04/11/2020
Número: 0600350-42.2020.6.14.0000
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral do Pará Órgão julgador: Juiz Federal Sérgio Wolney de Oliveira Batista Guedes Última distribuição : 02/11/2020
Valor da causa: R$ 0,00
Processo referência: 0600140-02.2020.6.14.0061
Assuntos: Registro de Candidatura - RRC - Candidato, Cargo - Prefeito, Eleições - Eleição Majoritária, Convenção Partidária
Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM Tribunal Regional Eleitoral do Pará PJe - Processo Judicial Eletrônico
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LUIZ SALDANHA DE OLIVEIRA (IMPETRANTE) JOSE BRAZ MELLO LIMA (ADVOGADO)
DIEGO MAGNO MOURA DE MORAES (ADVOGADO) JUÍZO DA 061ª ZONA ELEITORAL DE XINGUARA PA
(IMPETRADO)
Procuradoria Regional Eleitoral do Pará (FISCAL DA LEI)
Documentos Id. Data da
Assinatura
Documento Tipo
81941 69
04/11/2020 14:02 Decisão Decisão
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARÁ
MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL (120) nº: 0600350-42.2020.6.14.0000.
RELATOR(A): Juiz Federal Sérgio Wolney de Oliveira Batista Guedes.
IMPETRANTE: LUIZ SALDANHA DE OLIVEIRA
- OAB/PA0016193 ADVOGADO: JOSE BRAZ MELLO LIMA
- OAB/PA0018903 ADVOGADO: DIEGO MAGNO MOURA DE MORAES
IMPETRADO: JUÍZO DA 061ª ZONA ELEITORAL DE XINGUARA PA FISCAL DA LEI: Procuradoria Regional Eleitoral do Pará.
DECISÃO
Trata-se de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por LUIZ SALDANHA DE OLIVEIRA em face de sentença do juízo da 61ª Zona Eleitoral de Xinguara/PA, proferida nos autos de Registro de Candidatura nº 0600140-02.2020.614.0061, que deferiu o pedido registro de candidatura de Moacir Pires de Farias para concorrer ao cargo de Prefeito na cidade de XINGUARA, sob o número 22, com a seguinte opção de nome: "DR. MOACIR".
Alega a impetrante, ID 7933619, em síntese, conforme segue:
1. “(...)o registro de candidatura deste candidato impetrado está eivado de vício em sua origem. Quando da escolha em convenção partidária irregular, pois sob a condução e direção de pessoas alheias ao quadro de filiados ao partido, indevidamente ocupantes de mandatos diretivos na comissão provisória da agremiação no município, maculou-se, determinantemente, de maneira insanável, a própria escolha do impetrante como candidato ao cargo de Chefe do Executivo municipal”.
2. “(...) a convenção realizada no dia 13 de setembro do vigente ano é completamente nula, realizada por quem não possui poderes para tale consequentemente a decisão do impetrado que deferiu o registro de candidatura ao cargo de prefeito de Xinguara é ato que viola o direito líquido e certo do impetrante que como filiado e um dos fundadores do PL em Xinguara, tem o direito de ter as regras estatutárias cabalmente cumpridas, as convenções realizadas por legitimados e consequente mente candidatos escolhidos de acordo com os ditames do estatuto, o que não aconteceu.”
3. Menciona o “(...)art. 6º do estatuto do PL ao versar acerca do requisito da filiação partidária para a ocupação dos cargos diretivos do partido.”
4. “É inequívoco o vício, vez que ao diverso do que estabelece o art. 22 do estatuto, a comissão está constituída com 06 (seis) vogais, enquanto que o referido artigo, em seu inciso III, autoriza apenas 01 (um). Tal fato é ainda incongruente com o art. 6°, pois está composta por 10 (dez) membros efetivos, enquanto o regimento autoriza exatamente 5 ou 7 membros.”
5. “(...) o primeiro secretário constante da comissão provisória do PARTIDO LIBERAL, constante inclusive da ata de convenção do partido, REQUEREU REGISTRO DE CANDIDATURA AO CARGO DE VEREADOR PELO PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO -PSB, o que demonstra de maneira indubitável que, de fato e de direito, àqueles que passaram a ocupar os cargos diretivos da comissão provisória, além de nenhum compromisso com a agremiação, realmente não ostentam sequer a condição de filiados.”
6. “Desta feita, é cristalino que a r. decisão do magistrado ao deferir o referido registro de candidatura no processo sob o nº 0600140-02.2020.6.14.0061fere de morte o direito líquido e certo do impetrante e, portanto, configura-se como ato coator.”
7. “(...)a decisão que deferiu o registro de candidatura de Moacir Pires de Farias no processo de nº 0600140-02.2020.614.0061 é violadora de direito liquido e certo do impetrante, pois eivada de todos os vícios e ilegitimidades alhures apontadas, sendo o impetrante filiado e um dos fundadores do PL no município de Xinguara possuidor do direito de que seja respeitado ipsis litteriso estatuto do partido quanto a escolha de seus candidatos, devendo ser concedida a presente segurança para indeferir o registro.”
8. “(...) ressalta-se que o registro de candidatura deferido pelo impetrado fora requerido por GRACIMON NOEL NUNES DE SOUZA, que como já demonstrado não possui legitimidade para tal, por não ser filiado ao partido, por não seguir as regras estatutárias, ou seja, por não ter qualquer tipo de representatividade ou legitimidade para representar o PL nas eleições 2020ou em qualquer outro momento”.
Aduz presente o direito líquido e certo ao argumento que: “(...)É clarividente que, na condição de filiado ao PARTIDO LIBERAL, o impetrante tenha o direito líquido e certo de ver realizados os atos de seu partido em plena regularidade, inclusive no que se refere à realização de uma convenção escorreita, conduzida por quem, de fato e de direito, goze dos requisitos para ocupar os mandatos diretivos da comissão provisória –o que claramente não ocorreu no caso em tela-restando ferido o direito líquido e certo do impetrante filiado ao partido.”
Assevera ser cabível mandado de segurança contra precitada sentença ao argumento de que “(...) Tem-se, portanto, no caso concreto, um ato coator que se manifesta por decisão judicial de caráter irrecorrível, vez que inexiste na lei especializada qualquer previsão de instrumento de irresignação específico para ataca-la -sem necessariamente entrar na discussão acerca do caráter administrativo ou
judicial do processo de requerimento de Registro de Candidatura, por não figurar como objeto de discussão neste remédio –resta o Mandado de Segurança a única via possível de ser manejada.”
Para a concessão da liminar, segundo o impetrante, o requisito do fumus estaria presente aos argumentos de que seria
boni iuris “(...) O fundamento relevante
do pedido se faz presente, no caso em tela, pelo fato de estar plenamente demonstrado na referida peça, inclusive pelos documentos acostados a esta que o requisito de elegibilidade necessário -o de ser escolhido em convenção regular –resta ausente, afetando, pois, diretamente a regularidade do Requerimento de Registro de Candidatura do candidato Dr. MOACIR, afetando diretamente o direito do impetrante filiado de ver cumprido plenamente os ditames estatutários de sua agremiação.”
Quanto ao periculum in mora, asseverou que “(...) se dá na medida em que a manutenção deste ato coator é perpetrado pelo douto juízo eleitoral de Xinguara, porquanto gera seus efeitos ao longo do tempo, gera prejuízos incalculáveis à própria isonomia do pleito eleitoral, repercutindo, inclusive, diretamente, no tempo de propaganda eleitoral, nas vagas pleiteadas no legislativo, mormente na influência em angariar votos. Desta feita, presente e polidamente perceptível a dimensão do dano parturiente, se mostra reta a concessão da tutela pleiteada.”
No tocante aos pedidos liminares, requer: “(...)A concessão da medida liminar, inaudita altera pars, determinando a suspensão do ato coator(deferimento do registro de candidatura de Moacir Pires de Farias processo nº 0600140-02.2020.614.0061)até o julgamento final de mérito, haja vista, a relevância do pedido e o perigo de ineficácia da medida conforme elucidado alhures (...)”
No mérito pediu a concessão da “(...) confirmação da medida liminar, com a concessão da segurança, para que anule o ato lesivo ao direito líquido e certo e a autoridade, gerando por consequência lógica a anulação/indeferimento do Registro de Candidatura do candidato à prefeitura de Xingura (sic) DR. MOACIR.”
Vieram os autos conclusos.
É o relatório. Decido.
De início, impõe-se assinalar que a Res. TSE nº 23.609/2019, em seu artigo 57, dispõe que “O partido, coligação ou candidato que não tenha oferecido impugnação ao pedido de registro não tem legitimidade para recorrer da decisão que o deferiu, salvo na hipótese de matéria constitucional(Súmula TSE nº 11).”
Nessa toada, entende-se que quem possui legitimidade para recorrer em face de decisão de registro de candidatura também o tem para impetrar mandado de segurança que busca atingir o mesmo objetivo.
Em consulta aos autos do processo de registro de candidatura em que foi prolatada a sentença em face da qual está sendo impetrado este mandado de segurança, verifica-se certidão ao ID 10883727 no sentido de que não foi apresentado impugnação e/ou notícia de inelegibilidade (0600140-02.2020.6.14.0061).
Assim, de plano não vislumbro a legitimidade ativa do impetrante LUIZ SALDANHA DE OLIVEIRA.
Ainda que assim não o fosse, veja-se que cuidam os autos de mandado de segurança interposto em face de sentença do juízo da 61ª Zona Eleitoral de Xinguara/PA, proferida nos autos de Registro de Candidatura nº 0600140-02.2020.614.0061, que deferiu o pedido registro de candidatura de Moacir Pires de Farias para concorrer ao cargo de Prefeito na cidade de XINGUARA, sob o número 22, com a seguinte opção de nome: "DR. MOACIR".
Sem razão o impetrante.
Veja-se que a precitada sentença proferida pelo Juízo da 61ª ZE possui natureza terminativa de mérito, ou seja, põe fim à fase cognitiva do procedimento.
Nessa esteira, no âmbito de registro de candidatura, em face de decisão de juiz eleitoral da Zona cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral, consoante artigo 58,
§2º, da Res. TSE 23.609/2019. Senão vejamos:
Art. 58. (...)
§ 2º O prazo de três dias para a interposição de recurso para o Tribunal Regional será contado de acordo com o previsto no art. 38 desta Resolução, ressalvado o Eleitoral
disposto no parágrafo seguinte.
§ 3º Se a publicação e a comunicação referidas no § 1º ocorrerem antes de três dias contados da conclusão dos autos ao juiz eleitoral, o prazo para o recurso eleitoral passará a correr, para as partes e para o Ministério Público, do termo final daquele tríduo
Feito essas observações no tocante à natureza da decisão impugnada, verifica-se sem fundamento jurídico o manejo do presente mandamus, diante da inadequação da via eleita para pretensão do direito do autor, conforme se verá adiante.
É cediço que o mandado de segurança é o remédio constitucional cabível para proteção de direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data, ameaçado ou violado por ato ilegal ou abusivo de autoridade pública.
Assim, o uso de tal remédio em face de decisão judicial deve ocorrer de forma excepcional, pois não se presta para atacar decisão judicial apenas por ser irrecorrível — o que não se amolda ao presente caso, pois, como visto, é cabível recurso contra sentença em registro de candidatura.
Nessa esteira, é inadmissível impetração de mandado de segurança como sucedâneo recursal, consoante súmula 267 do STF, que possui o seguinte enunciado:
“Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.“
Ainda que fosse irrecorrível a sentença aqui guerreada, para o cabimento de mandado de segurança em tais casos, não prescinde que a decisão, além de irrecorrível, seja manifestamente teratológica, ilegal ou abusiva.
Nessa toada é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça na edição nº 85 da jurisprudência em teses: “A impetração de mandado de segurança contra ato judicial é medida excepcional, admissível somente nas hipóteses em que se verifica de plano decisão teratológica, ilegal ou abusiva, contra a qual não caiba recurso.”
Dessa feita, ao meu sentir, não se pode considerar o uso indiscriminado do mandado de segurança contra toda e qualquer sentença, pois seria uma forma de burlar o sistema recursal dos feitos eleitorais.
No presente caso, a sentença guerreada proferida pelo juízo da 61º Zona Eleitoral que deferiu o pedido de registro de candidatura, conforme já referido, não padece de qualquer indício de ilegalidade ou abuso de poder e não se mostra manifestamente ilegal ou teratológico, ao contrário, tal ato decisório está devidamente fundamentado consoante os documentos carreados aos autos nos termos da Res. TSE 23.609/2019, bem como às razões que formaram o convencimento da magistrado a
conforme trecho a seguir colacionado:
quo,
(...) Vistos etc.
Trata-se de pedido de registro de candidatura de MOACIR PIRES DE FARIA, para concorrer ao cargo de Prefeito, sob o número 22, pela coligação "XINGUARA QUER SEGUIR EM FRENTE" (PSC, PDT, PL, DEM, DC, PSDB, PSD), no município de(o) XINGUARA.
Foram juntados os documentos exigidos pela legislação em vigor, conforme Informação do Cartório Eleitoral.
Publicado o edital, decorreu o prazo legal sem impugnação.
Certidão inclusa noticia o deferimento do DRAP associado.
O Ministério Público Eleitoral manifestou-se favoravelmente ao deferimento do pedido.
É o relatório. Decido .
Observo pelas certidões, informações e eventuais pedidos complementares constantes dos autos, que foram preenchidos todos os requisitos legais para a aprovação do registro pleiteado, inclusive com relação às condições de elegibilidade, encontrando-se o processo regularmente instruído. Ademais, ressalto que não houve qualquer oposição à pretensão do candidato, tampouco informação sobre causa de inelegibilidade.
Isto posto, DEFIRO o pedido de registro de candidatura de MOACIR PIRES DE FARIA, para concorrer ao cargo de Prefeito na cidade de XINGUARA, sob o número 22, com a seguinte opção de nome: "DR. MOACIR".
Registre-se. Publique-se. Intime-se. Certifique-se ainda nos autos do candidato a vice-prefeito na chapa.
Cumpra-se.
Ademais disso, ainda que assim não o fosse, a concessão de medida liminar em mandado de segurança pressupõe a existência dos requisitos exigidos no artigo 7º, inciso III, da Lei nº 12.016/2009, ou seja, a relevância do fundamento do pedido (fumaça do bom direito) e a possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação ao direito dos impetrantes (perigo na demora).
E, no que tange à presença de tais requisitos para o deferimento da liminar, tenho como não configurado o fumus boni iuris.
É consabido que nos autos do registro da Coligação, Demonstrativo de Regularidade dos Atos Partidários - DRAP -, cabe à Justiça Eleitoral verificar a comprovação da situação jurídica do partido político na circunscrição do município; a legitimidade do subscritor para representar o partido ou coligação, a lista de presença dos convencionais e a presença da Ata da convenção digitalizada no CANDEX, de acordo com o art. 35, I da Res. TSE nº 23.609/2019.
Em consulta pública ao PJe, observei que o DRAP da coligação pela qual Moacir Pires de Faria se candidatou foi deferido por meio de sentença que transitou em julgado dia 8/10/2020 (ID 18770962 nos autos do processo 0600131-40.2020.6.14.0061). Portanto, a decisão pela regularidade dos atos da Coligação e, por conseguinte, da convenção partidária, se estabilizou, operando-se a coisa julgada material.
Ademais, a exigência para que o membro de órgão partidário seja filiado ao partido é questão interna corporis e, a legitimidade dos membros da Comissão Provisória do Partido Liberal no município está comprovada pelos documentos acostados aos autos do DRAP, o que torna válida a convenção realizada, conforme certidão do SGIP abaixo:
Ademais disso, a jurisprudência do TSE é no sentido de que a certidão do SGIP que comprove a condição de membro de órgão partidário possui fé pública e é suficiente para reconhecer a situação de filiado. Senão vejamos:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. VEREADOR.
REGISTRO DE CANDIDATURA. FILIAÇÃO PARTIDÁRIA. PROVA. CERTIDÃO DE COMPOSIÇÃO PARTIDÁRIA. JUSTIÇA ELEITORAL. FÉ PÚBLICA. SÚMULA 20/TSE.
DESPROVIMENTO.
1. Autos recebidos no gabinete em 29.10.2016.
2. Certidão emitida pela Justiça Eleitoral, atestando que o candidato compõe órgão partidário, possui fé pública e comprova regular filiação. Precedentes.
3. Para se verificar suposta exigência de que integrante de comissão provisória seja filiado ao partido político, é necessário, como regra, reexame de provas, inviável em sede extraordinária, a teor da Súmula 24/TSE.
4. Agravo regimental desprovido.
(Recurso Especial Eleitoral nº 19226, Acórdão, Relator(a) Min. Herman Benjamin, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 08/11/2016)
Nessa esteira, já se decidiu pela inexistência de nulidade de convenção partidária, sendo válido ato de presidente de órgão partidário que, embora não conste na lista de filiados, apresenta certidão extraída do SGIP, pois é apto para reconhecer a sua filiação. Veja-se:
EMENTA: RECURSO ELEITORAL - REGISTRO DE CANDIDATURA - DRAP - MATÉRIA INTERNA CORPORIS - IMPUGNAÇÃO SUBSCRITA POR FILIADA AO PARTIDO SOCIAL CRISTÃO - LEGITIMIDADE ATIVA - ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA CONVENÇÃO POR AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA DO PRESIDENTE QUE - AUSÊNCIA DE REGISTRO NA LISTA DE FILIADOS - CONDUZIU A CONVENÇÃO
INCLUSÃO EM LISTA INTERNA - MEMBRO DE COMISSÃO PROVISÓRIA MUNICIPAL COM ANOTAÇÃO NO SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE INFORMAÇÕES
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PARTIDÁRIAS DOCUMENTO APTO A DEMONSTRAR A FILIAÇÃO PARTIDÁRIA RECURSO DESPROVIDO. 1. A filiada ao partido político tem legitimidade para impugnar o registro de DRAP em função de irregularidades de ordem interna corporis. 2. Em que pese o Presidente da Comissão Provisória do PSC não constar da lista de filiados do partido, os demais documentos apresentados, em especial a certidão extraída o. 4.
do SGIP, demonstram a sua filiação. 3. Inexistência de nulidade na convençã Sentença mantida por fundamento diverso. 5. Recurso conhecido e desprovido.
(TRE-PR - RE: 5493 URAÍ - PR, Relator: NICOLAU KONKEL JÚNIOR, Data de Julgamento: 28/09/2016, Data de Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 28/09/2016)
(grifos nossos)
Em suma, deixa-se de justificar a impetração de mandado de segurança à sentença que deferiu o pedido de registro de candidatura, em relação à qual eventual e oportunamente caberia recurso. Assim, com arrimo no artigo 10, “caput”, da lei 12.016/2009, é forçoso reconhecer o indeferimento da inicial por não ser hipótese de mandado de segurança. Veja-se:
Art. 10. A inicial será desde logo indeferida, por decisão motivada, quando não for o caso de mandado de segurança ou lhe faltar algum dos requisitos legais ou quando decorrido o prazo legal para a impetração.
O presente mandado de segurança não é o meio cabível atacar sentença em que cabia recurso proferida no âmbito da Justiça Eleitoral que deferiu pedido de registro de candidatura, sobretudo quando tal decisum não padece de qualquer indício de ilegalidade ou abuso de poder e não se mostra manifestamente ilegal ou teratológico, estando devidamente fundamentado. Assim, ante a inexistência de ato ilegal de autoridade pública que tenha ofendido direito líquido e certo, é incabível o mandado de segurança.
Nesse sentido, conclui-se pela ausência de direito líquido e certo apto a manejar ação de mandado de segurança, devendo o presente writ ser indeferido de plano.
Ademais, também se verificou a ausência de legitimidade ativa do impetrante para se insurgir em face de sentença que deferiu registro de candidatura, consoante artigo 57 da Res. TSE 23.6092019, já que não impugnou aqueles autos de
registro. Portanto, é caso de indeferimento da petição inicial também por ilegitimidade ativa nos temos do artigo 330, II, do CPC.
E ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para efeito de argumentação, no tocante aos fundamentos impugnados de urgência, como se viu alhures, melhor sorte não assistiria ao impetrante, pois a liminar não seria deferida.
Por fim, o artigo 81-A, inciso X do Regimento Interno do TRE/PA, Resolução n° 2.909 prevê que o relator, nos casos de competência originária, poderá indeferir a petição inicial monocraticamente, como é o caso.
Pelo exposto, em consonância com o artigo 81-A, inciso X, do Regimento Interno do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, cumulado com o artigo 10 da Lei n.º 12.016/2009, INDEFIRO a petição inicial, com a consequente extinção do processo , nos termos do artigo 485, I e VI, do Código de Processo sem resolução do mérito
Civil.
Publique-se. Registre-se. Intime-se.
Belém, 4 de novembro de 2020.
Juiz Federal Sérgio Wolney de Oliveira Batista Guedes Relator