Em Torno do Avigoramento
dos Modernos Executivos
Gilberto Freyre Sociólogo, escritor e professor universitário
Um processo so cia l, tão atuante nos Estados U nidos com o na Europa e noutras partes do m undo de hoje, vem , revoluciona- riam ente ou e v o lu cio n a ria m e n te , fazendo d e c lin a r re g im e s p re d o m inan tem ente p arlam enta res e, ao m esm o tem po, grande m ente dependentes de p a rtid o s apenas p o lític o s e de rito s de dem ocracia co n ve n cio n a lm e n te e le ito ra l; e fazendo e m e rg ir, ou re s s u rg ir, sob c o lo rid o s novos, e sob vá ria s fo rm a s, um poder ou um e xe cu tivo p o lític o -a d m in is tra tiv o com o que s o c io lo g ic a m ente m onarquizado. Estam os d ia n te de e x e c u tiv o s lim ita d o s , em seu c re sce n te poder, m enos pela vontade pre d o m in a n te de m aiorias parla m e n ta re s ou de m a io ria s m aciçam ente e le ito ra is , que por o u tro s fa to re s : um deles, a fo rça , tam bém ascendente, de elites de assessores c ie n tífic o s , té c n ic o s , c u ltu ra is do tip o dos, nos dias do segundo R oosevelt — um dos p io n e iro s desse novo tip o de poder — denom inados “ braln t r u s t s ” nos Estados U nidos; dos M in is té rio s de C u ltu ra e do de Inform ação, do atual tip o fra n cê s; dos assessores econôm ico s que c o n s titu e m quase m in is té rio s , e até s u p e rm in is té rio s além dos m in is té rio s apenas p o lític o s , em R epúblicas com o a Federal da A lem anha — um dos quais passou, em m om ento c rític o na vid a alem ã, dessa alta cate g o ria à de líd e r p o lític o ; e dos grupos de a ssessores, p e rito s em fís ic a n u cle a r e em a stro n á u tica que, na U nião S o v ié tic a de hoje, detêm já notável p a rticip a çã o no poder p o lít ic o - m ilit a r __ ali, desde Lenine, m onarquizado em e xtre m o , esse excesso, te n do perdurado in ta c to até K ru tch e v — que alguns e s tu d io so s do assunto considera m já su p e rio r, sob alguns a spectos, ao do Par tid o C o m unista e ao do cham ado E xército V e rm e lh o . S up e rio re s
com o fo rça de direção nacional ou im p e ria l, inseparável da do m onarca propriam en te m onárquico, em te rm o s socio ló g ico s, ali tão e fe tiv o : m esm o agora, após Krutchev.
Fique claro que há m odernas tendências, por um lado, para uma com o que monarquização — m onarquização com o form a so cio ló g ica e não com o fig u ra ortodoxa de D ire ito Público — do poder e xecutivo, ta n to p o lític o com o a d m in is tra tiv o , e, por outro lado, para a sua personalização em chefes, ca rism á tico ou não, mas sem pre pessoais, no e xe rcício desse poder. Poder que os seus de te n to re s exercem , id e n tifica n d o suas personalidades com a função e com o essencial das constantes e das aspirações da gente a que serve. Isto sem e xcluir-se a in telectu alização e a tecnização de parte do m esm o poder, através de assessoram en- tos de crescente im portância que, aliás, se façam s e n tir não só ju n to aos e xecutivos assim dinam izados com o ju n to a le g is la ti vos e ju d ic iá rio s igualm ente necessitados de uma m ais ampla in fo rm á tica .
O que se v e rific a , porém , é que esse assessoram ento, atra vés dos o rientad ores e co n su lto re s de m aior ou m enor in flu ê n cia ju n to a esses chefes, “ m onarquizados” , de m odernos exe cu tivo s, fazendo-se s e n tir em assuntos c ie n tífic o s e té cn ico s de governo, de adm inistração, de diplom acia — assuntos re la cio nados p rin cip a lm e n te com o dese n vo lvim e n to e a segurança nacionais — - em palidece d istin çõ e s, o u tro ra tão vivas, e n tre ca te g o ria s p o lític a s e não-políticas de poder. Se não destroem no poder p o lític o o que nele é e ssencialm e nte p o lític o , com o poder d e cisivo e, portanto, m áxim o — o poder d e cisivo que tende a ser, agora, em alguns países, sob aspecto so cio lo g ica m e n te mo- narquizado, além de personalizado, em vez de palidam ente su bordinado ao le g is la tiv o e de cinzentam ente im pessoal, tendem tam bém a m oderar paradoxalm ente esse poder. Não, porém , ao ponto de reduzi-lo a puro poder su p e rb u ro crá tico . Pois seu p ri mado com o poder de decisão é parte de sua com o que m onar quização.
Já vários p o lític o s m odernos, d e te n to re s de funções exe cutivas, vêm agindo de acordo com assessores; in te le c tu a is que representassem um novo poder, m oderador ou o rie n ta d o r ou esclareced or do apenas p o lític o . A ndré M alraux, por exem plo, em suas relações com De G aulle, que sirva de exem plo recente. Ao tom arem decisões aparentem ente só p o lític a s , ou só econô m icas ou só in te le ctu a is, mas na verdade, algum as delas, além
de p o lític a s ou p o litico e co n ô m ica s ou p o litic o m ilita re s ou poli- tic o a d m in is tra tiv a s , com plexam en te s o c io c u ltu ra is , vá rio s p o lí tic o s m odernos têm se v a lid o de in fo rm e s, o rie n ta çõ e s e in sp ira ções de superassesso res: de vá rio s e não de um s ó . O Premier Harold W ilson — tam bém ele, durante algum tem po, um a seu modo chefe “ m o n á rq u ico ", ainda que Trabalhista, do Reino U ni do, havendo quem considere um m oderno Premier b ritâ n ic o , com o d e c lín io do poder do Parlam ento na Grã-Bretanha, re la tiv a m ente mais “ m o n á rq u ico ", no e xe rc íc io de suas funções de che fia. do que o Presidente dos Estados U nidos, com relação ao C ongresso — in clu sive o Senado — teve a assessorá-lo, com o utros hom ens de ciência, o sábio C. P. Snow, fís ic o e hum anista, do m esm o modo que De G aulle se v a le ria do já citado M alraux;' e na mesma época em que o P residente Johnson, dos Estados u nid o s, firm ava-se, para sua p o lític a inte rn a cio n a l, p rin c ip a l m ente em o rientaçõ es e in fo rm e s de o u tro in te le c tu a l de grande Porte, W a lt W hitm an Rostov, de quem é sucessor o P rofessor Henry K issinger, já agora S e cre tá rio de Estado.
Todas estas m odernas expressões de e xe cu tivo s vig o ro so s assessorados, o rientad os, escla re cid o s, inform ados por in te le c tu a is — cie n tis ta s , sábios, té cn ico s e até e s c rito re s (o caso de M a ira u xl — de a lto porte, se apresentam cada vez m ais seme- m antes umas às outras, pela sua m aneira de serem os chefes ^neres de Estado, de fe itio s o cio lo g ica m e n te m onárquico mo- oerados no seu poder pela in flu ê n cia daqueles superassesso res que Junt0 a ta js “ m o n a rca s” , representa m o poder da inteligê
n-da ciência, do saber de cre sce n te im p o rtâ n cia na tra n siçã o «o que no mundo de hoje é apenas m oderno para o pósm oderno « pena s — e este apenas é im p o rta n te — m a io r e m ais atuante F ^ ° rret,V0 9 c’ ualcl uer tendência, e n tre os m odernos chefes de estado, ao cesarism o clássico, à m edida que cre sce a importân-
13 aos assessores desse tip o su p e rio r.
Em países onde as elites de c o n su lto re s são elites p re s tig io sas — exceção fe ita da Rússia S o vié tica , onde som ente as
entes de fís ic o s nucleares d e sfru ta m desse p r e s t íg io __a p a rti cipação de pensadores e c ie n tis ta s so cia is no poder p o lític o vem se fazendo s e n tir, ju n to com a de o u tro s in d ivíd u o s s u p e rio re s Pela in te lig ê n c ia e pelo saber, em vá ria s especialidades, de mo- ao a im p e d ir qualqu er cesarism o absoluto , da parte do poder apenas p o lític o ou som ente a d m in is tra tiv o . Fenôm eno que o co r re na própria União S o vié tica com a in flu ê n cia atual, sobre seus cnefes p o lític o s e m ilita re s , de c ie n tis ta s fís ic o s .
Nada de resvalarm os no s im p lism o de considera rm o s go vernos excepcionalm ente in ve stid o s de funções com o que m o nárquicas, na sua m aneira sociológ ica de ser, não sim p le s po deres executivos, mas poderes decisivos, que devessem ser sem pre considerados “ governos re a cio n á rio s", isto é, d e te n to res de grande poder p o lític o anim ados do e xclu sivo o b je tiv o de co n tra ria re m inovações, renovações, mudanças, revoluções. A tra vé s de alguns deles é que grandes reform as sociais, das chamadas p rogressivas e até revolucion árias, têm sido realiza das, ou estão sendo realizadas, em nossa época, para satisfação de populações nacionais num erosas. São populações, essas, nos países em d esenvo lvim ento, bem m ais desejosas de tais reform as do que de serem ajustadas a m odelos suíços ou escan dinavos ou ianques de dem ocracia p o lític a em te rm o s ideal m ente e le ito ra is ou idealm ente parlam entares. M odelos, alguns deles, grandem ente prejudicados por aquela corrução p o lític o - a d m in istra tiva de que o Brasil, com a tra d içã o , que guarda, do poder m onárquico no seu sen tid o lite ra l, tem , nessa tradição, fo rte reserva contra o perigo de resvalar, sem c o rre tiv o s , em extrem os que degradariam , à som bra do avigoram ento dos exe cu tivo s, sua p o lític a e sua adm inistração.
u Se o triu n fo de um regim e que se in titu le “ p ro g re s s is ta ” é o “ pressuposto para com preender, em extensão considerá vel, os o b je tivo s de d e s e n v o lv im e n to ” , tal com o hoje se com preen de d esenvo lvim ento — te cn o ló g ico , econôm ico, social — as sunto que vem versado numa das páginas do meu recém-apare- cido: A lém do Apenas M oderno — a que se re fe re o P rofessor Richard Loew enthal, em recente e notável estudo de Sociologia da P olítica: as conferências que p ro fe riu em 1962 na U n iv e rs i dade Livre de B erlim e que constam , no o rig in a l alem ão, da obra c o le tiv a Die Demokratie in Wander Gesseischaft (1962) — então tem os que a d m itir a correlação entre os regim es de chefia pes soal e sociolog icam ente “ m o n á rq u ica ” , que sejam tam bém aten tos aos problem as m ilita re s da época que atravessam os — e não lirica m e n te p a c ifis ta s por purism o c iv ilis ta — e o ê x ito al cançado por esses regim es através de program as nacionais de desenvo lvim ento em prazo re la tiva m e n te rápido. Foi o caso, p io neiro, em nossa época, da Turquia: e vem sendo o caso da Iu goslávia, com o Presidente Tito. O caso do p ró p rio Egito, com o Presidente Nasser. O caso do M éxico, com o regim e de “ par tid o único , que ali dom ina. Regim es que seria s im p lis m o cla s s ific a r de to ta litá rio s à m aneira dos de M u s s o lin i e de H itle r e m esm o do da União S o vié tica quando dom inada por um Lenine,
por um S talin, com K rutchev tendo sido antes um ta n to “ p rín c ip e ” , no m oderno se n tid o so cio ló g ico da expressão, dado por de Jouvenel, do que um puro d ita d o r absoluto. Pois são regim es que correspondem à d e fin içã o de “ p rin c ip a d o ” que B ertrand de Jouvenel oferece, em ensaio, tam bém notável, de S ociolog ia da P olítica, aparecido no n.° 4, de 1964, de Revue Française de
Science Politique, da “ m o n a rq u ia ” em sua fo rm a m oderna com o poder. Poder pessoal, sim , porém regularizado: o tip o de poder estudado em 1961 por Benjam in A kzin, em Futuribles e cita d o por de Jouvenel naquele seu e xcelente ensaio. Num e noutra — no “ p rin c ip a d o ” e na “ m o n a rq u ia ” d e fin id o s tão-som ente so cio lo g ica m e n te — as elites in te le c tu a is , c ie n tífic a s , té cn ica s, as
elites de co n su lto re s de que se cerca todo “ p rin c ip e ” m oderno que seja s o cio lo g ica m e n te p rín cip e , para delas, elites o rie n ta doras, depender, em vá rio s assuntos, até c e rto ponto, e, em al guns desses assuntos, quase de todo, ou m esm o de todo, são consideradas pelos p o litic ó lo g o s e pelos soció lo g o s m odernos, c o rre tiv o s ao que poderia te n d e r ao ce sa rism o c lá ssico entre os m odernos chefes de Estado que exercem m onárquica e, em alguns casos, pessoalm ente — com o foram o caso do segundo Roosevelt, nos Estados U nidos, e o de De G aulle, na França — o poder com o “ p rín c ip e s " no se n tid o Jouveneliano.
Numa época em que, dos p ró p rio s m ilita re s de um novo tip o — e sobre m ilita re s de um novo tip o já há estudos s o c io ló g ico s idoneos — m ais preocupados com problem as nacionais, alguns se m ostram com o que receosos de quanto, em presenças m ilita res no tra to desses problem as, possa parecer m ilitarism o aos olhos de suas com unidades — c e rto com o é que o m oderno co n ce ito de segurança, estudado b rilh a n te m e n te no Brasil pelo P rofessor M á rio Pessoa, é, em parte c o n sid e rá ve l, extram i- lita r — é p re ciso que se acentue a cre sce n te superação, em vários se to re s, da a n títe se m ilita ris m o -c iv ilis m o . O Plano M ar shall fo i bem a p rim e ira grande evidência dessa superação. O governo De G aulle, na França, fo i outra. A in te rve n çã o das For ças A rm adas em 1964 na vida p o lític a do Brasil fo i — ou está sendo — ainda outra.
A expressão criada por Hugh Seton-W atson, no liv ro Neither
War nor Peace — Seton-W atson é tam bém a u to r do e xcelente estudo “ T w e n tie th C e n tu ry R e vo lu tio n s", publica do em 1951, no Political Quarterly, X X II/3 — para ca ra cte riza r um novo tip o de m ilita r que circ u n s tâ n c ia s e s p e cia líssim a s de uma época, Para ele, nem de paz, nem de guerra, porém m ista , com o é a
nossa, tornou necessário, em vários países, é s ig n ific a tiv a , em bora para alguns de nós, não de todo s a tis fa tó ria : "in te le c tu a is em u n ifo rm e ". Seriam in te le c tu a is no sentido, não de serem lite ra to s ou b e le tris ta s , acadêm icos ou e ru d ito s só de gabinete, mas expressões daquela in te lig ê n cia analítica , daquela im agi nação c ie n tífic a , daqueles saberes mais concretos do que abs tra to s, que precisam , atualm ente mais do que nunca, de estarem a se rviço da direção das forças m ilita re s de uma nação ou de um conjunto de nações nas áreas em que essa direção deixa de correspond er ao co n tro le de sim p le s — se é que podem ser considerados sim p le s — recursos te cn o ló g ico s de segurança na cional ou supranacional pelas armas para se relacionarem com aspectos o u tro s — econôm icos, sociais, cu ltu ra is e não apenas p o lític o s e d ip lo m á tico s — daquele tip o novo de segurança. Pa lavra, essa — segurança — que tem um sen tid o a tu a líssim o e, repita-se, em grande parte, e x tra m ilita r, a dinam izá-la de tal m aneira que é com o se fosse uma palavra nascida de novo nos nossos dias. Não se tra ta da arcaica segurança, e stá tica e s im plesm ente m ilita r, mas de outra: dinâm ica e com plexa. Preci samos, em Sociologia, com o noutras ciências m odernas, consi derar a sem ântica: os s ig n ifica d o s novos que estão tom ando palavras clássicas. Segurança é uma dessas palavras.
M onarquização destaque-se de novo que é outra. Quando agora^se fala em Sociologia da P olítica, de “ m onarquização do poder , precisam os nos esquecer do sen tid o clá ssico , h is tó ric o , substancia l, de poder m onárquico; e atentarm os apenas na sua form a sociológ ica. Na sua pura fo rm a sociológ ica.
A “ m onarquização do p o d e r” hoje ocorre ta n to na Europa com o no M éxico, em novas república s africanas e o rie n ta is e nos pró p rio s Estados Unidos, com o novo sentido que ali se está a trib u in d o ao poder presiden cial. O corre — especifiq ue-se — na Á fric a , onde as p rim e ira s te n ta tiv a s de seguirem os novos Estados-nações m odelos franceses e b ritâ n ico s de governo re publicano parlam entar por assem bléias, através de e leiçõe s proclam adas com o d em ocráticas, se sucedem e xp e rim e n to s de novos tip o s de chefia dos m esm os Estados e to d o s eles, ou quase todos, socio lo g ica m e n te m onarquizados e personalizados, em vez de despersonalizado o e xe rc íc io do poder p o lític o . A cen tue-se, considerando-se a im portância da sem ântica, neste com o noutros casos, que é um processo de instauração de tip o s de governo e s tru tu ra lm e n te novo e não de restauração dos antigos tip o s m onárquicos ta n to nas suas substância s com o nas suas
formas clássicas ligadas a essas substâncias. Trata-se tão-so- mente de “ monarquização do poder" como forma: forma socio lógica. Forma sociológica de poder político a serviço da comu nidade; sensível às suas necessidades e às suas aspirações; flexível, ágil, por vezes imediata, no atendimento dessas so lic i tações; sempre atenta a tendências, coletivas ou de subgrupos, dentro de todos nacionais, que inovem com relação a constan tes: constantes sempre merecedoras do máximo de atenção da
parte de governantes pelo que revelará do que, no ethos dos
governados, é ânimo, atitude, ou mesmo inércia: daquelas inér- cias já há sociólogos que sustentam serem, algumas, valiosas. Mais: é passado do denominado útil que uma nação precisa de valorizar, dele separando o inútil. O que, sendo exato, mostra quanto um conjunto nacional precisa de estar sempre em a ti tude de auto-análise; de autodescobrimento; de autoredescobri- mento; de pesquisa de suas fontes e de suas tendências, de suas aspirações e de suas inclinações. A titude que precisa de ser não só a dos modernos Executivos como a dos também em processo de dinamização Poderes Legislativo e Judiciário.
O Professor Loewenthal comenta, a propósito dos chama dos “ intelectuais em uniform e" — para voltarm os a este atualís- simo assunto: a presença do m ilita r intelectualizado no melhor sentido da expressão, nunca no de intelectualism o teórico, abs trato ou aliteratado, nos governos nacionais e em entendim en tos transnacionais ou internacionais — que movim entos revo lucionários de que têm participado decisivamente esses por ele denominados "inte le ctua is em uniform e" é que têm, não defen
dido os chamados interesses estabelecidos, ou o chamado statu
quo, ou as classes intituladas conservadoras, porém derrubado redutos de "parlam entarism o oligárquico" — a expressão é do sociólogo europeu — tendo sido esta, em vários casos, em Países islâm icos e latinoamericanos, a forma pela qual têm chegado ao poder movimentos revolucionários de caráter nacio nalista “ com extrem os programas de desenvolvim ento". De senvolvimento ou modernização — inclusive a econômica e so cialmente democratizante — como foi, na Turquia, a obra realizada por um movimento revolucionário de que participaram decisivamente elementos m ilitares jovens; e cuja chefia tomou a forma sociológica de poder monarquizado e, ao mesmo tempo, Personalizado. Veja-se, sobre o assunto, o estudo de Dankwart A - Ruston, “ The Arm y and the Founding of the Turkish Republic",
E já que estam os nos re fe rin d o à cre sce n te “ m onarquiza ção do poder e x e c u tiv o ” , no O rie n te assim com o no O cidente — onde entraram em cris e ta n to o p a rla m e n ta rism o b ritâ n ico , nas suas expressões convencionais, com o o francês, acentuan do-se dia a dia a tendência, nos p ró p rio s Estados U nidos, para o C ongresso se r m enos assem bléia, pura e sim p le s, do que atuante, com o poder le g is la tiv o , através de com issões té cn ica s assessoradas, várias delas, por c ie n tis ta s sociais e não apenas por econom istas e ju ris ta s ; já que estam os tam bém nos re fe rindo à cre sce n te tendência para as populações nacionais de hoje, sobretudo as das áreas denom inadas subdesenvolvidas, re clam arem re fo rm a s sociais, econôm icas, te cn o ló g ica s, d e s in te ressando-se da dem ocracia p o lític a na sua fo rm a m ecanicam ente e le ito ra l, tão s u s ce tíve l de corrução por m eios p lu to c rá tic o s ou de degradação por m eios dem agógicos — é o p ortuno le m b ra r mos aos atuais d e te n to re s do poder nacional no Brasil as pala vras sábias de Dom João VI ao seu filh o , o então regente Dom Pedro: "A n te s que algum a ve n tu re iro , e tc ” .
A ntes que a “ m onarquização" do poder e xe cu tivo no Brasil venha a se acentuar — sem que im p liq u e no desapa re cim ento de um le g is la tiv o tam bém atuante, ao lado de um igualm en te v ig ila n te ju d ic iá rio — por elem ento s m enos idôneos, que se to rn e m usurpadores desse poder; antes de que as reform as sociais, econôm icas, te cn o ló g ica s, que ainda nos fa lta realizar, sejam realizadas por m eios m enos ajustados às co n sta n te s na cionais de ethos e de cu ltu ra por d e te n to re s do poder, a seu modo m onarquizados, mas d e fic ie n te s no assessoram en to in te le ctu a l, c ie n tífic o , té c n ic o e na v ig ilâ n c ia é tica de que necessi tam ; antes de se v e rific a re m essas e o u tra s inconven iências e até desgraças — que os atuais d irig e n te s b ra s ile iro s , colocados em responsab ilidades de com ando nacional em conseqüência de um m ovim ento re vo lu cio n á rio de opinião apoiado d e c is iv a m ente pelas Forças A rm adas, com o fo i o de 31 de m arço de 1964, as saibam e vita r, em m om ento ju s to .
A im portância que os atuais hom ens de governo já d isp e n sem a superassesso res, a pesquisadores, a a n a lista s da chamada “ realidade n a c io n a l” , sem te r a tin g id o toda a desejáve l a m p li tude, revela que o e xe cu tivo está se avigorando, no B rasil com o noutros países desenvo lvidos e em d e se n vo lvim e n to , com o c o rre tiv o de assessoram entos idôneos a p o ssíve is a rb ítrio s . Si tuo o Brasil e n tre aqueles países nos quais à chamada “ m onar quização do p o d e r” se juntam assessoram en tos de a lto nível
de técnicos, de cientistas, de intelectuais especializados em saberes de importância social — capazes de esclarecer e o ri entar chefes, aos quais é evidente que toca a responsabilidade política das decisões. Decisões, porém, à base de informações, de orientações, de inspirações de assessores que, mestres de vários saberes, sejam colaboradores valiosos dos seus chefes.
Ninguém hoje pensa no que De Gaulle foi como chefe de um moderno tipo sociologicamente monárquico de poder político nacional sem pensar num André Malraux; num Presidente Johnson, sem pensar num Rostov, seu assessor genial; num
Premier W ilson — por algum tempo Premier Trabalhista do
Heino Unido — sem pensar em C. P. Snow; no atual Presidente dos Estados Unidos, sem pensar em Henry Kissinger. E, com relação aos três últim os Presidentes monarquizados, entre nós, nuni Roberto Campos, num Delfim Neto, num Mario Gibson tsarboza. Isto para recordarmos apenas os mais conhecidos ou os mais eminentes desses assessores: esquecendo-nos das mui
tas eminences g rise s"; dos Freis Joses mais cinzentos; dos
sabios que silenciosamente, obscuramente, fornecem a “ monar
cas modernos os elementos de decisão sobre os quais eles
vem agindo, não arbitrariamente, porém, quanto possível obje tivam ente e, em alguns casos, até cientificam ente — embora certas intuições nunca sejam desprezíveis quando vêm do mais P rotundo de vivências nacionais através, em alguns casos de puros ou quase puros poetas ou artistas capazes de interpre tações gemais do que é nacional num Estado-Nação. Para agirem nao demagogicamente e sim, no melhor sentido da expressão democraticamente, isto é, considerando sempre os interesses
u popula<?ão e recolhendo-se, dessa população, suges- «Jes a base de várias experiências ou situações de grupos ou subgrupos, dentre os que constituem o conjunto nacional, os modernos chefes de executivos nacionais precisam de asses sores deste tipo especialíssim o: os que lhes tragam inform es
e genero das próprias fontes folclóricas. Informes e su gestões.
Pois eles precisam de sugestões que se façam sentir, não sob a sim ples pressão, junto a eles, homem governo, de ideo- 'ogias ou de programas por mais merecedores de atenção, de Partidos apenas políticos; nem sob o clamor de m ultidões di rigidas por agitadores apenas retóricos; nem sob imposições de orgaos de imprensa a serviço, por vezes, de grupos econô micos ou expressões de interesses privados contrários, — em
alguns casos — aos gerais, mas que procedam de energias e de atividades nacionais que ultrapassem paixões ou interesses perturbadores dos interesses gerais e que, m esm o quando de origens m odestas, precisam de ser ouvidas e, por vezes, con sideradas. Trata-se de um processo em inente m e nte dem ocrático de ligação de um m oderno poder m onarquizado com a com uni
dade nacional a que procure s e rv ir: com unidade co n stitu íd a por grupos e subgrupos os m ais dive rso s m erecedores de ser ouvidos.
O Estado m oderno, em que o poder seja sociolog icam ente m onárquico, está, por isto mesm o, antes obrigado que d e so b ri gado da responsabilidade de com unicar-se co nstante m e nte, por todos os m eios atuais de inform ação, — aqui entra a im p o rtâ n cia da in fo rm á tica , em geral, quer das pesquisas psico so cia is, sócioeconôm icas, s o c io cu ltu ra is, h is tó ric o s o c ia is , a n tro p o ló g i cas, fo lc ló ric a s , em p a rtic u la r — com os governados. O moderno chefe sociolog icam ente m onarquizado de Estado não é apenas um chefe constante m e nte a inform ar-se sobre os governados. Ele é tam bém im p o rta n tís s im o com o um su p e rin fo rm a n te ; com o um tra n s m is s o r m áxim o de inform ações de in te re sse nacional: com o um o rie n ta d o r da população nacional à base de in fo rm a ções idôneas, honestas, exatas.
Uma das revoluções m odernas te cn o ló g ica s de m aior reper cussão sociológ ica e psico ló g ica no s e to r das relações entre governos e governados é precisam ente esta: a que torna o chefe de governo uma fig u ra d e fic ie n te ou inatual se lhe fa lta m ânim o e qualidades de s u p e rin fo rm a n te da com unidade que go verna. O m oderno chefe de governo, queira ou não queira, pre cisa de se d isp o r a realizar, até ce rto ponto, o d ito a trib u íd o ao rei francês: “ L’Etat c ’est m o i". Ele precisa de se fazer ouvir, em m om entos ju sto s, nos rádios, de se r fo to g ra fa d o nos jo r nais e nas re vista s, de aparecer nas te le v is õ e s , com o a en carnação mesma do Estado que chefia. É o que esperam dele os m odernos governados, seja na Europa, seja na Á fric a , seja nos Estados Unidos, seja no O rie n te , seja na A m é rica do Sul ou na do N orte. É ce rto que na União S o vié tica faz-se atu a l m ente sé rio e sfo rço — parece que não de todo bem sucedido — no sen tid o de contrariar-se essa tendência e de im pedir-se a idealização, pelo seu povo, tra d ic io n a lm e n te inclinad o a cano nizar os líd e re s a que m ais se afeiçoa, de um novo Pedro o Grande ou de um novo Lenine ou de um novo S ta lin ou de um novo K rutchev. O governo seria cinzentam e nte b u ro crá tico ao
mesmo tem po que se cre ta m e n te s u p ra d ita to ria l; e nada — é a te o ria neosovié tica que o diz — personalizado. Será v ito rio s o esse e sfo rço contra o pendor russo para o cham ado “ c u lto do h e ró i" sob fo rm a quase devocional ou m ística ? Provavelm ente não. De qualquer modo é um e xp e rim e n to p o lític o -s o c io ló g ic o dem asiadam ente novo para te r validade c ie n tific a m e n te s o c io ló gica ou p o lític a : uma espécie de rem édio novo, daqueles que os m édicos se recusam a consagrar enquanto os resu lta d o s práticos de sua aplicação não se a firm e m por um prazo c ie n ti fica m e n te válido. Prazo — reconheça-se — d ifíc il de se r d e te r m inado, tratando-se de e xp e rim e n to s que não são de la b o ra tó rio mas de céu aberto.
Com o d ifíc il de se r p re v is to de modo exato, no plano cien- titic o , e o tip o de in d ivíd u o que, sem se r p re cisa m e n te caris- m atico, corresponda, para o e x e rc íc io de poder m onarquizado ao que do d e te n to r de um poder assim fo rte espera a m aioria aa sua gente. De G aulle parece te r chegado a s a tisfa ze r essa expectativa da parte dos franceses m odernos: da m aioria deles A gente b ritâ n ica , desde W in sto n C h u rc h ill, se m o stra um ta n to desencantada de governantes capazes de se r líd e re s mo- narquizados — no se n tid o so cio ló g ic o — no e x e rc íc io das fu n ções de P rim eiro M in is tro de Sua M ajestade, sem deixarem de toao de parecer o rtodoxam e nte p arlam enta res. E ntretanto a a uai crise b ritâ n ica está sendo, ao que parece, vencida, pela sua nova liderança que sendo C onservadora te m , m u ito brita-
cam ente, qualqu er coisa de vangua rd ista.
Há fis io n o m ia s de todo não-m onárquicas do ponto de v is ta aa form a so cio ló g ica de detenção do poder por um indivídu o- torm a hoje re ssu rg e n te de governo — quer de Estado, quer de em presas, de in s titu to s , de un ive rsid a d e s: quer na Europa quer noutras partes do m undo. Parece te r sido esta a grande d e fi ciência de S ir S ta ffo rd C ripps, quando P rim e iro M in is tro do «em o em situação de te r alcançado grandes v itó ria s para a causa T rabalhista encarnada num “ W e lfa re S ta te ” cuja m ís tic a su b s titu ís s e a do então em c ris e Im p é rio B ritâ n ico . Faltou-lhe e n tre ta n to a ação e v ig o r so cio lo g ica m e n te m onárquico com o
personalidade lhe fa lto u carism a. O carism a não é, e n tre ta n to para se r considera do essencial ao m oderno ch e fe de e xe cu tivn vigoroso. Konrsd A denau er não o possuía e fo i um c h e fe dê
O poder sociolog icam ente m onárquico, quer seja na direção de Estado, quer de in s titu iç ã o outra, com plexa — com o igrejas, universidades, in s titu to s — exige — acentue-se mais uma vez — um m aior uso pelos de te n to re s do poder p o lític o ou in s ti tu cio n a l, em modernas sociedades ou organizações, dos m eios mais avançados de inform ação — de in fo rm á tica até — e de com unicação com o público. Exige — repita-se — dos como que m onarcas que, através de te le visõ e s, rádios, fo to g ra fia s, inspirem , em m om entos — repita-se — ju sto s, às populações ou aos grupos sob seu comando, o m áxim o de confiança. Isto, sobretudo: confiança.
Mas o que eles, m odernos chefes de Estado so cio lo g ica m ente m onárquicos, dizem para o público precisa de c o n te r o ri entações e inspirações — acentue-se, além de inform es, que lhe venham , em parte, de assessores s u fic ie n te m e n te idôneos, entre os quais pensadores e cie n tis ta s sociais. Um dos m oder nos destin o s de quantos se preparam em C iências Sociais é o de assessores e consultore s, de d e te n to re s do poder p o lític o ou de equivalente do poder p o lític o . É preciso que haja a rtic u la ção entre os dois: os chefes que inspirem confiança e aqueles assessores e consultore s, em assuntos sociais, em assuntos fís ic o s , em assuntos té cn ico s de várias espécies, que sendo assessores, con su lto re s, o rientad ores da confiança de seus che fes. sejam tam bém homens de pensam ento, de im aginação c ria dora e de estudo nos quais os dem ais possam co n fia r: co n fia r na sua ciência, no seu saber, na sua filo s o fia , na sua poesia, até, de colaboradores essenciais de chefes nacionais capazes de se r executivos ao m esm o tem po re vo lu cio n á rio s e conser vadores. M onarcas aos quais não fa lte aquele e q u ilíb rio , aquela sabedoria de contem porização, aquele senso de oportunidade, aquele m isto de suavidade e de energia dos d irig e n te s verda deiram ente capazes de d irig ir república s, e nrique cidos pelo sa ber e pela in te lig ê n cia dos assessores.
Numa época de superpotê ncias d irig id a s por superpote ntes executivos, com o a u xílio de su pertécnicas, seria ingenuidade que Estados-Nações a cam inho da condição de potências, com o é o Brasil de hoje se deixassem desvia r de seus destin o s, fa- zendo-se frouxas, incertas e ingênuas dem ocracias e le ito ra is e parlam entares de um tip o convencio nalm ente arcaico — pois os le g is la tiv o s estão em fase de tra n sfo rm a çã o — numa repulsa inoportuna aos e xe cu tivo s vig o ro so s nas suas atuações e re a li zações de caráter quer p o lític o , quer a d m in is tra tiv o , além é
claro, de asperamente honestos: de intolerantes, de negocistas e de negociatas: de fechados à advocacia adm inistrativa, seja qual for o seu aspecto ou o seu disfarce. E que, com o auxílio de intelectuais, cientistas, técnicos, sejam governos e adm inis trações assessoradas por grandes inteligências.
Um paradoxo do processo revolucionário que atualmente nos envolve e que traz até nós o futuro ou a ele nos leva de modo por vezes aparentemente mágico é que as aparentes po tências conservadoras são hoje aquelas de onde estão a emer gir algumas das idéias de reorganização adm inistrativa e de re ações do Estado com economias, mais revolucionárias. A in- telectualização dos serviços públicos na França, através da Es cola de Adm inistração Nacional — rival agora da Escola Normal superior, da Politécnica e da Sorbonne — é revolucionária. Revo lucionária é a intelectualização das direções das Forças Arma das nos Estados Unidos que desde Marshall, M inistro das Rela- Çoes Exteriores, colaboram extram ilitarm ente com a orientação da política internacional seguida pelos Presidentes da Grande Hepubhca. Situação a que se assemelha, no essencial, a da par- ticipaçao de m ilitares, no Brasil, em postos de responsabilidade nacional extram ilitar.
As aparentes potências revolucionárias como a União So- V'etica e como, até certo ponto, a China Comunista, de tão em penhadas em se consolidarem como potências m ilitares e in dustriais, rivais das nações mais antigas nesses primados, mos tram-se, paradoxalmente, conservadoras e até, por vezes rea cionárias em seus sistemas adm inistrativos; e nas relações dos seus tipos de Estado to ta litá rio com as populações e dentro
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ethos do b ra s ile iro parecem repugnantes as fo rm a s rig id a m e n te Totalitárias de governo. Mas não lhe repugna, segundo boas evi- aencias, um p re sid e n cia lism o que p e rm ita à nação em desen vo lv im e n to e n fre n ta r de modo in c is iv o problem as de tra n siçã o social, com esse poder p o lític o e xe cu tivo apto a in te rv ir, em m om entos ju s to s , contra abusos de poderes econôm ico s e a tavor da gente m enos capaz de defender-se dessa espécie de abusos, quer quando subnacionais, quer quando antin a cio n a is ^o is nao se acha à v is ta do fu tu ró lo g o um mundo organizado de tal m odo sobre bases in te rn a cio n a is ou de ta l m aneira em correspond ência com idéias supranacionais que a sociedade b ra sile ira possa dar-se ao luxo de d e ixa r de pensar em te rm o s nacionais de econom ia, de p o lític a , de cu ltu ra .
Note-sè que, além dos líd e re s p o lític o s , em presários, indus tria is , líd e re s operários, líderes re lig io so s vêm sendo, entre nós, crescentem en te in telectu alizados, sem que a sua intelec- tualizaç^o s ig n ifiq u e seu dista n cia m e n to de problem as concre tos e de realidades im ediatas. Essa in telectu alização de a tiv i dades denom inadas práticas é provável que, no Brasil, se acen tue nos próxim os decênios. Estamos vivendo dias de intensas expressões, em vá rio s setores, de um processo re v o lu cio n á rio de tra n siçã o cuja intensidade e cuja extensão se apresentam acompanhadas de grandes e rápidas mudanças de ca rá te r não só s o cio cu ltu ra l com o psicosocia l e p s ic o c u ltu ra l, em conse qüência de aplicações de ciência à tecn o lo g ia e da tecnolog ia à vida. V ários os exem plos: a autom atização, o aum ento de m édia de vida, o aum ento de tem po livre . O lazer com seu de safio à im aginação dos novos líderes do Brasil com o de outros países em desenvo lvim ento.
São form as novas de vivê n cia e de convivência b ra s ile ira s à espera de novos m otivos de vida que, juntando-se a alguns dos antigos, terão que v ir, não de té cn ico s nem sequer de cie n tis ta s apenas mas tam bém dos pensadores, dos poetas, dos m ís tic o s , dos a rtista s, dos in te le c tu a is de tip o m enos re a lista ; e tam bém da atualização de heranças c o le tiva s, m ágicas, m í tica s, re lig io sa s, guardadas pelos rú stico s. C am inham os para uma crescente intelectu alização, d ire ta e através de assessores, de lideranças que sejam renovadoras, no e xe rc íc io ta n to de fu n ções le g isla tiva s e ju d ic iá ria s , com o, p rin cip a lm e n te , de e x e c u ti vas. Mas sem que a essa in te le ctu a liza çã o venha a fa lta r a in s piração dessas outras fo n te s de energia nacional, tam bém elas necessárias ao avigoram ento dos exe cu tivo s com que as nações m odernas enfrentam problem as de governo e de adm inistraçã o.