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DO AÇÚCAR E ÁLCOOL À SUSTENTABILIDADE COMO PRODUTO.

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Academic year: 2021

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(1)

DO AÇÚCAR E ÁLCOOL

À SUSTENTABILIDADE

COMO PRODUTO.

(2)

PALAVRA DO

PRESIDENTE

ÍNDICE

EDITORIAL

COORDENAÇÃO:

Marcel Salmeron Lorenzi PRODUÇÃO INTEGRAL: www.agenciamonolito.com.br JORNALISTA: Juliana Servidoni (MTB: 39.288) DÚVIDAS E SUGESTÕES: [email protected] TIRAGEM:

Distribuição gratuita, exclusiva e dirigida. www.eventosfermentec.com.br

PALAVRA DO

PRESIDENTE

PALAVRA DO PRESIDENTE ... 4 PROGRAMAÇÃO ... 6

A ENERGIA DA CANA IMPULSIONANDO A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL DO FUTURO ...10

ESG: O QUE ISSO TEM A VER COMIGO? ...14

NOVAS TECNOLOGIAS PARA A SUSTENTABILIDADE ...18

RATING E A SUSTENTABILIDADE ...22

RENOVABIO COMO REFERÊNCIA DE EFICIÊNCIA AMBIENTAL ...26

MEDIÇÃO DO RENDIMENTO GERAL DA DESTILARIA: GRANDES TECNOLOGIAS, GRANDES RESPONSABILIDADES ... 30

SUSTENTABILIDADE DO LABORATÓRIO EM SINTONIA COM A ORGANIZAÇÃO ESG ...34

ESTRATÉGIAS DE FERMENTAÇÃO COM DADOS EM TEMPO REAL ...40

SUSTENTABILIDADE DAS FERMENTAÇÕES COM ALTO TEOR ALCOÓLICO ... 46

OPORTUNIDADES NA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E NA QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA ...48

ANALISADOR DISCRETO ...52

VÁLVULA DE BLOQUEIO PARA ÁGUA DE FULIGEM ...55

BENEFÍCIOS DA UTILIZAÇÃO DO ANTINCRUSTANTE NA EVAPORAÇÃO DE UNIDADES SUCROENERGÉTICAS ...56

A SOLUÇÃO COMPLETA PARA SEU SISTEMA DE RESFRIAMENTO DE ÁGUA INDUSTRIAL: ... 60

MEDIÇÃO DE CONCENTRAÇÃO DA SOLUÇÃO DE EXTRATO DE LEVEDURA ...63

FERMENTAÇÃO COM REDUÇÃO DO ÁCIDO SULFÚRICO. ... 64

A SUSTENTABILIDADE PARA O SETOR SUCROENERGÉTICO SOB O PONTO DE VISTA SOLENIS ...67

O CONTROLE BIOLÓGICO A SERVIÇO DA SUSTENTABILIDADE ...68

CONTAMINAÇÃO BACTERIANA, DEFINIÇÃO PELO MELHOR ANTIBACTERIANO. ...72

PATROCINADORES ...74

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5

SUSTENTABILIDADE

É O NOSSO NEGÓCIO

POR HENRIQUE BERBERT DE AMORIM NETO PRESIDENTE DA FERMENTEC

4

PALAVRA DO

PRESIDENTE

5 álcool. Portanto,

sustentabi-lidade e mercado andam jun-tos! É claro que esses obje-tivos não são magicamente alcançados. É preciso muito estudo, pesquisa e tecno-logia para aproveitar toda essa economia circular que o setor pode proporcionar. É por isso que estaremos reunidos em mais um We-bmeeting Fermentec. Para avançarmos ainda mais nos caminhos tecnológicos do nosso setor e aproveitarmos ao máximo todas as opor-tunidades que os recursos naturais do Brasil oferecem. E assim vamos impactando não só as usinas, mas tam-bém toda a cadeia que se beneficia com seus produtos e subprodutos. Tudo isso se traduz em maior aproveita-mento dos recursos, geração de renda e empresas cada vez mais alinhadas com boas práticas de governança. Há algo mais ESG do que nosso setor sucroenergético nacional?

(em português Ambiental, Social e de Governança) e hoje muitas empresas estão levando em conta este tripé para definir investimentos e planejar o futuro.

O mercado direciona os ru-mos do nosso setor assim como acontece com os de-mais. Na safra passada, em que houve uma expressi-va redução no consumo de etanol, as usinas viraram a produção para o açúcar, que vem seguindo com recor-des de preço no mercado internacional. Mas qual é o ponto principal? A usina se mantém sustentável tanto na produção de etanol, quanto na de açúcar.

Todos os subprodutos da produção de açúcar e etanol atendem a alguma deman-da do mercado. Bagaço de cana é matéria-prima para cogeração de energia, resí-duo da destilação de milho se transforma em ração para animais, vinhaça vira fertili-zante, biogás e até biodie-sel, o melaço de soja agora também é uma nova maté-ria-prima para produção de O tema do Webmeeting

Fer-mentec de julho de 2021 tem como ponto central a sustentabilidade como pro-duto. Você certamente já viu a sigla ESG em materiais corporativos e publicitários do seu banco e de fabrican-tes de produtos que utiliza no dia a dia. Só que para o setor sucroenergético bra-sileiro, todos os critérios por trás desta sigla que tem movimentado os rumos de grandes organizações não é novidade, nem modismo e nem ação de marketing. Já faz parte do nosso negócio há muito tempo.

ESG significa Environmen-tal, Social and Governance

“Sustentabilidade

e mercado

andam juntos! ”

HENRIQUE B. DE AMORIM NETO

NÓS ESTAMOS

PREPARADOS E

VOCÊ?

27-29

JULHO 2021 5

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27

JULHO

2021

19:00 Vinheta Abertura 19:05 Abertura Evento

Henrique Berbert de Amorim Neto (Presidente Fermentec) 19:15 Orientações Evento

19:20 Mobilidade sustentável usando etanol Plínio Nastari (Presidente Datagro)

19:45 ESG: O que eu tenho a ver com isso?

Marc François Richter (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul)

20:10 Vídeo Sicoob 20:15 Vídeo Bray

20:20 Novas tecnologias para a sustentabilidade Alexandre Godoy (Fermentec)

20:45 Cenário atual e potencialidades do biogás no setor Sérgio Ramos da Cruz (Diretor da Paques LAM)

21:10 Grande Debate 21:40 Encerramento

INTER

AJ

A

A

O VIV

O

Traga seus desafios e tire suas dúvidas ao vivo pela plataforma de transmissão ZOOM.

PROGRAMAÇÃO

28

JULHO

2021

19:00 Vinheta Abertura

19:05 Orientações Evento

19:10 O uso racional dos resíduos industriais na lavoura Otavio Tufi (Benri)

19:30 Vídeo Autolab

19:35 Palestra Complementar - Tecnologia automatizada para limpeza e desinfecção de tanques com conceito da indústria 4.0

Caio Martins Roza (Scanjet Systems)

19:45 RenovaBio como referência de eficiência ambiental Thierry Couto (Benri)

20:05 Palestra Complementar - Aumento de eficiência com tecnologia BAC-CEN 20-14

Antonio Diogo Ferreira (Centerquímica)

20:15 Palestra Complementar - A evolução da indústria 4.0 com a tecnologia NIRS FOSS

Dorival Pires Junior (Cetec)

20:25 Medição do rendimento geral da destilaria: Grandes tecnologias, trazem grandes responsabilidades.

Armando Gameiro Junior, Paulo R. Vilela e Eder Silvestrini - (Fermentec)

20:50 Grande Debate

21:20 Prêmio Excelência Fermentec Fernando Eder Ré (Fermentec)

21:40 Encerramento

Supere os obstáculos de ontem e abra

sua usina para novas e grandes possibilidades.

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8

29

JULHO

2021

19:00 Vinheta Abertura 19:05 Orientações Evento

19:10 Sustentabilidade do laboratório em sintonia com a Or-ganização ESG

Eduardo P. Borges (Fermentec)

19:30 Palestra Complementar - A sustentabilidade para o setor sucroenergético sob o ponto de vista Solenis

Glauco Mello (Solenis)

19:40 Palestra Complementar - Controle analítico de água de processo na era do laboratório 4.0

Caio Gomes (Satelit)

19:50 Sustentabilidade das fermentações com alto teor alcoólico

Mario Lucio Lopes (Fermentec)

20:10 Palestra Complementar - O controle biológico a servi-ço da sustentabilidade

Italo Delalibera Júnior (Oligos Biotec)

20:20 Oportunidades na produção de açúcar e qualidade da matéria prima

Dinailson Corrêa de Campos (Fermentec) 20:40 Grande Debate

21:00 Palestra Diferencial Professor Marins

21:30 Encerramento Webmeeting 2021 – 43ª. Reunião Anual Claudemir Domingos Bernardino (Fermentec)

INTER

AJ

A

A

O VIV

O

Traga seus desafios e tire suas dúvidas ao vivo pela plataforma de transmissão ZOOM.

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A ENERGIA DA CANA

IMPULSIONANDO A MOBILIDADE

SUSTENTÁVEL DO FUTURO

“Antes negligenciada, energia de biomassa agora cha-ma atenção de diversos países que buscam por fontes alternativas e que o Brasil tem larga vantagem”

Por Plinio Nastari da Datagro

de eleva a capacidade de geração de base do sistema hidráulico, sem investimentos adicionais e sem a necessidade de construção de mais represas, para armazenamento de água, e linhas de transmissão. A ge-ração elétrica, assim como o etanol, é produzida próxima aos centros de consumo, evitando investimentos e as perdas com transmissão, que no Brasil são muito significativos.

Mais recentemente, novas rotas de diversificação têm sido desenvolvi-das com a produção de etanol de segunda geração, através do apro-veitamento de bagaço e palha para a geração de etanol celulósico e a produção de biogás. O biogás gera-do pela biodigestão de resíduos gera-do processo industrial como a vinhaça e a torta de filtro, quando queima-do em motores elétricos, aumenta significativamente a geração de bioeletricidade, e, quando purifica-do e transformapurifica-do em biometano, é equivalente ao gás natural fóssil e pode ser utilizado para substituir o óleo diesel usado em caminhões, tratores e colhedoras, ou injetado diretamente nos gasodutos por ser fungível ao gás natural fóssil.

O mundo inteiro busca novas for-mas de energia que sejam susten-táveis, eficientes do ponto de vista energético e limpas para o meio ambiente. O etanol de primeira e de segunda geração, a bioeletricidade, o biogás, o biometano, o bagaço e a palha em pellets, para substituir carvão mineral em termelétricas tradicionais, representam essa for-ma de energia que o mundo almeja. E faz isso de forma replicável, pois usa uma tecnologia que é conhecida e dominada. É escalável, pois pode começar pequena e crescer ao lon-go do tempo. É acessível em preço ao consumidor, pois é adaptada a formas de utilização já consagradas, sem a exigência de construção de uma nova infraestrutura de

produ-ção, armazenagem e distribuição. Não usa recursos naturais escassos, como metais raros ou preciosos. Gera emprego e renda descentrali-zados, e tem um impacto positivo muito grande em termos de redu-ção de emissões locais e globais, e, portanto, na saúde.

Os setores produtor e processador de cana-de-açúcar se complemen-tam e atuam de forma integrada, gerando energia e alimento para o Brasil e para o mundo. Na safra 2020/21, encerrada no final de mar-ço de 2021, além de fornecer o eta-nol que viabilizou a substituição de 48% de toda a gasolina consumida no País, produziu também açúcar para abastecer todo o mercado doméstico e gerar exportações de mais de 32,2 milhões de toneladas, suprindo um mercado livre global estimado em 54,6 milhões de tone-ladas, o que faz do Brasil por larga margem o maior produtor (com 41,46 milhões de toneladas) e ex-portador mundial. As exportações de etanol também estão em cresci-mento e atingiram em 2020/21 2,92 bilhões de litros, a partir de uma produção total de 32,5 bilhões de litros.

O etanol está sendo utilizado em veículos equipados com motores de combustão interna de elevada taxa de compressão, portanto mais efi-cientes, o que é uma meta de mon-tadoras em todo o mundo, e mais recentemente em motorizações elétricas, através dos híbridos flex a etanol. As emissões de gases do efeito estufa dos motores flex a eta-nol são hoje de 58 gramas de CO2e por km, e a dos híbridos a etanol de 29 gramas de CO2e/km. A título de comparação, um veículo elétrico a bateria na Europa hoje emite 92 gramas de CO2e/km, e os veículos leves a gasolina e a diesel emitem em média 124 gramas de CO2e/km. Em breve, estará disponível tam-Em 2020, o etanol de cana

subs-tituiu 48% de toda a gasolina consumida no Brasil, através da mistura de 27% de etanol anidro misturado à gasolina, e do uso de etanol hidratado na frota flex, que representa 86% da frota de veículos leves do País. A bioele-tricidade gerada com biomassa foi responsável por mais de 52 mil GWh de geração elétrica, ofertados principalmente nos meses de inverno, quando as hidrelétricas operam em regime de baixa pela sazonalidade hi-drológica. Assim, a bioeletricida-A cana-de-açúcar responde por

18% da oferta primária de energia no Brasil, atrás apenas do petró-leo (34,4%), e à frente da energia hidráulica (12,4%) e do gás natu-ral (12,2%). É por larga margem a energia renovável de origem na biomassa mais relevante de nossa matriz energética, e tem uma grande importância, prin-cipalmente na geração de com-bustível líquido, etanol e bioele-tricidade, produzidos de forma sustentável.

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bém a eletrificação com células a combustível utilizando etanol, que fazem uso do hidrogênio contido no etanol como fonte de energia. Esses veículos, considerados como sendo a motorização mais moder-na e sustentável do futuro, terão emissões estimadas em 27 gramas de CO2e/km. Todos esses números avaliados pelo conceito poço-a-ro-da (well-to-wheel), ou segundo a avaliação do ciclo de vida (ACV). Outros países estão buscando so-luções equivalentes. A Índia de-cidiu acelerar a adoção de etanol em mistura à gasolina, e em 2021 deverá atingir uma mistura média de 8,5%. Em 2022, deverá chegar a 10%, e antecipou o cronograma para chegar a 20%, de 2030 para 2025. Além disso, já autorizou a partir de 2021 a distribuição de etanol puro, E100, abrindo as por-tas para a introdução de automó-veis e motocicletas flex capazes de utilizar etanol puro diretamente. Em 2021, a Tailândia vai aumentar a mistura de etanol de 10% para 20% em toda a sua gasolina, e outros países seguem o mesmo cami-nho ao elevarem o uso de etanol de biomassa em suas matrizes de transporte.

Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, classificou a energia de biomas-sa como a grande fonte de ener-gia negligenciada no mundo. Mas aparentemente o mundo está des-cobrindo a sustentabilidade dessa fonte de energia que tem origem no BIO, na vida e na renovabilidade propiciada pelo aproveitamento e pela transformação eficiente, eco-nômica e segura da energia do sol em energia útil e fácil de armaze-nar, transportar e distribuir.

O Brasil oferece esta solução ao mundo, colocando à disposição de todos a tecnologia que desenvol-veu nos últimos 45 anos. Tecnolo-gia que permitiu ao País substituir, desde 1975, 3,3 bilhões de barris de gasolina, com economia de 607,7 bilhões de dólares em importações evitadas, incluindo o custo da dívi-da externa evitadívi-da.

Em 2021, a safra de cana deve ser momentaneamente menor do que foi em 2020, por conta da seca, que se prolonga no primeiro tri-mestre de 2021. Mas os preços continuam competitivos, e o setor privado se encontra preparado e ansioso para investir mais e torná--lo mais eficiente e com menores custos, graças ao impulso propicia-do pelo RenovaBio, que premia os produtores mais eficientes, permi-tindo-lhes que emitam mais crédi-tos de descarbonização.

Para se ter uma ideia do que isso representa, em 11 anos de opera-ção, os veículos da Tesla geraram uma economia de 3,7 milhões de toneladas de carbono, em CO2 equivalente. Os produtores de eta-nol certificados pelo RenovaBio no Brasil descarbonizaram no primei-ro ano de operação do pprimei-rograma, em 2020, mais de 15 milhões de toneladas de CO2e. No segundo ano, serão mais 25,2 milhões de to-neladas, e em dez anos, até 2030, serão 620 milhões de toneladas, equivalentes a toda a emissão de um país como a França ou a Ale-manha durante um ano inteiro. Através da cana-de-açúcar e do aproveitamento de resíduos or-gânicos, o Brasil demonstra que a bioenergia pode ser um vetor rele-vante para a mobilidade sustentá-vel do futuro.

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ESG: O QUE ISSO

TEM A VER COMIGO?

“Organizações que não se adequarem às práticas ESG tendem a perder mercado em uma realidade de uma nova agenda de desenvolvimento”

ESG e ODS são siglas muito importantes para que o mun-do se torne mais sustentável e, portanto, com maior quali-dade de vida para todos. As duas siglas não são sinôni-mas, pois têm foco diferente, embora se complementem. ESG, expressão em inglês, ou ASG, em português, diz

respeito a três palavras-cha-ves ligadas à sustentabilida-de: environment (ambiente), social (social) e governance (governança), ou seja, dizem respeito às condutas ambien-tais, sociais e de governança de uma empresa, instituição ou entidade pública ou priva-da (figura 1).

Por Marc François Richter, professor doutor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

Figura 1 – As três áreas principais do modelo ESG (Environmental – Social – Governance)

A expressão é frequentemente usada quando se fala em investimento sus-tentável numa empresa, ou seja, em investimentos socialmente respon-sáveis. São os grandes investidores do mundo, entre eles bancos de in-vestimentos e fundos de pensão, que se preocupam e querem investir em empresas com melhores práticas am-bientais, sociais, além da tradicional governança que visa o lucro. Este tipo de empresa gera diversos impactos positivos, tais como maior lucrativi-dade e crescimento, pois os clientes, cada vez mais conscientizados, e os investidores estão valorizando de for-ma crescente a responsabilidade so-cioambiental, priorizando desta forma organizações que adotam o modelo ESG, gerando assim uma melhora em seu valor de mercado a médio e longo prazo. A tendência é que este tipo de empresa tenha maior fatia de merca-do no futuro. Já as que agem contra-riamente a essa nova lógica, por seu turno, perderão espaço no mercado. Práticas em relação à conservação do meio ambiente, vinculada a letra E do ESG, envolvem atuação nas áreas do aquecimento global e emissão de carbono, biodiversidade, poluição do ar e da água, reflorestamento, efici-ência energética, escassez de água e gestão de resíduos. Já a letra S envol-ve a relação de uma empresa com as pessoas com as quais ela está

dire-tamente ou indiredire-tamente envolvida, sendo a proteção de dados e privaci-dade, satisfação dos clientes, diversi-dade da equipe, relacionamento com a comunidade e respeito aos direitos humanos e às leis trabalhistas. Final-mente, a letra G diz respeito à con-duta corporativa, remuneração dos executivos, composição do conselho, existência de um canal de denúncias, relação com entidades do governo e com políticos.

Já o termo ODS é a sigla para os Ob-jetivos do Desenvolvimento Susten-tável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. A base de um mundo cada vez mais insustentável desde o final do século passado, a ONU propôs aos países--membros a Agenda 2030, um novo compromisso de desenvolvimento sustentável para o período de 15 anos até 2030, que é composta pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sus-tentável (ODS) (figura 2). Os 17 ODS são divididos em 169 metas para os países alcançarem o desenvolvimen-to sustentável em desenvolvimen-todos os âmbidesenvolvimen-tos até 2030 para reverter os indicadores econômicos, ambientais e sociais, vis-tos com muito pessimismo nos anos 2000, quanto ao futuro do planeta e da qualidade de vida das atuais e das próximas gerações. Afinal, não pode-mos querer viver de forma saudável em um planeta doente.

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Desta forma, os ODS extrapolam as práticas internas de cada empre-sa, pois são compromissos em nível mundial em favor do desenvolvimen-to sustentável para um mundo mais justo e com mais qualidade de vida. Como principal canal da ONU com o setor privado, o Pacto Global tem a missão de engajar as empresas para esta nova agenda de desenvolvimen-to. Uma atuação com responsabilida-de socioambiental está sendo valo-rizada, cada vez mais, pelos fundos de investimentos internacionais que se comprometeram em focar não somente no lucro, mas também no as-sunto da sustentabilidade.

A indústria sucroenergética está in-trinsecamente ligada à sustentabilida-de pelos produtos (biocombustíveis) gerados, sendo modelo para o mun-do, ao usar os recursos renováveis e biológicos, promovendo a bioeco-nomia no Brasil. Os biocombustíveis são fontes energéticas renováveis, possuem melhor balanço de dióxido de carbono (CO2) no ciclo de vida, ou seja, o setor participa reduzindo as

principais emissões de gases do efeito estufa, contribuindo para a segurança energética por meio da diversificação de fontes energéticas. Entre os be-nefícios estão a distribuição de ren-da, especialmente na etapa agrícola, redução de emissões dos principais poluentes e geração de empregos e renda na cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, a maior presença do modelo ESG nas empresas do setor fará com que a sociedade tenha um futuro mais promissor.

Respondendo a pergunta do títu-lo, ESG tem sim a ver conosco, seja como pessoa jurídica, seja como pessoa física, pois uma forma mais sustentável de gerenciar uma empre-sa com atitudes positivas no dia a dia (separar nossos resíduos domésticos, reciclar mais, diminuir a pegada de carbono, usar fontes de energia me-nos poluentes e renováveis, como os biocombustíveis, valorizar o gênero dos colaboradores) faz com que nos-so mundo ganhe em sustentabilidade e especialmente em qualidade de vida para todos.

Figura 2 – Os símbolos dos 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU

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A mídia tem dado amplo desta-que às empresas desta-que levam em consideração critérios de sus-tentabilidade ambiental, social e governança, ESG, que tiveram comprovadamente, maior de-sempenho em 2020 e isso tam-bém vem se repetindo em 2021. Fica cada vez mais evidente a associação entre sustentabili-dade e melhora de indicadores, entre eles os lucros.

Somado a isso, com a redução da pegada de carbono, maiores

“Avanço da tecnologia permite que uma série de

subprodutos das usinas se convertam em

insu-mos unindo sustentabilidade e valor agregado”

NOVAS TECNOLOGIAS

PARA A SUSTENTABILIDADE

Por Alexandre Godoy da Fermentec

são as chances destas empresas elevarem suas notas de crédito. As novas tecnologias que vem sendo desenvolvidas pela Fer-mentec ao longo dos últimos 10 anos vem diretamente ao encon-tro das políticas ESG, visando a sustentabilidade do setor sucro-energético, aliando sustentabili-dade ambiental e financeira. Basicamente, estas tecnologias focam na conversão de efluentes e resíduos para produtos de alto valor energético e agregado,

deixando de serem tratados como subprodutos, tornando-se coprodu-tos, sempre levando-se em conta o princípio das biorefinarias.

Com estas tecnologias, o setor po-derá comprovar que é possível aliar lucros com sustentabilidade, que sempre foram tratados como vias opostas.

Há também uma série de vantagens que estas tecnologias podem trazer ao RenovaBio, reduzindo as emis-sões de carbono (gases de efeito estufa) e aumentando o recebimen-to dos crédirecebimen-tos de carbono.

Principais tecnologias que estão sendo desenvolvidas para aliar ne-gócios e sustentabilidade:

1- OLEOLEV®

Tecnologia que utiliza a vinhaça como substrato para produção de lipídeos através da fermentação por leveduras específicas. Como resultado, obtém-se um bio-óleo, que pode ser utilizado para diver-sas finalidades, desde na produção de biodiesel para ser utilizado na frota da própria usina à fabrica-ção de antiespumante (a usina fica autossuficiente neste insumo que é o mais caro da fermentação). Se olharmos para uma demanda por energia elétrica, este bio-óleo pode ser queimado e gerar eletricida-de se acoplado a um gerador, seja para o grid como para abastecer uma possível frota elétrica.

Além do óleo, é possível também produzir proteínas a partir da bio-massa de leveduras que sobram deste processo, de alto valor agre-gado.

Outra vantagem do ponto de vista ambiental é que a vinhaça, ao pas-sar por este processo, acaba neu-tralizada em termos de pH, reduzin-do de forma significativa a acidez do solo no momento da fertirriga-ção.

2- CELLEV®

Tecnologia que permite utilizar vá-rios resíduos celulósicos (bagaço e palha de cana) para a produção de etanol 2G e de biomassa de levedu-ras (proteína) através de levedulevedu-ras que assimilam de forma bastante eficiente as pentoses (C5 – xilose e arabinose ) e outros açúcares pro-venientes da hidrólise da celulose. São recursos que podem ser utili-zados como “proteína verde” como ingrediente para produção de ração animal.

Esta possibilidade vem ao encon-tro do que tem sido debatido para produção e consumo de alimen-tos mais sustentáveis, no qual se defende a substituição parcial de proteínas animais (carne, pescados e produtos lácteos) por proteínas vegetais nas dietas, resultando em uma demanda por terra e água de três a quatro vezes menor, o que favoreceria a disponibilidade de alimentos para o incremento da po-pulação previsto para 2050.

Outra vantagem é que esta tecno-logia pode ser instalada em qual-quer parte do mundo, utilizando resíduos agrícolas/celulósicos, inte-grando a produção de um combus-tível limpo e renovável (etanol 2G) com a produção de proteínas.

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3- ETANOL DE MILHO (Starch-Cane®)

Tecnologia desenvolvida pela Fer-mentec utilizando o reciclo de leve-duras, a qual permite fermentações muito mais rápidas e eficientes se comparadas as tecnologias tradi-cionais. Quando integrada a uma usina existente de etanol de cana, torna-se ainda mais viável e de menor capex / opex, já que grande parte das instalações é aproveitada. Além disso, a tecnologia permite a sustentabilidade econômica (elimi-na a ociosidade da entressafra da cana e gera receita o ano todo) e também ambiental, pois não é gera-da vinhaça neste processo. A vinha-ça é concentrada e vai compor a ra-ção DDGS. O processo utiliza muito menos água se comparada à cana, já que praticamente toda água ge-rada (condensados e flegmaça) são reutilizadas no processo. A água é somente utilizada para “make up” das torres de resfriamento, contri-buindo para a gestão hídrica. O consumo de vapor também é re-duzido através da integração ener-gética entre as plantas.

Outra vantagem da tecnologia StarchCane® permite a produção de levedura seca (e demais produ-tos, como parede celular, extrato, e levedura hidrolisada), agregando muito mais valor aos coprodutos. 4- BIOGÁS DE VINHAÇA Na produção de etanol de cana ocorre uma diversidade nas carac-terísticas das vinhaças produzidas entre cada unidade processadora. Variáveis como mix de produção

( vinhaça somente de mostos de caldo de cana, mistura de caldo e mel, e somente melaço), concentra-ções de sulfito em função do tipo de açúcar produzido (branco, VHP, VVHP), concentrações de cálcio na fabricação do açúcar, impure-zas sólidas presentes na vinhaça, e também resíduos de antibióticos provenientes da fermentação e que acompanham a vinhaça a ser biodi-gerida.

Desta forma, a Fermentec une sua expertise na condução de proces-sos de açúcar e etanol para entre-gar a vinhaça nas melhores caracte-rísticas a serem biodigeridas.

Para a tecnologia de biogás pro-priamente dita, contamos com a parceria da empresa Paques, líder em tratamento de efluentes que possui diversas plantas instaladas em todo o mundo.

Consequentemente, temos um pacote completo de soluções (Fer-mentec/Paques) para o aproveita-mento da vinhaça e torta de filtro e assim aumentar a produção na relação entre energia produzida/ hectare de cana, melhorando o uso da terra. Ainda na sustentabilida-de econômica, além sustentabilida-de gerar mais receita com a venda de energia proveniente do biogás, se integra-do a uma usina que processa cana e milho, a mesma pode consumir o biogás e queimar o mesmo nas cal-deiras durante a safra e economi-zar bagaço para ser consumido na entressafra da cana para produzir o etanol de milho. É um casamento perfeito, do ponto de vista ambien-tal, social e econômico.

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RATING E A

SUSTENTABILIDADE

O rating industrial do BENRI foi cria-do para ajudar o desenvolvimento cria-dos seus clientes, visando uma melhoria contínua de seus processos operacio-nais e risco do negócio. Tudo isso pode ser traduzido como otimização na utili-zação de recursos, tanto naturais quan-to insumos. O sucesso do programa RenovaBio e a consequente expansão do mercado de CBios estão fazendo com que as usinas tenham cada vez mais um foco maior nos dados. Um bom exemplo disso é o uso racional dos resíduos na lavoura.

Os resíduos industriais adequadamen-te manejados, ou seja, utilizados como fertilizantes, são capazes de alcançar praticamente a totalidade da área agricultável de uma unidade sucroener-gética, trazendo além de um retorno financeiro significativo, incrementos na produtividade agrícola e na qualidade da matéria-prima. Esse uso racional

também amplia a oferta de CBIOs pelas unidades, uma vez que di-minui a utilização de fertilizantes químicos de base nitrogenada. Atualmente, o setor está aplican-do cada vez mais os conceitos acadêmicos para o uso racional dos resíduos industriais, cujo a uti-lização é economicamente viável. Equipamentos agrícolas mais ade-quados e eficientes também estão possibilitando a aplicação dos resíduos de maneira equalitária na cultura canavieira, sejam adubos naturais ou químicos.

Hoje, as unidades sucroenergéti-cas possuem verdadeiras “fábri-cas de adubo organomineral” nos seus pátios de compostagem, que estão cada vez mais automatiza-dos, que contam com formula-ções de compostagem especificas para serem utilizadas tanto no plantio quanto nas soqueiras. Em relação aos resíduos líquidos, a água residuária na irrigação dos canaviais ganha ainda mais impor-tância na lavoura em períodos de elevado déficit hídrico, como tem ocorrido nas últimas safras. Já a utilização racional da vinhaça, via aplicação localizada, tem crescido

Por Otávio Tufi e Luiz Ferreira da Sil-va (Kiko) do BENRI

exponencialmente nos últimos anos, o que vem aumentando a abrangência da aplicação deste resíduo em áreas distan-tes das indústrias e, o mais importante, com viabilidade econômica.

Como funciona o monitoramento de safra?

O monitoramento de safra é uma fer-ramenta que fornece para a unidade produtora ou para o produtor indepen-dente de cana-de-açúcar, uma previsão da estimativa inicial da safra. É feito um acompanhamento da aderência desta estimativa com a colheita realizada em cada momento da safra, e o faltante a ser realizado no seu decorrer. Trata-se de uma ferramenta fundamental para identificar todos os riscos que possam interferir no rendimento da safra, per-mitindo assim a agilidade na tomada de providências com o objetivo de minimi-zar os riscos.

Com a da avaliação de fotos de satéli-te (NDVI), juntamensatéli-te com os cálculos que utilizarão os índices dos históricos de produtividades agrícolas totais e por cortes das últimas cinco safras, com as suas respectivas áreas de abrangência e também com o histórico climático da região em estudo, o BENRI fornece a expectativa de produtividade inicial e monitorará a safra no seu transcorrer mensurando a aderência entre a estima-tiva inicial e a estimaestima-tiva realizada e a restante.

Com as incertezas climáticas cada vez maiores, uma ferramenta como esta, que quantifica e monitora o volume de cana de açúcar disponível para a mo-agem da usina, se torna cada vez mais imprescindível para o acompanhamento do planejamento agroindustrial e sua aderência com o departamento comer-cial da unidade, visando mitigar pre-juízos decorrentes da não entrega de produtos contratados.

É mais uma ferramenta do BENRI à disposição dos seus clientes, que já dis-põem do pré-rating, do rating operacio-nal agrícola e industrial, Farol de Custos e Certificadora do RenovaBio.

Trabalho na prática

O processo do rating em resumo é a avaliação das operações, verificação

dos dados e sua determinação, com a finalidade de validar o rating, que nada mais é do que uma foto do pro-cesso operacional. Com as informa-ções e dados obtidos nas auditorias, é estabelecida uma nota baseada na comparação com a tecnologia exis-tente (curva). Importante disser que está nota é relativa, ou seja, a curva de corte varia de uma safra para outra dependendo das condições especifi-cas da safra.

O procedimento do BENRI para vali-dar as informações é feito através de visitas técnicas e de avaliação e tra-tamento dos dados que são enviados mensalmente para o BENRI. São mais de 100 KPI’s enviados mensalmente, que são tratados e validados pelos técnicos, pois as informações têm que ter coerência entre si. Por isso, são avaliados mais de 100 KPI’s para dar nota em 14.

Como aplicar está avaliação na me-lhoria do processo industrial? A diversificação dos KPI’s permite uma avaliação de todo o processo de produção. Com base nestas informa-ções é possível definir os setores que necessitam de melhorias e mais aten-ção, pois a quantidade de informação contida nos relatórios de rating dá uma visão dos pontos que devem ter maior atenção. Dentro disso, existem ações operacionais e situações que exigem investimentos. Como os KPI’s avaliados têm pesos distintos, basea-dos na sua relevância para a eficiência do processo, são eleitas as priorida-des que trarão subsídios ao plano de ação de investimentos. É importante ressaltar que o rating é uma ferramen-ta de auxílio e não uma sugestão de mudança, isto deve ser definido pela gestão da empresa o rating é um indi-cador das prioridades.

Todas estas práticas abordadas levam à direção de uso racional de recursos, que tem relação direta com os crité-rios das empresas ESG. É um caminho sem volta para as usinas que têm o objetivo de serem ainda mais eficien-tes e sustentáveis.

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RENOVABIO COMO REFERÊNCIA

DE EFICIÊNCIA AMBIENTAL

“O RenovaBio é a iniciativa voluntária de

maior sucesso no Brasil para envolver as

usinas na cultura ESG”

Por Thierry Couto do BENRI

As crescentes preocupações com as mudanças climáticas e com as demais causas socioambientais têm feito o ter-mo ESG (ambiental, social e governan-ça em inglês) ganhar cada vez mais es-paço na mídia e no mundo empresarial. Progressivamente, mais empresas têm procurado maneiras não só de melhorar suas práticas e políticas sob a ótica de ESG como também de divulgar e de ser reconhecida por elas. Nesse sentido, têm surgido cada vez mais certificações e avaliações de ESG para diversos tipos de setores.

No Brasil, falando especificamente so-bre o setor sucroenergético, o progra-ma RenovaBio tem proporcionado par-te desse reconhecimento, através dos CBIOS, e ainda tem se mostrado como uma grande vitrine de eficiência am-biental para as unidades que participam do programa. Segundo dados da ANP,

do dia 26 de junho de 2021 existiam 249 unidades produtoras de etanol hidrata-do certificadas no programa RenovaBio, número bastante significativo em ção a outras iniciativas voluntárias rela-cionadas à emissão de gases de efeito estufa (GEE) e demais aspectos socio-ambientais. O padrão Bonsucro, por exemplo, na mesma data apresentava 73 unidades certificadas. Essa grande quantidade de unidades adeptas ao RenovaBio garante maior divulgação de boas práticas pelas usinas participantes e, consequentemente, maior reconheci-mento delas pelas partes interessadas. Na prática, a nota de eficiência energé-tico-ambiental avaliada no programa leva em consideração, além das eficiên-cias operacionais das unidades avalia-das, a intensidade de carbono da pro-dução de biocombustível das mesmas, de modo que é possível inferir quais

unidades, do ponto de vista de emissão de GEE, mais contribuem, relativamen-te, para a descarbonização da matriz energética brasileira.

Das 249 unidades certificadas, a maio-ria delas (55%) apresenta uma nota superior à média do programa de 59,92 gCO2eq/MJ. Se classificarmos essas unidades em 12 intervalos de nota de eficiência, conforme a Figura 1 abaixo, podemos perceber que apenas sete unidades, isto é, cerca de 3%, estão entre as mais eficientes com uma nota superior à 68,72 gCO2eq/MJ.

Não há dúvidas de que as unidades

com as maiores notas no RenovaBio são relativamente mais eficientes que as outras nos aspectos ambientais e operacionais, considerados no progra-ma. Traçando o perfil dessas unidades, notamos que elas usam os insumos de forma mais eficiente e dão preferência aos menos danosos ao meio ambiente. Para exemplificar, mantendo a eficiên-cia operacional contínua, uma redução no uso de fertilizantes sintéticos ou do consumo de diesel na fase agrícola entre 10 e 15%, eleva a nota de eficiência energética de até 2%. Como, de acordo com a Figura 1, as diferenças entre as notas das unidades são percentualmen-te pequenas, são essas reduções ou

substituições de insumos que separam as unidades mais eficientes, energetica-mente e ambientalenergetica-mente falando, das demais unidades.

Além disso, outro fator fundamental do programa, relacionado à nota de efici-ência energético-ambiental, que distin-gue as usinas mais eficientes das outras, é o controle dos dados de produção, tanto de biomassa própria, quanto de fornecedores. A diferença na nota uti-lizando o perfil de dados primários em vez de dados padrão pode chegar em mais de 25%.

Nesse sentido, reconhecendo esses fatos e com o intuito de incentivar

o aumento da eficiência do setor de biocombustíveis, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) criou, neste ano, uma linha de crédito especí-fica para o RenovaBio, cujas condições estão atreladas, justamente, ao aumen-to na nota de eficiência das unidades solicitantes e certificadas no programa. Sendo assim, a participação no pro-grama RenovaBio permite às unidades certificadas não só o reconhecimento pela redução das emissões de GEE, através dos créditos de carbono e linhas de financiamento, mas também que elas comprovem e nivelem os seus compromissos socioambientais junto à sociedade.

Figura 1: Histograma das notas de eficiência ener-gético-ambiental de etanol hidratado no programa Re-novaBio. Fonte: dados da ANP e elaboração do autor.

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MEDIÇÃO DO RENDIMENTO

GERAL DA DESTILARIA:

GRANDES TECNOLOGIAS,

GRANDES RESPONSABILIDADES

“A quantificação do RGD ainda é um gargalo para muitas usinas. Negligenciar o RGD pode representar um grande prejuízo na produção de etanol.”

O RGD tem também uma forte relação com as perdas indeter-minadas. É a partir dele que cal-culamos a perda na destilaria no balanço de açúcares. Se levarmos em conta o mix médio de pro-dução dos clientes nesse mesmo

benchmarking, de 52,56%, para cada 1p.p. de erro no RGD, tive-mos um impacto de 0,47p.p. na grandeza da perda indetermina-da.

Então, como medir corretamente o RGD?

Como podemos ver, o primei-ro componente da fórmula é o etanol produzido que deve ser transformado em etanol isento de água, também conhecido como etanol 100%. O cálculo é simples: basta multiplicar o volume de etanol pelo grau alcoólico obtido pelos equipamentos já citados. A medição do etanol produzido é importantíssima e pode ser feita por tanques medidores (Tanqui-nhos medidores), medição direta-mente nos tanques de estocagem de produção ou armazenagem de etanol ou ainda utilizando o me-didor de vazão mássico, ou Co-riolis, que pode ser aplicado para a medição do etanol produzido. O mosto é uma mistura

açucara-da que será fermentaaçucara-da. Sendo assim, os açúcares do mosto se-rão convertidos em etanol pelas leveduras e, para obtermos resul-tados fidedignos referentes ao mosto, precisamos estar atentos à coleta dessa amostra, ou seja, devemos levar em conta cuida-dos quanto à proporcionalidade e conservação da amostra. Além disso, a determinação dos açú-cares totais desse mosto é muito importante.

Quanto à obtenção do volume do mosto, podemos realizá-la de for-ma direta ou indireta. Quando fa-lamos em medição direta, enten-da-se uso de medidores de vazão, seja eletromagnético ou mássico, este último também é conhecido Sejam bem-vindos ao mundo

das eficiências industriais, mais especificamente, às eficiências da fermentação! Você vai tirar todas as suas dúvidas sobre as etapas e possibilidades de me-dição desse importante proces-so industrial, levando em conta a sistemática com utilização de volumes.

Esse assunto é muito quente. Só para se ter uma ideia, 40% dos clientes da Fermentec apre-sentaram dificuldades com a medição de volumes, amostra-gem ou análises e consequente-mente tiveram impacto em seus resultados e cálculos do Ren-dimento Geral da Destilaria, o famoso RGD.

Por Armando Gameiro Júnior, Paulo R. Vilela e Eder Silvestrini da Fermentec

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como Coriolis. A medição indireta para o volume de mosto é dada pela diferença entre os volumes de vinho bruto ao final da fer-mentação e os volumes de leve-do trataleve-do. Esse processo pode ser realizado medindo-se o es-paço vazio ou cheio de todas as dornas e cubas processadas seja com mangueiras, réguas e câme-ras, com transmissores de nível ou outras tecnologias.

O primeiro cuidado com a medi-ção indireta, é saber da existên-cia de um fenômeno conhecido como “contração de volumes”. Esse fenômeno ocorre pela pro-dução e liberação de CO2, que corresponde a 48% da massa de açúcares do mosto e por intera-ções moleculares entre a água e o etanol formado durante a fer-mentação que irão diminuir o vo-lume inicial da mistura de mosto e levedo tratado.

Esse ponto já foi estudado e há uma regressão baseada no teor alcoólico do vinho para adequar o cálculo do volume de mosto. Outro ponto importante é a me-dição do espaço vazio de dornas e cubas, tal determinação pode ser feita por trena ou mangueiras de níveis nas laterais de dornas e cubas.

Com a utilização de dornas e cubas fechadas, a trena entrou em desuso. As mangueiras e ré-guas de nível atendem a neces-sidade de medição, tendo como ponto negativo a manutenção das mangueiras e câmeras filmadoras,

já que as dornas aumentaram de tamanho.

Concluindo, temos que estar atentos a três pontos importan-tes:

1) Medição correta do volume de mosto, seja de forma direta ou indireta e considerando o uso das tecnologias disponíveis;

2) Determinação correta do açú-car total do mosto. Nesse caso, é imprescindível o uso da cromato-grafia entre outros cuidados com a amostragem;

3) Quantificação do etanol pro-duzido.

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SUSTENTABILIDADE DO LABORATÓRIO

EM SINTONIA COM A ORGANIZAÇÃO ESG

das usinas, alinhados às políti-cas de sustentabilidade, devem também inserir em seus proces-sos práticas de sustentabilidade. Apesar de terem baixo impacto de poluição, não podem ado-tar uma postura de incoerência quanto à questão dos resíduos gerados. Ademais, a adoção de práticas sustentáveis impacta não só o meio-ambiente, mas também a saúde dos analistas, que serão menos expostos a reagentes tóxi-cos.

Assim sendo, o objetivo deste trabalho é apresentar estratégias e tecnologias que podem ser em-pregadas nos processos analíticos de forma a transformar as ativida-des do laboratório em processos mais sustentáveis e ainda pro-mover uma maior salubridade do ambiente laboratorial.

Como promover a sustentabili-dade no laboratório de análises químicas?

Como já mencionado anterior-mente, os laboratórios de análises químicas das usinas, seja o indus-trial ou de matéria-prima, não são grandes produtores de resíduos

Apesar de antigo, o conceito ESG, sigla em inglês de Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Go-vernança, em tradução) vem se desta-cando mais fortemente como proposta ao enfrentamento da crise sanitária e da maior consciência socioambiental dos consumidores/investidores. Assim, as empresas veem o alcance da susten-tabilidade, por meio da governança so-cioambiental, uma forma de impactar os seus negócios. Organizações com um forte compromisso com a susten-tabilidade têm melhor desempenho ao longo do tempo, visto que possuem uma marca mais forte, padrões de con-troles mais rígidos e maior atratividade por investidores.

A adoção dos pilares ESG por uma organização resulta de um esforço de todos os colaboradores e de todas as áreas. Neste sentido, os laboratórios Por Eduardo Borges da Fermentec

perigosos. Contudo, independente do volume gerado, toda organização deve ter um plano eficiente de geren-ciamento de resíduos com armazena-mento e destino final ambientalmente adequados. Além disso, mais impor-tante que apenas gerenciar, é redu-zir as fontes de geração de resíduos. Indo ao encontro da “Agenda 2030” das Organizações das Nações Unidas [NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2021], cuja uma das metas é “reduzir substancial-mente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso, até 2030”.

Neste contexto, mediante ao uso de tecnologias mais facilmente disponí-veis nos dias de hoje, junto à preven-ção de desperdícios, é possível reduzir significativamente a produção de resí-duos de laboratório com as seguintes estratégias.

Redução do número de análises reali-zadas pelo laboratório

A função primordial do laboratório in-dustrial é gerar informações que serão utilizadas pelos processos de produ-ção para a melhoria das eficiências, diminuição das perdas e melhoria de qualidade dos produtos. Se o resulta-do de uma análise não entrega valor para o processo, ela não deve ser rea-lizada, caso contrário estamos desper-diçando recursos e gerando poluição desnecessariamente.

Neste sentido, o laboratório, junto com os gestores dos processos devem ava-liar cuidadosamente as necessidades analíticas, de forma a realizar apenas as mais importantes. Ou seja, “Medir o que deve ser medido”.

A otimização de análises dentro do processo de produção do açúcar e etanol deve ser avaliada por alguns dos questionamentos: Qual a real necessidade de se realizar uma deter-minada análise? Com que frequência essa análise me possibilita uma toma-da de ação no processo de produção? Qual o histórico do desempenho ope-racional de um determinado setor do processo de produção?

É importante ressaltar que a noção de valor e necessidade analítica é dinâmi-ca, o que era importante no passado

pode não ser hoje. Assim, as neces-sidades analíticas devem ser periodi-camente revistas com o objetivo de fazer apenas o que é importante para a usina e assim, consequentemente, gerar menos resíduos.

Eliminação do uso de papel mediante ao emprego de softwares de geren-ciamento de informações de labora-tório (LIMS)

Uma das maiores limitações dos la-boratórios industriais é ainda a neces-sidade de transcrever manualmente os resultados obtidos nas análises, no sistema gerencial da usina (GPI). Hoje em dia perde-se muito tempo nes-ta atividade, além de ser passível de erros. Atualmente existem SISTEMAS DE GERENCIAMENTO DE INFORMA-ÇÕES DO LABORATORIO (LIMS) os quais coletam automaticamente os re-sultados dos equipamentos e inserem no sistema gerencial. Com isso além de agilizar esta atividade do laborató-rio, o sistema diminui a ocorrência de erros de digitação e permite a dispo-nibilidade imediata dos resultados aos interessados.

Nos laboratórios de PCTS esta ques-tão é mais avançada, mas no laborató-rio industrial é raro ver usinas empre-gando este tipo de tecnologia. Além das vantagens técnicas comentadas acima, estes tipos de sistemas permi-tem eliminar completamente os for-mulários em papel, contribuindo assim para a sustentabilidade das operações do laboratório.

Uso de equipamentos automáticos de análises para reduzir consumo de reagentes

As determinações espectrofotométri-cas como sílica, fósforo etc., podem ser realizadas com o uso de analisa-dores discretos automáticos. Estes tipos de equipamento tem um grande potencial de automação das análises laboratoriais com a vantagem de uti-lizarem uma quantidade significativa-mente menor de reagentes. Enquanto a determinação de fosfato em mosto, por exemplo, pode produzir aproxi-madamente 300 mL de resíduo por análise, no equipamento automático, por usar reagentes na ordem de µL, a geração de resíduos será 100 vezes

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menor, proporcionando uma economia financeira com a aquisição de reagen-tes e com o destino adequado dos re-síduos. Consequentemente, o impacto ambiental gerado pelo laboratório vai ser consideravelmente menor. Outro exemplo seria a determinação de bai-xas concentrações de sílica utilizando kits de análises. Mesmo nestes casos a geração de resíduos pode ser 50 vezes menor com a utilização de equi-pamentos automáticos.

Uso da cromatografia para eliminar a geração de resíduos tóxicos da análi-se de ART por Eynon-lane e Somogy e Nelson

O monitoramento da concentração do açúcar da cana, mosto e das perdas na fabricação de açúcar e produção de álcool é extremamente importante para controlar os processos, medir as eficiências industriais e corrigir fa-lhas operacionais. Em muitas usinas e destilarias a determinação de açúcares ainda é realizada com o emprego do método de Eynon-Lane e/ou Somo-gyi-Nelson, que utilizam íons de cobre em seus reagentes. Apesar desses métodos terem servido bem a indús-tria sucroenergética, eles geram muito resíduos, que devem ter seu destino adequado.

Só com a análise de cana do digestor e mosto pelo método de Eynon-La-ne, uma usina pode gerar na safra até 4000 L de resíduos contendo cobre (contabilizando gasto com reagentes, ácido e água para limpeza da cela de reação). Isto representa um gasto de aproximadamente R$21.000,00, con-siderando o preço praticado pelas empresas de tratamento de resíduo de laboratório.

Desta forma, para evitar a produção destes resíduos, muitas usinas estão utilizando o HPLC com detector de índice de refração, que tem apenas água como eluente e que consequen-temente produzirá apenas água como resíduo. Mesmo com a utilização do cromatógrafo iônico, que utiliza NaOH

0,15 M como eluente, a produção de resíduo vai ser muito inferior durante a safra, de apenas 280 L/safra.

Ainda como vantagem desta técnica analítica, deve-se destacar o seu alto nível de automação e obtenção de resultados mais confiáveis, pois não sofre a interferência de substâncias infermentescíveis como no caso das análises de Eynon-Lane e Somogyi e Nelson.

Emprego da técnica NIR para reduzir a geração de resíduos nos laborató-rios de PCTS e industrial

NIR é a sigla em inglês para infraver-melho próximo (Near Infra-Red), que é a radiação eletromagnética com com-primento de onda de 780 a 2500 nm. Como a radiação NIR é absorvida pe-las molécupe-las orgânicas, esta técnica é uma poderosa ferramenta para quan-tificação de substâncias em matrizes complexas. A técnica NIR apresenta como vantagem a possibilidade de determinação de multicomponentes em matrizes complexas de uma só vez e em um curto espaço de tempo. Adi-cionalmente, as análises realizadas por este tipo de equipamento não utilizam reagente. Portanto, têm emissão zero de resíduos.

Contudo, vale ressaltar que a elimi-nação de resíduos não é 100%. Isto porque o NIR é uma técnica analítica secundária, assim é necessário fazer periodicamente, por meios de técnicas tradicionais, uma verificação dos re-sultados para assegurar que os resul-tados obtidos são confiáveis. Porém, mesmo com a necessidade das aná-lises de verificação, a diminuição da geração de resíduo é de aproximada-mente 80%.

Um cliente da Fermentec que proces-sa mais de cinco milhões de toneladas de cana por safra, pioneiro em usos de tecnologias analíticas, conseguiu diminuir o consumo de clarificante para análises de POL da cana de 727 kg por safra para apenas 152 kg com o

emprego da tecnologia NIR no labora-tório de PCTS.

Também no laboratório industrial a técnica pode ser empregada para substituir as análises tradicionais com o objetivo de diminuir o tempo de análises, custos com reagentes e gera-ção de resíduos. Em um trabalho rea-lizado com amostras de 14 usinas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Tocantins, Beletti [2021] mostrou a viabilidade da análise de açúcar utilizando uma calibração glo-bal. Em aproximadamente um minuto foi possível analisar POL, Cor ICUMSA, cinzas e umidade do açúcar com erros semelhantes aos métodos tradicionais sem a necessidade de gasto de rea-gente. Apesar de ainda ser necessário a realização das análises de forma tradicional pelo menos uma vez por turno, a diminuição da geração de resíduos é significativa com o empre-go do NIR. Vale ressaltar que o NIR pode ser aplicado para diversos tipos de amostras das usinas. Também, caso seja necessário, é possível aumentar consideravelmente o número de aná-lises realizadas sem que isto implique em aumento de geração de resíduo. Interessante ressaltar que a tecnologia não está limitada ao laboratório. Equi-pamentos de processos podem ser instalados nas esteiras e tubulações e fazer as análises em linha e em tempo real, tornando o equipamento ideal para o conceito da USINA 4.0. Considerações finais

O descarte correto de resíduos de la-boratório não afeta diretamente a qua-lidade dos resultados analíticos, con-tudo ele faz parte das boas práticas de laboratório e deve obedecer aos regulamentos nacionais sobre saúde e segurança, ou meio ambiente [CITAC/ EURACHEM, 2016]. Assim, mesmo que a geração de resíduos de laboratório seja relativamente pequena, deve-se cuidar para que eles tenham um des-tino apropriado. Mantendo assim a sintonia com a direção de uma

orga-nização comprometida com os pilares ESG, mas principalmente em sintonia com o meio ambiente. Neste sentido, tendo em vista o conceito de melhoria contínua e as metas da Agenda 2030 é necessário diminuir drasticamente ou eliminar a geração de resíduos do laboratório. Antigamente isto era mais difícil por questões de custo ou tecno-logia e por isso muitas vezes negligen-ciado. Porém, em face da tecnologia mais acessível hoje em dia, com sof-twares e equipamentos mais moder-nos, é possível planejar e executar esta ação de sustentabilidade com maior facilidade.

Referências Bibliográficas

Beletti, D.R. UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS ES-PECTROANALÍTICAS PARA AVALIAÇÃO DE AÇÚCAR DE CANA-DE-AÇÚCAR. 2021. Dis-sertação de mestrado, Universidade Federal de São Carlos, Programa de Pós-Graduação em Química. São Carlos – SP. 96p.

COOPERATION ON INTERNATIONAL TRACE-ABILITY IN ANALYTICAL CHEMISTRY e EURA-CHEM - CITAC/Eurachem., Quality in Analyti-cal Chemistry – An Aid to Accreditation, 2016. Disponível em: <https://www.eurachem.org/ index.php/publications/guides/qa>. Acesso em 25/06/2021.

NAÇÕES UNIDAS BRASIL.. Objetivo de De-senvolvimento Sustentável 12: Consumo e produção responsáveis, 2021 Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/12>. Acesso em 25/06/2021.

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“ Na indústria, a combinação de gestão e

dados permite uma inédita rapidez na tomada

de decisão.”

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A remuneração é que deter-mina a prioridade da cana entrada para a produção de açúcar ou etanol nas usinas, que sofre influência da ofer-ta e demanda (chuvas, esto-ques internacionais, varia-ções no consumo), mercado (câmbio, preço do petróleo, bolsa de valores) e capa-cidade de flexibilização da produção industrial

(equi-pamentos, disponibilidade, processos). Este dinamismo do mercado e a capacidade das indústrias de flexibilizar a produção ficam demons-trados quando observado o ART DA CANA ENSACADO dos clientes Fermentec nas quatro safras mais recentes, com variações que ultrapas-sam 20%.

Por Fernando Henrique Carvalho Giometti da Fermentec

ESTRATÉGIAS DE

FERMENTAÇÃO COM

DADOS EM TEMPO REAL

Virar a chave do mix de produção exige que as usinas realizem ajustes operacio-nais para garantir manutenção da eficiên-cia industrial e tomem decisões quanto ao volume de trabalho das dornas de fermentação, tempo das etapas de fer-mentação, vazões, entre outros.

Caracterizando o problema

Direcionar menos cana entrada para a destilaria sem alterar a configuração da fermentação pode aumentar significa-tivamente o tempo entre o final da fer-mentação e o início da centrifugação, causando diversos problemas na ativida-de da levedura como queda da viabilida-de e aumento da autólise celular, prolife-ração bacteriana, entre outros.

Figura 1. ART da cana ensacado nas quatro últimas safras. Fonte: Ben-chmarking Fermentec.

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GAOA – a inteligência artificial da Fermentec

A Fermentec implementa o diagrama de ocupação personalizado em seus clientes des-de 2011, o que permitiu des-desenvolver e aprimorar as estratégias des-de fermentação. O gran-de avanço atual diz respeito ao avanço das tecnologias gran-de informação e comunicação (TIC) que permitem integrar as redes de TI e TA aos sistemas especialistas, favorecendo os algoritmos de otimização.

Atualmente, o sistema está absorvendo mais de 200 variáveis de processo em tempo real e devolvendo os principais pontos de controle:

- Volume útil de dorna. Tempos: o Enchimento o Fermentação o Centrifugação o Limpeza o Transferência

- Volume de vinho para as centrífugas. - Vazão de vinho bruto para as centrífu-gas.

- Volume útil da cuba.

- Vazão de creme de levedo.

- Vazão de água de diluição. - Vazão de ácido sulfúrico.

- Vazão de água para recuperação do CO2.

Análises estatísticas são utilizadas para correlacionar cada variável contra todas as outras, identificando rapidamente padrões consistentes e gerando mapas de performance. Novos modelos e regras operacionais já estão melhorando os sistemas de controle, reduzindo custos e CAPEX e delineando novas políticas operacionais.

Definindo as estratégias de fermentação As estratégias operacionais de fermen-tação são definidas por meio de balanço de massa, cinética da levedura e equi-pamentos industriais, garantindo vazão constante e ininterrupta de mosto para as dornas e vinho para os aparelhos e também o menor tempo que a levedura fique exposta aos fatores estressantes do final da fermentação (ausência de subs-trato e acidez e teor alcoólico elevado). Um diagrama de ocupação bem elabo-rado é uma ferramenta importantíssima para garantir operações padronizadas, sequenciais, sem sobreposições ou inter-rupções.

Para a definição das melhores estraté-gias, alguns fatores são importantes: Tempo de fermentação

- O tempo de fermentação deve ser lon-go o suficiente para a levedura consumir todo o açúcar do meio, entretanto com o menor tempo de espera possível para centrifugar. O tempo de espera é dado pela repetição do brix até o início da cen-trifugação.

Tempo de alimentação

- O tempo de alimentação ideal varia conforme a capacidade dos

equipamen-tos de resfriamento da fermentação, cinética da levedura e característica do mosto.

- Volume de cuba ideal varia conforme característica da matéria-prima e respos-ta da levedura.

- Consumo de ácido varia conforme ca-racterística da matéria-prima, contamina-ção bacteriana e % levedo.

- A vazão de água para o sistema de recuperação do CO2 varia conforme a produção de etanol, a temperatura e teor alcoólico da fermentação.

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SUSTENTABILIDADE DAS

FERMENTAÇÕES COM ALTO TEOR

ALCOÓLICO

O aumento do teor

al-coólico na

fermenta-ção, leva a redução na

produção de vinhaça

pelas usinas, que além

de beneficiar o meio

ambiente ainda reduz

custos para as usinas

porque impacta toda

sua cadeia de

fertirri-gação.

Uma das premissas básicas do de-senvolvimento sustentável baseia--se em atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações com relação a três dimensões: econômica, ambiental e social. Dentro deste conceito, vemos be-nefícios importantes de se elevar o teor alcoólico das fermentações, dentre os quais se destacam:

• Redução na captação e o

consumo de água na fermenta-ção;

• Redução no consumo de

insumos na fermentação;

• Redução no gasto de

ener-gia e vapor na destilação;

• Redução do consumo de

diesel no transporte e aplicação da vinhaça no campo;

• Redução do impacto da

vinhaça sobre as comunidades. As fermentações com alto teor alcoólico dependem de um con-junto de práticas e técnicas que permitem elevar o teor alcoólico,

Por Mário Lúcio Lopes da Fermentec

reduzir os volumes de vinho a serem destilados e de vinhaça, que fica mais concentrada em potássio e outros nutrientes importantes para o desen-volvimento da cana-de-açúcar. Atualmente, as destilarias brasileiras trabalham com teores alcoólicos en-tre 8,0 e 8,5% o que representa um volume de 12 L de vinhaça por L de etanol produzido, enquanto os clientes Fermentec trabalharam em 2020 com uma média de safra de 9,24% no teor alcoólico, gerando 10,7 L de vinhaça por L de etanol produzido.

Como os clientes Fermentec produ-ziram 5,5 bilhões de L de etanol em 2020, temos uma redução de 7,15 bilhões de L de vinhaça em relação à média das destilarias brasileiras. Uma das formas de aumentar o teor alcoóli-co e gerar menos vinhaça é diminuir o volume do pé-de-cuba das fermenta-ções. Dessa forma, também estaremos reduzindo o volume de água captada. Ou seja, dependemos menos da utili-zação de recursos naturais.

Outro ponto importante é que ao se trabalhar com teores alcoólicos mais elevados também podemos reduzir o consumo de vapor na destilaria e ter um balanço mais favorável quanto ao uso de bagaço para cogeração, espe-cialmente em tempos de crise hídrica no setor elétrico. Por sua vez, as fer-mentações com alto teor alcoólico permitem reduzir o volume da vinhaça que segue para os concentradores. Ou seja, a medida em que aumentamos o teor alcoólico das fermentações, redu-zimos o volume de vinhaça e o inves-timento em concentradores. De outro lado, quanto menor o teor alcoólico, maior o volume de vinhaça a concen-trar e maiores serão os investimentos em concentradores de vinhaça.

Para as usinas que ainda não possuem concentradores, a vinhaça é levada ao campo por canais, tubulações ou de caminhão. Muitas usinas dependem do

transporte por caminhão, o que eleva seus custos com o consumo de diesel e as emissões de carbono a partir do uso de um combustível não renovável. A vinhaça mais concentrada em nitro-gênio e potássio possibilita aumentar o raio econômico de distribuição no canavial, reduzir o consumo de fertili-zantes e melhorar os índices em rela-ção ao RenovaBio.

As reduções no volume de vinhaça, consumo de diesel e de fertilizantes impactam na intensidade de carbo-no e aumentam a carbo-nota de eficiência energético-ambiental da usina. Em relação à dimensão social, muitas usinas se desenvolveram próximas de comunidades e povoados, ou então, as cidades foram crescendo ao re-dor do campo e destas empresas. Ao gerar um volume menor de vinhaça, as usinas podem transportá-la para áre-as mais distantes, mitigando possíveis riscos à saúde e contribuindo com o bem-estar das comunidades do seu entorno.

É importante destacar que para estas comunidades as usinas representam um verdadeiro oásis de oportunidades e benefícios sociais (segurança, saúde, educação e emprego). Isso acontece em muitas regiões deste país, princi-palmente em municípios que têm sua economia sustentada pelas usinas. Ao elevar o teor alcoólico das fermenta-ções e diminuir o volume de vinhaça podemos reduzir o impacto ambiental, os custos de produção e contribuir para a sustentabilidade econômica das usinas, seja para as gerações atuais ou futuras.

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OPORTUNIDADES NA

PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E NA

QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA

“Desafio é equilibrar a busca por aumento na produ-ção com limitações do processo que podem levar à destruição de açúcar e problemas na fermentação”

O mercado do açúcar tem se consolidado muito favoravel-mente às usinas, pois os pre-ços do produto vêm

aumen-tando consideravelmente nos últimos 12 meses e estão em patamar muito satisfatórios.

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Por Dinailson Corrêa Campos da Fermentec

Com isso é natural que as usi-nas tentem alcançar a maior produção possível de açúcar. É importante lembrar que a maior ou menor recuperação na fábri-ca de açúfábri-car (SJM – sugar jui-ce molasses, parâmetro usado na recuperação de fábrica) vai depender não só da eficiência dos equipamentos e processos da indústria, mas também das características da matéria-prima que chega à usina.

E o desafio é justamente bus-carmos o ponto de equilíbrio entre a necessidade de produzir o máximo de açúcar (questões comerciais) e as características da matéria-prima, principalmen-te no início da safra. “Forçar” o processo para aumentar a pro-dução pode levar à destruição de açúcar na fábrica e isso afeta a eficiência da usina como um todo. Isso porque a destruição de açúcar eleva a acidez do mel final que será usado na fermen-tação podendo afetar a ef iciên-cia da destilaria.

A tabela a seguir mostra alguns exemplos de como as caracte-rísticas da matéria-prima afeta-ram a indústria:

Podemos ver que os níveis de AR mais elevados e o aumen-to dos níveis de amido fizeram com que a unidade tivesse mui-ta dificuldade para buscar a mesma recuperação de fábrica da safra passada. O resultado disso foi a maior acidez do mel da fábrica, evidenciando maior destruição de açúcar, como de-monstra o índice de monitora-mento da fábrica.

O gráfico a seguir demonstra como foi a recuperação da fá-brica no início dessa safra em relação à passada. Podemos ver que a pureza do xarope tem efeito direto sobre essa recupe-ração.

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Na tabela a seguir vemos a evo-lução das características da ma-téria-prima ao longo dos meses e como a busca por SJM mais elevado acabou por aumentar a

acidez do mel, o que evidencia a destruição de açúcar, já que tivemos também aumento da pureza do mel final

Como dito anteriormente, o desafio é conciliar a parte co-mercial com os procedimentos operacionais, levando sempre em consideração as

caracterís-ticas da cana, para que o setor industrial não acabe sendo pe-nalizado pela eficiência técnica, quando a usina está atingindo uma ótima eficiência econômica.

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VANTAGENS E BENEFÍCIOS? • Automação do Laboratório • Auto Diluição e Auto Calibração • Mínimo Uso de Reagentes • Baixo Custo de Análises

• Mínima Produção de Resíduos • Resultados Mais Confiáveis • Alta Produtividade

• Parâmetros Simultâneos

PRINCIPAIS AMOSTRAS PARA USINAS: Águas Industriais, Águas de Caldeira, Água desmineralizada, Água Potável, etc PRINCIPAIS ANÁLISES PARA USINAS: Sílica, Dureza, Ferro, Fosfato, Cloreto, Alcalinidade, etc

ANALISADOR DISCRETO SEAL AQ400: Oferecemos para nossos clientes o

melhor Analisador Discreto do Mercado desenhado por químicos para químicos: SEAL AQ400. Maior velocidade, capa-cidade, flexibilidade e repodutibilidade para suas análises.

O QUE É UM ANALISADOR DISCRETO? Um Analisador Discreto automatiza completamente seus métodos manuais de química úmida, imitando a operação de um laboratório químico e adicionando a capacidade de medir vários analitos simultaneamente.

COMO FUNCIONA UM ANALISADOR DISCRETO?

Um braço robótico de amos-tragem funciona em conjun-to com uma seringa moconjun-to- moto-rizada que é responsável pela aspiração, distribuição e precisa mistura de quanti-dade de amostra e reagente em tubos de ensaio miniatu-rizados.

A amostra e os reagentes são incubados e aquecidos até a reação ser completada. Uma única alíquota é então transferida para uma cube-ta e sua absorbância é lida através de um fotômetro.

Cada amostra é lida na mesma posição em frente ao detector, similar aos sistemas de fluxo colorimétrico, conhecidos por sua alta reprodutibilidade e menores limites de detecção. Isso elimina as questões de variabilidade e desvios encon-trados em sistemas discretos de leitura direta. Após a leitura da absorbância, a cubeta é limpa e verificada garantindo que não haja contaminação cruzada.

Ideal para laboratórios que requerem altos níveis de automação, uma ampla gama de produtos químicos e limites de detecção que garantem a

conformidade com os requisitos regulamentares.

ANALISADOR

DISCRETO

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BRAY

VÁLVULA DE BLOQUEIO

PARA ÁGUA DE FULIGEM

Um dos principais problemas para as usinas de açúcar e etanol é o controle de partículas solidas e temperatura dos gases incompensáveis descarregados na atmosfera pelas cha-minés das caldeiras após a queima do combustível.

Em Caldeiras que utilizam combustíveis orgânicos como o bagaço de cana de açúcar, é comum observar o acúmulo de partículas sólidas na fumaça das chaminés, e para mini-mizar esse fato, é instalado um sistema de lavador de gases (fig. 1 ).

Esse equipamento utiliza-se de água para reduzir a temperatura da fumaça bem como forçar a decantação das partículas solidas tais como areia, fuligem e bagaço, sendo necessário drenar a mas-sa formada pela decantação.

A Bray Controls Brasil, vendo a necessidade de melhoria desse processo, desenvolveu para aplicação em Água de Fuligem no Lavador de Gases ( Fig. 1 ), uma válvula diferenciada e com garan-tia de durabilidade e performance, pois a água de fuligem contém aproximadamente 20.000 ppm de partículas em suspensão, o que ocasiona uma erosão no disco de Aço Inox. Para isso, de-senvolvemos junto aos nossos clientes e principais fabricantes de caldeira ligados ao segmento de Usinas, a válvula Série 30 ( fig. 2 ) com disco em Aço Inox com Tratamento Específico e sede curada com Peróxido de Hidrogênio para suportar tal abrasividade.

Para qualquer necessidade, a Bray tem a solução.

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