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Aula 01
Direito Previdenciário
Empresa, Empregador Doméstico e Financiamento da Seguridade Social Professor: Moisés Moreira
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Olá, pessoal!
É bom estarmos aqui para nossa aula de hoje! A caminhada já começou e precisamos manter o foco. Como amigos e parceiros, faremos esse percurso juntos e seremos vitoriosos! Adiante!
Nesta aula começam os estudos sobre financiamento da seguridade social, tema de suma importância para o nosso concurso. De início, trataremos das normas constitucionais sobre o assunto, seguindo para as contribuições dos segurados, e finalizaremos com a exposição dos conceitos de empresa e empregador doméstico.
Nossa aula será voltada para questões práticas e assuntos recorrentes em concursos, com muitos exemplos. A partir desse estudo, teremos condições de responder a qualquer pergunta que nosso concurso venha a cobrar.
Qualquer dúvida ou sugestão, contem comigo! Nossa comunicação se dará, preferencialmente, pelo Fórum de Dúvidas do Ponto. Se vocês desejarem, também podem me encaminhar e-mail - [email protected]. É isso aí, meus amigos!
Um forte abraço!
Aula 01
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Tópicos da Aula 1. Financiamento da Seguridade Social ... 3
1.1 Noções iniciais ... 3
1.2 Normas constitucionais ... 5
1.2.1 Competência ... 6
1.2.2 Imunidade ... 7
1.2.3 Débito com o sistema de seguridade social ... 8
1.2.4 Alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas ... 9
1.2.5 Anterioridade e anterioridade nonagesimal ... 9
1.2.6 Precedência da fonte de custeio ... 11
1.3 Contribuições da União ... 12
1.4 Contribuições sociais ... 14
1.4.1 Contribuições sociais previdenciárias ... 17
1.4.1.1 Empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso .... 18
1.4.1.2 Contribuinte individual - CI ... 22
1.4.1.3 Segurado facultativo ... 31
1.4.1.4 Segurado especial ... 32
2. Empresa e empregador doméstico: conceito previdenciário ... 41
2.1 Empresa ... 41 2.2 Equiparados à empresa ... 42 2.3 Empregador doméstico ... 43 3. Questões ... 45 3.1 Questões comentadas ... 53
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1. Financiamento da Seguridade Social
A Seguridade Social compreende três grandes áreas, a Saúde, a Previdência e a Assistência social, as quais são regidas com base em princípios, nos termos do art. 194 da CF/88.
Vamos estudar como ocorre o financiamento da Seguridade Social, de que maneira ela é custeada, quais são as contribuições instituídas para tal finalidade.
Seria inconcebível que um sistema tão amplo e importante como esse não estivesse ligado a contribuições e recursos que financiassem sua existência. Seria impensável a inexistência de fontes de custeio, não é mesmo?
Então, vamos lá!
1.1. Noções Iniciais
De acordo com o art. 195 da Constituição Federal, a Seguridade Social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;
b) a receita ou o faturamento; c) o lucro;
II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;
III - sobre a receita de concursos de prognósticos.
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Desse artigo, podemos extrair que:
A forma direta de financiamento pela sociedade se dá por meio das contribuições sociais das empresas, dos empregadores, dos trabalhadores, dos segurados, das incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos e as do importador de bens ou serviços do exterior;
Já a forma indireta ocorre por meio de recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
É importante sabermos que, nos termos do art. 167, XI, da CF, existem contribuições sociais que somente podem ser utilizadas para pagamento dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social:
do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;
do trabalhador e dos demais segurados da previdência social.
Tais contribuições são, portanto, chamadas de contribuições previdenciárias. As demais contribuições sociais previstas no art. 195, da CF, podem ser utilizadas em qualquer dos ramos da Seguridade Social.
Nos termos do art. 11, da Lei 8.212/91, no âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social compreende as receitas da União, as receitas das contribuições sociais e as receitas de outras fontes.
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(Esaf – 2012 – Auditor da Receita Federal do Brasil) Sobre o financiamento da seguridade social, assinale a opção incorreta.
a) A sociedade financia a seguridade social, de forma indireta, entre outras formas, por meio das contribuições para a seguridade social incidentes sobre a folha de salários.
b) O financiamento da seguridade social por toda a sociedade revela, entre outros, seu caráter solidário.
c) A seguridade social conta com orçamento próprio, que não se confunde com o orçamento fiscal.
d) O custeio da seguridade social também ocorre por meio de imposições tributárias não vinculadas previamente a tal finalidade.
e) O financiamento da seguridade social também pode ensejar a instituição, pela União, no exercício de sua competência residual, de contribuição específica.
COMENTÁRIOS: A alternativa incorreta é a “a”. É isso mesmo! A forma indireta de financiamento ocorre por meio dos recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Já a forma direta se dá pelas contribuições sociais previstas no art. 195 da CF/88.
Nosso estudo terá por objeto principal o orçamento da Seguridade no âmbito federal. Vamos lá!
1.2. Normas Constitucionais
O art. 195 da Constituição Federal é a principal norma sobre custeio da Seguridade Social. Nele, encontramos as disposições gerais, as regras e princípios cuja compreensão é fundamental para o correto entendimento da matéria.
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Conforme estudamos no tópico anterior, a forma direta de financiamento se dá pelo pagamento das contribuições sociais previstas nos incisos I a IV do citado artigo. Já a forma indireta, por meio dos recursos orçamentários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Também podemos incluir no conceito de financiamento direto da Seguridade Social o pagamento da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, os quais são destinados a financiar o programa de seguro-desemprego e o abono de que trata o § 3º do art. 239 da CF/88.
Art. 239, § 3º, CF: Aos empregados que percebam de empregadores que contribuem para o Programa de Integração Social ou para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, até dois salários mínimos de remuneração mensal, é assegurado o pagamento de um salário mínimo anual, computado neste valor o rendimento das contas individuais, no caso daqueles que já participavam dos referidos programas, até a data da promulgação desta Constituição.
1.2.1 Competência
Nos termos do art. 149 da CF/88, compete exclusivamente à União instituir as contribuições previstas no artigo 195. Deve fazê-lo por meio de lei ordinária. Outras fontes de custeio, que não aquelas previstas nos incisos I a IV do art. 195 da CF/88, podem ser instituídas. Cuida-se de competência residual da União, a qual só pode ser exercida por meio de lei complementar.
Tais contribuições não poderão ter fato gerador ou base de cálculo iguais as das contribuições sociais. Podem, porém, ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de impostos já existentes.
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Para instituir as contribuições dos incisos I a IV do art. 195 da CF/88, basta a promulgação de lei ordinária. Não é necessária lei complementar para tanto. Esta somente é exigida quando da instituição de outras contribuições que não aquelas previstas no art. 195.
1.2.2 Imunidade
Conforme consta da parte final do inciso II do art. 195 da CF, não incidirá contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social.
Amigos, atenção, isso é muito importante! Não haverá contribuição sobre as aposentadorias do RGPS! Porém, para as aposentadorias e pensões concedidas a servidores públicos, haverá tal incidência!
Aposentadorias e pensões o RGPS têm imunidade. Aposentadorias e pensões dos servidores públicos, não!
O § 7º, do art. 195, da CF, dispõe que são isentas de contribuição para a Seguridade Social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
Na realidade, apesar de a Constituição falar em “isenção”, trata-se de imunidade conferida às entidades beneficentes de assistência social.
De acordo com o art. 3º da Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, consideram-se entidades e organizações de assistência social aquelas sem fins
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lucrativos que, isolada ou cumulativamente, prestam atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos pela LOAS, bem como as que atuam na defesa e garantia de direitos.
Para o Supremo Tribunal Federal – STF, o conceito de entidade de assistência social não se aplica às entidades de previdência privada que recebam contribuições dos beneficiários e que, por isso, não são alcançadas pela imunidade.
Súmula 730 do STF: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários
O § 2º, do art. 149, da CF/88, dispõe que não incidirão contribuições sociais, inclusive de seguridade social, sobre as receitas decorrentes de exportação. Porém, o STF decidiu que essa imunidade não alcança o lucro das empresas exportadoras, de maneira que, para elas, há incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (RE 564413/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe 06.12.2010).
1.2.3 Débito com o sistema de seguridade social
A pessoa jurídica em débito com o sistema da Seguridade Social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios (art. 195, §3º, CF).
Dessa maneira, a pessoa jurídica deverá comprovar, se desejar atuar perante o Poder Público, a quitação das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social.
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1.2.4 Alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas
As contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho (art. 195, §9º, CF). Trata-se de importante regra constitucional que materializa o princípio da isonomia, da capacidade contributiva e da equidade na forma de participação no custeio. Tem por vistas beneficiar as pequenas empresas e as que geram muitos postos de trabalho.
Refere-se à progressividade das alíquotas em razão de determinados critérios: a) da atividade econômica; b) da utilização intensiva de mão de obra; c) do porte da empresa; d) da condição estrutural do mercado de trabalho.
Assim, por exemplo, as microempresas e empresas de pequeno porte têm reduzido o montante a ser recolhido no Simples Nacional.
1.2.5 Anterioridade e anterioridade nonagesimal
De acordo com o princípio da anterioridade, o tributo não poderá ser cobrado no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que o instituiu ou aumentou, conforme art. 150, III, b, da CF. Esse princípio não se aplica às contribuições sociais, as quais podem ser cobradas no mesmo exercício financeiro em que foram instituídas ou majoradas.
Para as contribuições sociais, aplica-se a chamada anterioridade nonagesimal, pois, conforme § 6º, do art. 195, as contribuições sociais só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b".
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Portanto, muita atenção! Para as contribuições sociais, aplica-se o princípio da anterioridade nonagesimal ou mitigada.
(Esaf – 2005 – Auditor da Receita Federal do Brasil – Área Tributária e Aduaneira) Com relação às contribuições sociais, no âmbito da seguridade social, é correto afirmar:
a) As contribuições sociais, de que trata o art. 195 da CF/88, só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
b) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após decorridos cento e oitenta dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
c) São isentas de contribuição para a seguridade social todas as entidades de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei complementar.
d) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da assinatura da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
e) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser criadas e exigidas após decorridos noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
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COMENTÁRIOS: A alternativa correta é a “a”, pois transcreve a regra contida
no §6º do art. 195 da CF/88. A “b” erra ao dizer que o prazo é de 180 dias; na
realidade, são noventa! A “c” erra ao dizer as exigências são fixadas lei complementar; na verdade, conforme o §7º do art. 195 da CF/88, são fixadas em lei. A “d” erra ao mencionar “assinatura” da lei; na realidade, conforme contido no §6º do art. 195 da CF, o correto é “publicação”. A “e” erra ao dizer que as contribuições sociais somente poderão ser criadas após noventa dias; na verdade, a Constituição diz que somente poderão ser exigidas após noventa dias.
1.2.6 Precedência da fonte de custeio
Segundo esse princípio, também conhecido por Princípio da Preexistência, Contrapartida ou Antecedência da Fonte de Custeio, nenhum benefício ou serviço da Seguridade Social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total (art. 195, §5, CF).
O objetivo desse princípio é garantir uma gestão responsável da Seguridade Social, pois a criação de benefícios e serviços exige a existência prévia de recursos públicos, devendo o respectivo ato instituidor indicar expressamente a respectiva fonte de custeio, para que seja mantida a correspondência entre despesas e receitas públicas.
Segundo o STF, o princípio da prévia fonte de custeio somente diz respeito à seguridade social financiada por toda a sociedade, sendo alheio às entidades de previdência privada (RE 583687 AgR, de 29/03/2011, 2ª Turma).
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(Esaf – 2009 – Auditor da Receita Federal do Brasil) A respeito do financiamento da Seguridade Social, nos termos da Constituição Federal e da legislação de custeio previdenciária, assinale a opção correta.
a) A pessoa jurídica em débito com o sistema de seguridade social pode contratar com o poder público federal.
b) Lei ordinária pode instituir outras fontes de custeio além das previstas na Constituição Federal.
c) Podem-se criar benefícios previdenciários para inativos por meio de decreto legislativo.
d) As contribuições sociais criadas podem ser exigidas noventa dias após a publicação da lei.
e) São isentas de contribuição para a seguridade social todas entidades beneficentes de utilidade pública distrital e municipal.
COMENTÁRIOS: A alternativa correta é a “d”, pois trata do princípio da
anterioridade nonagesimal ou mitigada, a qual se aplica às contribuições sociais. A “a” erra ao dizer que a pessoa jurídica em débito com a seguridade
social pode contratar com o Poder Público; na verdade, nos termos do §3º do art. 195 da CF/88, a pessoa jurídica nessa situação, além de não poder contratar com o Poder Público, não poderá receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A “b” está errada por afirmar que lei ordinária pode instituir outras fontes de custeio além daquelas previstas na CF; na realidade, somente lei complementar poderá fazê-lo. A “c” erra ao dizer que os benefícios podem ser criados por decreto legislativo; na realidade, tem de haver lei. A “e” está errada; na verdade, a imunidade é para as entidades beneficentes que atendam às exigências previstas em lei.
1.3. Contribuições da União
Nos termos do art. 16, da Lei 8.212/91, a contribuição da União é constituída
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de recursos adicionais do Orçamento Fiscal, fixados obrigatoriamente na Lei Orçamentária Anual – LOA.
No âmbito federal, a LOA conterá a previsão das receitas e a fixação das despesas que serão realizadas pela União no exercício financeiro – ano civil. Em outras palavras, amigos, a contribuição da União consiste em separar recursos adicionais do Orçamento Fiscal e encaminhá-los, conforme previsão na LOA, ao Orçamento da Seguridade Social – OSS.
Na hipótese de insuficiências financeiras da Seguridade Social, a União será a responsável pela cobertura, quando decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários. É o que dispõe o parágrafo único, do art. 16, da Lei 8.212/91:
A União é responsável pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras da Seguridade Social, quando decorrentes do pagamento de benefícios de prestação continuada da Previdência Social, na forma da Lei Orçamentária Anual.
Ou seja, pessoal, a União é o garantidor da Seguridade Social, mas isso somente em relação aos benefícios previdenciários.
Cuidado para não confundir! Notem que o parágrafo citado fala em benefícios de prestação continuada da Previdência Social (aposentadorias, pensões, auxílios), e não da Assistência Social!
De acordo com o art. 19, da Lei 8.212/91, o Tesouro Nacional repassará mensalmente recursos referentes às contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas e sobre a receita de concursos de prognósticos, destinados à execução do Orçamento da Seguridade Social. E sabem por que isso ocorrerá, amigos? Porque as contribuições previdenciárias
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são insuficientes para o pagamento de todos os benefícios do RGPS.
Ainda de acordo com essa Lei, tais recursos também podem ser utilizados para pagamento dos Encargos Previdenciários da União – EPU (desde que na forma da LOA, e assegurada a destinação de recursos para as áreas não contributivas da Seguridade Social, a saber, a Saúde e a Assistência), bem como para custear despesas com pessoal e administração geral do INSS (art. 18).
É preciso cuidado com a redação do art. 18, da Lei 8.212/91. Segundo ele, os recursos provenientes das contribuições previdenciárias também poderiam ser utilizados em despesas com o pessoal e administração geral do INSS. Porém, considerando a proibição contida no art. 167, XI, da CF/88, referidas contribuições somente podem se destinar ao pagamento de benefícios do Regime Geral.
Os Encargos Previdenciários da União compreendem os benefícios de aposentadoria e pensões dos servidores civis e militares da administração direta da União e benefícios concedidos por meio de leis especiais, que são pagos pelo INSS, com recursos da União, aí incluídos, dentre outros, pensão por morte estatutária, aposentadoria excepcional de anistiado e pensão mensal vitalícia por síndrome de talidomida.
1.4. Contribuições sociais
É importante sabermos que, em regra, a competência para instituir as contribuições sociais, nos termos do caput do art. 149 da CF/88, é privativa da União. Porém, consoante o §1º desse mesmo artigo, os Estados, Distrito Federal e Municípios podem instituir contribuição, a ser cobrada de seus servidores, para o custeio de Regime Próprio de Previdência Social.
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Antes de iniciarmos o estudo de cada uma das espécies de contribuições sociais, é preciso destacar alguns pontos fundamentais:
Segundo a classificação comumente aceita, os tributos se dividem em impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. As contribuições sociais possuem natureza jurídica tributária e fazem parte do rol das contribuições especiais;
As contribuições sociais são de Seguridade Social; outras de Seguridade Social, que são aquelas instituídas com fundamento na competência residual do art. 195, §4º, da CF; e sociais gerais, que são as destinadas a tipo de diverso de atuação da União na área social, a exemplo do salário-educação;
As contribuições de Seguridade Social podem, por sua vez, ser subdividas em previdenciárias, destinadas tão somente ao pagamento de benefícios previdenciários e não previdenciárias, direcionadas a qualquer área da Seguridade.
Existe na doutrina outra denominação para as contribuições especiais. Alguns as chamam de contribuições parafiscais. Portanto, se no concurso vier qualquer uma dessas denominações, considere-as como corretas.
Além dessas premissas, precisamos ter em mente que, até o ano de 2004, ao INSS cabia arrecadar, cobrar e fiscalizar as contribuições sociais.
Em 2004, com a criação da Secretaria da Receita Previdenciária – SRP pela Medida Provisória nº 222, posteriormente convertida na Lei 11.098/2005, esta Secretaria passou a ser responsável por tais atribuições, passando o INSS a cuidar apenas da administração dos benefícios do RGPS.
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A SRP, por sua vez, foi extinta quando da criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela Lei 11.457/2007, a qual absorveu todas as atribuições da SRP.
Para finalizar este tópico, é importante sabermos que, nos termos do art. 27 da Lei 8.212/91, constituem outras receitas da Seguridade Social:
I - as multas, a atualização monetária e os juros moratórios;
II - a remuneração recebida por serviços de arrecadação, fiscalização e cobrança prestados a terceiros;
III - as receitas provenientes de prestação de outros serviços e de fornecimento ou arrendamento de bens;
IV - as demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras; V - as doações, legados, subvenções e outras receitas eventuais;
VI - 50% (cinquenta por cento) dos valores obtidos e aplicados na forma do parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal;
VII - 40% (quarenta por cento) do resultado dos leilões dos bens apreendidos pelo Departamento da Receita Federal;
VIII - outras receitas previstas em legislação específica.
(Esaf – 2009 – Auditor da Receita Federal do Brasil) Além das contribuições sociais, a seguridade social conta com outras receitas. Não constituem outras receitas da seguridade social:
a) as multas.
b) receitas patrimoniais. c) doações.
d) juros moratórios.
e) sessenta por cento do resultado dos leilões dos bens apreendidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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COMENTÁRIOS: A alternativa que não contém outras receitas da seguridade
social é a “e”, uma vez que, nos termos do inciso VII, do art. 27, da Lei 8.212/91, o percentual é de 40% do resultado dos leilões dos bens apreendidos pela RFB e não 60%, conforme consta da alternativa. As demais
estão corretas, nos termos do art. 27 da Lei 8.212/91.
1.4.1 Contribuições sociais previdenciárias
Conforme vimos no início desta aula, as contribuições previdenciárias são as seguintes:
do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;
do trabalhador e dos demais segurados da previdência social.
Assim, de forma resumida, podemos afirmar que todos os segurados do RGPS, bem como a empresa, a entidade equiparada e o empregador doméstico devem, obrigatoriamente, efetuar tais contribuições.
Em regra, as contribuições do segurado têm por base de cálculo o salário de contribuição. A exceção fica por conta do segurado especial, o qual contribui sobre a renda bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, conforme previsão do §8º, do art. 195, da CF/88.
Salário de contribuição é a base de cálculo das contribuições dos segurados, a partir do qual, aplicando-se a alíquota prevista na legislação, obtém-se o valor da contribuição de cada categoria de segurado.
Na aula de hoje, estudaremos as contribuições dos segurados e veremos os conceitos previdenciários de empresa e empregador doméstico.
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1.4.1.1 Empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso
De acordo com o art. 20, da Lei 8.212/91, a contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso são calculadas mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu salário de contribuição mensal, de forma não cumulativa, de acordo com a seguinte tabela:
Salário de contribuição Alíquota em % até R$ 1.556, 94 8,00
de R$ 1.556, 95 até R$ 2.594,92 9,00 de R$ 2.594,93 até R$ 5.189,82 11,00
Notem que as alíquotas são progressivas e levam em conta o valor do salário de contribuição; quanto maior este, maior será a alíquota. Os valores do salário de contribuição serão reajustados na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. A tabela acima está atualizada pela Portaria Interministerial nº 1, de 8 de janeiro de 2016.
Para obtenção do valor da contribuição a ser recolhida para a Previdência Social, por cada segurado, basta multiplicar 8%, 9% ou 11% pelo respectivo salário de contribuição. Por exemplo, Joana é empregada de um supermercado e seu salário de contribuição é de R$ 1.000,00. A contribuição dela para a Previdência será no valor de R$ 80,00 (R$ 1.000,00 x 8%).
O art. 20, da Lei 8.212/91, dispõe que a incidência da alíquota ocorre de forma não cumulativa. Isso significa que incide um único percentual sobre o valor total do salário de contribuição. Como no exemplo citado há pouco, Joana, que recebe R$ 1.000,00, terá descontado de sua remuneração a contribuição previdenciária no valor de R$ 80,00.
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A forma não cumulativa, baseada no total da remuneração, pode produzir distorções. Vamos imaginar que o salário de contribuição de Joana seja de R$ 2.595,00 e que o de Lúcia, sua vizinha, seja de R$ 2.594,00. A tabela ficará da seguinte forma:
Empregada Remuneração Alíquota Contribuição Remuneração Líquida Joana R$ 2.595,00 11% R$ 285,45 R$ 2.309,55 Lúcia R$ 2.594,00 9% R$ 233,46 R$ 2.360,54
Notem que Joana, mesmo tendo remuneração superior, terá rendimento líquido inferior ao de Lúcia.
Isso não ocorreria se o cálculo fosse cumulativo. Neste, haveria o corte, com multiplicação da alíquota em cada faixa de remuneração (até R$ 1.556,94 x
8%; de R$ 1.556,95 até R$ 2.594,92 x 9%; de R$ 2.594,93 até R$ 5.189,82
x 11%), somando-se o resultado para obtenção da contribuição. A forma cumulativa é utilizada para calcular o imposto de renda.
As contribuições dos segurados devem observar o teto do salário de contribuição, que, atualmente, é de R$ 5.189,82. Daquilo que ultrapassar este valor não caberá contribuição pelo segurado.
Sempre que existirem vários vínculos empregatícios, deverá ocorrer a soma das remunerações para fins de enquadramento na tabela do citado art. 20, não podendo ser ultrapassado o limite máximo do salário de contribuição, observando-se as seguintes regras:
Remuneração global igual ou inferior ao limite máximo do salário de contribuição: todas as remunerações recebidas no mês deverão ser somadas e a alíquota será determinada de acordo com a faixa salarial correspondente.
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Por exemplo, Joana trabalha na empresa X, na qual recebe R$ 1.000,00, e na empresa Y, em que recebe R$ 1.600,00. Tendo em vista que o total da remuneração é igual a R$2.600,00, a alíquota a ser aplicada é de 11%. Assim, a contribuição na empresa X será de R$110,00 (R$1.000,00 x 11%), e na empresa Y será de R$176,00 (R$1.000,00 x 11%).
Remuneração global superior ao limite máximo do salário de contribuição: a alíquota aplicável será a de 11%, podendo o segurado escolher a fonte pagadora que descontará a contribuição primeiramente, cabendo às demais realizar o desconto sobre a parcela do salário de contribuição complementar até o limite máximo do salário de contribuição.
Por exemplo, Joana recebe R$ 3.000,00 na empresa X e R$ 3.000,00 na empresa Y. Nesse caso a empresa Y descontará a contribuição que falta para atingir o teto de R$ 5.189,82, ou seja, descontará 11% de R$ 2.189,82. A contribuição total de Joana será de R$ 570,88.
A contribuição do segurado empregado é descontada pela empresa e deve ser recolhida até o dia 20 do mês seguinte.
A do trabalhador avulso portuário é recolhida pelo órgão gestor de mão de obra até o dia 20 do mês seguinte.
Já a do avulso não portuário será descontada pela empresa tomadora de serviços, observando, também, o prazo de até o dia 20 do mês seguinte.
A contribuição do empregado doméstico será descontada pelo empregador doméstico e deve ser recolhida até o dia 7 do mês seguinte.
Em todas essas situações, caso não haja expediente bancário nas datas indicadas, haverá antecipação para o dia útil imediatamente anterior.
Em todas essas situações, o desconto das contribuições será presumido como
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feito pela empresa, pelo empregador doméstico e pelo órgão gestor de mão de obra, estando estes responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou que tiverem descontado em desacordo com a legislação.
Nos termos do art. 168- A do Código Penal, se o responsável não realizar o recolhimento do valor que foi descontado, haverá crime de apropriação indébita previdenciária.
Para finalizar este item, vamos ressaltar que, no caso do trabalhador rural contratado por produtor rural pessoa física por pequeno prazo, entendido este como o período limitado a 2 meses dentro de 1 ano, a contribuição será sempre de 8% sobre o respectivo salário de contribuição. Assim, não se aplica a tabela progressiva de 8%, 9% ou 11%.
Nessa situação, caberá ao produtor rural pessoa física reter a contribuição previdenciária dos segurados a seu serviço até o dia 20 do mês seguinte. Todavia, se o produtor rural for segurado especial, estará obrigado a arrecadar a contribuição até o dia 7 do mês seguinte ao da competência, com antecipação para o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquela data.
De acordo com o art. 32-C, da Lei 8.212/91, o segurado especial responsável pelo grupo familiar que contratar na forma exposta apresentará as informações relacionadas ao registro de trabalhadores, aos fatos geradores, à base de cálculo e aos valores das contribuições devidas à Previdência Social e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS e outras informações de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Previdência Social, do Ministério do Trabalho e Emprego e do Conselho Curador do FGTS, por meio de sistema eletrônico com entrada única de dados, e efetuará os recolhimentos por meio de documento único de arrecadação.
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(Esaf – 2009 – Técnico Administrativo – Receita Federal) Maria Clara, contribuinte empregada pelo Regime Geral de Previdência Social desde 1994, deseja contribuir acima do valor máximo permitido pela previdência social. Assim, propõe na justiça ação contra o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, alegando que tem direito de contribuir acima do limite legal, pois deseja se aposentar com um valor acima do valor máximo pago pelo INSS. Assim, é correto afirmar, perante a legislação previdenciária de Custeio, que o pedido de Maria
a) pode ser aceito, desde que ela contribua até 10% do valor máximo.
b) não pode ser aceito, pois não cabe a Maria a escolha do montante a ser pago.
c) pode ser aceito, desde que ela comprove ter despesas familiares acima do valor máximo.
d) pode ser aceito, pois o pagamento da contribuição social tem natureza jurídica privada de forma contratual.
e) pode ou não ser aceito, dependendo do número de dependentes que ela possua.
COMENTÁRIOS: A alternativa que deve ser marcada é a “b”, pois não
compete ao segurado empregado decidir sobre o valor a ser pago. Tanto as alíquotas, quanto os valores sobre os quais elas serão aplicadas, bem como os valores mínimo e máximo dos salários de contribuição são definidos por normas específicas.
1.4.1.2 Contribuinte individual - CI
De acordo com o art. 21, caput, da Lei 8.212/91, a alíquota de contribuição desse segurado será de 20% sobre o respectivo salário de contribuição.
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Essa é a regra geral quanto aos contribuintes individuais. É geral porque existem situações diferenciadas, a exemplo do contribuinte individual que prestar serviço a uma ou mais empresas.
Nesses casos, o contribuinte poderá deduzir, de sua contribuição mensal, 45% da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a 9% do respectivo salário de contribuição (art. 30, §4º, Lei 8.212/91). Em outras palavras, nas situações em que for possível aplicar referida dedução, a contribuição do contribuinte individual será, na prática, de 11% (20% - 9%). Entretanto, quando se tratar de Entidade Beneficente de Assistência Social (EBAS) imune das contribuições sociais patronais, a alíquota de retenção pela EBAS em relação ao Contribuinte será de 20% do salário de contribuição e não de 11%.
Vale destacar que a redação atual do art. 21, §2º, da Lei 8.212/91 é a seguinte:
No caso de opção pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição, a alíquota de contribuição incidente sobre o limite mínimo mensal do salário de contribuição será de:
I - 11% (onze por cento), no caso do segurado contribuinte individual, ressalvado o disposto no inciso II, que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado e do segurado facultativo, observado o disposto na alínea b do inciso II deste parágrafo;
II - 5% (cinco por cento):
a) no caso do microempreendedor individual, de que trata o art. 18-A da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; e
b) do segurado facultativo sem renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencente a família de baixa renda.
O inciso I acima transcrito traz alíquota reduzida para o contribuinte individual
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que decida excluir o direito à aposentadoria por tempo de contribuição.
Trata-se do Plano Simplificado de Previdência Social, criado pela Lei Complementar 123/2006, com efeitos a partir de abril de 2007 (Decreto 6.042/2007). Esse Plano tem por finalidade promover a inclusão previdenciária e se aplica tão somente ao contribuinte individual, que trabalha por conta própria e que não seja prestador de serviço, e também ao segurado facultativo.
Se houver interesse em computar o tempo para fins de aposentadoria por tempo de contribuição, será necessária a complementação da contribuição mensal, mediante o recolhimento de mais 9% sobre o valor do salário mínimo que serviu de base para o recolhimento, acrescido de juros moratórios. Essa complementação também se aplica para a obtenção de certidão de tempo de contribuição para fins diversos.
O inciso II traz a contribuição de 5% para o microempreendedor individual e para o facultativo de baixa renda. Tal redução foi prevista pela Lei 12.470/2011. Essa alteração atende ao princípio constitucional da universalidade de cobertura e atendimento, contido no inciso I, do parágrafo único, do art. 194, da CF/88.
Também na situação do microempreendedor e do facultativo de baixa renda é possível a complementação (de 15%) para fins de aposentadoria por tempo de contribuição ou para emissão de certidão de tempo de contribuição.
Com o objetivo de consolidar a matéria, vamos observar agora as contribuições do contribuinte individual, tendo em vista diferentes formas de prestação de serviço:
Contribuinte individual que trabalha por conta própria, sem prestar serviço à empresa.
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Neste subitem, podemos mencionar três formas de contribuição: a) alíquota de 20% aplicada sobre o salário de contribuição, com direito à aposentadoria por tempo de contribuição; b) alíquota de 11% aplicada sobre o limite mínimo mensal do salário de contribuição, ou seja, sobre o salário mínimo, com exclusão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição e à certidão de tempo de contribuição; c) alíquota de 5% sobre o limite mínimo mensal do salário de contribuição, ou seja, sobre o salário mínimo, no caso do segurado contribuinte individual enquadrado como microempreendedor individual, com exclusão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição e à certidão de tempo de contribuição. Os recolhimentos devem ocorrer até dia 15, exceto para o microempreendedor, que será no dia 20 (antecipando-se para o dia útil imediatamente anterior, se for o caso).
Contribuinte individual que exerce atividade econômica por conta própria ou presta serviço à pessoa física ou quando ocorrer a situação de brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil seja membro efetivo.
Nessas situações, o CI está obrigado a recolher sua contribuição, por iniciativa própria, até o dia 15 do mês seguinte àquele a que as contribuições se referirem, prorrogando-se o vencimento para o dia útil subsequente quando não houver expediente bancário no dia quinze. São exemplos os eletricistas que fazem reparos nas casas de pessoas físicas; os feirantes que exercem atividade em via pública. Todos eles são responsáveis por suas próprias contribuições.
Nos casos citados neste subitem, como não existe a contribuição do tomador de serviço do contribuinte individual, não será possível a aplicação da dedução prevista no §4º, do art. 30, da Lei 8.212/91. A contribuição será, pois, de 20% sobre o respectivo salário de contribuição, respeitados os limites mínimo e
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máximo deste.
Por fim, vale registar que, nos termos do §15º, do art. 16, do Decreto 3.048/99, é facultado aos segurados contribuinte individual e facultativo, cujos salários de contribuição sejam iguais ao valor de um salário mínimo, optarem pelo recolhimento trimestral das contribuições previdenciárias, com vencimento no dia 15 do mês seguinte ao de cada trimestre civil, prorrogando-se o vencimento para o dia útil subprorrogando-sequente quando não houver expediente bancário no dia quinze.
Contribuinte individual que presta serviços a empresas:
Já estudamos essa situação no começo do tópico. Sobre o tema, vale transcrever o contido no art. 4º, da Lei 10.666/2003:
Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia.
Reiterando o que já vimos: as empresas em geral devem descontar 11% da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço; e a entidade beneficente de assistência social imune das contribuições sociais patronais descontará 20%.
Nos termos do art. 216, § 28, do Decreto 3.048/99, cabe ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do salário de contribuição, comprovar às que sucederem à primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do salário de contribuição.
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Joana, contadora autônoma, prestou serviço, no dia 01/01/2016, à empresa X e recebeu R$ 6.000,00. No dia 29/01/2016, prestou serviço à empresa Y e recebeu R$ 2.000,00. A empresa X deverá descontar da remuneração de Joana o valor de R$ 570,88 (11% do teto – R$ 5.189,82). Assim, sua remuneração líquida será de R$ 5.429,12 (R$ 6.000,00 – R$ 570,88). E deverá fazê-lo, juntamente com a contribuição a seu cargo, até o dia 20/02/2016. Já a empresa Y não é obrigada a fazer nenhum desconto na remuneração de Joana, pois esta, no referido mês, contribui sobre o teto, cabendo-lhe, tão somente, efetuar a contribuição a seu cargo.
Se, no exemplo aqui citado, a remuneração de Joana na empresa X tivesse sido de R$ 5.000,00, a contribuição descontada seria de R$ 550,00 (R$ 5.000,00 x 11%). Na empresa Y, a contribuição descontada seria de R$ 20,88 (11% de R$ 189,22, que é a diferença entre o valor recebido na empresa X e o que falta para atingir o teto de R$ 5.189,82).
Nos termos do §5º, do art. 4º, da Lei 10.666/2003, o contribuinte individual, contratado por pessoa jurídica que deve recolher a contribuição por ele devida, é obrigado a complementar, diretamente, a contribuição até o valor mínimo mensal do salário de contribuição, quando as remunerações recebidas no mês, por serviços prestados a pessoas jurídicas, forem inferiores a este.
Dizendo de forma mais simples, amigos: se o CI auferir remuneração inferior ao salário mínimo deverá complementar sua contribuição aplicando 20% sobre o valor que faltou para atingir aquele salário. Do contrário, não poderá computar tal contribuição para fins de tempo e de carência.
Contribuinte individual que presta serviço por meio de cooperativa de trabalho.
Nos termos do § 31, do art. 216, do Decreto 3.048/99, a cooperativa de
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trabalho é obrigada a descontar 11% do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas e 20% em relação aos serviços prestados a pessoas físicas e recolher o produto dessa arrecadação no dia 20 do mês seguinte ao da competência a que se referir, antecipando-se o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia 20.
Ou seja, amigos, essa espécie de cooperativa, formada, por exemplo, por pessoas da mesma profissão, descontará 11% do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas, e 20% para os serviços prestados a pessoas físicas. Se o tomador de serviços for uma entidade beneficente imune, o desconto também será de 20%.
Cooperado que presta serviços à cooperativa de produção
Essa espécie de cooperativa pode ser definida como a sociedade que, por qualquer forma, detém os meios de produção e seus associados contribuem com serviços para a produção em comum de bens. Oferecem um produto final e não atuam como intermediárias na prestação de serviços de seus cooperados.
A cooperativa de produção é obrigada a descontar 11% da remuneração paga ou creditada aos cooperados envolvidos na produção dos bens ou serviços. O recolhimento ocorrerá, em conjunto com a contribuição a seu cargo, até o dia 20 do mês seguinte ao da competência.
Contribuinte individual que presta serviço a outro contribuinte individual equiparado a empresa ou a produtor rural pessoa física ou a missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeiras.
Nos termos do §3º, do art. 4º, da Lei 10.666/2003, a obrigação de arrecadar a contribuição do contribuinte individual a seu serviço não se aplica ao contribuinte individual equiparado a empresa, ao produtor rural pessoa física, a
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missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.
Nessas situações, o contribuinte individual deverá recolher suas contribuições por conta própria até o dia 15 do mês seguinte ao da competência. De acordo com o § 20, do art. 216, do Decreto 3.048/99, o CI poderá deduzir, da sua contribuição mensal, 45% da contribuição patronal do contratante, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que este lhe tenha pago ou creditado, no respectivo mês, limitada a 9% do respectivo salário-de-contribuição.
Para finalizar o item, vamos destacar a situação do condutor autônomo de veículo rodoviário e do auxiliar deste. De acordo com o §11, incluído pela Lei 13.202/2015 no artigo 28, da Lei 8.212/91, considera-se remuneração do contribuinte individual que trabalha como condutor autônomo de veículo rodoviário, como auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei no 6.094, de 30 de agosto de 1974, como operador de trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados, o montante correspondente a 20% (vinte por cento) do valor bruto do frete, carreto, transporte de passageiros ou do serviço prestado, observado o limite máximo do salário de contribuição, que é atualmente é de R$ 5.189,82.
Assim, por exemplo, se o valor do frete for de R$ 10.000,00, considera-se como remuneração do condutor o valor de R$ 2.000,00, correspondentes a 20% dos R$ 10.000,00. A base de cálculo será, portanto, os R$ 2.000,00 auferidos a título de remuneração, e a contribuição previdenciária será de R$ 400,00 (20% x R$ 2.000,00).
No mês em que não for paga nem creditada remuneração, ou não houver retribuição financeira pela prestação de serviço, os segurados contribuintes individuais poderão, por ato volitivo, contribuir facultativamente para a Previdência Social.
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Por fim, nas situações em que o CI também exerça atividade de empregado, empregado doméstico ou trabalhador avulso, a contribuição incidirá sobre a soma das remunerações. Caso ainda não se tenha atingido o teto, a contribuição do segurado incidirá sobre as demais remunerações oriundas da atividade de CI, até atingir o limite máximo do salário de contribuição.
(Esaf – 2012 – Analista Tributário da Receita Federal) Avalie as afirmações abaixo e marque a opção correspondente:
I. a empresa é desobrigada a arrecadar a contribuição do contribuinte individual;
II. a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso;
III. contribuinte individual, quando exercer atividade econômica por conta própria é obrigado a recolher sua contribuição, por iniciativa própria, até o dia quinze do mês seguinte àquele a que as contribuições se referirem.
a) As duas primeiras afirmações são corretas, e errada a outra. b) A primeira afirmação é correta, sendo erradas as demais. c) As três afirmações são corretas.
d) A primeira afirmação é errada, sendo corretas as demais. e) As três afirmações são erradas.
COMENTÁRIOS: A alternativa a ser marcada é a “d”, pois apenas a assertiva
I está errada, sendo corretas as demais. O erro consiste em dizer que a
empresa está desobrigada a arrecadar a contribuição do contribuinte individual. Na verdade, conforme art. 30, I, b, da Lei 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição correspondente a 11% sobre o salário de contribuição do contribuinte individual e recolher até o dia 20 do mês seguinte.
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1.4.1.3 Segurado facultativo
Então, pessoal, chegamos ao segurado facultativo, cujas características e regras já foram estudadas na aula anterior. Gostaria apenas de enfatizar que a filiação como facultativo resulta de ato de vontade própria, sendo possível somente se não exercer atividade que o enquadre como segurado obrigatório do RGPS.
Há três formas de contribuição para o segurado facultativo:
Alíquota de 20%, se desejar ter direito à aposentadoria por tempo de contribuição. O valor do salário de contribuição será aquele por ele declarado, respeitados o limite mínimo de um salário mínimo mensal e o máximo de R$ 5.189,82.
Alíquota de 11%, se optar por excluir o direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Nesse caso, os 11% incidirão sobre o valor do salário mínimo, ou seja, amigos, o facultativo que opte pela alíquota reduzida está adstrito ao valor de R$ 880,00, que é o salário mínimo atualmente vigente;
Alíquota de 5%, para o segurado facultativo sem renda própria, que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, pertencente à família de baixa renda e que opte pela exclusão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Considera-se de baixa renda a família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico – cuja renda mensal seja de até 2 salários mínimos.
Essa última redução de alíquota atende ao mandamento constitucional que determina que a lei disponha sobre sistema especial de inclusão previdenciária para atender aos trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda própria
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que se dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a benefícios de valor igual a um salário-mínimo (art. 201, §12, CF/88). A denominada “cláusula de arrependimento” também se aplica aos facultativos. Assim, aqueles que contribuíram com 11% ou 5% e desejaram aposentar-se por tempo de contribuição poderão complementar, mediante pagamento dos juros cabíveis, suas contribuições em 9% e 15%, respectivamente.
De acordo com o art. 5, § 3º, I, da Instrução Normativa RFB 971/2009, poderá contribuir como segurado facultativo o trabalhador afastado temporariamente de suas atividades, desde que não receba remuneração no período de afastamento e não exerça outra atividade que o vincule ao RGPS ou ao RPPS. O prazo para recolhimento das contribuições será o dia 15 do mês seguinte, prorrogando-se para o dia útil imediatamente posterior caso não haja expediente bancário no dia 15. O facultativo poderá, ainda, se seus salários de contribuição forem iguais ou inferiores a um salário mínimo, efetuar o recolhimento trimestral de suas contribuições, com vencimento no dia 15 do mês seguinte ao de cada trimestre.
1.4.1.4 Segurado especial
Segundo o art. 195, § 8º, da CF/88, o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei.
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Dizendo de forma mais simples, amigos, o segurado especial deverá contribuir sobre a receita bruta da comercialização da produção rural. Nos termos dos inciso I e II do art. 25 da Lei 8.212/91, a alíquota dessa contribuição é de 2,1%, sendo 2% para a Seguridade Social e 0,1% para o SAT/RAT (Existe, ainda, uma contribuição de 0,2%, de natureza não previdenciária, paga pelo segurado especial, destinada ao SENAR - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
A utilização desse tipo de contribuição em lugar de um salário de contribuição mensal está ligada à presunção de que esses trabalhadores não possuem rendimento periódico, o que tornaria bastante complexa a tarefa de apurar e cobrar as respectivas contribuições sociais.
Receita bruta da comercialização são os valores recebidos ou creditados em razão da comercialização da produção rural, compreendendo, dentre outros, a receita proveniente de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; de comercialização de artigos de artesanato; de serviços prestados, de equipamentos utilizados e de produtos comercializados no imóvel rural, desde que em atividade turística e de entretenimento desenvolvidas no próprio imóvel; do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra.
RAT – Risco Ambiental do Trabalho, que substitui o antigo SAT – Seguro de Acidente do Trabalho, consiste em um percentual que mede o risco da atividade econômica, a partir da qual é cobrada a contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa (GILL-RAT).
Conforme regra do § 3º, do art. 25, da Lei 8.213/91, também integram a produção, para fins de cálculo das contribuições previdenciárias, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre
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outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos.
Reparem que a base de cálculo desses segurados abrange a maioria das atividades realizadas no campo!
Além da contribuição obrigatória de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização de sua produção rural, o segurado especial, se desejar usufruir de aposentadoria por tempo de contribuição, deverá contribuir, facultativamente, da mesma forma que um contribuinte individual ou facultativo.
A alíquota, nessa situação, será de 20% sobre o salário de contribuição por ele declarado, não podendo ser inferior ao salário mínimo e nem superior ao valor máximo do salário de contribuição do RGPS.
O segurado especial que contribui com alíquota de 20% não deixa de ser segurado especial. Ele não se transforma num contribuinte individual ou num facultativo.
Se optar por contribuir com a alíquota de 20% sobre o salário de contribuição
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declarado, o segurado especial deverá contribuir, também, com a alíquota de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização de sua produção rural. Afinal, ele não deixa de ser um segurado especial!
(Cespe – 2013 – Serpro – Analista – Gestão de Pessoas)
O segurado especial, além da obrigação de contribuir com a alíquota de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, deve contribuir, obrigatoriamente, na forma de segurado contribuinte individual.
COMENTÁRIOS: A assertiva está incorreta. O segurado especial poderá, se assim desejar, contribuir facultativamente da mesma forma que os contribuintes individuais ou os segurados facultativos. Ou seja, não está obrigado a isso.
É importante sabermos, também, os detalhes do recolhimento da contribuição social de 2,1% sobre o salário de contribuição.
Se a venda da produção ocorrer para pessoa jurídica (empresa, por exemplo), esta fica sub-rogada, ou seja, assume a obrigação de recolher a contribuição devida pelo segurado especial até o dia 20 do mês seguinte, nos termos do art. 30, III e IV, da Lei 8.212/91.
Sub-rogação é a substituição de uma pessoa por outra, na mesma relação jurídica. Significa, pois, que a empresa adquirente irá recolher a contribuição devida, em substituição ao segurado especial, descontando-a do valor a ser pago para este.
Por exemplo, Pedro, segurado especial, vendeu sua produção de alface para a empresa Folhas Verde Ltda por R$ 5.000,00. Nesse caso, “Folhas Verde” deverá recolher R$ 105,00 (2,1% X R$ 5.000,00) para os cofres públicos e
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pagará somente R$ 4.895,00 a Pedro. Este, portanto, não precisa recolher nenhum valor para a Previdência Social, pois isso já foi feito pela pessoa jurídica adquirente.
Reparem que esse procedimento contribui para a fiscalização da Receita Federal do Brasil, pois esta, em vez de fiscalizar os próprios segurados especial, que são muitos no país, atuará diretamente sobre as pessoas jurídicas, a exemplo do ocorre com os fornecedores de leite para cooperativas. Nos termos do art. 30, §7º da Lei 8.212/91, a empresa ou cooperativa adquirente, consumidora ou consignatária da produção fica obrigada a fornecer ao segurado especial cópia do documento fiscal de entrada da mercadoria, para fins de comprovação da operação e da respectiva contribuição previdenciária.
Se a venda da produção ocorrer para pessoa física não produtor rural, a fim de que este venda, no varejo, a consumidor pessoa física, também haverá sub-rogação, devendo ser efetuado o recolhimento até o dia 20 do mês seguinte, nos termos do art. 200, §7º II, e art. 216, VI, do Decreto 3.048/99.
Assim, a pessoa física não produtor rural que adquire a produção de segurado especial com a finalidade de revendê-la será o responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária.
Baseados no exemplo anterior, imaginemos que Pedro venda sua produção de alface para Joaquim por R$ 5.000,00 e que este venderá essa hortaliça em sua quitanda para outras pessoas físicas. Nessa situação, Joaquim deverá recolher R$ 105,00 (2,1% X R$ 5.000,00) para os cofres públicos e pagará somente R$ 4.895,00 a Pedro. Este, portanto, não precisará recolher nenhum valor para a Previdência Social, pois isso já foi feito pela pessoa física adquirente.
Se o segurado especial comercializar diretamente sua produção rural no
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varejo com consumidor pessoa física, com outro segurado especial, com produtor rural pessoa física ou no exterior, deverá recolher, por iniciativa própria as contribuições previdenciárias, até o dia 7 do mês seguinte. Uma observação preliminar se faz necessária quanto à comercialização da produção rural no exterior, nos termos do art. 170 da IN RFB 971/2009:
Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplica-se o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior.
Sendo assim, amigos, apesar da referência no art. 30, X, da Lei 8.212/91, saibamos que, para a RFB, não haverá incidência de contribuição sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos.
Feita essa ressalva inicial, vamos seguir: reparem que, nas situações aqui expostas, não existe a figura da sub-rogação! É o próprio segurado especial quem deve recolher suas contribuições!
Vamos imaginar que Pedro tenha resolvido vender suas alfaces diretamente na feira livre da cidade mais próxima de sua casa. Se a produção for vendida por R$ 5.000,00, o próprio Pedro deverá recolher sua contribuição previdenciária no valor de R$ 105,00 (2,1% X R$ 5.000,00) para os cofres públicos.
Existem ainda outras 3 situações em que o segurado especial deverá recolher diretamente suas contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente: a) da comercialização de artigos de artesanato elaborados com matéria-prima produzida pelo respectivo grupo familiar; b) de comercialização de artesanato ou do exercício de atividade artística; c) de serviços prestados, de
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equipamentos utilizados e de produtos comercializados no imóvel rural, nos termos do art. 30, XII, da Lei 8.212/91.
Haverá sub-rogação Não haverá sub-rogação Na venda de produção para pessoa
jurídica adquirente, consumidora ou consignatária.
Na venda de produção para Pessoa física ou outro segurado especial, de forma direta, no varejo.
Na venda de produção para Cooperativa.
Na venda de artesanato. Na venda de produção para pessoa
física não produtor rural para que este venda, no varejo, para consumidor pessoa física.
No exercício de atividade artística e de atividade turística, inclusive hospedagem.
Nos termos do §3º do art. 32-C da Lei 8.212/91, o segurado especial é obrigado a arrecadar as contribuições dos trabalhadores a seu serviço e a recolhê-las até o dia 7 do mês seguinte.
Amigos, não haverá perda da qualidade de segurado especial em função do exercício de atividade rural em período não superior a 120 dias no ano civil, de mandato de vereador no município da atividade rural, de dirigente de cooperativa rural constituída exclusivamente por segurados especiais.
Nessas situações, mesmo com a condição de segurado especial mantida, este está obrigado a contribuir em razão do exercício das atividades citadas.
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O fato gerador da contribuição do segurado especial é a venda da produção, não se caracterizando como tal a simples entrega dos produtos. Em outras palavras, a contribuição obrigatória do segurado especial está vinculada à venda de seus produtos. Se esta não ocorrer, não haverá contribuição.
Para finalizar o assunto, amigos, tenhamos cuidado com um ponto. A concessão dos benefícios previdenciários aos segurados especiais independe da comprovação do recolhimento das aludidas contribuições previdenciárias. A exigência legal é de que haja prova do tempo de exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, igual ao número de meses correspondentes à carência do benefício requerido (Ex: Auxílio-doença – 12 meses de atividade, em regra; Aposentadoria por idade – 180 meses de atividade).
Assim, no nosso conhecido exemplo, Pedro, para se aposentar por idade, não estará obrigado a comprovar as contribuições que tenha efetuado ao longo de sua vida. Precisará, tão somente, demonstrar o exercício de atividade rural por 180 meses e o cumprimento do requisito da idade de 60 anos.