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Educ. Pesqui. vol.29 número2

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357 Celso R. BEISIEGEL. Origens das orientações da pesquisa educacional...

O r ig e n s d a s o r ie n t a ç õ e s d a p e s q u is a e d u c a c io n a l n a

F a c u ld a d e d e E d u c a ç ã o d a U S P

Celso de Rui Beisiegel

Universidade de São Paulo

Apresentada originalmente na mesa- re-donda preparada em 2003 para a recepção aos novos alunos da graduação em Pedagogia, esta incomplet a e modest a exposição é dedicada aos companheiros de viagem na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Foi preparada a part ir da convicção de que a iden-tidade construída na história de uma instituição é import ant e na f ormação int elect ual e moral de seus servidores. At endendo à dist ribuição das t aref as da mesa- redonda ent re os colegas da f aculdade, a exposição f ocalizou a quest ão das origens das orient ações da pesquisa. Mas é evident e que as observações poderiam est en-der- se também às orientações das atividades no ensino e na ext ensão universit ária.

Algumas instituições contribuíram para a def inição das primeiras orient ações da pes-quisa educacional na Faculdade de Educação. Por ordem de ant igüidade, aparece em primei-ro lugar o ant igo e ef êmeprimei-ro Inst it ut o de Edu-cação, que por sua vez apont a para suas ori-gens na Escola Normal Secundária da praça da República. Depois, regist ra- se a presença deci-siva da Faculdade de Filosof ia, Ciências e Le-tras, criada em 1934, no âmbito do processo de f undação da Universidade de São Paulo, para constituir- se na espinha dorsal da nova univer-sidade. O Cent ro Regional de Pesquisas Educa-cionais (CRPE) de São Paulo, criado em 1956, e o Colégio de Aplicação da Faculdade de Fi-losof ia, Ciências e Let ras, criado no ano se-guint e, complet am a relação das mais impor-tantes.

O Decreto de fundação da Universidade de São Paulo (Decreto estadual nº 6.283, de 25 de janeiro de 1934) criou a Faculdade de Filo-sof ia, Ciências e Let ras e det erminou que f ica-vam incorporados à nova universidade a

Facul-dade de Direit o, a Escola Polit écnica, a Escola Superior de Agricult ura “ Luiz de Queiroz” , a Faculdade de M edicina e o Inst it ut o de Edu-cação. (Ant unha, 1974, p. 85)1

Em estudo sobre a fundação e a reforma da Universidade de São Paulo, Heladio Antunha informa que o Instituto de Educação realizava parcialment e um ant igo projet o de criação de uma faculdade de educação em São Paulo. Datava dos primeiros anos da segunda década do sécu-lo a discussão sobre a conveniência e a possibi-lidade de criação de uma escola superior de es-tudos pedagógicos especializados e de aperfeiço-amento para professores e administradores esco-lares, ou de “ aperfeiçoamento pedagógico dos prof essores e disseminação da cult ura geral” (Ibid., p. 98- 99). O autor acompanha o percur-so do Instituto de Educação desde suas origens, ainda como curso de nível médio na Escola Nor-mal da Praça, até o nível superior. O processo de criação do Instituto de Educação começou quan-do o Decreto estadual nº 4.888, de 12 de feve-reiro de 1931, criou “ na antiga Escola Normal da Praça, que então passa a denominar- se de Insti-tuto Pedagógico” , um Curso de Aperfeiçoamen-to, como órgão de preparação técnica para ins-petores, delegados de ensino, diretores de esta-belecimentos e professores do curso normal. Esse Instituto Pedagógico, transformado, em 1933, no Instituto de Educação, seria incorporado, no ano seguinte, à Universidade de São Paulo.

En cerrou - se o processo, f i n al m en t e, com a extinção do Instituto de Educação e a sua con-versão, em 1938, na Seção de Educação da Fa-culdade de Filosof ia, depois t ransf ormada em

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Seção de Pedagogia e mais recent ement e em Depart ament o de Educação. (...) Finalment e (com a Ref orma de 1970), e com o desdobra-mento da antiga Faculdade de Filosofia, consti-tuiu- se a Faculdade de Educação (voltando- se à denominação de 1920), à base da antiga Seção de Pedagogia, ou melhor, do antigo Departamento de Educação, que a sucedeu. (Antunha, 1974)

Os primeiros ocupant es dos cargos do-cent es do Inst it ut o de Educação eram ant igos prof essores do curso normal na Escola Normal da Praça. Ent re eles encont ravam- se, nas pala-vras de Ant unha, “ algumas das f iguras mais expressivas e mais respeit áveis da educação paulista”. Fernando de Azevedo, Almeida Júnior, Noemy da Silveira Rudolf er, Roldão Lopes de Barros, Milton da Silva Rodrigues, entre outros, vinculavam as preocupações e os est udos edu-cacionais agora realizados na Faculdade de Fi-losof ia à t radição de est udos e ref lexões que marcaram as primeiras décadas do século na Escola Normal da Praça. Cabe dest acar, como expressões pioneiras na definição dessa tradição de estudos, as contribuições de Antonio Sampaio Dória, M anuel Bergst rom Lourenço Filho e Fernando de Azevedo.

São antecessores ilustres. A Reforma da Inst rução Pública de 1920, de Sampaio Dória, const it uiu- se na primeira af irmação radical da necessidade de levar a inst rução básica a t odas as crianças do estado de São Paulo. Nessa épo-ca, calculava- se em cerca de 250 mil, isto é, em mais ou menos a metade da população em ida-de escolar, o número ida-de crianças ainda não alcançadas pela escola primária. Nos meios po-lít icos discut ia- se a criação de um “ impost o escolar”. Mas o governo do Estado entendia que a população não aceit aria aument os na carga tributária. O Diretor da Instrução Pública, Oscar Thompson, em cart a circular na qual solicit ava sugestões para a solução do problema do anal-f abet ismo, pergunt ava aos dest inat ários como seria possível est ender o ensino primário a t o-das as cri an ças sem au men t o dos recu rsos públicos dest inados à inst rução popular.

Embora def endesse a necessidade de muitos anos de escolaridade para todos os bra-sileiros, pois dessa instrução dependeriam não só a qualidade da vida social, a democracia e a capacidade produtiva do povo, mas também a própria int egridade nacional, ameaçada pelo melhor nível de instrução das legiões de imigran-t es esimigran-t rangeiros, Sampaio Dória, na conhecida carta aberta que, ainda em 1918, enviou em res-posta a Oscar Thompson, propunha que o Esta-do estendesse somente para Esta-dois anos a escola-ridade gratuita a todos. Recomendava, portanto, a fixação do curso primário em dois anos; a pro-moção automática da primeira para a segunda série, com eliminação ao fim da segunda, e, no fim do ano letivo, o pagamento aos professores de uma gratificação proporcional ao número de alunos alfabetizados (Beisiegel, 1999).

O educador defendia bem mais do que quatro anos de instrução primária para todos. Mas, considerando a inexistência de recursos, “não sen-do possível, imediatamente, elevar o povo brasilei-ro a um nível de educação ideal,” dever-se-ia “agir de forma progressiva, promovendo-se, inicialmente, a alfabetização popular. O governo do povo, pelo povo e para o povo, tem a sua legitimidade na educação mesma do povo” (Ibid.).

Inspirada nessas idéias e conduzida pelo próprio Sampaio Dória, a ref orma da ins-t rução pública de 1920 ins-t eve curins-t a duração. M as deixou regist rada na hist ória da educação da República a af irmação da absolut a necessi-dade de est ender a inst rução primária para t odas as crianças em idade escolar.

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(Lourenço Filho, 1996). Discípulo dilet o de Sampaio Dória, seria indicado, pelo mestre, em 1920, para assumir, como substituto, a cadeira de Pedagogia e Educação Cívica na Escola Normal Primária anexa à Escola Normal da Praça. Em 1921, f oi nomeado prof essor da Cadeira de Psicologia e Pedagogia da Escola Normal de Piracicaba. Logo em seguida, por solicitação do governo do Ceará e por indicação do governo de São Paulo, assumiu a Direção da Instrução Pública daquele estado, aí permanecendo até 1923. Após reassumir sua cadeira na Escola Normal de Pira-cicaba, foi nomeado, em 1925, para a cadeira de Psicologia e Pedagogia da Escola Normal Secun-dária da Praça, onde permaneceu até novembro de 1931. Em outubro de 1930, foi nomeado Diretor Geral da Instrução do estado de São Paulo. Em 19 de dezembro de 1931, transferiu- se para o Rio de Janeiro, para assumir a chefia de gabinete do Mi-nistério da Educação e Saúde.

É import ant e salient ar que Lourenço Filho viveu os primeiros t empos de sua f orma-ção int elect ual no âmbit o de um moviment o radical de af irmação da necessidade de educa-ção para todos (Beisiegel, 1999). Tratava- se, até ent ão, de est ender o ensino f undament al a t o-das as crianças. As necessidades educacionais de jovens e adultos não- escolarizados deveriam es-perar ainda pouco mais de uma década para co-meçarem a despertar a atenção dos responsáveis pela polít ica educacional do Est ado brasileiro.

Lourenço Filho t eve at uação relevant e em quase t odos os set ores da educação nacio-nal por um longo período, desde os primeiros anos da década de 1920. Suas cont ribuições para a definição de campos de pesquisa na área da educação f oram amplas e diversif icadas. Pelo maior alcance, cabe dest acar sua part ici-pação na criação e na direção do Inst it ut o Nacional de Est udos Pedagógicos (INEP). Em boa parte como conseqüência dos estudos pro-movidos pelo INEP e at endendo às preocupa-ções despert adas pelo recenseament o geral do país, Lourenço Filho, já a part ir dos primeiros anos da década de 1940, começou a art icular o projet o de ext ensão da educação f

undamen-t al aos jovens e adulundamen-t os analf abeundamen-t os. Em 1947, iniciou e coordenou a Campanha de Educação de Adult os, inaugurando a inserção da alf abe-t ização de jovens e adulabe-t os nas políabe-t icas públi-cas do Est ado. Signat ário do M anif est o dos Pioneiros da Educação, de 1932, dest acou- se como not ável def ensor e divulgador do pensa-ment o compromet ido com a renovação educa-cional do país.

Quando o Instituto de Educação foi in-corporado à Universidade de São Paulo, Fernando de Azevedo já era um dos educadores mais pres-tigiados do país. Fora o responsável pela reforma do ensino no Distrito Federal. Redigira o “ Mani-festo dos Pioneiros da Educação Nova”. Logo em seguida, teria importante participação na funda-ção da Universidade de São Paulo.

O Manifesto continha posições inegavel-mente avançadas. Para os educadores empenha-dos na construção de um sistema de ensino mais just o, respeit adas as dif erenças de época e de conjunt ura, muit o do que def endia cont inua tendo validade, ou como afirmação de valores e objet ivos a serem alcançados ou como orient a-ções para a realização da pesquisa educacional. O próprio relator o entendia como um divisor de águas da opinião pública e dos educadores entre duas corrent es, “a do pensament o conservador, se não reacionário, e a dos renovadores” (Aze-vedo, 1958, p. 55). Essa orient ação renovado-ra estava presente, entre muitos outros itens, na af irmação das f inalidades da educação nova, como “ uma reação categórica, intencional e sis-t emásis-t ica consis-t ra a velha essis-t rusis-t ura do serviço educacional (...)” , uma educação nova que, dei-xando de servir aos int eresses de classes,

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Como decorrência da defesa desse direi-t o de cada indivíduo à sua educação indirei-t egral, impunha- se ao Estado o “ dever de considerar a educação, na variedade de seus graus e manifes-tações, como uma função social e eminentemente pública, que ele é chamado a rea- lizar, com a colaboração de todas as instituições sociais” (Ibid., p. 66). Ainda como decorrência dessa concepção de educação, defendia a laicidade, que situa a escola acima de crenças e disputas religiosas; a gratuidade, extensiva a todas as instituições ofi-ciais de educação e a obrigatoriedade, que por falta de escolas ainda não se realizava nem no ensino primário, mas que deveria estender- se pro-gressivamente até aos dezoito anos, uma idade conciliável com o trabalho produtor.

Entre muitos outros aspectos de grande interesse para a reflexão e a pesquisa no campo educacional, o M anif est o t rat ava da quest ão crucial do planejamento da reconstrução educaci-onal. Apontava, antes de tudo, para a necessida-de necessida-de corrigir a “ falta necessida-de continuidanecessida-de e articula-ção do ensino, em seus diversos graus, como se não fossem etapas de um mesmo processo...”. A escola primária deveria articular- se com uma edu-cação secundária unificada, com base comum de três anos, que deixaria de ser “a velha escola de um grupo social”, para ser um “aparelho flexível e vivo, organizado para ministrar a cultura geral e satisfa-zer às necessidades práticas de adaptação à vari-edade dos grupos sociais”. Defendia, ainda, a ne-cessidade de “ uma reforma integral da organiza-ção e dos métodos de toda a educaorganiza-ção nacional” , para substituir o conceito estático do ensino por um conceito dinâmico, que apontasse, “ desde o jardim de inf ância at é à universidade, não à receptividade mas à atividade criadora do aluno” (Ibid., p. 72).

Fernando de Azevedo continuaria a atu-ar na definição das orientações das pesquisas edu-cacionais da Feusp também durante suas ativida-des na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e no Centro Regional de Pesquisas Educacionais, que dirigiu entre 1956 e 1961.

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Le-t ras f oi criada em 25 de janeiro de 1934, nos

termos do Decreto nº 6.283, de fundação da Uni-versidade de São Paulo. No estudo sobre as con-cepções que orientaram a criação da nova uni-versidade, Antunha atribui especial importância à idéia de construir a Universidade de São Paulo com base numa Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, encarregada do cultivo de todos os ra-mos do saber, da promoção do ensino das disci-plinas de caráter não- utilitário, da realização de pesquisas científicas e altos estudos de caráter de-sinteressado, de realizar cursos básicos de disci-plinas comuns a outros institutos universitários e de colaborar na formação de professores. Ainda segundo Heladio Antunha, nesses momentos ini-ciais de implantação, “ a peculiar concepção dos objetivos e das funções integradoras da Faculda-de Faculda-de Filosofia é que dava ao moFaculda-delo paulista a sua caract eríst ica própria e inconf undível” (Antunha, 1974, p. 87).

Mas, sob o ponto de vista da formação das orientações da pesquisa, talvez a mais impor-tante das decisões sobre a organização da nova escola tenha sido a de contratar professores es-trangeiros para iniciar, na Faculdade de Filosofia, “ sem os impedimentos do regime de cátedras, o estudo das disciplinas ainda não consolidadas no país”. Foi possível, assim, aprofundar na universi-dade a construção de uma tradição de pesquisas e de altos estudos, “ com a conseqüente formação de um novo quadro de intelectuais e de especia-listas de alto gabarito” (Ibid., p. 45).2 A instituição

do tempo integral, a valorização dos laboratórios e o cuidado na constituição das bibliotecas univer-sitárias, entre outras medidas, favoreceram a forma-ção de hábitos de trabalho intelectual e o cultivo dos procedimentos da pesquisa científica.

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Após 1938, o Departamento de Educação, em que fora transformado o antigo Instituto de Educação, funcionou na FFCL como responsável pelo curso de Pedagogia e pela formação pedagó-gica dos cursos de licenciatura, até a reforma de 1970. Durante todo esse período, seus professores e alunos puderam integrar- se plenamente no cli-ma de trabalho intelectual e na tradição de rigor acadêmico que marcaram a Faculdade de Filoso-fia desde o início de suas atividades.

Data desses primeiros tempos a constitui-ção dos três departamentos que, com algumas alterações, continuam a responder pelas ativida-des da Faculdade de Educação. O Guia da Facul-dade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (Filo-sofia e Educação), de 1966, relata a origem dos atuais departamentos, ainda na Escola Normal da Praça. Os estudos de Administração Escolar, Legis-lação Escolar e Educação Comparada foram ini-ciados regularment e no Inst it ut o de Educação sob a orient ação de Roldão Lopes de Barros, conjugados com os estudos de Estatística Educa-cional, conduzidos por Milton da Silva Rodrigues. A Orientação Educacional incluía- se na cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada até 1961, quando passou a constituir- se em disciplina autônoma do Departamento de Educação.

A cadeira de Hist ória e Filosof ia da Educação, igualment e inst it uída no ant igo Ins-t iIns-t uIns-t o de Educação, Ins-t eve em Roldão Lopes de Barros seu primeiro t it ular.

O guia inf orma ainda que os est udos no campo da didát ica t ambém f oram iniciados no Inst it ut o de Educação (ainda Inst it ut o dagógico) em 1936, no curso de Formação Pe-dagógica do Prof essor Secundário, dest inado exclusivament e aos licenciandos da Faculdade de Filosof ia da USP.3

O Centro Regional de Pesquisas Educacio-nais (CRPE) de São Paulo foi criado em 22 de maio de 1956, nos termos de um convênio celebrado entre o Ministério da Educação e Cultura e a reito-ria da Universidade de São Paulo. Antes disso, o De-creto 38.460, de 28 de dezembro de 1955, havia instituído o Centro Brasileiro de Pesquisas Educa-cionais (CBPE), com sede no Rio de Janeiro, e mais

cinco centros regionais de pesquisas educacionais, sediados, respectivamente, em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo.

O Decret o 38.460 consolidava um pro-jet o amadurecido ao longo de muit os anos por Anísio Teixeira. Desde sua permanência no car-go de Secret ário da Educação na Bahia, ent re 1947 e 1950, e especialment e após sua nome-ação para a direção do INEP, em 1952, Anísio Teixeira vinha incentivando a realização de pes-quisas com a int enção explícit a de colocá- las a serviço da renovação educacional do país. De acordo com Márcia dos Sant os Ferreira (2001, p.18), enquant o secret ário na Bahia, criou a Divisão de Pesquisas do Departamento de Edu-cação e Cultura da Secretaria e a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia, órgãos que possibilit aram a realização de import ant e int ercâmbio com a Universidade de Colúmbia, com a col aboração dos et n ól ogos Charl es Wagley e Eduardo Galvão, que alguns anos mais t arde part icipariam at ivament e na criação e na implant ação dos cent ros de pesquisas educa-cionais. Outros intelectuais e educadores, em di-ferentes momentos, participaram na discussão e na elaboração do projet o (Ibid.).4 As repet idas

afirmações de Anísio a propósito dos centros de pesquisa como instrumentos da renovação edu-cacional do país reencontravam, agora, cerca de vint e anos depois, os ideais já advogados pelo educador ao lado dos “ Pioneiros da Educação Nova” no Manif est o de 1932.

Criado em maio de 1956 e inst alado no mês seguint e, em prédio originalment e des-t inado pelo M EC a um Cendes-t ro Regional de

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Aperfeiçoamento do Magistério, o CRPE/SP teve Fernando de Azevedo como seu primeiro dire-t or. O novo órgão acompanhava os objedire-t ivos f ixados para o Cent ro Brasileiro:

1. pesquisa das condições culturais e escola-res e das t endências de desenvolviment o de cada região e da sociedade brasileira como um todo, para o efeito de conseguir- se a ela-boração gradual de uma política educacional para o país;

2 . elaboração de planos, recomendações e sugest ões para a revisão e a reconst rução educacional do país

em cada região

nos níveis primário, médio, e superior e no set or de educação de adult os;

3. elaboração de livros de fontes e de textos, preparo de material de ensino, estudos espe-ciais sobre administ ração escolar, currículos, psicologia educacional, medidas escolares, f ormação de mest res e sobre quaisquer ou-tros temas que concorram para o aperfeiçoa-ment o do magist ério nacional;

4 . t reinament o e aperf eiçoament o de admi-nist radores escolares, orient adores educacio-nais, especialist as de educação e prof essores de escolas normais e primárias.

De acordo com o “ Plano de Organização do CRPE de São Paulo” , (Ferreira, 2001, p.29) para atender a esses objetivos, o Centro propu-nha- se a empreender e financiar levantamentos, inquérit os e pesquisas educacionais e sociais; promover experiências e demonstrações práticas de novas técnicas de ensino em suas escolas ex-perimentais; contribuir para a complementação da formação, o aperfeiçoamento e a especialização dos prof essores diplomados pelas escolas nor-mais; aproveitar os resultados das pesquisas para o aperfeiçoamento das reformas educacionais em andamento e para o planejamento da reconstru-ção educacional do país; procurar esclarecer pro-fessores, diretores e inspetores de escolas sobre os problemas de educação, por meio de publicações ou diretamente, atendendo a pedidos e consul-tas; divulgar os trabalhos científicos realizados e

permutar comunicações, para manter- se atualiza-do sobre os progressos realizaatualiza-dos no país e no exterior nesse domínio de estudos e atividades (Ferreira, 2001, p. 29). Esse plano, fixado em ja-neiro de 1957, formalizava programação que em boa parte já vinha sendo seguida nas divisões do CRPE. Em correspondência dirigida a Fernando de Azevedo, em 24 de out ubro de 1956, Anísio Teixeira já havia delineado as orient ações dos trabalhos do Centro para os anos seguintes.

Nessa cart a, Anísio Teixeira expunha suas idéias a respeit o da pesquisa educacional e dos trabalhos que deveriam ser empreendidos pelo CRPE. Começava por recomendar a neces-sidade de t ransmit ir,

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sentindo os problemas que eles suscitavam. E as-sim est ariam f azendo part e do grande corpo de pesquisadores educacionais em que se deve trans-formar toda a profissão do magistério.

Terceiro – Por sua vez, o Centro não deveria ser apenas um foco de pesquisas, mas, um núcleo de preparação de material de ensino, compreendido nesta expressão, tudo que fossem recursos mate-riais para a educação, desde livros, de texto e de fontes (...). (Ferreira, 2001, p. 178- 179)5

Compromet ido acima de t udo com a reconst rução da escola pública no país, o pro-grama ent ão propost o por Anísio vinculava os est udos e as pesquisas da inst it uição às neces-sidades sociais na área da educação. Os primei-ros t rabalhos inicia- dos e desenvolvidos pelas divisões do CRPE cor- responderam, na medida do possível, a essas orient ações. A nova inst i-t uição apoiou a realização de um levani-t amen-t o do ensino normal. Sua Divisão de Esamen-t udos Sociais promoveu um amplo levant ament o do ensino primário. A Divisão de Estudos Educaci-onais iniciou pesquisas para a elaboração de uma “ f icha de observação do aluno” e de uma “ escala de escolaridade” (Ferreira, 2001, p. 62, 64 e 170). Essas orient ações prevaleceram du-rante a gestão de Fernando de Azevedo, que se est endeu at é maio de 1961. Nesse ano, com a renovação do convênio ent re o M EC e a USP, a Direção do Cent ro f oi at ribuída a Laert e Rmos de Carvalho, que ent ão dirigia o Depart a-ment o de Educação da FFCL. No ano seguin-t e, o Deparseguin-t amenseguin-t o de Educação e o Curso de Pedagogia passaram a f un- cionar nas inst ala-ções do CRPE. Funcionando no mesmo prédio e dirigidas pelo mesmo prof essor, as duas ins-tituições estreitaram bastante suas relações. Nos anos seguint es, houve progressiva part icipação de prof essores do Depart ament o de Educação nos cursos e at ividades do CRPE e, depois, diversos pesquisadores do Centro foram contra-t ados por dif erencontra-t es secontra-t ores do Deparcontra-t amencontra-t o de Educação da FFCL. Em 1976, com a conclu-são do demorado processo de ext inção dos cent ros de pesquisas educacionais do INEP, o

acervo do CRPE f oi incorporado ao pat rimônio da Faculdade de Educação.

O Colégio de Aplicação da FFCL com-plet a o quadro inst it ucional considerado nest a exposição.

Criado em 13 de março de 1957, por convênio celebrado ent re a Faculdade de Filo-sof ia e a Secret aria de Educação do Est ado, o Colégio, como cent ro de experiment ação e demonst ração pedagógica, visava a promover ensaios de renovação pedagógica do ensino secundário; estágios de observação e prática de ensino, est udos e invest igações pedagógicas de prof essores e alunos da Faculdade de Filosof ia; e aperf eiçoament o de prof essores do ensino secundário. (USP, 1966, p. 42)

O Colégio de Aplicação mant inha um Serviço de Orientação Pedagógica e um Serviço de Orientação Educacional, que atendiam à prá-t ica de ensino dos alunos das licenciaprá-t uras e à prát ica em orient ação educacional dos alunos do curso de Pedagogia. Os serviços respondiam pela orient ação pedagógica e educacional dos alunos do próprio Colégio e promoviam estudos e pesquisas nos respectivos campos de atuação. Muitos professores da Faculdade, sobretudo no Departamento de Metodologia do Ensino e Edu-cação Comparada, foram recrutados entre os do-cent es do Colégio de Aplicação.

A part ir de 1970, a t ransf ormação do antigo Departamento de Educação da Faculdade de Filosofia na atual Faculdade de Educação, a institucionalização da pós- graduação e a amplia-ção das atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária resultaram em considerável aumento do número de docentes e favoreceram as tendên-cias à progressiva diversificação de campos de trabalho e especialização dos pesquisadores. A instituição dos concursos públicos como instru-mento de seleção de candidatos à docência na Universidade intensificou a diversificação das ori-gens dos novos quadros da Faculdade.

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ram- se novos grupos de pesquisa, com associação de pesquisadores da Feusp a colegas de outras unidades universitárias do estado, do país e do ext erior. Nesse período, muit os prof essores da Faculdade de Educação aprofundaram a interação com docent es de out ras unidades da USP, de outras universidades e dos sistemas federal, esta-dual e municipal de ensino. Com maior velocida-de, a partir dos últimos anos da década de 1980, intensificaram- se os contatos com universidades do exterior. A inserção internacional da Faculdade cresceu significativamente, com ativa interação dos pesquisadores com colegas e instituições es-trangeiras, sobretudo em Portugal, Espanha, Fran-ça, Inglaterra, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão, Cidade do Vaticano e, especialmente, paí-ses da América Latina. Nesse quadro de multiplica-ção dos contatos, de diversificamultiplica-ção das eventuais fontes de referências e de crescente especialização das áreas de estudos e pesquisas, aumentaram con-sideravelmente também as alternativas de orienta-ção intelectual dos docentes e de influência na definição dos respectivos campos de investigação. Percebe- se, porém, que pelo menos uma parte dos estudos e pesquisas realizados pelos professores da Faculdade ainda tende a preservar um núcleo de características comuns, algo como

um “ethos” acadêmico solidamente assentado nas raízes da instituição.

Não obstante a atual multiplicação de campos de interesse, a diversificação das filiações intelectuais e o crescente aprofundamento das especialidades, as marcas de origem na Faculdade de Filosofia continuam presentes nos hábitos de trabalho e na permanente exigência de rigor nas investigações. Ao mesmo tempo, guardadas as di-ferenças de tempo e de circunstâncias, é razoável afirmar- se que a Feusp continua ao menos par-cialmente fiel às orientações de seus precursores. Continua sendo intensa e significativa a participa-ção de professores da Faculdade na orientaparticipa-ção e na condução de políticas públicas de educação no país, no estado e em numerosos municípios. Em parte significativa das pesquisas e dos estudos rea-lizados na Faculdade, reencontram- se orientações e preocupações identificadas com os valores da educação democrática. Há, nesses trabalhos, um claro compromisso com a educação pública. E, à medida que a escola pública vai- se identificando principalmente com a educação das grandes mas-sas populares, numerosos estudos, pesquimas-sas e atividades da instituição passaram a orientar-se para os imensos desaf ios colocados pela educação popular, em todos os níveis do ensino.

R e f e r ê n c ia s b ib lio g r á f ic a s

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VIDAL, D. (Org.) Na batalha de educação: correspondência entre Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo (1929-1971). Bragança Paulista: Edusf, 2000.

Referências

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