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Richard Foxe

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Academic year: 2022

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Richard Foxe

ARTIGOS, CONTOS &

TEXTOS DE HUMOR

© 2019

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A SEMIÓTICA NA IDADE DA PEDRA

A semiótica é a ciência dos signos, a base da análise de qualquer forma de comunicação, seja ela escrita, verbal ou não-verbal. Saussure afirma que um signo é o relacionamento entre dois elementos: um significante (imagem ou som) e um significado. Um pouco diferente, embora não contraditória, a visão de Peirce, o qual introduz um terceiro elemento: o Interpretante. É interessante notar que toda a brilhante construção teórica de Umberto Eco se fundamenta, basicamente, sobre o conceito peirceano de semiose ilimitada e sobre a influência do ambiente cultural no desenvolvimento dos Interpretantes.

Sabemos que no mundo moderno existem variadas formas de comunicação envolvendo, principalmente, a troca de imagens, sons, músicas, textos transmitidos por via telemática (torpedos, e-mails, MSN, etc.). No entanto a comunicação verbal permanece primacial. Todavia, na medida em que tentamos reconstruir e entender formas de comunicação anteriores, podemos encontrar dificuldades na identificação das técnicas utilizadas em épocas muito remotas.

Decerto, aos tempos de Júlio César, existia, além da linguagem falada, também a escritura cujo entendimento, lamentavelmente, estava limitado a uma fração minoritária e erudita do povo romano. Dois mil anos antes do início da nossa era, basicamente ainda não havia algum tipo de escritura, pelo menos na Europa, sendo os hieróglifos do Antigo Egito manuseados e interpretados unicamente pelos sacerdotes e pelos escribas. O resto da população era completamente analfabeta.

Se, por um lado, é correto afirmar que durante todo o Neolítico e boa parte do Paleolítico Superior os homens primitivos comunicavam entre si usando um vocabulário sintético, mas eficaz, o que se pode afirmar a respeito dos cavernícolas que viveram no Paleolítico Inferior?

Teria sido o Homo Sapiens, pra não falar no Homem de Cro-Mágnon, capaz de articular grunhidos (Significantes) hábeis para transmitir conceitos complexos (Significados)? E, fato ainda mais importante, suficientemente rápidos e claros para serem compreendidos em ambiente hostil onde a identificação imediata de uma oração do tipo: "cuidado, que a fera está nos espreitando debaixo daquela árvore, trinta passos à esquerda" podia significar a diferença entre a vida e a morte? Sem mencionar o fato, não indiferente, que, naqueles tempos, os grupos de humanos eram minúsculos, distantes entre si e, portanto, muito provavelmente falavam "dialetos" bastante diferentes.

Para tentar dar uma resposta a essas perguntas, antropólogos americanos analisaram, recentemente, mediante a técnica da Ressonância Magnética Nuclear, os restos mumificados de alguns hominídeos que viveram no norte da Europa cerca de 100.000 anos atrás, no período interglaciário do Riss-Wurm. Os dados objetivos mostraram que, enquanto as cordas vogais e o aparelho de fonação eram menos desenvolvidos que os do homem contemporâneo, na região perianal foi observada uma estrutura muscular bastante complexa e completamente ausente na anatomia do homem moderno. Após uma cuidadosa avaliação tanto desses achados experimentais, como do ambiente natural em que os hominídeos viveram, os cientistas chegaram a uma conclusão surpreendente: a primeira forma de comunicação entre os humanos era realizada por meio de flatulências!

Durante dezenas e dezenas de milhares de anos, as ventosidades constituíram a principal forma de linguagem, sendo substituídas, mas muito lentamente, pela palavra falada. Os antropólogos afirmam que esse tipo de comunicação possuía várias vantagens em relação àquela verbal. Antes de tudo era rápida, quase imediata e, na calma das savanas, podia ser ouvida a grande distância, sem que as feras pudessem discriminar entre as ventosidades soltas pelos caçadores e aquelas emitidas por

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outros animais. Outra qualidade saliente era o limitado gasto de energia, cerca de cinquenta vezes menor que a requerida na transmissão do mesmo conceito mediante a voz.

Provavelmente se tratava de uma linguagem binária, a mais eficiente que se conheça. Por exemplo, uma estrondosa flatulência bifásica (tipo pum-pum) ia ser apropriada como sinal de ataque, enquanto outra mais baixinha e continuada (tipo prrrrrrrrrrrr) podia servir como sinal de alarme ou de perigo. A anatomia revelada pela RMN sugere, também, que os humanos tinham a possibilidade de imitar à perfeição os sons do ambiente natural, ou seja, pedras que se chocam, estrondos, trovões, etc. Destarte, as presas eram surpreendidas e capturadas, os predadores enganados e ludibriados, e a raça humana emergiu e se afirmou como espécie dominante, bem no topo da cadeia alimentar.

A comunicação entre os cavernícolas também teve suas vantagens, pois era rápida e sintética. Uma flatulência seca e decidida (pum!) era o mesmo que dizer "para de me encher!". Outra, fina e comprida (pfiuuuuuuuuu), acompanhada de um olhar meigo e lânguido, podia significar "te amo, quer casar comigo?", e assim por diante. A combinação quase ilimitada dos possíveis sons e tons, tornavam esse tipo de linguagem tão rico e efetivo quanto a moderna linguagem verbal.

Nesse sentido, Umberto Eco afirmaria que o modo hermenêutico de se aproximar às ventosidades do homem das cavernas representa o caminho melhor para apreciar uma autêntica forma de arte pré-histórica.

Embora ainda permaneçam algumas dúvidas, cientistas entrevistados a respeito do assunto concordam em afirmar que havia uma possibilidade concreta de veicular notícias mediante a emissão repetida de fortes flatulências. Todos os dias, ao anoitecer, um "locutor" dotado de uma

"voz" clara e sonora, podia ter subido no topo de um rochedo com a finalidade de informar os membros da sua tribo sobre os acontecimentos mais importantes do dia. Teria sido um verdadeiro telejornal pré-histórico "ante litteram", eventualmente retransmitido, em "cadeia nacional" por trogloditas de tribos diferentes. Impossível saber se, durante essas transmissões, havia também informes publicitários...

Resta apenas uma pergunta: por qual motivo as ventosidades foram substituídas lenta, mas inexoravelmente, pela palavra? Mais uma vez a ciência nos dá uma resposta.

No decorrer dos milênios, devido o excessivo consumo de carne, a flora bacteriana do Homo Sapiens sofreu uma alteração. As flatulências, que durante séculos e séculos foram quase que inodoras, começaram a se tornar fedorentas, poluindo a atmosfera das cavernas que, único abrigo existente na época, deviam estar lotadas de pessoas. Assim, durante a noite ou no inverno, os homens se viram obrigados a se comunicar verbalmente construindo, no decorrer do tempo, um vocabulário completo de verbos, adjetivos e substantivos, basicamente o mesmo que usamos há milhares de anos.

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GOLPE NA VENEZUELA

Golpe!

Não existe outra palavra para definir a decisão do Supremo Tribunal da Justiça da Venezuela (TSJ) que na madrugada de ontem (06/09/2016) declarou nulos todos os atos do Parlamento em que, nas últimas eleições em 6 de dezembro, a oposição ganhou com maioria de 70%.

Faz, portanto, 24 horas que a Venezuela tornou-se oficialmente uma ditadura. Com efeito, a mais alta expressão da democracia, o Parlamento eleito pelo povo, foi silenciado por um TSJ 100%

chavista, cujos juízes foram escolhidos a dedo pelo regime.

Até agora, todas as leis parlamentares, desde a economia até a anistia para centenas de presos políticos, haviam sido declaradas "lixo" por Nicolás Maduro, mas a decisão do TSJ demonstra como o presidente está disposto a substituir o atual "inútil Parlamento golpista" com as "Comunas", organizações políticas populares nomeadas pelo regime.

A situação na Venezuela está se tornando cada dia mais trágica porque, embora sejam os militares a cuidar de tudo, desde a distribuição de rações alimentares ao controle do petróleo e dos portos e até à distrubuição do papel higiénico, o descontentamento e a repressão só aumentam. Nesse últim fim de semana Maduro foi vaiado e caçado de uma das cidades mais pobres da região de Nueva Esparta, onde havia ido para fazer um comício.

Naturalmente o jornalista Braulio Jatar, de Reporte Confidencial, que teve a ousadia de divulgar o vídeo mostrando a firmeza da reação popular, foi imediatamente detido pelo Sebin, a polícia política da ditadura venezuelana.

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A DEMOCRACIA EM CUBA

Vamos supor que você seja um cidadão cubano e que queria enviar um torpedo a um seu amigo. Se no texto aparecer uma das frases seguintes: "A convivência é como o casamento", "a democracia é imperfeita", "você perdeu peso: dieta ou greve de fome?", "a ditadura do proletariado", "respeitar os direitos humanos" então pode ter certeza absoluta que o seu torpedo nunca será entregue. E esses são apenas alguns exemplos.

Quem fez essa revelação foi Yoani Sánchez, a dissidente cubana bastante famosa na Europa, mas desconhecida em sua terra natal. Essa senhora descobriu que também torpedos contendo outras palavras como, por exemplo, “dissidente”, “plebiscito”, “polícia política”, “eleições livres”,

“segurança do estado” e “repressão” são censurados automaticamente.

Yoani se deu conta que existem pelo menos 42 palavras proibidas. A elas temos obviamente que acrescentar nomes e sobrenomes de todos os dissidentes políticos cubanos. Principalmente os de Coco Fariñas, vencedor do Prémio Sakharov, que há anos arrisca a sua vida com greves de fome prolongadas, e Berta Soler, a líder das "Damas de Blanco", o grupo de mulheres que exigem a libertação de seus maridos e filhos presos políticos. Em suma, tudo o que não seguir a linha imposta pelo castrismo cubano é censurado sem piedade e de nada adianta reclamar junto à companhia telefônica: quem insistir enviando torpedos “proibidos” pode ter o contrato cancelado. E quem se atrever a manifestar publicamente o seu desdém, vai receber uma visita da polícia política.

Até agora, a abertura de Barack Obama em relação a Cuba tem feito mais danos do que benefícios, especialmente no que diz respeito à liberdade de expressão. Quem comprova isso são os dados:

somente no agosto desse ano houve, em Cuba, 517 prisões políticas totalizando nada menos que o assombroso número de 7.800 desde o início de 2016; ou seja, mais que o dobro em comparação ao período anterior a “abertura” de Obama.

Vale a pena levar em conta que, durante os últimos doze meses, bem 80mil cubanos fugiram da ilha, uma quantidade que não se via desde 1980. Seria interessante saber quem são essas pessoas que tanto detestam o “paraíso socialista” em que tiveram a sorte de nascer.

Sem dúvida deve tratar-se das famosas zelites brancas, burguesas, neo-liberais, fascistas, golpistas!

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CUBA: A REVOLUÇÃO TRAÍDA

“Queríamos apenas restaurar o Constituição de 1940, que havia sido suspensa por Batista e voltar a votar. Quando Castro tomou o poder, ele estabeleceu imediatamente um novo absolutismo. Nós, os dissidentes que o haviam apoiado, começamos a considerá-lo como um traidor […] e jamais teríamos imaginado de ajudar o estabelecimento de um novo regime ditatorial". Assim fala o poeta Anjo Cuadra, internado por quinze anos num gulag cubano.

Efetivamente a revolução de 1959 foi vivenciada pela maioria de seus protagonistas como uma luta para o retorno à democracia, mas acabou gerando uma ditadura comunista. Hoje sabemos que Castro não foi forçado pelas circunstâncias (e nem pelos Americanos) a suprimir a democracia e edificar um estado totalitário, embora ele não fosse o mais totalitário entre os membros da nova classe dominante.

Bem pior que Fidel foi outro revolucionário pró-soviético, o mítico comandante Che Guevara.

Mesmo antes da vitória, Guevara escreveu: "Eu pertenço aqueles que acreditam que a solução dos problemas deste mundo está por trás da cortina de ferro". Idéias claras sobre como seguir o modelo totalitário de Stalin. E, de fato, nos meses seguintes à vitória de janeiro de 1959, o Che contribuiu ativamente para o fuzilamento de 600 pessoas, incluindo vários membros da oposição. Nomeado Ministro da Indústria (mesmo sem conhecer os elementos básicos da economia) ele implantou em Cuba o modelo soviético, com a centralização nas mãos do Estado de todos os meios de produção.

Che instituiu a Guanaha o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos enquanto os dissidentes eram julgados por tribunais especiais nos quais não havia o direito de defesa. Em junho de 1959 Castro suspendeu as eleições e à oposição que o criticava, respondeu com arrogância:

"Eleições? Pra quê?” Logo depois ele revogou a Constituição de 1940 (que garantia os direitos fundamentais) e começou a governar de forma absolutista.

Os comunistas nunca foram hegemônicos na frente revolucionária e a Igreja cubana, liderada pelo arcebispo Serantes, havia sido, contra Batista, até mais ativa do que eles. Serantes, uma figura que lembra monsenhor Oscar Romero (assassinado a El Salvador em 1980) havia firmemente condenado Batista e a violência das milícias de direita; além disso permitiu a ida de muitos sacerdotes para a Sierra, onde Castro estava organizando a guerrilha anti-Batista. No entanto, após a vitória de Castro, a Igreja se opôs à dura repressão das formações não-comunistas e o ditador convidou todos os sacerdotes a irem embora de Cuba.

O chefe do sindicato dos trabalhadores da indústria do açúcar, David Salvador, havia liderado todas as principais greves contra Batista, mas, sendo ele uma pessoa profundamente democrática, não aceitou que em 1959 os líderes sindicais fossem nomeados pelo regime sem serem eleitos pelos operários. David foi preso e logo após Castro cancelou o direito de greve.

Um dos principais líderes da revolução, Humberto Sori Marin, era um liberal que, quando nomeado ministro da Agricultura, planejou a redistribuição dos latifúndios aos pequenos produtores: Castro não aprovou o seu plano e mandou o exército ocupar as terras, suprimindo qualquer tentativa de resistência camponesa à campanha de coletivização total. Quanto a Sori Marin, foi fuzilado.

Outro grande líder que se deu mal foi Huber Matos Benítez, o lendário conquistador de Santiago e herói da guerrilha na Sierra. Ele também tentou se opor à nacionalização forçada das campanhas, mas foi preso, julgado sem direito de defesa e sentenciado a vinte anos de prisão. Vale a pena salientar que tanto Raul Castro (irmão de Fidel) quanto Che Guevara queriam que Matos fosse fuzilado: foi o próprio Fidel que, no intento de não fazer desse opositor um mártir pela liberdade, optou por uma pena menor. Durante os 20 anos de detenção matos escreveu um livro intitulado “ Cómo llegó la noche” (Como chegou a noite).

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O destino de Huber Matos cruzou-se com o de uma das maiores personalidades da Revolução, o famoso Camilo Cienfuegos, pessoa alegre, humana e bastante descontraída. Cienfuegos recebeu a ordem de Castro de prender Matos, na época comandante militar da província de Camaguey e, aos 23 de outubro de 1959 Cienfuegos apareceu na TV de Camaguey informando da prisão de Matos.

Apenas cinco dias depois, o avião de Cienfuegos caiu misteriosamente e nunca mais os destroços foram recuperados, apesar de se tratar de uma área bastante limitada. A versão oficial culpa uma tempestade que teria derrubado o Cessna do revolucionário, mas o Serviço Meteorologico cubano afirmou que o tempo estava ótimo e, por outro lado, do avião não veio nenhum pedido de socorro.

Não poucos historiadores acreditam que Camilo Cienfuegos foi morto por ordem de Fidel Castro, invejoso da popularidade desse homem descomunal. Se o líder de Cuba tivesse sido Cienfuegos e não Fidel, provavelmente a história daquela ilha teria sido totalmente diferente.

Mais tarde, outro revolucionário vítima de Castro foi o general Arnaldo Ochoa. Esse militar havia combatido na África vencendo numerosas batalhas, suscitando a admiração dos oficiais russos e chegando a receber o título de “Herói da Revolução”. Surpreendentemente, em 1989, Ochoa foi acusado de corrupção, traição e de ser um traficante. O processo foi uma farsa e o general foi condenado à morte. Muitos se perguntaram como um homem tão leal podia ter se manchado desses crimes. Até que uns historiadores descobriram que Ochoa estava, secretamente, se opondo à ditadura cubana contando com o apoio político de Michail Gorbaciov. O seu fuzilamento teria sido uma mensagem em código que Castro enviou aos Russos para que eles deixassem de interferir na política cubana.

Após a coletivização forçada, a maioria dos grupos de guerrilha urbana anti-Batista buscou refúgio na Sierra para lutar contra o novo ditador. O mitológico Che, junto com Raúl Castro, desencadeou uma repressão tão feroz de ultrapassar, em número de mortes e atrocidades, décadas de regime de Batista: as famílias dos camponeses rebeldes foram deportadas em massa no outro lado da ilha. O próprio Guevara organizou a Guanaha o primeiro campo de "reeducação", tendo, como modelo, um gulag soviético. Um dos líderes da insurreição, Carrera, que também fora um dos protagonistas da revolução '59, foi pessoalmente morto por Guevara. Em Santa Clara foram assassinados sem julgamento 381 "bandidos" em um único dia. Na prisão de Lloma de Coches as vítimas foram mais de 1.000 em poucos dias. Luis Boitel, líder estudantil de oposição a Batista que havia lutado ao lado de Castro, foi encarcerado na prisão de Boniato onde morreu após 53 dias de greve de fome, declarando: "Estou em greve de fome para obter os direitos reservados aos presos políticos; os mesmos direitos que vocês pedem para os outros países da América Latina e negam ao seu."

Em meados dos anos ‘60 os comunistas hegemonizaram a frente revolucionária e todos os outros partidos foram dissolvidos. Foi logo instituída uma eficiente polícia secreta, a DSE, liderada por Ramiro Valdes. A DSE foi dividida em várias seções e uma dela, a VIII, tem o papel de cuidar dos turistas impedindo que entrem em contato com elementos da oposição ou vejam coisas desagradáveis. Destarte, os intelectuais de esquerda que vão passar suas férias em Cuba se convencem que a ilha é um verdadeiro paraíso socialista.

Além disso, um outro corpo, o DEM, organiza milhares de informantes e espiões, distribuídos secretamente entre a população civil, o exército e a própria polícia secreta. A “especialidade” da Dirrecion 5 do DEM é a eliminação física de adversários políticos indicados por Castro.

Nos campos de "reeducação" denominados UMAP, estão detidos católicos, protestantes, Testemunhas de Jeová, homossexuais e todos os elementos tidos como "potencialmente perigosos para a sociedade". Cada cela de 30 metros quadrados abriga 42 prisioneiros; os guardas exploram as fobias dos prisioneiros, os obrigam a calçar sapatos com solas de chumbo, injetam neles pentothal ou outras drogas para mantê-los acordados, e mantêm a ordem utilizando choques elétricos, execuções simuladas e outras torturas físicas e psicológicas.

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Mas será que todos estes sacrifícios pelo menos serviram para fazer de Cuba um país onde as pessoas vivem melhor? A resposta é não. O bem-estar social, o principal objectivo do regime castrista, não é garantido: o PIB per capita mal alcança $4.500: uma ninharia em comparação com os $31.000 da Itália. Até a Albânia, com seus $5,500 ultrapassa Cuba. E, ficando no continente americano, temos o Chile e Argentina, respectivamente com $14.500 e $13.000 e a Colômbia que, embora atormentada pelo terrorismo chega a $7,500.

Quanto ao sistema de saúde cubano, uma investigação independente realizada pelo professor Julian Antônio Borrego Mone em 2007, mostra uma realidade muito diferente daquela apresentada pela propaganda oficial. Por exemplo, no hospital de Santa Clara uma invasão de baratas contaminou tudo, desde alimentos até equipamento cirúrgico. Em Ciego de Havila, a falta de equipamentos e medicamentos essenciais obrigou dois hospitais locais a suspender todas as cirurgias. Em Camaguey, todos os hospitais locais registram falta de material de base para testes de laboratório.

Em Holguin, apagões constantes obrigam os médicos a utilizar as lâmpadas de querosene.

Até na capital um paciente doente de AIDS queixou-se das péssimas condições higiênicas: água contaminada e fezes de animais em cada quarto. Em Cienfuegos, nas farmácias, faltou aspirina durante meses e meses. Sem falar na escassez crônica de ambulâncias, nas intermináveis listas de espera, na frustração crescente de pessoal médico e paramédico que vê, muitas vezes, uma burocracia lenta e corrupta negar suas solicitações. E nas frequentes epidemias de dengue!

Seria errado culpar o embargo dos EUA pela catastrófica situação em Cuba, como, ao em vez, sempre sustentou a propaganda cubana e pró-cubana em todo o mundo. Frisamos que, até 1991, Cuba foi apoiada financeiramente pela União Soviética, sendo que a Rússia comprava o açúcar a preço político e não ao de mercado. Após a dissolução da URSS, o regime de Castro estabeleceu novos negócios com a Europa, com os antigos países soviéticos e, desde 1998, mantém relações comerciais privilegiadas com a Venezuela, o maior produtor de petróleo da inteira América Latina, que ainda lhe vende petróleo a preço de banana.

Em troca, o regime de Castro tem se destacado na exportação de um produto especial: a violência política. Dezenas de milhares de soldados e conselheiros militares (mais ou menos voluntários) foram lutar em Angola, Moçambique, Etiópia e Nicarágua, para "exportar a revolução". O regime de Castro é suspeito de ter também secretamente apoiado a guerrilha comunista em El Salvador, os guerrilheiros das FARC na Colômbia e, indiretamente, também o terrorismo da ETA na Espanha.

Ainda é difícil calcular os prejuízos, os sofrimentos, a miséria e as mortes causadas, em Cuba e no resto do mundo, durante mais de meio século de poder absoluto de Fidel Castro, pai e carrasco (junto com Che Guevara) da revolução cubana.

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OS ANJOS EXISTEM?

20 de Dezembro de 1943.

Uma formação de bombardeiros americanos B-17, pertencente ao 379th Bomber Group USAAF, está prestes a atacar a cidade de Bremen, no norte da Alemanha, quando é surpreendida por uma forte reação da artilharia contra-aérea e, em seguida, atacada por uma asa de caças alemães BF-109 e FW-190. Os aviões americanos se dispersam logo: cada um por si. Entre eles, o do tenente piloto Charles Brown que, tendo três artilheiros feridos e um já morto, além de graves danos na fuselagem e num dos motores, tenta se safar do combate descendo a poucas dezenas de metros de altura onde pega de raspão as plantas cobertas de neve. Procura voltar na formação, mas é alvo de novos ataques.

Rapidamente a situação piora. Um motor pega fogo e a bordo estão todos feridos. O próprio Brown, ferido no ombro, aplica aos tripulantes injeções de morfina, enquanto o co-piloto Luke mantêm o avião para fora da formação. Também o sistema de oxigênio é danificado pelas rajadas, e o tenente Brown já respira com dificuldade quando retoma o comando da aeronave. Ele desmaia e o avião começa a cair. O B-17 desce em espiral, o motor pára. Os caças alemães, imaginando que a aeronave inimiga esteja prestes a se espatifar, largam a presa e voltam a perseguir a formação de bombardeiros.

Brown consegue inalar um pouco de oxigênio e recupera os sentidos, mas descobre que está sozinho. Todos os companheiros estão mortos ou desmaiados. O tenente recupera as forças e volta a subir de altura. Infelizmente um caça alemão BF-109 está de atalaia. O comanda o famoso piloto Franz Stigler, um ás da aviação que totalizou nada menos que 22 vitórias e não vê a hora de ganhar a sua cruz de cavalheiro. Ele sabe que, se derrubar um bombardeiro, não apenas irá ganhará a prestigiosa condecoração, mas haverá um inimigo a menos a soltar bombas sobre a população inerme das cidades alemãs. Também Stigler está sozinho e, por isso, se aproxima com cautela à cauda do B-17 imaginando ser logo atingido por uma rajada de traçantes, mas não acontece nada.

Sem saber o que está acontecendo dentro do bombardeiro, Stigler se aproxima à lateral do avião americano e se depara com uma cena infernal: de um imenso rasgo na fuselagem o piloto observa os inimigos aparentemente sem vida e poças de sangue em todo canto. Naquele instante se lembra das palavras do seu ex comandante Gustav Rödel: “Se um dia vir ou ouvir de algum de meus pilotos atirando num homem descendo de para-quedas, eu mesmo o matarei”.

Stigler se aproxima mais ainda ao cockpit do inimigo. Brown, imaginando que se trate de uma macabra caça ao rato, aguarda impotente o tiro de misericórdia que demora pra chegar e nem pode acreditar quando o adversário o cumprimenta gesticulando. Brown não entende que o alemão está indicando o caminho para a Suécia, nação mais próxima que a Grã Bretanha, e continua no seu curso inicial, rumo à Inglaterra.

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Às vezes Brown desmaia, mas, quando abre os olhos, de novo vê aquele estranho anjo da guarda voando emparelhado, que não apenas não o derruba, mas o protege de outros ataques. Agora sobrevoam juntos o Mar do Norte, e Stigler, mesmo ciente do risco de se deparar com um esquadrão de caças aliados, resolve prosseguir. Quando, enfim, vislumbra as costas da Inglaterra percebe o perigo iminente e resolve voltar para casa. Antes, porém, se aproxima de novo à cabine do bombardeiro, procura os olhos do piloto e, quando os encontra, o cumprimenta com um gesto.

Logo em seguida desaparece.

Apesar do danos, Brown consegue aterrissar no gramado da RAF em Seething, de onde havia decolado. Apenas um de seus companheiros falece, mas os demais oito estão a salvo, embora todos gravemente feridos. Brown sobrevive à guerra e volta nos Estados Unidos. Em seguida combate na guerra do Vietnã e se aposenta em 1972. Também Stigler sobrevive à guerra, com 400 missões como piloto de caça. Em 1953 chega ao Canadá onde se torna um empresário muito bem sucedido.

Até o conflito mundial terminar, nenhum dos dois revela o que aconteceu naquele 20 de Dezembro de 1943. Stigler teria arriscado muito, inclusive ser processado por uma corte marcial. Brown temia que seus colegas aviadores, confiando na piedade de seus adversários, morressem ainda mais rápido. Ao longo dos anos Brown chegou até a duvidar do que tinha vivenciado, pensando que tudo não passava de uma alucinação produzida pela sua mente enquanto estava em falta de oxigênio.

No entanto, nunca parou de lembrar aqueles fatos e, em 1986, resolveu publicar uma carta para procurar o piloto que lhe havia salvado a vida. Stigler leu a carta e respondeu: “Fui eu!”

Enfim, em 1990, os dois se encontram e se tornam amigos até 2008, ano em que ambos faleceram.

Se alguém ainda estava duvidando se os anjos existem, a resposta se encontra nesse fato verídico.

Sim, os anjos são raros, mas existem de verdade!

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O ABORTO É SEMPRE UM CRIME?

No dia 02 de Outubro desse ano (2016), no Pronto Socorro de um hospital público da cidade de Catânia (Sicília) se apresenta uma mulher de 32 anos, ao quinto mês de gravidez. Durante os primeiros 15 dias tudo procede normalmente e os médicos constatam que ela está grávida de dois gêmeos.

De repente o quadro clínico piora: a gestante é acometida por fortes dores abdominais e febre alta enquanto a pressão arterial colapsa em continuação. Os controles revelam que um dos fetos respira com dificuldade e, se ele não for removido urgentemente, a mãe pode vir a óbito. No entanto, o médico de plantão, católico, recusa-se a intervir e, consequentemente, tanto a jovem como os dois fetos falecem.

Assim, por motivos eminentemente ideológicos, dois seres humanos que poderiam ter sido salvos, perdem suas vidas. Nesse caso o aborto seria um crime? Ou não foi bem mais criminosa a atitude do médico?

Agora, gostaria de perguntar aos antiabortistas de plantão como teriam reagido se aquela mulher tivesse sido a sua esposa, sua filha ou sua irmã...

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NINGUÉM É PERFEITO, NEM O DR. BEN CARSON

Acabo de ler uma notícia veiculada por um jornal italiano. Parece, digo parece, que Donald Trump convidou o Dr. Ben Carson para exercer um cargo no novo governo, mas o cientista de fama internacional, por enquanto, não aceitou o convite. Mas quem é o Dr. Carson? Decerto quem assistiu ao filme “Gifted Hands” (no Brasil: "Mãos Talentosas: A História de Ben Carson") sabe de quem se trata. Para os que não assistiram resumo, brevemente, a vida desse ilustre médico norte- americano.

Filho de um casal separado de afro-americanos pobres, enfrentou dificuldades durante o ensino fundamental tornando-se, desde logo, o pior aluno de sua classe. A mãe, desesperada, o obrigou então a ler dois livros por semana tendo que apresentar relatórios escritos sobre o que lia. Essa

“terapia” funcionou e Ben se formou com honras no ensino médio. Em seguida ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, tornando-se neurocirurgião pediátrico.

Enfim, aos 33 anos, tornou-se chefe dos residentes em neurocirurgia no prestigioso hospital John Hopkins, o primeiro afro-americano a alcançar esse cargo. A carreira de Ben foi simplesmente fantástica. Em 1987 entrou para a história da medicina quando, primeiro no mundo, conseguiu separar gêmeos siameses unidos pela cabeça. Esse procedimento levou cinco meses de planejamento, 26 horas na execução e envolveu, em tudo, 50 colaboradores, entre médicos, enfermeiros e técnicos. Durante os anos seguintes o Dr. Carson continuou a operar tornando-se um luminar da neurocirurgia infantil. Trata-se de um raro exemplo de dedicação, de força de vontade, de amor pelo estudo e pela ciência, ingredientes que fizeram do Dr. Carson um dos homens mais admirados do planeta.

Mas tem um detalhe…

O ilustre neurocirurgião, profundamente conservador, é também um criacionista convencido. Fiquei de queixo caído ao descobrir que esse grande cientista ainda acredita que os cavernículas lidavam com os dinossáuros, igual os desenhos animados dos Flintstones! Esse médico não sabe que a Bíblia fala por alegorias e não deve ser interpretada ao pé da letra?

Naturalmente cada qual tem a liberdade de acreditar no que mais lhe agradar e, portanto, a admiração que tenho pelo Dr. Ben Carson vai permanecer intacta. Apenas vou fazer minhas as palavras do general Maárbal quando, dirigindo-se a Hanibál vitorioso, disse: “Vejo que os deuses dão a um homem muitas dádivas, mas não todas.” Dessa vez os deuses esqueceram de dar ao Dr.

Carson a habilidade de discernir entre a realidade e a mitologia, entre o que é comprovado e o que pertence à esfera da ideologia. Mas, afinal, ninguém é perfeito e até o próprio Einstein desacreditava na mecânica quântica. Fazer o quê?

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A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO NA VISÃO DE NIETZSCHE

"A história do Cristianismo, da morte na cruz, é a história da interpretação errada de um simbolismo originário que tornou-se progressivamente mais ordinário. Na medida em que o Cristianismo espalhou-se entre multidões cada vez mais amplas, cada vez mais primitivas, que progressivamente se afastavam das condições nas quais fora gerado, tornou-se necessário vulgarizar e barbarizar o Cristianismo."

Esse Cristianismo barbarizado, "absorveu as doutrinas e os ritos de todos os cultos subterrâneos do Império Romano e os absurdos de todas as mentes doentias. O destino do Cristianismo está na necessidade que a sua própria fé se torne tão doente, baixa e vulgar quanto doentes, baixas e vulgares foram as necessidades que teve que satisfazer. Enfim, a própria barbárie malsã constituiu o próprio poder como Igreja; a Igreja, essa forma de hostilidade mortal contra cada retidão, contra cada eminência da alma, contra cada disciplina do espírito, contra cada humanidade sincera e boa.”

Friedrich Nietzsche

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O NATAL ESTÁ CHEGANDO, MAS O NATAL DE QUEM?

No Mundo Antigo, o dia 25 de dezembro coincidia com um evento astronômico de notável importância: o solstício de inverno. Para os nossos antepassados era uma data extremamente importante, pois um inverno frio podia significar a morte de muitas pessoas. Por isso, o dia em que as horas de luz voltavam a crescer era comemorado com todas as honras, pois era como se o sol voltasse a renascer e já na Antiga Roma, séculos antes de Cristo, entre os dias 17 a 24 de dezembro eram comemorados os Saturnais em honra de Saturno, deus da agricultura.

É portanto evidente como o dia 25 de dezembro passou a ser o natal de muitas divindades como, por exemplo:

-o deus Tamuz na antiga Babilônia;

-o deus Horus no antigo Egito;

- o deus Mitra, também conhecido como o Salvador na Pérsia antiga e na Roma imperial;

- o deus Quetzalcóatl no México pré-colombiano.

- o deus Bacab, nascido de uma virgem, no Yucatan;

- o deus Sol Invictus no Império Romano;

- o deus Freyr, na Escandinávia;

- o deus Baco na Grécia antiga;

- o deus Adônis, na antiga Síria;

- o deus Ati na antiga Frígia, outro "Salvador" simbolizado por um cordeiro.

A constituição formal da festa litúrgica de Natal, como o aniversário do nascimento de Jesus e sua localização no dia 25 de dezembro, foi estabelecida entre os Cristãos somente a partir do ano 336 d.C. Ademais, como nos Evangelhos se fala textualmente em "pastores que dormiam ao relento", é evidente que isso teria sido impossível em pleno inverno. Portanto, de acordo com muitos estudiosos, o mês mais provável para o nascimento de Jesus deve ter sido outubro.

Quanto ao massacre dos inocentes, não há nenhuma evidência contemporânea desse fato. O historiador Flávio Josefo, que relata a vida de Herodes até nos mínimos detalhes (chegando até a narrar que ele costumava pintar o cabelo) nada diz em relação a esse episódio.

Onde nasceu Jesus?

As Escrituras afirmam que Jesus teria nascido na cidade de Belém.

Segundo essa tradição, a partir da convergência de diferentes narrativas de Mateus e Lucas, que representam as únicas fontes históricas relacionadas com o nascimento de Cristo, o local de nascimento teria sido Belém, na Palestina. Em contraste, os estudiosos seculares e até alguns cristãos contemporâneos negam o valor histórico das narrações relativas à infância. Segundo esses estudiosos, a afirmação do nascimento em Belém não é um fato histórico, mas um símbolo teológico do messianismo davídico de Jesus.

Muitos acreditam que o lugar de nascimento de Jesus seria a cidade onde ele foi criado ou outros locais da Galileia, como, por exemplo Cafarnaum. Outros estudiosos, mesmo não especificando uma localidade exata, excluíram ele ter nascido em Belém. Se aceitarmos que Jesus era oriundo da Galileia, então não faria sentido os pais dele terem se deslocado a Belém (que fica na Judéia) por causa do censo. Para os administradores romanos o que realmente importava era saber o número exato de habitantes de uma região para poder determinar a carga tributária. Não teria sido de

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utilidade alguma computar as famílias que residiam fora de uma determinada província, isso iria só gerar confusão nos cálculos.

Onde viveu Jesus?

De acordo com alguns estudiosos leigos modernos, o apelido teológico-messiânico de Nazareno seria, na realidade, a pronúncia errada da palavra "nazireu". Portanto, o adjetivo nazareno não estaria relacionado a um lugar geográfico e sim ao voto de estar a serviço de Deus por um tempo determinado ou por toda a vida. Por outro lado o termo nazireu pode derivar da palavra hebraica netzer, que significa broto ou galho e, portanto, com base em Is. 11,1 e Ger. 23,5 teria um significado messiânico.

Então, onde foi que realmente Jesus viveu? Muitos autores acreditam que ele e seu pai viveram na cidade de Cafarnaum, tanto que, em apoio a esta tese, é citada uma passagem do Evangelho de João em que Jesus pregou na sinagoga de Cafarnaum e seus oponentes diziam que ele era o filho de José.

E o presépio?

O primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223.

Nesse ano, em vez de festejar a noite de Natal na Igreja, como era seu hábito, o santo o fez na floresta de Greccio, para onde mandou transportar uma manjedoura, um boi e um burro, para melhor explicar o Natal às pessoas comuns, camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus.

No entanto, a tradição segundo a qual o Salvador teria nascido entre dois animais, não passa de um crasso erro de tradução. Com efeito, o texto original grego "no meio de duas idades" foi traduzido em latim "in medio duorum animalium" devido a semelhança entre o genitivo plural de zon (idades) e o genitivo plural de zoon (animais).

Nesse caso, o verdadeiro jumento foi o tradutor!

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BARRABÁS SERIA O ANTICRISTO?

Tradicionalmente, Barrabás é identificado nos Evangelhos como "salteador" ou "assassino". De uma certa forma seria o oposto de Cristo, uma pessoa egoísta, um malvado desprovido de amor, de humanidade, quase um símbolo do Anticristo. Mas será que essa imagem corresponde à realidade?

A resposta é não, e isso pode ser facilmente comprovado.

Vamos começar pelo nome.

Na atual tradução do Evangelho de Mateus está escrito: "E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás" (Mateus 27,16). Entretanto trata-se de uma tradução que omite uma palavra extremamente importante. Com efeito, o antigo texto escrito em grego diz: "Tinham, naquele tempo, um preso famoso, Jesus Barrabás" (1). Destarte descobrimos que o nome de Barrabás era Jesus.

Por qual motivo as traduções modernas censuraram o primeiro nome de Barrabás? Não será porque também Jesus, nos Evangelhos, era chamado "Joshua bar Abba", ou seja, literalmente, Jesus o filho do Pai, exatamente como Barrabás? Nessas alturas surge espontaneamente uma pergunta: foram objetivamente duas pessoas diferentes (embora com o mesmo nome e o mesmo apelido) ou uma só pessoa? É realmente inacreditável que no mesmo processo, no mesmo dia, na mesma hora, tinham aparecido duas pessoas com o mesmo idêntico nome: isso cheira a história muito mal contada.

Mas vamos agora analisar o motivo pelo qual Barrabás foi preso. A tradição atesta que ele havia sido preso pelos Romanos por ter assassinado um homem. No entanto, no Evangelho de Marcos está escrito: "Um homem chamado Barrabás estava na prisão com os rebeldes que haviam cometido assassinato durante uma rebelião" (Marcos 15,7).

Portanto, tanto Marcos como Mateus não apenas não afirmam que ele fosse um homicida, e nem sequer um dos revoltosos. Apenas nos dizem que o réu havia sido aprisionado durante uma revolta na qual alguém havia cometido um assassinato. Essa forma de narrar os acontecimentos parece até sugerir que Barrabás nada tinha a ver com o referido motim.

Examinamos agora o comportamento de Pilatos. O Prefeito romano, após ter condenado tanto Barrabás como Jesus, pressionado pelo populacho, manda soltar o primeiro, condenado à morte por um crime político de sua competência, e ordena que Jesus seja crucificado (pena reservada aos rebeldes políticos) por um crime religioso de competência exclusiva do Sinédrio. Como explicar um fato tão absurdo e contraditório? Só admitindo que tudo ocorreu de forma bem diferente de quanto afirmado pelos Evangelhos. Ou seja, Barrabás, absolvido da acusação política inconsistente, foi libertado enquanto Jesus, reconhecido culpado de insurreição, foi condenado à morte.

Os Evangelhos insistem em afirmar que o povo de Jerusalém, o mesmo que uma semana antes havia aclamado Jesus com essas palavras: "Hosana, Filho de Davi e Rei de Israel", mudou subitamente de opinião pedindo a sua condenação. Os Judeus chegam ao ponto de gritar: "O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mateus 27,25). Essa seria a mais terrível auto maldição observada em toda a história da humanidade.

É evidente que isso nunca poderia ter ocorrido de verdade, mas que esses acontecimentos foram inventados pela necessidade ideológica dos Evangelhos de fazer com que a responsabilidade da condenação de Jesus caísse exclusivamente sobre aqueles que não tinham culpa alguma, ou seja, os Judeus. Por qual motivo?

Simples, para Paulo de Tarso ter como divulgar a figura de Cristo entre os Romanos apresentando-o como uma vítima da perfídia dos Hebreus, inimigos de Roma e do povo Romano.

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Pois é óbvio que os outros povos do Império nunca teriam aceito um profeta caracterizado por uma postura patriótica e anti-romana. Ao contrário, um Jesus pacifista e tolerante em relação aos ocupantes romanos teria sido aceito (e foi aceito) sem o menor problema.

(1) Novum Testamentum Graece et Latine. E. Nestle. Stuttgart, 1957.

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SPAGHETTI WESTERN: UM SUCESSO MUNDIAL

Dificilmente os Recantistas com menos de cinquenta anos irão entender logo o significado desse título. No entanto, como facilmente imaginável, trata-se um subgênero western de produção italiana, extremamente prolífico, que alcançou o clímax durante um período de oito-nove anos, aproximadamente entre 1964 e 1973.

Os filmes western, nascidos nos Estados Unidos e bem populares até os anos ‘50, sofreram um declínio constante nas décadas sucessivas experimentando, todavia, uma renovada popularidade na Itália a partir da metade dos anos ‘60. O sucesso foi mundial, inclusive nos próprios Estados Unidos onde, no começo, a produção italiana foi tida como secundária e de menor apreço em relação àquela nacional.

Mas, além da nacionalidade da produção, o que é que mais diferencia o western italiano daquele americano? Antes de tudo podemos dizer que, no western spaghetti, o protagonista quase nunca é um herói mas, mais frequentemente, um anti-herói impulsionadao por interesses materiais, e não por idealismo. O western italiano não é nem otimista, nem moralista como o clássico original

“made in USA”, e quase sempre os personagens são movidos pela cobiça pelo dinheiro. Os enredos são geralmente mais prosaicos e crueis, e os personagens mais cínicos. As histórias de amor e as enfadonhas conversas sobre a moral puritana norte-americana são substituídas por inúmeras cenas de muita violência e ação.

Consequentemente, nos westerns italianos fica bastante atenuada a distinção entre o "bom" e o

"malvado", tão típica dos filmes americanos. Nessa revolução estilística original, imposta pelo cineasta Sergio Leone (1929-1989), todos os personagens, mesmo aqueles "positivos", aparecem geralmente mais cínicos, desleixados, sujos, mas, ao mesmo tempo, mais verdadeiros e humanos.

Até as paisagens são, de regra, inóspitas, com aldeias desoladas e poeirentas. Tudo isso concorre para gerar uma imagem certamente menos épica e muito mais dura e brutal do século XIX nas regiões do oeste americano, acabando assim com os esterereótipos mais tradicionais e nostálgicos impostos pela cultura nacional estadunidense. Vale a pena lembrar que nenhumm spaghetti western foi filmado nos Estados Unidos, mas unicamente na Itália central e do sul, na Espanha (deserto da Almería) e, ocasionalmente, na África Mediterrânea.

Um tema ausente nos spaghetti western é também a guerra contra os povos indígenas, provavelmente devido às dificuldades objetivas em encontrar atores na Europa com aparência crível como "peles-vermelhas". Mesmo assim, vários filmes apresentam temas relativos à Revolução mexicana e à luta entre os índios pobres e os ricos fazendeiros brancos.

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Entre os filmes mais conhecidos, e provavelmente os arquétipos do gênero, estão aqueles da Trilogia dos dólares, dirigidos por Sergio Leone e interpretados por Clint Eastwood. No início, o ator americano não estava interessado na oferta de Sergio Leone, mas acabou aceitando após ter lido o roteiro do primeiro filme inspirado numa obra-prima (Yojimbo) do japonês Akira Kurosawa.

Eastwood interpretaou três filmes de sucesso: "Per un pugno di dollari" (1964), "Per qualche dollaro in più" (1965) e "Il buono, il brutto, il cattivo" (1966), todos dirigidos por Leone o qual continuou produzindo os famosos "C'era una volta il West" (1968) e "Giù la testa" (1971).

Considerado lento pela crítica e pelo público, "Era uma vez no oeste" foi um fracasso de bilheteria.

O filme só foi reconhecido mais tarde, e hoje é aclamado como um dos melhores filmes de todos os tempos. É considerado também o melhor western já produzido.

Além de Sergio Leone, outros diretores renomados foram: Tonino Valerii, Florestan Vancini, Duccio Tessari, Sergio Corbucci, Enzo G. Castellari, Lucio Fulci e Sergio Sollima.

Um dos fatores que mais contribuiu ao enorme sucesso dos spaghetti western foram as trilhas sonoras com as lindas e inesquecíveis músicas do compositor Ennio Morricone, ganhador de inúmeros prêmios internacionais. Quem estiver interessado em ouvi-las, acesse ao canal Youtube e digite os títulos dos filmes citados nesse artigo. No lado direito da tela irão aparecer outras do mesmo autor.

Apesar desses filmes serem produções italianas ou ítalo-européias, o cast era sempre composto quase exclusivamente por atores americanos e italianos, uns ainda pouco conhecidos, outros já afirmados. Segue uma lista parcial dos intérpretes principais: Clint Eastwood, Gian Maria Volonté, Eli Wallach, Lee Van Cleef, Klaus Kinski, Henry Fonda, Charles Bronson, Tomas Milian, Orson Welles, John Steiner, Rod Steiger, James Coburn e Romolo Valli.

Em seguida, a partir dos anos ’70, foram produzidas inúmeras paródias divertidas dos spaghetti western que acabaram consagrando a popularidade de atores como os italianíssimos Bud Spencer (Carlo Pedersoli) e Terence Hill (Mario Girotti).

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O MISTÉRIO DO OURO NAZISTA

No verão de 1939, poucas semanas antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial (1° de Setembro de 1939) nos cofres do Deutsche Reichsbank, o banco central alemão controlado diretamente pelo governo de Adolf Hitler, se encontravam lingotes de ouro por um valor declarado de 40 milhões de dólares USA da época, correspondentes a cerca 2,4 bilhões de dólares de hoje. Na verdade esse valor era subestimado, pois o próprio Reichsbank não declarou o ouro oriundo da Áustria (anexada em 1938), da Checoslováquia e da cidade de Danzig, ambas incorporadas ao território do Reich em 1939. Em total, as verdadeiras reservas do Reich hitleriano alcançavam o valor de $71m ($4,26 bilhões em dinheiro de hoje).

Durante a guerra, os altos funcionários do regime hitleriano se apossaram ilegalmente do ouro dos bancos centrais de quase toda a Europa continental chegando a acumular um capital não inferior a

$550m ($33bi em valor atual). Esse cálculo refere-se unicamente ao ouro físico saqueado nos bancos das nações ocupadas militarmente e não compreende os ulteriores bens listados abaixo:

1) O ouro oriundo de instituições particulares;

2) As inúmeras obras de arte saqueadas nos museus e nas coleções privadas;

3) Os pertences dos Judeus encaminhados aos campos de extermínio;

4) A grande quantidade de cédulas em moeda estrangeira e as pedras preciosas.

Ainda hoje muitas pessoas que gostam de História desejam saber qual foi o verdadeiro paradeiro de tanta riqueza e esse ensaio tenta dar uma resposta correta, embora necessariamente sintética.

Antes de tudo é oportuno explicar que a Alemanha não disponha de materias primas suficientes para enfrentar uma guerra moderna durante seis anos seguidos, necessitando, em particular, de metais estratégicos como, por exemplo, o tungstênio. Por outro lado havia, na época, várias nações neutrais dispostas a vender materias primas à Alemanha; entre elas: Espanha, Suécia, Portugal, Argentina, Turquia e outras.

Apesar das restrições impostas pelos Aliados, a Suíça, por intermédio do Banco Nacional Suíço, efetuou 79% de todas as transferências do ouro alemão. Para que isso se tornasse legalmente possível o Reichsbank adotou o expediente de fundir todo o ouro ilegal produzindo novos lingotes dotados do carimbo nacional e de uma data anterior ao 1939, ano de início das hostilidades na Europa. Destarte, o governo suíço conseguiu, embora com crescente dificuldade, a enganar os Aliados e a adiar o fechamento das relações bancárias com a Alemanha.

Foi assim que o Deutsche Reichsbank continuou vendendo ouro “reciclado” aos bancos suíços recebendo, em troca, moeda nacional suíça (francos). Pagando com esses francos, os alemães adquiriam, das nações neutrais, tudo o que podia servir para sua economia bélica.

Enfim, para fechar o círculo, os Bancos Centrais de Lisboa, Madri, Estocolmo, etc., sempre com essa moeda, compravam da Suíça o mesmo ouro que havia sido lhe vendido pela Alemanha.

É evidente que, nessa barganha, a Suíça lucrava bastante e o governo desse País teria sido levado ao julgamento por crimes bancários se, logo após a guerra, a Grã Bretanha não tivesse necessitado de um ingente empréstimo junto aos bancos suíços! Como resultado, a cumplicidade dessa pequena nação alpina, que havia ajudado indiretamente a indústria alemã a sustentar o esforço bélico, foi abafada e ninguém foi punido.

Saiba, o leitor, que além da cooperação ativa entre o Deutsche Reichsbank e os bancos suíços, nesses últimos foram retidos depósitos inativos por um valor de 44 milhões de francos, além de muitos cofres de segurança, que haviam pertencido a judeus assassinados durante o Holocausto. Em

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dezembro de 2015 o Conselho federal helvético publicou uma lista de 2.600 nomes de titulares de contas inativas desde a época da guerra explicando que os titulares ou os seus descendentes tinham até cinco anos para solicitar a devolução de seus pertences, mas é extremamente improvável que alguém os reclame depois de mais de 60 anos e, portanto, toda essa bolada irá ser incorporada definitivamente ao patrimônio dos bancos helvéticos.

Felizmente, independente da palhaçada do Conselho federal, muitos cidadãos suíços e organismos religiosos conseguiram angariar centenas de milhares de francos para as vítimas do Holocausto, enquanto o Banco Nacional Suíço declarou a sua intenção de doar cem milhões de francos a um fundo especial para as vítimas do nazismo.

A segunda nação, depois da Suíça, que teve o maior intercâmbio comercial com a Alemanha nazista foi o Portugal do ditador Antônio Salazar que vendia tungstênio tanto aos Aliados como às potências do Eixo. Até 1941 o governo português foi pago em moeda britânica, mas, quando o Banco Central de Portugal descobriu que parte das libras esterlinas eram falsas, passou a exigir lingotes de ouro como forma de pagamento. Segundo pesquisadores do World Jewish Congress, durante a guerra chegaram em Portugal nada menos que 117 toneladas de ouro alemão. Quem salvou o governo Salazar da justa punição foram os Estados Unidos que, iniciada já a Guerra Fria, conseguiram convencer o Portugal a entrar na OTAN enquanto as Forças Armadas americanas estabeleceram uma base de grande importância estratégica nas ilhas Açores. Mais recentemente foi comprovado que até o santuário de Fátima possuía uns lingotes com o emblema do Terceiro Reich.

Em 1979, de acordo com uma comunicação de monsenhor Luciano Guerra, reitor do santuário, o ouro foi fundido e vendido, e o dinheiro usado para reformar o santuário; tudo com a permissão do Vaticano.

Entre 1937 e 1944 a Espanha do ditador Francisco Franco comprou da Alemanha 65 toneladas de ouro enquanto o Riksbanken da Suécia forneceu à industria bélica nazista 35 milhões de toneladas de minério ferroso em troca de 34 toneladas de ouro.

No entanto, com o aproximar-se do fim da guerra, ficou cada vez mais difícil transferir ouro da Alemanha para as nações neutrais e, em julho de 1944, em Bretton Woods, os Aliados emanaram uma resolução que obrigava, pelo menos formalmente, as nações não beligerantes a não receber ouro oriundo da Alemanha. Consequentemente uma enorme quantidade de ouro, dinheiro e diamantes ficou “encalhada” no território do Terceiro Reich.

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Devido na manhã do 3 de fevereiro de 1945 a cidade de Berlim ter sofrido um violento bombardeio americano, Walther Funk, presidente do Deutsche Reichsbank, resolveu transferir todos os bens custodiados nos cofres do banco (100 toneladas de ouro, pedras preciosas, obras de arte, etc.) para a mina de potássio de Merkers, situada 300 km ao sudoeste da capital. Embora se tratasse de um patrimônio imenso, esse tesouro, escondido numa caverna a 600 m de profundidade (descoberta pelos Aliados), era apenas uma parte de todas as riquezas saqueadas durante os seis anos da guerra.

Basicamente todos os ministros do Terceiro Reich e seus colaboradores, os chefes militares, os principais comandantes das SS, e muitos altos funcionários nazistas disponham de enormes fortunas pessoais que, em parte, conseguiram transferir para bancos suíços poucas semanas antes que a guerra terminasse. O que não foi possível transferir foi escondido nas montanhas situadas no sul da Alemanha, perto das fronteiras com a Itália e a Suíça.

Mas, voltando à pergunta inicial, qual foi o paradeiro daquela quantidade impressionante de ouro?

Deixando de lado os lingotes guardados com antecedência nos bancos helvéticos e a parte recuperada pelos Aliados e pelos Russos (devolvida aos legítimos proprietários), os próprios alemães, aproveitando do caos, se apossaram de não poucas toneladas do precioso metal. Nesse contexto, vale a pena lembrar a façanha do aventureiro Arpad Toldi, coronel da polícia húngara que, em dezembro de 1944, quando as tropas soviéticas estavam prestes a entrar em Budapeste, organizou um comboio de 40 vagões carregados com ouro, prata, platina, diamantes, quadros e outros bens, muitos dois quais roubados à comunidade judaica da Hungria, por um valor estimado em 12 bilhões de dólares de hoje. A finalidade oficial era impedir que os bens nacionais caíssem nas mãos da Armada vermelha.

O “Trem do ouro” partiu em direção da fronteira com a Áustria seguindo um trajeto a ziguezague para recolher outras riquezas antes de chegar ao destino final, ou seja, a pequena cidade minerária de Brennbergbanya onde o comboio permaneceu durante os gélidos meses do inverno de 1945. De repente, nos últimos dias de março daquele mesmo ano, Arpad Toldi mandou carregar a parte mais valiosa do “tesouro” em cima de meia dúzia de caminhões e automóveis e partiu em direção da Suíça junto com os familiares e seus colaboradores de confiança. Não tendo conseguido ultrapassar a fronteira, Toldi enterrou o tesouro em vários lugares próximos à divisa com a Suíça e se entregou às autoridades francesas. Após ter ficado preso durante um trimestre, Toldi foi solto e teve como recuperar uma parte do ouro antes de fugir definitivamente para o exterior. Nunca se soube o paradeiro desse astuto coronel.

Se Toldi era húngaro, Otto Skorzeny era alemão e oficial das SS.

Em 1943, por ordem direta de Adolf Hitler, havia se tornado famoso participando da liberação de Mussolini detento pelos militares italianos de fé monarquista. No final de abril de 1945, o famigerado Kaltenbrunner, chefe da repartição das SS que controlava a Gestapo, tomou a iniciativa de assaltar os cofres da Reichsbank em Berlin que, apesar da transferência da maioria dos valores na mina de Merkers, ainda continham uma quantidade considerável de joias, diamantes e títulos.

Esse tesouro viajou de avião e de caminhão até uma localidade próxima a Salzburgo onde foi entregue a Otto Skorzeny para que o custodiasse.

Todavia o esperto oficial, junto com outros cúmplices, fez igual à raposa encarregada de cuidar do galinheiro: sepultou tudo nas montanhas próximas e sumiu do mapa. Preso pelos Aliados e processado por crimes de guerra, Skorzeny foi absolvido em 1947 e reapareceu na Espanha em 1950, casado com uma condessa, e dono de uma empresa de compra-venda de armamentos avaliada em 300 milhões de dólares de hoje.

Se, na verdade, foram relativamente poucos os nazistas que enriqueceram com o ouro do Terceiro Reich, foram dezenas de milhares os membros das SS que, utilizando esses imensos recursos financeiros conseguiram fugir da Europa antes de serem processados pelo tribunal de Nurumberg.

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Entre os mais famosos lembramos apenas o Dr. Josef Mengele (encontrado morto na praia de Bertioga em 1979) e Adolf Eichmann (capturado em Buenos Aires pelo Mossad e enforcado em Israel em 1962). Ambos desfrutaram dos serviços da organização ODESSA (Organisation der ehemaligen SS-Angehörigen) liderada por ex membros das SS.

Pagando em ouro, a ODESSA conseguiu comprar a cumplicidade do Vaticano e da Ordem Franciscana e organizou a famosa “ratline” (via dos ratos) que ia da Áustria à Itália tendo, como ponto de apoio, vários conventos franciscanos. A Igreja católica fornecia abrigo seguro, novas identidades e passaportes falsos. Depois de ter chegado em território italiano, os ex-nazistas podiam escolher para onde partir: Espanha, Argentina, Brasil e Chile, mas também México, Estados Unidos (nação onde os cientistas nazistas foram muito bem recebidos), Canadá ou Oriente Médio.

Documentos declassificados da CIA atestam que, em 1946, cerca de 200 milhões de francos suíços foram depositados numa agência do Banco do Vaticano na Suíça e transferidos, em seguida, no banco IOR (Instituto para as Obras de Religião), na Cidade do Vaticano.

Embora o fato não tenha tido uma confirmação formal, parece que vários submarinos alemães atravessaram, em 1945, o Oceano Atlântico para transportar toneladas de ouro até a Argentina e isso explicaria o motivo pelo qual, naquela nação, houve a maior concentração de criminais nazistas de toda a América Latina.

E os americanos foram todos santos?

Existem provas que o maior roubo de todos os tempos foi aquele planejado e executado por um grupo de militares americanos no sul da Alemanha quando, em junho de 1946, se apossaram de 730 lingotes, pertencentes ao Estado alemão, cujo valor, em dinheiro atual, ultrapassaria 210 milhões de dólares. Nenhum dos responsáveis foi preso ou processado e o FBI, encarregado de investigar o caso, voltou pra casa de mãos vazias.

O escritor americano Michael Zezima, em seu livro Saving the Private Power: The Hidden History of the "Gold War" (Salvem o soldado Poder: a história secreta da Guerra do Ouro) afirma que pelo menos 50% dos militares americanos na Europa eram corruptos, inclusive os generais. Para ter uma idéia de como as tropas americanas se apossaram do que não lhes pertencia, só durante o mês de outubro de 1945, os soldados ianques, além de seus salários, enviaram para casa aproximadamente 300 milhões de dólares em dinheiro de hoje.

Em particular, um jovem sargento de origem alemã, conseguiu tornar-se o senhor absoluto da cidadezinha Bensheim. Após ter caçado os legítimos proprietários, o americano tomou posse de uma luxuosa mansão onde organizava banquetes em companhia da noiva alemã, da empregada, da governanta e da secretária. O seu nome era Henry Kissinger, futuro Secretário de Estado dos Estados Unidos vencedor do Prémio Nobel pela Paz em 1973!

Referências

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