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Conflito Entre os Estados Unidos e o Irã

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Academic year: 2022

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Conflito Entre os Estados Unidos e o Irã

Maria Eduarda Leite Leonel Gabriel Gomes da Silva Pascom

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1Uma crise entre os Estados Unidos e o Irã foi exposta no ínicio de janeiro de 2020, após a morte do Major-General da Guarda Revolucionária Islâmica, Qassem Soleimani, durante um ataque aéreo americano em Bagdá, no Iraque.

Para a compreensão desta crise é necessário entender a história e a atuação do Irã e de sua Guarda Revolucionária Islâmica e a relação de ambos os países com a Arábia Saudita e a Síria.

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evolução

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I

A Revolução Iraniana, também chamada Revolução Islâmica, foi um levante popular que resultou na derrubada da monarquia em 11 de fevereiro de 1979.

A revolução reuniu iranianos de muitos grupos sociais diferentes, como clérigos, proprietários de terras, intelectuais e comerciantes2, liderados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.

A dinastia Pahlavi havia sido inaugurada em 1925. Em agosto de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, tropas soviéticas e britânicas invadiram o Irã, e, em setembro, Mohammad Reza Pahlavi, assumiu o poder e com a benção dos aliados.3 O novo Xá iniciou um processo de consolidação de poder que só foi encontrar real resistência em 1951, com a eleição para primeiro- ministro do político nacionalista Mohammed Mossadegh4. Em 1953, em meio a luta pelo poder, a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA)

e o Serviço Secreto de Inteligência do Reino Unido (MI6) organizaram um golpe contra o governo de Mosaddegh.5 A tentativa fracassou, e o Xá se viu obrigado a deixar o Irã. Temendo uma aproximação entre a Mossadegh e a União Soviética, a CIA apoiou uma greve comandada pelo Exército, o que resultou na renúncia de Mossadegh e no retorno do Xá do exílio.6

Pressionado pelos Estados Unidos, que o apoiavam, o Xá iniciou, em 1962, reformas no Irã que previam uma reforma agrária, o fortalecimento dos direitos das mulheres e uma campanha de alfabetização, dentre

outros.7 O programa foi bem- sucedido economicamente, mas os benefícios não foram distribuídos de maneira uniforme.8

Em 1963, um dos principais opositores desse programa, Ruhollah Khomeini, se tornou conhecido da população iraniana.

Sua pressão gerou protestos e revoltas nas ruas. Khomeini foi colocado em prisão domiciliar e, depois de oito meses, foi libertado e retomou a agitação contra o Xá. Em 1964, foi novamente detido e enviado para o exílio no exterior.9 A repressão sociopolítica do regime do Xá aumentou na década de 1970. Os

Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (1999).

Autor: Khamenei.ir

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ali_Khamenei_with_the_Revolutionary_Guard_Corps_

and_Basij_-_Mashhad_(10).jpg

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meios de participação política eram mínimos, e os partidos da oposição, como a Frente Nacional (uma coalizão de nacionalistas, clérigos e partidos de esquerda não comunistas) e os pró-soviéticos foram marginalizados ou proibidos. Os protestos sociais e políticos eram frequentemente censurados e detenções e torturas ilegais também eram comuns.10 Nesse ambiente, membros da Frente Nacional, o Partido Tūdeh e seus vários grupos dissidentes se uniram aos Ulama11 em ampla oposição ao regime do xá.12 Khomeini continuou a oposição ao Xá no exílio. Enquanto isso, um número crescente de iranianos desempregados e pobres buscaram o Ulama para orientação. A dependência do Xá

em relação aos Estados Unidos, seus laços estreitos com Israel e as políticas econômicas serviram para alimentar a argumentação da oposição.13

A economia estava em rápida expansão e a infraestrutura em rápida modernização. A questão é que o Irã havia mudado de uma sociedade tradicional, conservadora e rural para uma sociedade industrial, moderna e urbana, isso em pouco tempo.14

Em janeiro de 1978, um jornal iraniano publicou um texto não assinado que atacava duramente Khomeini.15 Com isso, milhares de jovens estudantes das madrasahs (escolas religiosas) tomaram as ruas indignados com o que eles consideravam ser observações

caluniosas feitas contra Khomeini.

Eles foram seguidos por milhares de jovens iranianos (principalmente os que tinham vindo recentemente do interior e estavam desempregados) que começaram a protestar contra os excessos do regime.16 Pessoas foram mortas pelas forças do governo durantes os protestos e as fatalidades foram seguidas de demonstrações no âmbito dos 40 dias de luto na tradição xiita, e mais mortes ocorreram nesses protestos.

Apesar de todos os esforços do governo, se iniciou um ciclo de violência no qual cada morte alimentou mais protestos, e todos os protestos foram agrupados sob a capa do Islã Xiita17 e coroados pelo grito revolucionário de Allah akbar (“Deus é grande”).18

Em 8 de setembro, o regime impôs lei marcial e tropas abriram fogo contra manifestantes em Teerã. Semanas depois, funcionários do governo começaram uma greve. Em 31 de outubro, os trabalhadores da indústria do petróleo também entraram em greve.

As manifestações continuaram a crescer e, em 10 de dezembro, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas em Teerã.19

Em janeiro de 1979, o Xá e sua família deixaram o país. O Conselho da Regência instalado na ausência do Xá se mostrou incapaz de funcionar. O Primeiro Ministro Shahpur Bakhtiar, nomeado apressadamente pelo Xá antes de sua partida, era incapaz de comprometer seus ex-colegas da Frente

Nacional ou Khomeini. Mais de um milhão de pessoas se manifestaram em Teerã, comprovando o grande apelo de Khomeini, que chegou ao Irã em 1º de fevereiro. Dez dias depois, em 11 de fevereiro, as forças armadas do Irã declararam sua neutralidade, derrubando efetivamente o regime do Xá.20

Em 1º de abril, Khomeini declarou o Irã uma república islâmica. Elementos dentro do clero prontamente se moveram para excluir seus ex-aliados de esquerda, nacionalista e intelectuais de quaisquer posições de poder no novo regime, e foi imposto o retorno aos valores sociais conservadores. A Lei de Proteção à Família, que forneceu mais garantias e direitos às mulheres no casamento, foi declarada nula, e tropas revolucionárias baseadas em mesquitas, conhecidas como komīteh, patrulhavam as ruas, impunham códigos de vestuário e comportamento islâmico e faziam justiça improvisada aos inimigos percebidos da revolução. Durante a maior parte de 1979, a Guarda Revolucionária se engajou em atividades semelhantes, destinadas a intimidar e reprimir grupos políticos que não estavam sob o controle do Conselho Revolucionário.21

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I

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã - Islamic Revolutionary Guard Corps (IRCG) foi criada nos primeiros dias da revolução iraniana (1979), como uma força militar designada para proteger o novo governo e Khomeini.22 O Aitolá pretendia que a IRGC protegesse o novo regime de um golpe de estado, como o de 1953 que derrubou o governo de Mohammed Mossadeq e restaurou o Xá ao poder.23

Desde a sua fundação, a IRCG se expandiu e atualmente constitui um dos três principais ramos das forças armadas do Irã, junto com o exército e a polícia. Com mais de 125.000 membros ativos controla uma força paramilitar conhecida como Basij, de acordo com uma pesquisa do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, do Reino Unido.  O Basij tem sido frequentemente usado para reprimir manifestantes antigovernamentais, segundo dissidentes iranianos.24 A Guarda também possui especialistas em tecnologia de mísseis balísticos e

Membros de Unidade Especial da Força Terrestre do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica Autor: Hossein Zohrevand

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:IRGC_Ground_Force_Commandos_in_Pictures-8.jpg

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guerra assimétrica, juntamente com suas próprias força aérea, marinha e inteligência.25

A Guarda tem um grande poder dentro do Irã, por meio de inúmeros negócios e propagandas, que ocorrem com empresas midiaticas, mas também nas universidades iranianas.26 Controla direta e indiretamente bilhões de dólares em contratos de construção, eletricidade e engenharia, e muitas grandes empresas estão ligadas a ela ou são administradas por ex-membros. No entanto, a Guarda é mais conhecida pelo poder que projeta fora do Irã por meio do treinamento de milícias em países estrangeiros e na realização de operações como o combate ao Estado Islâmico no Iraque27, o grupo militante extremista sunita.28

A IRGC foi empregada no exterior pela primeira vez na Guerra Irã- Iraque, e começou a patrocinar grupos armados não estatais na região. A Força Expedicionária Quds surgiu como o ramo de relações externas da IRGC e desenvolveu laços com grupos armados de outros países, fornecendo treinamento e aconselhamento militar para projetar seu poder no exterior.29 Seus membros treinaram grupos como o Hamas nos territórios palestinos, o Hezbollah no Líbano e as milícias xiitas na Síria e no Iraque. O atual comandante da força Quds é o Major-General Esmail Qa’ani, que ocupa o cargo desde janeiro de 2020, suscedendo o Major General Qassem Soleimani.30 O atual comandante da IRCG é o General Hossein Salami, que ocupa o cargo desde 2019.31

Alguns dos ataques associados à Força Al Quds foram a tentativa de assassinato de um embaixador saudita em Washington (2011); a tentativa de assassinato de um diplomata israelense em Nova Délhi (2012) e a captura e o assassinato de cinco militares americanos por uma milícia iraquiana em um ataque de 2007, em Karbala, Iraque. Pensa-se que a Força Al Quds também tenha ajudado a treinar iraquianos a fabricar bombas e colocá-las em estradas para destruir veículos blindados usados por soldados americanos no Iraque.32 O governo Trump  atribuiu a morte  de 608 soldados dos EUA no Iraque entre 2003 e 2011 à IRGC.33

O envolvimento da IRGC no Iraque após a invasão dos EUA, em 2003, tornou-se um ponto particular de disputa entre

Teerã e Washington.  O presidente dos EUA, George W. Bush, que já havia identificado o Irã como um membro do denominado “eixo do mal” e acusou a Força Quds de fornecer bombas para militantes xiitas matarem militares americanos, embora especialistas dentro e fora do governo questionassem se tais ordens vieram do governo iraniano.34 Após as revoltas árabes em 2011, a Força Quds foi enviada para a Síria. A princípio, autoridades iranianas alegaram que os agentes estavam realizando uma missão limitada, defendendo os santuários xiitas. Somente mais tarde reconheceu- se que a Força Quds estava ajudando o presidente sírio Bashar al-Assad a reprimir o movimento de protesto.

Quando a revolta se transformou em guerra civil, a Força Quds não apenas forneceu conselheiros militares, mas também tropas na linha de frente.

Muitos dos que lutaram na Força Quds (e ainda lutam) não eram iranianos, mas militantes do Hezbollah do Líbano ou refugiados afegãos recrutados pela IRGC.35

Em resposta à ascensão do auto- proclamado Estado Islâmico, as autoridades iranianas expandiram a presença da Força Quds no Iraque e na Síria sob o argumento que se o grupo militante sunita não fosse derrotado lá, marcharia sobre Teerã. No Iraque, mobilizações populares de dezenas de milhares de milicianos xiitas logo eclipsaram o exército nacional, que se saiu mal em meio ao rápido avanço

do Estado Islâmico, em 2014. Muitas dessas milícias prometeram lealdade ao líder supremo do Irã e foram lideradas por comandantes que trabalharam com a Força Quds contra a ocupação dos EUA na década anterior. Abu Mahdi al-Muhandis, oficial com dupla cidadania iraniano-iraquiano que liderou a mobilização, serviu como oficial da Força Quds. Enquanto a mobilização fornecia as forças terrestres para combater o Estado Islâmico, os Estados Unidos forneciam poder aéreo.

Assim, na prática, membros da Guarda Revolucionária e as forças dos EUA se tornaram parceiros.36

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Disparidades políticas e religiosas sempre estiveram presentes nas relações entre Irã e Arábia Saudita. Elas foram catalisadas com a eclosão da Revolução Iraniana em 1979, colocando em cheque as diferenças religiosas dos países – o Irã em um regime xiita frente à Arábia Saudita com um regime sunita. Neste dado momento, a narrativa saudita engajou-se em defender seu status quo na região frente às ambições militares, revolucionárias e expansionistas da teocracia xiita. O Irã, em contrapartida, permaneceu exportando a sua revolução e seus ideais para os demais países da região37.

Comandos da Força Terrestre do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

Autor: Hossein Zohrevand

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:IRGC_Ground_Force_Commandos_in_Pictures-35.jpg

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Ambos os países, no entanto, iniciaram uma lenta e sinuosa retomada de relações no final da década de 198038. À época, o Irã encontrava-se devastado economicamente devido à longa guerra travada com o Iraque, além de haver presenciado a morte do então líder, o Aiatolá Khomeini. Tal conjuntura constrangiu o Irã que diminui sua ofensiva na região, focando na reconstrução econômica e social. Não obstante ao referido diálogo, os países entrariam novamente em choque no inicio do século XXI devido à queda de Saddam Hussein no Iraque, em 2003.

Tal década, especificamente, foi marcada pelo crescimento e a consolidação do poder regional do Irã no Oriente Médio39, processo que foi impulsionado pela sua atuação em diversos países na região como Iraque, Síria e Líbano.

No caso iraquiano, levando em conta a maioria xiita de sua população, o vácuo deixado após a queda de Hussein propiciou o estado perfeito para a consolidação da influência iraniana.

Este, por sua vez, não almejava um Iraque forte – devido ao histórico de contendas com o país – mas construir uma politica de segurança nacional na região. Com isso, deu suporte, concomitantemente, a políticos e grupos xiitas no país.40 Além disso, exerceu grande influência a partir de consulados e embaixadas, inauguradas logo em 2003. Nelas, seus dois primeiros representantes - Hassan Kazemi-Qomi

e Hassan Danaifar – também foram membros da Força Quds.41

Entrementes, medidas ainda mais significativas foram impulsionadas com a eleição de Mahmoud Ahmadinejad, em 2005, atrelado ao nacionalismo, desafiando o ocidente e voltando à ideologia da revolução de 1979.42 Visando a aliança entre os EUA e a Arábia saudita – a qual propiciou um elevado crescimento militar e econômico aos sauditas – Ahmadinejad, logo após a sua posse, denunciou a presença norte-americana na região.

Igualmente, ameaçou o Estado de Israel, deixando implícita a pretensão de sua total destruição.43

Ao mesmo tempo, iniciou um auspicioso programa militar e nuclear enquanto aumentava a presença e a independência

da Forca Quds na região. Esta, por sua vez, atuou expressivamente no Líbano, onde deu suporte ao grupo Hezbollah na guerra de julho de 2006. Além da queda de Saddam e a subida ao poder de Ahmadinejad, a Primavera Árabe ocorrida em 201144 resultou em um novo teste nas relações entre Arábia Saudita e Irã, com ambos os países buscando engajar-se profundamente na dominância da região.

Com o início das revoltas e protestos em inúmeros países do norte da África e no Oriente Médio, o Irã observou neles uma possível extensão de sua

revolução ocorrida 30 anos antes. Em outras palavras, viu a oportunidade de regimes autoritários serem trocados por regimes islâmicos. Assim, apoiou significativamente os movimentos ocorridos na Líbia, Egito, Tunísia e Bahrain. Tais suportes, no entanto, cessaram quando o movimento chegou ao seu velho aliado, a Síria. À época, Teerã denunciou os movimentos e protestos naquele país, alegando se tratarem de uma conspiração dos Estados Unidos e Israel com o objetivo de derrubar o regime de Bashar al-Assad45. Já a Arábia Saudita enxergou os movimentos de 2011 como uma ameaça ao seu regime e status quo, e uma oportunidade de inclinar a balança contra o Irã.

A Síria é aliada do Irã desde a revolução de 1979, além de ter sido, junto com a Líbia, o único país árabe a apoiar aquele pais na guerra contra o Iraque.

Tais laços envolvem inúmeros interesses em comum: a presença no Líbano e o Hezbollah; inimigos em comum como Iraque, Israel e os EUA; e a presença de uma minoria Alauita no governo sírio, sendo esta uma vertente do próprio xiismo. Dado os fatos, as relações entre síria e Irã inevitavelmente impactam as relações entre a Síria e a Arábia Saudita.

Diferentemente da política iraniana no Iraque que focava em preocupações de segurança nacional, as atuações na Síria serviram também para aumentar a capacidade do Irã de projetar poder e influência no Oriente Médio46. Devido a sua posição estratégica, a Síria serve como ponte para o transporte de armas e assessores militares vindos do Irã para o Hezbollah no Líbano. Este, por sua vez, serve como braço armado contra Israel a partir de qualquer ação do país contra o Irã.

Ademais, o Irã presta auxílio econômico à Síria por meio do oferecimento de credito a fim de amenizar a instabilidade econômica no país. Com isso, apesar de possuir suas próprias dificuldades econômicas, o Irã tem gastado bilhões para apoiar o regime de Assad47, o qual apoia tanto ao Irã quanto ao Hezbollah nos seus interesses no que diz respeito a Israel e a Palestina.

Na realidade, tanto a Arábia Saudita como o Irã temem a derrubada de seus regimes, seja por entidades estrangeiras ou por movimentos internos. O Irã tenta estender a sua influência na

Reunião do presidente Donald Trump com Vice-Príncipe herdeiro da Arábia Saudita (2017) Autor: Casa Branca - Washington, DC

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Donald_Trump_meets_with_Mohammed_bin_Salman_

bin_Abdulaziz_Al_Saud,_March_2017.jpg

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região, usando como artifício guerras por procuração (proxies), dando suporte a grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Hammas, na Faixa de Gaza, os Hutis, no Iêmen, e inúmeros outros grupos presentes na Síria e no Iraque. Isso se choca com interesses semelhantes dos sauditas.

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Para melhor entender a reorientação nas ações do governo Trump iniciadas de fato em 2017, é necessário observar as relações entre Estados Unidos, Arábia Saudita e Irã no governo anterior de Barack Obama. Afinal, as relações entre EUA e Arábia Saudita, desde a revolução iraniana, tem sido marcadas como um modo dos sauditas se projetarem para o mundo, ao passo que os EUA a utilizam para projetar os interesses norte- americanos no Oriente Médio48.

Em suas relações com o Irã, o governo Obama caracterizou-se pela ratificação do Acordo Nuclear, em 2015, junto com outros países como Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha49. Este acordo, por sua vez, delimitou que os estoques de urânio enriquecido no Irã permaneceriam em níveis limitados, além da proibição da construção de outras instalações para o enriquecimento do material.

Em troca, o grupo de países se comprometia em retirar as sanções impostas, levantando uma cifra que passava dos 100 bilhões de dólares.

Tal reaproximação dos EUA com o Irã, no entanto, colocaria em cheque as suas relações com a Arábia Saudita, dando a ela um senso de abandono.50 Obama chegou a afirmar que os sauditas deveriam encontrar um modo de compartilhar a região e buscar instituir algum tipo de paz.51 A natureza das relações entre os dois países mudaria drasticamente com a reorientação política do Governo Trump, em 2017.

Este, desde a sua campanha para a presidência, referia-se ao Irã como um real adversário.

Em fevereiro de 2017, em seus primeiros meses de governo, Trump imputou duras sansões ao Irã em resposta a um teste de míssil balístico realizado por aquele país.52 As sanções tiveram como alvo algumas companhias e empresários que supostamente estariam ajudando

o Irã a obter este tipo de tecnologia e incluíram a proibição desses cidadãos e empresas realizarem qualquer tipo de negócios com os Estados Unidos.

Muito além de ater-se a coibir ações iranianas, Donald Trump buscou reparar e se reaproximar de antigas e importantes alianças. Com isso, em sua primeira viagem oficial ao estrangeiro, Trump visitou a Arábia Saudita. O principal resultado foi a ratificação do maior acordo de venda de armas da historia.53 Nele, a Arábia Saudita se comprometeu a gastar o equivalente a 350 bilhões de reais nos primeiros anos, além de 1,3 trilhão de reais nos dez anos seguintes.

Ficou claro o comprometimento do governo Trump em configurar sua política em torno da Arábia Saudita e, por conseguinte, afastar-se drasticamente do Irã. É importante notar, também, as enormes cifras gastas por parte da Arábia Saudita em seu orçamento militar, cerca de 10% do seu PIB, colocando o país na terceira posição no ranking mundial de orçamentos militares.54 Já o Irã, apesar de possuir uma grande quantidade de mísseis balísticos, conta quase que exclusivamente com a Rússia para o fornecimento de material bélico, além de ser coibido economicamente pelas sanções.

O realinhamento de interesses entre os EUA e a Arábia Saudita foi visto como uma ameaça por parte do Irã e, assim, reações não tardaram a vir. Meses após a ratificação do acordo entre EUA e Arábia Saudita, um míssil balístico que iria de

Qasem Soleimani recebendo a ordem Zolfaghar de Ali Khamenei.

Autor: Khamenei.ir

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Qasem_Soleimani_received_Zolfaghar_Order_from_Ali_

Khamenei_1.jpg

Funeral de Qasem Soleimani, Teerã – Irã (6/1/2020).

Autor: Maryam Kamyab, Mohammad Mohsenifar

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Funeral_of_Qasem_Soleimani,_Tehran,_Mehr_08.jpg

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encontro ao aeroporto ao aeroporto de Riad foi interceptado.55 Apesar deste ataque ter sido reivindicado pelos Hutis no Iêmen, a análise dos restos do material deixou claro que se consistia em um míssil de fabricação iraniana.

Paralelo a isto, medidas drásticas foram tomadas por Donald Trump em 2018.

Primeiramente, Trump anunciou a retirada unilateral dos EUA do acordo nuclear firmado em 2015 por Obama56, afirmando que o Irã não estava seguindo as determinações imputadas pelo acordo e que o país estava usando os fundos arrecadados com a retirada das sanções para acelerar ainda mais o seu programa nuclear. Com efeito, os EUA reestabeleceram todas as sanções anteriores ao acordo, congelando fundos e restringindo o comercio de matérias primas. As sanções foram endurecidas ainda mais em novembro daquele ano.57 Em 2019, em uma decisão sem precedentes, os EUA declaram a Guarda Revolucionária do Irã como sendo uma organização terrorista. Foi a primeira vez que um governo norte-americano rotulou uma unidade militar estrangeira neste nível.58 Por conseguinte, a medida norte-americana impôs sansões contra a guarda iraniana, como o congelamento de bens que possam existir em territórios sob a jurisdição dos EUA.

Ainda no mesmo ano, outro episódio viria a agravar as relações da Arábia Saudita e dos EUA com o Irã. Em setembro, duas instalações da maior

companhia de petróleo saudita, Aramco, foram atacadas por drones e misseis balísticos, ocasionando extensos danos.59 De acordo com o governo saudita, tais ataques afetaram drasticamente a produção de petróleo no país, reduzindo sua produção em mais de 50% e fazendo com que os preços do produto no mercado internacional aumentassem em mais de 10%.

O ataque foi imediatamente reivindicado pelos Hutis do Iêmen.

Entretanto, o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irã de orquestrar tal ação, afirmando que os Hutis não possuíam a estrutura ofensiva necessária para realizar o ataque sozinho. Este episódio fez com que os EUA imputassem novas sanções ao Irã60, com bloqueios afetando o Banco Central e o Fundo Nacional de Desenvolvimento daquele país, as últimas fontes de recursos ainda não afetadas pelas sansões anteriores.

O embate entre os dois países alcançariam o ápice no final de 2019.

Desta vez, tais contendas tiveram como palco o Iraque, envolvendo o grupo Kataib Hezbollah, financiado e armado pelo Irã. No final de dezembro de 2019, em um suposto ataque do Kataib Hezbollah a uma base iraquiana que continha tropas da coalizão, um empreiteiro norte-americano foi morto.61 Isto fez com que os EUA, em retaliação, realizassem um ataque a uma base operacional do grupo, também no Iraque62.

Em resposta, dias depois, a Forca Quds iraniana – à época comandada pelo general Qassem Soleimani – ordenou, no dia 31 de dezembro de 2019, a invasão da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.63 Com isso, no dia 3 de janeiro de 2020, Trump deu aval para o assassinato de Soleimani64, acusado pelos EUA de coordenar o apoio de grupos e a guerra por procuração em toda a região. Logo após sair do aeroporto internacional de Bagdá, em uma ação curta e rápida, o carro onde se encontrava Soleimani foi atingido por misseis advindos de um drone norte americano.

Tendo em vista a popularidade do general na sociedade iraniana, o ataque foi veementemente repudiado pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o qual prometeu duras retaliações. Tais promessas se concretizaram em um ataque a bases americanas localizadas no Iraque65, porém sem resultar em grandes danos. Além disso, Teerã anunciou a saída do acordo nuclear firmado em 2015, definindo a retomada de um programa sem restrição66.

c

onclusão

O conflito entre os Estados Unidos e o Irã é complexo. Envolve a luta por influência na região, a Guarda Revolucionária do Irã, grupo que lutou contra o Estado Islâmico juntamente com os Estados Unidos e que, desde 2019, é considerado uma organização terrorista pelo governo norte-americano, dentre várias outros motivos.

Pode-se afirmar que o governo Trump tem implementado uma política drasticamente diferente dos governos antecessores de Barack Obama. De início, Trump buscou reafirmar suas relações com a Arábia Saudita – relações estas que foram desgastadas após a ratificação do acordo nuclear com o Irã, em 2015 – como também colocou o Irã como um adversário.

Além disso, Trump recorreu a técnicas e abordagens mais especificas, como a realização de ataques cirúrgicos e certeiros em alvos-chave, tal como foi o ataque a Soleimani. Devido ao seu grau de especificidade, ações como esta são realizadas em conluio com serviços de inteligência estrangeiros, como o Mossad de Israel. Em síntese, Trump

Corpos de Iranianos Mortos na Guerra Civil da Síria – Aeroporto de Kermanshah – Teerão (30/8/2016)

Autor: Farzad Menati

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Return_of_Iranian_Casualties_in_Syrian_Civil_War_to_

Kermanshah_02.jpg

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buscou novas abordagens e alianças a fim de alcançar seus objetivos, ao contrario de Obama que priorizava a presença centenas de milhares de soldados norte- americanos no estrangeiro.

Com isso, a situação da segurança no Oriente Médio, Península Arábica e

outras regiões próximas envolvidas nas relações entre os Estados Unidos, Irã e Arábia Saudita fica mais complexa e impactam de alguma forma o sistema de segurança regional e internacional.

1 Discentes do curso de Relações Internacionais da Unesp – Campus de Marília/SP, e membros do Observatório de Conflitos Internacionais (OCI).

2 AFARY, Janet. Iranian Revolution: [1978–1979]. 25 mar. 2020. Disponível em: <https://www.britannica.com/event/Iranian-Revolution>. Acesso em:

30 mar. 2020.

3 IRÃ: os fatos que precederam a Revolução Islâmica. 10 fev. 2019. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/mundo/ira-os-fatos-que-precederam- a-revolucao-islamica/>. Acesso em: 30 mar. 2020.

4 Idem.

5 AFARY, op. cit.

6 IRÃ, op. cit.

7 Idem.

8 AFARY, op. cit.

9 IRÃ: op. cit.

10 AFARY, op. cit.

11 Autoridades conhecedoras do islamismo. São professores, teólogos e advogados sunitas conhecedores dos escritos sagrados do Islã. LEMOS, José Augusto. Quais são os principais cargos religiosos e políticos do mundo islâmico?

31 out. 2016. Disponível em: <https://super.abril.com.br/historia/quais- sao-os-principais-cargos-religiosos-e-politicos-do-mundo-islamico/>. Acesso em: 26 abr. 2020.

12 AFARY, op. cit.

13 Idem.

14 Idem.

15 IRÃ, op. cit.

16 AFARY, op. cit.

17 Um grupo minoritário islâmico que reivindica o direito de Ali, genro do profeta Maomé, e seus descendentes de liderar os mulçumanos. AS DIFERENÇAS entre sunitas e xiitas, que explicam boa parte dos conflitos no Oriente Médio. 10 jan. 2020. Disponível em: <https://super.abril.com.br/

historia/quais-sao-os-principais-cargos-religiosos-e-politicos-do-mundo- islamico/>. Acesso em: 26 abr. 2020.

18 AFARY, op. cit.

19 Idem.

20 Idem.

21 Idem.

22 JUBIN, Alissa J. Iran’s Revolutionary Guards: The Supreme Leader’s Military-Industrial Complex. 15 abr. 2019. Disponível em: <https://www.

nytimes.com/2019/04/09/world/middleeast/iran-revolutionary-guards-.

html>. Acesso em: 12 abr. 2020.

23 IRAN’S Revolutionary Guards. 6 maio 2019. Disponível em: <https://

www.cfr.org/backgrounder/irans-revolutionary-guards>. Acesso em: 12 abr.

2020.

24 JUBIN, op. cit.

25 Idem.

26 Idem.

27 ROSSINI, Maria Clara. Soleimani apoiou governo sírio, se aliou ao Hezbollah e combateu o ISIS. 3 jan. 2020. Disponível em: <https://super.

abril.com.br/sociedade/soleimani-apoiou-governo-sirio-se-aliou-ao- hezbollah-e-combateu-o-isis/>. Acesso em: 26 abr. 2020.

28 JUBIN, op. cit.

29 IRAN’S Revolutionary Guards, op. cit.

30 IRÃ nomeia novo comandante de unidade especial da Guarda Revolucionária. 4 jan. 2020. Disponível em: <https://g1.globo.com/

mundo/noticia/2020/01/04/o-ira-nomeia-novo-comandante-da-guarda- revolucionaria.ghtml>. Acesso em: 26 abr. 2020.

31 GLADSTONE, Rick. Iran’s Supreme Leader Replaces Head of

Revolutionary Guards. 21 abr. 2019. Disponível em: <https://www.nytimes.

com/2019/04/21/world/middleeast/iran-revolutionary-guards-leader.html>.

Acesso em: 26 abr. 2020.

32 JUBIN, op. cit.

33 IRAN’S Revolutionary Guards, op. cit.

34 Idem.

35 Idem.

36 Idem.

37 MCGINN, Jack. Saudi Arabia and Iran: beyond conflict and coexistence?

2018. Disponível em: <http://eprints.lse.ac.uk/89829/1/MEC_Saudi- Arabia-Iran_Published.pdf.> Acesso em: 29 março 2020.

38 WEDDINGTON, Derik. “Rivalry in the Middle East: The History of Saudi-Iranian Relations and its Implications on American Foreign Policy”. 2017. Disponível em: <https://bearworks. missouristate.edu/cgi/

viewcontent.cgi?article=4139&context=theses>. Acesso em: 29 março 2020.

39 BEHZAD, Diansaei. Iran and Saudi Arabia in the Middle East: leadership and sectarianism.2018. Disponível em: <https://www.researchgate.net/

publication/324663514_Iran_and_Saudi_Arabia_in_the_ Middle_East_

leadership_and_sectarianism_2011-2017>. Acesso em: 19 março 2020.

40 WEDDINGTON, op. cit.

41 Idem.

42 Idem.

43 MAHMOUD Ahmadinejad. “Speech of His Excellency Mahmoud Ahmadinejad President of the Islamic Republic of Iran at the Extraordinary Islamic Summit”. Disponível em: <http://ww1.oic-oci.org/ex-summit/

english/speeches/iran-speech.htm>. Acesso em: 30 março 2020.

44 RAFATI, Naysan. “Iran and the Arab Spring”. Economic and Political Weekly 46, no. 50

45 MILANI, Mohsem. “Why Tehran Won’t Abandon Assad(ism)”. The Washington Quarterly 36, no. 4 (2013): 84, doi:10.1080/016366 0x.2013.861715.

46 WEDDINTON, op. cit.

47 Idem.

48 Idem.

49 ENTENDA o acordo nuclear do Irã. G1. Disponível em: <https://

g1.globo.com/mundo/noticia/entenda-o-acordo-nuclear-com-o-ira.ghtml>.

Acesso em: 31 março 2020.

50 WEDDINTON, op. cit.

51 GOLDBERG, Jeffery, The Obama Doctrine. 2016. Disponível em:

<http://businesstoday.lk/pdf/ june_2016/President_Obamas_Interview_

With_Jeffrey_Goldberg.pdf>. Acesso em: 30 março 2020

52 GOVERNO Trump impõe primeiras sansões ao Irã após teste de míssil.

Folha de São Paulo. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/

mundo/2017/02/1855696-governo-trump-impoe-primeiras-sancoes-ao-ira- apos-teste-de-missil.shtml>. Acesso em: 31 março 2020

53 TRUMP anuncia primeira viagem internacional do governo na Arábia Saudita. G1. Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/

noticia/2017/05/trump-inicia-primeira-viagem-internacional-do-governo- na-arabia-saudita.html>. Acesso em: 31 março 2020

54 DEFEND spending budget. Disponível em: <https://www.globalfirepower.

com/defense-spending-budget.asp>. Acesso em: 31 março 2020

55 ARÁBIA Saudita intercepta míssil balístico a caminho do aeroporto de Riad. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/mundo/arabia- saudita-intercepta-missil-balistico-rumo-ao-aeroporto-de-riad-22030216>.

Acesso em: 31 março 2020

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Série Conflitos Internacionais é editada pelo Observatório de Conflitos Internacionais da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP) - Campus de Marília – SP

As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas nesse material são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem as visões do OCI ou da UNESP.

Editor: Prof. Dr. Sérgio L. C. Aguilar Diagramação: Gláucio Rogério de Morais ISSN: 2359-5809

Comentários para: [email protected] Disponível em: www.marilia.unesp.br/#oci

- A limpeza étnica em Mianmar e o êxodo do povo Rohingya V. 5, n. 5

- Abuso e exploração sexual nas operações de paz da ONU V. 5, n. 6

- As disputas marítimas no mar do sul da China:

antecedentes e ações militares no século XXI V. 6, n. 1 - A agressão militar da Federação Russa na Ucrânia V. 6, n. 2 - Conflitos no continente americano: Haiti, Nicarágua, Venezuela V. 6, n.3

- O Conflito Separatista no Camarões: Anglófonos e Francófonos V. 6, n. 4

- Os conflitos na região da Caxemira V. 6, n. 5 - A agenda da ONU para as crianças-soldado V. 6, n. 6 - O Conflito Sírio: A Retirada das Tropas Estadunidenses e a Investida Turca Contra os Curdos V. 7, n. 1

séRIe conflItos InteRnacIonaIsmaIsRecentes:

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