Instrução Normativa nº 01/2012
Institui o Regulamento do Processo Administrativo Disciplinar no âmbito da COOPEND.
O Presidente da Cooperativa de Endoscopia do Ceará Ltda. – COOPEND, no uso de suas atribuições regimentais, e
CONSIDERANDO as incertezas que costumam envolver os intérpretes das normas aplicáveis ao Processo Administrativo Disciplinar;
CONSIDERANDO a conveniência administrativa de se editar um Regulamento que defina, passo a passo, o procedimento a ser seguido nos processos administrativos disciplinares no âmbito da Cooperativa, de forma a padronizá-los;
CONSIDERANDO, por fim, que a regulamentação é mais um instrumento de garantia dos direitos fundamentais da ampla defesa e do contraditório,
RESOLVE
Art. 1º Instituir o Regulamento do Processo Administrativo Disciplinar, no âmbito da COOPEND, na forma do documento em anexo.
Art. 2º Esta instrução normativa entra em vigor na data de sua publicação. Registre-se. Cientifique-se. Cumpra-se.
Fortaleza, __ de novembro de 2012.
Dr. Francisco das Chagas Gonçalves de Oliveira Presidente
Instrução Normativa nº 01/2012
Regulamento do Processo Administrativo Disciplinar.
DO PROCESSO DISCIPLINAR.
Art. 1º – O Processo Disciplinar da Cooperativa de Endoscopia do Ceará Ltda. – COOPEND reger-se-á pelo rito aqui exposto e tramitará em sigilo processual, devendo aplicar-se, subsidiariamente, às disposições do Código de Processo Civil Brasileiro.
Art. 2º – O Processo terá a forma de autos judiciais, com as peças
anexadas por termo, e os Despachos, Pareceres e Decisões exaradas em ordem cronológica e numérica.
DO PROCESSO EM ESPÉCIE.
Art. 3º – O processo disciplinar será instaurado:
I – de ofício, pela Diretoria, ao tomar conhecimento de fato que configure
uma provável infração ao Estatuto Social ou outras regras internas da COOPEND;
II – mediante denúncia, por escrito ou tomada a termo, na qual conste o
relato dos fatos e a identificação completa do denunciante;
§ 1º - As denúncias serão obrigatoriamente apresentadas ou encaminhadas
à Diretoria da COOPEND, que por sua vez as remeterá ao Conselho Técnico, órgão responsável pela tramitação inicial dos processos.
§ 2º - Os cooperados integrantes do Conselho Técnico escolherão, em
sistema de rodízio entre si, um relator para cada processo ao seu encargo.
Art. 4º – Ao receber a denúncia, o relator convocará, através de notificação,
o denunciante e o denunciado para obter os devidos esclarecimentos, orientando-se pelos critérios de oralidade, simplicidade, informalidade e economia processual.
Parágrafo único. A notificação deverá ser realizada por qualquer meio idôneo através do qual se possa conferir o seu efetivo recebimento.
Art. 5º – Decidido pela instauração do processo disciplinar, o relator terá
prazo de sessenta (60) dias para instruir o processo.
§ 1º - O prazo de instrução poderá ser prorrogado, por igual período, uma
única vez, por solicitação motivada do relator, mediante deferimento de seus pares.
§ 2º- Após a instauração de processo disciplinar, este não poderá ser
arquivado por desistência das partes, exceto por morte do denunciado, quando então será extinto o feito com a anexação da certidão de óbito.
Art. 6º – O relator promoverá ao denunciado citação com cópia da
denúncia para apresentar defesa prévia, no prazo de quinze (15) dias, contados a partir da data de juntada do aviso de recebimento, assegurando-lhe vistas do processo na Secretaria da Cooperativa ou fornecendo-lhe cópia dos autos.
Parágrafo único – A citação deverá indicar os fatos considerados como
possíveis infrações ao Estatuto e demais normas de regência da COOPEND.
Art. 7º – Se o denunciado não for encontrado, ou for declarado revel, o
relator lhe designará um defensor dativo na pessoa de um outro cooperado que aceite a incumbência.
Art. 8º - Após a citação válida, o relator aprazará audiência para oitiva do
denunciante, do denunciado e das testemunhas porventura arroladas.
Parágrafo único – As testemunhas, até o máximo de três (03) para cada
parte, comparecerão à audiência de instrução, levadas pela parte que as tenha arrolado, independentemente de intimação.
DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO.
Art. 9º – O denunciante será qualificado e interrogado sobre as
circunstâncias da infração e as que possa indicar, tomando-se por termo suas declarações.
Art. 10 – As perguntas das partes serão requeridas ao relator, que, por sua
vez, as formulará às testemunhas.
Parágrafo único - Serão recusadas as perguntas que não tiverem estrita
relação com o processo ou importarem em repetição de outra(s) já respondida(s).
Art. 11 – A testemunha declarará seu nome, profissão, estado civil e
residência, bem como, se é parente, informando o grau de parentesco com alguma das partes, ou quais suas relações com qualquer delas, e relatará o que souber, explicando, sempre as razões de sua ciência.
Art. 12 – O relator, quando julgar necessário, poderá ouvir outras
testemunhas, além das arroladas pelas partes, sempre fundamentando sua decisão.
Art. 13 – Os depoimentos serão reduzidos a termo e assinados pelos
depoentes, pelas partes, seus respectivos defensores, caso constituídos e presentes, e pelo relator.
Art. 14 – Concluída a instrução, será aberto o prazo de 10 (dez) dias para
apresentação das razões finais, primeiramente ao(s) de denunciante(s) e, em seguida, ao(s) denunciado(s), com prazo comum, quando houver mais de um denunciante ou denunciado.
Parágrafo único – Estando todas as partes presentes à audiência, serão
intimadas, pessoalmente, nesta oportunidade, para apresentação das razões finais, devendo ser registrada em ata, passando a correr, a partir de então, os respectivos prazos.
Art. 15 – Após a apresentação das alegações finais, o processo será
encaminhado à Assessoria Jurídica da COOPEND, que emitirá um parecer acerca da regularidade processual no prazo de 10 (dez) dias.
Art. 16 - O relator, após o recebimento do parecer mencionado no artigo
anterior, proferirá relatório circunstanciado, o qual será submetido aos demais integrantes do Conselho Técnico para sua apreciação e prolação da decisão conjunta.
Art. 17 – As partes e seus procuradores serão intimados da decisão no
prazo de até 5 (cinco) dias.
Art. 18 – As penas disciplinares aplicáveis pela COOPEND observarão os
contornos definidos pelo estatuto social da Cooperativa.
DOS IMPEDIMENTOS.
Art. 19 – É impedido de atuar como relator de processo disciplinar o
cooperado que:
I – tenha interesse direto ou indireto na matéria;
III – seja cônjuge, ascendente, ou descendente, em qualquer grau, ou
colateral até o terceiro grau de alguma das partes por consangüinidade ou afinidade;
IV – esteja litigando, judicial ou administrativamente, com o interessado ou
respectivo cônjuge ou companheiro (a).
Art. 20 – O relator que incorrer em impedimento deve comunicar o fato aos
seus pares do Conselho Técnico, abstendo-se de atuar.
DAS NULIDADES.
Art. 21 – As nulidades ocorrerão por falta de cumprimento das formalidades
legais prescritas no estatuto social e desta norma.
Art. 22 – Nenhuma das partes poderá argüir nulidade a que haja dado
causa, para a qual tenha concorrido ou referente à formalidade cuja observância só à parte contrária interesse.
Art. 23 – Declarada a nulidade de um ato, considerar-se-ão nulos todos os
atos dele derivados.
DOS RECURSOS.
Art. 24 – Caberá recurso, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ciência
inequívoca da decisão, a ser protocolado perante a secretaria da Diretoria da COOPEND.
Art. 25 – Após o recebimento do recurso, havendo uma parte adversa
interessada, esta será intimada para, se assim o desejar, apresentar as contra-razões, no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 26 – A Diretoria da COOPEND decidirá o recurso interposto,
juntamente com o Conselho Técnico da Cooperativa, em reunião única e conjunta, no prazo de até 30 (trinta) dias, comunicando tal decisão às partes e seus procuradores no prazo de até 5 (cinco) dias.
Art. 27 – No caso de eliminação, o cooperado denunciado poderá interpor
novo recurso, com efeito suspensivo, dirigido ao Presidente do Cooperativa, que o incluirá na pauta da primeira Assembléia Geral a ser realizada.
Art. 28 – No julgamento de recursos das decisões de eliminação de
Cooperados por parte da Assembléia Geral, o último relator que atuou no processo fará a leitura das principais peças do processo. A seguir, será
concedido ao acusado, ou ao seu advogado, o prazo de 20 (vinte) minutos para produzir sua defesa oral. Na sequência, será concedido igual prazo de 20 (vinte) minutos para a COOPEND expor suas alegações.
Art. 29 – Concluída a sustentação oral das partes ou de seus advogados,
os cooperados presentes votarão secretamente através de cédulas. Os cooperados votarão “sim” ou “não” pela manutenção ou reforma da decisão. Caso se decida pela reforma da decisão, os cooperados presentes deliberarão, abertamente, pela nova pena a ser aplicada.
Art. 30 - Concluído o julgamento, o Presidente da Assembléia Geral
proclamará o resultado e fará lavrar a ata.
Art. 31 – O empate na votação de julgamento pela Assembléia Geral
beneficiará o acusado.
Art. 32 – No julgamento dos recursos pela Assembléia Geral, não terão
direito a voto os membros da Diretoria, do Conselho Fiscal e o acusado.
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS DO PROCESSO DISCIPLINAR. Art. 33 – As citações e notificações serão feitas às partes: I – por carta registrada, com aviso de recebimento;
II – pessoalmente, quando frustrada a realização do inciso anterior;
III - por edital, quando o endereço da parte não for conhecido ou não for ela
encontrada.
Art. 34 – Os prazos contarão, obrigatoriamente, a partir da data da juntada
aos autos, da comprovação do recebimento das citações, intimações e notificações.
Art. 35 – Aos processos disciplinares, em trâmite, será aplicado, de
imediato, o previsto nesta norma, sem prejuízo da validade dos atos processuais já realizados.
Fortaleza, __ de novembro de 2012.
Dr. Francisco das Chagas Gonçalves de Oliveira Presidente