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TEXTO PARA DISCUSSÃO N 525 LOCAL DE RESIDÊNCIA E LOCAL DE TRABALHO NA RMBH: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE OS ANOS DE 1980 E 2010

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TEXTO PARA DISCUSSÃO N° 525

LOCAL DE RESIDÊNCIA E LOCAL DE TRABALHO NA RMBH: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE OS ANOS DE 1980 E 2010

Breno A. T. D. de Pinho Fausto Brito

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2 Sandra Regina Goulart Almeida (Vice-reitora)

Faculdade de Ciências Econômicas

Paula Miranda-Ribeiro (Diretora) Lizia de Figueirêdo (Vice-diretora)

Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar)

Cássio Maldonado Turra (Diretor)

José Irineu Rangel Rigotti (Coordenador do Programa de Pós-graduação em Demografia) Ana Maria Hermeto Camilo de Oliveira (Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Economia)

Laura Lídia Rodríguez Wong (Chefe do Departamento de Demografia)

Gustavo Britto (Chefe do Departamento de Ciências Econômicas)

Editores da série de Textos para Discussão

Adriana de Miranda Ribeiro (Demografia) Aline Souza Magalhães (Economia)

Secretaria Geral do Cedeplar

Maristela Dória (Secretária-Geral)

Simone Basques Sette dos Reis (Editoração)

http://www.cedeplar.ufmg.br

do Cedeplar, com o objetivo de compartilhar ideias e obter comentários e críticas da comunidade científica antes de seu envio para publicação final. Os Textos para Discussão do Cedeplar começaram a ser publicados em 1974 e têm se destacado pela diversidade de temas e áreas de pesquisa.

P654l

2015 Pinho, Breno A. T. D. de. Local de residência e local de trabalho na RMBH : uma análise comparada entre os anos de 1980 e 2010 / Breno A. T. D. de Pinho, Fausto Brito. - Belo Horizonte : UFMG/CEDEPLAR, 2015.

24 f. : il. - (Texto para discussão, 525) Inclui bibliografia (f. 20-21)

ISSN 2318-2377

1. Mercado de trabalho - Belo Horizonte, Região Metropolitana de (MG) 2. Belo Horizonte, Região Metropolitana de (MG) - População. I. Pinho, Breno A. T. D. II. Brito, Fauto. III. Universidade Federal de Minas Gerais. Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional. IV. Título. V. Série.

CDD: 331.12098151 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da

FACE/UFMG - JN096/2015

As opiniões contidas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade do(s) autor(es), não exprimindo necessariamente o ponto de vista do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Faculdade de Ciências Econômicas ou da Universidade Federal de Minas Gerais. É permitida a reprodução parcial deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções do texto completo ou para fins comerciais são expressamente proibidas. Opinions expressed in this paper are those of the author(s) and do not necessarily reflect views of the publishers. The reproduction of parts of this paper of or data therein is allowed if properly cited. Commercial and full text reproductions are strictly forbidden.

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CENTRO DE DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO REGIONAL

LOCAL DE RESIDÊNCIA E LOCAL DE TRABALHO NA RMBH: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE OS ANOS DE 1980 E 2010

Breno A. T. D. de Pinho

Doutorando em Demografia pelo CEDEPLAR/UFMG – Bolsista do CNPq

Fausto Brito

Professor e pesquisador do CEDEPLAR/UFMG – Departamento de Demografia

CEDEPLAR/FACE/UFMG BELO HORIZONTE

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 3

2. FONTE DE DADOS E ESTRUTURA ESPACIAL DA ANÁLISE... 4

3. A MOBILIDADE PENDULAR E AS MUDANÇAS ESPACIAIS DO MERCADO DE TRABALHO METROPOLITANO ... 7

4. A MOBILIDADE PENDULAR E AS MIGRAÇÕES INTRAMETROPOLITANAS ... 15

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 18

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RESUMO

O objetivo deste artigo é analisar, com ênfase na evolução dos fluxos da mobilidade pendular de trabalhadores, as transformações espaciais do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Belo Horizonte em termos de local de trabalho e de residência da população ocupada. A partir do contexto da expansão urbana metropolitana, são discutidas, com base em uma comparação entre os dados demográficos dos anos de 1980 e 2010, as mudanças ocorridas no tamanho e concentração residencial da população de trabalhadores, bem como a estruturação dos fluxos da mobilidade pendular, tendo em vista uma caracterização geral da organização espacial do mercado de trabalho metropolitano, considerando as subáreas núcleo e vetores de expansão urbana.

Palavras-chave: mercado de trabalho, mobilidade pendular, distribuição espacial da população, Região

Metropolitana de Belo Horizonte.

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1. INTRODUÇÃO

Na região metropolitana de Belo Horizonte - RMBH, as transformações demográficas e econômicas ocorridas nas últimas décadas levaram a algumas mudanças na organização espacial do mercado de trabalho metropolitano, particularmente em termos da distribuição da população de trabalhadores, da concentração dos empregos e da mobilidade cotidiana entre os municípios. Entre os anos de 1980 e 2010, a população residente nos municípios que compõem a atual área metropolitana aumentou de 2,6 milhões para 4,8 milhões de pessoas. Essa trajetória de crescimento está associada a mudanças importantes na distribuição residencial da população. Considerando que o crescimento da periferia se manteve mais acelerado em comparação com o núcleo metropolitano (Belo Horizonte), isso levou a um aumento contínuo da concentração da população nos municípios periféricos. Em 1980, pouco mais de 30% da população residente na área metropolitana estava concentrada na periferia, mas, em 2010, essa proporção já alcança 51% (PINHO; BRITO, 2013).

Essas transformações na distribuição espacial da população metropolitana se associam à dinâmica do mercado imobiliária. Consoante as análises de Moura (1994), Brito (1996) e Brito e Souza (1998; 2005), o crescimento da periferia metropolitana, de forma geral, foi caracterizada pela expansão da oferta de lugares para a moradia que se voltava principalmente para as camadas de menor poder aquisitivo. Nesse contexto, as condições para o crescimento da mobilidade pendular de trabalhadores eram estabelecidas, ao passo que a concentração da oferta residencial na periferia não dependia necessariamente da expansão das oportunidades de empregos nessas áreas, mas propriamente das condições de acesso às subáreas metropolitanas onde elas se mantinham concentradas, sobretudo o núcleo metropolitano.

A mobilidade pendular de trabalhadores se caracteriza pelo deslocamento cotidiano de pessoas entre o local de residência e o local de trabalho, considerando as situações em que esses dois pontos estão situados em municípios distintos. Nas áreas metropolitanas, a mobilidade pendular de trabalhadores não pode ser dissociada da forma em que a ocupação do espaço o organiza, na medida em que a distribuição desigual de pessoas e atividades econômicas estabelece as condições para a formação dos fluxos populacionais cotidianos entre os municípios (BRITO, 1996; CUNHA, 1996; ANTICO, 2005; MOURA; BRANCO; FIRKOWSKI, 2005).

A formação econômica da região metropolitana de Belo Horizonte é marcada principalmente pela expansão dos setores industriais e de serviços, com diferentes níveis de distribuição espacial dessas atividades na área metropolitana (BRITO; SOUZA, 1998; PINHO, 2012; LOBO; CARDOSO; MATOS, 2008). Contudo, considerando o maior dinamismo econômico do núcleo metropolitano, essa subárea se manteve como principal espaço de concentração das oportunidades de emprego, enquanto a periferia, em seu conjunto, apresenta uma expansão econômica que mostra certo limite na capacidade de absorção do volume de trabalhadores residentes, o que se reflete nas trocas populacionais cotidianas entre os municípios periféricos e Belo Horizonte (BRITO; SOUZA, 1998; 2005; SOUZA, 2008; PINHO, 2012; LOBO; CARDOSO; MATOS, 2008). O crescimento e a orientação espacial dos fluxos da mobilidade pendular envolvem, portanto, a própria formação de um mercado de trabalho metropolitano, visto que as possibilidades de inserção da população nas atividades econômicas não se registrem aos limites do município de residência, estendendo-se ao espaço metropolitano.

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4 Considerando as especificidades da região metropolitana de Belo Horizonte, o objetivo deste artigo é analisar, com ênfase na evolução dos fluxos da mobilidade pendular de trabalhadores, as transformações espaciais do mercado de trabalho metropolitano em termos de local de trabalho e de residência da população ocupada. Comparando as informações demográficas dos anos censitários de 1980 e 2010, são discutidas, a partir das subáreas metropolitanas núcleo e vetores de expansão urbana, as mudanças no tamanho da população de trabalhadores residente nesses espaços e o volume dos deslocamentos de entrada e saída de trabalhadores pendulares desses lugares. Assim, é apresentada uma caracterização geral das mudanças na organização espacial do mercado de trabalho metropolitano nessas últimas décadas.

Este artigo está organizado em cinco seções. Na próxima, são apresentados os aspectos metodológicos, no que se refere aos dados utilizados para a análise da população ocupada, pendular e não pendular, e à divisão do espaço metropolitano em núcleo metropolitano e vetores de expansão urbana. Na terceira, considerando os dados demográficos de 1980 e 2010, analisa-se a evolução do tamanho e distribuição residencial da população ocupada, bem como a estruturação dos fluxos da mobilidade pendular de trabalhadores, em uma discussão sobre o curso das mudanças no contexto da organização espacial do mercado de trabalho metropolitano. A quarta seção traz algumas considerações sobre a relação entre as migrações intrametropolitanas e a mobilidade pendular, destacando-se como esses movimentos espaciais da população se associam na dinâmica da redistribuição espacial da população dentro da área metropolitana. A última parte são as considerações finais.

2. FONTE DE DADOS E ESTRUTURA ESPACIAL DA ANÁLISE

Para as análises sobre a população ocupada e a mobilidade pendular de trabalhadores são utilizados os dados dos Censos Demográficos dos anos de 1980 e 2010, pois os mesmos incorporaram os quesitos referentes ao tema, e permitem a construção dos fluxos populacionais cotidianos entre municípios. Nos censos, a identificação do número de trabalhadores, pendulares e não pendulares, associa-se à situação de emprego dos indivíduos no período de referência estabelecido. Portanto, os indivíduos que não se encontravam ocupados não respondem ao quesito sobre o município de trabalho. Assim, para uma análise comparada entre os dois períodos censitários, a identificação dos trabalhadores, pendulares e não pendulares, refere-se à condição de ocupação dos indivíduos na semana de referência estabelecida pelos censos.1

Considerando o âmbito do mercado de trabalho metropolitano, a população aqui analisada engloba os indivíduos residentes nos municípios da RMBH que se encontravam ocupados, seja no município de residência ou na situação de trabalhador pendular, cujo local de trabalho se situava em um município integrante da RMBH. Essas definições acarretem uma ligeira redução do número de pessoas ocupadas que serão analisadas, já que há uma pequena parcela de residentes na RMBH que trabalha em municípios que não pertencem à sua composição. Entre os dados do Censo de 1980, também não serão

1 No levantamento das informações sobre a ocupação da população, a semana de referência, no Censo Demográfico de 1980,

corresponde aos dias entre 25 e 31 de agosto de 1980 (IBGE, 1980), e, no Censo Demográfico 2010, aos dias entre 25 e 31 de julho de 2010 (IBGE, 2010).

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5 incluídos nas análises os indivíduos que simultaneamente trabalhavam e estudavam, estando na situação de pendular, dada as limitações para uma identificação adequada daqueles que se deslocavam por motivo de trabalho.2 No Censo de 2010, os indivíduos que trabalhavam em mais de um município e os indivíduos que não informaram o município de trabalho também não serão incluídos nas análises, pois não se pode identificar o município de destino desse deslocamento. Uma síntese das informações referentes à população residente na RMBH que se encontrava ocupada na semana de referência é apresentada na Tabela 1.

TABELA 1

População ocupada residente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo município de trabalho – anos de 1980 e 2010

Residentes na RMBH

Indivíduos ocupados Ano de 1980 Ano de 2010 absoluto percentual absoluto percentual Trabalha no município de residência (1) 849.616 87,5 1.885.088 77,5 Trabalha fora do município de residência 112.176 11,5 526.158 21,6 ... municípios da RMBH (2) 102.355 10,5 501.184 20,6 ... outros municípios 9.821 1,0 24.974 1,0 Trabalha e/ou estuda fora do município de residência 9.458 1,0 - -

... municípios da RMBH 8.620 0,9 - -

... outros municípios 838 0,1 - -

Trabalha em mais de um município - - 21.803 0,9 Não informou município de trabalho - - 201 0,0 Total de ocupados 971.250 100 2.433.251 100 Ocupados da RMBH 951.971 98,0 2.386.273 98,1 … ocupados não pendulares (1) 849.616 87,5 1.885.088 77,5 … ocupados pendulares (2) 102.355 10,5 501.184 20,6

Fonte: Elaborado a partir dos microdados dos Censos Demográficos de 1980 e 2010 – IBGE.

Notas: (a) A população ocupada corresponde aos indivíduos com idade de 10 anos ou mais, ocupados na semana de referência; (ii) Os municípios da região metropolitana de Belo Horizonte que são considerados no ano de 1980 correspondem aos municípios da composição metropolitana no ano de 2010.

Conforme as informações apresentadas na Tabela 1, a população ocupada residente na RMBH foi dividida em subgrupos. Para fins de análise do mercado de trabalho metropolitano, a população considerada será aquela correspondente aos “ocupados da RMBH”, composta pelos subconjuntos “ocupados não pendulares” e “ocupados pendulares”. Assim, como já mencionado, a população metropolitana ocupada que será analisada é ligeiramente inferior ao conjunto da população residente na RMBH que se encontrava ocupada, reduzindo-se particularmente o número de trabalhadores que poderiam ser incluídos dentro da mobilidade pendular. Tendo em vista que a ênfase deste artigo são as

2 No Censo Demográfico de 1980, o quesito sobre município de trabalho foi introduzido junto com a informação sobre o

município de estudo. Portanto, para os dados desse Censo, pode-se notar, para alguns casos, uma imprecisão nas informações sobre a motivação do deslocamento pendular, considerando que os indivíduos que estavam trabalhando e também estudando podem reportar o deslocamento para outro município por motivo de trabalho ou de estudo.

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6 mudanças no mercado de trabalho metropolitano em termos de grandes unidades espaciais, considera-se que essas exclusões não resultem em distorções na compreensão das características e interações entre as subáreas da região metropolitana.

Para a análise da distribuição residencial da população ocupada e dos fluxos de trabalhadores pendulares, a RMBH será divida em subáreas, que são os vetores de expansão urbana e núcleo metropolitano, a partir de uma adaptação da proposta de Brito e Souza (2005). Conforme apresentado na Figura 1, o espaço metropolitano será segmentado em oito unidades de análise, distribuindo os municípios em núcleo metropolitano e sete vetores de expansão urbana: Norte, Sul, Leste, Baixo Oeste, Alto Oeste, Sudoeste e Norte Central.

FIGURA 1

Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo as subáreas núcleo e vetores de expansão urbana metropolitanos

Fonte: Elaborado a partir da malha digital municipal 2010 – IBGE.

Notas: (i) Essa segmentação espacial é uma adaptação da proposta de Brito e Souza (2005); (ii) Os municípios listados correspondem à composição oficial da RMBH no ano de 2010, conforme a divulgação do IBGE (2014).

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7 Conforme Brito e Souza (2005), o processo de metropolização de Belo Horizonte foi caracterizado pela formação de vetores da expansão urbana, que direcionaram o crescimento das áreas periféricas, apoiados principalmente na infraestrutura de transporte existente, por permitia a circulação cotidiana das pessoas entre o núcleo e os municípios vizinhos. Os vetores de expansão urbana metropolitanos apresentam características distintas em seu processo histórico de formação, no que se refere à concentração e populacional e expansão das atividades econômicas. Tendo em vista as especificidades dos vetores metropolitanos, eles podem ser utilizados como uma referência para a segmentação do espaço metropolitano em unidades agregadas de análise, ao passo que apresentam uma relativamente capacidade de sintetizar algumas das desigualdades que acompanham o processo de formação e expansão da área periférica.

Na proposta original de Brito e Souza (2005), a divisão dos municípios metropolitanos em núcleo e vetores forma as seguintes unidades espaciais: (i) Núcleo metropolitano, que corresponde ao município de Belo Horizonte; (ii) Vetor Norte, que agrupa os municípios de Baldim, Capim Branco, Confins, Jaboticatubas, Nova União, Lagoa Santa, Matozinhos, Pedro Leopoldo e Taquaraçu de Minas; (iii) Vetor Norte Central, que conta com os municípios de Ribeirão das Neves, Santa Luzia, São José da Lapa e Vespasiano; (iv) Vetor Leste, formado pelos municípios de Caeté e Sabará; (v) Vetor Oeste, que conta com os municípios de Ibirité, Mário Campos, Sarzedo, Betim e Contagem; (vi) Vetor Sul, que agrupa os municípios de Brumadinho, Itaguara, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Rio Manso e Itatiaiuçu; e (vii) Vetor Sudoeste, formado pelos municípios de Esmeraldas, Florestal, Igarapé, Juatuba, Mateus Leme e São Joaquim de Bicas. Contudo, conforme apresentado na Figura 1, essa divisão foi acrescida de uma unidade, constituída pela divisão do vetor Oeste em duas unidades espaciais. Foi utilizada uma adaptação considerando que esse vetor pode ser desmembrado em vetor Alto Oeste, composto pelos municípios de Betim e Contagem, e o vetor Baixo Oeste, formado pelos municípios de Ibirité, Mário Campos e Sarzedo. Essa divisão dos municípios do vetor Oeste foi usada devido às diferenças econômicas entre essas subáreas, cuja importância, particularmente no contexto do mercado de trabalho e formação dos fluxos pendulares, deve ser destacada.3

3. A MOBILIDADE PENDULAR E AS MUDANÇAS ESPACIAIS DO MERCADO DE TRABALHO METROPOLITANO

A mobilidade pendular é uma das características do mercado de trabalho da região metropolitana de Belo Horizonte. Como mostram os dados da Tabela 2, o número de pessoas que realizam esses deslocamentos cotidianos aumentou na comparação entre os anos de 1980 e 2010, acompanhando as transformações no tamanho da população e sua distribuição no interior do espaço metropolitano ao longo dessas décadas. No ano de 1980, registrou-se um número de 102,3 mil indivíduos na condição de trabalhador pendular, em um mercado de trabalho metropolitano que

3 Entre os anos de 1980 e 2010, ocorreram seis emancipações de distritos pertencentes a municípios da periferia da região

metropolitana. Como essas fragmentações ocorrem dentro da área metropolitana, elas não afetam os dados da população metropolitana residente e ocupada, e pode ser considerada pequena sua contribuição sobre o volume da mobilidade pendular na comparação entre os períodos, considerando a formação do fluxo entre o distrito emancipado e o município a qual o distrito pertencia. As emancipações de distritos não afetam os limites espaciais dos vetores de expansão urbana.

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8 empregava pouco mais de 950 mil pessoas. Em 2010, os trabalhadores pendulares metropolitanos foram contados em 501,1 mil indivíduos, em um mercado de trabalho de 2,3 milhões de pessoas ocupadas. Esse crescimento do número de pendulares também significou uma mudança na composição dos trabalhadores, já que a proporção dos pendulares no conjunto da população ocupada aumentou de 11% para 21% na comparação entre os anos de 1980 e 2010.

TABELA 2

População ocupada da Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo lugar de residência e município de trabalho - anos de 1980 e 2010

População residente 1980 2000

absoluto percentual absoluto percentual RMBH

Trabalha no município de residência 849.616 89% 1.885.087 79% Não trabalha no município de residência 102.355 11% 501.191 21% Total de ocupados residentes 951.971 100% 2.386.278 100%

Núcleo metropolitano

Trabalha no município de residência 653.356 97% 1.153.533 95% Não trabalha no município de residência 21.754 3% 61.622 5% Total de ocupados residentes 675.110 100% 1.215.155 100%

Periferia metropolitana

Trabalha no município de residência 196.260 71% 731.554 62% Não trabalha no município de residência 80.601 29% 439.569 38% Total de ocupados residentes 276.861 100% 1.171.123 100%

Fonte: Elaborado a partir dos microdados dos Censos Demográficos de 1980 e 2010 – IBGE.

Na comparação entre os anos de 1980 e 2010, nota-se que houve um importante crescimento do número de pessoas que trabalham no município de residência, o que indica aumento na capacidade de incorporação da população nas atividades econômicas locais, tanto no núcleo quanto na periferia metropolitana. Por outro lado, as diferenças na dinâmica econômica dessas subáreas ainda são notáveis, e isso pode ser analisado a partir da mobilidade pendular de trabalhadores. No caso da periferia metropolitana, o aumento do número de trabalhadores pendulares significou um importante crescimento na proporção de pessoas que trabalha fora do município de residência, visto que esse percentual aumentou de 29% para 38% na comparação entre os anos de 1980 e 2010. No caso do núcleo metropolitano, essa proporção aumenta de 3% para 5% da população ocupada residente, nesse mesmo período (TABELA 2).

Considerando o aumento da mobilidade pendular de trabalhadores, na comparação entre os anos de 1980 e 2010, verifica-se que esse tipo de deslocamento tem um papel relevante na compreensão da organização espacial do mercado de trabalho metropolitano. Entretanto, os fluxos de trabalhadores pendulares impactam as áreas de origem e destino, o que requer a definição das unidades espaciais que permitam entender a evolução da população de trabalhadores residentes nesses espaços e aquela efetivamente inserida em atividades econômicas dentro desses espaços. Considerando as especificidades do processo de expansão urbana da região metropolitana de Belo Horizonte, as mudanças no tamanho

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9 da população de trabalhadores metropolitanos e sua concentração em termos de lugares de trabalho e de residência podem ser analisadas a partir das subáreas núcleo e vetores de expansão urbana metropolitanos. A Tabela 3 traz as informações sobre a população de trabalhadores para essas unidades espaciais.

TABELA 3

População ocupada da Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo lugar de trabalho e de residência – núcleo e vetores de expansão urbana - anos de 1980 e 2010

Subáreas metropolitanas

Ocupados não pendulares

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Ocupados pendulares Total de ocupados Razão emprego-trabalhador Saída (2) Entrada (3) Residentes (1+2) Absorvidos (1+3) Ano de 1980 Núcleo metropolitano 653.356 21.754 67.892 675.110 721.248 107 Vetor Leste 16.590 10.982 569 27.572 17.159 62 Vetor Norte 28.360 2.924 2.203 31.284 30.563 98 Vetor Norte Central 24.514 19.817 3.584 44.331 28.098 63 Vetor Baixo Oeste 5.578 5.382 246 10.960 5.824 53 Vetor Sudoeste 17.059 1.104 589 18.163 17.648 97 Vetor Sul 24.074 5.284 1.499 29.358 25.573 87 Vetor Alto Oeste 80.085 35.108 25.773 115.193 105.858 92

Ano de 2010

Belo Horizonte 1.153.533 61.622 327.677 1.215.155 1.481.210 122 Vetor Leste 37.733 36.831 4.241 74.564 41.974 56 Vetor Norte 74.089 16.518 12.210 90.607 86.299 95 Vetor Norte Central 129.474 154.471 17.029 283.945 146.503 52 Vetor Baixo Oeste 36.430 51.522 5.732 87.952 42.162 48 Vetor Sudoeste 54.254 21.186 7.778 75.440 62.032 82 Vetor Sul 61.345 19.751 15.362 81.096 76.707 95 Vetor Alto Oeste 338.229 139.290 111.162 477.519 449.391 94

Fonte: Elaborado a partir dos microdados dos Censos Demográficos de 1980 e 2010.

O núcleo metropolitano é o principal local de concentração da população ocupada. Entre os anos de 1980 e 2010, o número de ocupados em Belo Horizonte passou de 721,2 mil pessoas para 1,4 milhão, mas, em termos relativos, houve uma redução na concentração dos ocupados metropolitanos de 75% para 64%, o que reflete o crescimento na capacidade da periferia de incorporar população à economia local. Contudo, o crescimento do número de pessoas que residem na periferia e trabalham no núcleo metropolitano mostra que essa área se manteve como o principal destino dos trabalhadores pendulares ao longo dessas décadas. Em termos relativos, a importância de Belo Horizonte como destino dos fluxos pendulares metropolitano permaneceu próxima de 65% nos anos de 1980 e 2010. Assim, o número de trabalhadores residentes na periferia, cujo local de trabalho era o núcleo metropolitano, aumentou de 67,8 mil para 327,6 mil pessoas nesse período. Considerando a diferença entre o número de ocupados residentes e absorvidos na economia local, nota-se um ganho de importância dos trabalhadores

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10 pendulares no curso da expansão das ocupações no núcleo metropolitano. A razão emprego-trabalhador4 revela que, para cada 100 trabalhadores residentes em Belo Horizonte, havia 107 pessoas ocupadas no município em 1980, aumentando para 122 no ano de 2010 (TABELA 3).

A formação dos fluxos pendulares na direção de Belo Horizonte, consoante os dados de origem e destino dos trabalhadores, apresentados nas Matrizes 1 e 2, é caracterizada pela relação entre o núcleo metropolitano e o conjunto de sua periferia. No entanto, o crescimento dos fluxos pendulares em direção ao núcleo metropolitano se deve principalmente aos municípios dos vetores Alto Oeste e Norte Central, os quais responderam por cerca de 70% dos trabalhadores pendulares da periferia que se deslocam para trabalhar em Belo Horizonte, tanto em 1980 como em 2010. É interessante notar que, nesse período, ampliou-se a importância do vetor Norte Central, e isso se explica pela trajetória de seu crescimento demográfico, ao passo que o dinamismo econômico dessa subárea foi incapaz de absorver a maior parte da mão de obra local, o que consolidou sua forma de articulação com o núcleo metropolitano.

MATRIZ 1

Origem e destino dos trabalhadores pendulares metropolitanos – ano de 1980

Destino do trabalhador pendular

Origem do trabalhador pendular Vetor Leste Vetor Norte Vetor N. Central Vetor B. Oeste Vetor Sudoeste Vetor Sul Vetor A. Oeste Belo Horizonte Total Vetor Leste 13 27 151 0 10 71 277 10.433 10.982 Vetor Norte 35 1.197 505 0 8 5 28 1.146 2.924 Vetor Norte Central 21 219 161 0 84 57 353 18.922 19.817 Vetor Baixo Oeste 0 4 23 0 0 87 1.585 3.683 5.382 Vetor Sudoeste 0 18 4 2 31 13 370 666 1.104 Vetor Sul 54 29 97 26 17 400 718 3.943 5.284 Vetor Alto Oeste 83 79 321 56 249 188 5.033 29.099 35.108 Belo Horizonte 363 630 2.322 162 190 678 17.409 - 21.754 Total 569 2.203 3.584 246 589 1.499 25.773 67.892 102.355

Fonte: Elaborado a partir dos microdados do Censo Demográfico de 1980 – IBGE.

4 A razão emprego-trabalhador reflete a relação entre o número de trabalhadores (residentes e não residentes) inseridos em

atividades econômicas em uma localidade e o número de trabalhadores (pessoas ocupadas) que residem nessa mesma unidade espacial. Portanto, é um indicador que permite analisar a situação de uma determinada área em termos de sua capacidade de incorporação de pessoas na economia local, considerando o número de trabalhadores que residem nesse espaço. Essa informação será aqui utilizada para uma análise de contexto, pois sua formulação apresenta algumas limitações, já que considera apenas a população ocupada (não inclui os desempregados) e não faz distinções entre os tipos de ocupação (empregado, autônomo, etc.). Esse tipo de indicador foi utilizado por Pereira (2008) para uma análise da distribuição da população e dos empregos na Região Metropolitana de Campinas.

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MATRIZ 2

Origem e destino dos trabalhadores pendulares metropolitanos – ano de 2010

Destino do trabalhador pendular

Origem do trabalhador pendular Vetor Leste Vetor Norte Vetor N. Central Vetor B. Oeste Vetor Sudoeste Vetor Sul Vetor A. Oeste Belo Horizonte Total Vetor Leste 953 171 658 48 7 594 1.697 32.703 36.831 Vetor Norte 203 6.063 2.198 0 70 143 445 7.396 16.518 Vetor Norte Central 784 2.784 3.372 153 476 1.807 11.434 133.661 154.471 Vetor Baixo Oeste 57 42 299 1.458 319 1.356 14.383 33.608 51.522 Vetor Sudoeste 24 42 436 99 3.449 486 8.708 7.942 21.186 Vetor Sul 377 41 126 263 211 2.185 1.585 14.963 19.751 Vetor Alto Oeste 215 394 1.872 1.617 2.481 2.509 32.798 97.404 139.290 Belo Horizonte 1.628 2.673 8.068 2.094 765 6.282 40.112 - 61.622 Total 4.241 12.210 17.029 5.732 7.778 15.362 111.162 327.677 501.191

Fonte: Elaborado a partir dos microdados do Censo Demográfico de 2010 – IBGE.

No núcleo metropolitano, a existência de uma população ocupada em número superior à população de trabalhadores residentes não eliminou a formação de fluxos pendulares na direção da periferia. Essa mobilidade pendular dos residentes em Belo Horizonte mostra que as oportunidades de emprego fora do núcleo metropolitano também foram capazes de atrair e impulsionar a formação de fluxos pendulares, ainda que, na maior parte das direções, envolvendo um número menor de pessoas. Nos fluxos de trabalhadores pendulares que saem de Belo Horizonte em direção à periferia, destaca-se aquele que se direciona ao vetor Alto Oeste, que é uma subárea da periferia de maior dinamismo econômico, com capacidade de atrair trabalhadores de diferentes partes da região metropolitana (MATRIZ 1 e 2).

O número de trabalhadores pendulares que saem de Belo Horizonte para trabalhar na periferia, passou de 21,7 mil para 61,6 mil pessoas, mas a participação desse fluxo no conjunto dos trabalhadores pendulares metropolitanos declinou de 21% para 12% na comparação entre 1980 e 2010 (TABELA 3). Como os fluxos de trabalhadores pendulares que partem da periferia em direção ao núcleo metropolitano responderam por aproximadamente 65% dos fluxos pendulares nesses dois períodos, são os fluxos pendulares entre os próprios municípios da periferia metropolitana que contribuíram para ampliar o volume da mobilidade cotidiana de trabalhadores. Esses fluxos de trabalhadores entre os municípios periféricos passaram de 12% para 22% dos deslocamentos pendulares metropolitanos na comparação entre os anos de 1980 e 2010, o que significa um aumento do número desses trabalhadores pendulares de 12,7 mil para 111,8 mil pessoas (MATRIZ 1 e 2).

Na periferia metropolitana, deve ser destacado o caso do vetor Alto Oeste, visto que o dinamismo das atividades econômicas nessa subárea foi marcado pela expansão dos empreendimentos industriais, mas se tornou mais complexa, consolidando uma área setorialmente mais diversificada em termos de oportunidades de trabalho na periferia metropolitana (BRITO, 1996; BRITO; SOUZA, 1998; 2005; CAMARGOS, 2006). Assim, esse vetor passou a oferecer maiores oportunidades de emprego para a população residente e atraiu pessoas de outras partes da área metropolitana, e se transformou no segundo principal destino dos trabalhadores pendulares.

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12 Em 1980, o vetor Alto Oeste era local de trabalho de 11% da população metropolitana ocupada, passando para 19% em 2010, quando contou quase 450 mil indivíduos inseridos na economia local. Nesse mesmo período, o número de trabalhadores pendulares se deslocando na direção dos municípios do vetor passou de 25,7 mil para 111,6 mil pessoas, o que corresponde a pouco mais de um quarto dos deslocamentos pendulares metropolitanos nos anos de 1980 e 2010. Por outro lado, os deslocamentos pendulares com origem no vetor aumentaram de 35,1 mil para 139,2 mil pessoas nesse mesmo período, o que corresponde a 34% e 28%, respectivamente, dos trabalhadores pendulares metropolitanas (TABELA 3). As trocas cotidianas de trabalhadores pendulares do vetor Alto Oeste estão associadas à interação de seus municípios com o conjunto da área metropolitana, mas principalmente por uma intensa articulação que se estabeleceu entre os municípios do próprio vetor (Betim e Contagem) e o núcleo metropolitano (MATRIZES 1 e 2)

O vetor Alto Oeste se caracteriza por registrar um grande volume de deslocamentos cotidianos de trabalhadores na área metropolitana, sendo, ao mesmo tempo, uma importante área de origem e de destino de fluxos de trabalhadores pendulares. Na comparação entre os anos de 1980 e 2010, a razão entre o número de trabalhadores efetivamente ocupados no vetor e o número de trabalhadores residentes nos seus municípios passou de 92 para 94, indicando que o grande volume de trabalhadores pendulares que saem do vetor é compensado pelos deslocamentos em sua direção (TABELA 3). Essa característica do vetor Alto Oeste se explica pelo dinamismo de seu crescimento, que se traduz no aumento de sua participação sobre a concentração da população e das atividades econômicas no contexto da expansão da área metropolitana.

Considerando a evolução dos fluxos de trabalhadores pendulares metropolitanos ao longo das últimas décadas, devem ser destacadas as mudanças associadas à expansão do vetor Norte Central. No caso desse vetor ocorreu um notável crescimento da população disponível para o trabalho na comparação entre os anos de 1980 e 2010, cuja intensidade foi muito superior ao crescimento das atividades econômicas locais, o que se reflete na formação de fluxos pendulares de grande número de trabalhadores com origem no vetor, mas sem a compensação de fluxos de maior volume na direção dos municípios que compõem essa subárea metropolitana (TABELA 3).

Entre os anos de 1980 e 2010, no vetor Norte Central, o número de trabalhadores inseridos nas atividades econômicas locais passou de 28,0 mil para 146,5 mil pessoas, o que significa um aumento de 3% para 6% da população metropolitana ocupada, e revela certo crescimento econômico do vetor nessas últimas décadas, mas ainda limitado se confrontando com o tamanho da população de trabalhadores residentes. Basta notar que o número de trabalhadores pendulares com origem no Vetor Norte Central passou de 19,8 mil para 154,4 mil pessoas, enquanto o número de trabalhadores pendulares que se dirigiam aos municípios do vetor passou de 3,5 mil para 17,0 mil pessoas nesse mesmo período. Em termos relativos, somente os trabalhadores pendulares com origem no vetor Norte Central responderam por 19% dos trabalhadores pendulares metropolitanos em 1980, aumentando para 31% no ano de 2010 (TABELA 3).

Com base nas características da mobilidade pendular de trabalhadores, o vetor Norte Central pode ser considerado uma área importante sobre a concentração residencial da população da periferia metropolitana, mas, relativamente ao tamanho de sua população de trabalhadores residentes, como uma área de menor dinamismo econômico. Essas características do vetor podem ser analisadas a partir da

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13 razão emprego-trabalhador, a qual revela que, em 1980, para cada 100 trabalhadores residentes no vetor havia 63 pessoas ocupadas no próprio vetor, e, em 2010, essa relação diminui para 52 ocupados para cada 100 trabalhadores residentes (TABELA 3). Portanto, a evolução do vetor Norte Central na área metropolitana o caracteriza como uma área de expansão residencial da periférica, na qual se observa que o tamanho da população disponível para o trabalho e aquela efetivamente ocupada nos limites do vetor são muito diferentes, o que acarreta grandes diferenças entre os fluxos pendulares de entrada e de saída do vetor.

A formação dos fluxos de trabalhadores pendulares com origem no vetor Norte Central, como já mencionado, é marcada pela articulação desse vetor com o núcleo metropolitano, pois Belo Horizonte é a área responsável por ocupar a maior parte dos trabalhadores pendulares que partem do vetor. Outras partes da periferia apresentam uma importância relativamente pequena na orientação dos fluxos pendulares que partem do vetor Norte Central, embora seja observado um crescimento desses fluxos periféricos na comparação entre os anos de 1980 e 2010. Considerando somente os fluxos de trabalhadores pendulares, que se deslocam do vetor Norte Central em direção à Belo Horizonte, esses trabalhadores, que já respondiam por 18% dos trabalhadores pendulares em 1980, passaram a representar 27% de todos os trabalhadores pendulares metropolitanos no ano de 2010, relevando a importância da articulação entre o núcleo e essa parte da periferia no contexto da formação dos fluxos pendulares metropolitanos (MATRIZES 1 e 2).

Os vetores Norte, Sul, Leste, Baixo Oeste e Sudoeste contabilizam uma população residente disponível para o trabalho em número consideravelmente menor em comparação com os vetores Alto Oeste e Norte Central. Esses cinco vetores, em conjunto, tiveram um crescimento no número de trabalhadores efetivamente ocupados em atividades econômicas dentro de seus municípios, passando, entre os anos de 1980 e 2010, de 96,7 mil para 309,1 mil pessoas ocupadas, o que inclui aqueles que trabalham no município de residência e trabalhadores pendulares que se deslocam em direção aos municípios desses vetores. Essa evolução do número de pessoas ocupados nessas áreas da periferia acarretou, em termos relativos, um ligeiro aumento na participação desses vetores como lugar de trabalho da população, cuja concentração passou de 10% para 13% de todos os ocupados metropolitanos na comparação entre os anos de 1980 e 2010 (TABELA 3).

Considerando os deslocamentos pendulares, os vetores Norte, Sul, Leste, Baixo Oeste e Sudoeste também registram um crescimento do número de trabalhadores pendulares. Esses vetores, em conjunto, foram áreas que deram origem a 25% dos trabalhadores pendulares metropolitanos em 1980, passando para 29% no ano de 2010, o que corresponde a um aumento de 25,6 mil para 145,8 mil pendulares. Por outro lado, como áreas de destino, esses mesmos vetores, conjuntamente, responderam por 5% e 9% dos trabalhadores pendulares metropolitanos nos anos de 1980 e 2010, respectivamente, o que significou um aumento de 5,1 mil para 45,3 mil pessoas se deslocando na direção desses vetores (TABELA 3). Essas mudanças percentuais, ainda que pequenas, mostram um crescimento da importância dessas partes da periferia na formação dos fluxos de trabalhadores pendulares.

As características da formação dos fluxos pendulares nos vetores Norte, Sul, Leste, Baixo Oeste e Sudoeste podem ser diferenciados considerando, inicialmente, a razão entre o número de pessoas efetivamente ocupadas no vetor e o número de trabalhadores residentes no mesmo. Enquanto os vetores Norte, Sul e Sudoeste se apresentam como áreas em que a razão emprego-trabalhador se mantém

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14 próxima de 100, nos vetores Baixo Oeste e Leste essa relação fica mais próxima de 50. Na comparação entre 1980 e 2010, essa razão passa de 98 para 95 no vetor Norte, de 87 para 95 no vetor Sul e de 97 para 82 no vetor Sudoeste, enquanto no vetor Leste a razão passa de 62 para 56, e, no Baixo Oeste, de 53 para 48 (TABELA 3).

No curso da expansão da periferia, os vetores Leste e Baixo Oeste são áreas que podem ser destacadas pela forma desigual de crescimento da população e da economia. Considerando que a formação dos fluxos de trabalhadores pendulares envolvendo esses vetores foi dominada fundamentalmente pela direção de saída, e que boa parte das pessoas que residem nesses vetores trabalha fora do município residência, isso indica uma expansão econômica local relativamente limitada em relação ao tamanho da população de trabalhadores residentes (TABELA 3). Os fluxos pendulares que partem do vetor Leste se direcionam essencialmente ao núcleo metropolitano, tanto em 1980 como em 2010. No caso do vetor Baixo Oeste, a articulação com Belo Horizonte é dominante, mas os fluxos pendulares que saem desse vetor se direcionam, em boa proporção, também ao vetor Alto Oeste (MATRIZ 1 e 2).

Nos vetores Norte, Sul e Sudoeste as trocas cotidianas de trabalhadores não se limitam a uma articulação com o núcleo metropolitano. É interessante notar que a formação dos fluxos pendulares nesses vetores apresenta orientações distintas. No caso do vetor Sul, os fluxos de trabalhadores pendulares, tanto de entrada como de saída, são caracterizados pela articulação entre o vetor Sul e o núcleo metropolitano e, em menor proporção, pela articulação com o vetor Alto Oeste e entre próprios municípios do vetor Sul. Já no vetor Norte, a formação dos fluxos pendulares de trabalhadores é marcada pela articulação entre os próprios municípios do vetor Norte, o núcleo metropolitano e os municípios do Vetor Norte Central. No Sudoeste, a formação dos fluxos pendulares do vetor é caracterizada pelo fortalecimento das articulações entre os municípios do próprio vetor e com os municípios do vetor Alto Oeste e Belo Horizonte (MATRIZ 1 e 2). E, particularmente no caso do vetor Sudoeste, é interessante notar que, na comparação entre os anos de 1980 e 2010, houve um aumento dos fluxos pendulares com origem no vetor não compensados por fluxos de entrada nesse vetor, relevando certa acentuação nas diferenças entre a evolução da concentração da população e das oportunidades de emprego nessa parte da periferia (TABELA 3).

Considerando os dados matizes de origem e destino, pode-se observar que, na comparação entre os anos de 1980 e 2010, a formação dos fluxos de trabalhadores pendulares na região metropolitana é marcada por seis pontos principais de origem-destino. Dois casos são destacáveis em termos quantitativos, os fluxos com origem nos vetores Alto Oeste e Norte Central com destino ao núcleo metropolitano. Outros quatro pontos de origem-destino devem ser mencionados, que são os fluxos com origem nos vetores Leste e Baixo Oeste com destino ao núcleo metropolitano, o fluxo com origem em Belo Horizonte em direção ao vetor Alto Oeste, e o fluxo interno ao próprio vetor Alto Oeste. Esse conjunto de seis pontos principais de origem-destino respondeu por 83% dos deslocamentos pendulares metropolitanas em 1980, e, apesar de declinar em termos relativos, ainda continuou englobando 74% dos trabalhadores pendulares no ano de 2010.

Contudo, é importante destacar que somente os quatro pontos principais de origem-destino que partem da periferia em direção ao núcleo metropolitano responderam por 61% dos trabalhadores pendulares em 1980, declinando ligeiramente para 59% em 2010. Essas proporções revelam a força da

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15 atração de Belo Horizonte sobre a população residente nos vetores Alto Oeste, Norte Central, Leste e Baixo Oeste. Por outro lado, o declínio observado na participação relativa dos seis pontos principais de origem-destino no conjunto dos deslocamentos pendulares metropolitanos ao longo dessas décadas se deve ao aumento da população envolvida em fluxos pendulares dispersos dentro da área metropolitana, cujo tamanho, apesar de contar menor número de pessoas nas diversas direções, revela sua importância e contribuição para o crescimento dos deslocamentos pendulares metropolitanos.

4. A MOBILIDADE PENDULAR E AS MIGRAÇÕES INTRAMETROPOLITANAS

As mudanças demográficas metropolitanas ao longo dessas décadas, no que se refere ao tamanho da população e sua distribuição espacial entre o núcleo e os vetores de expansão urbana também estão associadas às migrações intrametropolitanas. Nessas transferências populacionais que ocorreram entre os próprios municípios da região metropolitana, predominou a mobilidade residencial do núcleo para os municípios periféricos. E as migrações e a mobilidade pendular puderam se combinar na medida em que a mobilidade residencial em direção à periferia não se vinculou necessariamente às condições de emprego oferecidas no município lugar de destino (BRITO, 1996; BRITO; SOUZA, 1998; 2005; SOUZA, 2008; PINHO; BRITO, 2013).

Para uma análise da importância das migrações na formação dos fluxos de trabalhadores pendulares metropolitanos, apresenta-se, na Tabela 4, o número de imigrantes intrametropolitanos que se encontravam ocupados, destacando-se o lugar de residência desses indivíduos (núcleo e vetores de expansão urbana), a proporção daqueles na condição de trabalhador pendular, assim como a participação dessas pessoas na origem dos fluxos pendulares. Os imigrantes sob análise são os indivíduos que contam com menos de dez anos de moradia no município de residência na data do censo, sendo que o município de residência anterior corresponde a outro município da RMBH, isto é, são os imigrantes intrametropolitanos de última etapa.

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TABELA 4

Imigrantes intrametropolitanos ocupados, segundo lugar de residente e trabalho, e participação na origem dos fluxos pendulares – núcleo e vetores de expansão urbana da RMBH

- anos de 1980 e 2010

Lugar de residência do imigrante

Imigrantes intrametropolitanos de última etapa Número de imigrantes

ocupados

Proporção dos imigrantes que não trabalha no município de residência

Participação dos imigrantes na origem dos fluxos pendulares 1980 2010 1980 2010 1980 2010 Núcleo metropolitano 10.913 17.156 9,4% 18,1% 4,7% 5,0% Periferia 65.016 144.021 52,7% 57,4% 42,5% 18,8% ... Vetor Leste 4.695 6.579 72,7% 69,2% 31,1% 12,4% ... Vetor Norte 3.211 10.232 19,7% 33,9% 21,6% 21,0% ... Vetor Norte Central 17.205 41.888 68,1% 71,0% 59,1% 19,3% ... Vetor Baixo Oeste 3.306 16.337 66,6% 70,9% 40,9% 22,5% ... Vetor Sudoeste 2.134 13.990 15,4% 48,9% 29,7% 32,3% ... Vetor Sul 1.966 7.855 31,3% 51,0% 11,6% 20,3% ... Vetor Alto Oeste 32.499 47.140 47,3% 47,7% 43,7% 16,1% TOTAL 75.929 161.177 46,5% 53,2% 34,5% 17,1%

Fonte: Elaborado a partir dos microdados dos Censos Demográficos de 1980 e 2010 – IBGE.

Conforme os dados da Tabela 4, pode-se notar que os vetores Oeste e Norte Central contam com maior número de imigrantes ocupados, e isso tanto em 1980 como em 2010. Contudo, na comparação entre os anos de 1980 e 2010, a proporção dos imigrantes ocupados na situação de trabalhador pendular se mantém próxima a 70% no vetor Norte Central e de 50% no vetor Oeste, o que indica diferenças na capacidade incorporação dos imigrantes nas atividades econômicas locais. É interessante notar que, apesar da relação entre a imigração e a mobilidade pendular se mostrar relativamente estável, a participação dos imigrantes na composição dos fluxos pendulares que saem desses vetores declina na comparação entre 1980 e 2010, mesmo com o aumento do número de imigrantes ocupados nesse período. Em 1980, os imigrantes responderam por 59% dos trabalhadores pendulares do vetor Norte Central e 44% do vetor Alto Oeste, já em 2010, essa proporção se reduz nesses vetores para 19% e 16%, respectivamente. O impacto dos imigrantes se tornou relativamente menor na composição dos fluxos pendulares com origem nos vetores Oeste e Norte Central ao passo que o número de trabalhadores que passou a residir nesses dois vetores se ampliou consideravelmente ao longo dessas décadas.

É interessante notar que as transferências de população para os vetores Alto Oeste e, principalmente, Norte Central, durante a década de setenta, resultou em um impacto notável sobre a formação dos fluxos pendulares com origem nesses vetores. A atração de população para essas partes da periferia se articulou às possibilidades de acesso à moradia, sobretudo para a população de menor poder aquisitivo. Contudo, as condições do crescimento econômicas desses vetores foram distintas, ao passo que o vetor Alto Oeste se tornou uma espaço privilegiado de concentração das atividades industriais, sobretudo a partir da década de 1970, e o vetor Norte Central crescia como uma área de expansão residencial para a população de baixa renda (BRITO, 1996; BRITO; SOUZA, 1998; 2005).

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17 As diferenças socioeconômicas que marcaram a trajetória de expansão desses vetores se refletem nas características de inserção dessas áreas no contexto espacial do mercado de trabalho metropolitano.

Considerando os cinco vetores que concentram menor número de imigrantes ocupados, destaca-se, inicialmente, o caso do Leste e Baixo Oeste. Nesses vetores, a proporção dos imigrantes ocupados residentes e que realizam o deslocamento pendular ficou próxima de 70% no ano de 2010, situação que já era observada no ano de 1980, mas, enquanto no vetor Leste ocorreu uma ligeira redução dessa proporção, no vetor Baixo Oeste houve um aumento. A participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares que partem desses vetores passou de 31% para 12% no vetor Leste e de 41% para 22% no vetor Baixo Oeste (TABELA 4). Portanto, apesar da relação entre a migração e a mobilidade pendular se manter estreita nesses vetores, a participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares com origem nesses vetores declina na comparação entre 1980 e 2010, mas essa redução alcançou níveis distintos nos vetores Leste e Oeste, o que também envolve as diferenças no volume dos imigrantes que se dirigiram a esses vetores nos períodos considerados.

Nos vetores Leste e Baixo Oeste, o crescimento demográfico foi influenciado pela expansão da oferta de lugares para a moradia, que atendeu principalmente a população de menor poder aquisitivo; e como as possibilidades de ocupação na economia local se mostraram limitadas, a mobilidade residencial na direção dos municípios desses vetores se combinou de forma mais estreita à mobilidade pendular (BRITO; 1996; BRITO; SOUZA, 1998; 2005). Assim, no curso da expansão da periferia, esses vetores cresceram principalmente pelas condições da oferta de moradia, o que estabeleceu a forma de inserção dessas subáreas dentro da organização espacial do mercado de trabalho metropolitano.

No caso de vetores como o Norte, Sul e Sudoeste, nota-se um fortalecimento da relação entre as migrações intrametropolitanas e a mobilidade pendular na comparação entre os anos de 1980 e 2010. No vetor Sul, dos imigrantes ocupados, 31% eram trabalhadores pendulares em 1980, e, em 2010, essa proporção aumenta para 51%. Também aumenta a participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares que partem desse vetor, passando de 12% para 20% nesse período. No vetor Norte, dos imigrantes ocupados, 20% eram pendulares em 1980, passando para 34% em 2010. A participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares que partem dos municípios do vetor praticamente não se alterou, ficando próxima de 20%. No vetor Sudoeste, o fortalecimento da relação entre as migrações e a mobilidade pendular é notável, já que 15% dos imigrantes do vetor eram trabalhadores pendulares em 1980, e, em 2010, essa proporção alcança 49%, enquanto a participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares que partem do vetor ficou próxima de 30% nesse período (TABELA 4). Com base nesses resultados, pode-se notar também que os vetores Norte, Sul e Sudoeste apresentam diferenças em termos da capacidade de incorporação de seus imigrantes na economia local, com o vetor Norte se destacando em relação ao Sul e Sudoeste.

O crescimento do número de imigrantes nos vetores Norte, Sul e Sudoeste envolvem algumas especificidades da expansão da periferia nessas direções. No caso do vetor Norte, as migrações não alcançam o mesmo volume do vetor Norte Central, visto que uma parte dos municípios do vetor não é favorecida por sua distância em relação ao núcleo metropolitano, e a expansão residencial nessa subárea periférica também é afetada pela seletividade socioeconômica do mercado de moradias (BRITO; SOUZA, 1998; 2005). No vetor Sul, apesar da proximidade de alguns dos seus municípios com o núcleo metropolitano, o aumento do número de imigrantes é limitado pelas condições do mercado imobiliário,

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18 que se volta principalmente para os segmentos de maior poder aquisitivo, os quais também combinam a mobilidade residencial e pendular (BRITO; SOUZA, 2005; SOUZA, 2005). Já o vetor Sudoeste registra um aumento das migrações associado principalmente à expansão da oferta de condições de moradia para os segmentos de menor poder aquisitivo, e se por um lado há limitações econômicas locais, por outro, a proximidade e possibilidades de deslocamento cotidiano para os municípios do vetor Alto Oeste, e também para o núcleo metropolitano, favorecem o crescimento vetor (BRITO; SOUZA, 2005; SOUZA, 2008).

Considerando o núcleo metropolitano, é interessante notar que aumentou a proporção dos imigrantes residentes que realizam o deslocamento pendular em direção à periferia, passando de 9% para 18% entre 1980 e 2010. Por outro lado, esse baixo percentual mostra que a combinação entre a imigração intrametropolitana e a mobilidade pendular é menos acentuada nesse caso, já que o núcleo metropolitano se mantém como lugar de maior concentração das oportunidades de emprego dentro da área metropolitana. A participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares do núcleo em direção à periferia ficou próxima de 5% nesse período (TABELA 4). Contudo, deve-se destacar que apenas uma pequena parcela dos imigrantes intrametropolitanos tem o núcleo metropolitano como município de destino (PINHO; BRITO, 2013; TABELA 4).

Comparando o núcleo metropolitano e sua periferia, pode-se notar que as migrações intrametropolitanas são parte do contexto da expansão da periferia, e, portanto, também contribuem para a formação dos fluxos da mobilidade pendular de trabalhadores. Dos imigrantes intrametropolitanos que se encontravam ocupados, 86% residiam na periferia no ano de 1980, aumentando para 89% em 2010. Entre os imigrantes ocupados que estavam residindo na periferia, 53% eram trabalhadores pendulares em 1980, aumentando para 57% em 2010. Por outro lado, a participação dos imigrantes na formação dos fluxos pendulares com origem nos municípios da periferia metropolitana diminuiu de 43% para 19% na comparação entre os anos de 1980 e 2010 (TABELA 4), o que se explica também pela grande diferença no tamanho da população concentrada na periferia metropolitana na comparação entre os dois períodos.

Tendo em vista que a periferia é o principalmente destino dos imigrantes intrametropolitanas, pode-se notar, consoante as análises de Brito (1996) e Brito e Souza (1998; 2005), que a combinação entre as migrações intrametropolitanas e a mobilidade pendular reflete as condições espacialmente seletivas que envolvem o curso da distribuição da população e atividades econômicas dentro da área metropolitana, visto que os imigrantes são aqueles encontraram na periferia o acesso a um lugar de moradia, mas as oportunidades de emprego, para uma boa parte desses trabalhadores, permanecem localizadas fora do município de residência.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A mobilidade pendular é um tipo de deslocamento da população que envolve a própria dinâmica da formação espacial de uma área metropolitana. No âmbito do mercado de trabalho da região metropolitana de Belo Horizonte, essa mobilidade cotidiana de trabalhadores entre os municípios aumentou na comparação entre os anos de 1980 e 2010, acompanhando as transformações demográficas

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19 dessa área, em termos da distribuição espacial e aumento de tamanho da população. Ao longo dessas décadas, a repartição da população entre o núcleo e a periferia se tornou mais equilibrada, mas, em termos econômicos, certas diferenças entre essas subáreas foram mantidas, e se revelaram a partir da própria dinâmica da formação dos fluxos de trabalhadores pendulares.

Ao longo das décadas, a periferia metropolitana ampliou sua capacidade de incorporar pessoas à economia local, o que se reflete em um crescimento dos trabalhadores que trabalham e residem no mesmo município, assim como no crescimento dos fluxos pendulares em direção aos municípios periféricos. Entretanto, a periferia metropolitana apresenta diferenças internas acentuadas, e que podem ser compreendidas a partir das características do processo de expansão urbana metropolitana, visto que o crescimento da população e das atividades econômicas nos municípios periféricos ocorreu de forma desigual.

Considerando o lugar de residência e o lugar de trabalho da população, pode-se notar que a estrutura espacial do mercado de trabalho da região metropolitana de Belo Horizonte, que se consolidou nas últimas décadas, se articula a uma desconcentração espacial da população em favor da periferia, acompanhada por uma desconcentração menos célere das oportunidades de emprego, o que favoreceu o crescimento dos fluxos cotidianos de trabalhadores em diversas direções, mas sem alterar a orientações dominantes desses fluxos. Assim, o aumento do número de trabalhadores pendulares contou com um aumento da atração das atividades econômicas situadas na periferia, mas se manteve associado principalmente à atração do núcleo metropolitano sobre a periferia.

Ademais, destaca-se que, no contexto da redistribuição espacial da população dentro da região metropolitana de Belo Horizonte, a mobilidade pendular também se articulou à dinâmica das migrações intrametropolitanas. Em um contexto marcado pelo predomínio das transferências de população para as áreas periféricas, observa-se que em 1980, assim como em 2010, boa parte dos imigrantes realizava o deslocamento pendular para se inserir no mercado de trabalho metropolitano. Assim, o aumento da mobilidade pendular se deve também à dinâmica da mobilidade residencial dentro da área metropolitana, na medida em que a migração, para uma parcela dessa população, não se vincula às oportunidades de trabalho existentes no município de destino.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Referências

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