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Conhecimento de promoção da saúde sob o olhar de travestis

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Academic year: 2021

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Conhecimento de promoção da saúde sob o olhar de travestis

Francisco Antonio da Cruz Mendonça1,2, Sara Rebecca Leonardo Vieira1, Lucélia Da Cunha Mendes1, Karla

Maria Carneiro Rolim2, Henriqueta Ilda Verganista Martins Fernandes3 e Andréa Stopiglia Guedes Braide2

1

Departamento de Enfermagem, Centro Universitário Estácio do Ceará, Brasil. [email protected]; [email protected]; [email protected]

2

Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Universidade de Fortaleza, Brasil. [email protected]; [email protected]

3

Departamento de Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal. [email protected]

Resumo. Objetivou-se analisar o conhecimento de promoção da saúde sob o olhar de travestis de Fortaleza. Estudo qualitativo, realizado com travestis no bairro Centro de Fortaleza, coletado por meio da observação participante e não participante e entrevista semiestruturada, sendo organizados e identificados com base na análise de conteúdo. Os discursos foram elencados em categorias, sendo elas: Significado de promoção da saúde atribuídos por travestis; e Percepção dos métodos utilizados nas modificações corporais. O reconhecimento sobre as necessidades advindas pelos travestis no âmbito da saúde, ao mesmo tempo que favorece a promoção da saúde nos serviços, possibilita a conscientização do público alvo sobre as práticas seguras e vulnerabilidades expostas, fazendo com que os riscos de contaminação diminuam, promovendo, assim, hábitos saudáveis de prevenção e respeito a sua imagem.

Palavras-chave: Homossexualidade; Promoção da saúde; Travestis.

Knowledge of health promotion under the gaze of transvestites

Abstract. This study aimed to analyze the knowledge of health promotion under the gaze of transvestites in Fortaleza. A qualitative study, conducted with transvestites in the center of Fortaleza, collected through participant observation and semi-structured interviews and non-participant, being organized and identified on the basis of content analysis. The speeches were listed in categories, which are: Meaning of health promotion attributed by transvestites; and perception of the methods used in the bodily changes. The recognition of the needs generated by transvestites in the context of health, at the same time that favors the promotion of health services, enables the awareness of the target audience about the safe practices and exposed vulnerabilities, causing the risks of contamination will decrease, thereby promoting healthy habits of prevention and respect their image.

Keywords: Homosexuality; Health promotion; Transvestites.

1 Introdução

Durante décadas, nota-se que a população Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros (LGBT) é marginalizada e um olhar voltado à saúde dessa população se manteve esquecida pela sociedade que a discrimina (Duarte, 2012). Assim, homossexualidade pode ser definida como a orientação sexual que envolve a atração afetivo-sexual entre pessoas do mesmo sexo, permite discutir comportamentos e ações sociais de aceitação (Toniette, 2006).

A figura do travesti afronta o modelo heteronormativo na medida em que rompe com a concepção binária de gênero, a qual estabelece a polarização entre homem e mulher. Socialmente, é atribuída ao travesti a ambiguidade como sendo uma de suas características principais, pois adota uma postura feminina, sem abdicar de seu “lado masculino” (Amorim, Vieira & Brancaleoni, 2018).

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É fato que o público em destaque está sujeito a um grande risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, principalmente aquelas que dependem de programas de sexo para sobreviver, pois trabalha diariamente com diversos clientes que possuem vida sexual desconhecida.

Sabe-se da inexperiência dos profissionais diante de um acolhimento adequado no âmbito da saúde, e devido a questões enraizadas de discriminação e preconceitos está configurado um dos principais problemas enfrentados pela população, o que explica a resistência desse público na procura pelo serviço de saúde.

Sabe-se que que a promoção da saúde procura promover um estilo de vida melhor para o indivíduo por meio de políticas públicas e ações educativas. Intervenções que orientam e conscientizam o público alvo sobre as práticas seguras e vulnerabilidades a que está exposto. Desta forma contribui para a redução dos riscos de contaminação, promoção de hábitos saudáveis que incluem preservação e respeito à sua imagem.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem evidencia os principais fatores de morbimortalidade e reconhece os determinantes sociais que resultam na vulnerabilidade da população masculina aos agravos e situações que comprometem à saúde. Os desafios dessa política é mobilizar a população masculina a lutar e garantir o seu direito social sobre à saúde, e diante dos seus objetivos: promover a atenção integral à saúde do homem nas populações indígenas, negras, quilombolas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (Brasil, 2008).

Assim, faz-se necessário os seguintes questionamentos: qual o significado de promoção da saúde atribuídos por travestis? E quais suas percepções dos métodos utilizados nas modificações corporais? Desse modo, este estudo tem como justificativa identificar as ações e necessidades de promoção da saúde e conhecer saberes constituídos por travestis, por meio da análise e percepção desse público sobre a importância e entendimento do termo promoção da saúde, refletindo acerca dos métodos de alteração no corpo e dificuldades no acesso ao serviço de saúde.

Com isso, este trabalho torna-se relevante ao permitir conhecer a realidade sobre a vivência de travestis e vulnerabilidades expostas, assim lidar com esses indivíduos diante do serviço de saúde, incluindo o exercício social conforme os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

Diante desse contexto, objetivou-se analisar o conhecimento de promoção da saúde sob o olhar de travestis de Fortaleza.

2 Metodologia

Este estudo se adequa a uma investigação descritiva e qualitativa, na medida em que se observa, descreve e qualifica. Para Minayo (2013), a pesquisa qualitativa corresponde a questões muito particulares, pois se preocupa com a realidade que não pode ser quantificada e trabalha vários tipos de análise, como: condições, crenças, valores e atitudes, no qual corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis.

O presente estudo foi realizado no município de Fortaleza/CE, no bairro do centro da cidade, no mês de setembro de 2018. Quanto a escolha do local foi devido à presença constante do público LGBT nas redondezas, além de ser próximo de bares e boates. O ambiente tem baixa iluminação nas ruas e ausência de pessoas caminhando nas calçadas, constituído em sua maior parte de pontos comerciais. Antes da entrevista, procurou-se, estabelecer clima de interação e respeito com os participantes da pesquisa. Em seguida, foi possível apresentar-lhes a pesquisa e os objetivos.

Optou-se por ficar em um local mais reservado devido ao horário noturno, contou-se com a presença de um policial que encontrava-se a paisano, e se disponibilizou a estar conosco, para observar todo o

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movimento, de longe, dentro de um carro, como forma de não se expor e constranger os participantes, além de contribuir com a segurança dos pesquisadores.

Os participantes do estudo foram oito travestis que frequentam as ruas no centro de Fortaleza durante o período noturno, que realizam programas de sexo, e concordaram em participar com a assinatura do termo de consentimento livre esclarecido.

A coleta de dados se deu por meio da observação participante, observação não participante e diário de campo, em entrevista semiestruturada, com questões, tais como: sociodemográficas (idade, estado civil, escolaridade, profissão/ocupação, renda); frequência na busca pelo serviço de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), orientação sexual, mudanças no corpo e métodos utilizados nas modificações corporais, percepção sobre a influência dos mesmos em saúde e conhecimento sobre promoção da saúde.

Para interpretação e análise dos dados, as respostas foram codificadas, em seguida lidas, sucessivamente, para a observação e percepção das convergências contidas, sendo posteriormente analisadas e elencadas por categorias. De acordo com a similaridade de ideias, a partir de análise de conteúdo, segundo a técnica de Bardin (2009).

Após a análise e respostas obtidas, emergiram as seguintes categorias: significado de promoção da saúde atribuídos por travestis; e percepção dos métodos utilizados nas modificações corporais. Foram obedecidos os aspectos éticos que envolvem pesquisa com seres humanos. Os dados foram coletados após a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética do Centro Universitário Estácio do Ceará, sob Parecer 2.906.367, conforme a Resolução N° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.

Com a finalidade de preservar a identidade dos participantes, assegurando-lhes o anonimato, no decorrer do trabalho, foram listados de T1 a T8, adotando como referência a letra (T) para travestis.

3 Resultados e Discussão

Caracterização do local e perfil dos Travestis

Quanto ao ambiente da pesquisa, localizado no centro da cidade, deparou-se com ruas isoladas e com pouca iluminação, embora de fácil acesso, próximo de bares e boates frequentados por esse público. Um certo movimento de carros, motos e buzinas advindos da rua, xingamentos por parte dos motoristas e sem presença de pessoas passando nas calçadas.

A faixa etária dos oito entrevistados, variou de 18 a 39 anos de idade, representando serem jovens. Quanto ao estado conjugal, seis deles solteiros e apenas dois encontravam-se com um parceiro fixo. Em relação à escolaridade, apenas um cursava o nível superior, dois haviam concluído o ensino médio completo, dois com ensino médio incompleto e três não concluíram o ensino fundamental. Destes, dois recebem até seis salários mínimos vigentes no momento da pesquisa, dois recebem até dois salários e os demais não quiseram revelar sua renda.

No que se refere às ocupações além dos programas de sexo, foram citadas: faxineiro em casas domésticas e apenas uma delas dedicava-se a maior parte do seu tempo aos estudos, possuindo vários cursos, tais como: administração, marketing, recursos humanos, atendente de telemarketing, informática e inglês básico. Tal participante relatou o desejo por cursar faculdade de Enfermagem quando estivesse com melhores condições financeiras, com objetivo de ajudar ao próximo.

Percebe-se que seis demonstraram comportamento tenso, aparentemente com dúvidas, medo e preocupação, quanto ao real objetivo da entrevista. Responderam às perguntas de forma rápida, sem muitos detalhes, pois temiam o cliente aproximar e ter que finalizar a pesquisa. Toda essa visão pôde-se ter, devido ao olhar fixo delas para a rua, apesar de terem sido receptivas em relação ao estudo. Duas mostraram-se dispostas a colaborar com a entrevista de maneira espontânea e despreocupada, trazendo consigo informações adicionais e de extrema relevância para a pesquisa.

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No decorrer das conversas, uma recusou o contato, demonstrando comportamento de desconfiança e agressividade.

Diante das tentativas em identificar as causas que levaram os participantes do estudo a fazerem programas sexuais, em sua maioria, de ordem socioeconômica, destacando-se a falta de condições financeiras para seu próprio sustento, os pais não aceitaram a escolha sexual dos filhos e os mesmos tiveram que sair de casa, falta de oportunidade no mercado de trabalho por preconceito devido a orientação sexual, assim como proporcionar um salário incompatível com as despesas, e por não terem um local fixo de moradia. Os travestis moram em um único ambiente, embora dividindo despesas, o valor mensal cobrado pelo aluguel chega a ser caro, em torno de um salário e meio individualmente, estando incluso o aluguel, alimentação e roupa lavada.

No coletivo, os participantes mantêm contato por olhares, embora com uma certa distância em cada esquina, mostrando-se bastante observadores ao identificar seus clientes passarem. Chama a tenção o fato de uma participante estar escondendo-se próximo a uma árvore para se despir, retirando toda a roupa do corpo, ao final do expediente, para retornar sua casa. Outro depoente informou um ponto diário para o trabalho, com início por volta das 20 horas, estendendo-se até pela madrugada.

3.1 Significado de promoção da saúde atribuídos por travestis

Diante do significado de promoção da saúde, todos os oito entrevistados relataram tratar-se de um termo desconhecido por eles. Os seguintes pontos foram elencados: recebo atendimento no posto

sem nenhum tipo de discriminação se é que vocês entendem, além disso, faço o uso do preservativo em todas as relações sexuais, por mais que o cliente não tenha e queira fazer sem, sempre tenho uma comigo e utilizo (T1); procuro ter qualidade de vida por meio de hábitos alimentares e dormir o que é necessário para a saúde (T3); o termo reflete sobre ser atendido sem discriminação, inclusive ser chamado pelo nome social, considero algo importante (T8); procuro acompanhamento médico sempre quando preciso, faço o uso do preservativo em todas as relações sexuais (T6).

Entretanto, ficou evidente que há falta de conhecimento desse público antes da breve explicação sobre o termo, desconhecendo o conceito e importância de promoção da saúde assim como cuidados básicos com a saúde, ações de promoção e prevenção de doenças, conhecimento sobre os principais fatores de risco expostos por eles e tratamento adequado para cada caso. Um deles se manifesta: confesso que desconhecia o termo promoção da saúde, mas agora ficou claro sobre o que

se trata (T4).

Segundo Favorito et al. (2007), por meio de estudos realizados entre homens e mulheres, é visto que os homens são mais vulneráveis às doenças, sobretudo às enfermidades graves e crônicas, e que morrem mais precocemente que as mulheres. Diante disso, há maior vulnerabilidade a contrair doenças e, consequentemente, as altas taxas de morbimortalidade devido à ausência dos homens na procura pelos homens nos serviços de saúde (Figueiredo, 2005).

Dessa forma, deve-se procurar estratégias específicas, como empoderar os profissionais sobre as especificidades da saúde LGBT, que possam transformar o processo de saúde, com atenção voltada não somente à assistência, mas também, às singularidades.

Mediante os depoimentos, observa-se um desabafo: as pessoas precisam respeitar as escolhas

sexuais e não julgar com olhares por estarmos vestidos de mulher (T3). O sentimento remete à

discriminação. Pesquisadores revelam que existem fatores que dificultam uma questão relevante quanto à discriminação. Revelando que dentre os fatores que dificulta à garantia dos direitos as travestis no serviço e saúde não respeitar o nome social, o julgamento moral, reprovação pelos gestos, olhares e alas dos profissionais que estão nos serviços de saúde (Lionço, 2009; Aran, Murta & Lionço, 2008).

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Diante das entrevistas, percebeu-se a importância do nome social, pelo qual os participantes gostam de serem identificados, pois garante a subjetividade e particularidade em seu reconhecimento. Observa-se no relato de um deles quando questionada acerca do conhecimento sobre os seus direitos ligados na promoção da saúde: ainda não possuo cartão social, mas odeio quando chamam

pelo nome que tem na identidade, estando vestida como uma mulher, é questão de senso (T1).

A autorização do uso do nome social remete à luta pelo direito à diferença, em viver diferentes modos, conforme suas escolhas (Foucalt, 2010). Percebe-se a importância do nome social, ao mostrar uma preocupação diante desses grupos, permitindo os sujeitos marginalizados, seja no serviço de saúde, prostituição ou diante do mercado e trabalho passarem a produzir efeitos normalizadores ao aceitarem seu posicionamento mediante a sociedade.

3.2 Percepção dos métodos utilizados nas modificações corporais

Quanto à procura e acompanhamento médico, evidenciou-se que a maioria dos participantes frequenta o serviço de saúde a cada três meses. Entretanto, foram detectadas, algumas fragilidades por parte deles. A respeito do uso de hormônios, uma participante relata: [...] há uns anos, fazia o

uso do contraceptivo injetável sem uma recomendação médica, quase fiquei louca, encontrava-se muito estressada e minha memória passou a ficar falha, fiz mais para obter um formato feminino, e a questão dos pêlos influenciou, mas confesso não cometer o mesmo erro, ainda sim penso em fazer mudança de sexo e pôr prótese quando estiver com condições melhores (T4).

Em noticiários com frequência, observam-se manchetes de morte de travestis devido à aplicação do silicone industrial utilizado para promover para tornar feminino o corpo, o que justifica a prática da mesma e sofrimento desses indivíduos por não se reconhecerem no corpo biológico. No entanto, uma entrevistada relata a satisfação do silicone no corpo: hoje tenho satisfação pelo meu corpo,

tenho silicone nos seios e no bumbum, e posteriormente pretendo fazer lipo (T3).

A insatisfação pelo corpo, leva a diversos distúrbios de ordem psicológica acompanhados de tendências à automutilação e até mesmo ao suicídio (Aran, Murta & Lionço, 2008). A implementação do Processo Transexualizador no SUS, que regulamenta os procedimentos para a readequação cirúrgica genital, insere-se no contexto da Política LGBT e o desafio subsequente é a garantia do acesso a todas as pessoas que necessitam dessa forma de cuidado.

A partir da epidemia da Aids, iniciou-se a entrada de grande parte dessa população no SUS, haja vista que, se tinha dificuldade para cuidar e tratar da saúde nos serviços. Os travestis recorriam à automedicação, procurando o médico ou os serviços de saúde apenas quando já não havia mais como se automedicar ou quando as enfermidades não tinham cura (Brasil, 2015).

O processo de automedicação acontece, muitas vezes, em decorrência a serem discriminadas nos serviços de saúde e optam por não constatar a veracidade da informação e efeitos colaterais existentes. Diante de paradigmas, percebe-se que os travestis têm sobrevivido e estão conseguindo demarcar seu espaço social. Mas ainda existe, um grande número deles que luta frente à sociedade ao assumir publicamente sua identidade de gênero.

A importância do tratamento cirúrgico é evidenciada a partir do depoimento: tenho vontade de fazer

vários procedimentos cirúrgicos, mas não possuo dinheiro no momento para fazer e ter um tratamento de qualidade (T4).

Um dos motivos assinalados quanto à procura pelos serviços de saúde é devido ao desejo em realizar a cirurgia de transgenitalização. Ao ser realizada uma pesquisa com essa população no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, observou-se que a demanda pela cirurgia de readequação sexual surge junto à certeza de pertencimento a outro gênero (Aran, Zaidhaft & Murta, 2008).

Mediante a problemática, a Portaria Nº 2.803, de 19 de novembro de 2013, destaca que o processo transexualizador realizado pelo SUS garante o atendimento integral de saúde a pessoas trans,

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incluindo acolhimento e acesso com respeito aos serviços do SUS, desde o uso do nome social, passando pelo acesso à hormonioterapia, até a cirurgia de adequação do corpo biológico à identidade de gênero e social.

4 Conclusões

O estudo revelou que o público de travestis desconhece o termo e a importância da promoção da saúde para a sua vida. Quanto ao acesso ao serviço de saúde, não encontram obstáculos. Haja vista que a relação entre profissionais e o público é referido como de forma positiva e acolhedora, principalmente no processo de comunicação, no qual questões a respeito da sexualidade são bem esclarecidas. Verificou-se que a maioria dos entrevistados não foi aceita por parte dos familiares, enfrentando inclusive preconceitos, e isso se reflete no meio social. Percebeu-se entre os entrevistados a insatisfação com o corpo, e desejo de realizar procedimentos cirúrgicos.

Verificou-se como limitações do estudo, a escassez de pesquisas que abordem o assunto. Os participantes encontravam-se receosos pelo momento da entrevista e trauma esse causado pela alta carga de preconceito que por anos eles são submetidos.

Recomenda-se o estímulo a estudos que busquem reconhecer a importância da promoção da saúde sobre travestis, como forma de gerar dados que formem, inclusive, a formulação de políticas públicas que efetivamente aproximem o grupo de travestis nos espaços de saúde, pois a pesquisa permite sensibilizar e capacitar os recursos humanos da saúde com relação às especificidades da saúde LGBT.

Referências

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Arán, M., Murta, D., & Lionço, T. (2009). Transexualidade e saúde pública no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 14(4), 1141-1149.

Bardin, L. (2009). Análise de Conteúdo. Lisboa, Portugual: Edições 70, LDA.

Brasil. (2008). Política nacional de atenção integral à saúde do homem. Brasília: Ministério da Saúde. Brasil. (2015). Transexualidade e Travestilidade na Saúde. Brasília: Ministério da Saúde.

Duarte, M. J. O. (2012). Políticas públicas para a população de lésbicas, gays, travestis e transexuais (LGBT). política editorial e normas para submissão de textos. Revista ADVIR, 27(12): 92.

Favorito, L. A., Nardi, A. C., Ronalsa, Mario, Z., Stenio C., Sampaio, F. J. B., & Glina, S. (2008). Epidemiologic study on penile cancer in Brazil. International Braz J Urol, 34(5), 587-593.

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Lionço, T. (2009). Atenção integral à saúde e diversidade sexual no Processo Transexualizador do SUS: avanços, impasses, desafios. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 19(1), 43-63.

Minayo, M. C. S. (2013). O desafio do Conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec.

Toniette, M. A. (2006). Um breve olhar histórico sobre a homossexualidade. Revista Brasileira de

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