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RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE

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Boletim Informativo Ambiental nº 01, abril/2003.

RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE

Isabela Helena De Marchi

A Resolução CONAMA nº 005, em conformidade com a NBR nº10.004 da Associação brasileira de Normas Técnicas – ABTN definiu em seu artigo 1º os resíduos sólidos como aqueles “que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível”.

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Resumidamente pode-se conceituar resíduos sólidos como o lixo, o refugo e outras descargas de materiais sólidos. Dentre estes resíduos é importante destacar os resíduos de saúde, que são gerados em hospitais, clínicas médicas, farmácias, laboratórios, postos de saúde, clínicas veterinárias, entre outros.

Os resíduos de saúde são definidos conforme a Resolução CONAMA 283/2001 como “aqueles provenientes de qualquer unidade que execute atividades de natureza médico-assistencial humana ou animal; aqueles provenientes de centros de pesquisa, desenvolvimento ou experimentação na área de farmacologia e saúde; medicamentos e imunoterápicos vencidos ou deteriorados; aqueles provenientes de necrotérios, funerárias e serviços de medicina legal; e aqueles provenientes de barreiras sanitárias” (art. 1º, I).

Trata-se de um assunto de extrema importância visto que a manipulação inadequada destes resíduos representa um risco potencial a saúde de quem os manipula, ao aumento da taxa de infecção hospitalar e ao meio ambiente.

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A legislação que regula a matéria é fragmentada o que dificulta sua compreensão e aplicação. Suas normas estão distribuídas em legislações federais, estaduais e municipais específicas além de possuir dispositivos e resoluções de organismos de todas as esferas do governo, da CETESB ao CONAMA, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente à Prefeitura.

Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a questão dos resíduos sólidos por meio de artigos relacionados à saúde e ao meio ambiente, passou a ser matéria constitucional. O art. 23 determina que é competência comum da União, Estados, do Distrito Federal e dos Municípios proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas, já no art. 200 (incisos IV e VII) verifica-se que compete ao sistema único de saúde participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico, colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho, além de outras atribuições,

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Desta forma, compete ao Poder Público controlar e fiscalizar as atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, fixando normas, diretrizes e procedimentos que devem ser observados por toda coletividade.

Com o aumento da complexidade dos tratamentos médicos, novas tecnologias, equipamentos e produtos químicos aliados com o manejo inadequado dos resíduos gerados, tornou-se necessário a adoção de procedimentos que visem controlar a geração e disposição dos resíduos de serviços de saúde. Sendo assim, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA aprovou em 1993 a Resolução nº 5, que dispõe sobre o gerenciamento dos resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde, portos, aeroportos, terminais ferroviários e rodoviários.

A referida resolução prevê alguns aspectos importantes, como o conceito de resíduos sólidos, a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento de seus resíduos desde a geração até a disposição final, a apresentação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde – PGRSS e a classificação dos resíduos de saúde.

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Em 2001 foi aprovada a Resolução CONAMA nº 283, que dispõe especificamente sobre o tratamento e disposição final dos resíduos de serviços de saúde, aprimorando e completando os procedimentos previstos na Resolução nº 5. Esta resolução determina que os efluentes líquidos provenientes de estabelecimentos de saúde deverão atender as diretrizes dos órgãos ambientais competentes, determina também que os resíduos com risco químico e outros medicamentos vencidos, alterados, parcialmente utilizados e impróprios para consumo devem ser devolvidos ao fabricante ou importador que são co-responsáveis pelo manuseio e transporte. Além disso, fixa que os sistemas, instalações e equipamentos que realizam o tratamento dos resíduos devem ser licenciados e submetidos a monitoramentos periódicos.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABTN possui algumas normas relativas ao controle dos resíduos de saúde. Dentre estas, cabe destacar:

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- NBR 10.004 – Classificação dos resíduos sólidos de sacos plásticos para

acondicionamento;

- NBR 12.807 – Terminologia dos resíduos de serviços de saúde;

- NBR 12.809 – Manuseio dos resíduos de saúde;

- NBR 12.810 – Coleta dos resíduos de saúde;

- NBR 7.500 – Símbolo de risco e manuseio para o transporte e

armazenamento de material;

- NBR 7.501 – Terminologia de transporte de resíduos perigosos;

- NBR 9.191 – Especificação de sacos plásticos para acondicionamento;

- NBR 9190 – Classificação de sacos plásticos para acondicionamento.

Em outubro de 2002 a Resolução CONAMA nº 316 veio “disciplinar os processos de tratamento térmico de resíduos e cadáveres, estabelecendo procedimentos operacionais, limites de emissão e critérios de desempenho, controle, tratamento e disposição final dos efluentes, de modo a minimizar os

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impactos ao meio ambiente e à saúde”. Já em dezembro do mesmo ano a Lei nº 13.748 do Município de São Paulo, dispondo sobre a organização do Sistema de Limpeza Urbana, instituiu a taxa de resíduos de serviços de saúde (TRSS), destinada a custear os serviços de coleta, transporte, tratamento e destinação final destes resíduos.

Recentemente, no início de março de 2003, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução RDC nº 33 que dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento dos resíduos gerados pelos serviços de saúde. Esta resolução estabelece as competências para divulgação, orientação e fiscalização dos dispositivos nela previstos, a aplicação das penalidades da Lei nº 6.437/77 no caso de sua inobservância (sem prejuízo das responsabilidades civil e penal cabíveis) e determina ainda o prazo máximo de 12 meses para os estabelecimentos de saúde se adequarem aos requisitos contidos no regulamento técnico.

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O regulamento técnico fixado por esta resolução define o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde – PGRSS, fixando as responsabilidades dos dirigentes e estabelecendo as diretrizes do manejo destes resíduos, quais sejam:

- Segregação; - Acondicionamento; - Identificação; - Transporte interno; - Armazenamento temporário; - Tratamento; - Armazenamento externo;

- Coleta e transporte externos;

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Estabelece ainda, esta regulamentação, a classificação dos resíduos de saúde baseada nas Resoluções CONAMA nº 5 e nº 283 e nas NBRs – 10004 e 12808 da ABNT. Esta classificação tem por objetivo destacar a composição desses resíduos segundo as suas características biológicas, físicas, químicas, estado de matéria e origem, para o seu manejo seguro. Desta forma, os resíduos são divididos em cinco grupos:

- GRUPO A – Potencialmente Infectantes

São resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção. Alguns exemplos: resíduos de laboratórios de engenharia genética, bolsas de sangue, peças anatômicas, carcaças de animais provenientes de centros de experimentação, todos os resíduos provenientes de pacientes em isolamento, entre outros.

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- GRUPO B – Químicos

Resíduos contendo substâncias químicas que apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente, independente de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. São exemplos: medicamentos vencidos, contaminados, apreendidos para descarte, parcialmente utilizados e demais medicamentos impróprios ao consumo; substâncias para revelação de filmes usados em Raio-X; entre outros resíduos contaminados com substâncias químicas perigosas. .

- GRUPO C – Rejeitos Radioativos

São quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificada na

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norma da Comissão Nacional de Energia Nuclear, CNEN–NE–6.02, e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista.

- GRUPO D – Resíduos Comuns

São todos os resíduos gerados nos serviços abrangidos pela Resolução que não necessitam de processos diferenciados relacionados ao acondicionamento, identificação e tratamento, devendo ser considerados resíduos sólidos urbanos.

- GRUPO E – Perfurocortantes

São objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontos ou protuberâncias rígidas e agudas, capazes de cortar ou perfurar. São exemplos: bisturis, agulhas, lâminas, bolsas de coleta incompleta quando descartadas acompanhadas de agulhas, entre outros.

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Atualmente tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 203/91 que dispõe sobre o acondicionamento, a coleta, o transporte e a destinação final dos resíduos de serviços de saúde. Este projeto de lei foi aprovado em 11 de dezembro de 1990 no Senado Federal e remetido a Câmara dos deputados em março de 1991. A ele foram apensados vários outros projetos de lei e em maio de 2001 uma Comissão Especial foi constituída para apreciar e proferir parecer sobre este projeto e outros projetos que discorrem igualmente sobre o resíduos. A formação desta Comissão representa até então o maior avanço, em prol da adoção de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos.

O Projeto de Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos possui uma subseção dedicada especialmente aos resíduos de serviços de saúde onde define os estabelecimentos geradores de resíduos de saúde e determina que resíduos potencialmente infectantes não poderão receber disposição final sem tratamento prévio que assegure a eliminação de suas características de patogenicidade

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O projeto ainda atribui aos serviços de saúde a responsabilidade pelo gerenciamento completo de seus resíduos, desde sua geração até a destinação e disposição final, e fixa que o importador, o fabricante e o distribuidor de medicamentos, bem como os prestadores de serviço de saúde são co-responsáveis pela coleta dos resíduos especiais resultantes dos produtos vencidos ou considerados, por decisão de autoridades competentes, inadequados ao consumo. Trata-se da instituição do “take-back”, instituto que já é aplicado em outros setores como com os agrotóxicos, cujos fabricantes são obrigados a receber as embalagens dos produtos para destinação final.

Visualiza-se neste conceito a presença do princípio do poluidor pagador que estabelece ao poluidor o dever de custear a prevenção dos danos que sua atividade possa causar ao meio ambiente, e que caso estes danos ocorram, o poluidor é responsável por sua reparação.

A atenção a todas estas normas, resoluções e dispositivos é de extrema importância visto que o manejo inadequado destes resíduos pode levar ao crime

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de poluição. Por poluição entende-se toda alteração do meio ambiente, causada por agente de qualquer espécie, prejudicial à saúde, à segurança ou ao bem estar da população.

A Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Esta lei prevê em seu artigo 54 que é crime “causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”. O mesmo artigo em seu parágrafo 2º, inciso V, penaliza o lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substancias oleosas, em desacordo com exigências estabelecidas em leis ou regulamentos“.

Trata-se de um crime que pode ser praticado por qualquer pessoa natural e imputável e também pela pessoa jurídica por uma conduta comissiva (aquela em que a realização do crime se manifesta por atos positivos) ou omissiva (deixar de

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praticar ato que estava obrigado), que se consuma tão logo surja a situação de perigo.

O descumprimento das normas legal pertinentes ao controle da poluição pode acarretar:

- Multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 50.000.000 (cinqüenta milhões de

reais), ou multa diária;

- Detenção, de seis meses a um ano;

- Reclusão, de um a cinco anos;

- Suspensão temporária ou definitiva de atividades;

- Intervenção;

- Interdição temporária de direitos.

Importante destacar que se a multa se revelar ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da

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vantagem auferida (art. 18, Lei 9.605/98), assim, se a multa aplicada for de R$ 50.000.000 poderá ser aumentada até R$ 150.000.000.

Conclui-se assim, que existe uma necessidade de consolidação das diferentes legislações, dispositivos, normas e resoluções sobre resíduos de serviços de saúde tanto pela importância da matéria devido ao risco ao meio ambiente e a saúde da população, como pela dificuldade encontrada pela sociedade de compreender como devem proceder a respeito, e ainda, pela necessidade das empresas de se adequarem as normas visto que as conseqüências do não cumprimento são extremamente graves.

Referências

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