Relacionamento Terapêutico
por Joyce Traveelbee
DEFINIÇÃO
Processo dinâmico onde o indivíduo é visto como um ser concreto, único e
histórico, respeitado dentro dos
condicionantes do meio social em que ele se acha inserido.
DEFINIÇÃO
No RT a enfermeira (o) utiliza a si próprio e as técnicas clínicas específicas no trabalho com o indivíduo para gerar introvisão e alteração comportamental do indivíduo.
DEFINIÇÃO
- Para estabelecer o relacionamento terapêutico, é necessário ir além dos papéis de enfermeira e paciente
-A enfermeira pode ajudar as pessoas a
encontrar um significado na sua doença e assim ajuda-los a lidar com ela.
- A enfermeira estabelece um relacionamento
através da comunicação o que lhes permite cumprir a finalidade dos cuidados.
DEFINIÇÃO
- A bagagem filosófica da enfermeira
ajuda o doente e a sua família a encontrar um significado na experiência de doença
-É de responsabilidade da enfermeira ajudar o doente e sua família a encontrar significado no sofrimento e na doença (TRAVELBEE,1979)
DEFINIÇÃO
RT é resultado de
uma série de
interações deliberadas e planejadas
entre enfermeiro (a) e o indivíduo.
..estar com o indivíduo para que ele
possa (re) ver-se e restabelecer seu
DEFINIÇÃO
Constitui em experiências de aprendizagem para ambos neste processo
..desenvolvem habilidades cada vez maiores para relacionar-se
FATORES IMPORTANTES PARA O RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO
Enfermeiro : conhecimento, habilidade e disponibilidade
Indivíduo : disposto e com capacidade para corresponder
Ambiente terapêutico : desde a planta física a equipe
Diferencial...
Diferencia -se das demais
relações tornando-se
terapêutica, pois o
enfermeiro tem
conhecimento e habilidades
específicas, com o propósito
de atingir um determinado
objetivo.
FATORES IMPORTANTES PARA O RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO
•Pensamentos, sentimentos e comportamentos de ambos são afetados.
•Cada encontro é diferente representando um ponto de partida para as interações seguintes.
•É válido que o enfermeiro faça uma avaliação de si mesmo antes de iniciar o relacionamento
interpessoal (angústia,compreensão e aceitação de si e do outro).
Objetivo com o usuário
Delimitar, definir e conceituar seuproblema
Perceber-se como participante ativo na história de sua vida;
Enfrentar, realisticamente os seus problemas;
Visualizar alternativas significativas para a solução de seus problemas;
Testar novos padrões de comportamento;
Desenvolver-se socialmente;
CARACTERÍSTICAS DO RT
CARACTERÍSTICAS DO RT
Interações planejadas, objetivos definidos com os quais o enfermeiro(a) oferece experiências interpessoais para facilitar a mudança de comportamento do usuário;
Ambos modificam seu comportamento
O papel do enfermeiro(a) -facilitador na resolução dos problemas do usuário (ajudar a encontrar alternativas);
O conteúdo de suas interações é confidencial.
Ambiente terapêutico : desde a planta física a equipe.
FASE 1 PRÉ-INTERAÇÃO
•
O profissional “elege” o indivíduo
para o processo-abordagem;
•
O critério de escolha é feito
após
análise inicial d
o indivíduo;
•
O enfermeiro deve dedicar-se,
pois o RT caracteriza-se por um
FASE 1 PRÉ-INTERAÇÃO
•
Pensar e escrever sobre os
próprios sentimentos e
pensamentos – resgatado
posteriormente;
•
Traçar objetivos iniciais –
direcionar o RT-
não são
definitivos;
•
Registro da observações
iniciais do usuário
FASE 2 INICIAL (introdução ou
orientação)
•
Inicia-se
quando
duas
pessoas
estranhas,
passam se conhecer;
•
Seu
término
acontece
quando cada um percebe o
outro
como
um
ser
humano único;
FASE 2 INICIAL (introdução ou
orientação)
• Caracteriza-se pela elaboração do acordo de trabalho, além das suposições que um faz do outro;
• Estabelece-se o pacto –
compromisso contratual
(definição do local, horário, tempo de cada interação, tarefa e o período do RT);
• Traçar os objetivos para a próxima interação
FASE 3 TRABALHO (ou definição de
identidade)
• Inicia-se quando superam-se as dificuldades da fase anterior;
• O conhecimento mútuo aprofunda-se;
• O enfermeiro(a) deve ser capaz de projetar-se além de si mesmo????
• Observa-se a capacidade de ambos relacionar-se:
Perceber o outro como ser humano único
Transcender os papéis estereotipados Aceitação incondicional
ENCERRAMENTO
(ou término)
• O indivíduo deve ser preparadodesde o pacto;
• O RT chega ao fim quando os objetivos traçados foram
alcançados;
• Deve-se considerar a possibilidade de não alcançar todos os objetivos; • Importante observar algumas
transformações do usuário evidenciada pelo seu
comportamento;
• Ocorrendo isso avalia-se a relação com o objetivos alcançados
ENCERRAMENTO
(ou término)
O preparo para o encerramento consta da
preparação do indivíduo e do
enfermeiro(a)
•PREPARAÇÃO DO INDIVÍDUO
Se o enfermeiro(a) termina a relação antes do previsto, deve clarear os motivos;
Permitir que o usuário expresse seus pensamentos e sentimentos frente ao término;
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O
DESENVOLVIMENTO DO RT
•ACEITAÇÃO
Tanto o enfermeiro deve aceitar o
usuário, como o usuário deve aceitar o enfermeiro;
A não aceitação por parte do usuário – inevitável implantar o processo;
EMPATIA
É a capacidade de tentar ver o mundo como a outra pessoa o vê, sem perder a própria identidade.
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O
DESENVOLVIMENTO DO RT
• DISPONIBILIDADE
. O (a) enfermeiro(a) deve reservar um tempo para os encontros que não
devem ser cancelados
. Em casos graves de cancelamento o usuário
deve ser avisado com antecedência.
ENCORAJAMENTO CONTÍNUO EXPRESSÃO
. O (a) enfermeiro(a) deve estimular o usuário constantemente a expressar
CONDIÇÕES
BÁSICAS
PARA
O
DESENVOLVIMENTO DO RT
ENVOLVIMENTO EMOCIONAL
. É necessário que o (a) enfermeiro(a) reveja seus e pensamentos e sentimentos durante
todo relacionamento;
CONFIANÇA
. Ocorre de acordo como o profissional age com o usuário
. O (a) enfermeiro(a) tende a demorar mais tempo a confiar no usuário, em função dos
preconceitos “enraizados”, que deverá trabalhar junto à supervisão.
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O
DESENVOLVIMENTO DO RT
COMPROMISSO
O (a) enfermeiro(a) deve cumprir sempre com a palavra dada ao usuário.
SIGILO
Todas as informações fornecidas pelo usuário devem ser preservadas pelo(a) enfermeiro(a);
Quando algo muito grave for relatado pelo usuário nos encontros, e o enfermeiro(a) julgar necessário compartilhar este com outro profissionais, deverá comunicar o usuário desta necessidade.
CONDIÇÕES
BÁSICAS
PARA
O
DESENVOLVIMENTO DO RT
ATITUDE DE NÃO JULGAMENTO
.É comum termos ímpetos de julgar ou emitir nossa opinião frente aos assuntos;
.Durante o RI, o profissional deve controlar-se quanto a isso.
ESTÍMULO À AUTO ESTIMA
.É comum o usuário falar coisas que o diminuem ou enfatizar seus defeitos;
.Apesar do profissional precisar ouví-lo, deve mostrar-lhe suas qualidades e as coisas boas que fez/alcançou.
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO
INDIVÍDUO PÕE À PROVA O ENFERMEIRO
.
O usuário pode tornar-se agressivo verbal
ou fisicamente para verificar a atitude
do
enfermeiro(a);
O usuário tenta centrar o assunto no
enfermeiro(a), estimulando-o a falar de si.
TESTAR O REAL INTERESSE DO
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO
EXPECTATIVAS
O enfermeiro(a) frustra-se quando o usuário não evolui;
Desinteressa-se pelo processo (tornando-se impessoal) ou permite que esta frustração afete o relacionamento.
BARREIRAS QUE PODEM
SER ENCONTRADAS NO PROCESSO PROXIMIDADE
O enfermeiro(a) não consegue esquecer de si mesmo
Passa a distrair-se durante as interações ou identificar-se com os problemas do usuário
CULPA
O enfermeiro(a) não consegue encontrar motivos para a doença do seu usuário.
Começa a culpar pessoas da família do usuário (este também passa a fazer o mesmo)
PARA LIDAR COM ESSAS SITUAÇÕES
SUGERE-SE:
SUPERVISÃO DO RELACIONAMENTO
Realizada por enfermeiro(a) especialista
em SM, com frequência semanal ou ao final de uma interação confusa e angustiante.
• Momento em que o aluno / enfermeiro têm a possibilidade de superar as
barreiras encontradas.
• A supervisão pode ajudar a aumentar a habilidade para reunir e interpretar dados, aplicar conceitos e sintetizar a informação obtida .
PARA LIDAR COM ESSAS SITUAÇÕES
SUGERE-SE:
SUPERVISÃO DO RELACIONAMENTO
Deve
haver
disponibilidade,
honestidade
para
transmitir
observações,
pensamentos e
sentimentos.
•
Possibilidade de rever o seu
próprio comportamento e assim
crescer como pessoa e
ETAPAS CONTÍNUAS AO R.T
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA Observação da pessoa: comunicação verbal
e não verbal
Interpretação dos dados com juízo de valor
Validação: compartilhar com o usuário os dados interpretados
Levantamento das necessidades e Diagnóstico de Enfermagem
Planejamento da assistência e Intervenção Avaliação e Preparo para alta
• Não compete ao enfermeiro
ensinar soluções,
mas sim ajudar clientes a melhorar sua
capacidade de resolução de problemas obtendo
eles próprios a solução
• Enfermeiros colaboram com cliente para este
identificar o problema, definir objetivos, aceitar
responsabilidades para tomar as medidas
necessárias e atingir objetivos.
É necessário para o RT:
Contrato terapêutico,
Formar vínculo de aceitação e confiança, tanto com a equipe, quanto com os demais usuários do sistema.
Não construir, ou desconstruir, relações preconceituosas.
Estabelecer ambiente capaz de desenvolver senso de auto-estima, relacionamento com outras
pessoas,
Ambiente que favoreça a percepção e vivência da autonomia.
É necessário para o RT:
Escuta
Observação,
Comunicação verbal:
Durante a relação terapêutica, Entre membros da equipe, Tácita ou escrita.
Comunicação não-verbal:
Dor, irritação, ansiedade, preocupação, felicidade, etc. (mímica, olhar, linguagem corporal).
Atente-se
– Necessidades físicas,
– Respeitar os direitos, como cidadão, que possui opiniões.
– Ênfase à interação social, – Flexibilidade,
– Estimular o usuário a descrever sua experiência,
– Sensibilidade para a hora do silêncio,
– Manter diálogo claro com linguagem acessível, – Demonstrar interesse,
– Construção da rede de apoio: família, rede de amigos e grupo de trabalho (oficinas
Referências
STUART,G.W.& LARAIA,M.T. Enfermagem
Psiquiátrica. Princípios e Práticas. 6ª Porto Alegre :
Artes Médicas, 2001.
TAYLOR, C. M. Manual de enfermagem psiquiátrica de Mereness. Porto Alegre: 6ª Ed. Artes Médicas,
1992.
TRAVELBEE, J. Intervencion em Enfermeira Psiquiatrica Colômbia 2a ed. OMS/ OPAS.
Referências
• ROCHA, R. M. Enfermagem em saúde mental. 2ª ed. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005.
• TEIXEIRA, M. B. Manual de Enfermagem Psiquiátrica. São Paulo: Atheneu, 2001.
• KAPLAN, H. I & SADOCK, B. J. Manual de Psiquiatria Clínica. Rio de Janeiro: Medsi, 1990.
• STUART,G.W.& LARAIA,M.T. Enfermagem Psiquiátrica.
Princípios e Práticas. 6ª Porto Alegre : Artes Médicas, 2001.
• TAYLOR, C. M. Manual de enfermagem psiquiátrica de Mereness. Porto Alegre: 6ª Ed. Artes Médicas, 1992.
• TRAVELBEE, J. Intervencion em Enfermeira Psiquiatrica Colômbia 2a ed. OMS/ OPAS.