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O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

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O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

Osmair Chamma Junior

12

Professor do Curso de Direito da UNAERP

Pesquisador do Grupo de Estudos UNAERP “Regimes e Modelos Jurídicos,

Econômicos, Ambientais e Internacionais nas Pessoas Jurídicas de Direito

Privado”

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto - Campus Guarujá

[email protected]

Karla Andreia Berni Simionato

3

Professora do Curso de Direito da UNAERP e da UNISANTOS

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto - Campus Guarujá

[email protected]

RESUMO: O presente trabalho faz uma abordagem histórica do Tribunal Penal

Internacional, iniciando-se pelos Tribunais Penais Militares de Nuremberg e Tóquio,

bem como analisa os Tribunais Internacionais para a ex-Iugoslávia e para Ruanda e,

ainda, o Tribunal Especial para Serra Leoa. Examina o Estatuto de Roma buscando

demonstrar que o adotado princípio da complementaridade, não impede a eficácia

da atuação do Tribunal Penal Internacional, desde que respeitada pelos

Estados-Partes a regra de entrega do indivíduo à Corte Internacional. Por fim, faz uma

análise de compatibilidade das regras trazidas no Estatuto de Roma com a

Constituição Federal brasileira, em especial a possibilidade da pena de prisão

perpétua e da entrega de nacional.

PALAVRA-CHAVE: Tribunal Penal Internacional; Estatuto de Roma;

Princípio da Complementaridade; Entrega.

1. Introdução.

O presente artigo traz aos estudiosos do direito uma análise da evolução

histórica do Tribunal Penal Internacional, iniciando-se pelo Tratado de Paz de

Versalhes, assinado após a 1º guerra mundial, e em seguida examina os Tribunais

Penais Militares de Nuremberg e de Tóquio, nascedouro do Tribunal Penal

Internacional.

1

Mestre em Direito pela FADISP. Especialista em Direito pela Universidade Federal de Goiás. Graduado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Promotor de Justiça do Estado de São Paulo. Professor da UNAERP - Campus Guarujá.

2 Este trabalho é fruto de pesquisa gerada pelo Grupo de Pesquisa “Regimes e Modelos Jurídicos, Econômicos, Ambientais e Internacionais nas Pessoas Jurídicas de Direito Privado” do curso de Direito na UNAERP Campus Guarujá.

3

Mestre em Gestão de Negócios pela Universidade Católica de Santos (2006). Gaduada em Ciências Econômicas pela Universidade Católica de Santos (1991). Graduada em Ciências Jurídicas pela Universidade de Ribeirão Preto (2005). Diretora da Vara da Fazenda Pública de São Vicente. Professora titular da Universidade Católica de Santos e UNAERP. Coordenadora do Curso de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Santos.

(2)

Analisa, também, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e o

Tribunal Penal Internacional para Ruanda, bem como o Tribunal Especial de Serra

Leoa, para somente apenas examinar o Estatuto de Roma, assim denominado o

Tribunal Penal Internacional permanente.

O Estatuto de Roma foi analisado sob o enfoque constitucional, em face dos

princípios da complementaridade e da reserva legal, bem como de outras duas

questões relevantes, quais sejam, a possibilidade de prisão perpétua e a entrega de

pessoa nacional à Corte Internacional, visando demonstrar a compatibilidade entre o

Estatuto de Roma e a Constituição Brasileira.

Outro enfoque dado ao Estatuto de Roma foi o penal, com a menção dos

crimes previstos e a observância do citado princípio da reserva legal.

2. Metodologia e objetivos

Será trabalhado por uma perspectiva doutrinária-legal, portanto de natureza

bibliográfica, com nuances empíricos extraídos a partir de análise de casos

particulares noticiados em meios de comunicação. O método será o

dedutivo-subjetivo, já que se passa por uma abordagem inicialmente conceitual para

constatação de problemáticas particulares.

O objetivo deste estudo é analisar as particularidades envolvendo o Tribunal

Penal Internacional à luz de alguns casos e sob o escrutínio dos princípios de direito.

3. Antecedentes Históricos do Tribunal Penal Internacional.

Após uma guerra surge para o vencedor a necessidade de justiça pelos

crimes praticados pelo inimigo. A opinião pública exige a condenação dos

responsáveis pelo sofrimento, destruições, humilhações e atrocidades causadas por

uma guerra.

Entretanto, a punição exigida deve ocorrer pelos meios legais, o que exige a

criação de uma corte penal internacional.

O embrião do Tribunal Penal Internacional permanente foi o Tratado de Paz

de Versalhes, assinado após a 1ª guerra mundial, pelas potências aliadas e pela

Alemanha em 28 de junho de 1919.

O artigo 227 do Tratado de Paz de Versalhes criava um Tribunal Especial

para julgar o ex-imperador Alemão:

As potências aliadas e associadas acusam Guilherme II de Hohenzollern, ex-imperador da Alemanha, por ofensa suprema contra a moral internacional e a autoridade sagrada dos tratados.

Um tribunal especial formado para julgar o acusado, assegurando-lhe garantias essenciais do direito de defesa. Ele será composto por cinco juízes, nomeados por cada uma das potências, a saber: Estados Unidos da América, Grã-Bretanha, França, Itália e Japão.

(3)

O Tribunal julgará com motivos inspirados nos princípios mais elevados da política entre as nações, com a preocupação de assegurar o respeito das obrigações solenes e dos engajamentos internacionais, assim como da moral internacional. Caberá a ele determinar a pena que estimar que deve ser aplicada.

As potências aliadas e associadas encaminharão ao governo dos Países Baixos uma petição solicitando a entrega do antigo imperador em suas mãos para que seja julgado (BAZELAIRE; CRETIN, 2004, pág. 15).

Entretanto, os países baixos, onde se refugiou o Kaiser alemão, se recusam

a entregá-lo, o que ocasionou a não aplicação do artigo 227 do Tratado de Paz de

Versalhes, bem como a não punição de milhares de pessoas suspeitas de crime de

guerra.

Mas mesmo assim, o Tratado de Paz de Versalhes despertou o mundo

jurídico para a necessidade de criação de uma Corte Penal Internacional.

A segunda fase de desenvolvimento do Tribunal Penal Internacional

decorreu com a segunda guerra mundial, ocasionando a criação dos Tribunais

Militares Internacionais de Nuremberg e de Tóquio.

Com a nova guerra, ocorreram novas destruições, humilhações e

atrocidades, particularmente o genocídio dos judeus e a brutalidade da agressão

japonesa ao povo chinês.

Em 08 de agosto de 1945 surge o Estatuto do Tribunal Militar Internacional

de Nuremberg

4

criado pelos Estados Unidos da América, União das Repúblicas

Socialistas Soviéticas, Grã-Bretanha e França.

Algumas regras do Estatuto do TMI de Nuremberg:

1 – Composto por quatro membros, sendo que cada um dos quatro países acima mencionados envia um titular e um suplente (artigo 2º).

2 – A presidência do Tribunal é sucessiva entre os quatro países (rodízio por cada membro do Tribunal para os processos sucessivos) e, em caso de empate, o voto do presidente prevalecerá (artigo 4º).

3 – A competência do Tribunal para julgar os crimes contra a paz, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade (artigo 6º):

a) Crimes contra a paz5 – planejar, preparar, incitar ou contribuir para a guerra de agressão, ou para a guerra em violação aos tratados internacionais, ou participar de um plano comum ou conspiração para a consecução de quaisquer atos de guerra.

4

Artigo 22: a sede permanente do Tribunal será em Berlim, entretanto Nuremberg será o local dos processos, ou outro escolhido pelo Tribunal.

5

(4)

b) Crimes de guerra – violação ao direito e aos costumes de guerra, tais como assassinato, tratamento cruel, deportação de populações civis que estejam ou não em territórios ocupados, para trabalho escravo ou forçado ou para qualquer outro propósito, maus tratos ou assassinato cruel de prisioneiros de guerra ou de pessoas em alto-mar, assassinato de reféns, pilhagem de propriedades públicas ou privadas, destruição arbitrária de cidades, vilas ou lugarejos, ou devastação injustificada por ordem militar. c) Crimes contra a humanidade – assassinato, extermínio, escravidão, deportação ou outro ato desumano contra qualquer membro da população civil, antes ou durante a guerra, ou perseguições baseadas em critérios raciais, políticos e religiosos, na execução ou em conexão com qualquer crime de competência do Tribunal, independentemente se, em violação ou não do direito doméstico do país em que foi perpetrado.

4 – A acusação será feita pelo Ministério Público que será composto por quatro membros indicados por cada um dos signatários (artigo 15).

5 – O devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa são garantidos aos acusados, que podem fazer sua própria defesa ou serem assistidos por advogado (artigo 16 e 24).

6 – O Tribunal poderá impor a pena de morte ou qualquer outra punição que considere justa (artigo 27).

7 – O tribunal poder reconhecer, em caso de condenação de um membro de um grupo ou organização, que a sua organização era criminosa (artigo 9º).

8 – Aplicação do princípio da primazia que significa que a justiça internacional prevalece em relação à justiça nacional (artigo 9º).

Bazelaire e Cretin relatam sobre o primeiro julgamento do Tribunal de

Nuremberg:

A audiência de estréia do tribunal, presidida pelo juiz soviético Iola T. Nikitchencko, ao longo do qual foi interposto o ato de acusação contra os 24 primeiros criminosos nazistas e as seis organizações criminosas, ocorreu em 18 de outubro de 1945 no prédio da Corte Suprema de Berlim (sede do Conselho de Controle Aliado).

O processo dos 24 responsáveis nazistas e das seis organizações dura de 20 de novembro de 1945 a 1º de outubro de 1946, sob a presidência do juiz britânico Geoffrey Lawrence. Em 218 dias de audiência, o tribunal ouve aproximadamente 360 testemunhas, toma conhecimento de cerca de 200 mil atestados escritos sob juramento (affidavits), seja diretamente diante da formação colegiada, seja por intermédio de juízes delegados especialmente incumbidos.

Os acusados, seguidos dos chefes de conjuração contra a paz mundial, de guerra de agressão, de infração às leis e aos costumes da guerra e, enfim, de crimes contra a humanidade, escolhem todos se declaram inocentes. Os veredictos dados são doze condenações à morte, nove á prisão perpétua ou temporária, e três absolvições.

(5)

Os veredictos são dados em 30 de setembro e 1º de outubro de 1946. Em 16 de outubro, os condenados à morte são enforcados no ginásio da prisão de Nuremberg. Seus corpos são em seguida incinerados em crematório de Munique e suas cinzas jogadas em um afluente do rio Isar. A partir de 18 de julho de 1947, os condenados à prisão são transferidos para a prisão dos Aliados em Berlim-spandau reservada aos criminosos de guerra (BAZELAIRE; CRETIN, 2004, pág. 24).

Em 19 de janeiro de 1946 foi aprovada a Carta do Tribunal Militar

Internacional para o Extremo Oriente, com sede permanente em Tóquio. Os

membros do Tribunal são provenientes de 11 nações aliadas: Austrália, Canadá,

China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, índia, Países Baixos, Nova Zelândia,

Filipinas e União Soviética.

Algumas regras da Carta do TMI do Extremo Orientem:

1 – Composto de seis membros no mínimo e onze no máximo (artigo 2º).

2 – O quorum para a reunião do Tribunal é de no mínimo seis juízes e, no caso de empate, o voto do presidente será decisivo (artigo 4º).

3 – A competência do Tribunal para julgar os crimes contra a paz, os crimes contra as convenções da guerra e os crimes contra a humanidade (artigo 5º):

a) Crimes contra a Paz6 – o fato de ter planejado, preparado, desencadeado ou dado continuidade a uma guerra de agressão, declarada ou não, ou a uma guerra violando o direito internacional, os tratados, acordos ou garantias, ou de ter participado em um plano comum ou em um complô visando a cometer um dos atos evocados. b) Crimes contra as Convenções da Guerra – as violações das leis e costumes de guerra.

c) Crimes contra a Humanidade – assassinato, extermínio, escravização, deportação ou outro ato desumano cometido contra qualquer membro da população civil, antes ou durante a guerra, ou perseguições por motivos políticos ou raciais, na execução ou na relação com qualquer crime que recaia na jurisdição do Tribunal, esteja ou não violando a legislação interna do país onde foi perpetrado o crime. Os chefes, os organizadores, provocadores e cúmplices ou em um complô para cometer qualquer um dos crimes enunciados são responsáveis por todos os atos realizados por qualquer pessoa na execução desse plano.

4 – A acusação será feita pelo Chefe do Conselho, sendo que cada uma das nações que estava em guerra com o Japão pode nomear um membro do Conselho para auxiliar o Chefe do Conselho (artigo 8º).

5 – O devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa são garantidos aos acusados, que devem ser assistidos por advogado (artigo 9º a 15).

6 – O Tribunal poderá impor a pena de morte ou qualquer outra pena que considere justa (artigo 16).

6

(6)

7 – Aplicação do princípio da primazia que significa que a justiça internacional prevalece em relação à justiça nacional (artigo 8º).

No tocante ao julgamento do TMI do Extremo Oriente esclarecem Bazelaire

e Cretin:

Cerca de seis meses após a abertura dos processos de Nuremberg, ou seja, em 3 de maio de 1946, o TMI para o Extremo Oriente com sede em Tóquio começa o processo de apenas 28 criminosos de guerra japoneses que são julgados de um total de oitenta detidos na época.

(...)

Dos 28 criminosos de guerra acusados e julgados, dois morrem por causas naturais durante o processo: Yosuke Matsuoka (1946) e Osami Nagano (1947). Um terceiro, Shumei Okawa, é hospitalizado por um problema mental sério desde os primeiros dias do processo. Ele é posto em liberdade em 1948. Os outros 25 são condenados, o tribunal não tendo pronunciado nenhuma absolvição (BAZELAIRE; CRETIN, 2004, pág. 27,31).

Dos 25 condenados, 07 foram condenados à pena de morte por

enforcamento (apenas um dos condenados era civil

– Barão de Koki Hirota), 16

foram condenados à pena de prisão perpétua (alguns foram liberados em 1955, em

razão do contexto político internacional da época

– guerra civil chinesa e guerra fria)

e 03 foram condenados à pena de prisão.

O TMI do Extremo Oriente foi criticado por não ter julgado o imperador

Hirohito, por ter libertado vários prisioneiros de guerra sem julgamento e por não ter

condenado nenhum médico da unidade 731, situada em Pingfan no subúrbio da

cidade chinesa de Harbin (experiências médicas feitas com prisioneiros chineses,

russos e americanos).

4. A Criação do Tribunal Penal Internacional.

A resolução 260, de 09 de dezembro de 1948, da Assembléia Geral das

Nações unidas, que menciona em seu artigo 6º uma Corte Criminal Internacional,

somente se torna realidade 50 anos depois com o Estatuto de Roma, de 1998,

embora anteriormente, tenham sido criados os TPI da ex-Iugoslávia (1993) e o TPI

de Ruanda (1994).

A demora na criação de uma justiça penal internacional foi conseqüência da

guerra fria e, somente após a queda do muro de Berlim é que foi possível a sua

criação.

Após a vigência do Estatuto de Roma, de 1998, foi criado o Tribunal

Especial para Serra Leoa (2002).

(7)

3.1. Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia.

O TPII

– Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia

7

foi criado pela

Resolução 827 do Conselho de Segurança, de 25 de maio de 1993.

A instalação do TPII foi necessária diante da conduta do governo Sérvio no

território da ex-Iugoslávia ao realizar massacres, expulsões e deslocamento de

população visando uma limpeza étnica, primeiro na Croácia e depois na

Bósnio-Herzegovina.

Em 1991, o governo Sérvio destrói a cidade de Vukovar, na Croácia, bem

como parte de sua população. Posteriormente, em 1992 o governo Sérvio faz um

cerco a Sarajevo, capital e maior cidade da Bósnia-Herzegovia, que dura em torno

de três anos e meio. Em meados do ano de 1995, novo massacre, agora na cidade

de Srebrenica, na Bósnia-Herzegovina.

Diante das constantes violações aos direitos humanos pelo governo Sérvio,

o Conselho de Segurança das Nações Unidas estabelece o Tribunal Penal

Internacional para a ex-Iugoslávia.

Entretanto, a credibilidade do TPII não foi imediata, ela apenas ocorreu

durante a guerra de Kosovo

– 1998/1999 (região do território Sérvio, cuja grande

maioria da população era de origem albanesa), quando da incriminação do

governante Sérvio Slobodan Milosevic em plena guerra.

O TPII foi implantado em Haia, na Holanda (artigo 31), para julgar os

responsáveis pelas violações ao direito internacional humanitário, ocorridos no

território da ex-Iugoslávia, a partir de 1991 (artigo 1º).

Algumas regras do TPII:

1 - O TPII é composto de duas Câmaras de 1ª Instância e uma Câmara de Recurso, sendo que cada Câmara de 1ª Instância é composta por 03 juízes e a Câmara de Recursos é composta por 05 juízes. Os juízes são originários de Estados diferentes e eleitos pela Assembléia Geral das Nações Unidas (artigos 11 a 13).

2 - A Tribunal é competente para julgar:

a) Violações Graves às Convenções de Genebra de 19498 (artigo 2º).

7

A antiga república socialista da Iugoslávia era formada pelos territórios da Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bósnia-Herzegovina, sendo que no ano de 1991 ocorreu a separação das quatro últimas repúblicas.

8

São quatro convenções: a) convenção para a melhoria do destino dos feridos e doentes nas Forças Armadas no campo; b) Convenção para a melhoria da sorte dos feridos, doentes e náufragos das Forças Armadas no mar; c) Convenção relativa ao tratamento dos prisioneiros de guerra; e d) Convenção relativa à proteção dos civis em tempo de guerra. As convenções são complementadas por dois protocolos adicionais: a) Primeiro Protocolo Adicional - relativo à proteção das vítimas dos conflitos armados internacionais e b) Segundo Protocolo Adicional – relativo à proteção das vítimas dos conflitos armados não-interrnacionais.

(8)

b) Violações das Leis ou dos Costumes de Guerra (artigo 3º).

c) Genocídio (artigo 4º).

d) Crimes contra a Humanidade (artigo 5º).

4 – A acusação será feita pelo Procurador, que é um órgão distinto e independente do Tribunal. A nomeação do Procurador será feita pelo Conselho de Segurança (artigo 16).

5 – O devido processo, o contraditório e a ampla defesa são garantidos aos acusados, inclusive do direito de defesa técnica (artigo 21).

6 – O TPII poderá impor pena de prisão (artigo 24), além de ordenar a restituição de bens e recursos adquiridos por meios ilícitos.

7 – As línguas de trabalho do Tribunal Internacional serão o inglês e o francês (artigo 33).

3.2. Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

O TPIR

– Tribunal Penal Internacional para Ruanda foi criado pela

Resolução 955 do Conselho de Segurança, de 08 de novembro de 1994.

Ruanda é um país na áfrica dividido por duas etnias, os Hutus e os Tutsis.

Em 06 de abril de 1994 o avião que transportava o Presidente de Ruanda, Juvénal

Habyarimana, de origem Hutu, foi abatido. O crime foi imputado pela milícia Hutu e

pela guarda presidencial aos Tutsis e aos Hutus oposicionistas (Hutus moderados).

Em decorrência, Ruanda conheceu, entre abril e julho de 1994, um genocídio cujo

número de mortos chegou a quase um milhão.

Diante do relatório dos especialistas da Comissão de Direitos Humanos da

ONU afirmando o caráter programado e sistemático do genocídio, o Conselho de

Segurança das Nações Unidas estabelece o Tribunal Penal Internacional de

Ruanda.

O TPIR foi implantado em Arusha, na Tanzânia (artigo 31), para julgar os

responsáveis por violações graves de direito internacional humanitário, ocorridas em

Ruanda e nos países vizinhos, no período de 1º janeiro e 31 de dezembro de 1994

(artigo 1º).

Algumas regras do TPIR:

1 - O TPIR é composto de duas Câmaras de 1ª Instância e uma Câmara de Recurso, sendo que cada Câmara de 1ª Instância é composta por 03 juízes e a Câmara de Recursos é composta por 05 juízes. Os juízes são originários de Estados diferentes e eleitos pela Assembléia Geral das Nações Unidas (artigos 10 a 12).

2 - A Tribunal é competente para julgar: a) Genocídio (artigo 2º).

b) Crimes contra a Humanidade (artigo 3º).

c) Violações do artigo 3º comum às Convenções de Genebra e ao Segundo Protocolo Adicional (artigo 4º). 4 – A acusação será feita pelo Procurador, que é um órgão distinto e independente do Tribunal. O Procurador do TPII

(9)

exercerá as funções de Procurador do TPIR, podendo contar com auxílio de um Procurador-Adjunto (artigo 15). 5 – O devido processo, o contraditório e a ampla defesa são garantidos aos acusados, inclusive do direito de defesa técnica (artigo 20).

6 – O TPII poderá impor pena de prisão (artigo 23), além de ordenar a restituição de bens e recursos adquiridos por meios ilícitos.

7 – As línguas de trabalho do Tribunal Internacional serão o inglês e o francês (artigo 31).

3.3. Tribunal Especial para Serra Leoa.

O Estatuto do Tribunal Especial para Serra Leoa foi criado em 2002, por um

acordo entre as Nações Unidas e o governo da Serra Leoa, com o fim de

responsabilizar as graves violações da lei humanitária internacional e da lei

serra-leonesa, ocorridas desde 30 de novembro de 1996 (anterior ao Estatuto de Roma,

de 1998), cuja guerra civil durou mais de dez anos e causou a morte de mais de

quatrocentas mil pessoas. Entretanto, o Tribunal Especial foi instalado apenas no

ano de 2004, em Freetown, capital de Serra Leoa, sendo que no ano de 2006 foi

transferido para Haia.

O Tribunal Especial se tornou público por julgar o ex-Presidente da Libéria

(1997 a 2003), Charles Taylor, acusado de ter cometido crimes de guerra, contra a

humanidade e outras graves violações das leis internacionais, bem como por ter

financiado o grupo rebelde de Serra Leoa, Frente Revolucionária Unida, associado

ao Conselho Revolucionário das Forças Armadas, sendo que embora a acusação

tenha ocorrido em meados do ano de 2003, o julgamento apenas se iniciou em 29

de março de 2006, com a entrega do ex-Presidente que se refugiou na Nigéria.

Foram condenados pelo Tribunal Especial para Serra Leoa Alex Tamba

Brima e Santigie Borbor Kanu, cada um deles, a 50 anos de prisão e Brima Kamara

a 45 anos de prisão. Os três culpados eram originalmente soldados do governo de

Serra Leoa, mas deixaram o Exército e passaram a integrar um grupo rebelde

chamado Conselho Revolucionário de Forças Armadas (CRFA), que ajudou a

derrubar o presidente Ahmed Kabbah, em 1997

9

.

5. O Estatuto de Roma (Corte Penal Internacional Permanente).

Em 17 de julho de 1998 a ONU adota o Estatuto de Roma da Corte Penal

Internacional (CPI). A aprovação do Tribunal teve 120 votos favoráveis, 07 votos

contrários (Estados Unidos, Filipinas, China, Índia, Israel, Sri Lanka e Turquia) e 21

abstenções.

Entretanto, para entrar em vigor é necessário, ao menos, que 60 Estados

acabem aderindo ao Tribunal Penal Internacional, o que ocorre em 11 de abril de

2002, sendo que o Tratado entrou em vigor em 1º de julho de 2002.

9

(10)

No Brasil, o Estatuto de Roma foi promulgado pelo Presidente da República,

por força do Decreto nº 4.338, de 25 de setembro de 2002.

A Corte Penal Internacional é uma instituição permanente que tem jurisdição

sobre as pessoas responsáveis pelos crimes de maior gravidade com alcance

internacional, sendo ela complementar (princípio da complementaridade) as

jurisdições penais nacionais (artigo 1º), cuja sede será em Haia, nos Países Baixos

(artigo 3º).

4.1. Princípio da Complementaridade.

A justiça penal internacional não tem primazia sobre a nacional, ela é

complementar, conforme se depreende do disposto no artigo 1º: O Tribunal será

uma instituição permanente, com jurisdição sobre as pessoas responsáveis pelos

crimes de maior gravidade com alcance internacional, de acordo com o presente

Estatuto, e será complementar às jurisdições penais nacionais.

Deste modo, a atuação do Tribunal Penal Internacional apenas estará

legitimado para agir, em caso de inércia do órgão jurisdicional nacional, conforme se

vê do disposto no artigo 17:

1. Tendo em consideração o décimo parágrafo do preâmbulo e o artigo 1º, o Tribunal decidirá sobre a não admissibilidade de um caso se:

a) O caso for objeto de inquérito ou de procedimento criminal por parte de um Estado que tenha jurisdição sobre o mesmo, salvo se este não tiver vontade de levar a cabo o inquérito ou o procedimento ou, não tenha capacidade para o fazer;

b) O caso tiver sido objeto de inquérito por um Estado com jurisdição sobre ele e tal Estado tenha decidido não dar seguimento ao procedimento criminal contra a pessoa em causa, a menos que esta decisão resulte do fato de esse Estado não ter vontade de proceder criminalmente ou da sua incapacidade real para o fazer;

c) A pessoa em causa já tiver sido julgada pela conduta a que se refere a denúncia, e não puder ser julgada pelo Tribunal em virtude do disposto no parágrafo 3º do artigo 2010;

d) O caso não for suficientemente grave para justificar a ulterior intervenção do Tribunal.

2. A fim de determinar se há ou não vontade de agir num determinado caso, o Tribunal, tendo em consideração as garantias de um processo eqüitativo reconhecidas pelo

10

Artigo 20.3. O Tribunal não poderá julgar uma pessoa que já tenha sido julgada por outro tribunal, por atos também punidos pelos artigos 6º, 7º ou 8º, a menos que o processo nesse outro tribunal: a) Tenha tido por objetivo subtrair o acusado à sua responsabilidade criminal por crimes da competência do Tribunal; ou

b) Não tenha sido conduzido de forma independente ou imparcial, em conformidade com as garantias de um processo eqüitativo reconhecidas pelo direito internacional, ou tenha sido conduzido de uma maneira que, no caso concreto, se revele incompatível com a intenção de submeter a pessoa à ação da justiça.

(11)

direito internacional, verificará a existência de uma ou mais das seguintes circunstâncias:

a) O processo ter sido instaurado ou estar pendente ou a decisão ter sido proferida no Estado com o propósito de subtrair a pessoa em causa à sua responsabilidade criminal por crimes da competência do Tribunal, nos termos do disposto no artigo 5º;

b) Ter havido demora injustificada no processamento, a qual, dadas as circunstâncias, se mostra incompatível com a intenção de fazer responder a pessoa em causa perante a justiça;

c) O processo não ter sido ou não estar sendo conduzido de maneira independente ou imparcial, e ter estado ou estar sendo conduzido de uma maneira que, dadas as circunstâncias, seja incompatível com a intenção de levar a pessoa em causa perante a justiça;

3. A fim de determinar se há incapacidade de agir num determinado caso, o Tribunal verificará se o Estado, por colapso total ou substancial da respectiva administração da justiça ou por indisponibilidade desta, não estará em condições de fazer comparecer o acusado, de reunir os meios de prova e depoimentos necessários ou não estará, por outros motivos, em condições de concluir o processo.

Com isto, observa-se que existe uma presunção relativa em favor dos

Estados nacionais, que serão aqueles que, em um primeiro momento, estarão

legitimados para agir, em caso de prática de algum crime previsto no Estatuto

(JPIASSÚ, 2004, p. 171).

Bazelaire e Cretin apresentação a seguinte crítica pela adoção do princípio

da complementaridade, em vez do princípio da primazia:

Essas disposições fazem prevalecer a justiça penal dos Estados sobre a justiça penal internacional em uma área que acolhe, entretanto, o assentimento da comunidade internacional e que representa o símbolo da reprovação universal dos crimes mais graves. Assim, essas disposições retiram da CPI boa parte de seu poder simbólico ao situá-la em posição de subordinação em relação à vontade dos Estados que mantêm o poder e não perdem a sua soberania, a não ser depois de ter consentido caso a caso (BAZELAIRE; CRETIN, 2004, pág. 98).

Esse aspecto do Estatuto da CPI demonstra uma incoerência fundamental

entre a sua universalidade declarada e o controle da situação pelos Estados. A CPI

deverá certamente gerir essa fraqueza a partir do momento em que ela entrar em

atividade. A norma internacional que se ergue

– em princípio, acima dos interesses

estreitos das nações

– vai se esforçar muito para punir os ‘inimigos de todo a

humanidade’.

4.2. Princípio da Reserva Legal.

A análise do princípio da reserva legal se faz necessária, já que os Tribunais

de Nuremberg e do Extremo Oriente foram criticados por terem violado o

mencionado princípio.

(12)

O Estatuto de Roma tratou do princípio da reserva legal, em seus artigos 22

a 24.

O princípio do “nullum crimen sine lege” foi estabelecido no artigo 22:

1. Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, nos termos do presente Estatuto, a menos que a sua conduta constitua, no momento em que tiver lugar, um crime da competência do Tribunal.

2. A previsão de um crime será estabelecida de forma precisa e não será permitido o recurso à analogia. Em caso de ambigüidade, será interpretada a favor da pessoa objeto de inquérito, acusada ou condenada.

3. O disposto no presente artigo em nada afetará a tipificação de uma conduta como crime nos termos do direito internacional, independentemente do presente Estatuto.

O princípio da “nulla poena sine lege” foi tratado no artigo 23: Qualquer

pessoa condenada pelo Tribunal só poderá ser punida em conformidade com as

disposições do presente Estatuto.

Entretanto, as penas não foram estabelecidas nos tipos penais trazidos nos

artigos 5º a 8º, mas sim no artigo 77 que diz:

1. Sem prejuízo do disposto no artigo 11011, o Tribunal pode impor à pessoa condenada por um dos crimes previstos no artigo 5º do presente Estatuto uma das seguintes penas: a) Pena de prisão por um número determinado de anos, até ao limite máximo de 30 anos; ou

b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o justificarem,

2. Além da pena de prisão, o Tribunal poderá aplicar:

11

Artigo 110.1. O Estado da execução não poderá libertar o recluso antes de cumprida a totalidade da pena proferida pelo Tribunal.

2. Somente o Tribunal terá a faculdade de decidir sobre qualquer redução da pena e, ouvido o condenado, pronunciar-se-á a tal respeito,

3. Quando a pessoa já tiver cumprido dois terços da pena, ou 25 anos de prisão em caso de pena de prisão perpétua, o Tribunal reexaminará a pena para determinar se haverá lugar a sua redução. Tal reexame só será efetuado transcorrido o período acima referido.

4. No reexame a que se refere o parágrafo 3º, o Tribunal poderá reduzir a pena se constatar que se verificam uma ou várias das condições seguintes:

a) A pessoa tiver manifestado, desde o início e de forma contínua, a sua vontade em cooperar com o Tribunal no inquérito e no procedimento;

b) A pessoa tiver, voluntariamente, facilitado a execução das decisões e despachos do Tribunal em outros casos, nomeadamente ajudando-o a localizar bens sobre os quais recaíam decisões de perda, de multa ou de reparação que poderão ser usados em benefício das vítimas; ou

c) Outros fatores que conduzam a uma clara e significativa alteração das circunstâncias suficiente para justificar a redução da pena, conforme previsto no Regulamento Processual;

5. Se, no reexame inicial a que se refere o parágrafo 3º, o Tribunal considerar não haver motivo para redução da pena, ele reexaminará subseqüentemente a questão da redução da pena com a periodicidade e nos termos previstos no Regulamento Processual.

(13)

a) Uma multa, de acordo com os critérios previstos no Regulamento Processual;

b) A perda de produtos, bens e haveres provenientes, direta ou indiretamente, do crime, sem prejuízo dos direitos de terceiros que tenham agido de boa fé.

É de se salientar que, embora o Estatuto de Roma tenha previsto a pena de

prisão perpétua, criou a regra de reexame obrigatório desta pena, após o

cumprimento de 25 anos (art. 110.3) e, caso não haja modificação da pena, deverá

haver reexame periódico, conforme regra do artigo 110.4.

Por fim, tratou-se do princípio da irretroatividade da lei penal, salvo para

beneficiar o réu, em seu artigo 24:

1. Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, de acordo com o presente Estatuto, por uma conduta anterior à entrada em vigor do presente Estatuto. 2. Se o direito aplicável a um caso for modificado antes de proferida sentença definitiva, aplicar-se-á o direito mais favorável à pessoa objeto de inquérito, acusada ou condenada.

4.3. Os Crimes no Estatuto de Roma.

O Estatuto de Roma tipificou quatro espécies de delitos que a corte penal

internacional terá competência para julgar, são eles: crime de genocídio, crimes

contra a humanidade, crime de guerra e crime de agressão (art. 5º).

O crime de genocídio está previsto no artigo 6º, que diz:

Entende-se por genocídio qualquer um dos atos que a seguir se enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal:

a) Homicídio de membros do grupo;

b) Ofensas graves à integridade física ou mental de

membros do grupo;

c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida com

vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial;

d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos

no seio do grupo;

e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro

grupo.

Os crimes contra a humanidade são trazidos no artigo 7º:

Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crime contra a humanidade", qualquer um dos atos seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque:

a) Homicídio; b) Extermínio; c) Escravidão;

(14)

e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física

grave, em violação das normas fundamentais de direito internacional;

f) Tortura;

g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição

forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável;

h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser

identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3º, ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal;

i) Desaparecimento forçado de pessoas; j) Crime de apartheid;

k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que

causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental.

Para efeitos do parágrafo 1º:

a) Por "ataque contra uma população civil" entende-se

qualquer conduta que envolva a prática múltipla de atos referidos no parágrafo 1º contra uma população civil, de acordo com a política de um Estado ou de uma organização de praticar esses atos ou tendo em vista a prossecução dessa política;

b) O "extermínio" compreende a sujeição intencional a

condições de vida, tais como a privação do acesso a alimentos ou medicamentos, com vista a causar a destruição de uma parte da população;

c) Por "escravidão" entende-se o exercício, relativamente a

uma pessoa, de um poder ou de um conjunto de poderes que traduzam um direito de propriedade sobre uma pessoa, incluindo o exercício desse poder no âmbito do tráfico de pessoas, em particular mulheres e crianças;

d) Por "deportação ou transferência à força de uma

população" entende-se o deslocamento forçado de pessoas, através da expulsão ou outro ato coercivo, da zona em que se encontram legalmente, sem qualquer motivo reconhecido no direito internacional;

e) Por "tortura" entende-se o ato por meio do qual uma dor

ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são intencionalmente causados a uma pessoa que esteja sob a custódia ou o controle do acusado; este termo não compreende a dor ou os sofrimentos resultantes unicamente de sanções legais, inerentes a essas sanções ou por elas ocasionadas;

f) Por "gravidez à força" entende-se a privação ilegal de

liberdade de uma mulher que foi engravidada à força, com o propósito de alterar a composição étnica de uma população ou de cometer outras violações graves do direito internacional. Esta definição não pode, de modo algum, ser interpretada como afetando as disposições de direito interno relativas à gravidez;

g) Por "perseguição'' entende-se a privação intencional e

(15)

internacional, por motivos relacionados com a identidade do grupo ou da coletividade em causa;

h) Por "crime de apartheid" entende-se qualquer ato

desumano análogo aos referidos no parágrafo 1º, praticado no contexto de um regime institucionalizado de opressão e domínio sistemático de um grupo racial sobre um ou outros grupos nacionais e com a intenção de manter esse regime;

i) Por "desaparecimento forçado de pessoas" entende-se a

detenção, a prisão ou o seqüestro de pessoas por um Estado ou uma organização política ou com a autorização, o apoio ou a concordância destes, seguidos de recusa a reconhecer tal estado de privação de liberdade ou a prestar qualquer informação sobre a situação ou localização dessas pessoas, com o propósito de lhes negar a proteção da lei por um prolongado período de tempo.

O Estatuto de Roma, em seu artigo 8º lista os crimes de guerra:

Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crimes de guerra":

a) As violações graves às Convenções de Genebra, de 12

de Agosto de 1949, a saber, qualquer um dos seguintes atos, dirigidos contra pessoas ou bens protegidos nos termos da Convenção de Genebra que for pertinente:

i) Homicídio doloso;

ii) Tortura ou outros tratamentos desumanos, incluindo as

experiências biológicas;

iii) O ato de causar intencionalmente grande sofrimento ou

ofensas graves à integridade física ou à saúde;

iv) Destruição ou a apropriação de bens em larga escala,

quando não justificadas por quaisquer necessidades militares e executadas de forma ilegal e arbitrária;

v) O ato de compelir um prisioneiro de guerra ou outra

pessoa sob proteção a servir nas forças armadas de uma potência inimiga;

vi) Privação intencional de um prisioneiro de guerra ou de

outra pessoa sob proteção do seu direito a um julgamento justo e imparcial;

vii) Deportação ou transferência ilegais, ou a privação ilegal

de liberdade;

viii) Tomada de reféns;

b) Outras violações graves das leis e costumes aplicáveis

em conflitos armados internacionais no âmbito do direito internacional, a saber, qualquer um dos seguintes atos:

i) Dirigir intencionalmente ataques à população civil em

geral ou civis que não participem diretamente nas hostilidades;

ii) Dirigir intencionalmente ataques a bens civis, ou seja

bens que não sejam objetivos militares;

iii) Dirigir intencionalmente ataques ao pessoal, instalações,

material, unidades ou veículos que participem numa missão de manutenção da paz ou de assistência humanitária, de acordo com a Carta das Nações Unidas, sempre que estes tenham direito à proteção conferida aos civis ou aos bens civis pelo direito internacional aplicável aos conflitos armados;

iv) Lançar intencionalmente um ataque, sabendo que o

mesmo causará perdas acidentais de vidas humanas ou ferimentos na população civil, danos em bens de caráter civil ou prejuízos extensos, duradouros e graves no meio

(16)

ambiente que se revelem claramente excessivos em relação à vantagem militar global concreta e direta que se previa;

v) Atacar ou bombardear, por qualquer meio, cidades,

vilarejos, habitações ou edifícios que não estejam defendidos e que não sejam objetivos militares;

vi) Matar ou ferir um combatente que tenha deposto armas

ou que, não tendo mais meios para se defender, se tenha incondicionalmente rendido;

vii) Utilizar indevidamente uma bandeira de trégua, a

bandeira nacional, as insígnias militares ou o uniforme do inimigo ou das Nações Unidas, assim como os emblemas distintivos das Convenções de Genebra, causando deste modo a morte ou ferimentos graves;

viii) A transferência, direta ou indireta, por uma potência

ocupante de parte da sua população civil para o território que ocupa ou a deportação ou transferência da totalidade ou de parte da população do território ocupado, dentro ou para fora desse território;

ix) Dirigir intencionalmente ataques a edifícios consagrados

ao culto religioso, à educação, às artes, às ciências ou à beneficência, monumentos históricos, hospitais e lugares onde se agrupem doentes e feridos, sempre que não se trate de objetivos militares;

x) Submeter pessoas que se encontrem sob o domínio de

uma parte beligerante a mutilações físicas ou a qualquer tipo de experiências médicas ou científicas que não sejam motivadas por um tratamento médico, dentário ou hospitalar, nem sejam efetuadas no interesse dessas pessoas, e que causem a morte ou coloquem seriamente em perigo a sua saúde;

xi) Matar ou ferir à traição pessoas pertencentes à nação ou

ao exército inimigo;

xii) Declarar que não será dado quartel;

xiii) Destruir ou apreender bens do inimigo, a menos que

tais destruições ou apreensões sejam imperativamente determinadas pelas necessidades da guerra;

xiv) Declarar abolidos, suspensos ou não admissíveis em

tribunal os direitos e ações dos nacionais da parte inimiga;

xv) Obrigar os nacionais da parte inimiga a participar em

operações bélicas dirigidas contra o seu próprio país, ainda que eles tenham estado ao serviço daquela parte beligerante antes do início da guerra;

xvi) Saquear uma cidade ou uma localidade, mesmo

quando tomada de assalto;

xvii) Utilizar veneno ou armas envenenadas;

xviii) Utilizar gases asfixiantes, tóxicos ou outros gases ou

qualquer líquido, material ou dispositivo análogo;

xix) Utilizar balas que se expandem ou achatam facilmente

no interior do corpo humano, tais como balas de revestimento duro que não cobre totalmente o interior ou possui incisões;

xx) Utilizar armas, projéteis; materiais e métodos de

combate que, pela sua própria natureza, causem ferimentos supérfluos ou sofrimentos desnecessários ou que surtam efeitos indiscriminados, em violação do direito internacional aplicável aos conflitos armados, na medida em que tais armas, projéteis, materiais e métodos de combate sejam objeto de uma proibição geral e estejam incluídos em um anexo ao presente Estatuto, em virtude de uma alteração

(17)

aprovada em conformidade com o disposto nos artigos 121 e 123;

xxi) Ultrajar a dignidade da pessoa, em particular por meio

de tratamentos humilhantes e degradantes;

xxii) Cometer atos de violação, escravidão sexual,

prostituição forçada, gravidez à força, tal como definida na alínea f) do parágrafo 2º do artigo 7º, esterilização à força e qualquer outra forma de violência sexual que constitua também um desrespeito grave às Convenções de Genebra;

xxiii) Utilizar a presença de civis ou de outras pessoas

protegidas para evitar que determinados pontos, zonas ou forças militares sejam alvo de operações militares;

xxiv) Dirigir intencionalmente ataques a edifícios, material,

unidades e veículos sanitários, assim como o pessoal que esteja usando os emblemas distintivos das Convenções de Genebra, em conformidade com o direito internacional;

xxv) Provocar deliberadamente a inanição da população

civil como método de guerra, privando-a dos bens indispensáveis à sua sobrevivência, impedindo, inclusive, o envio de socorros, tal como previsto nas Convenções de Genebra;

xxvi) Recrutar ou alistar menores de 15 anos nas forças

armadas nacionais ou utilizá-los para participar ativamente nas hostilidades;

c) Em caso de conflito armado que não seja de índole

internacional, as violações graves do artigo 3º comum às quatro Convenções de Genebra, de 12 de Agosto de 1949, a saber, qualquer um dos atos que a seguir se indicam, cometidos contra pessoas que não participem diretamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto armas e os que tenham ficado impedidos de continuar a combater devido a doença, lesões, prisão ou qualquer outro motivo:

i) Atos de violência contra a vida e contra a pessoa, em

particular o homicídio sob todas as suas formas, as mutilações, os tratamentos cruéis e a tortura;

ii) Ultrajes à dignidade da pessoa, em particular por meio de

tratamentos humilhantes e degradantes;

iii) A tomada de reféns;

iv) As condenações proferidas e as execuções efetuadas

sem julgamento prévio por um tribunal regularmente constituído e que ofereça todas as garantias judiciais geralmente reconhecidas como indispensáveis.

d) A alínea c) do parágrafo 2º do presente artigo aplica-se

aos conflitos armados que não tenham caráter internacional e, por conseguinte, não se aplica a situações de distúrbio e de tensão internas, tais como motins, atos de violência esporádicos ou isolados ou outros de caráter semelhante;

e) As outras violações graves das leis e costumes aplicáveis

aos conflitos armados que não têm caráter internacional, no quadro do direito internacional, a saber qualquer um dos seguintes atos:

i) Dirigir intencionalmente ataques à população civil em

geral ou civis que não participem diretamente nas hostilidades;

ii) Dirigir intencionalmente ataques a edifícios, material,

unidades e veículos sanitários, bem como ao pessoal que esteja usando os emblemas distintivos das Convenções de Genebra, em conformidade com o direito internacional;

(18)

iii) Dirigir intencionalmente ataques ao pessoal, instalações,

material, unidades ou veículos que participem numa missão de manutenção da paz ou de assistência humanitária, de acordo com a Carta das Nações Unidas, sempre que estes tenham direito à proteção conferida pelo direito internacional dos conflitos armados aos civis e aos bens civis;

iv) Atacar intencionalmente edifícios consagrados ao culto

religioso, à educação, às artes, às ciências ou à beneficência, monumentos históricos, hospitais e lugares onde se agrupem doentes e feridos, sempre que não se trate de objetivos militares;

v) Saquear um aglomerado populacional ou um local,

mesmo quando tomado de assalto;

vi) Cometer atos de agressão sexual, escravidão sexual,

prostituição forçada, gravidez à força, tal como definida na alínea f do parágrafo 2º do artigo 7º;

esterilização à força ou qualquer outra forma de violência sexual que constitua uma violação grave do artigo 3º comum às quatro Convenções de Genebra;

vii) Recrutar ou alistar menores de 15 anos nas forças

armadas nacionais ou em grupos, ou utilizá-los para participar ativamente nas hostilidades;

viii) Ordenar a deslocação da população civil por razões

relacionadas com o conflito, salvo se assim o exigirem a segurança dos civis em questão ou razões militares imperiosas;

ix) Matar ou ferir à traição um combatente de uma parte

beligerante;

x) Declarar que não será dado quartel;

xi) Submeter pessoas que se encontrem sob o domínio de

outra parte beligerante a mutilações físicas ou a qualquer tipo de experiências médicas ou científicas que não sejam motivadas por um tratamento médico, dentário ou hospitalar nem sejam efetuadas no interesse dessa pessoa, e que causem a morte ou ponham seriamente a sua saúde em perigo;

xii) Destruir ou apreender bens do inimigo, a menos que as

necessidades da guerra assim o exijam;

f) A alínea e) do parágrafo 2º do presente artigo aplicar-se-á

aos conflitos armados que não tenham caráter internacional e, por conseguinte, não se aplicará a situações de distúrbio e de tensão internas, tais como motins, atos de violência esporádicos ou isolados ou outros de caráter semelhante; aplicar-se-á, ainda, a conflitos armados que tenham lugar no território de um Estado, quando exista um conflito armado prolongado entre as autoridades governamentais e grupos armados organizados ou entre estes grupos.

Por fim, os crimes de agressão, entretanto referidos crimes não foram

definidos pelo Estatuto de Roma, conforme se observa do disposto no artigo 5º, § 2º:

O Tribunal poderá exercer a sua competência em relação ao crime de

agressão desde que, nos termos dos artigos 121e 123, seja aprovada uma

disposição em que se defina o crime e se enunciem as condições em que o Tribunal

terá competência relativamente a este crime. Tal disposição deve ser compatível

com as disposições pertinentes da Carta das Nações Unidas.

(19)

O Tribunal Penal Internacional terá competência para julgar os crimes acima

mencionados se ocorridos após a entrada em vigor do Estatuto de Roma (art. 11.1),

sendo que os crimes de competência da Corte não prescrevem, conforme regra do

artigo 29.

4.4. Composição do Tribunal Penal Internacional

O Estatuto de Roma traz a composição do Tribunal em seu artigo 34, o qual

será composto pelos seguintes órgãos: a) A Presidência; b) Uma Seção de

Recursos, uma Seção de Julgamento em Primeira Instância e uma Seção de

Instrução; c) O Gabinete do Procurador; d) A Secretaria.

O Tribunal terá em seus quadros 18 juízes, eleitos para um mandato de 09

anos, sem direito à recondução, sendo que o Presidente e o Vice-Presidente do

Tribunal serão eleitos pela maioria absoluta dos juízes. Os juízes não poderão ter a

mesma nacionalidade.

A Procuradoria será um órgão independente do Tribunal, responsável pela

investigação e pela produção da acusação, sendo que a Procuradoria será

composta por um Procurador-Geral e um ou mais Procuradores Adjuntos de

nacionalidade diversas. O mandato do Procurador será de 05 anos, sendo admitida

a recondução.

A secretária, responsável pela função administrativa, será composta de um

secretário e um secretário adjunto.

Por fim, as línguas oficiais do Tribunal são o inglês, o árabe, o chinês, o

espanhol, o francês e o russo, enquanto que as línguas de trabalho do Tribunal são

o inglês e o francês, conforme regra do artigo 50.

4.5. A Entrega.

O Estatuto de Roma dispõe que os Estados Partes devem cooperar

plenamente com o Tribunal, durante a fase de investigação, bem como durante a

fase processual para os crimes sob a sua jurisdição (art. 86).

A cooperação inclui a entrega de pessoas ao Tribunal (art. 89), sendo que o

Estatuto de Roma não faz diferença entre nacionais e não nacionais.

É de se salientar que a entrega de nacional (brasileiro) ao Tribunal Penal

Internacional não viola o artigo 5º, LI, da CF, já que a entrega não se confunde com

a extradição de brasileiros, que é vedada pela Constituição Federal.

Vejamos. A extradição (entrega de um indivíduo por um Estado a outro)

seria a entrega de uma pessoa foragida de outro Estado, no qual ela estava

respondendo a processo ou já tinha sido condenada, em decorrência de violação

das leis internas do país solicitante. No Brasil, a extradição fica adstrita à aceitação

de reciprocidade, sendo que é vedada a extradição de brasileiros, salvo

naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de

(20)

comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e de drogas afins, na

forma da lei.

Já a entrega prevista no Estatuto de Roma não se refere à entrega de

nacional para outro Tribunal estrangeiro, mas sim para uma jurisdição penal

internacional, da qual o Brasil é signatário, ou seja, para outro órgão julgador que

engloba a jurisdição nacional.

6. A Constituição Federal de 1988 e o Estatuto de Roma de 1998.

Questão que surge é se Estatuto de Roma, promulgado pelo Brasil por meio

do Decreto nº 4.338, de 25 de setembro de 2002 está em consonância ou não com

Constituição Federal e demais leis internas.

Sob esse aspecto, apenas se faz necessária à análise do Estatuto de Roma

em relação à previsão da pena de prisão perpétua, já que a Constituição Federal é

expressa no tocante à proibição desta pena, em seu artigo 5º, XLVII, b.

Não há divergência entre o Estatuto e a Constituição Federal, uma vez que a

proibição trazida pela Constituição de 1988 é voltada para os crimes previstos nas

leis penais brasileiras (ordem interna), não se refere aos crimes afetos a jurisdição

penal internacional.

Não se pode aceitar a corrente de que o Estatuto de Roma viola a

Constituição Federal, pois o Estatuto regula os crimes ligados à jurisdição penal

internacional e não interna, como acima mencionado e segundo pelo fato de que o

artigo 120 do Estatuto não admite reservas para a adesão.

7. Considerações Finais.

As duas grandes guerras causaram sofrimento, destruição, humilhações e

atrocidades, mas também foram responsáveis pela criação de uma justiça

internacional, visando coibir futuros atentados e violações aos direitos humanos.

A criação de um Tribunal Penal Internacional é a demonstração de que a

sociedade internacional se uniu para combater as graves violações de direitos

humanos praticada na maioria das vezes por aqueles deveriam defendê-los, os

chefes de Estados.

Embora os maiores violadores dos direitos humanos tenham votado contra a

aprovação do Estatuto de Roma, a vitória da humanidade é inconteste, já que se

deu um grande passo para a busca da paz e proteção dos direitos humanos, diante

da sua aprovação, e só o tempo poderá falar sobre sua eficácia.

Outra vitória do Estatuto de Roma foi a não inclusão da pena de morte,

medida de pura vingança, que infelizmente foi aplicada pelos Tribunais Penais

Militares de Nuremberg e Tóquio, a qual não foi suficiente para apagar as cicatrizes

das duas grandes guerras, e muito menos para inibir novas violações dos direitos

humanos.

(21)

Ainda no tocante a prisão, nem se alegue que a previsão da pena de prisão

perpétua viola os direitos humanos, uma vez que o Estatuto foi expresso em permitir

sua revisão após 25 anos e, em caso de denegação da revisão, permite-se o

reexame periódico. Além do mais, não há violação da Constituição Federal

brasileira, já que a vedação constitucional refere-se aos crimes que violam a ordem

interna, enquanto que o Estatuto de Roma refere-se aos crimes afetos a justiça

penal internacional.

Embora tal conclusão contrarie os juristas de plantão, é de se salientar que

não se pode enxergar o Estatuto de Roma ou qualquer outro tratado internacional

que o Brasil é signatário, apenas na parte que beneficia o indivíduo (réu), ele deve

ser aceito no todo, pois não se pode esquecer que os direitos humanos englobam

não só a proteção do indivíduo, mas também e principalmente a proteção da

sociedade, uma vez que não é razoável prevalecer a proteção de um (violador de

direitos da humanidade) em detrimento de todos (humanidade).

Outro ponto importante do Estatuto de Roma refere-se à adoção do princípio

da complementaridade, em vez do princípio da primazia, sob o argumento de que

este princípio violaria a soberania dos Estados-Partes. No entanto, a adoção do

princípio da complementaridade não pode ser motivo impeditivo de eficácia da

justiça penal internacional, na proteção da humanidade contra as graves violações

de direitos humanos, em especial pelo fato do Estatuto de Roma possibilitar a

entrega de indivíduo ao Tribunal.

É de se ponderar que, embora vozes expoentes se levantem contra esta

previsão do Estatuto de Roma, não há que se falar em proibição de sua aplicação no

Brasil, já que a entrega não se confunde com a extradição, pois são institutos

diversos, a primeira é a entrega do indivíduo para a justiça penal internacional da

qual o Brasil é signatário, enquanto que a extradição é a entrega de indivíduo por um

Estado a outro, por violação de norma interna deste outro Estado.

Deste modo, conclui-se que o Estatuto de Roma é um grande avanço da

humidade para a proteção e coibição das violações de direitos humanas, cuja

eficácia depende da efetiva aplicação de suas regras, como ocorreu recentemente

com a instauração de processo com pedido de prisão do Presidente do Sudão,

Omar al-Beshir, em face das acusações de crimes de guerra, crimes contra a

humanidade e de crime de genocídio, que já causaram a morte de mais de 300 mil

pessoas.

8. Referências Bibliográficas.

BAZELAIRE, Jean-Paulo; CRETIN, Thierry. A Justiça Penal Internacional.

São Paulo: Manole, 2004.

BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho.

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(22)

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FERREIRA FILHO. Manoel Gonçalves. Direitos humanos fundamentais. São

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JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional. Rio de

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MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais

– Teoria geral –

Comentários aos artigos 1º a 5º da Constituição da República Federativa do Brasil

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