BC0002 – projeto Dirigido
Professora:
Janaina de Souza Garcia
janaina.garcia@ ufabc.edu.br sala 1001, bloco B
Disciplina na Internet:
https://www.sites.google.com/site/janainasouzagarcia/
• Norteia o caminho do investigador
• O investigador precisa fazer uso de duas competências: imaginação criativa e do conhecimento disponível.
Uma vez formulado o problema, com certeza de ser
cientificamente válido, propõe-se uma resposta “suposta, provável e provisória”, isto é uma
• Hipótese são exteriorizações conjecturais sobre as relações entre dois fenômenos. Representam os verdadeiros “fatores produtivos” da pesquisa com os quais podemos
desencadear o processo científico (Schrader).
• Hipótese é uma resposta provisória ao problema (Salomon) • Hipótese é a explicação, condição ou princípio, em forma
• A(s) hipótese(s) irá(ão) orientar o planejamento dos
procedimentos metodológicos necessários à execução da sua pesquisa.
• O processo de pesquisa estará voltado para a procura de evidências que comprovem, sustentem ou refutem a
afirmativa feita na hipótese.
• A hipótese é sempre uma afirmação, uma resposta possível ao problema proposto.
• As hipóteses podem estar explícitas ou implícitas na pesquisa.
• Quando analisados os instrumentos adotados para a coleta de dados, é possível reconhecer as hipóteses subjacentes (implícitas) que conduziram a pesquisa.
• Hipóteses casuísticas
• Referem-se a algo que ocorre em determinado caso. Ex.: “Cristóvão Colombo nasceu em Portugal e não em Gênova”.
• Hipóteses referentes à frequência de acontecimentos • Referem-se a algo que ocorre com maior ou menor
frequência em determinado grupo, sociedade ou cultura. Ex.: “é elevado o número de alunos da
• Hipóteses referentes à associação entre variáveis • Tem como objetivo alcançar maior precisão aos
enunciados científicos, teorias, princípios ou generalizações. Ex.: países economicamente desenvolvidos apresentam baixos índices de analfabetismo.
• (Variável: tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou aspectos, segundo casos particulares ou
• Hipóteses referentes à dependência entre duas ou mais variáveis
• Trata-se de identificar a interferência de uma
variável em outra. Ex.: o reforço do professor tem como efeito melhoria na leitura do aluno.
• é a proposição testável que pode vir a ser a solução do problema.
• Se mediante a coleta de dados a hipótese for
confirmada, o problema foi solucionado porque a pergunta formulada pôde ser respondida.
Sistema imune inato desaparecimento do câncer variável conhecida variável conhecida
• O que geralmente o pesquisador busca é o estabelecimento de relações assimétricas entre as variáveis.
• As relações assimétricas indicam que os fenômenos não são independentes entre si (relações simétricas) e não se relacionam mutuamente (relações recíprocas), mas que um exerce influência sobre o outro.
a) Associação entre um estímulo e uma resposta.
Ex: Adolescentes filhos de pais viúvos ou divorciados,
passam a ter autoestima em menor grau quando seus pais se casam novamente.
Estímulo resposta
Novo casamento (x) (y) rebaixamento da autoestima
b) Associação entre uma disposição e uma resposta.
Podem ser constituídas por atitudes, hábitos, valores, etc. Ex: Pessoas autoritárias manifestam preconceito racial em grau elevado.
Disposição: resposta
c) Associação entre uma propriedade e uma disposição. Podem ser constituídas por sexo, idade, naturalidade, cor, etc.
Ex: Católicos tendem a ser menos favoráveis ao divórcio que os protestantes.
Propriedade: resposta
d) Associação entre pré-requisito indispensável e um efeito.
Ex: O capitalismo só se desenvolve quando existem trabalhadores livres.
Pré-requisito: efeito
Existência de trabalhadores livres (x) (y) desenvolvimento do capitalismo
e) Relação imanente entre 2 variáveis.
Ex: Verifica-se a existência de relação entre urbanização e secularização.
f) Relação entre meios e fins.
Ex: O aproveitamento dos alunos está relacionado ao tempo dedicado aos estudos.
Tempo dedicado aos estudos (x) (y) aproveitamento dos alunos
O processo de elaboração é de natureza criativa. Não se pode determinar regras para a elaboração de uma hipótese. Elas surgem:
• da observação de fatos;
• dos resultados de outras pesquisas; • de teorias;
• Relevância
• Ser necessária • Apoio teórico
• Especificidade
• Ser específica, a hipótese não específica não pode ser verificada
• Ex: em qualquer caso e em qualquer situação, a produtividade do grupo A é sempre maior que do grupo B.
• Consistência lógica
• Ou seja, não podem se contradizer dentro do próprio enunciado
• Verificabilidade
• Ser verificável pelos fatos; ter referência empírica e está relacionada com as técnicas disponíveis
• Simplicidade
• Na escrita, sem exagero de termos desnecessários (objetiva)
• Plausibilidade e clareza
• Ser admissível e ser clara
• Profundidade, fertilidade e originalidade
As hipóteses são classificadas por Bunge, de acordo com o que as fundamenta, em quatro níveis:
Ø
Ocorrências
Ø
Empíricas
• São hipóteses que não encontram nem apoio nas evidências empíricas dos fatos ou fenômeno e nem fundamentação nas teorias existentes. São palpites lançados sem justificativas alguma.
• Ex: Tales de Mileto – explicação sobre a origem e constituição da Terra – afirmava que tudo é água
• Tem a seu favor algumas evidências empíricas
preliminares que justificam a escolha das suposições e das correlações por elas estabelecidas
• Não gozam da consistência lógica
• Não se inserem ainda no sistema de teorias
• Se inter-relacionam com as teorias existentes de uma forma consistente, coerente e lógica
• Dentro da visão de ciência como sistema, apóiam e se controlam mutuamente
Plausível – se sustentam em um sistema de teorias
+
Empíricas – encontram apoio em evidências empíricas da realidade
=
Nem todas as hipóteses são testáveis. Muitos
pesquisadores elaboram uma extensa relação de
hipóteses e depois descartam a maioria delas. Para ser aceitável a hipótese precisa apresentar algumas
características:
• Deve ser conceitualmente clara: os conceitos contidos na hipótese precisam estar claramente definidos. Ex:
• Deve ter referência empíricas: hipóteses que envolvem julgamentos de valor não podem ser adequadamente testadas. Bom, Mal não conduzem a verificação empírica.
Ex.: “ Maus alunos não devem ingressar na faculdade de Medicina”; “Alunos com baixo nível de aproveitamento escolar apresentam maior dificuldade no exercício da
• Deve ser conceitualmente clara • Deve ser específica
• Deve ter referências empíricas • Deve ser parcimoniosa
• Deve estar relacionada com as técnicas disponíveis • Deve estar relacionada a uma teoria
• Deve estar relacionada com as técnicas disponíveis: nem sempre uma hipótese bem elaborada pode ser testada empiricamente. É necessário que haja técnicas adequadas para coleta dos dados exigidos para seu teste. Caso não haja disponível é necessário a
• Deve ser específica: muitas hipóteses são expressas em termos tão gerais que não podem ser verificadas. São preferíveis hipóteses que especificam o fato que se pretende verificar;
• O problema, sendo uma dificuldade sentida,
compreendida e definida, necessita de uma resposta provável, suposta e provisória, que é a hipótese.
• A principal resposta é denominada de hipótese básica e esta pode ser complementada por outras denominadas de hipóteses secundárias.
Hipótese básica é a afirmação escolhida por você como a principal resposta ao problema proposto. Pode adquirir diferentes formas:
• Afirmar, em dada situação, a presença ou ausência de certos fenômenos.
• Referir-se à natureza ou características de dados fenômenos, em uma situação específica.
Hipótese básica é a afirmação escolhida por você como a principal resposta ao problema proposto. Pode adquirir diferentes formas:
• Apontar a existência ou não de determinadas relações entre fenômenos.
• Prever variação concomitante, direta ou inversa, entre fenômenos.
Hipóteses secundárias são afirmações complementares e significam outras possibilidades de resposta para o
problema. Nas suas formas diversas podem:
• Abarcar em detalhes o que a hipótese básica afirma em geral.
Hipóteses secundárias são afirmações complementares e significam outras possibilidades de resposta para o
problema. Nas suas formas diversas podem: • Decompor em pormenores a afirmação geral.
• Segundo o CNPq
1) Ciências Exatas e da Terra; 2) Ciências Biológicas;
3) Engenharias;
4) Ciências da Saúda; 5) Ciências Agrárias;
• Pesquisa Básica Pura
Destina-se unicamente à ampliação do conhecimento, sem preocupação de benefícios.
• Pesquisa Básica Estratégica
Aquisição de novos conhecimentos em várias diversas áreas na tentativa de solucionar problemas práticos.
• Pesquisa Aplicada
Aquisição de conhecimento para aplicação em situação específica.
• Desenvolvimento Experimental
Trabalho sistemático com uso de conhecimento anteriores buscando a produção de novos materiais, políticas, etc.
1 – Exploratórias - visa criar maior familiaridade em relação a um fato ou fenômeno, geralmente realizada com base em levantamento bibliográfico.
2 – Descritivas – seu maior interesse é descrever um fato ou fenômeno, levantando as características e os
componentes dos fatos, fenômenos ou problemas.
• Usado para os problemas pouco explorados • Ter uma visão panorâmica
• Trazer o problema mais próximo • Chamado de pesquisa de base
• Descreve as características de uma população ou fenômeno
• Estabelece relações entre variáveis • Não esta interessada nos porquês
§ Pesquisa experimental
Ø Pesquisa experimental de laboratório Ø Pesquisa experimental de campo
§ Pesquisa não-experimental
PESQUISA EXPERIMENTAL DE LABORATÓRIO
§ O pesquisador realiza a pesquisa em situação artificial § Não se limita às ciências física ou naturais
PESQUISA EXPERIMENTAL DE CAMPO
§ É uma investigação sobre situação real § Ocorre sob um menor controle
§ Dinâmica e as inter-relações de grupos pequenos § Solução de problemas práticos
§ Estabelece um problema e hipótese acerca de algum fenômeno
§ Estabelece as variáveis Ø O que é uma variável? ↓
• É um conceito operacional que apresenta valores passíveis de mensuração
• É observável e quantificável : aptidão física, força,
1. Pesquisa bibliográfica
2. Pesquisa documental
3. Pesquisa experimental
4. Pesquisa ensaio clínico
5. Pesquisa caso-controle
6. Pesquisa estudo de coorte
7. Levantamento ou surveys
8. Estudo de caso
9. Pesquisa etnográfica
10. Pesquisa fenomelógica
• Feita com base em materiais escritos/gravados, com informações elaboradas e publicadas – bibliografias (livros, dicionários, enciclopédias, etc), periódicos (jornais, revistas, panfletos, etc), fitas gravadas de áudio e vídeo, páginas da web, relatórios de simpósios /seminários, anais de congressos, etc..
• Assemelha-se à pesquisa bibliográfica, todavia as fontes que a constituem são documentos e não apenas livros publicados e artigos científicos divulgados, como é o caso da pesquisa bibliográfica.
• De modo geral o experimento é o mais tradicional meio de se realizar uma pesquisa, consiste em determinar um objeto de estudo e selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definindo as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto em condições determinadas.
• Constituição de dois grupos: um grupo de experimento e um grupo de controle, a inclusão dos indivíduos nos grupos deve ocorrer de modo aleatório.
• Após a definição dos grupos, submete-se o grupo de experimento a certos aspectos ou condições (ambientais, por ex.), enquanto o grupo de controle permanece em condições normais.
• Seguimento sequencial ou longitudinal, • Pode ser Controlado ou Não Controlado, • Grupo homogêneo,
• Heterogêneo quanto à variável investigada,
• Útil para estudar etiologia, quadro clínico-evolução e prognóstico,
• Estudo Longitudinal e Retrospectivo • Permite a Proposição de Hipóteses • Pode ser controlado
• Usado para avaliar a Etiologia e o Quadro Clínico • Perguntam “O que aconteceu ?”
• Rápidos e Baratos
• Caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas, cuja opinião se quer conhecer;
• Vantagens: conhecimento direto da realidade, economia e rapidez, quantificação
• Limitações: ênfase nos aspectos perspectivos, pouca profundidade, limitada apreensão do processo de mudança.
• Estudo aprofundado e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado.
• Quando é mais adequado?
o Explorar situações da vida real;
o Descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação;
• Limitações:
o Falta de rigor metodológico; o Dificuldade de generalização; o Tempo destinado à pesquisa.
• Descrição da experiência vivida da consciência, mediante características empíricas e considerações na plano da realidade.
• Descrição e interpretação de fenômenos perceptivos. • Relações sujeito-objeto.
• É mais uma postura e não uma teoria.
• Origens na Antropologia.
• Descrição dos elementos de uma cultura específica.
• Tem como propósito o estudo das pessoas em próprio ambiente mediante a utilização de procedimentos como entrevistas e observações.
• Ocorre no local do fenômeno. • Procedimento demorado.
• Originou-se na década de 60.
• Chamada de Teoria Fundamentada em dados.
• Baseada em volume de dados de determinado fenômeno, buscando regularidades nestes conjuntos. • Busca entender determinada situação.
• Busca a solução de um problema ou de uma necessidade coletiva.
• Pesquisadores e participantes envolvem-se na pesquisa de forma participativa/cooperativa.
• Envolve pesquisas bibliográficas, experimentos, ... vinculados ao resultado que se espera.
• Metodologia para intervenção, desenvolvimento e mudança no âmbito de grupos, organizações e comunidades;
• Não se ajusta ao modelo clássico de pesquisa científica, cujo propósito é o de proporcionar a aquisição de conhecimentos claros, precisos e objetivos.
• Tem como propósito auxiliar a população envolvida a identificar por si mesma os seus problemas, a realizar a análise crítica destes e a buscar soluções adequadas; • Tem semelhança com a pesquisa-ação.
• Iniciou-se na América Latina para alcançar grupos marginalizados.
Gil, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de
Pesquisa – 5ª ed. – São Paulo: Atlas, 2010.