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Segmentação do ventrículo esquerdo em usando contornos ativos (snake)

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Academic year: 2018

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(1)

TELEINFORM ´ATICA

Antoine Bouhours

SEGMENTAC

¸ ˜

AO DO VENTR´ICULO ESQUERDO EM

ECOCARDIOGRAMAS USANDO CONTORNOS ATIVOS

(SNAKE

)

FORTALEZA - CEAR ´A SETEMBROO - 2006

c

(2)

Antoine Bouhours

SEGMENTAC

¸ ˜

AO DO VENTR´ICULO ESQUERDO EM

ECOCARDIOGRAMAS USANDO CONTORNOS ATIVOS

(SNAKE

)

DISSERTAC

¸ ˜

AO

Disserta¸c˜ao submetida ao corpo docente da Coordena¸c˜ao do Pro-grama de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia de Teleinform´atica da Universidade Federal do Cear´a como parte dos requisitos necess´arios para obten¸c˜ao do grau de MESTRE EM ENGENHARIA DE TELEINFORM ´ATICA.

´

Area de concentra¸c˜ao: Sinais e Sistemas

Paulo C´esar Cortez (Orientador)

(3)

Antoine Bouhours

Disserta¸c˜ao de Mestre em Engenharia de Teleinform´atica aprovada em 09/10/2006.

Paulo C´esar Cortez (Orientador)

Dr. Giovanni Cordeiro Barroso

Dr. Jo˜ao C´esar Moura Mota

Dra. Bernadettie Dorizzi

(4)

Dedico este trabalho a Lia

(5)

Sum´ario v

Lista de Tabelas vi

Lista de Figuras viii

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 Motiva¸c˜ao . . . 2

1.2 Objetivos . . . 4

1.2.1 Objetivo Geral . . . 4

1.2.2 Objetivos Espec´ıficos . . . 4

1.3 Organiza¸c˜ao . . . 5

2 O ru´ıdo speckle 6 2.1 An´alise do ru´ıdo speckle . . . 6

2.2 O filtro mediano . . . 8

2.3 Aplica¸c˜ao . . . 12

2.4 Evolu¸c˜ao das t´ecnicas para extrair ru´ıdo speckle . . . 13

3 An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 15 3.1 A transformada de Fourier . . . 16

3.1.1 Integral de Fourier . . . 16

3.1.2 A transformada de Fourier com janela deslisante . . . 17

3.2 Wavelets . . . 18

3.2.1 A transformada em wavelet cont´ınua . . . 18

3.2.1.1 Exemplo de wavelets . . . 19

3.2.1.2 Coeficientes e regularidade . . . 20

3.2.2 A discretiza¸c˜ao . . . 21

3.2.3 A an´alise multiresolu¸c˜ao (AMR) . . . 22

3.2.3.1 Espa¸co dos detalhes e wavelets . . . 23

(6)

3.2.3.2 Obtendo-se uma base ortonormal de L2(R) . . . . 24

3.2.3.3 Algoritmo r´apido para a transformada wavelets . . . 26

4 Aplica¸c˜ao da transformada wavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 29 4.1 Limiariza¸c˜ao dos coeficientes wavelets . . . 31

4.1.1 Os limiares cl´assicos . . . 31

4.1.2 O limiar de Donoho e Johnstone . . . 32

4.1.3 Aplica¸c˜ao . . . 35

4.2 Estima¸c˜ao bayesiana no dom´ınio das wavelets . . . 37

4.2.1 Transformada logar´ıtmica . . . 37

4.2.2 Caracter´ısticas estat´ısticas . . . 38

4.2.3 O processamento bayesiano . . . 39

4.2.4 Aplica¸c˜ao . . . 41

4.3 Estima¸c˜ao e redu¸c˜ao do ru´ıdo empragedo wavelets . . . 42

4.3.1 Descri¸c˜ao do m´etodo . . . 42

4.3.2 Aplica¸c˜ao . . . 46

4.4 Elimina¸c˜ao do ru´ıdo no dom´ınio daswavelets usando uma modelagem markoviana . . . 47

4.4.1 Teoria do m´etodo . . . 47

4.4.2 Aplica¸c˜ao . . . 51

4.4.2.1 A medida m . . . 51

4.4.2.2 Problema de complexidade . . . 51

4.5 Resultados Experimentais . . . 53

5 O m´etodo dos contornos ativos 58 5.1 Introdu¸c˜ao . . . 58

5.2 Osnake tradicional . . . 59

5.2.1 As energias . . . 59

5.2.2 Aplica¸c˜ao num´erica . . . 63

5.3 O fluxo de vetores gradiente . . . 65

5.3.1 Aplica¸c˜ao num´erica . . . 68

6 Segmenta¸c˜ao do ventr´ıculo esquerdo 70 6.1 Detec¸c˜ao das cavidades . . . 70

6.2 Determina¸c˜ao das bordas do ventr´ıculo . . . 71

7 Conclus˜oes, Contribui¸c˜oes e Trabalhos Futuros 79

Referˆencias Bibliogr´aficas 81

(7)

2.1 resultados do filtro mediana ponderado sobre 4 imagens com um ru´ıdo speckle artificial. . . 13 2.2 tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem. . 13 4.1 estima¸c˜ao do ˆσ em imagens corrompidas por um ru´ıdo aditivo

gaus-siano ou por ru´ıdo multiplicativo. . . 34 4.2 resultados da limiariza¸c˜ao sobre 4 imagens corrompidas por um ru´ıdo

speckle artificial. . . 36 4.3 tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem. . 37 4.4 resultados do algoritmo sobre imagens corrompidas por um ru´ıdospeckle

artificial de variˆancia 0,04. . . 42 4.5 tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem. . 42 4.6 resultados do algoritmo sobre imagens corrompidas por um ru´ıdo

arti-ficial. . . 47 4.7 tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem. . 47 4.8 resultados do algoritmo sobre 4 imagens corrompidas por um ru´ıdo

artificial. . . 53 4.9 tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem. . 53

(8)

Lista de Figuras

2.1 uma distribui¸c˜ao do ru´ıdo speckle . . . 10

2.2 imagem ruidosa e imagem filtrada pelo filtro da mediana adaptado, c= 2 e K = 3. . . 12

3.1 representa¸c˜ao de duas wavelets particulares: √1aiψ(t−aixi), i= 1,2. . . . 19

3.2 exemplo de wavelets a) Haar, b) derivada segunda da gaussiana. . . . 20

3.3 3 tipos diferentes de discretiza¸c˜ao da transformada wavelet. . . 22

3.4 imagens original e transformada wavelet de ”Lena”. . . 28

4.1 a) lena, b) cameraman, c) baboon e d) peppers. . . 30

4.2 fun¸c˜ao de limiariza¸c˜ao abrupta. . . 31

4.3 fun¸c˜ao de limiariza¸c˜ao suave. . . 32

4.4 exemplo de reparti¸c˜ao dos coeficientes wavelets de um sinal 1D tendo N amostras. . . 34

4.5 resultado da limiariza¸c˜ao dos coeficientes wavelets de ”Lena”. . . 36

4.6 representa¸c˜ao das fun¸c˜oes de probabilidade condicional. . . 50

4.7 aplica¸c˜ao dos diferentes filtros a ’lena’. . . 54

4.8 aplica¸c˜ao dos diferentes filtros a ’cameraman’. . . 55

4.9 aplica¸c˜ao dos diferentes filtros a ’baboon’. . . 56

4.10 aplica¸c˜ao dos diferentes filtros a ’peppers’. . . 57

5.1 exemplo dos vizinhos considerados no c´alculo da energia. . . 62

(9)

5.3 a) campo de vetores gradiente, b) Zoom da concavidade [Xu e Prince

1997]. . . 69

6.1 detec¸c˜ao das diferentes regi˜oes escuras em um ecocardiograma . . . . 71

6.2 convergˆencia do snake tradicional. . . 72

6.3 convergˆencia do snake (amarelo) . . . 73

6.4 influˆencia da for¸ca P sobre osnake . . . 74

6.5 influˆencia da for¸ca P sobre osnake. . . 75

6.6 ventr´ıculo direito segmentado (1000 pontos) . . . 76

6.7 aplica¸c˜ao dos contornos ativos a um ecocardiograma sem e com pre-processamento. . . 77

6.8 de cima em baixo e de esquerda a direita: contornos ativos aplicados a uma seq¨uencia de imagens de um ecocardiograma. . . 78

(10)

Lista de Nota¸

oes e S´ımbolos

f(·) designa simplesmente a fun¸c˜ao f. Esta nota¸c˜ao permite falar das transladadas e das dilatadas de f facilmente. Por exemplo f(3·) ´e a fun¸c˜ao: x−→f(3x)

L2(R) designa o conjunto das fun¸c˜oes reais a valores reais de quadrado in-tegr´avel

< f, g > designa o produto escalar sobre L2(R) entre as fun¸c˜oes f e g

E[X] designa a esperan¸ca da vari´avel aleat´oria X V[X] designa a variˆancia da vari´avel aleat´oria X

⊕ designe a soma direta de espa¸cos vetoriais

∝ representa uma proporcionalidade entre dois termos

sinc(x) designa o sinus cardinal de x: sinc(x) = sin(x)x

1[a,b] representa a fun¸c˜ao igual a 1 sobre o segmento [a, b] e 0 fora

∇ representa o operador gradiente: f = (∂f∂x,∂f∂y)

∇2 representa o operador lagrangiano: 2f = ∂2f

∂x2 +

∂2f

∂y2

f2 representa a norma de f em L2(R). f2 =

Rf(x)

2dx

(11)

A

S doen¸cas card´ıacas constituem a principal causa de mortalidade em pa´ıses de-senvolvidos e ocupam uma posi¸c˜ao de destaque em pa´ıses em desenvolvimento, sendo no Brasil a segunda causa de morte. Na busca por sua identifica¸c˜ao, diversos exames podem ser feitos, dentre eles o ECG (eletrocardiograma), medicina nuclear e o ecocardiograma de esfor¸co (ECE). Este ´ultimo ´e prefer´ıvel por ser um m´etodo de baixo custo, comparando-se com medicina nuclear, al´em de ser um m´etodo n˜ao evasivo. Por estas raz˜oes ´e muito utilizado no diagn´ostico preciso de isquemia (perda de elasticidade muscular), inclusive na sua intensidade. Entretanto, o diagn´ostico por ECE ´e realizado por uma an´alise visual de um v´ıdeo por um especialista, portanto subjetivo.

Esta disserta¸c˜ao descreve um m´etodo de segmenta¸c˜ao do ventr´ıculo esquerdo em ecocardiogramas, utilizando-se de contornos ativos (snakes) na tentativa de tornar o ECE o mais objetivo poss´ıvel, permitindo uma medida autom´atica do volume do ventr´ıculo esquerdo atrav´es da an´alise do ECE a fim de detectar a isquemia. T´ecnicas de elimina¸c˜ao de ru´ıdo speckle s˜ao implementadas e confrontadas, pois o ECE ´e sempre contaminado por este tipo de ru´ıdo, resultando em uma an´alise visual de dif´ıcil percep¸c˜ao. Tais t´ecnicas utilizam a transformada wavelets na constru¸c˜ao dos filtros, sendo ent˜ao, implementados e avaliados quatro diferentes algoritmos, tomando-se como parˆametro o tempo de processamento e a rela¸c˜ao sinal/ru´ıdo. Desenvolve-se tamb´em uma t´ecnica de detec¸c˜ao do ventr´ıculo esquerdo, usando o m´etodo dos

(12)

xii

(13)

T

HE cardiac illnesses represent the most of death cause in developed countries and one of the commonest in developing countries, which is the case of Brasil. In order to detect them, different existing methods can be applied. Among them, the ECG (electrocardiogram), methods developed from nuclear medicine and ecocardio-gram of effort (ECE). This last one is preferred due to its low cost, in comparison with the nuclear medicine and its non-invasive ability. For these reasons, ECE is used to diagnostic the isquemia (muscular elasticity loss). But the diagnostic is done by a specialist through the visualization of a video, and is consequently subjective.

This master degree dissertation describes a segmentation method of the left ven-tricle in ecocardiograms, using the active contours model (snake), in order to the ECE becomes more objective, allowing an automatic measure of left ventricle and conse-quently the detection of isquemia. Denoising techniques are implemented because this kind of image is corrupted by the speckle noise, what is harmful for analises. Wavelet-based technics are developed and four algorithms are compared in measur-ing the time of execution and the resultmeasur-ing signal to noise ratio. From the resultmeasur-ing denoised images, a technique for left ventricle border detection is developed using the snake methods. Partial results show an effective result for the detection of intern myocardium borders which represent the left ventricle.

(14)

esum´

e

L

ES maladies cardiques constituent la principale cause de mortalit´e dans les pays d´evelopp´es et est une des plus communes ´egalement dans les pays sous-d´evelopp´es, dont le Br´esil. Afin de les d´etecter, plusieurs examens peuvent ˆetre faits. Parmi eux, l’ECG (electrocardiogramme), les m´ethodes de m´edecine nucl´eaire et l’echocardiogramme d’effort (ECE). En g´en´eral, c’est ce dernier qui est pr´ef´er´e puisqu’il est, relativement `a la m´edecine nucl´eaire bien moins cher en plus de repr´esenter une m´ethode non ´evasive. C’est pour ces raisons que l’ECE est tr`es utilis´e pour les diagnostiques d’isqu´emie (perte d’´elasticit´e musculaire). Cependant, dans le cas de l’ECE, le diagnostique est r´ealis´e par la visualisation par un sp´ecialiste d’une vid´eo et demeure donc soumise `a sa subjectivit´e.

Ce m´emoire d´ecrit une m´ethode de segmentation du ventricule gauche dans les echocardiogrammes, en utilisant la m´ethode des contours actifs (snake). L’objectif est de rendre ainsi l’ECE plus objectif en mesurant automatiquement le volume du ventricule gauche, l’estimation de ce dernier permettant de d´etecter la pr´esence d’isqu´emie. Des techniques d’´elimination de bruit speckle sont impl´ement´ees et con-front´ees, puisque les images ultrasons sont toujours contamin´ees par ce type de bruit, n´efaste pour l’analyse. Ces techniques reposent sur la transform´ee en ondelettes. Sont impl´ement´es et ´evalu´es alors quatre algorithmes, en prenant en compte leur temps d’ex´ecution ainsi que le rapport signal `a bruit. A partir des images r´esultantes de ce traitement, est d´evelopp´ee une technique pour d´etecter les contours du ventricules

(15)
(16)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

S

A imagem fascina pela sua capacidade de exprimir um evento fixo no tempo,empre a imagem ´e um modo de descri¸c˜ao e de comunica¸c˜ao entre os homens. como fotografar um momento importante, ela sempre permite uma pausa no tempo, dando a possibilidade de exprimir mais, o que a mem´oria ou a l´ıngua faz com menos facilidade. Ela pode descrever uma a¸c˜ao - um bom desenho ´e sempre melhor que um longo discurso - um sentimento, uma atitude.

A evolu¸c˜ao da pintura, por exemplo, explica bem a necessidade do uso de imagens. A pintura evoluiu por diversos requisitos de momento, de ´epoca, seguindo algumas regras, dependendo da ´epoca. Assim, os primitivos italianos representaram o Divino e a sua carga emocional era controlada por regras restritas. A luz da cor do ouro para colocar a a¸c˜ao fora da Terra, a ausˆencia de expressividade nos rostos para mostrar uma fatalidade, s˜ao exemplos das informa¸c˜oes contidas nas obras da ´epoca. Bem mais tarde, buscava-se a representa¸c˜ao do real, ou seja, como descrever fielmente a realidade. Assim, a no¸c˜ao de perspectiva ´e muito trabalhada. Os trabalhos de Leonardo da Vinci mostram um grande interesse a respeito desta realidade, assim como de propor¸c˜oes tamb´em. Depois, ainda para continuar a ilustrar as diferentes pesquisas na hist´oria da arte, a focaliza¸c˜ao dos pintores ´e sobre eles mesmos. Os c´eus perturbados de Vincent Van Gogh, as ´arvores vermelhas de Vlaminck, os cavalos azuis

(17)

de Franz Marc, ou seja O Grito de M¨unch n˜ao refletem a realidade, mas sim o estado de esp´ırito do pintor. Por estes exemplos da evolu¸c˜ao da pintura, pode-se ver que v´arias s˜ao as informa¸c˜oes que o pintor pode transmitir pelo seu quadro. E de v´arios modos tamb´em, esta informa¸c˜ao pode ser encontrada. Enquanto outros utilizam muitas cores para se exprimir, Miro usa unicamente duas ou trˆes cores cercadas de poucas linhas.

Conforme descrito anteriormente, pode se ver uma similaridade com o dom´ınio cient´ıfico. Em lugar de colocar a informa¸c˜ao na imagem, os cientistas de vis˜ao artificial extraem informa¸c˜oes. Da mesma forma que o pintor escolhe a sua t´ecnica de express˜ao (impressionismo, realismo ...) para descrever a sua ”informa¸c˜ao”, o cientista escolhe uma t´ecnica para tratar a imagem, dependente da informa¸c˜ao que ele quer extrair. Trabalhar com as imagens em n´ıvel de cinza ou em cores, ou seja, transformar a imagem (por exemplo no dom´ınio da freq¨uˆencia), utilizando diferentes m´etodos que dependem do que se quer da imagem.

1.1

Motiva¸

ao

As doen¸cas cardiovasculares s˜ao respons´aveis pela segunda causa de mortes no Brasil. Embora haja esfor¸cos no controle e diagn´ostico dos principais fatores de risco - diabetes, hipertens˜ao arterial, fumo e dislipidemias - estima-se em mais de 300 mil o n´umero de ´obitos anuais causados por esta patologia. Nos pa´ıses em desenvolvimento, h´a uma verdadeira epidemia da doen¸ca coron´aria, em virtude da r´apida urbaniza¸c˜ao, obesidade e acesso a alimentos mais cal´oricos nas classes C e D. Fator como o aumento da longevidade e o envelhecimento da popula¸c˜ao brasileira tamb´em contribuem para agravar esta situa¸c˜ao.

(18)

Cap´ıtulo 1: Introdu¸c˜ao 3 elevado, sendo de suma importˆancia implementar um m´etodo seguro, n˜ao evasivo e de grande efic´acia neste diagn´ostico. A Medicina Nuclear ´e op¸c˜ao vi´avel, mas peca pelo alto custo [Markman 1997].

Neste contexto, a Ecocardiografia Bidimensional possibilita a visualiza¸c˜ao de al-tera¸c˜oes do m´usculo card´ıaco, que raramente s˜ao detectadas no indiv´ıduo em repouso, pois, ´e necess´ario que haja uma isquemia em progresso, como a que ocorre ao se for-mar trombo que bloqueie a circula¸c˜ao dentro da coron´aria. Submetido ao esfor¸co, no entanto, vasos estreitados podem se limitar a quantidade de sangue requerida e tornar evidente a isquemia. Baseado nesse efeito foi criado o Ecocardiograma de Esfor¸co (ECE), inicialmente com os pacientes sendo submetidos a esfor¸co f´ısico em esteiras ou bicicletas ergom´etricas, mas a execu¸c˜ao do ECE com o paciente em p´e, nem sempre ´e fact´ıvel. Isto levou ao m´etodo de realizar o exame com o paciente deitado, sendo o cora¸c˜ao estimulado a trabalhar como se houvesse esfor¸co, f´ısico, pelo uso de substˆancias inotr´opicas, o Ecocardiograma com Estresse por Dobutamina (EED) [Markman 1997].

(19)

1.2

Objetivos

No contexto de um projeto maior, em que esta disserta¸c˜ao se inclui, o objetivo final ´e a segmenta¸c˜ao, i.e., a determina¸c˜ao de uma regi˜ao precisa do ventr´ıculo esquerdo do cora¸c˜ao em imagens de ultra-som, resultantes do ECE. A ´area deste ventr´ıculo, no caso, ´e a informa¸c˜ao a ser extra´ıda, pois, com base em sua intensidade ´e que se faz a determina¸c˜ao exata das dimens˜oes da isquemia. Al´em disso, esta dimens˜ao orienta o especialista no planejamento operat´orio, se for o caso.

Na maioria dos casos, as imagens oriundas de ECE est˜ao corrompidas por um ru´ıdo, chamado speckle, e precisam de um pr´e-processamento antes de qualquer opera¸c˜ao de segmenta¸c˜ao. Tamb´em ´e empregada, neste trabalho, a transformada wavelets com a finalidade de reduzir ru´ıdo do tipospeckle.

1.2.1

Objetivo Geral

O principal objetivo desta disserta¸c˜ao ´e implementar e avaliar o desempenho de um algoritmo de segmenta¸c˜ao do ventr´ıculo esquerdo, a partir de um exame ECE, baseado em contornos deform´aveis (snake).

1.2.2

Objetivos Espec´ıficos

Entretanto, outros objetivos espec´ıficos est˜ao no escopo do desenvolvimento deste trabalho, dentre estes podem-se citar:

• estudar a natureza e o ru´ıdospecklepresente em sequˆencia de imagens de exames ECE;

• estudar, implementar e avaliar filtros baseados na transformada wavelet para a extra¸c˜ao deste tipo de ru´ıdo;

(20)

Cap´ıtulo 1: Introdu¸c˜ao 5

• servir de referˆencia inicial para outros trabalhos do grupo.

1.3

Organiza¸

ao

No primeiro Cap´ıtulo 2 ´e estudado a natureza e modelagem do ru´ıdo do tipo speckle. S˜ao descritos alguns filtros aplicados na extra¸c˜ao deste tipo de ru´ıdo, como

o filtro mediana, ´e introduzida a teoria da transformada wavelets. O estudo da regu-laridade de uma fun¸c˜ao ´e desenvolvido no Cap´ıtulo 3, iniciando-se pela transformada deFourier, concluindo-se com a transformada wavelet cont´ınua e discreta.

No Cap´ıtulo 4, ap´os a apresenta¸c˜ao te´orica da decomposi¸c˜ao em wavelets, quatro filtros diferentes s˜ao descritos e avaliados: o primeiro utilizando a limiariza¸c˜ao dos coeficientes obtidos, o segundo usando um conhecimento estat´ıstico a priori da dis-tribui¸c˜ao do ru´ıdo, o seguinte construindo esta disdis-tribui¸c˜ao durante o processamento e, por fim, o ´ultimo m´etodo que utiliza uma modelagem markoviana das componentes de decomposi¸c˜ao para extrair o ru´ıdo presente na imagem. Uma avalia¸c˜ao entre estes m´etodos ´e realizada de forma a encontrar o melhor m´etodo poss´ıvel, a ser aplicado `as imagens antes do processo de segmenta¸c˜ao.

(21)

O ru´ıdo

speckle

2.1

An´

alise do ru´ıdo

speckle

Uma imagem ultra-som ´e o resultado de um conjunto complexo de fenˆomenos f´ısicos - o envio, a absor¸c˜ao, a reflex˜ao, a dispers˜ao pelos tecidos e a detec¸c˜ao do eco de ondas ac´usticas em freq¨uˆencias t´ıpicas de ultra-som [Burckhardt 1978].

A principal fonte de degrada¸c˜ao desse tipo de imagens ´e um ru´ıdo chamadospeckle. Na imagem resultante de eco das ondas ac´usticas, este ru´ıdo aparece como um con-junto de pontos espalhados na imagem. A imagem possui ent˜ao uma estrutura gra-nulada que ´e descrita n˜ao s´o pela textura mas tamb´em de speckle.

Por causa das propriedades macrosc´opicas dos ´org˜aos estudados (os tecidos bi-ol´ogicos possuem superf´ıcies tais que o sinal ultra-sˆonico ´e emitido em diferentes dire¸c˜oes), o ru´ıdospeckle, em geral, obscurece assim algumas regi˜oes importantes para o diagn´ostico m´edico. Fisicamente, o ru´ıdospeckle resulta da acumula¸c˜ao das reflex˜oes aleat´orias de ondas provindo de uma mesma c´elula de resolu¸c˜ao (que corresponde ao pixel da imagem mostrada). Este ´e constitu´ıdo atrav´es da interferˆencia de ondas ac´usticas oriundas da heterogeneidade da superf´ıcie encontrada. As superposi¸c˜oes das ondas com diferentes fases e diferentes amplitudes atribuem valores aospixels no encontro das ondas, que podem ser de 0 at´e o m´aximo - que depende se a interferˆencia

(22)

Cap´ıtulo 2: O ru´ıdo speckle 7 ´e construtiva ou destrutiva [Wagner et al. 1983].

Estat´ısticas do ru´ıdo speckle

Uma primeira an´alise das propriedades estat´ısticas do ru´ıdo speckle ´e realizada no trabalho de Goodmann [Goodman 1977].

Quando h´a um n´umero importante de pontos de reflex˜ao num elemento de res-olu¸c˜ao, e quando as fases das ondas incidentes est˜ao distribu´ıdas uniformemente sobre [0,2π], ent˜ao a amplitude da onda que resulta dessas componentes aleat´orias possuem uma parte real Ar e uma parte imaginaria Ai, cuja densidade de probabilidade con-junta ´e dada por [Goodman 1977]:

p(Ar, Ai) = 1

2πσ2exp(−

A2 r+A2i

2σ2 ). (2.1)

A equa¸c˜ao 2.1 corresponde simplesmente ao produto de duas gaussianas de m´edia nula e de variˆancia σ2, `as vezes, chamada de densidade de probabilidade gaussiana circular. As leis de conserva¸c˜ao da probabilidade fornecem ent˜ao a distribui¸c˜ao da

magnitude M =A2

r +A2i, dada por

p(M) = M

σ2 exp(−

M2

σ2 ) com M ≥0, que ´e conhecida pela lei de densidade de Rayleigh.

A experiˆencia confirma esta distribui¸c˜ao. Aplicando-se uma detec¸c˜ao por ultra-som `as regi˜oes completamente homogˆeneas mas com m´edia diferente, o histograma confirma a modelagem do speckle por a lei de Rayleigh.

A distribui¸c˜ao de Rayleigh tem uma propriedade importante: a sua m´edia ´e pro-porcional ao seu desvio padr˜ao

E[M]

V[M] = 1,91 (2.2)

(23)

Em geral, a experiˆencia mostra que infelizmente n˜ao existe uma tal linearidade entre a esperan¸ca e o desvio padr˜ao do ru´ıdo. Segundo o material usado, a propor-cionalidade da Equa¸c˜ao 2.2 ´e mais ou menos respeitada. Desta forma, ´e comum que a equa¸c˜ao do sistema se apresente como uma daquelas a seguir:

y = x+xM (2.3)

y = xM (2.4)

y = x+√xM (2.5)

Como conseq¨uˆencia e gra¸cas a estas informa¸c˜oes, m´etodos de supress˜ao de ru´ıdo speckle em imagens s˜ao necess´arios para melhorar sensivelmente a qualidade e o di-agn´ostico m´edico em imagens de eco. A id´eia ´e eliminar a componente ru´ıdosa da imagem mas saber que as formas, o contraste entre elas, e as caracter´ısticas devem ser preservados ap´os esta opera¸c˜ao.

2.2

O filtro mediano

Entendendo a problem´atica do ru´ıdo speckle, a primeira id´eia, e a mais simples, que pode surgir para resolver este problema ´e a aplica¸c˜ao de filtro mediana. Este consiste no uso de uma janela que se desloca sobre a imagem, substituindo o valor dos pixels centrais pelo valor mediano, obtido pela mediana dos valores presentes na janela. Por exemplo, se a mediana ´e aplicada com uma janela de tamanho 3×3

⎜ ⎜ ⎝

1 1 1 1 1 1 1 1 1

⎟ ⎟ ⎠

`a imagem seguinte

⎜ ⎜ ⎝

15 23 33 17 136 62 12 58 44

(24)

Cap´ıtulo 2: O ru´ıdo speckle 9 a imagem resultante ´e:

⎜ ⎜ ⎝

15 23 33 17 33 62 12 58 44

⎟ ⎟ ⎠

porque mediana([15,23,33,17,136,62,12,58,44]) = 33. Assim pode-se ver que se um pixel anormal vindo da forma¸c˜ao do ru´ıdo speckle apresenta um valor bem diferente dos seus vizinhos, o filtro mediana corrige. ´E um m´etodo simples e que se tornou o mais popular durante muito tempo na ´area do tratamento das imagens, possuindo muitas variantes. O filtro mediana ´e um caso especial de uma classe mais geral de filtros estat´ısticos [Bovik, Huang e Munson 1983,Lee e Kassam 1985] que s˜ao aplicados ao problema da restaura¸c˜ao de imagens.

´

E conhecido que os filtros da mediana conservam as bordas. Por´em, na presen¸ca do ru´ıdo, eles introduzem uma distor¸c˜ao nestas bordas, embora esta distor¸c˜ao seja menor do que aquelas introduzidas por filtros lineares [Loupas, MacDicken e Allan 1989].

Mas o filtro mediana n˜ao ´e adaptativo. Este n˜ao distingue nem as caracter´ısticas da imagem, nem a importˆancia do ru´ıdo. Isto ´e um problema que encontra diferentes solu¸c˜oes alternativas, como por exemplo o filtro mediana direcional [Jha e Jernigan 1989,Evans e Nixon 1993] que se adapta de acordo com as caracter´ısticas das imagens. Em particular, Loupas et al. [Loupas, MacDicken e Allan 1989] prop˜oem um filtro mediana dependente do ru´ıdo e da m´edia local. Estes constroem uma m´ascara com pesos sobre os coeficientes. Estes pesos s˜ao constru´ıdos para uma janela 2K+1×2K+1 centrada em (K+ 1, K+ 1), da forma seguinte

wi,j =⌊wK+1,K+1−αd⌋,

(25)

Coment´ario: no caso de ausˆencia de ru´ıdo, o coeficiente α´e nulo, e recai no caso do filtro mediana puro, cujos pesos s˜ao todos iguais.

Escolha do coeficiente α

A Figura 2.1 ilustra a distribui¸c˜ao do ru´ıdo speckle. Esta resulta da experi-menta¸c˜ao [Loupas, MacDicken e Allan 1989]. Nesta Figura, regi˜oes homogˆeneas com um n´ıvel de cinza diferentes est˜ao observadas por ultra-sons e ´e representado o desvio padr˜ao resultante

Figura 2.1: uma distribui¸c˜ao do ru´ıdo speckle

Por causa do processamento do sinal dentre doscanner (algoritmo de compress˜ao, interpola¸c˜oes...), n˜ao aparece uma rela¸c˜ao linear como sugere a rela¸c˜ao te´orica (equa¸c˜ao 2.2). Esta experiˆencia sugere que a m´edia ´e proporcional `a variˆancia e n˜ao ao desvio padr˜ao. Ent˜ao uma modelagem da forma seguinte

y=x+√xn (2.6)

(26)

Cap´ıtulo 2: O ru´ıdo speckle 11 recebido, em fun¸c˜ao da variˆancia do ru´ıdo e da m´edia m da regi˜ao

V[y] = V[m+m12n] (2.7)

V[y] = mV[n] (2.8)

σ2 = mσn2 (2.9)

O que resulta em:

σ2n=

σ2

m,

em que a m´edia ´e proporcional `a variˆancia. A defini¸c˜ao dos pesos torna-se:

wi,j =⌊wk+1,k+1−cd

σ2

m⌋

em que c´e uma constante permitindo ajustar a modelagem.

Quando todos os pesos dos coeficientes da janela est˜ao calculados, aplica-se o filtro mediana nesta janela mesma, i.e. coloca-se para o pixel central o valor yM P que verifica a f´ormula da mediana:

yM P

l=0

H(l) =

w(i, j) + 1

2 , (2.10)

(27)

2.3

Aplica¸

ao

O algoritmo se faz ent˜ao em 3 etapas:

• as estat´ısticas locais est˜ao calculadas dependentes dos valores presentes na janela. Assim obtˆe-se σ2

n=σ2/m;

• o histograma H ´e calculado, a partir de uma varredura do n´ıvel de cinza l, seguido da incrementa¸c˜ao de H(l), proporcional ao peso associado ao pixel;

• por fim, o valor mediano ´e computado a partir da equa¸c˜ao 2.10

Exemplo:

Figura 2.2: imagem ruidosa e imagem filtrada pelo filtro da mediana adaptado,

c= 2 e K = 3.

(28)

Cap´ıtulo 2: O ru´ıdo speckle 13 lena baboon cameraman peppers

SNR antes do tratamento 9.5529 9.4556 9.6756 9.3671 SNR depois do tratamento 15.7380 12.5443 14.5690 15.8092 Tabela 2.1: resultados do filtro mediana ponderado sobre 4 imagens com um ru´ıdo

speckle artificial.

64×64 128×128 256×256 512×512 Tempo de execu¸c˜ao 10 sec 1 min 6 min 27 min

Tabela 2.2: tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem.

2.4

Evolu¸

ao das t´

ecnicas para extrair ru´ıdo

speckle

Goodman apresenta o mecanismo estat´ıstico do ru´ıdospeckle no artigo [Goodman 1977]. Ele chega `a conclus˜ao que uma filtragem linear ´e necess´aria para a elimina¸c˜ao do ru´ıdo. Ap´os o trabalho de Goodman, outros autores, a partir de seu trabalho, reconhecem que uma filtragem linear n˜ao ´e ´otima para a elimina¸c˜ao do ru´ıdo, pois, esta supress˜ao se acompanha de uma perda das informa¸c˜oes de bordas, fazendo uma suaviza¸c˜ao forte demais. Para responder a este problema, s˜ao propostas filtragens utilizando filtros medianos adaptativos que eliminam o ru´ıdo de um modo eficiente, mas o filtro mediano sendo um filtro passa-baixas, n˜ao conserva os detalhes [Loupas, MacDicken e Allan 1989, Karaman, Kutay e Bozdagi 1995].

(29)

s˜ao as primeiras tentativas de redu¸c˜ao dospeckle.

(30)

Cap´ıtulo 3

An´

alise da regularidade de uma

fun¸c˜

ao

Os primeiros filtros desenvolvidos foram heur´ısticos como o filtro mediano visto no cap´ıtulo 2. Em seguida, outros filtros baseados na representa¸c˜ao espacial da imagem para eliminar o ru´ıdospeckle forem constru´ıdos. Assim o filtro de Wiener ficou famoso. Algumas aproximas estatisticamente adaptativas apareceram usando o crit´erio do erro m´ınimo quadr´atico, como o filtro de Kuan [Kuan et al. 1985] e o filtro de Lee [Lee 1983]. A vantagem dos m´etodos adaptativos est´a em, como o nome indica, abordar a natureza n˜ao-estacion´aria da imagem, adaptando-se `a informa¸c˜ao local com maior facilidade do que os filtros cl´assicos. Pode ser tamb´em mencionado o filtro Gamma-MAP desenvolvido por Nezry [Lopes, Nazry e Laur 1993, Nezri 1992], em que s˜ao estabelecidas mais especificamente as distribui¸c˜oes estat´ısticas do ru´ıdo e do sinal, para depois aplicar um crit´erio MAP.

De um modo independente, a pesquisa usando a teoria daswavelets se intensifica e oferece uma poderosa ferramenta para a elimina¸c˜ao do ru´ıdo. A sua grande vantagem ´e de ter a possibilidade de localizar as caracter´ısticas da imagem no dom´ınio espacial e no dom´ınio freq¨uencial ao mesmo tempo. A transformada em wavelets tinha sido aplicada por Mallat [Mallat 1989] ao processamento de imagens, no caso particular

(31)

de uma decomposi¸c˜ao dyadic [Mallat 1989].

3.1

A transformada de Fourier

A teoria de Fourier permite decompor um sinal em uma s´erie de sen´oides de freq¨uˆencias diferentes. A fun¸c˜ao analisada pode ser comparada a uma partitura de m´usica, cujas sen´oides correspondem a diferentes notas.

Neste par´agrafo ´e introduzida esta transformada, por´em sem se deter em todos os detalhes [Gasquet e Witomski 1990].

3.1.1

Integral de Fourier

A defini¸c˜ao e as propriedades da transformada de Fourier s˜ao em primeiro lugar dadas em L1(R), e depois estudas no espa¸co de Schwartz S(R) constitu´ıdo pelas fun¸c˜oes infinitamente deriv´aveis e com decrescimento r´apido, em que a inversa da transformada existe. Enfim, gra¸cas a densidade do S(R) dentro do L2(R), ´e poss´ıvel

generaliz´a-la no espa¸co L2(R).

Definic¸˜ao : Para f L1(R), a sua transformada de Fourier fˆ´e definida por

∀ξR,Ff(ξ) = ˆf(ξ) =< f, ei2πξx>=

R

f(x)e−i2πξxdx. (3.1)

(32)

Cap´ıtulo 3: An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 17 na freq¨uˆencia fica melhor. Pode-se exprimir isso de um modo matem´atico [Flandrin 1998].

A transformada de Fourier consiste em analisar uma fun¸c˜ao a partir das sen´oides

ei2πξt. Mas o suporte destas fun¸c˜oes ´e infinito e nenhum intervalo de tempo est´a privilegiado. Desta forma, qualquer informa¸c˜ao temporal da fun¸c˜ao f(t) ´e ent˜ao perdida, nenhuma informa¸c˜ao temporal aparece. Por exemplo, se uma sen´oide pura aparecer num sinal a um instante t0, podem-se perfeitamente determinar ω gra¸cas a transformada do sinal. ´E f´acil ver no espectro do sinal a presen¸ca de uma componente de freq¨uˆencia ω. Mas n˜ao ´e poss´ıvel saber qualquer informa¸c˜ao sobre o momento t0 da sua apari¸c˜ao.

3.1.2

A transformada de Fourier com janela deslisante

Para contornar a dificuldade apresentada anteriormente, o m´etodo mais intu-itivo para obter informa¸c˜oes temporais do sinal ´e a an´alise do sinal por intervalos de tempo. Fazendo a transformada de Fourier unicamente sobre um intervalo, por exemplo [A, A], o sinal ´e ent˜ao analisado com uma precis˜ao A. ´E o princ´ıpio da transformada de Fourier com janela deslisante.

A transformada de Fourier com janela deslisante consiste em multiplicar a fun¸c˜ao

f por uma janela que vai se mover sobre toda fun¸c˜ao. Ao tornar-se a fun¸c˜ao-janela

g =1[−A,A], esta faz cortar o sinal em peda¸cos de tamanho 2A. A f´ormula de

trans-forma¸c˜ao ´e ent˜ao a seguinte

∀ξ R,Sf(ξ, u) =< f, ei2πξxg(xu)>=

R

f(x)g(xu)e−i2πξxdx. (3.2)

A fun¸c˜ao ´e analisada com a ajuda da fam´ılia de fun¸c˜ao {ei2πξxg(xu)}

u∈(R),ξ∈(R), em

(33)

3.2

Wavelets

3.2.1

A transformada em

wavelet

cont´ınua

Mas a transformada de Fourier com janela deslisante apresenta algumas limita¸c˜oes por causa da fam´ılia de decomposi¸c˜ao pr´opria a transformada de Fourier. Mesmo com uma compress˜ao da janela, o truncamento das exponenciais em torno de um valoru, n˜ao faz aparecer fielmente o comportamento do sinal emu, ent˜ao s´o pode-se falar do comportamento do sinal em torno deucom uma precis˜ao do tamanho da janela. Isto possibilita a constru¸c˜ao de novas fam´ılias de decomposi¸c˜ao, e ´e assim que a teoria das wavelets nasce.

Uma wavelet ψ ´e uma fun¸c˜ao do espa¸co L2(R)L1(R) com uma m´edia nula e uma norma igual a 1:

R

ψ(x)dx= 0 e ψ2 = 1.

Existem outras wavelets deL2(R) e que n˜ao est˜aoL1(R), mas ´e considerado uni-camente a intersec¸c˜ao destes espa¸cos. Estawavelet-m˜ae gera uma fam´ılia dewavelets constitu´ıda das suas dilata¸c˜oes e das suas transla¸c˜oes:

{ψx,a(t) = √1

aψ( tx

a )}x∈R,a∈R∗+

e a transformada wavelets continua de uma fun¸c˜ao f de L2(R) ´e dada por

∀xR,a >0, W f(x, a) = < f, ψx,a> =

R

f(t)√1

aψ( tx

a )dt, (3.3)

em que x ´e o parˆametro de transla¸c˜ao da wavelet ψ e a de escala. Desta forma, x

define as redondezas da an´alise. Por sua vez, a ´e o parˆametro de escala e define a precis˜ao da an´alise, ou melhor, quanto maior ´ea, maisψx,a est´a dilatada e maior ´e a abrangˆencia da an´alise sobre a fun¸c˜ao f(t).

(34)

Cap´ıtulo 3: An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 19

Figura 3.1: representa¸c˜ao de duas wavelets particulares: 1 aiψ(

t−xi

ai ), i= 1,2.

3.2.1.1 Exemplo de wavelets

Wavelet de Haar ´e a mais simples das wavelets, definida sobre o intervalo [0,1], ´e uma fun¸c˜ao constante em intervalos

H(x) = 1 se x ∈[0, 1 2[, 0 se x]1

2,1].

Esta wavelet ´e muito simples de ser implementada. Al´em disso, o suporte dela ´e compacto, o que d´a uma boa localiza¸c˜ao no tempo, mas por outro lado a sua descon-tinuidade provoca uma m´a localiza¸c˜ao freq¨uencial. Na figura 3.2 a) ´e apresentada a forma da wavelet-m˜ae de Haar.

Derivadas da Gaussiana uma gaussiana G(x) = e−πx2

n˜ao tem uma m´edia nula, o que n˜ao permite que ela seja uma wavelet. Por´em, todas suas derivadas o s˜ao

∀nN∗,d

nG

dxn.

(35)

Figura 3.2: exemplo dewavelets a) Haar, b) derivada segunda da gaussiana.

3.2.1.2 Coeficientes e regularidade

A principal vantagem da an´alise por wavelet ´e a sua capacidade de produzir grandes coeficientes em que o sinal est´a fortemente irregular, e coeficientes com val-ores pequenos em que ele est´a mais suave, por ser o n´umero dos momentos nulos que controla os coeficientes nas zonas suaves do sinal. Por exemplo, se a wavelet ψ

tivesse K momentos nulos, isso significa que todos polinˆomios com grau menor ou igual a K s˜ao ortogonais a ψ, i.e., um coeficiente de wavelet nulo. Ent˜ao, para uma fun¸c˜ao f suficientemente suave, existe um p > K (p, K N) tal que esta fun¸c˜ao seja

p-deriv´avel, e todos K primeiros termos na decomposi¸c˜ao de Taylor de f abrangem um coeficiente de wavelet nulo.

´

E a partir desta observa¸c˜ao que ´e poss´ıvel fazer uma elimina¸c˜ao do ru´ıdo num sinal considerando somente os valores dos coeficientes.

(36)

Cap´ıtulo 3: An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 21 menor ´e o suporte da wavelet, menos numerosos s˜ao os grandes coeficientes afetados por uma irregularidade do sinal. Por outro lado, escolher uma wavelet com muitos momentos nulos permite obter fracos coeficientes nas partes regulares do sinal. Ao favorecer-se uma destas propriedades, acaba-se comprometendo a outra.

3.2.2

A discretiza¸

ao

At´e agora, as f´ormulas escritas anteriormente s˜ao para o caso cont´ınuo e n˜ao podem ser convenientemente implementadas em computadores. Uma discretiza¸c˜ao dos fatoresae de transla¸c˜oes x, ao construir um s´erie (an) e (xn), ´e necess´aria. Desta forma, uma discretiza¸c˜ao intuitiva seria amostrar em intervalo regular as escalas e os parˆametros de transla¸c˜ao (conforme Figura 3.3 a) ). Esta abordagem permite que as propriedades da transformada em wavelets sejam conservadas. Por´em, ela n˜ao est´a adaptada para suportar an´alise das freq¨uˆencias das wavelets, o que resulta em uma complexidade algor´ıtmica enorme, pela grande quantidade de coeficientes produzidos. A discretiza¸c˜ao comum para as escalas consiste em escolher an = an0. Assim, as freq¨uˆencias s˜ao varridas mais rapidamente e ´e guardado uma alta precis˜ao para as grandes freq¨uˆencias (conforme Figura 3.3 b) ). Escolhendo a0 = 2, obtem-se assim a

transformawavelet dyadicque pode ser implementada facilmente com o algoritmo `

a trous [Mallat 1998].

(37)

Figura 3.3: 3 tipos diferentes de discretiza¸c˜ao da transformadawavelet.

3.2.3

A an´

alise multiresolu¸

ao (AMR)

definic¸˜ao: Uma an´alise multiresolu¸c˜ao deL2(R)consiste em uma s´erie crescente de sub-espa¸cos fechados (Vj)jZ de L2(R), verificando pelo menos as propriedades

seguintes:

1. j Z, Vj Vj+1

2. j Z, f(.)Vj ⇔ ∀j Z, f(2.)Vj+1

3. k Z, f(.)V0 f(.k)V0

4. lim j→−∞Vj =

j=∞

j=−∞

Vj ={0}

5. lim j→∞Vj =

j=∞

j=−∞

Vj ´e denso em L2(R)

j ´e a resolu¸c˜ao e representa o n´ıvel de an´alise da fun¸c˜aof em an´alise. A aproxima¸c˜ao

(38)

Cap´ıtulo 3: An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 23

3.2.3.1 Espa¸co dos detalhes e wavelets

´

E poss´ıvel [Daubechies 1992] obter uma base ortonormal de V0: {φ(· −n)}n∈Z.

As propriedades 2 e 3 da defini¸c˜ao da AMR permitem dizer ent˜ao que: {φj,n}nZ =

{2j2φ(2j · −n)}n

∈Z forma uma base ortonormal de Vj para todo j ∈ Z. Estas bases parecem ent˜ao adequados para os problemas de aproxima¸c˜oes. Al´em disso, a partir da express˜ao das fun¸c˜oes das bases, veja-se que quando se passa de uma resolu¸c˜aoj a uma resolu¸c˜ao mais largaj1, as altas freq¨uˆencias s˜ao perdidas e que s˜ao chamadas de detalhes. Chama-se Wj−1 o espa¸co contendo estes detalhes, Wj−1 ´e ent˜ao o complementar ortogonal de Vj1 em Vj.

Agora, precisa-se extrair bases ortonormais dos espa¸cos de detalhes. Assim, uma interpreta¸c˜ao mais eficiente das singularidades do sinal ´e realizada, ao conhecer-se as fun¸c˜oes de base e suas propriedades.

V0 ⊂ V1, ent˜ao pois φ(·)∈ V0 e φ(·)∈ V1. Existe ent˜ao uma s´erie de coeficientes

hk tal que

φ(t) = kZ

hk

2φ(2tk). (3.4)

Do mesmo modo W0 ⊂ V1. Ent˜ao se ψ ∈W0, existe uma s´erie de coeficientes gk tal que

ψ(t) = kZ

gk

2φ(2tk). (3.5)

Estas duas rela¸c˜oes s˜ao conhecidas como asrela¸c˜oes de escalas. Agora, assume-se que (hk)kZ ´e conhecido.

(39)

ˆ

φ(ω) = m0(

ω

2) ˆφ(

ω

2), (3.6)

ˆ

ψ(ω) = m1(

ω

2) ˆφ(

ω

2), (3.7)

em que

m0(ω) = √1

2

k∈Z

hke−2iπωk,

m1(ω) = √1

2

k∈Z

gke−2iπωk,

sendo as fun¸c˜oes de transferˆencia dos filtros 1 2he

1

2g.

Para simplificar a constru¸c˜ao dos espa¸cos, procura-se uma fun¸c˜ao φ tal que ˆ

φ(0) = 1. Ent˜ao a partir da rela¸c˜ao 3.6 usada com ela mesma, obt´em-se finalmente ˆ

φ(ω) =

j=1

m0(ω 2j).

Esta express˜ao permite que se construa ˆφ e ent˜ao φ por transformada de Fourier inversa.

Escolher g tal que

gk= (−1)1−kh1−k

´e suficiente para construir, a partir da Equa¸c˜ao 3.7, uma fam´ılia dewavelets transladadas

ψ(· −n)nZ que formam uma base ortonormal de W0 [Meyer, Cohen 1990]. Con-seq¨uentemente, por compress˜ao e dilata¸c˜ao e de acordo com a propriedade 2 da defini¸c˜ao de uma AMR, uma base ortonormal de Wj,∀j ∈Z pode ser constru´ıda.

3.2.3.2 Obtendo-se uma base ortonormal de L2(R) Considera-se uma AMR de L2(R), ...V

(40)

Cap´ıtulo 3: An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 25

Vj =VL⊕WL⊕WL+1⊕ · · · ⊕Wj−1.

Fazendo se mover L → −∞ e j → ∞, VL → {0} e Vj → L2(R), seguindo as propriedades 4 e 5 da defini¸c˜ao da AMR, resulta em

L2(R) =j=∞

j=−∞Wj.

Sabendo que se tem uma base para cada um dos Wj, a partir da fun¸c˜ao ψ, ´e poss´ıvel ent˜ao escrever a decomposi¸c˜ao de uma fun¸c˜ao f de L2(R) por

f(t) = jZ

kZ

djkψjk(t)

em que (dj,k)k∈Z coresponde aos coeficientes de wavelet de f para a resolu¸c˜ao j.

Como a base de Wj ´e ortonormal, estes coeficientes s˜ao obtidos pelo produto escalar associado aL2(R):

dj,k =< f, ψj,k > .

O conjunto das{ψj,k}j,k∈Z2 formam ent˜ao uma base ortonormal deL2(R) na qualf

´e decomposta em uma soma de detalhes cada vez mais finos, `a medida quej aumenta.

Coment´ario: o espa¸coL2(R) pode ser tamb´em decomposto da maneira seguinte:

L2(R) = VLj=∞

j=L Wj

Uma fun¸c˜aof deL2(R) pode ent˜ao ser decomposta dessa forma:

f(t) = kZ

cLkφLk(t) +

kZ

jZ

djkψjk(t),

em que

kZcLkφLk(t) ´e a proje¸c˜ao de f sobre o espa¸co de aproxima¸c˜ao VL e

kZ

jZdjkψjk(t) cont´em os detalhes que s˜ao perdidos ao aproximar-se f sobre

(41)

3.2.3.3 Algoritmo r´apido para a transformada wavelets

Na pr´atica, os sinais e imagens manipulados s˜ao necessariamente de dimens˜ao finita. Supondo que o sinal seja definido sobre [0,1] e que ele seja feito de N = 2J pontos, pode-se falar que a fun¸c˜ao ´e aproximada sobre o espa¸co VJ. O sinal ´e ent˜ao representado pelo vetor {cJ,k}k0,...,2J1:

f(t) = 2J

−1

k=0

cJ,kφJ,k(t).

Considerando-se o sinalf peri´odico (esta suposi¸c˜ao ´e uma realidade pois trabalha-se, neste caso, com imagens), o que simplifica a descri¸c˜ao dos coeficientes {cj,k}k∈Z e

{dj,k}kZ, caracterizando que as proje¸c˜oes nos espa¸cos Vj eWj sejam peri´odicas, para todok de Z, cj,k =cj,k+2j e djk =dj,k+2j.

Realizar uma transformada em wavelets ortogonal do sinal f ´e equivalente a de-compor f sobre V0⊕W0⊕ · · · ⊕WJ1 e ent˜ao equivalente a encontrar os coeficientes associados a cada um destes sub-espa¸cos. Isto pode ser obtido atrav´es das etapas de an´alise e s´ıntese.

• A etapa de an´alise consiste em encontrar a partir dos 2J coeficientes cJ,k, os 2J coeficientes c0,k e dj,k representando f sobre V0 ⊕W0 ⊕ · · · ⊕WJ1. Para os encontrar, usa-se a rela¸c˜ao : Vj =Vj−1⊕Wj−1. Tem-seφj−1,k ∈Vj eψj−1,k ∈Vj, para ent˜ao decompor φj−1,k e ψj−1,k sobre Vj pelas rela¸c˜oes 3.4 e 3.5, para em seguida aplicar o produto escalar de f nestas fun¸c˜oes, obtendo-se:

cj1,k = 2j

−1

n=0

cj,nhn2k

dj1,k = 2j

−1

n=0

cj,ngn2k

• A etapa de s´ıntese ´e a inversa da precedente. Considerando ainda a f´ormula de decomposi¸c˜ao, para cadaj, ´e obt´em-se:

cj,k = 2j−1

−1

n=0

cj1,nhk2n+ 2j−1

−1

n=0

(42)

Cap´ıtulo 3: An´alise da regularidade de uma fun¸c˜ao 27

A transformada bidimensional

Decompor uma fun¸c˜ao discretaf del2(Z2) consiste em calcular os produtos escalares a partir de vetores de uma base del2(Z2). A sucess˜ao dos filtros sobreN

j n´ıveis para decompor uma fun¸c˜ao corresponde `a seguinte base no caso das wavelets ortogonais,

{φNj,n,m(k, l)}(m,n)∈Z2,{ψj,n,mr(k, l)}1

≤jNj,(n,m)∈Z2,r

∈{H,V,D}

(k,l)∈Z2 (3.8)

A representa¸c˜ao multi-escala de a0 =f resultante, consiste em uma aproxima¸c˜ao

aNj na resolu¸c˜ao 2Nj e dos coeficientes das wavelets dj,H, dj,V, dj,D `as resolu¸c˜oes, tal que 12j 2Nj.

Como no caso 1D, uma algoritmo r´apido pode ser utilizado para realizar a trans-formada discreta 2D,

an,mj+1= (aj ∗¯h¯h)2n,2m dn,mj+1,H = (aj∗g¯¯h)2n,2m

dn,mj+1,V = (aj∗¯hg¯)2n,2m dn,mj+1,D = (aj∗g¯g¯)2n,2m em que ¯h(n) =h(n) e ¯g(n) =g(n).

Neste caso, a transformada inversa ´e dada por:

an,mj = (ˇaj+1∗hh)n,m+ ( ˇd j+1,H

∗gh)n,m+ ( ˇdj+1,V hg)n,m+ ( ˇdj+1,Dgg)n,m (3.9) em que ˇan ´e igual a ap se 2p=n e 0 sen˜ao.

(43)
(44)

Cap´ıtulo 4

Aplica¸

ao da transformada

wavelets

na redu¸c˜

ao do ru´ıdo

speckle

Neste cap´ıtulo s˜ao apresentados alguns m´etodos de redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle nas imagens ao usar algoritmos que empregamwavelets. Embora uma grande quantidade de algoritmos exista para a redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle em imagens, s˜ao apresentados quartos algoritmos,

• estima¸c˜ao dos coeficientes dewavelets da imagem ao utilizar um limiar;

• estima¸c˜ao bayesiana da imagem no dom´ınio das wavelets usando uma mode-lagem das distribui¸c˜oes do ru´ıdo e da imagem;

• estima¸c˜ao da imagem ao construir empiricamente as distribui¸c˜oes dos coefi-cientes de wavelets da imagem;

• modelagem markoviana dos coeficientes dewavelets predominantes da imagem.

(45)

As aplica¸c˜oes realizadas ao fim de cada sec¸c˜ao usam um ru´ıdo speckle artificial, cuja constru¸c˜ao ´e explicada na sub-sec¸c˜ao 4.1.2.

Para avaliar os algoritmos desenvolvidos, utilizam-se as imagens cl´assicas mostradas na Figura 4.1.

Figura 4.1: a) lena, b) cameraman, c) baboon e d) peppers.

Para medir o desempenho dos algoritmos, ´e utilizado a rela¸c˜ao sinal/ru´ıdo calcu-lada pela f´ormula seguinte

SNR= 10 log

(I(i, j))2

|I(i, j)2J(i, j)2|

,

em que I ´e a imagem original n˜ao-ruidosa e J ´e a imagem ruidosa. Esta rela¸c˜ao ´e calculada na imagem original e depois de aplicado cada algoritmo.

(46)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 31

4.1

Limiariza¸

ao dos coeficientes

wavelets

4.1.1

Os limiares cl´

assicos

A partir da decomposi¸c˜ao em wavelets, uma primeira id´eia ´e a de utilizar um limiar fixo sobre os coeficientes obtidos. ´E observado que os grandes coeficientes correspondem `as bordas, `as caracter´ısticas da imagen, e que os menores correspondem mais ao ru´ıdo ou `as fracas varia¸c˜oes. Com base nisto, uma limiariza¸c˜ao simples pode dar j´a um resultado interessante. Considera-se um ru´ıdo aditivo : yk,lj = xjk,l+njk,l, em que yk,lj ´e o coeficiente da transformada wavelet no pixel (k, l) e no n´ıvel j, xjk,l

o coeficiente original e njk,l o coeficiente wavelets vindo do ru´ıdo. Por exemplo, a limiariza¸c˜ao qualificada como abrupta (hard-thresholding) feita em cada coeficiente pode ser usada. Ela ´e a mais intuitiva, faz-se da forma seguinte,

ˆ

xjk,l = 0, se |y j

k,l|< T,

yk,lj , c.c. (4.1)

em que T ´e um limiar. ´E guardado assim unicamente os coeficientes significativos, zerando os outros. Na Figura 4.2 ´e apresentada a fun¸c˜ao de limiariza¸c˜ao abrupta.

Figura 4.2: fun¸c˜ao de limiariza¸c˜ao abrupta.

(47)

diminui os grandes coeficientes, i.e. maior do que o limiar, para reduzir o efeito do ru´ıdo mesmo nos coeficientes maiores,

xjk,l = 0 se |y

j k,l| < T

yk,lj + sign(yl,kj )T c.c. (4.2)

Figura 4.3: fun¸c˜ao de limiariza¸c˜ao suave.

O coeficiente limiarizado ´e menor do que aquele do sinal. Esta limiariza¸c˜ao garante que o sinal resultante, ou seja o sinal original estimado, ´e mais regular do que o sinal ruidoso. Na Figura 4.3 a fun¸c˜ao de limiariza¸c˜ao suave ´e apresentada.

4.1.2

O limiar de Donoho e Johnstone

Mas em geral, ´e imposs´ıvel encontrar um modo de estima¸c˜ao, dentre todos tipos de limiariza¸c˜ao, que minimize o erro produzido pela limiariza¸c˜ao dos coeficientes. Donoho e Jonhstone [Donoho e Johnstone 1995] prop˜oem um limiar para minimizar o erro do estimador quando o ru´ıdo ´e aditivo gaussiano. Este limiar ´e dado por

T =σn

2 log(N) em que σ2

(48)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 33 Conhecendo o valor de N, o problema se resume na determina¸c˜ao de σn. No Cap´ıtulo 2, ´e considerada uma imagem como uma representa¸c˜ao por regi˜ao. Ent˜ao, assumindo que a imagem possui regi˜oes suaves com n´ıvel de cinza constante poder-se estimar a variˆancia localmente, mesmo se ´e perdida a qualidade de bordas. Neste caso, a limiariza¸c˜ao se aplica `as componentes da decomposi¸c˜ao wavelet, que apresenta as caracter´ısticas da imagem, suas bordas em diferentes n´ıveis de precis˜ao. Ent˜ao desta vez, ao contr´ario do Cap´ıtulo 2, a imagem ´e considerada como uma representa¸c˜ao por bordas, e a variˆancia n˜ao pode ser estimada localmente. A id´eia ´e de considerar a totalidade dos coeficientes de uma componente e de observar que a maioria dos coeficientes wavelets provieram do ru´ıdo e que eles tˆem valores pequenos.

(49)

Figura 4.4: exemplo de reparti¸c˜ao dos coeficientes wavelets de um sinal 1D tendo N

amostras.

Se M ´e o valor mediano de {|yl,k|,0 ≥ k ≥ N/2}, pode-se mostrar que quando o ru´ıdo ´e aditivo gaussiano: E[M] = 0,6745σn [Donoho e Johnstone 1995]. Pode-se ent˜ao estimar σn por

ˆ

σn=

M

0,6745.

Para ilustrar a qualidade deste estimador, pode-se aplicar um ru´ıdo aditivo gaus-siano de variˆancia σn = 25 `as imagens. Os resultados s˜ao dados na Tabela 4.1.

lena baboon cameraman peppers Ru´ıdo aditivo gaussiano (σn= 25) 25,9451 28,4015 25,3470 25,6785 Ru´ıdo multiplicativo(σn = 0.2) 0,2512 0,2607 0,2649 0,1863 Tabela 4.1: estima¸c˜ao do ˆσ em imagens corrompidas por um ru´ıdo aditivo gaussiano

ou por ru´ıdo multiplicativo.

(50)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 35 de um ru´ıdo n˜ao-gausiano, cujo a simula¸c˜ao ´e descrita na sub-sec¸c˜ao seguinte. A Tabela 4.1 mostra a sua estima¸c˜ao para algumas imagens. Os resultados mostram que a qualidade do estimador ´e correta no caso n˜ao-gaussiano tamb´em.

O limiar constru´ıdo por Donoho e Johnstone n˜ao ´e o limiar ´otimo para o caso de um ru´ıdo speckle, pois o ru´ıdo ´e n˜ao gaussiano e conseq¨uentemente uma adapta¸c˜ao deve ser realizada. Por´em, deste estudo guardaremos a estima¸c˜ao da variˆancia que ser´a ´util adiante.

4.1.3

Aplica¸

ao

Da teoria dewavelets, encontra-se que as pequenas varia¸c˜oes contidas em uma pe-quena regi˜ao s˜ao expressas pelaswavelets finas e est˜ao representadas por um pequeno valor. Isto acontece exatamente para os valores oriundos do ru´ıdo aditivo. Ent˜ao a partir desta observa¸c˜ao, a id´eia de aplicar um limiar aos coeficientes por um dos m´etodos de limiariza¸c˜oes precedentes pode ser eficiente.

Mas, no caso em que o ru´ıdo ´e de natureza multiplicativo, obt´em-se um mau resultado. Em uma superf´ıcie homogˆenea de alto valor, as diferen¸cas entre doispixels vizinhos pode ser enorme. O exemplo seguinte ilustra o problema.

A simula¸c˜ao do ru´ıdospeckle ´e aquela utilizada no Matlab. Considera-se a imagem sobre [0,1], a modelagem para o ru´ıdo speckle ´e: J =I +nI, em que I ´e a imagem original,n segue uma lei uniforme de m´edia nula e de variˆancia 0,04 e J ´e a imagem resultante.

exemplo: considerando uma regi˜ao homogˆenea representada pela matriz I

I =

⎜ ⎜ ⎝

150 150 150 150 150 150 150 150 150

⎟ ⎟ ⎠

(51)

J =

⎜ ⎜ ⎝

107 97 160 192 137 193 132 95 130

⎟ ⎟ ⎠

As grandes diferen¸cas aparecendo entreI eJ, explicam que algumaswavelets finas provocam grandes coeficientes e que s˜ao ent˜ao guardados pela limiariza¸c˜ao, mesmo estando-se numa regi˜ao homogˆenea.

Para resolver um pouco esta dificuldade, toma-se o logaritmo da imagem corromp-ida e se aplica a limiariza¸c˜ao sobre a imagem resultante. Obt´em-se ent˜ao um ru´ıdo aditivo log(1 +n) e a limiariza¸c˜ao ´e finalmente mais adaptada.

Os resultados da Tabela 4.2 mostram a melhor rela¸c˜ao sinal/ru´ıdo (expresso em

dB) encontrado dentre diferentes limiares e conservando uma boa qualidade de ima-gem. A melhora qualidade foi obtida ao utilizando uma limiariza¸c˜ao suave.

lena baboon cameraman peppers

SNR original 9,7020 9,5055 9,5763 9,6073

SNR da imagem limiarizada 18,8761 14,9794 19,5648 20,0451 Tabela 4.2: resultados da limiariza¸c˜ao sobre 4 imagens corrompidas por um ru´ıdo

speckle artificial.

(52)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 37 A grande vantagem desta abordagem ´e o baixo tempo de processamento obtido gra¸cas a decomposi¸c˜ao r´apida em wavelets. A Tabela 4.3 confirma este resultado:

64×64 128×128 256×256 512×512 Tempo de execu¸c˜ao 0,26 sec 0,35 sec 0,6 sec 1,6 sec

Tabela 4.3: tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem.

4.2

Estima¸

ao bayesiana no dom´ınio das wavelets

4.2.1

Transformada logar´ıtmica

Como ´e explicado na sec¸c˜ao 2.1, quando uma ´area homogˆenea ´e gerada por ultra-ssom, o desvio padr˜ao do sinal aparece proporcional `a m´edia, o que sugere um modelo multiplicativo para o ru´ıdo. Um modelo mais geral (como descrito por Jain [Jain 1989]) possui a forma

g =f η+ηa

comη sendo o ru´ıdo multiplicativo eηa sendo o ru´ıdo aditivo. Diante da importˆancia do ru´ıdo multiplicativo, o ru´ıdo aditivo ´e freq¨uentemente n˜ao considerado; usando-se apenas :

g =f η

o que acarreta uma compress˜ao logar´ıtmica dada por

(53)

se imp˜oem pouco a pouco, j´a que permitem uma elimina¸c˜ao do ru´ıdo conservando-se os detalhes importantes.

No m´etodo desenvolvido por Gupta et al.[Gupta, Chauhan e Saxena 2005] ´e uti-lizada a transformadawavelets do tipo redundante. A transformadawavelets discreta redundante (TWDR) possui algumas vantagens importantes em compara¸c˜ao com a transformada com sub-amostragens. O fato de sub-amostrar faz que a transformada fique sens´ıvel `as transla¸c˜oes da imagens; o que significa que a transformada de uma imagem e da sua translada s˜ao diferentes (transforma¸c˜ao shift-variant). Isso n˜ao acontece com a TWDR que ´e invariante `a transla¸c˜ao [Michailovich e Tannenbaum 2006].

Com a aplica¸c˜ao TWDR ´e conservado o mesmo n´umero depixels da imagem orig-inal; o fato de n˜ao sub-amostrar permite `as imagens obtidas conservar o mesmo tamanho que a imagem original. Esta particularidade possibilita principalmente poder comparar as diferen¸cas entre as transformadas mais facilmente.

Aplicando a TWDR `a Equa¸c˜ao 4.3, tem-se

W(log(g)) =W(log(f)) +W(log(η)) (4.4) que, al´em de ser linear, a ortogonalidade da transformada emwavelets permite conser-var as propriedades estat´ısticas do sinal, i.e., que se log(η) segue uma lei de densidade qualquer, a sua transformada segue esta mesma lei.

4.2.2

Caracter´ısticas estat´ısticas

A equa¸c˜ao geral 4.4 resultante da transformada wavelets ´e agora escrita

(54)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 39

ǫjl,k, em que l, k s˜ao as coordenardes do pixel na imagem de detalhes no n´ıvel j para qualquer componente H,V ou D.

´

E comum na literatura (por exemplo [R.F.Wagner et al. 1983, Burckhardt 1978]) de modelar o ru´ıdo aditivo distribu´ıdo por uma distribui¸c˜ao de Rayleigh, conforme a equa¸c˜ao:

p(ǫ) = |ǫ|

2α2exp(−

ǫ2

2α2). (4.6)

Tomando n=|ǫ|, tem-se

p(n) = n

α2exp(−

n2

2α2)1R+. (4.7)

De um outra lado, uma distribui¸c˜ao gaussiana generalizada pelos coeficientes wavelets do sinal ´e freq¨uentemente adotada. Esta pode se aproximar por uma simples gaussiana p(x)

p(x) = 1

σx

2πexp(− x2 2σ2

x

) (4.8)

em que σx ´e a desvio padr˜ao do sinal x.

4.2.3

O processamento bayesiano

A partir da modelagem realizada anteriormente, a Equa¸c˜ao 4.5 torne-se

y=x+sign(yx)|ǫ| (4.9) e pode-se tamb´em estimar a probabilidade do sinal original condicional ao sinal rece-bido, conforme a seguinte equa¸c˜ao.

p(y|x) = pn(|yx|) (4.10)

= |y−x|

α2 exp(−

(yx)2

(55)

e usando-se a rela¸c˜ao bayesiana, tem-se:

p(x|y) = p(y|x)p(x)

p(y) . (4.12)

Pode-se ent˜ao encontrar o estimador MAP ˆxque maximize a probabilidade precedente (a posteriori porquˆe ´e depois da observa¸c˜ao do sinal recebido), conforme a equa¸c˜ao seguinte

ˆ

x = arg maxp(x|y) (4.13)

= arg maxp(y|x)p(x) (4.14)

= arg maxp(|yx|)p(x) (4.15) = arg max[log(p(|yx|)) + log(p(x))] (4.16)

ou seja, usando-se a rela¸c˜ao 4.11, tem-se

ˆ

x= arg max[log(|y−x|

α2 )−

(yx)2

2α2 + log(p(x))]. (4.17) ´

E assumido que p(x) pode ser aproximada por uma gaussiana, ou seja o seu maximo ´e encontrado num ´unico ponto. Pode-se ent˜ao encontrar o estimador ao calcular a derivada de 4.17

y 1 −x +

yx

α2 +

d(log(p(x)))

dx

x=ˆx = 0, (4.18)

inserindo a modelagem dep(x), tem-se

log(p(x))) =log(√2πσx) x 2 2σ2

x

. (4.19)

A partir da equa¸c˜ao 4.18 resulta ent˜ao o estimador pesquisado:

ˆ

x=sign(y)max0,2|y|σ

2

x+α2|y| −

α4y2+ 4α4σ2

x+ 4α2σx4 2(α2+σ2

x)

(56)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 41

4.2.4

Aplica¸

ao

Do estimador precedente, ´e ´obvio que uma escolha deve ser tomada para a variˆancia do sinal σx. A id´eia ´e usar uma janela relativamente pequena varrendo a imagem, e dentre a qual calcula-se a variˆancia do sinal recebido nesta janela. A janela sendo relativamente pequena, a estima¸c˜ao ´e ent˜ao mais representativa e o erro resultante minimizado.

Da Equa¸c˜ao 4.5, tem-se a rela¸c˜ao das variˆancias

σy2 =σx2+ 2α2 (4.21)

Usando o trabalho de Donoho e Johnstone [Donoho e Johnstone 1994, Donoho e Johnstone 1995], existe ent˜ao a estima¸c˜ao da variˆancia do ru´ıdo:

σ2n= 2α2 =C

mediana(|yl,k|)

0,6745

para yl,k ∈ {D} (4.22) em que a constanteC´e usada para equilibrar a conserva¸c˜ao da informa¸c˜ao da imagem e a elimina¸c˜ao do ru´ıdo.

Tendo os valores de y, o estimador emp´ırico ´e ent˜ao simplesmente usado para encontrarσ2

y:

σy2 = 1

N2

(l,k)∈M

yl,k2 (4.23)

em que M ´e a janela local de tamanho N ×N. A partir da Equa¸c˜ao 4.21 ´e ent˜ao poss´ıvel estimar a variˆancia do sinal:

σ2

x = max(0, σy2−σn2)

(57)

lena baboon cameraman peppers SNR da imagem original 9,7098 9,5446 9,5842 9,6353 SNR de imagem tratada 16,1261 14,7314 14,6815 15,6903

Tabela 4.4: resultados do algoritmo sobre imagens corrompidas por um ru´ıdo speckle artificial de variˆancia 0,04.

64×64 128×128 256×256 512×512 Tempo de execu¸c˜ao 0,1 sec 0,3 sec 1,2 sec 5,1 sec

Tabela 4.5: tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem.

A Tabela 4.5 mostra pelo tempo de processamento a baixa complexidade do al-goritmo apresentado

Como o mostra as Tabelas 4.4 e 4.5, este m´etodo parece bom e eficiente. Mas, `as vezes, a rela¸c˜ao sinal/ru´ıdo n˜ao significa uma boa qualidade da imagem.

4.3

Estima¸

ao e redu¸c˜

ao do ru´ıdo empragedo

wavelets

4.3.1

Descri¸

ao do m´

etodo

(58)

Cap´ıtulo 4: Aplica¸c˜ao da transformadawavelets na redu¸c˜ao do ru´ıdo speckle 43 Para cada componente da decomposi¸c˜ao em wavelets (Horizontal, Vertical e Di-agonal) e em cada n´ıvel de decomposi¸c˜ao, especificam-se os coeficientes interessantes - fazendo parte da imagem original - construindo uma m´ascara. Para evitar qualquer confus˜ao, ´e notado wk o coeficiente de detalhe wavelet sem notar nem o n´ıvel nem a componente considerados. Os r´otulos da m´ascara s˜ao definidos da seguinte maneira:

• xk = 1, se o coeficiente de wavelet wk ´e um coeficiente de interesse, que repre-senta uma parte do sinal;

• xk = 0, se o coeficiente dewavelet wk ´e originado principalmente do ru´ıdo. Sejam yk o verdadeiro coeficiente enk o valor adicionado por causa do fenˆomeno do ru´ıdo. Usa-se ent˜ao a seguinte modelagemwk =yk+nk.

´

E conhecido que a probabilidade condicional ´e o estimador que minimiza o erro quadr´atico com o valor buscado:

ˆ

yk = E[yk|xk, wk] (4.24)

= E[yk|wk, xk = 1]P(xk = 1|wk) +E[yk|wk, xk = 0]P(xk= 0|wk) (4.25) Utiliza-se ent˜ao este estimador para recuperar a imagem original. Deste estimador anteriormente definido, podem ser feitas as aproxima¸c˜oes seguintes:

• se xk = 1, o coeficiente faz parte do sinal, considera-se ent˜ao o ru´ıdo nulo,

E[yk|wk, xk = 1] =wk;

• sexk = 0, o coeficiente faz parte do ru´ıdo, considera-se ent˜aoyknulo,E[yk|wk, xk = 0] = 0.

Isto que resulta em

ˆ

(59)

Aplicando-se da lei de Bayes, pode-se expressar P(xk = 1|wk) como uma raz˜ao de esperan¸ca generalizado [Middleton e Esposito 1968], o estimador torna-se

ˆ

yk =

ξkµk 1 +ξkµk

wk em que, ξk =

pWk|Xk(wk|1)

pWk|Xk(wk|0)

, µk=

P(Xk = 1|ε)

P(Xk = 0|ε),

(4.27) em que ε traduz um conhecimento a priori que ´e utilizado para estimar as probabil-idades de presen¸ca e ausˆencia do sinal (coment´ario sobre a nota¸c˜ao: as vari´aveis em mai´uscula correspondem `as vari´aveis aleat´orias adotam-se valores de vari´aveis escritas em min´uscula).

Para o conhecimento a priori de cada um dos coeficientes das wavelets, usa-se um indicador ek que exprime a atividade espacial local. Ao considerar uma janela 3×3, para o coeficiente ao centro da janela wk, a sua atividade espacial local ´e ent˜ao definida da forma seguinte

ek =

l∈{1,...,8}

(2xl−1). (4.28)

Observa-se que a atividade ´e fortemente negativa se todos vizinhos n˜ao represen-tam caracter´ıstica (l, xl = 0), que ´e grande em caso contr´ario, quando todos s˜ao importantes (l, xl = 1), e que no caso em que se tem uma indecis˜ao (n´umero de vizinhos xl = 0 igual ao numero de vizinhos xl = 1), ek = 0. Estas observa¸c˜oes confirmam que a Equa¸c˜ao 4.28 exprime bem um conhecimento a priori.

O que resulta para µk

ˆ

µk=

P(Xk = 1|ek)

P(Xk = 0|ek)

=rpEk|Xk(ek|1)

pEk|Xk(ek|0)

(4.29) em que r ´e a raz˜ao das probabilidades a priori

r= P(Xk= 1)

P(Xk= 0)

. (4.30)

Imagem

Figura 2.1: uma distribui¸c˜ao do ru´ıdo speckle
Figura 2.2: imagem ruidosa e imagem filtrada pelo filtro da mediana adaptado, c = 2 e K = 3.
Tabela 2.2: tempo de execu¸c˜ao do algoritmo em fun¸c˜ao do tamanho da imagem.
Figura 3.1: representa¸c˜ao de duas wavelets particulares: √ 1 a i ψ( t − a x i
+7

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