regência Congregacional; Mar- li Ximenes – Solfejo etc.
“Lembrar-me daqueles professores e de outros que não foram aqui citados é fantástico!”, diz Arias Soares.
Em outubro de 1974, foi juntamente com os demais alunos para par-
ticipar da Cruzada Evangelística Billy Graham, que ocorreu no estádio
do Maracanã no Rio de Janeiro. O evangelista norte-americano já havia
estado no Brasil em 1960, com multidões aglomerando-se para ouvir sua
mensagem profética. Essa segunda cruzada foi ainda mais surpreenden-
te, com duração de quatro dias e reunindo mais de 600 mil pessoas. O
pastor Billy Graham (1918-2018) é considerado um dos maiores líderes
religiosos do Século XX.
Arias e seus colegas de seminário ficaram hospedados nas dependên- cias da Primeira Igreja Batista de Niterói, pastoreada pelo renomado Pr.
Nilson do Amaral Fanini (1932-2009), de onde saíam todas as manhãs para o Maracanã, voltando a Niterói depois da meia-noite.
Primeira Igreja Batista de Niterói
Veja foto ampliada e colorida na página 95
A Primeira Igreja Batista de Niterói foi fundada em 1892; uma das mais anti- gas e belas igrejas protestantes no Brasil.
Guarda boas lembranças de muitos amigos e colegas do seminário: Joao Crisóstomo da Silva, João Ferreira, José Evilázio Rezende, Gerson Sou-
za Santos, Maria Brasilina de Souza, Enivalda Vieira, entre muitos outros.
Relembra, ainda, que no último ano teve a bênção de ter como colega de quarto o jovem José William Campelo, com o qual fez ótima amizade, que perdura até hoje.
Turma de formandos do STBNB em 1977
Veja foto ampliada e colorida na página 95
Após a formatura, em 1977, ele volta à sua cidade de origem, na qual inicia- ria sua carreira ministerial.
Uma curiosidade que poucos sa- bem: no Seminário, Arias Soares foi contemporâneo do cantor gospel Magno Malta, que posteriormente tornou-se Senador da República, pelo Espírito Santo, e é considerado um dos mais influentes líderes evangéli- cos nacionais.
Cruzada Evangelística Billy Graham no estádio do Maracanã no Rio de Janeiro
Veja essa foto ampliada na página 94
“Foi gratificante ter estudado naquela Casa de Profetas, deixei-a em dezembro de 1977, para pôr em prática os conhecimentos lá recebidos, no fortalecimento dos fiéis em Cristo e na
proclamação do Evangelho aos perdidos”, relata Arias Soares.
Seu primeiro campo de trabalho foi o Instituto Teológico Batista de Im- peratriz da Junta de Missões Nacionais, dirigido pelo Pastor Wilson Pinto França. Ele fora diretor do Seminário Teológico Batista de Carolina e res- ponsável pela transferência do Seminário para Imperatriz.
Após longo período de trabalho naquela cidade, em 1992, Arias Soares mudou-se para o Estado do Tocantins, indo morar na cidade de Cristalândia.
Em fevereiro de 1993, já residindo em Palmas, prestou vestibular para o curso de Pedagogia, no qual foi graduado com Habilitação em Orientação Educacional pelo Instituto Luterano de Ensino Superior – ILES/ULBRA, em 1997.
Continuando seus estudos, fez os cursos de Psicanálise Clínica, minis- trado em Palmas pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil – Rio de Janeiro-RJ, em 2000-2001; e a formação Leader Coach, obtendo as ferramentas e conceitos da Titulação Global do Instituto Behavorial de Coaching, ministrado em Palmas pelo Instituto Brasileiro de Coaching – Goiânia–GO, em 2012.
Primeira turma de formandos em Pedagogia/Turma 1996
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Formandos do curso de Psicanálise em 2001
Veja essa foto ampliada e colorida na página 96
C A P I t U l O 4
�tUAçãO MInIStERIA�
Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.
— 1 PeDRo 4:10A rias tem uma atuação ministerial muito rica e diversificada. Contri- buiu significativamente para a expansão do Reino de Deus, com des- taque em quatro áreas: pastoreando igrejas, como ministro de música sa- cra/erudita, como professor de teologia e em ações e projetos sociais. Cada uma dessas vertentes de sua atuação ministerial será detalhada a seguir.
PAStORADO
Entre os anos de 1973 e 1977, enquanto seminarista, ele trabalhou como auxiliar de pastores em três igrejas que pertencem a Convenção Batista de Pernambuco. A primeira delas foi a Igreja Batista de Sítio Novo, em Olinda, cuja direção ficava a cargo do Pastor Elteque Lima. Em segui- da, colaborou com a Igreja Batista em Campo Grande, em Recife, sob as bênçãos do Pastor Severino Cardoso da Silva. Por fim, marcou presença na Primeira Igreja Batista do Cabo de Santo Agostinho, a 50 KM do Recife, liderada pelos Pastores José Alves Feitosa e Natanael Barbosa Medrado.
Primeira Igreja Batista do Cabo de Santo Agostinho - PE
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Atuar nestas igrejas foi uma experiên- cia bastante edificante. Além de apri- morar sua experiência na prática li- túrgica, ampliou seus conhecimentos acerca da administração/finanças, co- ordenação de ministérios, aconselha- mento pastoral etc.
A Igreja Batista do Cabo é uma das
mais antigas igrejas batistas no Brasil,
fundada em 1908. Uma grande referência para as igrejas protestantes de Pernambuco e demais estados
O Seminário Teológico Batista do Norte era reconhecido por sua óti- ma qualidade de ensino, com professores mestres e doutores com vasta bagagem teórica e profissional. Isso por si só já era motivo de orgulho.
No entanto, a qualidade do ensino não se limitava somente ao nível do corpo docente e ao aprendizado em sala de aula; incluía também a pos- sibilidade de prática da vivência acadêmica nas mais diversas realidades socioculturais.
Em 1975/76 e 76/77, Arias Soares, juntamente com dezenas de se- minaristas de vários seminários ligados à Convenção Batista Brasileira e Convenções de alguns Estados, participou da Operação Transtotal II – projeto missionário no entorno da Rodovia Federal Transamazôni- ca. Ele foi designado como líder da equipe constituída por duas outras seminaristas, a saber: Tânia Maria Galeão Borba do Rio Grande do Sul, que estudava no IBER-RJ e Eusaldir Nunes, do Seminário de Campos, Estado do Rio de Janeiro. Esta foi a última equipe das que foram es- palhadas ao longo da Transamazônica, entre as cidades de Marabá e Itaituba, região oeste do Pará. O trabalho era realizado nos povoados chamados glebas.
“Nós saíamos pela manhã da hospedagem, que era sempre a casa de um irmão, para fazermos recenciamentos, evangelismo, estudos bíblicos e voltávamos no final do dia. Sempre andando a pé, sol quente e muita poeira. Foi uma experiência marcante em nossas vidas, com certeza”, comenta Arias Soares.
A Operação Transtotal foi uma campanha de evangelização que
representou o esforço conjunto de diversos setores da organização
eclesiástica batista, tais como: setor de educação teológica e educação
religiosa, representado por alunos do Seminário Batista Equatorial, lo-
calizado em Belém do Pará; do Seminário Batista do Norte e do Semi-
nário de Educadoras Cristãs, localizados em Recife (PE); do Instituto
Batista de Educação Religiosa e do Seminário Teológico Batista Sul, no
Rio de Janeiro, além de Institutos Teológicos de algumas Convenções
Estaduais.
Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando- os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.
— mAteus 28:19-20“Por meio do trabalho da Transtotal pude sentir mais de perto aquilo que Deus quer que eu faça em prol do Seu Reino neste mundo: pregar o Evangelho e discipular vidas para Jesus”, texto com seu depoimento publicado na Revista A Pátria Para Cristo, da Junta de Missões Nacionais, acerca da Transtotal II, de 1975/76.
As “Trans” se tornaram uma tradição da Junta de Missões Nacionais (JMN), proporcionando, ano após ano, a oportunidade de crentes batistas de todo o Brasil se envolverem no trabalho missionário.
Com o sucesso da Operação Transtotal na região amazônica surgiram outras versões, reunindo líderes e membros de centenas de igrejas ba- tistas para levar o amor de Cristo para locais necessitados do evangelho.
Em 1976/77, aconteceu as edições da Operação Transcatarinense, quando Arias e seus amigos ficaram instalados na base de apoio na cida- de de Concórdia, no oeste de Santa Catarina.
“Não foi muito fácil o trabalho naquela cidade. O povo, em sua grande maioria, era católico de origem italiana e polonesa.
Havia também os luteranos de origem alemã, isto é, protestantes na linguagem deles”, relembra Arias.
Vale lembrar que como resultado destas Trans, em poucos meses, fo- ram organizadas algumas congregações que, mais tarde, se tornaram igrejas.
“As vivências naquelas Trans foram marcantes em minha vida.
Uma grande experiência de intercâmbio, servindo ao lado de pastores e missionários de todos os cantos do País, contribuindo para alcançar os povos daquelas regiões que estavam carentes da Palavra de Deus”, ressalta Arias Soares.
Teve, ainda, a bênção proporcionada por Deus de viajar para conhecer
e partilhar momentos de comunhão e fé em algumas igrejas batistas de
Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte; inclusive pôde falar à juventude no Acampamento Batista na Praia de Ponta Negra, que é um dos mais famosos pontos turísticos da capital potiguar. Também pregou na Primeira Igreja Batista de Natal.
Em dezembro de 1977, após sua formatura, voltou ao Maranhão. Ao che- gar à Imperatriz, agradeceu ao Senhor por seu retorno bem-sucedido e por ter guardado em vida e com boa saúde sua querida mãe, Rosa Maria, a quem deixara cinco anos antes para seguir viagem com enorme aperto no peito.
O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.
— sAlmos 121:8No começo de 1978, ele estava prestes a ser convocado pela JMN para fazer as entrevistas, quando, a pedido do Pastor Wilson Pinto França, foi contratado como professor para o Instituto Teológico Batista.
Ao final daquele ano, a JMN encerrou as atividades do ensino teológico em algumas de suas instituições. Os alunos do Instituto Teológico de Im- peratriz foram transferidos para o Seminário Teológico Batista Equatorial, em Belém do Pará, e os missionários-professores voltaram aos seus cam- pos de origem.
Arias permaneceu como membro da Primeira Igreja Batista de Impera- triz (PIBI), auxiliando nas atividades pastorais, de ensino e no ministério de música.
Ao final de 1979, o pastor titular da PIB de Imperatriz, João Paulo Ataíde, mudou-se para a cidade de Anápolis-GO.
Em virtude disso, de dezembro de 1979 a março de 1981, ele liderou a PIB de Imperatriz. Neste período foi organizada uma Congregação, que posteriormente tornou-se a Igreja Batista da Mangueira.
Veja o que os líderes e irmãos da Igreja Batista da Mangueira falam sobre Arias Soares e aquele período:
“A Igreja Batista da Mangueira é o resultado da visão missionária
de um grupo de irmãos da Primeira Igreja Batista de Imperatriz,
em especial do Pr. Arias Soares Silva que, na década de 80,
movidos pelo Espírito Santo, resolveram começar um trabalho
missionário no Bairro da Mangueira, hoje Nova Imperatriz. Em
17 de outubro de 1981 foi organizada com 41 membros a Igreja Batista Da Mangueira. Graças à visão dos irmãos, no mesmo terreno foi possível erigir o atual templo que comporta 600 pessoas, dispondo de uma espaçosa área onde está o prédio de Educação Religiosa, podendo ainda os irmãos utilizar- se de um amplo pátio para os encontros informais após os cultos.”
Com o retorno do Pr. João Paulo Ataíde da cidade de Anápolis, Arias permanece ao seu lado, colaborando nas atividades eclesiásticas e musi- cais, bem como em outras atividades e projetos.
No início de 1982, tornou-se membro da Igreja Batista Memorial, au- xiliando o Pr. Afonso Ligório de Lima e dirigindo o ministério de música.
Entre os anos 1985 a 1987, assumiu nova missão pastoral, tornando- se dirigente da Igreja Batista de Vila Nova, em Imperatriz. Depois de um abençoado trabalho naquela igreja, volta para a PIB de Imperatriz, onde permaneceu até julho de 1992, quando se mudou com a família para o Estado do Tocantins.
A mudança se deu em virtude de sua esposa ter passado em um con- curso da Secretaria Estadual de Educação. Foram morar em Cristalân- dia, cidade de origem de Damares, na qual ela tinha sido lotada como professora. Foram recebidos pelos sogros, José Ribamar Neiva e Maria José, que os apoiaram imensamente. Logo que chegaram, ele conseguiu um contrato como professor de Português e História no Colégio Estadual daquela cidade.
Em fevereiro de 1993, Arias mudou-se para Palmas. Foi sozinho em busca de trabalho e para organizar os preparativos para receber poste- riormente sua esposa e filhos. Morou por cerca de seis meses na casa do
Igreja Batista da Mangueira, organizada como congregação pela Primeira Igreja Batista de Imperatriz, sob a liderança do pastor Arias Soares Silva
Veja essa foto ampliada e colorida na página 96