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FORMANDA JUDITE ALEXANDRINA GASPARINHO MARQUES PINTO JUNHO DE 2010 1/12 Fórum Geral -> O papel do professor -> Re: O papel do professor por Judite Pinto - Segunda, 12 Outubro 2009, 16:11

Podemos partir do princípio de que se os professores estiverem motivados os alunos também estarão

motivados? Atendendo às intervenções que li dos colegas sobre este assunto, parece ser unânime que esta seria uma visão demasiado redutora. Motivar para aprender não deverá ser tarefa exclusiva dos professores. Caberá

igualmente aos pais / encarregados de educação, aos poderes públicos e ao sistema educativo inculcar nos jovens o gosto pela aprendizagem (para não dizer que essa motivação, sendo também sinónimo de curiosidade, deveria ser inata...).

Mas, no âmbito do que «está nas nossas mãos», como podemos motivar os alunos de forma duradoura e criar um clima propício ao processo de aprendizagem? Uma

solução possível poderá ser delegar tarefas pedagógicas nos alunos, convidando-os a apresentar aos colegas determinados conteúdos, criando um espaço de cooperação favorável, um clima de solidariedade e

favorecendo a responsabilidade e o respeito nas relações aluno-aluno e professor-alunos. Esta estratégia permite desenvolver de forma eficaz a autonomia dos alunos, criando uma atmosfera de liberdade que não poderá nunca ser confundida com laxismo ou indiciplina. O professor tem sempre um papel fundamental na preparação e na

estruturação das intervenções, garantindo a sua correcção científica e a sua qualidade pedagógica e banindo

qualquer atitude menos produtiva.

Além deste, outros conselhos úteis para «manter acesa a chama da motivação» poderão ser:

- questionar os alunos sobre os seus interesses, as suas expectativas;

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2/12 quando despertou em nós a necessidade de aprender?); - convidar o aluno a reflectir sobre o sentido ou a utilidade do conteúdo que estamos a leccionar;

- privilegiar o humor para aliviar situações mais monótonas, em detrimento do sarcasmo ou da ironia;

- pôr em evidência a responsabilidade colectiva pelo insucesso ou pelo sucesso da aprendizagem para que todos se sintam envolvidos e comprometidos;

- dar tempo ao aluno para reflectir, sem o culpabilizar; - pôr de lado, sempre que necessário, os manuais e os programas para nos centrarmos no aluno e nas suas necessidades.

Judite Pinto

Fórum Geral -> Papel do professor de português: recentrar o debate -> Re: Papel do professor de português: recentrar o debate

por Judite Pinto - Quinta, 15 Outubro 2009, 19:07

Aprecio particularmente a visão optimista, construtiva, realista e devidamente fundamentada do professor João Costa em relação à Escola, ao papel do professor em geral e ao papel do professor de Português em particular.

Considero importante que se faça uma reflexão prévia sobre o papel do professor em geral. Concordo com a ideia de que, em primeiro lugar, é necessário revalorizar o papel do professor, restituindo a sua

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3/12 autoridade na sala de aula, restituindo a esta profissão o respeito que ela merece e dando tempo aos professores para que desenvolvam mais trabalho colaborativo, mais espaços de partilha. De facto, para se ser criativo também é preciso tempo e, como afirma o professor João Costa, «se cada um usar a ideia do outro, ao fim de um ano lectivo há 25 boas ideias».

E para começar, desde já, a valorizar o papel do professor, gostaria de lembrar, neste espaço de partilha, a reportagem publicada no Jornal Público de hoje, onde se conta que, numa visita ao novo centro escolar de Cabeceiras de Basto, a Ministra da Educação conversou com os alunos e quis saber o que pensavam dos novos quadros multimédia e dos computadores Magalhães e perguntou a um aluno: «E o que gostas mais nesta escola nova?». A resposta surpreendeu a Ministra: «Da professora». Judite Pinto Fórum Geral -> O Novo Programa e os manuais -> Re: O Novo Programa e os manuais por Judite Pinto - Segunda, 2 Novembro 2009, 17:13

Do Programa de Português do Ensino Básico, em relação ao manual escolar, há que reter duas ideias fundamentais.

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4/12 A primeira é a de que «os manuais não devem sobrepor-se aos programas» e eu diria até que não se pode confundir um programa com um manual…

A segunda ideia, que advém da primeira, é a de que um professor não poderá usar correctamente um manual sem conhecer bem os programas. De facto, os autores fazem as suas opções de acordo com a leitura que fazem dos programas e, para responderem ao que consideram necessário, escolhem textos de acordo com os seus gostos pessoais. Ao Professor de Português, agente do desenvolvimento curricular, compete fazer uma criteriosa selecção desses textos, adaptar os manuais e outros auxiliares de ensino à realidade educativa da sua escola e da sala de aula, fomentar no aluno «a descoberta da diferença estética que os textos literários, por natureza, cultivam», ou seja, como se pode ler nas recomendações da Conferência Internacional sobre o Ensino do Português, ao professor de Português deve exigir-se uma cultura linguística e «uma cultura literária refinada» que não se confinam num manual.

De qualquer forma, sendo um instrumento de trabalho multifuncional, o manual reveste-se, na sua concepção, de alguma complexidade. O desafio é agora acrescido com a questão da anualização. Penso que o caminho será, como diz o colega Albino Santos, o do manual interactivo que estrutura os conteúdos da disciplina sob a forma de aulas, dando uma maior liberdade e uma maior responsabilidade ao professor na gestão do currículo.

Pode-se, pois, concluir que os três temas propostos pelo nosso Formador – «O Professor como agente do desenvolvimento curricular», «O novo programa e as TIC» e «O novo programa e os manuais» - estão profundamente interligados.

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FORMANDA JUDITE ALEXANDRINA GASPARINHO MARQUES PINTO JUNHO DE 2010 5/12 Fórum Geral -> O Novo Programa e os manuais -> Re: O Novo Programa e os manuais

por Judite Pinto - Segunda, 2 Novembro 2009, 21:24

Ainda a propósito dos Novos Programas e dos Manuais... gostaria de partilhar convosco este trecho que encontrei agora mesmo no

blog do Professor Matias Alves

http://terrear.blogspot.com/2009/03/didactica-da-lingua.html

Trata-se de um exemplo de um prefácio do Livro de Leitura para a I, II e III classe do Ensino Secundário (correspondente ao 5º, 6º, 7º anos) publicado em 1954, no Porto, pela Livraria Apostolado da Imprensa. Como refere o Professor Matias Alves, algumas passagens deste trecho fizeram lembrar «as palavras muito aplaudidas do Prof. Carlos Reis que verberou as Ciências da Educação pelo desuso da memória e celebrou o valor estético da obra literária».

«Aos Srs. Professores

Este livro encaminha-se a ensinar, com amenidade e proveito a nossa Língua.

Com a mira neste objectivo, respigámos todos os trechos, que aqui se transcrevem, na seara abundante de bons escritores portugueses; e em todos procurámos que houvesse um pouco de interesse, para prender a atenção dos alunos e um pouco de beleza literária, que lhes fosse despertando o gosto pela arte. Os trechos, portanto, demasiado científicos ou mal escritos ficaram, de antemão, rigorosamente excluídos.

No método que preconizamos fugimos quanto possível, dos excessos e aridezes da teoria; frequentemente inúteis, quando não esterilizam e matam o talento. O ponto não está em encher a memória de abstracções mortas, como quem enche a casa de trastes

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6/12 velhos, mas em tratar com as realidades da língua viva lendo-a, ouvindo-a, exercitando-a.

A leitura e o exercício são, pois, os dois fulcros principais, sobre que há-de assentar o ensino do Português.

Leitura reflectida do aluno e leitura comentada do professor; e, uma e outra, raciocinada, sentida, saboreada. É este o grande meio de interessar as crianças pelas belezas da língua.

Entremeando com a leitura, os exercícios orais e escritos. Os primeiros podem e devem ser muito variados: de aquisição do vocabulário: dar as significações, derivados e compostos duma palavra; achar as locuções e idiotismos que com ela se prendem (ex.: mão - mão de Deus, mão de obra, mão de nabos, vir às mãos, etc.); encontrar o qualificativo justo a um nome, o verbo próprio a uma frase; de educação da fantasia e da sensibilidade: mencionar os objectos dum local determinado, observar uma paisagem e notar as sensações e impressões que ela nos desperta; acabar uma frase, uma comparação, uma história; apontar as belezas e elegâncias duma composição bem feita; - de formação da inteligência: apurar as ideias principais e reconstruir o plano de um trecho, lê-lo com sentido, resumi-lo; reproduzir uma narração, declamar uma poesia, etc., etc:

Quanto aos exercícios de redacção, ou temas, há-os, neste livro, abundantes e metodicamente graduados. Ao arbítrio do Professor fica o escolher, de cada grupo, aquele ou aqueles que julgar mais acomodados à sua aula.

Só advertimos, que nem todos se devem dar já planeados e arquitectados. Seria isto fomentar a preguiça intelectual e sufocar, à nascença, a originalidade do aluno. E é esta, sem dúvida, a primeira qualidade de todo o escritor e o melhor fruto, por conseguinte, que se há-de esperar da redacção literária.

Abel Guerra»

Fórum Geral -> O novo programa e as TIC: que contributos para a mudança das práticas lectivas? -> Re: O novo programa e as TIC: que contributos para a mudança das práticas lectivas?

por Judite Pinto - Sexta, 27 Novembro 2009, 13:43

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Tendo em conta que o uso das tecnologias de informação e comunicação em contexto educativo é hoje uma mais valia para os professores que a elas aderem e que a necessidade de utilizar o computador em actividades com os alunos é cada vez mais premente, é muito importante que o Novo Programa de Português do Ensino Básico tenha em conta a «a projecção, no processo de ensino do idioma, das ferramentas e das linguagens facultadas pelas chamadas tecnologias da informação e comunicação, associadas a procedimentos de escrita e de leitura de textos electrónicos e à disseminação da Internet e das comunicações em rede» (p. 5). As TIC vieram operar uma revolução no conhecimento e nas formas de aceder ao saber.

As principais vantagens das TIC para os professores são, em primeiro lugar, a maior rentabilização do tempo na execução de tarefas tais como preparar as aulas, elaborar exercícios, fichas, testes de avaliação, correcções; em segundo lugar, a facilidade de pesquisa de assuntos específicos; finalmente, a possibilidade de formação à distância e de partilha de saberes e experiências. Para os alunos, as principais vantagens são a pesquisa ‘on line’ orientada pelo professor, o reforço da sua cultura geral, a realização de exercícios ou jogos sobre a matéria dada, a utilização de ‘software pedagógico’ para realização de actividades recreativas / pedagógicas. Enfim, as TIC permitem uma maior disponibilidade do professor aliada a uma aprendizagem ao ritmo do aluno e uma maior criatividade por parte do professor que, ao tornar a matéria mais apelativa, aumenta o interesse do aluno. Deste modo, a visão do mundo é ampliada e a sala de aula ultrapassa os limites da escola.

As TIC devem, portanto, ser integradas de uma forma transversal nos currículos. Devem também ser adoptadas nas escolas de uma forma sistemática e planeada, em vez de pontual e espontânea, uma vez que uma escola que não integre os meios informáticos corre o risco de ficar obsoleta. No entanto, o maior obstáculo à

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8/12 utilização das tecnologias de informação e comunicação é, como sabemos, a falta de recursos materiais e humanos nas escolas. Por outro lado, não podemos esquecer que o computador não é um fim, mas um meio que, como tal, deve ser bem aproveitado. Neste contexto, todos estamos conscientes de que o valor das TIC não se pode sobrepor ao papel do professor que será sempre um elo de ligação afectiva, um interlocutor privilegiado, imprescindível no processo educativo e formativo do aluno.

A formação de professores no domínio das TIC é muito importante e, foi graças a essa formação, que fui aprendendo a introduzir na minha prática lectiva recursos tais como o blog, a webquest, a caça ao tesouro, o hot potatoes. Uso,

mas não abuso… tendo em conta as limitações técnicas que, por vezes, surgem associadas às TIC, que já foram referidas neste fórum e que podem pôr em risco uma boa aula.

Judite Pinto

Fórum Geral -> Professor como agente do desenvolvimento curricular (Progr., pág.9) -> Re: Professor como agente do desenvolvimento curricular (Progr., pág.9)

por Judite Pinto - Terça, 30 Março 2010, 09:01

Os princípios com que se pretende reforçar o papel do PPEB como importante instrumento orientador ao serviço do professor de Português foram já cirurgicamente identificados pelos colegas nas suas intervenções anteriores, pelo que me resta sublinhar algumas ideias-chave, a saber:

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FORMANDA JUDITE ALEXANDRINA GASPARINHO MARQUES PINTO JUNHO DE 2010 9/12 Programa; - o princípio da progressão; - o princípio da anualização;

- a concepção dos manuais escolares como auxiliares pedagógicos que não se devem sobrepor ao Programa.

De facto, os desafios que, actualmente, se colocam à escola pressupõem uma mudança no papel do professor que deixa de ser o tradicional transmissor de conhecimentos circunscritos à disciplina e passa a ser considerado como agente curricular, ou seja, interveniente activo e decisivo na selecção de práticas educativas e na procura de respostas adequadas a cada contexto. Assim, compete ao professor pôr em prática o currículo, adaptando, transformando, reinventando e inovando a proposta curricular central.

Urge, pois, fomentar a margem de autonomia do professor e estimular a sua capacidade profissional. O papel do professor é determinante, pois é ele que organiza o processo de ensino e aprendizagem, seleccionando os materiais, as estratégias e a avaliação.

Assim, o currículo deverá ser encarado como um conjunto de orientações passíveis de interpretação e adaptação por parte do professor, pois só este sabe como deve orientar a sua acção, tendo em conta os alunos que lhe foram confiados, a escola e a comunidade envolvente. Judite Pinto Fórum Geral -> Espírito colaborativo -> Re: Espírito

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FORMANDA JUDITE ALEXANDRINA GASPARINHO MARQUES PINTO JUNHO DE 2010

10/12 colaborativo

por Judite Pinto - Segunda, 3 Maio 2010, 14:46

Perante esta «lufada de inspiração» que nos envolveu, não posso deixar de humildemente aconselhar aos meus ilustres colegas o recurso a áudio-livros,

nomeadamente O Principezinho (voz de Pedro Granger) e O Velho que lia Romances de Amor da MHIJ Editores. Recomendo, igualmente, o filme Singularidades de uma rapariga loura de M. de Oliveira cujo visionamento pode ser acompanhado pela leitura simultânea do conto de Eça de Queiroz.

Judite

Fórum Geral -> Espírito colaborativo -> Re: Espírito colaborativo

por Judite Pinto - Terça, 4 Maio 2010, 07:39

Querida Cristina:

Consegui o filme on-line. Não sei se já estará disponível na Fnac... Já agora, aproveito para te agradecer o reenvio dos trabalhos.

Fórum Geral -> Espírito colaborativo -> Re: Espírito colaborativo

por Judite Pinto - Quinta, 6 Maio 2010, 18:09

Os_Livros.pps Aqui vai um powerpoint sobre a leitura.

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FORMANDA JUDITE ALEXANDRINA GASPARINHO MARQUES PINTO JUNHO DE 2010

11/12 Bom trabalho, mas que o descanso seja melhor ainda.

Judite Fórum Geral -> Leitura e "espírito colaborativo" -> Re: Leitura e "espírito colaborativo" por Judite Pinto - Sexta, 7 Maio 2010, 15:43

222_conto_contigo_dossier.pdf Achei muito interessante a sugestão da terapia pelo conto apresentada pela colega Lisete. Movida pela curiosidade, fiz uma breve pesquisa e encontrei algumas referências ao livro do referido estudioso argentino que envio em anexo. Dá para pensar... Judite Fórum Geral -> Espírito colaborativo -> Re: Espírito colaborativo por Judite Pinto - Domingo, 9 Maio 2010, 20:57

Miguel_Torga.pps É impossível ficar indiferente a esta «lufada de

informação» que aqui se tem vindo a partilhar. Iniciativa muito útil e enriquecedora, despoletada pelo espírito

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FORMANDA JUDITE ALEXANDRINA GASPARINHO MARQUES PINTO JUNHO DE 2010

12/12 empreendedor da nossa colega Cristina. Permitam-me então que, levada por esta onda de entusiasmo literário, partilhe também convosco um diaporama sobre Miguel Torga.

Judite

Referências

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