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Hortic. bras., v. 30, n. 2, (Suplemento - CD Rom), julho 2012 S 3751

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Descrição morfológica de três variedades de mandioca da região

Sudoeste da Bahia.

Paula Acácia S Ramos1; Anselmo Eloy S Viana2; Tocio Sediyama1; Fernando Luiz Finger1; Sânzio Mollica Vidigal3.

1Pós-doutoranda UFV/CNPq – Universidade Federal de Viçosa – Departamento de Fitotecnia. Avenida

P.H. Rolfs s/n, CEP: 36570-000 – Viçosa- MG, Brasil; 2UESB– Universidade Estadual do Sudoeste da

Bahia – Departamento de Fitotecnia e Zootecnia. Caixa postal 95, CEP: 45083-900 –Vitória da Conquista- BA; 3EPAMIG-CTZM, Vila Gianetti, n. 46, CEP: 36570-000- Viçosa-MG,

[email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected].

RESUMO

Vários são os problemas enfrentados pela cultura da mandioca, podendo destacar, a realização inadequada ou a falta de práticas culturais, e a falta de material de plantio de boa qualidade em quantidades adequadas. Assim, a caracterização morfológica proporciona a identificação das variedades de mandioca, e a possível utilização do material em programas de melhoramento. Este trabalho teve por objetivo avaliar características morfológicas de três variedades de mandioca, das localidades de Vitória da Conquista e Candido Sales, para futura seleção daqueles genótipos adaptados às condições ambientais do Planalto de Conquista, BA. Os experimentos foram instalados em blocos casualizados, com três tratamentos e duas repetições (localidades). Os tratamentos constaram das variedades Sergipe, Pacaré e Platinão. A caracterização morfológica das folhas e pecíolos foi feita em plantas com idade de oito meses. A caracterização de caule foi realizada próximo à colheita e a de raízes ocorreu durante a mesma. As características foram avaliadas de acordo com os descritores para Manihot esculenta Crantz: descritores mínimos, principais, secundários e descritores agronômicos preliminares. Há grande variação fenotípica entre as variedades de mandioca, fato que sugere a existência de variabilidade genética. As características avaliadas que mais contribuíram para a distinção entre as variedades de mandioca foram cor do pecíolo, cor do córtex e cor externa do caule, cor externa da raiz, cor do córtex e cor da polpa da raiz, cor da folha desenvolvida, proeminência das cicatrizes foliares, hábito de ramificação e tipo de planta. As características avaliadas que menos contribuíram para a distinção entre as variedades foram: forma do lóbulo central, presença de pedúnculo nas raízes, textura da epiderme da raiz número de lóbulos, hábito de crescimento de caule, constrições das raízes, cor da nervura, posição do pecíolo.

PALAVRAS-CHAVE: Manihot esculenta Crantz, descritores morfológicos,

melhoramento.

ABSTRACT

Morphological description of three cassava varieties in the southwestern region of Bahia.

There are several problems faced by the cassava crop, with emphasis, conducting inadequate or lack of cultural practices, and lack of planting material of good quality in adequate amounts. Thus, the morphological characterization provides the identification of varieties of cassava, and the possible use of the material in breeding programs. This work aimed to evaluate the morphological characteristics of three varieties of cassava, the towns of Vitoria da Conquista and Candido Sales for future selection of those genotypes adapted to the environmental conditions of the Plateau de Conquista, BA.

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The experiments were randomized blocks with three treatments and two replications (sites). The treatments consisted of varieties Sergipe, and Pacaré Platinão. Morphological characterization of the leaves and petioles was made in plants aged eight months. The characterization was performed near the stem and root crop occurred during the same. The characteristics were evaluated according to the descriptors for Manihot esculenta Crantz: minimum descriptors, major, minor and preliminary agronomic traits. There is great phenotypic variation among the varieties of cassava, which suggests the existence of genetic variability. The evaluated characteristics that contributed most to the distinction between the varieties of cassava were the color of the petiole, color of the cortex and external color of the stem, root external color, color of the cortex and flesh color of the root, leaf color developed, prominence of leaf scars, branching habit and plant type. The evaluated characteristics that less contributed to the distinction between the varieties were shape of the central lobe, the presence of stem roots, texture of the epidermis of the root number of lobes, growth habit, stem, roots constrictions, color rib position petiole.

Keywords: Manihot esculenta Crantz, morphological traits, breeding.

A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é uma heliófila perene, pertencente à família das Euforbiáceas. É extensivamente cultivada em regiões tropicais e subtropicais, sendo a principal fonte de carboidratos diária nos países da América Central, Ásia e África (Carvalho et al., 1985). No Brasil o cultivo é caracterizado por plantações em pequena escala, basicamente de subsistência nas regiões Nordeste e Norte, e de grande escala nas regiões Sul e Centro-oeste. A comercialização é feita na forma de raízes inteiras com casca (in natura), apenas descascada e lavada, congelada, cozida ou pré-cozida (Bezerra et al., 2002; Ribeiro et al., 2005), e de produtos derivados como farinha, polvilho entre outros. Tradicionalmente, a produção de mandioca da Região Nordeste é orientada para a produção de farinha, a qual é realizada em indústrias de processamento denominadas “casas de farinha”. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as raízes têm mais usos, incluindo a produção de fécula (Almeida, 2006).

A diversidade genética da mandioca existente no Brasil representa ampla base para programas de melhoramento nos trópicos, por concentrar genes que conferem resistência às principais pragas e doenças que afetam o cultivo, além de adaptação a diferentes condições edafoclimáticas (Fukuda et al., 2003). Dentre as diversas possibilidades de aumentar o rendimento da cultura da mandioca, destaca-se o melhoramento da planta. Uma variedade que seja resistente a pragas e doenças e que tenha alto potencial de rendimento sob condições de estresse poderia ser a forma mais

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sistema produtivo por contribuir com incrementos significativos de produtividade, sem implicar em custos adicionais de produção, o que facilita a sua adoção, especialmente, por parte dos produtores de baixa renda, mais comuns nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil (Fukuda, 2003). Sob o ponto de vista agrícola, as etnovariedades, variedades locais, ou "folk varieties", representam recursos genéticos agrícolas que vêm sendo coletados e utilizados pelos centros de germoplasma e conservados de forma ex situ (Cock & Lynam, 1982).

Vários são os problemas enfrentados por esta cultura, podendo destacar, além dos problemas de mercado, a falta de variedades adaptadas às diferentes condições de cultivo, a realização inadequada ou a falta de práticas culturais, e da falta de material de plantio de boa qualidade em quantidades adequadas (Dantas et al., 1981; Mattos, 1993; Souza, 1993).

A caracterização morfológica proporciona a identificação das variedades de mandioca, o intercâmbio de germoplasma, a determinação da divergência genética e a possível utilização do material em programas de melhoramento (Fukuda et al., 2003), o que se faz necessária como forma de orientar pesquisadores e produtores sobre o potencial de cada variedade e auxiliar na tomada de decisão de qual material utilizar, de acordo com a finalidade desejada.

Este trabalho teve por objetivo avaliar características morfológicas de três variedades de mandioca, das localidades de Vitória da Conquista e Candido Sales, para futura seleção daqueles genótipos adaptados às condições ambientais do Planalto de Conquista, BA.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em dois municípios da Bahia, um em Vitória da Conquista, na Área Experimental da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); outro no município de Cândido Sales. No decorrer do experimento, os tratos culturais consistiram basicamente de capina manual e controle de formigas, feitos sempre que necessário.

Os tratamentos constaram das variedades Sergipe, Pacaré e Platinão, utilizadas regionalmente. Foram coletados dados necessários à caracterização morfológica das variedades, utilizando dez plantas por bloco. A caracterização morfológica das folhas e

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pecíolos foi feita em plantas com idade de oito meses. A caracterização de caule foi realizada próximo à colheita e a de raízes ocorreu durante a mesma.

As características foram avaliadas de acordo com os descritores para Manihot esculenta Crantz, segundo Fukuda & Guevara (1998), com algumas modificações. Foram avaliados os descritores mínimos, principais, secundários e descritores agronômicos preliminares.

Os dados experimentais seguiram análise descritiva.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A caracterização morfológica das variedades de mandioca visa basicamente a diferenciação fenotípica entre as mesmas, contribuindo para reduzirem-se as duplicações. Já os descritores agronômicos tratam de caracteres com baixa herdabilidade, embora mais importantes sob o ponto de vista econômico Fukuda & Guevara (1998). Há grande variação fenotípica entre as variedades de mandioca, fato que sugere a existência de variabilidade genética.

A variedade Sergipe foi classificada como planta do tipo cilíndrica com ramificações tricotômica, apresenta cicatrizes foliares proeminentes, sendo verde-escuro a cor da folha desenvolvida e vermelho a do pecíolo. A cor do córtex e a cor externa do caule são verde-claro e marrom-claro. As plantas apresentam raízes com e sem pedúnculo, com pouca ou nenhuma constrição e forma irregular. São raízes de cor marrom claro, com o córtex branco ou creme e a polpa de cor branca (Tabela 1).

Platinão foi classificada como, planta do tipo cilíndrica com ramificações dicotômica, apresenta cicatrizes foliares proeminentes, sendo verde-escuro a cor da folha desenvolvida e verde avermelhado a do pecíolo. A cor do córtex e a cor externa do caule são verde-claro e prateado. As plantas apresentam raízes com e sem pedúnculo, com pouca ou nenhuma constrição e forma cônica cilíndrica. São raízes de cor externa e cor do córtex branco ou creme, e cor da polpa branca (Tabela 1).

A variedade Pacaré ficou classificada como uma planta do tipo compacta com ramificações dicotômica e sem cicatrizes foliares proeminentes. Apresentam folhas desenvolvidas com cores verde-claro e pecíolo roxo. A cor do córtex e a cor externa do caule são verde-escuro e marrom-escuro. As plantas têm raízes com e sem pedúnculo

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com pouca ou nenhuma constrição e forma cônico-cilíndrica. São raízes de cor marrom claro, com córtex amarelo e a polpa de cor creme (Tabela 1).

CONCLUSÕES

As características avaliadas que mais contribuíram para a distinção entre as variedades de mandioca foram cor do pecíolo, cor do córtex e cor externa do caule, cor externa da raiz, cor do córtex e cor da polpa da raiz, cor da folha desenvolvida, proeminência das cicatrizes foliares, hábito de ramificação e tipo de planta.

As características avaliadas que menos contribuíram para a distinção entre as variedades foram: forma do lóbulo central, presença de pedúnculo nas raízes, textura da epiderme da raiz, número de lóbulos, hábito de crescimento de caule, constrições das raízes, cor da nervura, posição do pecíolo.

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq pela bolsa de pós-doutorado e a FAPEMIG pelo recurso financeiro.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA de CO; LEDO CA da S. 2006. Perspectivas de crescimento da demanda. In: Aspectos Socioeconômicos e Agronômicos da Mandioca. Embrapa, Cruz das Almas, Bahia. 1 Ed, cap. 3, p. 71-90.

BEZERRA VS; PEREIRA RGF A; CARVALHO V D; VILELA E R. 2002. Raízes de Mandioca Minimamente Processadas: Efeito do Branqueamento na Qualidade e na Conservação. Ciência Agrotecnologia, 26: 564-575.

CARVALHO V D de; CHALFOUN SM; JUSTE JÚNIOR ESG. 1985. Métodos de armazenamento na conservação de raízes de mandioca: I. efeito da embalagem de polietileno e serragem úmida associada a tratamentos químicos na deterioração pós-colheita e qualidade das raízes. Revista Brasileira de Mandioca, Cruz das Almas. 4:79-85.

COCK JH; LYNAM JK. 1982. Potencial futuro e investigacion necesaria para el incremento de la yuca. In: CENTRO INTERNACIONAL DE AGRICULTURA TROPICAL. Yuca: investigación, produccion y utilizacion. Cali: CIAT, p.1-25. DANTAS JLL; et al. 1979. Cultivo da mandioca. Cruz das Almas: Embrapa/CNPMF,

1981. (Circular técnica, 7/81). EMBRAPA. Manual de métodos de análises de solos. Rio de Janeiro: CNPS.

FUKUDA WMG; CAVALCANTI J; FUKUDA C; COSTA IRS. 2012. Variabilidade genética e melhoramento da mandioca (Manihot esculenta Crantz). Recursos genéticos e melhoramento de plantas para o Nordeste Brasileiro. Disponível em http://www. cpatsa.embrapa.br/livrorg/mandioca Acesso em: 10 novembro. 2012.

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FUKUDA WMG; GUEVARA CL. 1998. Descritores morfológicos e agronômicos para a caracterização de mandioca (Manihot esculenta Crantz). Cruz das Almas, BA: EMBRAPA- CNPMF, p. 37.

MATTOS PLP. 1993. Desenvolvimento tecnológico para a cultura da mandioca. Cruz das Almas: EMBRAPA/CNPMF. p,51.

SOUZA AS. 1993. Seleção e preparo do material de plantio. In: Embrapa: Instruções práticas para o cultivo da mandioca. Cruz das Almas: EMBRAPA/CNPMF. p 42-52. RIBEIRO RA; FINGER FL; PUIATTI M; CASALI VWD. 2005. Chilling injury sensitivity in arracacha (Arracacia xanthorrhiza) roots. Tropical Science:45,55-57.

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Tabela 1. Características dos Descritores Principais, Secundário e Agronômicos

Preliminares de três variedades de mandioca, referentes aos experimentos conduzidos nos municípios de Vitória da Conquista e Cândido Sales. (Key Features of Descriptors, Secondary and Preliminary Agronomic three cassava varieties, referring to the experiments conducted in the cities of Vitória and Candido Sales)

Características Sergipe Platinão Pacaré

Cor da folha desenvolvida Verde escuro Verde escuro Verde claro

Cor da folha apical Verde escuro Verde arroxeado Verde arroxeado

Pubescência do broto apical Ausente Ausente Ausente

Forma do lóbulo central Elíptico-lanceolada Lanceolada Oblongo-lanceolada

Cor do pecíolo Vermelho Verde avermelhado Roxo

Cor do córtex do caule Verde claro Verde claro Verde escuro

Cor externa do caule Marrom claro Prateado Marrom escuro

Comprimento da filotaxia(cm) Curto (< 8) Médio (8-15) Curto (< 8)

Presença de pedúnculo Mista Mista Mista

Cor externa da raiz Marrom Claro Branco ou creme Marrom Claro

Cor do córtex da raiz Branco ou creme Branco ou creme Amarelo

Cor da polpa da raiz Branca Branca Amarelo

Textura da epiderme da raiz Rugosa Lisa Rugosa

Cor da folha desenvolvida Verde escuro Verde escuro Verde claro

Número de lóbulos Sete lóbulos Sete lóbulos Cinco lóbulos

Cor da epiderme do caule Marrom claro Marrom claro Marrom escuro

Hábito de crescimento de

caule Reto Reto Reto

Cor dos ramos terminais Verde Verde Verde-arroxeado

Constrições da raiz Pouca ou nenhuma Pouca ou nenhuma Pouca ou nenhuma

Cor da nervura Verde Verde vermelho em Verde com

menos da metade do lóbulo

Posição do pecíolo Horizontal Irregular Irregular

Cicatriz foliar Proeminente Proeminente Sem proeminência

Forma da raiz Irregular Cônica cilíndrica Cônica cilíndrica

Destaque da película da raiz Difícil Difícil Difícil

Destaque do córtex da raiz Fácil Difícil Difícil

Ramificação Tricotômico Dicotômico Ereto

Referências

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