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E m F o c o : E d u c a ç ã o e t e c n o lo g ia s
A p r e s e n t a ç ã o
É impossível educar sem a mediação t ecn ológica. Em t odos os momen t os da civilização hu man a, a sociedade bu scou as f erramen t as t ecn ológicas dispon íveis para f azer edu cação. Tecn ologias qu e se apresen t am pela descobert a de n ovos u sos de elemen t os da n at u reza para propiciar a ext en são das possibilidades humanas de sobrevivência. Pedras, t roncos, galhos de árvores, met ais... t rans-f ormados em equ ipamen t os e armas qu e derans-f in iram o poder de algu n s ho-mens em relação aos demais. Tecnologias mais elaboradas, “ da int eligência” como as def in e Pierre Lévy, e qu e se expressam pelo discu rso, pela voz e ou t ras f ormas de expressão para a comu n icação e a in f ormação en t re os seres hu man os. Tecn ologias específ icas qu e se apresen t am por meio de su -port es e f erramen t as, t odos f ru t os da en gen hosidade hu man a, n os mais di-f eren ciados t empos e espaços em qu e ocorrem at ividades de en sin o: lou sas, can et as, giz, lápis, papéis, cadern os, livros... Tecn ologias qu e f oram sist e-mat icament e incorporadas ao cot idiano do ensino em salas de aula de t odos os n íveis e qu e n ão são mais est ran has, ao con t rário, pela su a u t ilização si st em át i ca e acessi b i l i d ad e, n ão são m ai s p en sad as co m o ar t ef at o s t ecn ológicos.
Nas últ imas décadas do século passado, o avanço no conheciment o cient íf ico t ornou possí-vel o aparecimen t o de n ovas t ecn ologias, volt adas para o aden samen t o das possibilidades de comu n icação e de in f ormação en t re as pessoas. As n ovas t ecn ologias de in f ormação e de comu n icação, con hecidas t ambém como TIC, vieram para f icar. Os desdobramen t os de su as aplicações e f u n cion ali-dades, a su a exploração pelo mercado produ t ivo e a implan t ação em t odos os set ores, deram origem a um novo modelo social globalizado, ident if icado in t ern acion almen t e como Sociedade da In f ormação.
Essas n ovas t ecn ologias de in f ormação e comu n icação já est ão est abelecidas em qu ase t odos os espaços sociais e cult urais cont emporâneos. Dif erentes equipament os
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No Brasil, além dos desaf ios propost os pelas in ovações t ecn ológicas à Edu cação, mais um gran de problema se apresen t a: a garan t ia de acesso plen o para t oda a so-ciedade ao u so de t odas as possibilidades de in t eração e comu n icação of erecidas pelos n ovos meios t ecn ológicos. Garan t ia de acesso qu e n ão se en -cerra com a posse ou a f acilidade de u so de equ ipamen t os e programas de ú lt ima geração, mas o domín io da lógica qu e su bsidia t odas essas en gren a-gens para a ut ilização crít ica para os mais dif erenciados f ins educacionais. E um ou t ro gran de desaf io: a f ormação de docen t es para o u so crít ico dos su port es t ecn ológicos em at ividades qu e sejam realmen t e dif eren ciadas e signif icat ivas.
Suport es mediát icos mais conhecidos e amplament e ut ilizados na vida cot idiana como o rádio e a t elevisão não são ainda compreendidos pelos prof essores como f erramen-t as pedagógicas poerramen-t encialmenerramen-t e ricas para uerramen-t ilização em aerramen-t ividades de f or-mação docent e e nas prát icas com os seus alunos. Os cursos de f oror-mação de prof essores não abrem espaços para o est udo crít ico dessas t ecnologias como mat eriais import ant es para o desenvolviment o de processos didát icos dif eren-ciados. A prescrição governament al para a ut ilização de comput adores e int ernet em educação, t ecnologias digit ais avançadas, apresent a t ambém es-ses mesmos problemas de f ormação inadequada dos docent es, além de out ras dif iculdades que vão do acesso das escolas e dos prof essores a est es equipa-ment os à ausência de manut enção e at ualização, à obsolescência rápida des-sas t ecnologias e à inadequação da est rut ura curricular para a ut ilização ple-na em projet os int erdiscipliple-nares e art iculados com out ras realidades f ora da escola, possíveis de serem realizadas a part ir do uso pedagógico pleno e cons-cient e dessas máquinas e seus perif éricos.
M uit o há, port ant o, em t odos os set ores e níveis educacionais, a ser f eit o em relação ao uso das t ecn ologias de comu n icação e in f ormação em edu cação. M u it os são os desaf ios a serem en f ren t ados em t odas as esf eras para garan t ir a dispon ibi-lidade dos equ ipamen t os e o seu u so crít ico e con scien t e pelos sist emas educacionais.
Nest a seção “ Em Foco” são apresen t ados dif erent es art igos sobre esses desaf ios, algu mas f ormas de su peração e os problemas qu e ain da persist em e qu e en volvem as relações en t re as t ecn ologias de in f ormação e comu n icação e a realidade educacional brasileira cont emporânea. Olhares dif erenciados ref let em a f or-ça da t emát ica n a at u alidade e a in f in idade de camin hos de pesqu isas qu e as mediações exist en t es en t re as n ovas TIC e a edu cação of erecem.
2 6 9 t ambém as man eiras pelas quais são def in idas n o discu rso govern amen t al as polít icas de f ormação de prof essores, com u so in t en sivo de t ecn ologias, com especial recomen dação para o emprego da modalidade “ à dist ân cia” e os modos da su a apropriação edu cacion al, em dif eren t es con t ext os.
O u so pedagógico e edu cat ivo das t ecn ologias de comu n icação e in f ormação n as escolas e no sist ema de en sin o brasileiro é discu t ido n os t rês art igos qu e se segu em . M aria Lu iza Bellon i ref let e sobre o u so da t elevisão como f erramen t a peda-gógica para a f ormação de prof essores a part ir da análise da experiência dos primeiros anos de implement ação do Programa TV Escola em Sant a Cat arina. Em su a pesqu isa, Bellon i most ra qu e “ a in t egração do meio t elevisu al n o espaço escolar, em su a du pla dimensão de f erramen t a pedagógica e objet o de est u do, ain da en con t ra mu it as dif icu ldades, embora a t elevisão seja o meio de comu n icação mais f reqü en t ado por prof essores e est u dan t es”.
O u so da in t ern et em sit u ações de en sin o f u n damen t al, em escolas das redes pú blica e part icular é t ema da pesquisa que gerou o art igo escrit o por Gilbert o Lacerda San t os. Em en t revist as e in t erações com vin t e prof essores de escolas pú bli-cas e part iculares do Dist rit o Federal, o aut or most ra que não são os prof es-sores os grandes vilões na ut ilização plena das TIC em at ividades de ensino. Ao con t rário, segu n do o au t or, “ os prof essores são capazes de avan çar em uma ut ilização mais int eressant e da int ernet como meio de ensino e de apren-dizagem e qu e a escola, com seu rit mo e rit os, con st it u i u ma amarra impor-t an impor-t e”. Em seus con impor-t aimpor-t os com prof essores, alu n os, pais e demais prof issio-n ais issio-n as escolas, o pesqu isador descobre qu e “ há u m clamor geral pela mu dan ça” e u m descon f ort o n ão apen as dos alu n os mas, prin cipalmen t e, dos prof essores, “ sobret udo quando são cobrados por gest ores, pais, alunos e t eóricos da educação para assumirem post uras docent es para as quais eles n ão f oram preparados”.
Uma possibilidade de f ormação docent e para o uso crít ico das t ecnologias é relat ada no art igo de M irza Seabra Toschi e M aria Emília de Cast ro Rodrigues realizado a part ir dos result ados da pesquisa “ Inf ovias e Educação” desenvolvida por uma equipe de pesquisadores junt o a prof essores da rede pública em Goiás. O projet o de int ervenção visava o desenvolviment o de at ividades t eóricas e prá-t icas para a inprá-t rodução do uso de prá-t ecnologias na educação, em especial a inf ormát ica, de f orma crít ica e conscient e. A ação desencadeada visava a f or-mação de prof essores não apenas como simples ut ilizadores, mas como pro-dut ores de cont eúdos, “ t ais como t ext os, mat eriais didát icos, análise de vídeos e mat eriais de apoio para disponibilizar na rede goiana de inf ormação”.
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con t ribu ições dos ambien t es digit ais de apren dizagem” , M aria Elizabet h Bian con cin i de Almeida discu t e o u so desses ambien t es para o desen volvi-men t o de u m processo edu cacion al in t erat ivo qu e propicia a produ ção de con hecimen t o in dividu al e gru pal em processos colaborat ivos, a dist ân cia.
O art igo de M arcelo Araú jo, Lu cian a M en eghel Cordeiro e Ren at a Fon seca del Cast illo, “ O ambient e virt ual de aprendizagem e sua incorporação na Unicamp” , descre-ve as f ormas como são realizados os t rein amen t os para a f ormação de pro-f essores universit ários no uso dessas novas t ecnologias. Os aut ores apresen-t am e discu apresen-t em apresen-t ambém as van apresen-t agen s, desvan apresen-t agen s e as impressões gerais, de prof essores e alu n os, sobre a apropriação e a ef et ividade do u so de t ecn ologias como apoio ao en sin o presen cial n a Un iversidade.