Inequa¸
c˜
oes Variacionais Aplicadas ao
Problema do Mercado de Op¸
c˜
oes
V. P. ISRAEL, M. A. RINCON
∗ Instituto de Matem´atica, Universidade Federal do Rio de JaneiroCaixa Postal 68530, Rio de Janeiro, CEP 21944, Brasil
Resumo
Desde o trabalho cl´assico de Black e Scholes [2] diversas t´ecnicas para c´alcular o valor de op¸c˜oes europ´eias tem sido desenvolvidas. Quando se trata de encontrar o valor de op¸c˜oes americanas as t´ecnicas utilizada precisam mudar de estrat´egia e se adaptar `a possibilidade de exerc´ıcio antecipado caracter´ıstico deste tipo derivativo. Com o intuito de resolver o problema do mercado de op¸c˜oes americanas um sistema de inequa¸c˜oes variacionais ´e obtido e m´etodos num´ericos sobre este sistema s˜ao utiliza-dos. O objetivo deste trabalho ´e obter o pre¸co da op¸c˜ao americana de venda utilizando o m´etodo de elementos finitos e o m´etodo de diferen¸cas finitas. Resultados computacionais s˜ao apresentados.
Palavras chaves: M´etodo de elementos finitos, mercado de op¸c˜oes, inequa¸c˜oes variacionais
1
Introdu¸
c˜
ao
O problema de encontrar o valor de uma op¸c˜ao americana de venda ´e equi-valente a obter a solu¸c˜ao de um sistema de inequa¸c˜oes variacionais desde que sua formula¸c˜ao respeite um conjunto determinado de hip´oteses.
Devido as caracter´ısticas da solu¸c˜ao do problema estaremos trabalhando em um espa¸co de Sobolev com peso. Isto apresenta uma s´erie de dificuldades matem´aticas para obten¸c˜ao desta solu¸c˜ao.
Objetivando reduzir as barreiras que o espa¸co de Sobolev tr´as ser´a realizado um processo de regulariza¸c˜ao permitindo encontrar a solu¸c˜ao desejada num espa¸co mais simples e por conseguinte possibilitando a elabora¸c˜ao computacional do problema.
Mostra-se que o problema computacional se aproxima do problema exato para boas escolhas da malha e para discretiza¸c˜oes adequadas. Algumas mu-dan¸cas de v´ari´aveis ser˜ao feitas para obter um sistema mais simples e facilitar a implementa¸c˜ao computacional. A partir da transforma¸c˜ao do problema original em um problema computacional mais vi´avel ´e utilizado os m´etodos de elementos
finitos e diferen¸cas finitas e assim ´e obtida a solu¸c˜ao aproximada. Na ´ultima se¸c˜ao deste artigo s˜ao apresentados os resultados num´ericos para valores reais do mercado e ´e realizada uma simula¸c˜ao que mostre a convergˆencia da solu¸c˜ao como resultado de escolhas cada vez melhores do dom´ınio computacional.
2
Formula¸
c˜
ao do Problema
Deseja-se determinar uma fun¸c˜ao U (X, t) que forne¸ca o valor da op¸c˜ao americana de venda, onde X ´e o pre¸co do ativo-objeto no tempo t.
A fun¸c˜ao U ´e dada por U (X, t) = sup θ∈T[t, T ] Ep µ e− Rθ t r(s) dsψ(Xθ, t) ¶ (1)
onde θ ´e o tempo de parada que pertence ao conjunto de tempos de parada T[t, T ], r ´e o fator da taxa de retorno, ψ ´e o obst´aculo e Xθ´e uma estimativa do
valor do ativo-objeto no tempo θ.
Desta forma seja o problema variacional derivado da f´ormula de Black e Scholes [2] para m independentes fontes de incerteza. O modelo ´e representado pelo movimento Browniano m-dimensional {Bt}t≥0 definido no espa¸co de
pro-babilidade (Ω,F, P ). Onde F = {Ft}t≥0denota o filtro natural associado com
{Bt}t≥0 e sup˜oe-se que Xt∈ IRn envolve o processo de Itˆo de modo que:
dXs = b(Xs, s) ds + σ(Xs, s) dBs, s > t
Xt = X (2)
onde X ´e determin´ıstico. Considere as seguintes hip´oteses
(H1) O vetor dire¸c˜ao b : IRn× [0, ∞) → IRn ´e de classe C1, 0(IRn
× [0, ∞)) e possui derivada bX limitada.
(H2) A matriz dispers˜ao σ : IRn × [0, ∞) → IRn×m ´e C2,1(IRn
× [0, ∞)), limitada e com derivadas σX, σXX e σt limitadas.
(H3) A matriz a ´e coerciva, isto ´e,
∃ η > 0 tal que ²Ta ² ≥ η k ² k, ∀ ² ∈ IRn e (X, t)∈ IRn×(0, ∞), onde a ´e uma matriz quadrada de ordem n e a := σ(X, t)T.σ(X, t). A
matriz a ´e conhecida como matriz difus˜ao e σT representa a transposta
de σ.
Observa¸c˜ao: Em particular nota-se que b e σ satisfazem a condi¸c˜ao global de Lipschitz k b(x, t) − b(y, t) k + k σ(x, t) − σ(y, t) k ≤ c k x − y k, ∀ t ∈ [ 0, ∞), x ∈ IRn, y∈ IRn e c > 0.
Sob as hip´oteses (H1) - (H3) (ver [5]) existe uma ´unica solu¸c˜ao forte cont´ınua em t de (2).
Associado ao processo (2), `a vari´avel de decis˜ao θ e ao obst´aculo ψ, o valor esperado para a fun¸c˜ao prˆemio ´e definido por
JtX(θ) = Ep · e− Rθ t r(s) dsψ(Xθ, θ) ¸ , (3)
e o problema de parada ´e definido por U (X, t) = sup
θ∈T[t, T ]
JtX(θ), (4)
onde T <∞ representa o tempo final, T[t, T ]´e o conjunto dos tempos de parada
em [t, T ]. A fun¸c˜ao e−
Rθ
t r(s) dsψ(Xθ, θ) ´e denominada fun¸c˜ao prˆemio sendo que o
termo exponencial representa a atualiza¸c˜ao no tempo referente a taxa de juros livre de risco.
Pela defini¸c˜ao de U em (4) tem-se U (X, t) = sup θ∈T[t, T ] Ep · e− Rθ t r(s) dsψ(Xθ, θ) ¸ ≥ Ep · e− Rθ t r(s) dsψ(X θ, θ) ¸ , ∀ θ ∈ [0, T ]. Tomando θ = t tem-se U (X, t) ≥ Ep[ψ(X, t)] = ψ(X, t),
pois ψ(X, t) ´e um martingal. Logo a fun¸c˜ao
U (X, t) ≥ ψ(X, t), ∀ (X, t) ∈ IRn× [0, T ] e para t = T tem-se U (X, T ) = ψ(X, T ), ∀ X ∈ IRn.
Note que a caracteriza¸c˜ao do valor da op¸c˜ao americana por (4) possibilita o exerc´ıcio antecipado. Isto ´e, pode-se escolher um tempo de exerc´ıcio θ∈ T[t, T ]
que forne¸ca o maior prˆemio. Contudo, ao contr´ario da op¸c˜ao europ´eia, n˜ao ´e poss´ıvel encontrar a solu¸c˜ao anal´ıtica de (4) pela solu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao diferencial parcial, deste modo, faz-se necess´ario desenvolver o problema de inequa¸c˜ao variacional como ´e feito a seguir.
2.1
Inequa¸
c˜
ao Variacional
Considere o operador: A = 12 n X i,j=1 ∂ ∂Xi µ aij ∂ ∂Xj ¶ − n X j=1 aj ∂ ∂Xj , onde aj = n X i = 1 ∂aij ∂Xj − bj , para j = 1, . . . , n, (5)Define-se o espa¸co Wm,p, µ(IRn) = Wm,p, µ, denominado espa¸co de Sobolev
com peso, com a norma k U km,p,µ= (m X k=0 Z IRn|D kU (x) |pe−µ|x|dx )1/p , onde m ´e um inteiro n˜ao negativo, 1≤ p ≤ ∞ e 0 < µ < ∞.
Considerando X equipado com a norma k . kX, o espa¸co Lp([0, T ]; X )
consiste no conjunto das fun¸c˜oes enumer´aveis v : [0, T ]→ X tal que Z T
0 k v k p
X dt ≤ ∞.
Note que as componentes Si do pre¸co do ativo-objeto X = (S1, S2, . . . , Sn)
pertencem ao intervalo ilimitado Si ∈ [0, ∞). Pela defini¸c˜ao do operador A, e
do fato que as componentes Si ∈ [0, ∞) ent˜ao o espa¸co W2, p, µ´e o espa¸co das
solu¸c˜oes admiss´ıveis U ( . , t). Desta forma ´e natural que o obst´aculo ψ( . , t) satisfa¸ca a seguinte condi¸c˜ao.
(H5) O obst´aculo ψ ∈ Lp([0, T ]; W2,p,µ), onde p > (n/2) + 1 e ψ ´e
limitada e n˜ao negativa.
Sob as hip´oteses (H1) - (H5) tem-se o seguinte resultado que pode ser obtido em [1].
Lema 1 Considere o seguinte sistema de inequa¸c˜oes variacionais ∂U ∂t +AU − rU ≤ 0 e U ≥ ψ, em IR n × [0, T ] µ ∂U ∂t +AU − rU ¶ (ψ− U) = 0, em IRn× [0, T ] U (X, T ) = ψ(X, T ), em IRn. (6)
Ent˜ao existe uma ´unica solu¸c˜ao U de (6) satisfazendo as seguintes condi¸c˜oes. 1) U ∈ L2([0, T ]; H1 loc) ∩ Lp([0, T ]; W2,p,µ). 2) ∂U ∂t ∈ L 2([0, T ]; L2 loc) ∩ Lp([0, T ]; W0,p,µ).
O Teorema a seguir estabelece uma rela¸c˜ao entre o problema (1) e o problema (6).
Teorema 1 Seja U solu¸c˜ao de (6) ent˜ao U (X, t) = sup θ∈T[t, T ] Ep · e− Rθ t r(s) dsψ(Xθ, θ) ¸ .
Demonstra¸c˜ao: Seja o processo estoc´astico Mt= e −Rt 0r(s) dsU (Xt, t)− Z t 0 e− Rs 0 r(v) dv µ ∂U ∂t +AU − rU ¶ (Xs, s) ds. ´
E conhecido que o processoMt´e um martingal e (Ep(Mτ2|Fτ1) =Mτ1), para
um martingal entre 0 e θ tem-se
Ep(Mθ) = Ep(M0). Logo, Ep(Mθ) = Ep à e− Rθ 0 r(s) dsU (Xθ, θ)− Z θ 0 e− Rs 0 r(v) dv µ∂U ∂t +AU − rU ¶ (Xs, s) ds ! = Ep(M0) = Ep(U (X0, 0)) = U (X0, 0).
Pela condi¸c˜ao (6)1 tem-se (∂U/∂t +AU − rU ≤ 0) ent˜ao
U (X0, 0)≥ Ep µ e− Rθ 0 r(s) dsU (Xθ, θ) ¶ ≥ Ep µ e− Rθ 0 r(s) dsψ(Xθ, θ) ¶ , pois U (Xt, t)≥ ψ(Xt, t), ∀ t ∈ [0, T ]. Assim, tem-se que
U (X0, 0)≥ sup θ∈T[0, T ] Ep µ e− Rθ 0 r(s) dsψ(Xθ, θ) ¶ .
Seja θot = inf{0 ≤ s ≤ T, U(Xs, s) = ψ(Xss)} um tempo de parada.
Note que para 0≤ s < θot tem-se por (6)2 que (∂U/∂t +AU − rU = 0), pois
U (Xs, s) > ψ(Xs, s), ∀ 0 ≤ s < θot.
Utilizando a igualdade Ep(M0) = Ep(Mθot), tem-se
Ep(M0) = Ep(Mθot) = Ep(e
−Rθot
0 r(s)dsU (Xθ
ot, θot)).
Mas, no instante θot tem-se U (Xθot, θot) = ψ(Xθot, θot) resultando em
U (X0, 0) = Ep(e−
Rθot
0 r(s) dsψ(Xθ
ot, θot)).
Isto significa que θot ´e um tempo de parada ´otimo, pois
U (X0, 0) = Ep(e −Rθot 0 r(s) dsψ(Xθ ot, θot))≥ sup θ∈T[0, T ] Ep µ e− Rθ 0 r(s) dsψ(Xθ, θ) ¶ . Isto ´e, θot realiza o supremo de todos os tempos de parada.
A demonstra¸c˜ao para t∈ (0, T ] ´e an´aloga.
Note que como p > (n/2) + 1 por (H5), o Teorema de Imers˜ao de Sobolev garante que U ( . , t) ∈ Wm, p, µ
⊂ C0(0, T ). Isto ´e, para todo t
∈ [0, T ] a fun¸c˜ao U (X, t) est´a definida, inclusive nos tempos inicial t = 0 e final t = T .
2.2
Regulariza¸
c˜
ao
Com o objetivo de evitar as dificuldades matem´aticas do espa¸co de Sobolev com peso considere a seguinte regulariza¸c˜ao, proposta em [1], para p = 2.
Seja ϕ∈ L2([0, T ]; W2, 2, µ) uma regulariza¸c˜ao do obst´aculo ψ
∈ L2([0, T ]; W2, 2, µ) e ˜ψ := ψ− ϕ satisfazendo a condi¸c˜ao lim kXkIRn→∞ ˜ ψ(X, . ) = 0, (7)
o que significa que dado ε > 0 suficientemente pequeno, existe uma constante K tal quek ˜ψk< ε para k X kIRn> K.
Seja ˜U = U− ϕ ∈ L2([0, T ]; W2, 2, µ), onde U ´e a solu¸c˜ao do problema (6).
Substituindo ˜U em (6)1 obt´em-se
∂( ˜U + ϕ)
∂t +A( ˜U + ϕ)− r( ˜U + ϕ)≤ 0, que ´e equivalente a
∂ ˜U ∂t +A ˜U − r ˜U ≤ − µ ∂ϕ ∂t +Aϕ − rϕ ¶ = ˜f . (8)
Note que, U˜ = U − ϕ ≥ ψ − ϕ = ˜ψ. Logo o problema (6) pode ser reformulado do seguinte modo
∂ ˜U ∂t +A ˜U− r ˜U ≤ ˜f e U˜ ≥ ˜ψ em IR n × [0, T ]. Ã ∂ ˜U ∂t +A ˜U− r ˜U− ˜f ! ( ˜U− ˜ψ) = 0 em IRn× [0, T ]. ˜ U (X, T ) = ˜ψ(X, T ) em IRn. (9)
Seja{Ωk}k∈INuma seq¨uˆencia de dom´ınios crescentes, abertos e limitados do
IRn tal que IRn = ∞ [ k=1 Ωk, onde Ωk={X ∈ IRn,k X kIRn< k} ∂Ωk={X ∈ IRn,k X kIRn= k}
Para k suficientemente grande, considere o truncamento do problema (9) ao dom´ınio Ωk, ou seja, deseja-se determinar uma solu¸c˜ao Uk satisfazendo
∂Uk ∂t +AUk− rUk≤ ˜fk e Uk ≥ ψk em Ωk× [0, T ]. µ ∂Uk ∂t +AUk− rUk− ˜fk ¶ (Uk− ψk) = 0 em Ωk× [0, T ]. Uk(X, T ) = ψk(X, T ) em Ωk. Uk(X, t) = ψk(X, t) = 0 em ∂Ωk× [0, T ]. (10)
Observa¸c˜ao: Quando X∈ IRn e por (7) tem-se lim
kXkIRn→∞
˜
U (X, t) = ˜ψ(X, t) = 0. (11)
Note que de (7) obt´em-se (11). Desta forma na fronteira ∂Ωk faz sentido
Uk(X, t) = ψk(X, t),∀t ∈ [0, T ] para k suficientemente grande, sendo isto
resul-tado da regulariza¸c˜ao. Uma conseq¨uˆencia desta aproxima¸c˜ao ´e uma pertuba¸c˜ao local confinado `a fronteira ∂Ωk. Esta condi¸c˜ao ´e chamada condi¸c˜ao artificial de
fronteira. Na pr´atica o problema ´e usualmente definido em dom´ınios limitados Define-se o espa¸co
Hψ1k(Ωk) ={v ∈ H
1(Ω
k); v = ψk = 0 em ∂Ωk}.
Em [4] mostrou-se o seguinte resultado.
Lema 2 Considere o sistema (10), com ψk ∈ L2([0, T ]; Hψ1k(Ωk)) e o dado final
Uk(X, T ) ∈ Hψ1k(Ωk). Ent˜ao existe uma ´unica solu¸c˜ao Uk : Ωk× [0, T ] → IR
satisfazendo as seguintes condi¸c˜oes 1) Uk ∈ L2([0, T ]; Hψ1k(Ωk))
2) ∂Uk
∂t ∈ L
2([0, T ]; L2(Ω k)).
Al´em disso, para todo conjunto compacto G, tem-se lim k→∞ µ max t∈[0, T ]k ˜U (X, t)− Uk(X, t)kL ∞ (G) ¶ = 0, (12)
para X∈ G, onde ˜U ´e solu¸c˜ao exata do sistema (9). E de [8] o seguinte resultado ´e obtido.
Lema 3 Regularidade da solu¸c˜ao. Seja ψk ∈ L2([0, T ]; Hψ1k(Ωk)∩ H
2(Ω
k)) e Uk(X, T ) ∈ Hψ1k(Ωk)∩ H
2(Ω k).
Ent˜ao existe uma ´unica Uk: Ωk×[0, T ] → IR satisfazendo as seguintes condi¸c˜oes
1) Uk ∈ L2([0, T ]; Hψ1k(Ωk)∩ H 2(Ω k)) 2) ∂Uk ∂t ∈ L 2([0, T ]; L2(Ω k)).
A regulariza¸c˜ao obtida nesta se¸c˜ao e a convergˆencia em (12) justificam o uso de dom´ınios limitados para solu¸c˜ao do sistema (6). Na pr´atica utiliza-se o sistema (10) para obter uma solu¸c˜ao aproximada de U partindo da escolha de Ωk suficientemente grande.
2.3
Formula¸
c˜
ao Variacional em Dom´ınios Limitados
Em raz˜ao dos resultados obtidos na ´ultima se¸c˜ao considere o problema (6) restrito ao dom´ınio Ωk dado por: ∂Uk ∂t +AUk− rUk ≤ 0 e Uk≥ ψk em Ωk× [0, T ]. µ∂U k ∂t +AUk− rUk ¶ (Uk− ψk) = 0 em Ωk× [0, T ]. Uk(X, T ) = ψk(X, T ) em Ωk. Uk(X, t) = ψk(X, t) = 0 em ∂Ωk× [0, T ]. (13) Sejam Uk( . , t) e ψk(X, t) ∈ Hψ1k(Ωk)∩H 2(Ω
k) e v ∈ D(Ωk) uma fun¸c˜ao teste
tal que v≥ ψk. Multiplicando v em (13)2e integrando em Ωk obt´em-se
Z Ωk ∂Uk ∂t v dx + Z Ωk AUkv dx− Z Ωk rUkv dx≤ 0 ∀ v ∈ D(Ωk). (14)
Do Teorema de Green tem-se Z Ωk AUkv dx = 1 2 Z Ωk n X i,j=1 ∂ ∂xi µ aij ∂Uk ∂xj ¶ v dx− Z Ωk n X j=1 aj ∂Uk ∂xj v dx =−1 2 n X i,j=1 Z Ωk aij ∂Uk ∂xi ∂v ∂xj dx− n X j=1 Z Ωk aj ∂Uk ∂xj v dx, (15)
pois v∈ D(Ωk) tem suporte compacto. Define-se
ak(t; Uk, v) = − 1 2 n X i,j=1 Z Ωk aij ∂Uk ∂xi ∂v ∂xj dx− n X j=1 Z Ωk aj ∂Uk ∂xj v dx − Z Ωk rUkv dx, ∀ v ∈ D(Ωk). (16)
Substituindo (15) e (16) em (14) obt´em-se a formula¸c˜ao variacional fraca µ ∂Uk ∂t , v ¶ + ak(t; Uk, v)≤ 0, ∀ v ∈ D(Ωk). (17)
2.4
Sistema Aproximado
Considere o dom´ınio limitado Ωk ⊂ IRn, para k fixo, e a discretiza¸c˜ao
uniforme do intervalo [0, T ] na forma tm := m ∆t, m = 1, 2, . . . , M, onde
∆t = T /M para a formula¸c˜ao fraca da inequa¸c˜ao variacional (10). Introduz-se a aproxima¸c˜ao no tempo de (17) pelo m´etodo de diferen¸cas finitas usando o Teorema de Taylor e denota-se U ( . , m∆t) = Um( . ). Desta forma
∂Uk ∂t ¯ ¯ ¯t m = U m+1 k − Ukm
Para cada Ωk, k fixo, tem-se uma solu¸c˜ao Uk∈ L2(0, T ; H01(Ωk)∩H2(Ωk)).
Seja Vk um subespa¸co de H01(Ωk)∩ H2(Ωk) gerado pelos N primeiros valores
da base de H1
0(Ωk)∩ H2(Ωk). Ent˜ao as solu¸c˜oes aproximadas s˜ao da forma
Ukm(x, t) = N
X
i=1
Ci(t) φi(x), (19)
onde Ci(t)∈ IR para i = 1, . . . , n e {φi(x)| i = 1, . . . , N} ´e base de Vk.
De (18) e (19) obt´em-se o sistema aproximado de (13). UkM = ψk − µ 1 ∆tU m k , v ¶ + ak(tm; Ukm, v)≤ − 1 ∆t(U m+1 k , v), ∀ v ∈ Vk, (20) com m = M− 1, . . . , 1.
Assim obt´em-se um sistema matricial que aproxima por elementos finitos o sistema (20), tomando v = φj. CM = ψk(b, tM), ∀ b ∈ Nk − N X i=1 N X j=1 Ci(tm) ½ 1 ∆t(φi, φj) + aij 2 (∇φi,∇φj) + aj(∇φi, φj)− r(φi, φj) ¾ ≤ −∆t1 N X i=1 N X j=1 Cm+1(φi, φj), (21) onde m = 1, . . . , M e Nk denota todos os n´os do espa¸co Vk.
De (21), determina-se o sistema matricial que fornece a seq¨uˆencia{Cm} por
recorrˆencia. Assim, obt´em-se
CM = ψk(b, tM) ∀ b ∈ Nk
A Cm≤ F Cm+1 (22)
para m = M− 1, . . . , 1, onde A = (Ai, j) tal que
Aij =− 1 ∆t (φi, φj)− aij 2 (∇φi,∇φj)− aj(∇φi, φj)− r(φi, φj) e F =−∆t1 (φi, φj).
Em particular, pode-se observar em [8] que quando {Um
k } constitui uma
aproxima¸c˜ao do m´etodo impl´ıcito de Euler de elementos finitos utilizando par-ti¸c˜oes retangulares e fixando k obt´em-se a estimativa do erro dada por
max t∈[0, T ]k Uk− ˜U m k kL∞ (Ωk)≤ O(∆t + h 2−ε), ∀ ε > 0. (23)
3
Problema Unidimensional
O operador definido em (5) para o caso unidimensional ´e dado por A = 12σ2X2 ∂
2
∂X2 + rX
∂ ∂X.
Ent˜ao o sistema (10) para o caso unidimensional ´e escrito por ∂Uk ∂t + 1 2σ 2X2∂2Uk ∂X2 + rX ∂Uk ∂X − rUk ≤ 0 e Uk ≥ ψk, em Ωk× [0, T ] µ ∂Uk ∂t + 1 2σ 2X2∂2Uk ∂X2 + rX ∂Uk ∂X − rUk ¶ (Uk− ψk) = 0, em Ωk× [0, T ] Uk(X, T ) = ψk(X, T ), ∀ X ∈ Ωk Uk(X, t) = ψk(X, t), em ∂Ωk× [0, T ], (24) onde Ωk ´e um intervalo positivo da reta.
3.1
Mudan¸
cas de Vari´
aveis
As mudan¸cas de vari´aveis permitem obter um problema variacional mais simples e al´em disto trazem ganhos computacionais uma vez que reduzem a quantidade de opera¸c˜oes na matriz do sistema linear obtida pela utiliza¸c˜ao do m´etodo de elementos finitos. Seja Uk(X, t) solu¸c˜ao do sistema (24), onde
X > 0 e t∈ [0, T ]. Considere as seguintes mudan¸cas de vari´aveis
X = E ex, t = T − τ
(1/2)σ2 e Uk(x, τ ) = E v(x, τ ).
Derivando Uk em rela¸c˜ao a t e a X com E6= 0 obt´em-se
∂Uk ∂t (x, τ ) = ∂Ev ∂t (x, τ ) = − 1 2σ 2E∂v ∂τ(x, τ ), ∂Uk ∂X(x, τ ) = ∂Ev ∂X (x, τ ) = ∂ ln(X/E) ∂X E ∂v ∂x(x, τ ) = e −x∂v ∂x(x, τ ) e ∂2U k ∂X2(x, τ ) = ∂ ∂X µ e−x∂v ∂x(x, τ ) ¶ =−e −2x E ∂v ∂x(x, τ ) + e−2x E ∂2v ∂x2(x, τ ).
Deste modo a inequa¸c˜ao (24)1 ap´os as mudan¸cas de vari´aveis ´e equivalente a
−σ 2 2 E ∂v ∂τ(x, τ )+ σ2 2 E ∂2v ∂x2(x, τ )+ µ rE−σ 2 2 E ¶ ∂v ∂x(x, τ )−rEv(x, τ) ≤ 0. (25) Fazendo as substitui¸c˜oes em (24)1 e dividindo por (1/2) σ2E > 0 obt´em-se
−∂v∂τ(x, τ ) +∂
2v
∂x2(x, τ ) + (k1− 1)
∂v
onde k1 = r
(1/2) σ2.
A inequa¸c˜ao (26) pode ser reduzida a uma inequa¸c˜ao parab´olica mais simples atrav´es da introdu¸c˜ao de duas vari´aveis auxiliares α e β. Com este intuito, suponha que a solu¸c˜ao seja da forma
v(x, τ ) = u(x, τ ) eα x + β τ. (27)
Substituindo (27) em (26) e dividindo por eα x + β τ obt´em-se
−∂u∂τ +∂ 2u ∂x2 + ∂u ∂x(k1+ 2 α− 1) + u(α 2+ (k 1− 1)α − k1− β) ≤ 0. (28) Tomando α =−12(k1− 1) e β = −1 4(k1+ 1)
2 os termos em u e ∂U/∂X s˜ao
eliminados e ent˜ao a inequa¸c˜ao variacional (28) escreve-se por ∂u
∂τ (x, τ ) ≥ ∂2u
∂x2(x, τ ), (29)
Note que ap´os realizar as mudan¸cas de vari´aveis chega-se a rela¸c˜ao Uk(x, τ ) = Eu(x, τ ) eαx+βτ= Eu(x, τ )e−
1
2(k1−1) x −14(k1+1)2τ. (30)
Para a inequa¸c˜ao Uk ≥ ψk em (24)1 tamb´em ´e realizada a mudan¸ca de
vari´aveis. Para isto ´e preciso definir o obst´aculo ψkpara o caso unidimensional,
que posteriormente, ser´a utilizado nas simula¸c˜oes num´ericas. Seja o obst´aculo ψk dado por
ψk := max(E− X, 0) (31)
Realizando as mudan¸cas de vari´aveis para Uk ≥ ψk como em (30) obt´em-se
E eαx+βτu(x, τ ) ≥ max(E − Eex, 0)≥ E max(1 − ex, 0)
u(x, τ ) ≥ e−βτ max(e−αx− eαx, 0), onde α = 1
2(k1+ 1). (32)
Logo, u(x, τ )− e−βτ max(e−αx
− eαx, 0)
≥ 0.
3.2
Condi¸
c˜
ao Inicial e de Fronteira
A mesma tranforma¸c˜ao realizada na se¸c˜ao anterior para a primeira inequa¸c˜ao de (24) deve ser feita para a condi¸c˜ao de tempo final T e na fronteira ∂Ωk. Para a condi¸c˜ao final, Uk(X, T ) = ψk(X) = max(E− X, 0), ∀X ∈ Ωk.
Observe que t ∈ [0, T ] ent˜ao τ = (T − t)(1/2)σ2. Seja ¯T = (1/2)T σ2 ent˜ao
τ ∈ [0, ¯T ]. Pela mudan¸ca de vari´aveis em (32) com τ = 0 tem-se
Considere agora o caso em que X ∈ ∂Ωk. Note que x = ln(X/E) = −∞.
Como Ωk = [Xi, Xf], onde Xi > 0 ´e o valor inicial e Xf ´e o valor final do
ativo-objeto. Pela condi¸c˜ao (24)4, segue que
Uk(X, t) = ψk(X) = max(E− X, 0), ∀ X ∈ ∂Ωk,
ent˜ao como x0 = ln(X0/E) e xf = ln(Xf/E) e pela mudan¸ca de vari´aveis
em (32) resulta que
u(x0, τ ) = e−βτ max(e−αx0− eαx0, 0), ∀ τ ∈ [0, ¯T ] e
u(xf, τ ) = e−βτ max(e−αxf − eαxf, 0), ∀ τ ∈ [0, ¯T ].
A partir das mudan¸cas de vari´aveis realizadas e de suas condi¸c˜oes de fronteira e tempo final, o sistema (24) pode ser escrito por
∂u ∂τ ≥ ∂2u ∂x2 e u ≥ Ψ, (x, τ) ∈ [x0, xf]× [0, ¯T ] µ∂u ∂τ − ∂2u ∂x2 ¶ (u − Ψ) = 0, (x, τ) ∈ [x0, xf]× [0, ¯T ] u(x0, τ ) = e−βτ max(e−αx0− eαx0, 0) = Ψ(x0, τ ), τ ∈ [0, ¯T ] u(xf, τ ) = e−βτ max(e−αxf − eαxf, 0) = Ψ(xf, τ ), τ ∈ [0, ¯T ] u(x, 0) = max(e−αx− eαx, 0) = Ψ(x, 0), x∈ [x0, xf]. (34)
O sistema de inequa¸c˜oes variacionais (34) obtido a partir de (24) ´e mais simples em termos da implementa¸c˜ao computacional.
4
M´
etodo de Elementos Finitos
O objetivo desta se¸c˜ao ´e obter a implementa¸c˜ao num´erica da solu¸c˜ao apro-ximada. Para isto s˜ao utilizados os m´etodos de elementos finitos e diferen¸cas finitas.
4.1
Formula¸
c˜
ao Variacional
Considere a formula¸c˜ao variacional do sistema (34), onde u( . , t) ∈ H1 Ψ(Ωk)∩
H2(Ω
k) e seja v ∈ D(Ωk) uma fun¸c˜ao teste tal que v ≥ Ψ. Assim, como
conseq¨uˆencia imediata da forma variacional feita anteriormente, obt´em-se Z Ωk ∂u ∂τ v dx + Z Ωk ∂u ∂x ∂v ∂xdx ≥ 0, ∀ v ∈ D(Ωk). (35)
4.2
M´
etodo de Galerkin
O m´etodo de Galerkin consiste em aproximar o espa¸co das solu¸c˜oes H1 Ψ(Ωk)∩
H2(Ω
k) por um subespa¸co de dimens˜ao finita. Para aproximar tal espa¸co,
define-se um subespa¸co Vhgerado pelos N primeiros elementos da base do espa¸co
de Hilbert H1
Ψ(Ωk)∩ H2(Ωk), ou seja, Vh= [φ1, φ2, . . . , φN], onde {φi, i∈ IN}
´e uma base de H1
Ψ(Ωk)∩ H2(Ωk). Agora, procura-se uma solu¸c˜ao aproximada
uh= uh(x) do problema (35) no subespa¸co Vh.
Ent˜ao, para uh∈ Vh tem-se
uh(x, τ ) = N
X
i=1
Ci(τ )φi(x)
Substituindo u por uh em (35) para cada k fixo e aproximando a derivada em
rela¸c˜ao a τ por diferen¸cas finitas obt´em-se
N X i=1 (Cm i − Cim−1) ∆τ Z Ωk φi(x) φj(x) dx + m X i=1 Cim(τ ) Z Ωk ∂φi(x) ∂x ∂φj(x) ∂x dx ≥ 0, com j = 1, . . . , N, m = M, . . . , 1 e um erroO(∆τ). Podendo ser escrito no seguinte sistema de inequa¸c˜oes ordin´arias
( A + ∆τ B ) Cm ≥ A Cm−1 (36) onde Aij = Z Ωk φi(x) φj(x)dx, Bij = Z Ωk ∂φi(x) ∂x ∂φj(x) ∂x dx
com i, j = 1, . . . , N e m = M, . . . , 1 e s˜ao matrizes sim´etricas.
Seja φi com i = 1, . . . , N base de Vhdefine-se φ∈ D(Ωk) da seguinte forma:
φi(x) = x− xi−1 h , xi−1≤ x ≤ xi xi+1− x h , xi≤ x ≤ xi+1 0, caso contr´ario ∂φi(x) ∂x = 1 h, xi−1≤ x ≤ xi −1h, xi≤ x ≤ xi+1 0, caso contr´ario. Utiliza-se a malha uniforme h = xi+1− xi, ∀ i = 1, . . . , N e, portanto, a
discretiza¸c˜ao no espa¸co ´e feita de modo que xi= x0+ ih, para i = 1, . . . , N .
Ap´os definida a fun¸c˜ao φ ´e poss´ıvel calcular as matrizes A e B. Para i = j: aii = (φi(x), φi(x)) = Z Ωk φ2i(x) dx = Z xi+1 xi−1 φ2i(x) dx = 2h 3 , bii= µ∂φ i(x) ∂x , ∂φi(x) ∂x ¶ = Z Ωk ∂φ2 i(x) ∂x dx = Z xi+1 xi−1 ∂φ2 i(x) ∂x dx = 2 h
Para j = i + 1: ai,i+1= (φi(x), φi+1(x)) = Z Ωk φi(x)φi+1(x) dx = h 6 bi,i+1= µ∂φ i(x) ∂x , ∂φi+1(x) ∂x ¶ = Z Ωk ∂φi ∂x(x) ∂φi+1 ∂x (x) dx = −1 h . Note que umh(xj) = N X i=1 Cimφi(xj) = Cm i , se i = j 0, se i6= j. O sistema matricial iterativo (36) pode ser escrito da forma KCm
≥ bm−1, com K = A + ∆τ B, bm−1= ACm−1 e m = 1, . . . , M. (37)
5
M´
etodo Iterativo
Observe que a matriz A ´e estritamente diagonal dominante e a matriz B ´e diagonal dominante ent˜ao a matriz K ´e estritamente diagonal dominante.
Para m = 1, o vetor C0dado pela condi¸c˜ao inicial (34)
5´e dado por
C0 = (Ψ(x1, 0), Ψ(x1, 0), . . . , Ψ(xN −1, 0))t.
E as condi¸c˜oes de fronteira (34)3, (34)4 s˜ao dadas respectivamente por
C0m = Ψ(x0, τm), ∀ m = 1, . . . , M,
CNm = Ψ(xf, τm), ∀ m = 1, . . . , M.
O sistema matricial de inequa¸c˜oes (37) pode ser utilizado considerando ∂u
∂τ − ∂2u
∂x2 = 0, (x, τ )∈ [x0, xf]× [0, ¯T ].
Isto implica que o sistema linear sob a forma matricial se escreve por K Cm
− bm−1 = 0.
O passo seguinte ´e verificar se a condi¸c˜ao u(xi, τm) ≥ Ψ(xi, τm) ´e satisfeita.
Caso isto n˜ao ocorra ´e feita a proje¸c˜ao u(xi, τm) = Ψ(xi, τm) conservando
(34)2. E ainda para Cim = Ψ(xi, τm) as inequa¸c˜oes (34)1 s˜ao satisfeitas, pois
K Cm
− bm−1
≥ 0.
O sistema iterativo (37) ´e resolvido para cada m fixo pelo m´etodo de sobre-relaxa¸c˜ao projetado (SORp). O programa (SORp) ´e adaptado para resolu¸c˜ao de sistemas lineares tridiagonais, como o caso da matriz K. Desta forma n˜ao ´e necess´ario o armazenamento dos zeros desta matriz reduzindo o custo computa-cional.
6
Simula¸
c˜
oes Num´
ericas
Exemplos num´ericos ser´a dados para ilustrar o m´etodo desenvolvido. Para isto s˜ao necess´arias explicitar algumas vari´aveis do modelo como tempo de exerc´ıcio T , taxa de juros r e pre¸co de exerc´ıcio E.
6.1
Exemplo 1:
Para esta simula¸c˜ao foram coletados os valores da a¸c˜ao da petrobras PETR4-PN (Xi) em cada dia ´util (DU) pelo per´ıodo de um ano. Os dados foram obtidos
do site do Banco do Brasil (www.bb.com.br) referentes as cota¸c˜oes na BM&F. Suponha que os pre¸cos do ativo sejam dados nos seis primeiros meses, do dia 24/03/2003 at´e o dia 24/09/2003. Deseja-se saber o valor da op¸c˜ao americana de venda do dia 24/09/2003 com vencimento no dia 22/03/2004. Considere que o pre¸co de exerc´ıcio contratado seja E = R$ 75, 00.
Utiliza-se a volatilidade hist´orica, para isto calcula-se primeiramente a m´edia dos retornos dada por
µ = 1 128 128 X i=1 ln(Xi+1/Xi) = 0, 0024,
onde 128 ´e a quantidade de dias ´uteis que se conhece os dados. A volatilidade di´aria ´e dada por
σdia = v u u t 1 128 128 X i=1 (ln(Xi+1/Xi)− 0, 24%)2 = 0, 0163,
e a volatilidade hist´orica anual ´e dada por
σanual = √250 σdia = 15, 8114×0, 0163 = 0, 2577.
Desta forma, a volatilidade ´e σ = 0, 2577. A taxa de juros ´e ranual = 8% que transformando para taxa de juros cont´ınua livre de risco tem-se
r = ln(1 + ranual ) = ln(1 + 0, 08) = 0, 07696 = 7, 69%.
O passo seguinte ´e determinar o intervalo Ωk. Note que na pr´atica n˜ao se
pode garantir que o pre¸co da a¸c˜ao estar´a dentro do intervalo estipulado Ωk
du-rante o prazo de validade da op¸c˜ao. Contudo para fins de c´alculo computacional ´e preciso tomar tal intervalo limitado.
De acordo com as mudan¸cas de vari´aveis realizadas na se¸c˜ao (3.1) tem-se para Ωk = [X0, XF]
X0= Eex0 =⇒ x0= ln(X0/E) e XF = Eexf =⇒ xf = ln(XF/E).
Toma-se uma malha no espa¸co composta de 2 N elementos, ent˜ao x0= ln(X0/E) =−N ∆x =⇒ N =
ln(E/X0)
Como x0 =−N∆x e xf = N ∆x determina-se XF por x0 =−xf segue que
ln(XF/E) = ln(E/X0). Donde conclui-se que XF = E2X0, com X0 6= 0. O
dom´ınio ´e limitado dado por Ωk = [X0, E2/X0]. Para este primeiro exemplo,
escolhe-se ao acaso X0 = 10 resultando em XF = E2/X0 = 562, 5 e Ωk =
[10; 562, 5]. Logo, o exemplo 1 ´e feito para σ = 0, 2577, r = 0, 0769, T = 6 meses ou T = 0.5 ano e E = R$ 75, 00, com X ∈ [10, 562.5] e t ∈ [0, 1/2].
A figura 6.1 mostra as fun¸c˜oes Uk(0.0 , X) e Uk(0.4 , X) com X∈ Ωk
obser-vadas no intervalo [60, 100]. X Uk 100 95 90 85 80 75 70 65 60 20 15 10 5 0 -5
Figura 6.1: Gr´afico da fun¸c˜ao Uk para t = 0 (linha cont´ınua) e t = 0.4 (linha
Uma an´alise do comportamento da fun¸c˜ao aproximada Uk para X fixo e
variando t ∈ [0, 1/2] ´e apresentado na figura 6.2. Os valores para X foram tomados tais que X = 60, X = 70, X = 80, X = 90 e X = 103.
t Uk 0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0 16 14 12 10 8 6 4 2 0
Figura 6.2: Gr´afico da fun¸c˜ao Uk (de cima para baixo) para X = 60, X = 70,
X = 80, X = 90 e X = 103 considerando t∈ [0, 1/2].
A partir da an´alise da solu¸c˜ao aproximada Uk para t fixo e para X fixo
pode-se mostrar o gr´afico de Uk em fun¸c˜ao de X e t. O gr´afico (6.3) representa
a aproxima¸c˜ao da fun¸c˜ao U em rela¸c˜ao a X e t.
No tempo t = 0, isto ´e, no dia 24/09/2003, o valor da a¸c˜ao PETR4-PN foi cotado a R$ 58, 67. Logo, uma estimativa para o valor da op¸c˜ao americana de venda ´e
U (58.67; 0) e= R$ 16, 33.
Para verificar a qualidade da aproxima¸c˜ao toma-se um dom´ınio limitado ΩM = [XM, E2/XM]. e uma seq¨uˆencia de dom´ınios encaixados de modo que
ΩK0 ⊂ ΩK1 ⊂ ΩK2 ⊂ ΩK3 ⊂ . . . ⊂ ΩM.
Pela convergˆencia em (12) tem-se lim k→∞ µ max t∈[0, T ]k U(X, t) − Uk(X, t)kL ∞ (Ωk) ¶ = 0. Seja ΩM = [1, 752/1] = [1, 5625] e define-se a seq¨uˆencia
ΩK3= [5, 75 2/5] = [5; 1125] ΩK2= [10, 75 2/10] = [10; 562, 5] ΩK1= [15, 75 2/15] = [15; 375] ΩK0= [20, 75 2/20] = [20; 281, 25]
Uk 70 50 30 10 t 0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0 X300 400 500 200 100 0
Figura 6.3: Gr´afico do valor da op¸c˜ao americana de venda.
Em comum a cada uma das malhas dos dom´ınios citados est´a o ponto X = 75. Ent˜ao, ser´a comparado o erro de cada um dos Uki de Ωki com a solu¸c˜ao
aproximada UM de ΩM no ponto X = 75 para todo t ∈ [0, T ]. Para isto ´e
utilizada a norma do m´aximo.
A norma do erro utilizada define-se por k Eik∞= max
t∈[0, T ]|UM(75, t)− Uki(75, t)|.
A tabela a seguir apresenta os erros encontrados
X = 75 t∈ [0, 1/2] σ = 0, 2577 r = 0, 0769. Tabela do erro i k Eik∞ 0 0,1248 1 0,1160 2 0,1020 3 0,0746
Observe que conforme Ωki converge para ΩM a fun¸c˜ao Uki(75, t) converge
para UM(75, t) de acordo com (12).
Nos gr´aficos da figura 6.4 pode-se observar a diferen¸ca entre as fun¸c˜oes Uk
para os v´arios dom´ınios considerados e tomando t = 0. Percebe-se que para uma vizinhan¸ca bem pr´oxima de X = 75 com t = 0 a diferen¸ca entre as curvas fica clara.
X Uki(X, 0) 75 74.9996 74.9992 4.323 4.322 4.321 4.32 Figura 6.4:
6.2
Exemplo 2:
Agora ´e realizada uma s´erie de simula¸c˜oes para obter o valor aproximado da op¸c˜ao americana de venda quando o pre¸co de exerc´ıcio ´e alterado. Considera-se X = 100, r = 16%, σ = 0, 2577, T = 1/2 ano e escolhe-se Ωk = [10, E2/10]. E Uk(100, 0) 95 1.94 97 2.56 100 3.72 103 5.26 105 6.43
Observe que conforme o pre¸co de exerc´ıcio aumenta a solu¸c˜ao Uk sofre
in-fluˆencia do obst´aculo dado por max(E− X, 0). Desta forma, quando o pre¸co de exerc´ıcio da op¸c˜ao americana de venda aumenta seu prˆemio tamb´em aumenta.
As figuras 6.2 mostram esta caracter´ıstica.
As simula¸c˜oes realizadas mostram o comportamento da fun¸c˜ao aproximada Ukpara v´arios parˆametros utilizados. Apesar dos v´arios modelos existentes n˜ao
fornecerem a solu¸c˜ao precisa dos pre¸cos ou n˜ao corresponderem por completo com a realidade do mercado eles servem de parˆametros importantes para atua¸c˜ao no mercado. E de fato, s˜ao bastante utilizados na pr´atica para nortear a a¸c˜ao dos investidores.
X Uk(X, 0) 120 115 110 105 100 95 90 15 10 5 0
Figura 6.5: Gr´afico das fun¸c˜oes Ukpara v´arios pre¸cos de exerc´ıcio 105, 103, 100,
97 e 95 de cima para baixo respectivamente.
Referˆ
encias
[1] BENSOUSSAN, A., LIONS, J., Applications des In´equations Varia-tionnelles en Contrˆole Stochastique, Dunod, Paris, 1978.
[2] BLACK, F., SCHOLES, M., The Pricing of Options and Corporate Liabilities, J. Politial Economy, 81 (1973), pp. 637-354.
[3] HULL, John C., Op¸c˜oes, Futuros e Outros Derivativos, 3a ed. Bolsa
de Mercadorias e Futuros, 1997.
[4] JAILLET, Patrick, LAMBERTON, Damien, LAPEYRE, Bernard, Ana-lyse Numerique des Options Americaines, Cahier du Cerma, 9 (1988), pp. 66-126.
[5] KARATZAS, Ioannis, SHREVE, Steven, Brownian Motion and Stochastic Calculus, 2a ed. Springer, 1991.
[6] LAMBERTON, Damien, LAPEYRE, Bernard, Introduction au Caulcul Stochastique Appliqu´e `a la Finance, Mathematiques & Applications, 1991.
[7] LIU, I-Shih, RINCON, M. A., Introdu¸c˜ao ao M´etodo de Elementos Finitos, IM/UFRJ, 2001.
[8] MARCOZZI, M. D., On the Approximation of Optimal Stopping Problems with Application to Finantial Mathematics, SIAM J. Sci. Comp., vol. 22, (2001), pp. 1865-1884.
[9] OKSENDAL, Bernt, Stochastic Differential Equation: an introduc-tion with applicaintroduc-tion, 4a ed., Springer, 1995.
[10] WILMOTT, P., DEWYNNE, J., HOWISON, S., Option Pricing: Mathematical Models and Computation, Oxford Financial Press, Ox-ford, 1993.