Universidade Federal Fluminense
Centro de Estudos Gerais
Instituto de F´ısica
Gradua¸
c˜
ao em F´ısica
Andr´e Carlos Pe¸canha Lima
F´ermions de Majorana na cadeia de Kitaev
Niter´
oi-RJ
2018
ANDR ´E CARLOS PE ¸CANHA LIMA
F ´ERMIONS DE MAJORANA NA CADEIA DE KITAEV
Trabalho de Conclus˜ao de Curso apresentado ao Programa de Gradua¸c˜ao em F´ısica do Instituto de F´ısica da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obten¸c˜ao do grau de Bacharel em F´ısica.
Orientador: Prof. Dr. MARCOS SERGIO FIGUEIRA DA SILVA
Niter´oi-RJ 2018
iii
Ficha catalográfica automática - SDC/BIF Gerada com informações fornecidas pelo autor
Bibliotecário responsável: Mario Henrique de Oliveira Castro - CRB7/6155 P364f Peçanha lima, André Carlos
Férmions de Majorana na cadeia de Kitaev / André Carlos Peçanha lima ; Marcos Sérgio Figueira Da Silva, orientador. Niterói, 2018.
38 f. : il.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Física)-Universidade Federal Fluminense, Instituto de Física, Niterói, 2018.
1. Férmions de Majorana. 2. Cadeia de Kitaev. 3.
Propriedades termoelétricas. 4. Coeficientes de transporte. 5. Produção intelectual. I. Da Silva, Marcos Sérgio
Figueira, orientador. II. Universidade Federal Fluminense. Instituto de Física. III. Título.
-v
Este trabalho ´e dedicado `a minha noiva Gabriela Fer-nandes da Silva, ao meu avˆo Juraci de Souza Lima, em mem´oria de minha av´o Marlene Pe¸canha Lima e a todos que de alguma forma contribuiram em minha jornada.
Agradecimentos
Agrade¸co primeiramente a Deus pela oportunidade de ser o primeiro em minha fam´ılia a se formar em uma faculdade p´ublica e chegar ao final da mesma com sa´ude, a minha m˜ae M´arcia Cristina Pe¸canha Lima, ao meu Pai Mauro Neves Machado, ao meu irm˜ao Arthur Henrique Lima Machado, ao meu avˆo, pai e mestre Juraci de Souza Lima, a minha querida av´o Marlene Pe¸canha Lima que infelizmente n˜ao se encontra mais presente entre n´os, a minha noiva e futura esposa Gabriela Fernandes da Silva por todo apoio dispensado a mim, em especial para minha m˜ae que me teve muito nova e que por maiores que tenham sido as dificuldades conseguiu me indicar o caminho certo e a minha noiva por sempre estar ao meu lado durante todo este ´arduo percurso. Ap´os esses 5 anos de curso quando olho pra tr´as e vejo todos os obst´aculos pelos quais passei, me vejo como um homem mais forte e determinado a alcan¸car seus objetivos, quando entrei neste curso n˜ao fazia id´eia se iria terminar, tendo em vista que toda minha educa¸c˜ao b´asica (ensino fundamental e m´edio ) foi feita em col´egios p´ublicos, tamb´em n˜ao tinha muito claro o que queria para o meu futuro. Hoje, ao lembrar da minha infˆancia, vejo a importˆancia de todas as longas conversas que tive com meu avˆo a respeito dos aspectos do nosso universo, das vezes em que saia de casa de manh˜a e chegava apenas de noite, do dia em que me vi obrigado a trabalhar para que eu pudesse permanecer na faculdade, das noites mal dormidas e das horas e horas de viagem da minha residencia at´e a faculdade, vejo que n˜ao me arrependo de nada, na faculdade tive a oportunidade de ver qu˜ao forte posso ser e quanto minha familia esta ao meu lado. N˜ao poderia deixar de fazer uma men¸c˜ao aos ensinamentos passados pelo meu orientador Marcos Sergio Figueira, que muito contribuiu para melhorar minha percep¸c˜ao do mundo n˜ao somente no aspecto f´ısico que ´e do nosso interesse como pesquisador e futuro pesquisador no meu caso como no aspecto moral. Agrade¸co aos tantos amigos que fiz durante todo esse trajeto, pelas ajudas em listas de exerc´ıcios, trabalhos e pesquisas, em especial ao Marcos Benicio, Matheus Curado, Roger e ao professor Lucas Sigaud pelos momentos vividos em aula, restaurante e corredores. Infelizmente n˜ao ´e possivel listar todas as pessoas que de alguma forma me ajudaram ao longo desses anos, s˜ao incont´aveis e a todas elas eu ofere¸co o meu muito obrigado.
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RESUMO
O presente trabalho ´e resultado de uma inicia¸c˜ao cient´ıfica (IC) que teve in´ıcio no primeiro semestre de 2018 com o professor Marcos Sergio Figueira. O tema do trabalho ´e o estudo das propriedades termoel´etricas dos fermions de Majorana em uma cadeia de Kitaev. A proposta de existˆencia dos f´ermions de Majorana derivou de um trabalho te´orico de Majorana que procurou solu¸c˜oes reais da equa¸c˜ao de Dirac e que chegou ao resultado de que essas solu¸c˜oes s´o seriam poss´ıveis de existirem se as part´ıculas associadas fossem suas pr´oprias anti-part´ıculas. Na primeira parte desse trabalho, ´e apresentado uma revis˜ao da proposta de Majorana, assim como do “toy model” que foi intuido por Kitaev para a realiza¸c˜ao experimental dessas excita¸c˜oes, demonstrando ent˜ao sua possibilidade te´orica.
O foco do trabalho ´e o c´alculo das propriedades termoel´etricas de um sistema formado por um ponto quˆantico acoplado a um terminal quente e a outro frio, sendo que esse ponto quˆantico tamb´em est´a acoplado a uma cadeia de Kitaev. Se resolve o Hamiltoniano de Kitaev e se analisa a transi¸c˜ao topol´ogica existente no modelo. O Hamiltoniano de Kitaev ´e resolvido a partir do m´etodo da equa¸c˜ao de movimento (EOM) para as fun¸c˜oes de Green e as propriedades termoel´etricas s˜ao calculadas a partir de uma teoria de resposta linear, onde s˜ao obtidos os coeficientes termoel´etricos Na fase topol´ogica surgem f´ermions de Majorana nas bordas da cadeia e se calculam as propriedades termoel´etricas geradas por esses f´ermions, e se apresentam resultados para o c´alculo das condutividades el´etrica e t´ermica, da potˆencia termoel´etrica, lei de Wiedemann-Franz (obtida experimentalmente para os metais, que ´e definida como a raz˜ao entre a condutˆancia t´ermica e a condutˆancia el´etrica multiplicada pela temperatura, e que resulta em uma constante para os metais) e a figura termoel´etrica de m´erito adimensional, que fornece uma medida da eficiˆencia de um material converter energia t´ermica em energia el´etrica.
Palavras chave: F´ermions de Majorana, Cadeia de Kitaev, Propriedades termoel´etricas, Coe-ficientes de transporte, Fun¸c˜oes de Green.
ABSTRACT
The present work is the result of a scientific initiation (CI) that began in the first half of 2018 with Professor Marcos Sergio Figueira. The theme of the work is the study of the thermoelectric properties of Majorana fermions in a Kitaev chain. The proposal for the existence of Majorana fermions derived from a theoretical work by Majorana which sought real solutions to the Dirac equation and came to the conclusion that such solutions would only be possible to exist if the associated particles were their own antiparticles. In the first part of this work, a review of Majorana’s proposal is presented, as well as of the toy model that was intuited by Kitaev for the experimental realization of these excitations, demonstrating its theoretical possibility.
The focus of the work is the calculation of the thermoelectric properties of a system formed by a quantum dot coupled to a hot terminal and a cold one, this quantum dot being also coupled to a Kitaev chain. We solve the Kitaev Hamiltonian and analyze the topological transition in the model. The Kitaev Hamiltonian is solved from the equation of motion (EOM) method for the Green functions and the thermoelectric properties are calculated from a linear response theory, where the thermoelectric coefficients. In the topological phase, fermions of Majorana appear at the edges of the chain and the thermoelectric properties generated by these fermions are calculated and results are presented for the calculation of the electrical and thermal conductivity, thermoelectric power, Wiedemann-Franz law (ob-tained experimentally for metals, which is defined as the ratio between the thermal conductance and the electrical conductance multiplied by the temperature, and which results in a constant for metals) and the dimensionless thermoelectric figure of merit, which provides a measure of the efficiency of a material to convert thermal energy into electrical energy.
Keywords: Majorana Fermions, Kitaev Chain, Thermoelectric Properties, Transport Coeffici-ents, Green Functions.
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LIST OF FIGURES
1 Curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercon-dutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeia de Kitaev fora da fase topol´ogica: (∆ = 0.4t 6= µ), podemos notar a transi¸c˜ao da fase trivial para a fase topol´ogica em µ = −1, 0, Vale notar que utilizamos ∆ = 0.4t pois do contrario, se ∆ = 0 ent˜ao perderiamos o efeito. . . 5
2 Curvas cheias(azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercon-dutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeia de Kitaev fora da fase topol´ogica: (∆ = 0.4t 6= µ), aqui de maneira an´aloga Fig. 1, podemos observar que h´a uma mudan¸ca de fase no sistema, no entanto com a diferen¸ca que a transi¸c˜ao topol´ogica ocorre em µ = t o que mostra que a f´ısica das duas transi¸c˜oes s˜ao distintas. Na Fig. 1 a banda est´a completamente vazia e o potencial qu´ımico se encontra no fundo da banda enquanto que no presente gr´afico a banda esta completamente cheia estando o potencial qu´ımico no topo da banda. . . 6
3 Fase topologicamente trivial; os f´ermions de Majorana ocupam o mesmo s´ıtio de maneira a reproduzir os resultados para a cadeia eletrˆonica “tight-binding”. . . 8
4 Fase topol´ogica, f´ermions de Majorana do s´ıtio j se emparelham com os do s´ıtio j+1 pos-sibilitando o surgimento de f´ermions de Majorana nas bordas da cadeia. . . 8
5 Curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercon-dutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeia de Kitaev na fase topol´ogica: (∆ = t 6= 0) para valores de µ’s nega-tivos. A fase topol´ogica ocorre para valores de m < |t|, para m = |t| ocorre a transi¸c˜ao da fase topol´ogica para a fase trivial (que ocorre para m > |t|). . . 10
6 Curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercon-dutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeias de Kitaev na fase topol´ogica: (∆ = t 6= 0) para valores de µ’s posi-tivos. A fase topol´ogica ocorre para valores de m < |t|, para m = |t| ocorre a transi¸c˜ao da fase topol´ogica para a fase trivial que ocorre para m > |t|. . . 11
7 Figura 1. (a) O esbo¸co da geometria considerada nesse trabalho [1]. Cadeia de Kitaev topol´ogica em forma de U com um par de f´ermions de Majorana ηA e ηB nas suas extre-midades que tamb´em est´a em contato com um QD conectado a dois reservat´orios de calor met´alicos: um quente (vermelho,esquerda) e outro frio (azul,direita). O acoplamento do QD para os f´ermions de Majorana ´e assim´etrico e ´e caracterizado pelos elementos da ma-triz de tunelamento λAe λB, enquanto o acoplamento do QD com os eletrodos met´alicos ´e sim´etrico e ´e caracterizado pelo elemento da matriz de tunelamento V. A energia 2denota o acoplamento entre dois f´ermions de Majorana. b) Configura¸c˜ao auxiliar equivalente (d´ı-mero de Kitaev) resultante do mapeamento do arranjo inicial no sistema com um f´ermion n˜ao local residente em QD2. Denotamos por t o elemento de matriz de transferˆencia de el´etrons entre os QDs 1 e 2, ∆ ´e a energia de liga¸c˜ao do par de Cooper formado pelos el´etrons nos dois QDs 1 e 2. . . 12 8 Condutˆancias eletrica e t´ermica do sistema correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ
em fun¸c˜ao do n´ıvel de energia 1do QD1, para v´arias amplitudes de acoplamento 2, entre os f´ermions de Majorana localizados nas extremidades da cadeia de Kitaev. (a) Condutˆ an-cia el´etrica G em unidades do quantum de condutˆancia Go = e2/h, como fun¸c˜ao do n´ıvel de energia ε1 do QD1, para v´arios valores do acoplamento entre os f´ermions de Majorana ε2, localizados nas extremidades da cadeia. (b) Condutˆancia t´ermica normalizada pela temperatura κ/T , em unidades de Go e do n´umero de Lorenz Lo= π
2 3 (
kB e )
2. Para ambos os casos a ressonˆancia na energia de Fermi ε1 = 0, ocorre para altos valˆores de ε2. Para ε2 = 0 se observa um platˆo de magnitude Go/2, para a condutˆancia el´etrica e um platˆo de magnitude GoLo/2 para a condutividade t´ermica normalizada pela temperatura, que corresponde a assinatura dos f´ermions de Majorana tanto no transporte de eletricidade quanto de calor. . . 19 9 a)Termo potˆencia S, em unidades da constante de Boltzman pela carga el´etrica KB/e,
correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ. b) Desvio da condi¸c˜ao topol´ogica t = ∆ = 4Γ leva ao deslocamento das curvas da termo-potˆencia. . . 20 10 a) Lei de Wiedemann-Franz W F e a figura termoel´etrica de m´erito adimensional ZT ,
correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ. . . 21 11 a) Sem a presen¸ca do campo magn´etico , b) Com a presen¸ca do campo magn´etico . . . 23 12 a) bandas de energia sob um campo magn´etico forte hz na dire¸c˜ao de z resultando no
alinhamento dos spins. b) inclina¸c˜ao gradual dos spins nas bandas com respeito ao aumento do campo magn´etico aplicado . . . 24 13 arranjo para realiza¸c˜ao da cadeia em 1D do tipo p . . . 24
CONTENTS
Resumo vii
Abstract viii
List of Figures ix
I. Introdu¸c˜ao 1
II. A cadeia de Kitaev 4
II.1. Hamiltoniano de Kitaev em fun¸c˜ao dos operadores dos f´ermions de Majorana 6
II.2. Fase topol´ogica 9
III. Transporte de calor e carga em um sistema com f´ermions de Majorana 11
IV. Propriedades termoel´etricas e coeficientes de transporte 17
V. Resultados e Discuss˜ao 19
VI. F´ermions de Majorana no mundo real 23
VII. Conclus˜oes 25
A. M´etodo da equa¸c˜ao de movimento (EOM) para o c´alculo das fun¸c˜oes de Green 26
I. INTRODU ¸C ˜AO
Em 1937 analisando a equa¸c˜ao de Dirac que ´e definida pela equa¸c˜ao:
i~γµ∂µψ − mcψ = 0, (1)
onde usamos a conven¸c˜ao de Einstein para expressar as derivadas, m a massa de repouso, c a velocidade da luz, ψ a fun¸c˜ao de onda, µ ´e o ´ındice que contempla todas as coordenadas (espaciais e temporal), onde µ = 0, 1, 2, 3 e γµ s˜ao matrizes 2x2, que s˜ao sub-matrizes oriundas da matriz de Pauli e da matriz identidade dadas por [2]:
γ0= I2 0 0 −I2 , γ1= 0 σx −σx 0 , γ2= 0 σy −σy 0 , γ1= 0 σz −σz 0 . (2)
Onde γµ respeita a seguinte regra de comuta¸c˜ao:
[γµ, γα] = 2ηµαI4, (3)
sendo I2e I4matrizes identidade.
O f´ısico Ettore Majorana se fez uma pergunta: existem solu¸c˜oes reais para a equa¸c˜ao de Dirac? Majorana concluiu que isso somente seria poss´ıvel se existissem particulas que fossem iguais as suas anti-part´ıculas. A estas part´ıculas foi dado o nome de f´ermions de Majorana, em homenagem ao f´ısico que as intuiu. Embora o resultado seja interessante, a evidˆencia experimental de sua existˆencia ´e necess´aria, uma vez que apenas modelos que s˜ao capazes de descrever resultados experimentais e ou prever novos resultados ´e que s˜ao relevantes para a f´ısica. Este problema permaneceu como uma curiosidade durante 64 anos at´e que Kitaev propˆos um “toy model” que se realizado experimentalmente poderia levar a princ´ıpio `
a detec¸c˜ao dos f´ermions de Majorana [3]. Este modelo consiste em um sistema linear composto por uma cadeia de ´atomos, onde todos est˜ao com seus spins apontando em uma ´unica dire¸c˜ao. O modelo ´e descrito por trˆes parˆametros: Os el´etrons podem pular de um sitio para o outro por meio de uma energia de “hopping” t, o modelo tamb´em inclui um emparelhamento supercondutor ∆ com simetria “p” entre os el´etrons, que deve ser do tipo tripleto , uma vez que todos os spins apontam em um ´unico sentido, al´em disso, a ocupa¸c˜ao eletrˆonica da cadeia ´e controlada pelo potencial qu´ımico µ.
Modos de Majorana s˜ao quasi-part´ıculas que representam suas pr´oprias anti-quasipart´ıculas [4], o que significa que devem ser descritos por uma superposi¸c˜ao equivalente de estados de el´etrons e buracos. Este fato torna natural a procura destes modos em sistemas supercondutores, onde as fun¸c˜oes de onda das quasipart´ıculas possuem componentes de part´ıcula e buraco como graus de liberdade igualmente relevantes. A forma mais comum de acoplamento em supercondutores ´e do tipo onda-s, onde os pares de Cooper s˜ao formados de pares de el´etrons num estado singleto (proje¸c˜oes de spin opostas). Entretanto, modos de Majorana isolados podem ser produzidos em superf´ıcies de supercondutores de onda-p, nos quais a fun¸c˜ao de onda possui momento angular total J = 1, o que significa que os pares de Cooper
2 s˜ao formados por el´etrons num estado tripleto. Esta forma de acoplamento foi prevista para o estado fundamental do supercondutor Sr2RuO4, [5] por´em ´e altamente sens´ıvel `a desordem e, portanto, nunca foi observada experimentalmente [4]. Felizmente, um trabalho devido a Fu e Kane [6] mostrou que o pareamento tipo px± ipy pode ocorrer em estados de borda em isolantes topol´ogicos quando postos em contato com um supercondutor comum de onda-s, dando origem ao fenˆomeno de supercondutividade induzida por efeito de proximidade.
Algum tempo depois, Y. Oreg et al. [7] sugeriram uma simplifica¸c˜ao do problema, utilizando fios semicondutores unidimensionais. Cabe notar que existem tamb´em propostas de cria¸c˜ao de modos de Majorana em v´ortices de isolantes topol´ogicos dopados [8] , na interface entre um ferromagneto e um supercondutor depositado em um isolante topol´ogico bidimensional [9] , em gases de ´atomos frios [10], e ainda outros sistemas.
No presente trabalho iremos abordar muitos aspectos associados a topologia tais como: isolantes topol´ogicos, fase topol´ogica, transi¸c˜oes de fase e alguns outros. Sendo necess´ario definirmos o que seriam alguns destes tˆermos para uma melhor compreens˜ao das futuras an´alises que ser˜ao feitas.
• Topologia: ´e um ramo da matem´atica que estuda os espa¸cos topol´ogicos, considerada uma extens˜ao da geometria. Duas superf´ıcies tˆem a mesma topologia se ´e possivel transformar uma na outra conti-nuamente (sem rasgar ou colar). Em geral, a topologia estuda se os objetos podem ser transformados continuamente um no outro. Na f´ısica da materia condensada, podemos perguntar se os Hamilto-nianos de dois sistemas quˆanticos podem ser transformados continuamente um no outro atrav´es da varia¸c˜ao de um parˆametro f´ısico, como por exemplo correla¸c˜ao eletrˆonica, hibridiza¸c˜ao,etc.
• Isolantes topol´ogicos: s˜ao materiais eletrˆonicos que possuem um gap de energia nos estados de vo-lume bulk (espectro de energia associado ao vovo-lume do sistema), como um isolante usual, entretanto, possuem estados de borda que permitem a condu¸c˜ao de corrente, enquanto o volume permanece isolante.
• Fase topol´ogica: O Hamiltoniano de um sistema f´ısico ´e caracterizado por grupo de simetria e o sistema f´ısico sofre uma transi¸c˜ao de fase cl´assica quando h´a uma quebra na simetria do Hamilto-niano, usualmente as transi¸c˜oes de fase s˜ao bem descritas por meio da teoria de Landau [11], que associa a varia¸c˜ao de um parˆametro de ordem que se anula na transi¸c˜ao. Agora as transi¸c˜oes de fase topol´ogicas n˜ao se enquadram na teoria de Landau e s˜ao caracterizadas pelos n´umeros de Chern [2] que assumem diferentes valores quando por meio da varia¸c˜ao de algum parˆametro cruzamos essa transi¸c˜ao.
Apesar de at´e hoje os f´ermions de Majorana n˜ao terem sido detectados, com o advento do trabalho de Kitaev, come¸cou uma busca por sistemas de mat´eria condensada que poderiam exibir os f´ermions de Majorana, n˜ao como part´ıculas elementares, mas sim como excita¸c˜oes an´alogas aos fˆonons, magnons, etc. Para realizar experimentalmente a configura¸c˜ao que permite a detec¸c˜ao dos Fermions de Majo-rana, Y. Oreg et al. fizeram uma proposta para a realiza¸c˜ao experimental dos f´ermions de Majorana em sistemas de mat´eria condensada composta dos seguintes trˆes passos [7]:
• Um material que exiba uma forte intera¸c˜ao spin-´orbita intr´ınseca e Rashba para constituir o fio quˆantico.
• Um campo magn´etico externo que ´e usado para induzir uma polariza¸c˜ao de spin do nanofio [quebra de degenerescencia] e controlar a largura do gap.
• Um supercondutor do tipo “s” servindo de substrato para gerar um supercondutor de emparelha-mento “p”. Esta configura¸c˜ao ´e representada na figura 1.
Particularmente, f´ermions de Majorana emergem como excita¸c˜oes de quasipart´ıculas caracteriza-das por modos de energia zero que aparecem nas borcaracteriza-das do fio unidimensional de Kitaev. O modelo de Kitaev ´e usado para descrever os fenˆomenos emergentes da supercondutividade topol´ogica de onda “p” que pode ocorrer com el´etrons de spin polarizados. O interesse em se provar a existˆencia de tais part´ıculas n˜ao se at´em apenas aos interesses da f´ısica da mat´eria condensada, na astrof´ısica se acredita que uma das part´ıculas candidatas a constituir a massa escura que comp˜oe 25% do nosso universo seriam f´ermions de Majorana. Como podemos ver este ´e um problema em aberto de amplo interesse. Neste trabalho faremos um estudo te´orico do modelo de Kitaev, bem como suas poss´ıveis realiza¸c˜oes experimentais e calcularemos a condutˆancia el´etrica da cadeia de Kitaev.
4
II. A CADEIA DE KITAEV
No cap´ıtulo anterior introduzimos o conceito dos f´ermions de Majorana na mat´eria condensada agora discutiremos em detalhes o “toy model” proposto por Kitaev, que ´e constituido por uma cadeia unidimensional descrita pelo Hamiltoniano
H = −µ N X x=1 c†xcx− 1 2 N −1 X x=1
(tc†xcx+1+ ∆eiφcxcx+1+ tc†x+1cx+ ∆e−iφc†x+1c †
x), (4)
em termos dos operadores fermiˆonicos de cria¸c˜ao e aniquila¸c˜ao c† e c, onde µ ´e o potencial qu´ımico, t ´e a integral de transferˆencia de el´etrons entre s´ıtios vizinhos da cadeia (“hopping”), ∆ ´e o “gap” supercondutor com simetria “p” e φ ´e fase do parˆametro de ordem supercondutor ∆, que emparelha el´etrons com spins no mesmo sentido, ou seja, aqui devemos ter um emparelhamento tipo “p”.
Vamos agora nos preocupar em encontrar uma maneira de deduzir a existˆencia de modos de majorana a partir do espectro de energias associado aos s´ıtios internos da cadeia (bulk ). Primeiramente, vamos eliminar as bordas do sistema considerando uma cadeia infinita e impor condi¸c˜oes de contorno peri´odicas (todas as bandas de energia na primeira zona de Brillouin), com isto, o sistema possui simetria translacional |ni → |n + 1i , uma vez que os parˆametros t, µ e ∆ n˜ao dependem dos s´ıtios. Prosseguiremos com o estudo e aplicaremos uma transformada de Fourier para que possamos obter as bandas no espa¸co do vetor de onda ~k; cj = 1 √ 2π X k eikxjc k, (5) c†j =√1 2π X k e−ikxjc† k, (6)
onde xj = ja e a = 1 ´e o parˆametro de rede, podemos agora expressar o Hamiltoniano dado pela Eq. 4 como; H = 1 2 X k (kc†kck− kc−kc†−k+ ∆kc−kck+ ∆∗kc † kc † −k) + 1 2 X k k, (7) onde k= −µ − tcos(k), (8)
´e a energia cin´etica e ∆k = −i∆eiφsink ´e o potencial de pareamento transformado. Usando ent˜ao uma nota¸c˜ao matricial podemos expressar a equa¸c˜ao 4
H =P k c†k c−k k ∆∗k ∆k −k ck c†−k . (9)
Ou em termos dos operadores das quasipart´ıculas
como H =X k Ebulk(k)a†kak (11) com Ebulk= ± q 2 k+ |∆k|2. (12)
Figura 1. Curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercondutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeia de Kitaev fora da fase topol´ogica: (∆ = 0.4t 6= µ), podemos notar a transi¸c˜ao da fase trivial para a fase topol´ogica em µ = −1, 0, Vale notar que utilizamos ∆ = 0.4t pois do contrario, se ∆ = 0 ent˜ao perderiamos o efeito.
Nas figuras 1 e 2, as curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” que ´e uma aproxima¸c˜ao para uma cadeia unidimensional com N s´ıtios onde assumimos H = K +PN
i=1Vi onde K ´e a energia cin´etica e Vi s˜ao as energias locais que por simplicidade consideramos zero. A rela¸c˜ao de dispers˜ao da cadeia “tight-binding” ´e dada pela Eq. 8 e as curvas tracejadas(vermelhas) representam a cadeia de Kitaev fora da fase topol´ogica: (∆ = 0.4t 6= µ), cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 30. Nos gr´aficos acima mostramos a evolu¸c˜ao do sistema a medida que o sistema n˜ao tem nenhuma part´ıcula µ < −t (gr´afico (a)) e o preenchimento tem in´ıcio quando µ = −t (gr´afico (b)) e atinge seu valor m´aximo
6
Figura 2. Curvas cheias(azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercondutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeia de Kitaev fora da fase topol´ogica: (∆ = 0.4t 6= µ), aqui de maneira an´aloga Fig. 1, podemos observar que h´a uma mudan¸ca de fase no sistema, no entanto com a diferen¸ca que a transi¸c˜ao topol´ogica ocorre em µ = t o que mostra que a f´ısica das duas transi¸c˜oes s˜ao distintas. Na Fig. 1 a banda est´a completamente vazia e o potencial qu´ımico se encontra no fundo da banda enquanto que no presente gr´afico a banda esta completamente cheia estando o potencial qu´ımico no topo da banda.
quando µ = t (gr´afico (f)). Em (b) quando µ = −t, o gap se fecha em k = 0 e em (f) quando µ = t o gap se fecha para k = ±π, sendo ∆k uma fun¸c˜ao ´ımpar de k, n˜ao h´a emparelhamento Cooper em k = 0 e k = ±π, a f´ısica do sistema ´e diferente nos dois casos. Em (c),(d) e (e), a medida em que aumentamos o potencial qu´ımico de forma que |µ| < t, o potencial de emparelhamento ∆k abre um gap para qualquer valor de k nesse intervalo. Em (g) e (h) o sistema est´a sempre com um gap independente do valor de ∆k assemelhando-se ao caso visto em (a).
II.1. Hamiltoniano de Kitaev em fun¸c˜ao dos operadores dos f´ermions de Majorana
Neste cap´ıtulo definiremos dois novos operadores associados aos f´ermions de Majorana com o intuito de analisarmos os dois poss´ıveis casos limites da Kitaev. No cap´ıtulo anterior discutimos sobre
o hamiltoniano que define a Cadeia de Kitaev, algumas das suas propriedades f´ısicas como as mudan¸cas que ocorrem a medida em que as bandas de energia s˜ao ocupadas e o significado de tais mudan¸cas no sistema. Para compreender o comportamento da cadeia devemos primeiro definir os dois operadores que descrevem os f´ermions de Majorana, que s˜ao rotulados com os sub´ındices A e B: γA,j e γB,j, onde estes dois operadores pertencem ao mesmo s´ıtio que ´e representado pelo subindice j. Definimos os operadores γA,i e γB,j atrav´es de suas rela¸c˜oes com os operadores fermiˆonicos usuais:
f = 12(γA+ iγB), (13)
f†= 12(γA− iγB). (14)
Precisamos agora relacionar os operadores dados pelas rela¸c˜oes acima com os operadores de cria¸c˜ao e aniquila¸c˜ao de f´ermions que definem o hamiltoniano de Kitaev cj e c†j. Fermions de Majorana s˜ao “part´ıculas” neutras de spin 1/2, que como mencionamos anteriormente tem como suas anti-part´ıculas elas mesmas. Substituindo essas equa¸c˜oes nas rela¸c˜oes de comuta¸c˜ao para f´ermions:
[f, f†]+= 1, (15)
[f, f ]+= 0 (16)
teremos
[γα,i, γα†0
,j]+= 2δα,α0δi,j. (17)
Sendo α = A, B ,desta forma podemos relaciona-los com os operadores de cria¸c˜ao e aniquila¸c˜ao que descrevem o comportamento dos eletrons no sistema, rela¸c˜ao dada por :
cj =e −iφ2
2 (γA,j+ iγB,j), (18)
c†j =eiφ2
2 (γA,j− iγB,j). (19)
Utilizamos ent˜ao as equa¸c˜oes dadas na Eq. 4 do hamiltoniano e fazendo algumas manipula¸c˜oes alg´ebricas, obtemos ent˜ao o hamiltoniano de Kitaev em fun¸c˜ao dos operadores dos f´ermions de Majorana:
H = −µ 2 N X j=1 (1 + iγB,jγA,j) − i 4 N −1 X j=1 [(t + ∆)(γB,jγA,j+1) − (t − ∆)(γA,jγB,j+1)]. (20)
Podemos agora analisar alguns casos limites. O hamiltoniano de Kitaev possui trˆes parˆametros reais: o potencial qu´ımico µ, o hopping entre s´ıtios e o pareamento supercondutor ∆. O regime com estados de borda ´e obtido quando ∆ = t e µ = 0, enquanto o regime totalmente trivial composto apenas de fermions comuns ´e obtido quando ∆ = t = 0 e µ 6= 0.
Caso trivial:
Nesse caso temos que µ 6= 0 e t = ∆ = 0.
H = −µ 2 N X j=1 (1 + iγB,jγA,j), (21)
8 devemos observar que o emparelhamento entre os f´ermions de Majorana A e B ocorre sempre no mesmo s´ıtio da cadeia. O espectro de energia sempre tem um “gap”, pois teremos um custo de uma energia finita µ para adicionar um el´etron sem spin `a cadeia. A Fig. 3 ilustra como seriam estas intera¸c˜oes.
Figura 3. Fase topologicamente trivial; os f´ermions de Majorana ocupam o mesmo s´ıtio de maneira a reproduzir os resultados para a cadeia eletrˆonica “tight-binding”.
Caso topol´
ogico:
Neste caso temos que µ = 0 e t = ∆ 6= 0:H = i 2 N −1 X j=1 (tγB,jγA,j+1). (22)
No caso anterior vimos que o Hamiltoniano de Kitaev contemplava apenas o emparelhamento entre os f´ermions no mesmo s´ıtio. Para este caso podemos ver que ´e o contr´ario, o hamiltoniano define a intera¸c˜ao entre f´ermions de s´ıtios vizinhos. como podemos ver na figura 4.
Figura 4. Fase topol´ogica, f´ermions de Majorana do s´ıtio j se emparelham com os do s´ıtio j+1 possibilitando o surgimento de f´ermions de Majorana nas bordas da cadeia.
Para adquirir um melhor entendimento do hamiltoniano de Kitaev no limite topol´ogico, Eq. 22, ´e conveniente definir novos operadores de cria¸c˜ao e aniquila¸c˜ao fermiˆonicos
dj =12(γA,j+1+ iγB,j), (23)
d†j =12(γA,j+1− iγB,j), (24)
de forma que podemos expressar os operadores de Majorana γA,j+1 e γB, j em termos de operadores fermiˆonicos
γA,j+1= dj+ d†j, (25)
assim temos que: H = t 2 N −1 X j=1 (dj− d†j)(dj+ d†j), (27)
que pode ser colocado na forma
H = t N −1 X j=1 (d†jdj+ 1 2), (28)
que ´e diagonal na base dos operadores dj, al´em disso no estado fundamental todos os estados est˜ao desocupados. O sistema sempre tem um “gap”, pois para se adicionar um el´etron ao sistema existe um custo energ´etico t. Notemos que o hamiltoniano n˜ao incorpora toda a cadeia de tamanho N, tendo tamanho N-1. De fato podemos notar que os f´ermions de Majorana das extremidades γA,1 e γB,N n˜ao est˜ao inclusos no hamiltoniano, e para levar em conta estes estados faltantes vamos construir um operador fermiˆonico extra
f =1
2(γA,1+ iγB,N), (29)
que est´a associado a um estado de custo energ´etico nulo (estado este relacionado com o fato do somat´orio n˜ao contemplar todos os termos da cadeia de tamanho N) e que esta duplamente degenerado. O estado fermiˆonico representado pelo operador f ´e altamente n˜ao local pois ´e formado pelos f´ermions de Majorana localizados nas extremidades da cadeia.
II.2. Fase topol´ogica
Nessa subse¸c˜ao vamos estudar a prote¸c˜ao topol´ogica dos estados de borda. Vamos estudar a persistˆencia dos modos de Majorana frente `a desvios das condi¸c˜oes iniciais, em particular vamos estudar o que acontece na fase topol´ogica quando variamos o potencial qu´ımico. Anteriormente estavamos tomando ∆ = 0.4t isto ´e ∆ 6= t, agora vamos considerar o caso em que ∆ = t = 1 e saimos da condi¸c˜ao topol´ogica, que corresponde a µ = 0. Os gr´aficos a seguir mostram a evolu¸c˜ao do sistema com a varia¸c˜ao do potencial qu´ımico, ou seja como a cadeia de Kitaev se comporta a medida que aumentamos a ocupa¸c˜ao eletrˆonica dos estados variando o potencial qu´ımico.
Ebulk= ± p
m2+ |∆
k|2. (30)
onde m2= (tcos(k) + µ)2
O parˆametro m ´e importante para caracterizar o sistema, note que seu sinal indica se µ ´e maior ou menor que −t, o que essencialmente informa em que regime o sistema se encontra: se m < 0, ent˜ao o sistema se encontra na fase topol´ogica, isto ´e, naquele regime em que existem estados de borda, se m > 0, dizemos que o sistema est´a na fase trivial, o que corresponde ao regime sem estados de borda. Quando m = 0, o hamiltoniano possui dois autoestados com energias E = ±∆k, estes s˜ao autoestados tamb´em de
10 τy, e portanto s˜ao superposi¸c˜oes equivalentes de el´etrons e buracos. De fato, estes estados representam modos de Majorana se movendo para a esquerda (E = −∆k) e para a direita (E = ∆k). As part´ıculas neste estado est˜ao livres para se propagarem, j´a que o bulk n˜ao possui gap agora.
Figura 5. Curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercondutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeia de Kitaev na fase topol´ogica: (∆ = t 6= 0) para valores de µ’s negativos. A fase topol´ogica ocorre para valores de m < |t|, para m = |t| ocorre a transi¸c˜ao da fase topol´ogica para a fase trivial (que ocorre para m > |t|).
Observa-se na Fig. 6 que a medida que o potencial qu´ımico decresce negativamente, o gap diminui no meio da zona de Brillouin e se fecha para µ = −t. Para µ < −t o sistema passa para a fase trivial e a banda de condu¸c˜ao esta totalmente desocupada.
Observa-se na Fig. 5 que a medida que o potencial qu´ımico aumenta positivamente, o gap diminui e se fecha na borda da zona de Brillouin. Para µ > t o sistema passa para a fase trivial e a banda esta totalmente ocupada.
Figura 6. Curvas cheias (azuis) representam a cadeia linear “tight-binding” na ausˆencia de supercondutividade, cuja rela¸c˜ao de dispers˜ao ´e dada pela Eq. 8. Curvas tracejadas (vermelhas) representam a cadeias de Kitaev na fase topol´ogica: (∆ = t 6= 0) para valores de µ’s positivos. A fase topol´ogica ocorre para valores de m < |t|, para m = |t| ocorre a transi¸c˜ao da fase topol´ogica para a fase trivial que ocorre para m > |t|.
III. TRANSPORTE DE CALOR E CARGA EM UM SISTEMA COM F ´ERMIONS DE MAJORANA
Nos cap´ıtulos iniciais desse trabalho apresentamos a cadeia de Kitaev e discutimos suas proprie-dades topol´ogicas. Agora estamos em condi¸c˜oes de dar um passo adiante e definir um sistema composto de pontos quˆanticos e da cadeia de Kitaev de modo a calcular suas propriedades termoel´etricas. Para isso vamos seguir o trabalho de L. S. Rico et al. [1], que se constitui em um eficiente caminho para o desenvolvimento de uma aplica¸c˜ao realista dos f´ermions de Majorana, al´em de permitir um primeiro contato com t´ecnicas avan¸cadas de pesquisa como o m´etodo da equa¸c˜ao de movimento (EOM) para o c´alculo das fun¸c˜oes de Green e a teoria de resposta linear para o c´alculo de propriedades de transporte.
O modelo considera um ponto quˆantico (QD = “quantum dot”) conectado a dois reservatorios de calor, um quente e outro frio, provocando uma diferen¸ca de potencial, e por fim conectado a uma cadeia de Kitaev [1], como mostra a figura 7.
Existe uma forte analogia entre os pontos quˆanticos e os ´atomos naturais. A carga e a energia est˜ao quantizadas e podem ser escolhidas ou alteradas de forma bastante control´avel. Desta forma, se
12 torna muito interessante o estudo de propriedades de transporte nesse tipo de sistema, permitindo a observa¸c˜ao e o estudo de diversos efeitos quˆanticos, tais como o efeito Fano, que aparece quando existe um processo de interferˆencia quˆantica em um sistema composto de um espectro cont´ınuo degenerado e um n´ıvel de energia discreto, e o efeito Kondo [12].
Figura 7. Figura 1. (a) O esbo¸co da geometria considerada nesse trabalho [1]. Cadeia de Kitaev topol´ogica em forma de U com um par de f´ermions de Majorana ηA e ηB nas suas extremidades que tamb´em est´a em
contato com um QD conectado a dois reservat´orios de calor met´alicos: um quente (vermelho,esquerda) e outro frio (azul,direita). O acoplamento do QD para os f´ermions de Majorana ´e assim´etrico e ´e caracterizado pelos elementos da matriz de tunelamento λA e λB, enquanto o acoplamento do QD com os eletrodos met´alicos ´e
sim´etrico e ´e caracterizado pelo elemento da matriz de tunelamento V. A energia 2 denota o acoplamento entre
dois f´ermions de Majorana. b) Configura¸c˜ao auxiliar equivalente (d´ımero de Kitaev) resultante do mapeamento do arranjo inicial no sistema com um f´ermion n˜ao local residente em QD2. Denotamos por t o elemento de matriz
de transferˆencia de el´etrons entre os QDs 1 e 2, ∆ ´e a energia de liga¸c˜ao do par de Cooper formado pelos el´etrons nos dois QDs 1 e 2.
Para o tratamento te´orico do arranjo proposto na Fig. 7a, usaremos o Hamiltoniano proposto por Liu e Baranger [13]
H =X αk αkc†αkcαk+ 1d†1d1+ V X αk c†αkd1+ H.c. + λA(d1− d†1)ηA+ λB(d1+ d†1)ηB+ iε2ηAηB, (31)
onde o primeiro termo representa os el´etrons de condu¸c˜ao nos contatos da cadeia com o QD , enquanto o segundo termo representa a energia local do QD, aqui suposto um n´ıvel de energia 1, sem correla¸c˜ao
eletrˆonica, e o terceiro termo d´a conta dos portadores que fluem do reservat´orio quente para o frio atrav´es do QD, enquanto os ´ultimos trˆes termos correspondem a um hamiltoniano efetivo derivado inicialmente por Liu e Baranger [13] e que d´a conta dos processos de hopping e supercondutividade dos f´ermions de Majorana. Agora ´e interessante transformar esse hamiltoniano para uma base de f´ermions onde podemos aplicar as t´ecnicas usuais de transporte, para isso podemos ent˜ao, sem perda de generalidade definir novas quantidades:
λA=t+∆√2 , λB = ∆ − t
√
2 , (32)
de forma que ηA = η†A , ηB = η†B e introduzindo um termo auxiliar referente a um f´ermion n˜ao local d2= √12(ηA+ iηB) e d†2= √12(ηA− iηB) dessa maneira teremos que:
H =X k εkc†αkcαk+ε1d†1d1+V X k c†αkd1+H.c.+ t + ∆ √ 2 (d1−d † 1)ηA+ i(∆ − t) √ 2 (d1+d † 1)ηB+iε2ηAηB, (33)
podemos ent˜ao evidenciar os termos com td1 , ∆d1, td†1 e ∆d †
1assim podemos escrever:
H = H0+ t d1 √ 2(ηA− iηB) − t d†1 √ 2(ηA + iηB) + ∆ d1 √ 2(ηA+ iηB) − ∆ d†1 √ 2(ηA− iηB) + iηAηBε2, (34) e substituindo d2e d†2teremos que:
H = H0+ (td†1d2+ ∆d†2d † 1+ td
†
2d1+ ∆d1d2) + iηAηBε2, (35)
agora expressamos ηA e ηB em fun¸c˜ao de d2 e d†2 , logo ηA = d2√+d†2
2 e iηB = d2√−d†2
2 com isso o tˆermo iεηAηB se torna ε22 dessa forma teremos que:
H =X αk εkc†αkcαk+ V X αk (c†αkd1+ d†1cαk) + X j εjd†jdj+ (td†1d2+ ∆d†2d † 1+ td † 2d1+ ∆d1d2) + ε2 2. (36) A partir daqui utilizaremos as equa¸c˜ao de movimento de Heisenberg e as fun¸c˜oes de Green para calcular a equa¸c˜ao que descreve o comportamento do sistema [14], para isto, devemos definir a fun¸c˜ao de Green. Para mais detalhes consulte o Apˆendice A.
Gσij(w) = hhcσi, c†σjiiw. (37)
E a equa¸c˜ao de movimento de Heisenberg ´e definida por:
wGσij(w) = h[cσi, c†σj]+i + hh[cσi, H]−, c†σjiiw. (38) Substituindo 36 em 38 podemos calcular o comutador
14 whhd1, d†1ii = h[d1, d†1]+i + hh[d1, H]−, d†1ii, (39) [d1, H]−= [d1, εkc†αkcαk]−+ [d1, V c†αkd1]−+ [d1, V d†1cαk]−+ [d1, εjd†jdj]−+ [d1, td†1d2]−+ [d1, ∆d†2d † 1]−+ [d1, td†2d1]−+ [d1, ∆d1d2]−, (40)
e usando as rela¸c˜oes de comuta¸c˜ao:
[A, BC]− = [A, B]+C − B[A, C]+, (41)
[A, BC]−= [A, B]−C + B[A, C]−, (42)
[AB, C]−= [A, C]−B + A[B, C]−, (43)
[AB, C]−= A[B, C]+− [A, C]+B. (44)
A equa¸c˜ao 40 se torna [d1, H]− = [d1, d†1]+V cαk+ [d1, d†j]+εjdj+ [d1, d†1]+td2+ ∆d†2[d1, d†1]+. (45) Mas [d1, d†j]+= δ1j, (46) e [d1, H]+= V cαk+ ε1d1+ td2+ ∆d†2. (47) Assim teremos que
whhd1, d†1ii = 1 + V hhcαk, d†1ii + ε1hhd1, d†1ii + thhd2, d†1ii + ∆hhd † 2, d † 1ii, (48) ou (w − ε1)Gd1d1 = 1 + V Gcαkd1+ tGd2d1+ ∆Gd†2d1. (49) Precisamos agora calcular hhcαk, d†1ii , hhd2, d†1ii e hhd
† 2, d
†
1ii utilizando a equa¸c˜ao de Heisenberg
whhcαk, d†1ii = h[cαk, d†1]+i + hh[cαk, H]−, d†1ii, (50)
[cαk, H]−= [cαk, εkc†αkcαk]−+ [cαk, V c†αkd1]−, (51)
[cαk, H]− = εkcαk+ V d1, (52)
whhcαk, d†1ii = εkhhcαk, d†1ii + V hhd1, d†1ii, (53)
Gcαkd1 = 1 (w − εk) (V Gd1d1). (55) Temos que Gcαkd1 = X αk V (w − εk) Gd1d1, (56)
que substituindo na equa¸c˜ao 49 resulta em
(w − ε1)Gd1d1= 1 + Σα,k(w)Gd1d1+ tGd2d1+ ∆Gd†2d1, (57) onde Σα,k(w) = V2 X 1 w − k , (58) ou (w − ε1− Σ(w))Gd1d1 = 1 + tGd2d1+ ∆Gd†2d1. (59) Agora vamos calcular hhd2, d†1ii;
whhd2, d†1ii = h[d2, d†1]+i + hh[d2, H]−, d†1ii, (60) [d2, H]−= [d2, εjd†jdj]−+ [d2, td†2d1]−+ [d2, ∆d†2d † 1]−, (61) [d2, H]− = ε2d2− td1+ ∆d†1. (62) whhd2, d†1ii = ε2hhd2, d†1ii − thhd1, d†1ii + ∆hhd † 1, d † 1ii, (63) (w − ε2)Gd2d1 = −tGd1d1+ ∆Gd†1d1, (64) Gd2d1 = 1 (w − ε2) (−tGd1d1+ ∆Gd†1d1). (65) Calculando hhd†2, d†1ii; whhd†2, d†1ii = h[d†2, d†1]+i + hh[d†2, H]−, d†1ii, (66) [d†2, H]−= [d†2, εjd†jdj]−+ [d†2, td † 1d2]−+ [d†2, ∆d1d2]−, (67) [d†2, H]−= −ε2d†2+ td † 1− ∆d1. (68) whhd†2, d†1ii = −ε2hhd†2, d † 1ii + thhd † 1, d † 1ii − ∆hhd1, d†1ii, (69) (w + ε2)Gd†2d1 = tGd†1d1− ∆Gd1d1, (70) Gd† 2d1 = 1 (w + ε2) (tGd† 1d1− ∆Gd1d1). (71)
Basta agora calcular hhd†1, d†1ii para encontramos a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de movimento. Calculando hhd†1, d†1ii ;
16 whhd†1, d†1ii = h[d†1, d†1]+i + hh[d†1, H]−, d†1ii, (72) [d†1, H]−= −[d†1, V c † αk] − [d † 1, εjd†jdj]−+ [d†1, td † 2d1]−+ [d†1, ∆d1d2]−, (73) [d†2, H]−= −V c†αk− ε1d † 1+ td † 2+ ∆d2. (74) whhd†1, d†1ii = −V hhcαk† , d1ii − ε1hhd†1, d † 1ii + thhd † 2, d † 1ii + ∆hhd2, d†1ii, (75) wGd† 1d † 1 = −V Gc† αkd1− ε1Gd†1,d † 1 + tGd† 2d † 1 + ∆Gd 2d†1 . (76) Calculamos agora Gc† αkd1: wGc† αkd1= h[c † αk, d † 1]i + hh[c † αk, H], d † 1ii, (77) wGc† αkd1 = −εkGc†αkd1− V Gd†1d1, (78) Gc† αkd1 = −V (w + εk) Gd† 1d1. (79)
Agora que temos Gd†
1d1 , Gd†2d1 e Gd2d1 podemos finalmente resolver a equa¸c˜ao
wGd† 1d1= V2 (w + ε1) Gd† 1d1− ε1Gd†1d1+ t2 (w + ε2) Gd† 1d1− ∆t (w + ε2) Gd1d1− ∆t (w − ε2) Gd1d1+ ∆2 (w − ε2) Gd† 1d1, (w − ε1− Σ(w))Gd† 1d1 = w(t2+ ∆2) + ε 2(∆2− t2) (w2− ε2 2) Gd† 1d1− 2∆tw (w2− ε2 2) Gd1d1, (80) (w − ε1− Σ(w) − K−)Gd†1d1= − 2∆tw (w2− ε2 2) Gd1d1, (81)
onde chegamos a equa¸c˜ao
Gd† 1d1= − 2∆tKM F s (w − ε1− Σ(w) − K−) Gd1d1. (82) onde K± = w(t 2+∆2)±ε 2(∆2−t2) (w2−ε2 2) e KM F s = (w2w−ε2 2)
e podemos ent˜ao definir Gd†
1d1 em fun¸c˜ao de Gd1d1: Gd† 1d1 = −2∆tK Gd1d1. (83) Substituindo em Gd1d1 temos : Gd1d1= 1 w−ε1−Σ(w)−ΣM F s. (84)
Onde a auto-energia ΣM F s = K++ (2t∆)2KKM F s e descreve a hibridiza¸c˜ao entre os MFs e o QD. Assim, com a com a fun¸c˜ao de Green finalmente poderemos prosseguir demonstrando como calcular os coeficientes termoel´etricos [1].
IV. PROPRIEDADES TERMOEL ´ETRICAS E COEFICIENTES DE TRANSPORTE
Para calcular o transporte termoel´etrico atrav´es do ponto quˆantico, na condi¸c˜ao de estado esta-cion´ario, aplicamos uma pequena diferen¸ca de potencial externa ∆V = VL− VRe uma pequena diferen¸ca de temperatura ∆T = TL− TRentre os terminais da esquerda (L) e da direita (R). Na teoria da resposta linear, a corrente Jαpode fluir atrav´es do sistema sob a a¸c˜ao de gradientes de temperatura ~∇T ou campos el´etricos ~E = − ~∇V . Como no sistema aqui estudado, o potencial qu´ımico (µ) ´e fixo, as contribui¸c˜oes dos gradientes de potencial qu´ımico se anulam ( ~∇µ = 0). A corrente de carga Je e a corrente de calor JQ que fluem atrav´es do sistema s˜ao dadas por [15]
Je= e2Lo(−∆V ) + e TL1(−∆T ), (85) JQ= eL1(−∆V ) + 1 TL2(−∆T ), (86)
onde e denota a magnitude da carga el´etrica e Lo(T ), L1(T ) e L2(T ) s˜ao os coeficientes de transporte. A condutˆancia el´etrica G ´e medida em condi¸c˜oes isot´ermicas ∆T = 0. A partir da Eq. 85 teremos
Je= e2Lo(−∆V ), (87)
e da defini¸c˜ao de condutˆancia el´etrica [16] G(T ) = − lim
∆V →0Je/∆V |∆T =0= e 2
Lo(T ). (88)
A contribui¸c˜ao eletrˆonica para a condutˆancia t´ermica κ ´e geralmente medida colocando a amostra em um circuito el´etrico aberto, de tal forma que Je= 0. Da Eq. 85
(−∆V ) = 1 eT
L1 Lo
(∆T ). (89)
Substituindo a Eq. 89 na Eq. 86 obtemos
JQ= 1 T L2− L21 Lo (−∆T ), (90)
e da defini¸c˜ao de condutˆancia t´ermica[16]
κ(T ) = − lim ∆T →0JQ/∆T |Je=0= 1 T L2(T ) − L2 1(T ) Lo(T ) . (91)
Para simplificar, n˜ao consideramos a contribui¸c˜ao dos fˆonons para a condutˆancia t´ermica. Ge-ralmente, h´a efeitos de intera¸c˜ao entre correntes el´etricas e t´ermicas. A termo potˆencia (efeito Seebeck) ´e definido pela rela¸c˜ao [16]
S = lim ∆T →0∆V /∆T |Je=0= −1 eT L1(T ) Lo(T ) . (92)
18 Podemos tamb´em investigar a viola¸c˜ao da lei de Wiedemann-Franz, onde esta define que a raz˜ao entre as condutˆancias t´ermica e el´etrica ´e uma constante para metais, sendo esta constante chamada de constante de Lorentz, dada por:
W F = 1 T(
K
G), (93)
em unidades do n´umero de Lorentz L0 = (π2/3)(kB/e)2 e o correspondente comportamento da figura termoel´etrica de m´erito adimensional [17]
ZT = S 2GT
K . (94)
Para calcular os coeficientes de transporte Lo, L1 e L2, seguimos o artigo de Dong e X. L. Lei [18], que derivou a corrente de part´ıculas e f´ormulas de fluxo t´ermico, atrav´es de um QD com intera¸c˜oes eletrˆonicas conectado a dois reservat´orios de calor, um quente e outro frio, atrav´es da formula¸c˜ao das fun¸c˜oes de Green de n˜ao-equil´ıbrio de Keldysh. Os coeficientes de transporte el´etrico e termoel´etrico foram obtidos na presen¸ca do potencial qu´ımico e gradientes de temperatura com a rela¸c˜ao Onsager no regime linear automaticamente satisfeita. Os coeficientes de transporte consistentes com as f´ormulas gerais termoel´etricas derivados anteriormente s˜ao dadas por
Ln(T ) = 2 h Z −∂nF(T ) ∂ω ωnT (ω)dω, (95)
onde h ´e a constante de Planck, onde Γ = 2πV2P
kδ(ε−εk) o parˆametro de Anderson e nF a distribui¸c˜ao de Fermi-Dirac, lembrando que nF = eβ(ε−µ)1 +1 a quantidade T ´e a transmitˆancia atrav´es do ponto quˆantico definida como:
T = −ΓIm(Gd1d1). (96)
´
E importante observar tamb´em que no regime de baixas temperaturas, substituindo Gd1d1, dada pela Eq. 84 na equa¸c˜ao de Ln e expandindo em s´erie de Sommerfeld obtemos a express˜ao anal´ıtica para os coeficientes termoel´etricos:
G G0 = K G0L0T ≈ T |ε=0, (97) S ≈ eL0T 1 T dT dε ε=0 , (98) onde T = ˜Γ 2 [ε − ε1− K+− (2t∆KMFs)2(ε+ε1−K−) (ε+ε1−K−)2+Γ2 ] 2+ ˜Γ2, (99) com ˜ Γ = [1 + (2t∆KMFs) 2 (ε + ε1− K−)2+ Γ2 ]Γ. (100)
V. RESULTADOS E DISCUSS ˜AO -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 ε1/Γ 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 G/G o ε2=0.0001Γ ε2=0.005Γ ε2=0.01Γ ε2=0.1Γ ε2=0.5Γ t=∆=4.0Γ T=0.0001Γ Fase topológica Filtro de eletricidade -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 ε1/Γ 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 κ /T(G o L o ) ε2=0.0001Γ ε2=0.005Γ ε2=0.01Γ ε2=0.1Γ ε2=0.5Γ Filtro de calor Fase topológica t=∆=4.0Γ T=0.0001Γ
Figura 8. Condutˆancias eletrica e t´ermica do sistema correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ em fun¸c˜ao do n´ıvel de energia 1do QD1, para v´arias amplitudes de acoplamento 2, entre os f´ermions de Majorana localizados
nas extremidades da cadeia de Kitaev. (a) Condutˆancia el´etrica G em unidades do quantum de condutˆancia Go = e2/h, como fun¸c˜ao do n´ıvel de energia ε1 do QD1, para v´arios valores do acoplamento entre os f´ermions
de Majorana ε2, localizados nas extremidades da cadeia. (b) Condutˆancia t´ermica normalizada pela temperatura
κ/T , em unidades de Goe do n´umero de Lorenz Lo=π 2 3 (
kB e )
2
. Para ambos os casos a ressonˆancia na energia de Fermi ε1= 0, ocorre para altos valˆores de ε2. Para ε2 = 0 se observa um platˆo de magnitude Go/2, para a
con-dutˆancia el´etrica e um platˆo de magnitude GoLo/2 para a condutividade t´ermica normalizada pela temperatura,
que corresponde a assinatura dos f´ermions de Majorana tanto no transporte de eletricidade quanto de calor.
Na Fig. 8 representamos a condutˆancia el´etrica e a condutˆancia t´ermica normalizada pela tem-peratura do sistema correspondente `a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ. Consideramos o regime de baixas temperaturas T = 0.0001∆, em fun¸c˜ao do n´ıvel de energia 1 do QD1, para v´arias amplitudes de acopla-mento 2, entre os f´ermions de Majorana localizados nas extremidades da cadeia de Kitaev. Observe que se os f´ermions de Majorana est˜ao completamente isolados um do outro (2= 0), a condutˆancia el´etrica e a condutˆancia t´ermica normalizada pela temperatura κ/T exibem um platˆo de magnitude igual a Go/2 e GoLo/2, respectivamente, qualquer que seja o valor de 1. O modo zero do f´ermion de Majorana fica fixo no n´ıvel de Fermi dos condutores met´alicos, mas dentro da estrutura eletrˆonica do QD1. Com o aumento
20 do acoplamento entre a cadeia de Kitaev e o QD, o estado de Majorana “vaza” e como resultado, surge um pico na energia de Fermi ε1= 0, de magnitude Go para a condutˆancia el´etrica e de magnitude GoLo para a condutˆancia t´ermica normalizada pela temperatura e recuperamos os resultados usuais dos esta-dos eletrˆonicos para ambas as condutˆancias. O efeito ´e devido ao “vazamento” dos f´ermions de Majorana (corresponde a uma medida do entrela¸camento das fun¸c˜oes de onda dos Majoranas que est˜ao localizados nas pontas do nanofio. Quanto menor for a cadeia maior sera o vazamento e quanto maior for a cadeia maior sera a prote¸c˜ao topol´ogica dos Majoranas.) para o QD [19]. O sistema funciona como um filtro de carga e de calor tal como indicado na figura 8.
-20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 ε1/Γ -2 -1 0 1 2 S(K B /e) ε2=0.0001Γ ε2=0.01Γ ε2=0.03Γ ε2=0.1Γ ε2=0.5Γ
Transporte por buracos
Fase topológica t=∆=4.0Γ
T=0.0001Γ Transporte por elétrons
-80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 ε1/Γ -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 S(K B /e) t==3.95Γ t==4.0Γ t==4.05Γ
Transporte por buracos
Controle dos buracos
ε2=0.03∆
T=0.0001Γ Transporte por elétrons
∆=4.0Γ
Controle dos elétrons
Figura 9. a)Termo potˆencia S, em unidades da constante de Boltzman pela carga el´etrica KB/e, correspondente
a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ. b) Desvio da condi¸c˜ao topol´ogica t = ∆ = 4Γ leva ao deslocamento das curvas da termo-potˆencia.
Na Fig. 9a representamos a termo potˆencia S, em unidades da constante de Boltzman pela carga el´etrica KB/e, correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ. Consideramos o regime de baixas tempera-turas T = 0.0001Γ, em fun¸c˜ao do n´ıvel de energia do QD 1, para v´arias amplitudes de acoplamento 2, entre os f´ermions de Majorana localizados nas estremidades da cadeia de Kitaev. Para 2= 0, a termo potˆencia se anula, nesse regime os f´ermions de Majorana localizados nas bordas da cadeia de Kitaev n˜ao se enxergam, por´em a medida que aumentamos o acoplamento entre esses f´ermions, aumentando o valor do 2, devido ao efeito do vazamento dos f´ermions de Majorana [19], esses come¸cam a contribuir e a termo
potˆencia atinge o valor maximo em tˆorno de 2 = 0.03Γ. Continuando a aumentar o parˆametro 2, a termo potˆencia come¸ca a diminuir e novamente se anula no regime onde n˜ao existem mais f´ermions de Majorana nas bordas da cadeia de Kitaev.
A possibilidade de sintonizar as condutˆancias el´etricas e t´ermicas tal como analisado na Fig. 7 abre caminho para tamb´em sintonizar a potˆencia termoel´etrica S. Isso ´e demonstrado na Fig. 9b, onde consideramos o caso onde 2 = 0.03Γ e retiramos ligeiramente o sistema da condi¸c˜ao topol´ogica. Para t = ∆ a termo potˆencia se anula no n´ıvel de Fermi (1= 0); agora se t > ∆, teremos no n´ıvel de Fermi uma termo potˆencia positiva e a configura¸c˜ao se comporta como um sintonizador de buracos; agora se t < ∆, teremos no n´ıvel de Fermi uma termo potˆencia negativa e a configura¸c˜ao se comporta como um sintonizador de el´etrons.
-50 0 50 ε1/Γ 0 1 2 3 4 WF/(L o ) ε2=0.0001Γ ε2=0.01Γ ε2=0.005Γ ε2=0.001Γ ε2=0.03Γ ε2=0.5Γ Fase topológica T=0.0001Γ t=∆=4.0Γ -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 ε1/Γ 0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25 0.3 ZT ε2=0.0001Γ ε2=0.005Γ ε2=0.01Γ ε2=0.03Γ ε2=0.1Γ ε2=0.5Γ Fase topológica T=0.0001Γ t=∆=4.0Γ
Figura 10. a) Lei de Wiedemann-Franz W F e a figura termoel´etrica de m´erito adimensional ZT , correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ.
Na Fig. 10a representamos a lei de Wiedemann-Franz W F e a figura termoel´etrica de m´erito adimensional ZT , correspondente a fase topol´ogica, t = ∆ = 4Γ. Consideramos o regime de baixas tem-peraturas T = 0.0001∆, em fun¸c˜ao do n´ıvel de energia do QD 1, para v´arias amplitudes de acoplamento 2, entre os f´ermions de Majorana localizados nas estremidades da cadeia de Kitaev. Fig. 10a ilustra a viola¸c˜ao da lei de WF e o comportamento de ZT ,respectivamente. Note que ZT n˜ao alcan¸ca amplitudes
22 pronunciadas, ou seja, ZT < 1. Esses resultados apresentam um comportamento similar ao da termo potˆencia, analisado na Fig. 9. Para 2= 0, os f´ermions de Majorana localizados nas bordas da cadeia de Kitaev n˜ao se enxergam, o sistema satisfaz a lei de Wiedemann-Franz e como consequˆencia o ZT ' 0, similar aos valores obtidos para o ZT nos metais. Entretanto, a medida que aumentamos o valor do 2, devido ao efeito do vazamento dos f´ermions de Majorana [19], esses come¸cam a contribuir e a lei de WF n˜ao ´e mais satisfeita e atinge os maiores desvios da unidade em torno de 2= 0.005Γ; ZT tamb´em come¸ca a crescer, mas atinge seu valor m´aximo em torno de 2= 0.03Γ, continuando a aumentar o parˆametro 2, a lei de WF retorna novamente ao seu valor unit´ario e o ZT torna-se novamente desprez´ıvel no regime onde n˜ao existem mais f´ermions de Majorana nas bordas da cadeia de Kitaev.
VI. F ´ERMIONS DE MAJORANA NO MUNDO REAL
Nos cap´ıtulos iniciais nos concentramos em idealizar uma forma de obter os f´ermions de Majorana, e discutimos a respeito de algumas propriedades fundamentais do sistema para que seja poss´ıvel a detec¸c˜ao dos MFs, podemos agora discutir a respeito da realiza¸c˜ao experimental dos MFs.
Como j´a discutimos na introdu¸c˜ao do trabalho, para realizar experimentalmente a configura¸c˜ao que permite a detec¸c˜ao dos f´ermions de Majorana, Y. Oreg et al. fizeram uma proposta que seria considerar trˆes fatores[7]:
• Um material que exibe uma forte intera¸c˜ao spin-´orbita intr´ınseca e Rashba para constituir o fio quˆantico 11a.
• Um campo magn´etico externo que ´e usado para resolver uma polariza¸c˜ao de spin do nanofio (quebra de degenerescencia) e controlar a largura do gap 12.
• Um supercondutor do tipo “s” servindo de substrato para gerar um emparelhamento “p” 13. Para a realiza¸c˜ao experimental da cadeia de Kitaev ´e necessario que o nanofio seja composto por um material com intera¸c˜ao spin-´orbita forte para que haja uma quebra de degenerescˆencia de spin, ainda assim a degenerescˆencia n˜ao ´e quebrada completamente, uma vez que as curvas do gr´afico 11a ainda se cruzam em um ponto para kx= 0, sendo ent˜ao necess´ario a aplica¸c˜ao de um campo magn´etico externo, para via efeito Zeeman levantar a degenerescˆencia completamente, tal como indicado na Fig. 11b.
Para uma melhor compreens˜ao da proposta do experimento analisemos os gr´aficos a seguir .
Figura 11. a) Sem a presen¸ca do campo magn´etico , b) Com a presen¸ca do campo magn´etico
Note que na ausˆencia de campo magn´etico ainda existe degenerescˆencia, a medida que aumenta-mos o campo magn´etico quebramos a degenerescˆencia e controlamos a largura do gap, aumentando mais
24 o campo magn´etico, obtemos o alinhamento dos spins na mesma dire¸c˜ao tal como indicado na Fig. 12. Colocamos ent˜ao este aparato sobre um supercondutor do tipo “s” e por efeito de proximidade geramos um emparelhamento tipo “p” na interface entre o supercondutor e o nanofio e desse modo, realizamos experimentalmente a cadeia de Kitaev.
Figura 12. a) bandas de energia sob um campo magn´etico forte hz na dire¸c˜ao de z resultando no alinhamento dos
spins. b) inclina¸c˜ao gradual dos spins nas bandas com respeito ao aumento do campo magn´etico aplicado
Neste trabalho come¸camos discutindo os f´ermions de Majorana no contexto do “toy model” idea-lizado por Alexei Kitaev [3]. Trabalhamos com o Hamiltoniano de Kitaev e estudamos as solu¸c˜oes desse modelo e a transi¸c˜ao de fase topol´ogica que gera f´ermions de Majorana na borda da cadeia. A seguir in-troduzimos um “set up” composto de um quantum dot conectado a dois reservat´orios de calor: um quente e outro frio e conectamos a esse QD, uma cadeia de Kitaev. Calculamos as propriedades t´ermo-el´etricas desse sistema: condutividades el´etrica e t´ermica, termo potˆencia, lei de Wiedemann-Franz e figura ter-moel´etrica de m´erito adimensional. Resolvemos o Hamiltoniano pelo m´etodo da equa¸c˜ao de movimento e apresentamos resultados das propriedades termo el´etricas. O trabalho apresenta uma perspectiva de novos desenvolvimentos que poderiam ser o tratamento mais realista dos contatos met´alicos que poderiam ser descritos por uma nanofita zigzag met´alica, al´em disso podemos ainda incluir a correla¸c˜ao eletrˆonica no QD, introduzindo a f´ısica do efeito Kondo. Esses novos desdobramentos poder˜ao se constituir num poss´ıvel projeto de Mestrado.
26
Apˆendice A: M´etodo da equa¸c˜ao de movimento (EOM) para o c´alculo das fun¸c˜oes de Green
Os operadores ˆA(t) satisfazem a equa¸c˜ao de movimento na representa¸c˜ao de Heisenberg:
idA
dt = A(t)H − HA(t), (A1)
temos por defini¸c˜ao que a fun¸c˜ao de Green retardada ´e dada por : Gr(t, t0) ≡ hh ˆA(t);B(tˆ0)iir=
1 iΘ(t − t
0)h[ ˆA(t), ˆB(t0)]i T,
onde na representa¸c˜ao de Heisenberg os operadores s˜ao definidos por: A(t) = ei ˆHtAeˆ −i ˆHt,
e T ´e o operador de ordenamento temporal 83 . As m´edias t´ermicas < · · · >, s˜ao calculadas no ensemble grand-canˆonico:
hψiT ≡ 1 ΞT re
−β( ˆH−µ ˆN )ψ, (A2)
sendo Ξ a grande fun¸c˜ao de parti¸c˜ao. De forma que o Hamiltoniano vem subtraido do operador n´umero de part´ıculas ˆN e µ ´e o potencial qu´ımico:
ˆ
H ≡ ˆH − µ ˆN .
Devemos observar que na representa¸c˜ao de Heisenberg a dependˆencia temporal esta nos opera-dores, contrariamente a representa¸c˜ao de Schrodinger onde o a representa¸c˜ao temporal est´a nos estados quˆanticos (fun¸c˜oes de onda em primeira quantiza¸c˜ao). Al´em disso, as rela¸c˜oes de comuta¸c˜ao podem ser escritas como: [ ˆA, ˆB] ≡ ˆA ˆB − η ˆB ˆA, com η = +1, B.E. −1, F.D. Derivando em rela¸c˜ao ao tempo a Eq. A2 teremos que:
id dtGr(t, t 0) = δ(t − t0)h[ ˆA(t), ˆB(t0)]i T + Θ(t − t0)h[ d dt ˆ A(t); ˆB(t0)]iT id dth[ ˆA(t), ˆB(t 0)]i r= δ(t − t0)h[ ˆA(t), ˆB(t0)]iT+ h[ d dt ˆ A(t); ˆB(t0)]iT id dth[ ˆA(t), ˆB(t 0)]i
r= δ(t − t0)h[ ˆA(t), ˆB(t)]iT + h[ ˆA(t) ˆH − ˆH ˆA(t); ˆB(t0)]iT = δ(t − t0)h[ ˆA(0), ˆB(0)]iT + h[ ˆA(t) ˆH − ˆH ˆA(t); ˆB(t0)]ir, chegamos a equa¸c˜ao:
id
dth[ ˆA(t), ˆB(t 0)]i
r= δ(t − t0)h[ ˆA(t), ˆB(t)]iT + h[ ˆA(t) ˆH − ˆH ˆA(t)i]; ˆB(t0)]ir
efetuando a transformada de Fourier chegamos a Eq. de movimento:
[1] L. S. Ricco, F. A. Dessotti, I. A. Shelykh, M. S. Figueira, and A. C. Seridonio, Scientific Reports 8, 2790 (2018).
[2] D. M. d. Souza, . 43 (2018).
[3] A. Y. Kitaev, Physics-Uspekhi 44, 131 (2001).
[4] M. Kjaergaard, K. W¨olms, and K. Flensberg, Phys. Rev. B 85, 020503 (2012). [5] S. Das Sarma, C. Nayak, and S. Tewari, Phys. Rev. B 73, 220502 (2006). [6] L. Fu and C. L. Kane, Phys. Rev. Lett. 100, 096407 (2008).
[7] Y. Oreg, G. Refael, and F. von Oppen, Phys. Rev. Lett. 105, 177002 (2010).
[8] P. Hosur, P. Ghaemi, R. S. K. Mong, and A. Vishwanath, Phys. Rev. Lett. 107, 097001 (2011). [9] J. Nilsson, A. R. Akhmerov, and C. W. J. Beenakker, Phys. Rev. Lett. 101, 120403 (2008). [10] V. Gurarie, L. Radzihovsky, and A. V. Andreev, Phys. Rev. Lett. 94, 230403 (2005). [11] H. M. d. Faria, . 64 (2017).
[12] D. Goldhaber-Gordon, H. Shtrikman, D. Mahalu, D. Abusch-Magder, U. Meirav, and M. A. Kastner, Nature 391, 156 EP (1998).
[13] D. E. Liu and H. U. Baranger, Phys. Rev. B 84, 201308 (2011). [14] H. N. Nazareno, 153 (2010), 1437043.
[15] G. D. Mahan, Livro 1003 (1981), 1437043.
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