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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.24 número1

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Academic year: 2018

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R e v i s t a d a S o c ie d a d e B r a s i le i r a d e M e d i c in a T r o p ic a l 2 4 ( 1 ) : 6 3 -6 4 , j a n - m a r , 1 9 9 1

CARTA AO ED IT O R

JOSÉ ALUÍSIO BITTENCOURT DA FONSECA

Senhor Editor

Durante a mesa-redonda “ Perspectivas para o

controle da malária no Brasil na década de 90” , do 2 ?

Simpósio de Malária/3? Reunião Nacional dos Pes­ quisadores da Malária, realizado na Universidade de Brasília, de 07 a 11 de outubro de 1990, foi citado o nome do Dr. José Aluisio Bittencourt da Fonseca como um dos principais organizadores do atual pro­ grama de malária do Ministério da Saúde, cujos alicerces encontram-se na extinta Campanha de Erradicação da Malária (CEM).

O Dr. Fonseca foi grande especialista em controle de endemias transmitidas por vetores artró- podos, especialmente malária e doença de Chagas. Unia qualidade de pesquisador, organizador de pro­ gramas e homem de campo. Impressionava a sua energia e extrema dedicação ao trabalho, tendo exer­ cido liderança sobre centenas de malariologistas que integraram o quadro da CEM. Eu encontrava-me entre os seus comandados e a motivação para a malariologia que adquiri naquele tempo, no início dos anos 60, acompanha-me até hoje. Em nome de toda uma geração de especialistas em endemias tomo a liberdade de solicitar a Vossa Senhoria a permissão para, através desta conceituada revista, prestar uma homenagem ao insigne especialista, apresentando alguns pontos relevantes do seu c u r r i c u l u m v i t a e recentemente elaborado pela Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

A trajetória do Dr. Fonseca em Saúde Pública constitui toda sua vida profissional, em tomo de cinqüenta anos (1935-1987). Sua atuação destacada foi reconhecida em algumas oportunidades: elogio por relevantes serviços prestados ao MS (1963); trabalho relevante na debelação do surto de encefalite virai no litoral do sul de São Paulo (1975); medalha do Valor Cívico de Ouro do Govemo de São Paulo (1978); malariologista homenageado pelo plenário da IV Reunião dos Diretores dos Serviços de Malária das Américas (1983).

Em 1934 graduou-se em Medicina pela Univer­ sidade do Rio de Janeiro e no ano seguinte iniciou suas atividades em malariologia como médico da Inspetoria de Profilaxia do Impaludismo, do Serviço Sanitário de São Paulo. Em 1937 fez estágio para aperfeiçoamento em malária no Instituto “ Ettore Marchiafava” na Itália. Ao retomar escreveu um manual de noções

R ecebido para publicação em 1 6 /0 1 /9 1 .

práticas sobre o estudo da malária e passou a trabalhar na Seção de Protozoologia, do Serviço de Profilaxia da Malária, do Departamento de Saúde de São Paulo (1938-1942). Chefiou a estação experimental de malariologia de Guarujá-SP em 1942. Nesse período publicou “ a infecção experimental do C u l e x q u i n -q u e f a s c ia t u s , Say, 1923, comF.p r a e c o x ( P . r e li c tu m ) ” , em 1938, e “ considerações sobre o A n o p h e l e s (A) e n s e n s i , Coquillet, 1902, como transmissor da malária humana, em 1942.

De 1943 a 1950, ainda como médico do Serviço de Profilaxia de Malária, publicou os seguintes tra­ balhos: “ infecção experimental de anofelinos de re­ giões indenes à malária” (1943), “ quimioprofilaxia” (1943), ''manual prático de malária“ (1944), “ ação tóxica do DDT residual em superfícies de diferentes materiais” (1948) e “ cooperação particular nas campanhas antimaláricas” (1948).

Nos anos 50 foi médico-chefe do programa de combate à malária e doença de Chagas na Região de Campinas-SP (transformada em Zona II em 1958), tendo eliminado a transmissão vetorial dessas ende­ mias. Publicou os “ índices de infecção de triatomíneos no Estado de São Paulo” (1951), “ contribuição à carta de distribuição de triatomíneos no Estado de São Paulo” (1951) e “ estrutura das operações de avalia­ ção epidemiológica no Estado de São Paulo” (1960). Como convidado da OPAS/OMS participou do se­ minário sobre técnicas de avaliação na erradicação da malária (RJ, 1959). Em 1960 definiu as normas de organização e estrutura das operações de epidemio- logia da Zona II - Campinas, São Paulo.

Nos anos 1960 e 1961 foi Consultor Principal da OPAS/OMS junto ao Programa de Erradicação da Malária na Colômbia.

Regressou ao Brasil ainda em 1961 para assu­ mir a Superintendência da CEM, em cujo cargo permaneceu até 1963. De 1964 a 1967 manteve-se vinculado à CEM exercendo a chefia da Divisão Técnica. No período referido estabeleceu as normas para a distribuição de drogas antimaláricas, as ins­ truções de epidemiologia, normas para o planejamento e execução dos trabalhos epidemiológicos durante a fase de cobertura parcial, a regulamentação do uso dos modelos de epidemiologia, as instruções para a or­ ganização e funcionamento do fichário epidemiológico de localidades e resumo dos municípios e procedi­ mentos na investigação epidemiológica dos casos de malária (1962). A Comissão de Estudos da Malária na Amazônia (CEMA) que avaliou o comportamento de cepas de P . f a l c i p a r u m diante os esquemas tradi­ cionais com a cloroquina, em todas as unidades da Amazônia, foi sua iniciativa como Superintendente da CEM, tendo contado com o apoio da OPAS/OMS (1961).

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C a r ta a o E d ito r , M a r q u e s A C . “J o s é A lu i s io B it te n c o u r t d a F o n s e c a " . R e v is t a d a S o c ie d a d e B r a s i le i r a d e M e d i c in a T r o p ic a l 2 4 : 6 3 -6 4 , j a n - m a r , 1 9 9 1 .

No tocante aos anos 60 (1967-1969) realizou trabalhos de consultoria: avaliação das áreas com malária erradicada da Venezuela (OPAS, 1967); avaliação da atuação da CEM no Nordeste e na Amazônia (1968); e elaboração do manual de normas para as operações de epidemiologia da CEM (1969).

Nos anos 70 e 80 permaneceu em São Paulo, a maior parte do tempo vinculado à SUCEN. Integrou o grupo de trabalho que criou, desenvolveu e propôs instrumentos necessários à implantação do sistema de epidemiologia da Secretaria de Saúde de São Paulo (1974). Participou de curso de atualização sobre a doença de Chagas no Instituto de Cardiologia “ Dante Pazonese” (1974). Pertenceu à Comissão Organiza­ dora de Atividades de Arbovirose e elaborou o informe sobre os resultados do combate a vetores nos municí­ pios de São Paulo atingidos pela encefalite virai (1975). Membro do grupo de trabalho que definiu as “ normas sobre pesticidas destinados às campanhas de saúde pública” (FEEM A, RJ, 1975). Elaborou tra­ balho sobre a “ aplicação de inseticida em ULV como medida complementar na eliminação de focos ativos de malária” (1977).

Particularmente aos anos 80, coordenou as atividades de controle da leishmaniose tegumentar no vale da Ribeira e participou da avaliação dos trabalhos da SUCEN no Estado de São Paulo (1980). Partici­ pou da elaboração do combate e profilaxia de ende­ mias nas áreas influenciadas pelas usinas hidrelétricas de Porto Ferreira, Rosana e Taquaruçu(1981). Ainda em 1981 publicou os seguintes trabalhos: “ dados soroepidemiológicos sobre a infecção chagásica em áreas d e P . m e g i s t u s em São Paulo” , “ soroepidemio- logia da malária: aplicação de técnicas de processa­ mento simultâneo em pares de amostras” e “ proces­

samento eletrônico de dados no combate aos triato- míneos vetores da doença de Chagas em São Paulo” . Em 1982 integrou o grupo de trabalho que elaborou o manual referente ao “ emprego dos praguicidas em Saúde Pública” , para o MS. Publicou trabalhos sobre o “ sorodiagnóstico de malária em pacientes do projeto mefloquina em Belém, Pará” e “ resultados prelimi­ nares de inquérito soroepidemiológico da doença de Chagas no litoral sul do Estado de São Paulo” . Em 1985 apresentou os resultados do “ inquérito soroló- gico para malária em áreas com persistência de

transmissão pelo P . v i v a x no Estado de Santa Cata­

rina” , atividade essa relevante na eliminação defini­ tiva da transmissão autóctone de malária naquele Estado.

O Dr. Fonseca era membro da Royal Society of

Tropical Medicine and Hygiene (London, England, 1961) e integrou o Tableau d’experts du Paludisme, da Organização Mundial da Saúde (Genebra, Suíça, de 1962 a 1967).

Uma vida plena de realizações. Ocupando cargos administrativos sempre valorizou os aspectos técnicos e operacionais dos programas, o que lhe trouxe problemas de natureza administrativa que foram solucionados porque se sobressaía, acima de tudo, sua integridade e honestidade. Para todos aque­ les que tiveram oportunidade de trabalhar com o Dr. Fonseca, esta experiência foi extremamente valiosa como modelo a ser adotado.

Com minha eterna gratidão pela publicação desta, subscrevo-me.

Mui respeitosamente,

A g o s t i n h o C r u z M a r q u e s

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