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Academic year: 2022

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A C I D A D E N O E X T R E M O O R I E N T E

Teoria e História do Urbanismo I 2016 Profa. Noemi Yolan Nagy Fritsch

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O Extremo Oriente compreende a Índia, Indochina, China e ilhas próximas.

A Unificação dos impérios da China ocorreu no séc. III a.C. e a do Japão no final deste mesmo século.

A civilização urbana iniciou-se a partir de 2000 a.C.

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CARACTERÍSITICAS GEOGRÁFICAS

• Territórios tropicais, mais quentes que o norte do continente.

• Isolado do resto da Ásia pelo sistema montanhoso do Himalaia.

• Banhado por rios que descem do Himalaia e irrigam a planície.

• Relevo e localização geográfica beneficiam a cultura do arroz, que cresce na água e não requer rotação com outras culturas.

• No Norte as montanhas abrigam os inimigos: nômades não civilizados, animais selvagens e vento frio.

• No Sul são encontradas a paz, a planície cultivada, o mar e sol.

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PRINCÍPIOS DA DUALIDADE DO UNIVERSO

Yin e yang são dois conceitos básicos do Taoísmo que expõem a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas

forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, a terra, a

passividade, escuridão e absorção. O yang é o princípio masculino, o céu, a luz e atividade.

Estas duas forças, yin e yang, seriam a fase seguinte do “tao", princípio gerador de todas as coisas, de onde surgem.

O Yin e o Yang são os princípios opostos da cultura oriental:

• norte x sul

montanha x planície

frio x calor

sombra x luz.

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Sendo parte de uma das mais antigas civilizações conhecidas, o Império Chinês já existia antes mesmo da ascensão de Roma no mundo antigo, e perdurou mesmo após a queda do Império

Romano.

Sua cultura influenciou vários países vizinhos como o Japão e a Coréia, sobrevivendo até a atualidade com muitos de seus

costumes culturais.

China

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Criam-se grandes estados unitários com a administração do excedente como garantia da sobrevivência geral.

No leste da China encontram-se dois rios, o Yang-Tsé-Kiang e o Huang-Ho, também conhecido como rio Amarelo.

Este segundo foi o responsável pelo desenvolvimento da agricultura e o surgimento de cidades na região. Ele se torna muito raso e arenoso durante as secas, e após as chuvas ele se enche e cobre as planícies.

Esta dinâmica irrigava as terras e os camponeses podiam plantar na época em que estavam secas.

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História

A China foi governada por diferentes linhagens de reis e imperadores, devido a isso, costuma-se dividir a história da China Antiga baseando-se nos períodos de governo de cada dinastia.

As cinco primeiras dinastias chinesas foram:

1. Dinastia Xia, 2205-1818 a.C.

A existência dessa dinastia é controvérsia entre os

historiadores, de modo que não se sabe ao certo se ela realmente existiu.

2. Dinastia Shang, 1500-1050 a.C.

Os escritos encontrados referentes ao período da dinastia Shang são considerados os mais antigos registros escritos da história da China.

3. Dinastia Zhou, 1050-256 a.C.

Os Zhou eram de uma poderosa família e tinham o costume de distribuir terras aos seus aliados. Eram apoiados por famílias nobres e ricas, e cada uma destas famílias governava uma província.

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4. Dinastia Qin, 221-207 a.C.

O rei Qin, após vencer a dinastia Zhou, conquistou um território após o outro e fez crescer o seu reino.

Chegou ao ponto de conquistar quase toda a China e ganhou o título de "primeiro rei de Qin". Qin tornou-se o fundador do Império Chinês e estabeleceu pela

primeira vez um Estado unificado.

5. Dinastia Han, 206 a.C. - 220 d.C.

Esta dinastia se caracterizou por tentar comprar

aliados vizinhos através de presentes como tecidos de seda, espelhos de bronze, etc. Nesta época os

chineses se consideravam o centro do mundo, chegando a chamar seu país de “Império do Meio”.

Durante esta dinastia, a China teve um grande

aumento da população e muitos avanços técnicos mas os camponeses continuavam vivendo sob condições precárias, o que causou violentas revoltas camponesas no início da Era Cristã. Estas revoltar contribuíram para o enfraquecimento do Império chinês, trazendo ao fim a dinastia Han.

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Ocupação Urbana

A cidade é a sede do poder (regula e representa todo o território) e tem valor simbólico (mediação entre os opostos).

Ocupação urbana

Complexidade da organização da sociedade implica em ordem visível geométrica e arquitetônica.

• Há uma multiplicidade de espaços e edifícios.

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• Muros com forma regular determinam o espaço e são defesa contra inimigos.

Pingyao Ancient City

• Os eixos de simetria ligam a cidade aos pontos cardeais.

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• Regras urbanísticas e de construção são codificadas na era Chu (1050 a 250 aC.) e transmitidas até a época moderna (por volta do séc. XVI).

• Cidades estritamente ligadas ao território agrícola: começam como cidade-refúgio: residência estável da classe dirigente (sacerdotes, guerreiros e técnicos) e acolhimento temporário da população camponesa do distrito circundante.

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• A cidade era parte de um sistema regional modular de economia urbana. Ela espelha a hierarquia do Estado em uma escala menor. Cada módulo, urbano ou rural, na hierarquia, portanto, tinha a mesma base populacional e de poder político. O ranking econômico de uma cidade determinada a sua dimensão, medida

em li (em chinês:里; Pinyin: Lǐ), que foi considerado o comprimento

de uma aldeia, como definido pelo Imperador Amarelo. A unidade de medida li corresponde a mais ou menos 530 m.

• Essas cidades se distinguem de acordo com a grandeza em 3 categorias: tcheng, ji e tu. As capitais podem ser muito maiores, de perímetro externo de até 100 li e população por volta de 1 milhão de habitantes.

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Duas séries de cidades de dimensões

normalizadas.

Perímetro externo e interno.

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M. Mercado

T . Templos

G . Fosso

F . Rio

Ao centro, recinto com Palácio Imperial

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Dois cinturões de muros: um interno que encerra a cidade habitada e um externo que abrange um espaço vazio de hortas e pomares.

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Cidade de Cantão.

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Arquitetura Urbana

• As regras de construção da casa também permanecem fixas desde o período Han até os tempos recentes.

• A casa é um recinto análogo (semelhante) à cidade, vinculada à mesma orientação e acessível habitualmente pelo sul.

• Todos os ambientes se abrem para um ou mais pátios internos, quadrados ou retangulares. Alternância de luz e sombra (yin x yang).

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Pátio interno de casa chinesa.

Pequim.

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Casas chinesas com pátio.

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Elementos construtivos principais e fixos: plataforma de base, muros externos e cobertura em madeira.

Elementos secundários: divisórias internas de tijolo (sem função estrutural) móveis para acompanhar as mudanças das funções domésticas.

• Geralmente os edifícios são de apenas 1 pavimento. Densidade baixa:

100 hab./ha.

• As casas se desenvolvem a partir de ruas com largura moderada para onde se abrem somente as portas de entrada e as altas janelas de alguns ambientes secundários.

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Rua secundária.

Pequim.

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Casa burguesa chinesa com pátio (séc. XVIII Pequim).

A. Porta de entrada

B. Quartos externos para os hóspedes

C. Segunda porta

D. Quartos internos para os hóspedes

E. Ambientes laterais

F. Corpo de estrutura principal G. Serviços

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Arquitetura Rural

• As casas rurais podem se interpenetrar com a natureza.

• Os ambientes conservam sua forma regular e simétrica, mas o conjunto se torna irregular para aderir às

características do local.

• A jardinagem vincula-se por entre as obras de arquitetura.

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Templo budista em gravura europeia do séc. XVIII.

Nanquim.

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Convento budista usado com residência imperial durante as viagens para o sul.

Hang-chow.

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Conjuntos monumentais

• Destacam-se principalmente os palácios do imperador, suprema autoridade religiosa e civil.

• Edifícios destinados às cerimônias públicas, rigidamente agrupados ao redor do eixo de simetria, que vai do sul para o norte.

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Palácio Imperial – pintura do séc. XVIII.

Pequim.

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Cidade de Pequim.

Mapa europeu de 1829.

1. Cidade Proibida ou Purpúrea (recinto formal do palácio) 2. Cidade Imperial

3. Cidade Tártara ou Interna 4. Cidade Chinesa ou Externa 5. Jardins informais

5

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Eixo da composição geral da Cidade Proibida.

Pequim.

Eixo: percurso impressionante através da sucessão de pátios fechados.

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• Edifícios e espaços para a vida privada, incorporados ao jardim paisagístico.

O jardim foge a regra da geometria e desequilibra, à direita ou à esquerda, a composição geral.

• Regularidade x irregularidade (yin x yang).

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Templo do Céu. Edifícios monumentais em madeira reconstituídos segundo o modelo original.

Pequim.

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Japão

Ocupação urbana

• O quadro geográfico (falta de grandes espaços planos e de rios navegáveis) exclui nos primeiros tempos a presença de grandes cidades.

• Após a unificação do país há a necessidade (exigência) de uma cidade capital, que é projetada segundo as regras chinesas, codificadas nos períodos Han e Tang.

• Do séc. VI ao VIII dC., uma série destas cidades fé fundada a curta distância na região Yamato.

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Mapa do Japão mostrando os locais das antigas capitais.

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Kyoto - Japão

1. Montanhas (defesa e relação com o céu)

2. Plantações 3. Rio

4. Palácio Imperial

1

2

4 3

(41)

1. Palácio Imperial 2. Vila Imperial

Schinsen-in 3. Vila Imperial

Suzaku-in 4. Palácio de

recepção 5. Palácio de

recepção 6. Mercado 7. Templo 8. Templo

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1. Entrada principal 2. Sala de audiência

principal

3. Sala de audiência secundária

4. Palácio Imperial 5. Sala de espera 6. Templo

7. Templo

8. Edifícios secundários

Recinto Imperial.

Kyoto.

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1. Recinto externo 2 – 6. Portas externas 7. Recinto interno 8 – 11. Portas internas 12 – 14. Salas de recepção 15 – 22. Anexos das salas 23 – 28. Apartamento

privado

29 – 35. Anexos do apartamento

36 – 37. Sala de espera 38 – 39. Recintos de

serviço

Palácio Imperial.

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Palácio Imperial como se apresenta

atualmente depois da reconstrução de 1655, que reproduz as estruturas mais antigas.

Kyoto.

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Arquitetura

Utilizam modelos chineses com características originais de simplificação geométrica e de desenvoltura.

Nas residências e templos suburbanos a arquitetura é feita com resultados mais novos e requintados.

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Trecho de tecido residencial.

Kyoto.

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E. Entrada W. Laboratório R. Recepção D. Jantar L. Estar S. Estúdio

O. Quarto dos anciãos K. Cozinha

U. Lavanderia B. Banheiro Ch. Quarto dos

adolescentes V. Varanda T. Alcova C. Depósito Ba. Banheiro G. Jardim

Residências.

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Cada casa é flanqueada por uma faixa de jardim que restabelece também nestas condições a relação interna-externa (yin yang).

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Vila Imperial – construída no séc. XVII.

Katsura – nos arredores de Kyoto.

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Liberdade informal da instalação paisagística (que precede e influencia os jardins ingleses do século XVIII).

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Constância da esquadria nos edifícios, baseados no módulo planimétrico e altimétrico dos tatami (cerca de 0.90 x 1.80 m). Tatami significava originariamente

"dobrado e empilhado", é o piso tradicional japonês.

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(59)

O tatame tradicional é feito de palha de arroz prensada revestida com esteira de junco e faixa preta lateral. Seu formato e tamanho são padronizados. É o piso das áreas secas de uma residência e serve de medida para os cômodos.

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Índia

Mandala é uma circunferência usada como arte pelos antigos povos. A mandala ainda é criada no presente geralmente

usando compasso.

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• A mandala como simbolismo do centro do mundo dá forma não apenas as cidades, aos templos e aos palácios reais, mas também a mais modesta habitação humana.

• A morada das populações primitivas é comumente edificada a partir de um poste central e coloca seus habitantes em contato com os três níveis da existência: inferior, médio e superior.

• A habitação para ele não é apenas um abrigo, mas a criação do mundo que ele, imitando os gestos divinos, deve manter e renovar.

Assim, a mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus.

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• Normalmente divididas em quatro secções, pretende ser um exercício de meditação e contemplação. O objetivo da arte na cultura budista tibetana é reforçar as quatro nobres verdades.

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Mandala indiano.

1. Palácio 2. Ambiente

cósmico

1

2

(64)

Templo semiesférico (stupa) de Sanci - séc. I aC.

Índia.

(65)
(66)

Templo Khajuraho - séc. IX dC.

Índia.

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Bibliografia

BENEVOLO, Leonardo. “ A História da Cidade” , São Paulo, Perspectiva, 2012.

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