SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO... 2
2.
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ART. 28-A DO CPP) ... 2
2.1 Conceito ... 2
2.2 Requisitos para propositura do acordo pelo MP ... 3
2.3 Condições que o investigado deverá cumprir no ANPP ... 4
2.4 Homologação do acordo ... 5
2.5 Descumprimento das condições do ANPP pelo investigado ... 5
2.6 Recusa da homologação do ANPP pelo magistrado ... 6
2.7 Recurso para atacar a decisão que recusa o ANPP ... 7
3.
RETROATIVIDADE DO ART. 28-A DO CPP ... 7
4.
QUESTÕES COMENTADAS ... 8
5.
LEGISLAÇÃO CITADA ... 10
1. INTRODUÇÃO
O tema abordado nesta aula será o
Acordo de não persecução penal (ANPP)
, tema intimamente
ligado ao Ministério Público. O ANPP foi criado em 2017 pela Resolução 181 do Conselho Nacional
do Ministério Público e somente em 2019 foi incorporado ao Código de Processo Penal, a partir do
Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019). Conforme veremos a seguir, o
ANPP é instituto que depende
de iniciativa do Ministério Público
, órgão que vai propor o acordo, avaliando sua
necessidade e
suficiência
, com o fim de prevenir e reprimir a infração penal.
2. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ART. 28-A DO CPP)
2.1 Conceito
No acordo de não persecução penal (ANPP), o Ministério Público fará uma proposta ao
investigado (que deve atender a determinados requisitos) e, caso ele aceite, deverá cumprir certas
condições previamente estipuladas. Ao final, com o
cumprimento integral do acordo
, o juízo
competente decretará a
extinção de punibilidade do investigado
. Veja o que preceitua o CPP:
Art. 28-A CPP. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente [...]
O
ANPP impede o prosseguimento da persecução penal
. É firmado entre o Ministério Público
e o investigado, que deve obrigatoriamente estar acompanhado por defensor técnico constituído. A
ampla defesa é obrigatória. Para a propositura do acordo por parte do MP, deverão estar presentes
determinados requisitos. O investigado, que será beneficiado com o acordo, também deverá cumprir
determinadas condições. Contudo, é importante observar que
não há direito público subjetivo ao
oferecimento do ANPP
(veja que a lei falar em “poderá propor ANPP” e não deverá propor).
Isso porque, mesmo que o acusado preencha todos os requisitos, o MP não está obrigado a
oferecer o acordo, que se trata de instituto de justiça consensual ou negocial, à semelhança da
transação penal, suspensão condicional do processo e a colaboração premiada, por exemplo. Esses
institutos não podem ser impostos, não havendo dever ou obrigação de o MP propor os acordos
mencionados. O acordo deve ser pautado em juízo de conveniência e oportunidade, tanto de quem
propõe como de quem aceita. Isso não significa que a atuação do MP é arbitrária, pois
se o membro
do MP não propõe o ANPP, deverá justificar seu ato. A atuação do MP é controlada pelo
próprio investigado
:
Art. 28-A [...] § 14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de não persecução penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão superior, na forma do art. 28 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Entende-se, então, que, no âmbito do
Ministério Público Estadual, essa instância de revisão é o
Procurador Geral de Justiça
, enquanto que, no
Ministério Público Federal, o responsável pela
revisão será a Câmara de coordenação e revisão criminal
. Esses órgãos dão a última palavra
acerca da propositura ou não do ANPP. Há controle interno pela instituição sobre a proposta de
ANPP, não havendo direito público subjetivo.
2.2 Requisitos para propositura do acordo pelo MP
1
Não há motivos para o arquivamento da investigação;
2
O investigado confessou formal e circunstancialmente a prática de infração penal;
3
A infração penal foi praticada sem violência ou grave ameaça;
4
A infração possui pena mínima inferior a 4 anos (para aferição da pena mínima cominada ao delito,
serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso concreto);
5
O acordo é uma medida necessária e suficiente para a reprovação e prevenção do crime.
• Arquivamento: Por óbvio, em casos de arquivamento o MP deverá propor o arquivamento e
não o ANPP. O acordo somente é cabível se houver justa causa para a ação penal.
• Confissão: O ANPP exige a confissão formal e circunstanciada acerca do fato. Diferentemente
da transação penal, que não envolve confissão de culpa. A transação penal é mais benéfica do
que o ANPP, justamente por isso o CPP prevê que não cabe ANPP se for cabível a transação
penal
1.
• Sem violência ou grave ameaça: refere-se à pessoa e não à coisa
2. Se a violência for contra a
coisa o ANPP será cabível.
A doutrina discute se cabe ANPP nos crimes culposos. Alguns
entendem que cabe, pois a violência não se deu na ação do agente e sim no resultado
3.
1Art. 28-A [...] § 2º, CPP: O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses: I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
2Enunciado nº 23, da PGJ/CAOCRIM/MP-SP: “É cabível acordo de não persecução penal em infraçõescometidas com violência contra a coisa, devendo-se interpretar a restrição do caput do art. 28-A do CPP como relativa a infrações penais praticadas com grave ameaça ou violência contra a pessoa.”
3Enunciado 24 do Grupo Nacional de Coordenadores de Centro de Apoio Criminal: “É cabível o acordo de não persecução penal nos crimes culposos com resultado violento, uma vez que nos delitos desta natureza
Membro do MP
não propõe ANPP
(art. 28-A, § 14,
CPP)
Acusado pode requerer
remessa dos autos ao
órgão superior, para
que decida sobre a
questão
Órgão superior no
MPE: Procurador Geral
de Justiça
Órgão superior no
MPF: Câmara de
coordenação e revisão
criminal
Outros entendem que não é cabível, pois o ANPP não seria instituto suficiente para
reprovação e prevenção do crime
. A avaliação da pertinência e o cabimento do acordo
devem aquilatar o caso concreto.
• Pena mínima inferior a quatro anos: se houver causas especiais de aumento ou diminuição
de pena deverão incidir, como prevê o § 1º do art. 28-A:
Art. 28-A [...] § 1º CPP: Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere o caput deste artigo, serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso concreto.
A ideia é que a pena mínima seja 4 anos;
havendo causas especiais de aumento de pena,
incidirá a majorante em patamar mínimo e havendo causas especiais de diminuição da
pena, a minorante incidirá em patamar máximo
. E se houver concurso de crimes
(formal, material ou crime continuado)?
Concurso material
Somar as penas mínimas.
Concurso formal
Aplicar uma pena, incidindo uma majorante em fração mínima.
Crime continuado
• O ANPP deve ser medida necessária e suficiente para a reprovação e prevenção do
crime: isso porque se trata de instituto de política criminal do Estado. O juiz não tem controle
sobre este requisito do ANPP.
2.3 Condições que o investigado deverá cumprir no ANPP
O acordo de não persecução penal envolve o cumprimento das seguintes condições ajustadas
cumulativa e alternativamente:
1
reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;
2
renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos,
produto ou proveito do crime;
3
prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima
cominada ao delito diminuída de 1/3 a 2/3, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma
do art. 46 do CP;
4
pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do CP, a entidade pública ou de
interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função
proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou
5
cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que
proporcional e compatível com a infração penal imputada.
a conduta consiste na violação de um dever de cuidado objetivo por negligência, imperícia ou imprudência, cujo resultado é involuntário, não desejado e nem aceito pela agente, apesar de previsível”.
A ideia é que
é possível cumular as condições 1 a 3 ou com a condição 4 ou com a condição 5.
Além disso, existem outras condições, pois o § 2º prevê que mesmo se preenchidos os requisitos do
caput, não caberá o ANPP nesses casos:
Art. 28-A [...] § 2ºCPP: O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses:
I - Se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei; II - Se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas;
III - Ter sido o agente beneficiado nos 5 anos anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; e
IV - Nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor.
A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de certidão de
antecedentes criminais ou reincidência
4, exceto em um banco de dados específico para se impedir que
esse mesmo investigado tenha acesso a um novo acordo no período de 5 anos (art. 28-A, § 2º, III).
2.4 Homologação do acordo
Se preenchidos os requisitos o MP propõe o acordo, que será aceito pelo investigado na presença
de defensor técnico, sendo assinado por todos e encaminhado ao Juiz. É a partir daqui que ocorre a
atuação judicial, apenas para fins de homologação do acordo em audiência
, quando o juiz ouvirá
o acusado e seu defensor.
O CPP não fala na presença do membro do MP nessa audiência,
contudo entende-se que a intimação do MP para o ato é obrigatória, mas a efetiva presença do
membro será facultativa.
Ao ouvir o investigado o juiz está buscando confirmar a voluntariedade e a legalidade do ANPP.
O juiz poderá seguir dois caminhos em relação ao ANPP:
homologar
ou
recusar o acordo
. Caso o
juiz decida homologar o acordo, devolverá os autos ao MP, para que inicie sua execução perante o
juízo da execução penal
5. Se o agente
cumprir a integralidade do acordo
a consequência prática
será de
extinção da punibilidade
6.
2.5 Descumprimento das condições do ANPP pelo investigado
Por outro lado, em caso de
descumprimento do ANPP por parte do investigado
, serão adotadas
as providências previstas nos §§ 10 e 11, seguindo-se a persecução penal:
4Art. 28-A [...] § 12 CPP: A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do § 2º deste artigo.(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
5Art. 28-A [...] § 6º Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução perante o juízo de execução penal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
6Art. 28-A [...] § 13 CPP. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo competente decretará a extinção de punibilidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 28-A [...] § 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia.
§ 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado também poderá ser utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o eventual não oferecimento de suspensão condicional do processo.
Além disso, o descumprimento do acordo permite que o MP utilize a confissão formal e
circunstanciada que foi prestada pelo agente, mas somente para fim de início da ação penal, não serve
como meio de prova, não podendo ser utilizada pelo juiz para condenar o réu. O juiz deverá interrogar
novamente o acusado em juízo.
2.6 Recusa da homologação do ANPP pelo magistrado
Quando o Juiz percebe que não é possível manter o acordo, ele pode recusar a homologação na
própria audiência. Mas a recusa também pode ocorrer de forma posterior/diferida, quando o juiz nota
que não é caso de recusar o acordo desde já, sendo possível mantê-lo, nesse caso devolve o acordo ao
MP para que discuta com o investigado novamente:
Art. 28-A [...] § 5º Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições dispostas no acordo de não persecução penal, devolverá os autos ao Ministério Público para que seja reformulada a proposta de acordo, com concordância do investigado e seu defensor.
§ 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta que não atender aos requisitos legais ou quando não for realizada a adequação a que se refere o § 5º deste artigo.
Recusa de plano
Recusa posterior/diferida
Proposta que não atender aos requisitos legais
Se a proposta não for reformulada (§ 5º).
Descumprimento
do ANPP pelo
investigado
Retomada da
Persecução
Penal
MP deverá comunicar ao juízo, para
fins de sua rescisão e posterior
oferecimento de denúncia
O descumprimento também poderá ser utilizado pelo MP como
justificativa para o eventual não oferecimento de suspensão
condicional do processo
O descumprimento também permite que o MP utilize a confissão
prestada pelo investigado no ANPP para iniciar a ação penal
Sempre que houver a recusa da homologação, em qualquer dos casos,
o juiz devolverá os autos
ao Ministério Público para a análise da necessidade de complementação das investigações ou o
oferecimento da denúncia.
2.7 Recurso para atacar a decisão que recusa o ANPP
No art. 28-A do CPP não está previsto o recurso para atacar a recusa do ANPP, mas é cabível o
recurso em sentido estrito, conforme o art. 581, inciso XXV, do CPP, inserido pelo pacote anticrime
7.
3. RETROATIVIDADE DO ART. 28-A DO CPP
•
É possível que o art. 28-A retroaja para atingir infrações penais praticadas antes do
pacote anticrime?
SIM, pois o art. 28-A do CPP énorma processual mista ou híbrida, pois
trata de processo e de direito penal material (extinção da punibilidade), sendo, inclusive, mais
benéfica ao agente. Antes, na Resolução 181/2017 do CNMP, o cumprimento do ANPP
ensejava o arquivamento da investigação e não uma decisão de mérito. Aqui no art. 28-A a
decisão é de mérito e mais benéfica ao agente.
• A norma retroage independentemente do estágio em que se encontra a persecução penal?
Existe discussão doutrinária e jurisprudencial sobre o tema.
Vem preponderando na
doutrina, no STJ e no STF a corrente que sustenta que é possível o ANPP para fatos
anteriores ao pacote anticrime até o RECEBIMENTO da denúncia, que marca o
ajuizamento da ação penal
. Depois do recebimento o investigado se torna réu e não há como
oferecer o acordo de não persecução penal. Mas ainda há intensa discussão na doutrina e na
jurisprudência. Em 2021 a 2ª Turma do STF entendeu em um julgado que seria possível
retroagir até o trânsito em julgado da condenação. O tema é polêmico e atual.
7 Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:XXV - que recusar homologação à proposta de acordo de não persecução penal, previsto no art. 28-A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
4. QUESTÕES COMENTADAS
01 (Delegado de Polícia Federal - CESPE/CEBRASPE – 2021) José, réu primário, foi preso em flagrante acusado de ter praticado crime doloso punível com reclusão de no máximo quatro anos. Na audiência de custódia, o juiz decretou a prisão preventiva de ofício. No entanto, a defesa de José solicitou, em seguida, a reconsideração da decisão, com base no argumento de que a conduta do preso era atípica. O juiz acatou a tese e relaxou a prisão. Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente.
Nessa situação, a primeira decisão do juiz foi regular, já que os tribunais superiores têm admitido, de ofício, a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva durante a audiência de custódia.
( ) Certo ( ) Errado
Comentário: A prisão preventiva está prevista a partir do art. 311 do CPP. A decisão do juiz não foi regular, porquanto a partir do Pacote Anticrime, não é permitido que o juiz decrete a prisão de ofício, necessitando de requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. Inclusive, o informativo 994 do STF é nesse sentido: “A audiência de custódia constitui direito público subjetivo, de caráter fundamental.O que acontece se, injustificadamente, não for realizada a audiência de custódia? Depois da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), não é mais possível que o juiz, de ofício, converta a prisão em flagrante em prisão preventiva (é indispensável requerimento)”. Gabarito: Errado.
02 (FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz Substituto) Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, o
a) Juiz deve decretar a prisão preventiva.
b) curso do prazo prescricional ficará suspenso indeterminadamente.
c) processo ficará suspenso pelo prazo correspondente à pena mínima cominada para a infração.
d) Juiz deverá decretar a revelia e, após a nomeação de advogado dativo, determinar o prosseguimento do feito.
e) Juiz pode determinar a produção das provas concretamente consideradas urgentes.
Comentário:A citação está prevista no artigo 351 e seguintes do CPP, sendo o ato pelo qual o réu toma ciência dos termos da denúncia e da necessidade da sua defesa/resposta, pode ser real, quando o réu recebe a citação, ou ficta, como no caso da citação por edital.Assertiva A: INCORRETA.No caso o juiz poderá decretar a prisão preventiva do acusado, desde que estejam presentes as hipóteses previstas no artigo 312 do Código de Processo Penal.Assertiva B: INCORRETA, o artigo 366 do Código de Processo Penal realmente não faz menção ao prazo de suspensão, mas a súmula 415 do STJ nos traz o entendimento de que “a suspensão do prazo prescricional é regulada pela prazo máximo da pena cominada", nos termos do artigo 109 do Código Penal.AssertivaC: INCORRETA.Não há separação entre o prazo de suspensão da prescrição e do processo, devendo, então, ficar suspenso pelo prazo prescricional máximo previsto no artigo 109 do Código Penal.AssertivaD: INCORRETA.No caso de o réu citado por edital não comparecer e nem constituir advogado, o juiz deverá suspender o processo e o curso do prazo prescricional. A afirmativa traz a hipótese em que o acusado é citado ou intimado pessoalmente e deixa de comparecer sem motivo justificado, ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo, conforme artigo 367 do Código de Processo Penal. AssertivaE: CORRETA.A afirmativa está de acordo com o artigo 366 do Código de Processo Penal, que prevê que no caso de o acusado citado por edital não comparecer em nem constituir advogado, será suspenso o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada de provas consideradas urgentes.
03 (FUNDATEC - 2019 - Prefeitura de Gramado - RS - Advogado) De acordo com o Código de processo Penal, a prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
I. Não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa. II. Não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente.
III. Se submeta à monitoração eletrônica. Quais estão corretas?
a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas I e III.
Comentário: A questão exige o conhecimento do art. 317 e seguintes do CPP. Item I – CORRETO: uma das vedações a concessão da prisão domiciliar à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência é fato de o crime não ter sido cometido com violência ou grave ameaça a pessoa, artigo 318-A, I, do Código de Processo Penal.Item II – CORRETO: outra vedação a concessão da prisão domiciliar à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência é no caso de o crime tiver sido praticado contra seu filho ou dependente, artigo 318-A, II, do Código de Processo Penal.Item III – INCORRETO: Não há referida necessidade de submissão a monitoração eletrônica para que seja concedida a prisão domiciliar à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência.Gabarito: D.
04 Com base no Código de Processo Penal, julgue o item a seguir: Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.
( ) Certo ( ) Errado
Comentário: A questão está correta, exigindo a literalidade do art. 28-A do CPP.
05 Com base no Código de Processo Penal, alterado pela Lei nº 13.964, de 2019, julgue o item a seguir: Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá arquivar o processo.
( ) Certo ( ) Errado
Comentário: A questão está errada, exigindo a literalidade do art. 28-A, § 10 do CPP: § 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia. 06 Com base no Código de Processo Penal, alterado pela Lei nº 13.964, de 2019, julgue o item a seguir: Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução perante o juízo de execução penal.
( ) Certo ( ) Errado
5. LEGISLAÇÃO CITADA
>CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - Reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - Renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou proveito do crime;
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do Código Penal;(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) V -Cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 1º Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere o caput deste artigo, serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso concreto.
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei;
II - Se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 anos anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; e
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a
mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor.
§ 3º O acordo de não persecução penal será formalizado por escrito e será firmado pelo membro do Ministério Público, pelo investigado e por seu defensor.
§ 4º Para a homologação do acordo de não persecução penal, será realizada audiência na qual o juiz deverá verificar a sua voluntariedade, por meio da oitiva do investigado na presença do seu defensor, e sua legalidade.
§ 5º Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições dispostas no acordo de não persecução penal, devolverá os autos ao Ministério Público para que seja reformulada a proposta de acordo, com concordância do investigado e seu defensor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 6º Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução perante o juízo de execução penal.
§ 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta que não atender aos requisitos legais ou quando não for realizada a adequação a que se refere o § 5º deste artigo.
§ 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para a análise da necessidade de complementação das investigações ou o oferecimento da denúncia. § 9º A vítima será intimada da homologação do acordo de não persecução penal e de seu descumprimento.
§ 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado também poderá ser utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o eventual não oferecimento de suspensão condicional do processo.
§ 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do § 2º deste artigo.
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo competente decretará a extinção de punibilidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de não persecução penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão superior, na forma do art. 28 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - relaxar a prisão ilegal; ou
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
§ 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato em qualquer das condições constantes dos incisos I, II ou III do caput do art. 23 do Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento obrigatório a todos os atos processuais, sob pena de revogação. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou que integra organização criminosa armada ou milícia, ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá denegar a liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º A autoridade que deu causa, sem motivação idônea, à não realização da audiência de custódia no prazo estabelecido no caput deste artigo responderá administrativa, civil e penalmente pela omissão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo estabelecido no caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem motivação idônea ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem prejuízo da possibilidade de imediata decretação de prisão preventiva. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 1º A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o). (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º A decisão que decretar a prisão preventiva deve ser motivada e fundamentada em receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4anos;
II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal;
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência;
§ 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida.
§ 2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 23 do Código Penal.
Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre motivada e fundamentada. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 1º Na motivação da decretação da prisão preventiva ou de qualquer outra cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada.
§ 2º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
V - Limitar-se a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI - Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 316. O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva se, no correr da investigação ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.
Parágrafo único. Decretada a prisão preventiva, deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
6. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS
01 (Delegado de Polícia CivilPC/PA -INSTITUTO AOCP – 2021) Considerando a seguinte situação hipotética: Denunciado por peculato contra a Câmara dos Vereadores de Ananindeua-PA, Sicrano compareceu à audiência judicial para celebrar acordo de não persecução penal oferecido pelo Ministério Público. Dentre as cláusulas apresentadas, constou que Sicrano deveria cumprir cinco anos de prestação de serviço comunitário e recolher-se em sua residência aos fins de semana por igual prazo de cinco anos. Ao receber o acordo assinado pelas partes, o juiz deve
a) homologar o acordo de não persecução penal e devolver os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução perante o juízo de execução penal.
b) não homologar o acordo de não persecução penal, por considerar insuficientes as condições nele dispostas para prevenção e reprovação ao crime.
c) homologar o acordo de não persecução penal e oficiar ao juízo de execução penal para que as cláusulas sejam proporcionalizadas à pena mínima abstratamente prevista na lei penal.
d) não homologar o acordo de não persecução penal, por considerar abusivas as condições dispostas no acordo de não persecução penal, e devolver os autos ao Ministério Público para que seja reformulada a proposta de acordo, com concordância do investigado e seu defensor.
e) não homologar o acordo de não persecução penal, por julgar cabível o oferecimento de suspensão condicional da pena.
02 (Delegado de Polícia CivilPC/PA -INSTITUTO AOCP – 2021) Acerca das modificações introduzidas pelo chamado “pacote anticrime” ao Código de Processo Penal, assinale a alternativa correta.
a) Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de trinta dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica.
b) O processo penal terá estrutura inquisitória, vedadas a iniciativa do juiz na fase instrutória judicial e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação.
c) Em todos os casos em que policiais civis ou militares forem investigados, deverão ser citados da instauração do procedimento investigatório, podendo constituir defensor no prazo de até quarenta e oito horas a contar do recebimento da citação.
d) Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público deverá impor sigilo ao procedimento.
e) O inquérito policial terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação.
03 (PC/ES - Escrivão de Polícia - INSTITUTO AOCP – 2019) O sujeito que obtém para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, incorre no delito de
a) furto qualificado. b) furto de coisa comum. c) extorsão.
d) dano. e) estelionato.
04 (Estágio – Direito - 2019 - TJ-DFT) Segundo estabelece o CPP, será admitida a decretação da prisão preventiva
a) nos crimes culposos punidos com pena privativa de liberdade máxima de quatro anos. b) nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a oito anos. c) nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. d) nos crimes culposos punidos com pena privativa de liberdade máxima de oito anos.
05 (Oficial do Ministério Público MPE/RJ - FGV - 2019) Buscando concretizar a ideia de que a prisão preventiva somente deve ser decretada em situações excepcionais, o legislador previu uma série de medidas cautelares alternativas à prisão, que devem ser analisadas no momento de se apreciar a necessidade ou não da imposição da medida cautelar extrema.Sobre o tema, de acordo com as previsões do Código de Processo Penal, é correto afirmar que:
a) a suspensão do exercício da função pública poderá ser aplicada como cautelar alternativa diante de justo receio de sua utilização na prática de crimes, mas não da atividade de natureza econômica, sob pena de violação da livre concorrência;
b) a internação provisória poderá ser aplicada se constatado o risco de reiteração e a inimputabilidade do agente, mas somente nos crimes praticados com violência ou grave ameaça à pessoa;
c) a monitoração eletrônica poderá ser aplicada como condição para concessão de prisão albergue domiciliar na execução penal, mas não como medida cautelar alternativa;
d) o descumprimento das medidas cautelares alternativas e medidas protetivas de urgência não é fundamento para justificar a necessidade da prisão preventiva;
e) a proibição de se ausentar da comarca sem informar ao juízo poderá ser aplicada pelo magistrado, mas não poderá haver retenção do passaporte do denunciado.
06 (Investigador PC/ES – INSTITUTO AOCP – 2019) "Flagrante" significa o manifesto, ou evidente, e o ato que se pode observar no exato momento de sua ocorrência. Sobre a prisão em flagrante e suas eventuais conversões, assinale a alternativa correta.
a) A prisão em flagrante é uma modalidade de execução provisória da pena.
b) A prisão em flagrante só pode ocorrer mediante a expedição de mandado judicial prévio que possibilite a identificação e localização do acusado.
c) Sendo modalidade de prisão cautelar, a prisão em flagrante só é cabível em crimes afiançáveis em que a pena abstrata seja superior a 4 anos de privação de liberdade máxima.
d) A prisão em flagrante é a modalidade de prisão cautelar, de natureza administrativa, realizada no instante em que se desenvolve ou termina de se concluir a infração penal (crime ou contravenção penal). e) A prisão em flagrante pode ser convertida em prisão temporária, mas a prisão preventiva só pode advir de decisão judicial fundamentada enquanto estiver solto o acusado.
07 (FGV - 2021 Defensor Público – DPE/RJ) Sobre as alterações trazidas pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), é correto afirmar que:
a) seguindo o anseio legislativo de maior recrudescimento penal, o limite de cumprimento das penas privativas de liberdade poderá alcançar o patamar de quarenta anos, independentemente do momento da prática do delito;
b) ainda que surtam efeitos na execução da pena e, portanto, no sistema carcerário, o crime de roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (Art. 157, §2º-A, I, do Código Penal) passou a ser considerado hediondo;
c) o juiz não poderá receber a denúncia apenas com fundamento nas informações das declarações do réu que realizou a colaboração premiada, mas poderá decretar medidas cautelares reais;
d) a exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá após dez anos do término do cumprimento da pena dos crimes graves contra a pessoa;
e) o cumprimento e/ou rescisão do acordo de não persecução penal é/são causa(s) interruptiva(s) da prescrição.
08 (Escrivão de Polícia PC/ES - INSTITUTO AOCP – 2019) Dar-se-á a formação completa do processo quando
a) oferecida a denúncia. b) recebida a denúncia.
c) apresentada a resposta à acusação. d) citado o acusado.
e) intimado o acusado.
09 (FGV - 2019 - TJ-CE - Técnico Judiciário - Área Judiciária) Mariana, tecnicamente primária e com endereço fixo, foi identificada, a partir de câmeras de segurança, como autora de um crime de furto simples (Pena: 01 a 04 anos de reclusão e multa) em um estabelecimento comercial. O inquérito policial com relatório conclusivo, acompanhado da Folha de Antecedentes Criminais com apenas uma outra anotação referente à ação penal em curso, sem decisão definitiva, foi encaminhado ao Poder Judiciário e, posteriormente, ao Ministério Público. Entendendo que existe risco de reiteração delitiva, já que testemunhas indicavam que Mariana, que se encontrava solta, já teria praticado delitos semelhantes, no mesmo local, em outras ocasiões, poderá o Promotor de Justiça com atribuição requerer que seja:
a) fixada cautelar alternativa de comparecimento mensal em juízo, proibição de contato com as testemunhas, mas não o recolhimento domiciliar no período noturno por ausência de previsão legal; b) fixada cautelar alternativa de proibição de frequentar, por determinado período, o estabelecimento lesado, mas não a decretação da prisão preventiva ou temporária;
c) fixada a cautelar alternativa de internação provisória, que gera detração da pena, mas não a prisão preventiva ou temporária;
d) decretada a prisão temporária da indiciada; e) decretada a prisão preventiva da indiciada.
GABARITO