à frente do nosso tempo
CONTEÚDOS
Altocúmulus (S. Miguel)
01 Resumo Mensal 02 Resumo das Condições
Meteorológicas 03 Caracterização Climática Mensal 03 Precipitação total 04 Temperatura do Ar 06 Outros elementos 06 Vento 07 Radiação global 07 Referências
Figura 1. Anomalia do campo da pressão atmosférica à superfície para o mês de Maio de 2010,
relativamente ao período de referência (1961-1990) (NCEP/NCAR).
RESUMO MENSAL
Boletim ClimatológicoMensal de Maio de 2010 Produzido por Instituto de Meteorologia, I.P. – Delegação Regional dos Açores
Também disponível em
www.meteo.pt
Anomalia negativa da pressão à superfície na região ocidental do Atlântico Norte
O mês de Maio de 2010 caracterizou-se pelo deslocamento para NW da anomalia negativa do campo da pressão atmosférica à superfície que tinha persistido sobre a região do arquipélago dos Açores durante os últimos meses, encontrando-se agora centrada aproximadamente a leste do Canadá. Por outro lado, a anomalia positiva que se encontrava a norte do Atlântico, estende-se agora para regiões mais meridionais, aproximando-se da região NE do arquipélago. Nestas condições, nos grupos Central e Oriental verificaram-se valores da pressão atmosférica à superfície próximos dos valores de referência e ligeiramente inferiores (-2 hPa a -3 hPa) na região do Grupo Ocidental. Estes resultados mostram que o Anticiclone dos Açores voltou a ocupar as regiões típicas para esta época do ano e que a actividade
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Com vento predominante de sudoeste em todo o Arquipélago, de acordo com a persistência do ramo oeste do Anticiclone dos Açores sobre a região, o mês de Maio caracterizou-se pela quantidade de precipitação cujos valores observados na rede meteorológica e, em todas as estações, ultrapassaram os valores de referência calculados para o período de 1961-1990.
De facto, embora a actividade da frente polar tivesse sido mais frequente na região do Grupo Ocidental, as perturbações frontais que atravessaram o arquipélago (dias 4 a 7, 14 a 17, 18 a 21, 25 a 27 e 28 a 31 de Maio) deram a origem a precipitação intensa em todas as ilhas.
Refiram-se, por exemplo, os totais observados (período de 24 horas: 12 às 12 UTC) de cerca de 50 mm na Terceira (dia 4) e 65 mm em S. Miguel (dia 5); os totais observados das 09:00 às 10:00 UTC e das 14:00 às 15:00 UTC superiores a 10 mm, registados nas Flores (dia 5); os totais observados (período de 24 horas: 12 às 12 UTC) de cerca de 50 mm no Faial (dia 20), 85 mm nas Flores (dia 30) e 52 mm no Pico (dia 31).
A radiação solar disponível à superfície, permitindo que valores médios das temperaturas do ar e da água atingissem os valores característicos desta altura do ano, contribui ainda para o desenvolvimento e intensificação de sistemas convectivos responsáveis pontualmente pela ocorrência de trovoadas e precipitação intensa.
Assim, enquanto a temperatura média do ar variou entre os 16ºC e os 17.9ºC, a temperatura média da água do mar observada às 09 UTC variou entre 15 ºC e 17 ºC nos Grupos Ocidental e Central e 16 ºC e 18 ºC no Grupo Oriental.
Outro fenómeno interessante referir é o dos chamados “Nevoeiros de S. João”. Este fenómeno, que se iniciou nos finais de Maio, sendo consequência do transporte de massas de ar quentes e húmidas pela circulação associada ao ramo oeste do anticiclone, resulta da temperatura da água do mar ser igual ou ligeiramente inferior à temperatura do ponto de orvalho da massa de ar, levando à condensação (neblinas e nevoeiros de advecção).
Quanto ao estado do mar, caracterizou-se por ondulação de 2 a 3 metros com predominância de oeste nos Grupos Ocidental e Central e de 2 metros no Grupo Oriental.
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1. Precipitação total
No gráfico da figura 2 representa-se para o mês de Maio e no período 2000-2010, os desvios relativos das quantidades de precipitação em relação ao período de referência de 1961-1990.
F i g u r a 2 . A n o m a l i a r e l a 5
Figura 2. Anomalia relativa da quantidade total de precipitação nas Flores (Estação
Meteorológica/Aeroporto), em Angra do Heroísmo (Observatório José Agostinho) e em Ponta Delgada (Observatório Afonso Chaves) para o mês de Maio relativamente ao período de 1961-1990.
Nesta figura, observa-se que no mês de Maio se registaram anomalias positivas nas Flores, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada. De notar que nos casos de Flores e Angra do Heroísmo, os desvio positivos ultrapassaram os 150%. Estes resultados são consistentes com a anomalia negativa da pressão atmosférica à superfície, mais intensa na região ocidental do arquipélago. Por outro lado, os desvios positivos nas Flores foram os maiores pelo menos nos últimos 10 anos.
Considerando os primeiros oito meses (Outubro de 2009 a Maio de 2010) do período correspondente ao ano hidrológico 2009/2010, os valores observados acumulados superam os Normais em cerca de 65-80% nas ilhas S. Miguel, Santa Maria e Faial, 45-55% nas ilhas Graciosa e Flores e 25% na ilha Terceira.
Em relação à precipitação acumulada nos últimos doze meses (Abril de 2009 a Abril de 2010),
Caracterização Climática Mensal
-250% -150% -50% 50% 150% 250% 350% 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Flores
Angra do Heroísmo (Obs.) Ponta Delgada (Obs.)
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O quadro 1 apresenta um resumo das observações da precipitação no Arquipélago dos Açores para o mês de Maio.
Quadro 1. Resultados das observações da precipitação referentes ao mês de Maio de 2010. Esta
informação provém dos sistemas clássicos e automáticos instalados na rede do Instituto de Meteorologia (IM).
Na ilha das Flores (Estação Meteorológica das Flores/Aeroporto) registaram-se os valores mais elevados da quantidade de precipitação mensal (299,5 mm) e do total acumulado em 24 horas (99,0 mm). O valor mínimo do total mensal da precipitação (39,6 mm) registou-se em Santa Maria (Estação Meteorológica de Santa Maria/Aeroporto), também com o menor número de dias com ocorrência de precipitação (11 dias).
Os valores registados da quantidade de precipitação no mês de Maio foram, de uma maneira geral, superiores aos totais do período de referência para a maioria das estações da rede meteorológica dos Açores.
2. Temperatura do Ar
De forma análoga, no gráfico da figura 3 representa-se para o mês de Maio e no período 2000-2010, os desvios das temperaturas médias do ar em relação ao período de referência de 1961-1990.
Verifica-se que o mês de Maio de 2010 apresentou uma anomalia positiva nos três locais, a qual não ultrapassou 1ºC. Esta situação corresponde a pelo menos o 11º ano consecutivo de anomalias positivas da temperatura do ar para o mês de Maio.
O quadro 2 apresenta um resumo das observações da temperatura em todo o Arquipélago dos Açores para o mês de Maio.
Estação
Quantidade de Precipitação (mm) N.º de dias com
precipitação Máx/Dia Total
Flores 21 99,0/30 299,5 Horta 19 46,2/20 152,5 Pico 13 52,3/31 146,7 S. Jorge 18 35,7/20 113,1 Graciosa 13 28,0/4 109,5 Lajes 26 54,2/5 120,9 Terceira 12 43,1/5 144,9 S. Miguel 17 40,1/5 77,8 S. Maria 11 32.0/5 39.6
à frente do nosso tempo -3.0 -2.0 -1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 ºC Flores
Angra do Heroísmo (Obs.) Ponta Delgada (Obs.)
Figura 3. Anomalia da temperatura do ar nas Flores (Estação Meteorológica /Aeroporto), em
Angra do Heroísmo (Observatório José Agostinho) e em Ponta Delgada (Observatório Afonso Chaves) para o mês de Maio de 2010 relativamente ao período de 1961-1990.
Estação Temperatura Mensal (
o C)
Máx/Dia Min./Dia Média
Flores 21,0/29 11,1/25 16,6 Horta 20,7/30 12,4/25 16,7 Pico 22,4/15 10,9/15 17.0 S. Jorge 22,0/29 - - Graciosa 21,9/30 8,2/14 16,0 Lajes 22,6/29 12,6/26 17,2 Terceira 20,7/25 10,3/14 16,3 S. Miguel 23,2/31 11,0/26 17,3 S. Maria 23,8/31 12,8/26 17,9
Quadro 2. Resultados das observações da temperatura do ar referentes ao mês de Maio de 2010. Esta
informação provém dos sistemas clássicos e automáticos instalados na rede do Instituto de Meteorologia (IM).
O valor médio da temperatura do ar variou entre 17,9 ºC em Santa Maria (Estação Meteorológica de Santa Maria/Aeroporto) e 16,0 ºC na Graciosa (Estação Meteorológicas da Graciosa/Aeroporto), sendo ambos superiores aos valores do período de referência (16,7 ºC em Santa Maria e 16,4 ºC na Graciosa).
As temperaturas mínimas e máximas do ar foram, respectivamente, 8,2 ºC na Graciosa e 23,8 ºC em Santa Maria, sendo ambos os valores próximos dos do respectivo período de referência (mínima de
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3. Outros elementos
3.1 Vento
Relativamente ao vento, os rumos predominantes foram dos quadrantes SW e NE em resultado da alternância entre as circulações dos ramos oeste e leste do Anticiclone. Este resultado é ilustrado na Rosa-dos-Ventos da figura 4, onde os rumos predominantes foram de SSW e de N. Por outro lado, o vento foi geralmente fraco a bonançoso, por vezes fresco. As maiores intensidades foram no entanto registadas nos rumos de W e NW, após a passagem das frentes frias. Este resultado é consistente com a situação predominante à escala sinóptica, caracterizada pela posição relativa do Anticiclone e da Frente Polar, responsável pela anomalia negativa do campo da pressão atmosférica à superfície (figura 1). Em resumo, pode dizer-se que o vento foi geralmente bonançoso a moderado, alternando de SW e de NE.
Figura 4. Rosa-dos-ventos para o mês de Maio de 2010, correspondente aos
valores registados na Estação Meteorológica Automática da Nordela em Ponta Delgada. A separação entre os círculos concêntricos é de 5%.
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3.2 Radiação Global
Quanto a irradiação global mensal (figura 5), o valor mais elevado foi registado na estação de S. Maria. Este resultado é consistente com a anomalia negativa da pressão atmosférica à superfície, mais intensa na região ocidental, resultando numa maior nebulosidade nesta área. De facto, as diferenças de irradiação encontradas entre as restantes ilhas não podem ser explicadas apenas pela latitude e pela orografia, sendo por isso a nebulosidade associada a frente polar o factor mais importante na variabilidade da irradiação.
0.0E+00 1.0E+05 2.0E+05 3.0E+05 4.0E+05 5.0E+05 6.0E+05 7.0E+05 8.0E+05
S.Maria Nordeste Horta Pico Graciosa Flores kJ/m2
Figura 5. Irradiação global mensal para o mês de Maio de 2010 para várias estações dos Açores.
Referências
Kalnay, E. and Coauthors, 1996: The NCEP/NCAR Reanalysis 40-year Project. Bull. Amer. Meteor. Soc., 77, 437-471.