Regente: Prof. Dr. Rui Maio Orientador: Dr. João Neves Aluna: Carolina Beatriz dos Santos Maia e Gafanhão | 2012158 6º Ano do Mestrado Integrado em Medicina Ano Letivo 2017/2018
RELATÓRIO FINAL
Estágio Profissionalizante
1 2 4 5 3 6 7ÍNDICE
1 | Introdução
3
2 | Objetivos Gerais do Estágio Profissionalizante 3
3 | Síntese das Atividades Desenvolvidas
4
3.1 | Medicina Interna 4
2.2 | Cirurgia 5
2.3 | Pediatria 6
2.4 | Ginecologia e Obstetrícia 6
2.5 | Saúde Mental 7
2.6 | Medicina Geral e Familiar 8
2.7 | Estágio Clínico Opcional - Otorrinolaringologia 8
3 | Síntese do meu Percurso Académico
9
4 | Reflexão Crítica Final
9
5 | Anexos
11
Anexo I | Legenda das figuras 11
Anexo II | Glossário de siglas / abreviaturas 12 Anexo III | Cronograma do Ano Letivo 2017/2018 13 Anexo IV | Trabalhos realizados no Estágio Profissionalizante 14 Anexo V | Certificado: Participação no Curso TEAM 15 Anexo VI | Certificado: Participação no Congresso B.E.S.T. 16 Anexo VII | Declaração: Monitora do Departamento de Anatomia 17 Anexo VIII | Declaração: Membro da Comissão de Curso 18 Anexo IX | Certificado: Estágio Clínico em Neonatologia em Olomouc 19 Anexo X | Certificado: ERASMUS na Universidade de Zaragoza 20 Anexo XI | Certificado: Comissão Organizadora da iMed Conference 9.0 21
1 | INTRODUÇÃO
Ao ver, além da Ciência do rigor, a Arte do valor humano, escolhi Medicina pela possibilidade de exercer, em simultâneo: conhecimento, técnica e atitude. É no decurso desta longa caminhada que me vejo chegar ao último ano do MIM, composto pelo Estágio Profissionalizante que, sendo o elo de ligação entre a formação e o exercício da profissão, assinala o culminar de 6 anos e é o foco deste Relatório Final. Deste fazem parte 6 estágios parcelares de áreas clínicas distintas (Anexo III), ilustrativas da multiplicidade de formas que a Prática Clínica pode tomar. A redação deste relatório visa: primeiramente, apresentar os objetivos gerais do Estágio Profissionalizante; descrever cada um dos estágios que o compõem, destacando elementos mais representativos; seguidamente, fazer referência ao Estágio Clínico Opcional e à UC de Preparação para a Prática Clínica; finalmente, apresentar uma autoavaliação face aos objetivos definidos. Mais do que um registo de atividades, tenciono que esta seja uma reflexão pessoal acerca desta vivência e proponho-me, por isso, a realizar uma síntese do percurso (académico e extra-curricular) que me define como Carolina: Estudante de Medicina, Futura Médica e Apreciadora de Arte. Ao aliar a técnica ao conhecimento, a Medicina, enquanto Ciência, não deixa de estar vinculada à Arte, que a integra, representa e expressa. A selecção de uma obra por cada uma das áreas clínicas dos estágios parcelares (figuras da capa, Anexo I) foi a maneira que encontrei para completar o que, em palavras, não cabe na minha visão da Medicina.
2 | OBJETIVOS GERAIS DO ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
O Estágio Profissionalizante pretende distinguir-se pela forma como exige a nossa integração, com participação ativa nas tarefas e responsabilização, valorizando aptidões clínicas e interpessoais na constituição de um “Médico fortemente empenhado nas bases científicas da arte da Medicina” , na promoção da Saúde e Bem-estar da Comunidade. Tendo por base a consulta 1
do documento O Licenciado Médico em Portugal e as fichas das UCs dos estágios parcelares, priorizo como metas pessoais a alcançar as seguintes: a aquisição de competências teóricas e práticas avançadas; a aquisição progressiva de autonomia e confiança; a aquisição de ferramentas de comunicação com doentes, familiares, colegas e restantes profissionais de saúde,
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (Coordenação): O Licenciado Médico em Portugal. Lisboa, 2005. 1
num espírito de equipa; o desenvolvimento de uma conduta norteada por valores morais e éticos (solidariedade, empatia e respeito pelo sigilo profissional);o desenvolvimento de uma postura crítica pautada pela consciencialização face a lacunas em conhecimentos prévios, humildade na aceitação de correções e investimento na formação contínua; o aperfeiçoamento da capacidade de exposição; e a familiarização com a organização e funcionamento hospitalar e do SNS.
3 | SÍNTESE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
3.1| MEDICINA INTERNA
Ciência e Caridade é um retrato fiel da Arte Médica ao aliar o avanço científico (Saber) à
humanização dos cuidados (Ser). Esta é a principal obra de Picasso na fase inicial e marca, também por isso, o meu ponto de partida: Medicina Interna, sob a tutoria do Dr. João Furtado, no Serviço de Medicina II do HEM. Como prioridades, defini o reconhecimento das patologias mais prevalentes no doente adulto e idoso, e a participação ativa e autónoma nas atividades. A Enfermaria foi o foco do tempo de estágio, responsabilizando-me pelo acompanhamento diário de 2 doentes (num total de 36 doentes) numa rotina que incluía: a consulta de registos de Enfermagem, a observação de doentes, a redação de diários clínicos, notas de entrada e de alta, a realização de pedidos de exames complementares e reuniões em Equipa para discussão diária de planos terapêuticos. Adicionalmente, assisti à Consulta Externa e, com um total de 23 doentes observados em SU, treinei abordagens de problemas agudos e agudizações de doenças crónicas, face às exigências em tempo real, sendo o desafio que levo para a vida clínica futura o de ser capaz de abordar o doente que chega sem um diagnóstico pré-estabelecido. Quanto a aptidões práticas, realizei autonomamente electrocardiogramas, punções arteriais e venosas e assisti a vários procedimentos técnicos (como biópsias ósseas). Na sua componente teórico-prática incluo: Visitas Médicas semanais, em 5 das quais participei ativamente; sessões de discussão de notas de alta, que destaco pelo estímulo ao sentido crítico e aperfeiçoamento do desempenho clínico e capacidade de redação (com clareza e precisão); o Journal Club pela importância da atualização; e seminários da NMS|FCM sobre abordagens do doente urgente e emergente. Por último, saliento a apresentação que realizei sobre a “Doença Hepática Crónica descompensada numa Enfermaria de Medicina Interna”.
2.2| CIRURGIA
A Cirurgia já foi alvo de tantas mudanças que pensá-la, no tempo, é embarcar numa viagem, da qual A clínica de Agnew é veículo ao testemunhar o paradigma do final do século XIX: a falta de assépsia, as primeiras noções anestésicas, a audiência e assistência. Defini como objetivos deste estágio no HBA: o reconhecimento das principais síndromes cirúrgicas e sinais de gravidade, em indicações cirúrgicas eletivas, urgentes e emergentes; e o aperfeiçoamento de aptidões práticas em técnicas de pequena cirurgia, assépsia e anestesia. Do total das 8 semanas de estágio fizeram parte: 1 semana de sessões teórico-práticas para revisão teórica e treino de comportamentos/gestos cirúrgicos, durante a qual realizei também o curso TEAM (Anexo V) de abordagem do doente politraumatizado; 2 semanas de estágio opcional em Medicina Intensiva; 1 semana no SU; e 4 semanas em Cirurgia Geral, sob a tutoria do Dr. Gonçalo Luz. Na passagem pela Medicina Intensiva, acompanhei 11 doentes em estado crítico com necessidade de monitorização contínua, muitos admitidos por complicações cirúrgicas, tendo a inclusão deste estágio: no âmbito cirúrgico, uma ação de sensibilização para a importância da sua prevenção; e na minha formação geral, uma ação de reforço da bagagem teórica (em sedação, analgesia e antibioterapia). Na passagem pelo SU, contactei com grande diversidade de patologias e atividades em diferentes postos (num total de 27 observações), conduzi autonomamente (com supervisão) algumas entrevistas clínicas e revi, na Pequena Cirurgia, técnicas de sutura e lavagem de feridas. No período destinado à Cirurgia Geral, participei em diversas atividades: Bloco Operatório, onde assisti a 14 cirurgias, destacando um bypass gástrico pela participação como 2ª ajudante (manuseando o laparoscópio); Enfermaria, onde observei 16 doentes (a maioria em pós-operatório, alguns em pré-operatório ou a seguir tratamentos conservadores) com autonomia na revisão pós-operatória; Consulta Externa, num total de 56 (de pré, pós-operatório e seguimento, com 9 observações na Sala de Tratamentos), de onde realço a ligação entre Cirurgia e Oncologia e integração multidisciplinar da Cirurgia Bariátrica (área de maior contacto no estágio); e Banco (5 observações). Apresentei no Mini Congresso “A abordagem multidisciplinar da Obesidade” e aprendi com a partilha de casos diversos. Neste contexto, assisti ainda a 2
congressos (Anexo VI): B.E.S.T 2017, motivada pelo interesse na Cirurgia Bariátrica; e 5as Jornadas do Departamento de Cirurgia, focadas na Obesidade e Doença Inflamatória Intestinal.
2.3| PEDIATRIA
Pela forma como assume pluralidade na singularidade, A Menina Doente é um retrato da ligação indissociável da família ao doente, sugerindo que nas patologias pediátricas não vivem apenas crianças, mas famílias inteiras que compõem uma das especialidades que mais me fascina. Para o meu estágio de Pediatria no HSFX, sob orientação do Dr. Edmundo Santos, tracei como metas: o reconhecimento das principais patologias por faixa etária; o aperfeiçoamento da colheita de informação para uma boa anamnese e da realização de exame objetivo em idade pediátrica; a aquisição de competências práticas em contexto de SU; e a aquisição de ferramentas de comunicação que criem uma relação médico-doente-família inclusiva e coesa. Este estágio dividiu-se em: 2 semanas no Berçário, onde realizei autonomamente triagens a 11 recém-nascidos, com realização de exame objetivo, registos clínicos e interpretação de resultados do rastreio laboratorial séptico (por risco infeccioso bacteriano perinatal); e 2 semanas na Enfermaria, realizando autonomamente observações e registos, com participação nos momentos de discussão em Equipa dos 14 doentes internados que segui. Estas atividades foram complementadas com: o SU Pediátrica, onde observei 32 doentes e realizei autonomamente exames objetivos com a responsabilidade acrescida de uma abordagem atenta e empática; o Serviço de Neonatologia, onde segui 4 recém-nascidos internados em Cuidados Intensivos e Intermédios e testemunhei as especificidades inerentes à sua idade, fragilidade e necessidades de suporte e monitorização, tendo assistido à realização de 2 cateterismos umbilicais; e as várias Consultas Externas, das quais 8 de Imunoalergologia, 3 de Desenvolvimento e 3 de Pediatria Geral. Assisti ainda às Visitas Médicas e Sessões Clínicas semanais e realizei uma história clínica, que apresentei como forma de abordagem da Gastroenterite Aguda em contexto de SU.
2.4| GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
A Ginecologia e a Obstetrícia são espelho da História da civilização ao garantirem a assistência à mulher nas várias fases da sua vida e na reprodução. Ambas descendentes da Cirurgia, têm vindo a traçar caminhos paralelos mas distintos, representados pelas Figuras 4 e 5: um parto e a
alusão a uma patologia ginecológica (endometriose), respetivamente. No HVFX, sob orientação da Dr.ª Rita Passarinho e da Dr.ª Raquel Robalo, defini como objetivos: a compreensão da Medicina da Mulher como um todo; o reconhecimento dos quadros clínicos mais comuns; e o aperfeiçoamento de aptidões práticas (como o exame ginecológico). O tempo de estágio dividiu-se entre: a Enfermaria, onde conquistei progressiva autonomia nas reavaliações de pós-operatório e puerpério, num total de 10 observações; as várias Consultas Externas, das quais 14 de Ginecologia Geral, 12 de Patologia do Colo do Útero (onde realizei 6 colpocitologias), 10 de Patologia do Pavimento Pélvico (que destaco pela importância crescente da Uroginecologia) e 7 de Gravidez de Alto Risco; o Bloco Operatório, onde observei histerectomias e correções de defeitos do pavimento pélvico, num total de 6; o SU, num total de 17 observações; e o Bloco de Partos, onde assisti a 4 partos eutócicos e 1 distócico como momentos de testemunho da integração multidisciplinar de cuidados à grávida, mãe, feto e recém-nascido num só tempo clínico. Além disso, assisti a 11 ecografias ginecológicas e 2 histeroscopias e, por fim, apresentei um trabalho sobre Amenorreia Secundária.
2.5| SAÚDE MENTAL
A Saúde Mental existe sob a evidência da complexidade dos comportamentos, sentimentos e pensamentos humanos. O discernimento clínico é, na Psiquiatria, o melhor guia e passa por Saber Ouvir para Poder Ajudar. O Campo de Trigo com Corvos, obra de Van Gogh (pintor e doente bipolar), alerta para a importância de estar atento e Saber Ouvir, sem esquecer que, às vezes, a tinta também tem voz. No HJM, sob orientação da Dr.ª Vânia Viveiros, delineei como objetivos do estágio: o reconhecimento das principais perturbações psiquiátricas; a identificação de sinais de alarme para comportamentos de risco individual e/ou social; a aquisição de competências de comunicação; e a compreensão da organização dos Cuidados de Saúde Mental em Portugal. Grande parte do estágio foi passada no Serviço de Internamento da Clínica 6, onde contactei com 13 doentes internados, seguindo uma rotina muito própria com realização de entrevistas clínicas. Assisti a 19 Consultas Externas, 7 das quais prestadas no Espaço Terapêutico Comunitário em VFX (centro de apoio à recuperação funcional e integração dos doentes na Comunidade). No SU, observei 8 doentes e testemunhei as particularidades inerentes
à Urgência Psiquiátrica, incluindo internamentos em regime compulsivo, o que me alertou para responsabilidade das questões legais envolvidas. Adicionalmente, destaco: as aulas teórico-práticas na NMS|FCM; as Sessões Clínicas semanais; e as Reuniões Clínicas semanais, onde constatei a multidisciplinaridade da abordagem biopsicossocial e o papel indispensável dos serviços de Assistência Social. Por último, apresentei a história clínica de uma Perturbação Bipolar em episódio maníaco psicótico e redigi uma reflexão acerca do Estigma na Doença Mental.
2.6| MEDICINA GERAL E FAMILIAR
Jenner: a Vacina contra a Varíola, ao retratar a vacinação no final do século XVIII, põe em
evidência um dos fundamentos vitais da Medicina: a prevenção. De forma acessível à população, a Medicina Geral e Familiar garante, para meu fascínio, a continuidade e integração dos cuidados essenciais à Comunidade, sendo o Médico de Família a força motriz desta rede, a quem cabe o desafio de equilibrar: profissionalismo, tempo e humanidade. Na USF Jardim dos Plátanos, sob a tutoria da Dr.ª Joana Azeredo, estabeleci como prioridades: o reconhecimento da pessoa numa perspetiva biopsicossocial; a sensibilização para a prevenção e controlo de fatores de risco; a integração de conhecimentos de grande diversidade de patologias; a aquisição de competências de comunicação com utentes; e a compreensão da organização e importância dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal. Ao longo deste estágio, participei ativamente em: Consultas (de Saúde do Adulto, Saúde Infanto-Juvenil, Planeamento Familiar, Saúde Materna e Doença Aguda) num total de 277, onde fui autónoma na realização de exames objetivos, 6 colpocitologias, registos clínicos (sistema SOAP) e até mesmo na condução de algumas entrevistas clínicas; Visitas Domiciliárias; atividades de Enfermagem (como seguimento da Diabetes); e Sessões Clínicas. No Dia Mundial da Hipertensão (17/Maio), dinamizei uma ação que serviu de sensibilização para o controlo da Hipertensão Arterial e de oportunidade de educação para a Saúde (rastreios e prevenção) e promoção da vida saudável. Pelo contacto com um grupo vasto e heterogéneo de utentes (representativo da população), compreendi o papel desta especialidade como pilar basilar da Medicina na Comunidade.
A escolha de Otorrinolaringologia foi motivada pela sua inter-relação com duas das especialidades que despertam em mim maior interesse: a Pediatria e a Medicina Geral e Familiar.
2.8| Preparação para a Prática Clínica
Saliento a mais-valia desta UC, na abordagem integradora dos motivos frequentes de recurso ao SU para o desenvolvimento do raciocínio sistematizado para o diagnóstico e terapêutica.
3 | SÍNTESE DO MEU PERCURSO ACADÉMICO
Foi há 6 anos que conheci a célebre frase de Abel Salazar (“O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe”) e me comprometi a abraçar o que me desafiasse a explorar as facetas da Carolina que quero ser no Mundo. No 1º ano, ao mudar-me para Lisboa, conquistei independência no esboço incerto de um percurso seguro. No 2º ano, fui Monitora de Anatomia, função que exerci entre 2013 e 2015 (Anexo VII), onde aprendi mais do que alguma vez ensinei e descobri no ensino uma paixão. No 3º ano, na Comissão de Curso, assegurei a representatividade em Conselho Pedagógico (Anexo VIII), aprendi a saber ouvir e a saber dar voz. No 4º e 5º anos, parti à descoberta: em 2016, com um estágio clínico de 1 mês em Neonatologia no Hospital Universitário de Olomouc na República Checa (Anexo IX); e em 2017, com 1 semestre na Universidade de Zaragoza em Espanha (Anexo X). Voltei com mais do que levei: uma visão internacional e amigos “sem fronteiras”. No 6º ano, assisti à 9ª edição do iMed
(conferência de estudantes de Medicina) na qual fui membro da Comissão Organizadora (Anexo
XII) e vivi a experiência de organização de um evento de âmbito internacional.
4 | REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
A conclusão do Estágio Profissionalizante é um momento de reflexão e auto-avaliação sobre 6 anos de descoberta da Medicina. Sinalizando o fim da formação pré-graduada, este ano foi tempo de aprendizagem, chão de experiência e força de motivação para o salto que se avizinha. Relativamente à Medicina na sua globalidade, trago de Setembro de 2017 um conjunto de metas, nas quais vejo hoje a motivação para o meu progresso. Desenvolvi uma visão mais realista do propósito do exercício da Medicina e, ao ser confrontada com receios e com o desafio de ver além da “zona protegida” de aluna, cresci na responsabilidade para com: Equipas, que confiaram em mim; doentes, que tão bem me receberam; colegas, que me apoiaram; Professores e
Faculdade, que me ensinaram e formaram. As inseguranças deram rapidamente lugar a uma autonomia crescente (dia após dia, estágio após estágio) que se traduziu no desafio de ser capaz de elevar o meu desempenho à altura da confiança que fui conquistando.
Relativamente à vivência da Medicina na singularidade dos estágios parcelares, trago do primeiro dia de cada um deles um conjunto de prioridades, nas quais vejo hoje a razão do meu
progresso. Em Medicina Interna, ganhei autonomia e uma visão holística de problemas “ativos”
em “crónicos”. Aprendi sobre a abordagem em fim de vida e tracei o esboço da minha identidade como futura médica. Apesar da sua organização estrutural interessante e abrangente, o estágio de Cirurgia foi aquele em que tive menor autonomia no desenvolvimento de competências práticas, o que justifico pela a relação 3:1 (alunos/tutor), que torna mais difícil a participação nas atividades. Em Pediatria, considero ter desenvolvido autonomia e a capacidade de priorização de problemas na gestão simultânea de medos familiares. Pude comparar e somar a experiências anteriores, noutros Serviços de Pediatria do país e noutros países (pelo estágio em Olomouc e pelo ERASMUS), a vivência desta especialidade. Acredito ter experienciado a Ginecologia e a Obstetrícia na sua globalidade, com participação ativa em diferentes tipos de consulta e observação de inúmeros procedimentos. No estágio de Saúde Mental, desenvolvi um maior “à vontade” na abordagem da patologia psiquiátrica (com grande prevalência e impacto na população portuguesa) que merecerá sempre o nosso tempo e atenção porque, sejamos nós médicos de pulmões ou de rins, seremos todos médicos de pessoas. Em Medicina Geral e Familiar, destaco a progressiva autonomia, aliada à organização geral do estágio que me mostrou pluralidade clínica e singularidade humana.
Em suma, este foi um período-chave na aprendizagem e é com satisfação que considero ter cumprido os objetivos, demonstrado vontade de aprender e criando as minhas próprias oportunidades de integração, com uma postura proativa, na qual perspectivo hoje a continuação
do meu progresso. Tal inspira-me a passar de testemunha a agente ativa de mudança e ajudar
pessoas aliando Medicina e Arte, Conhecimento e Técnica. Pelo exemplo, apoio e estímulo, termino com o agradecimento a cada um dos Professores, Assistentes, Tutores, Colegas-Amigos e Familiares que tornaram possível este sonho.
5
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ANEXOS
ANEXO I | LEGENDA DAS FIGURAS
Figura 1 — Ciência e Caridade (1897), Pablo Picasso Figura 2 — A clínica de Agnew (1889), Thomas Eakins Figura 3 — A Menina Doente (1907), Edvard Munch
Figura 4 — (?) Pintura a óleo (~1800), Autor francês (?) Figura 5 — Endometriose (2014), Jodie Dunne
Figura 6 — Campo de Trigo com Corvos (1890), Vincent van Gogh Figura 7 — Jenner: a Vacina contra a Varíola (1958), Robert Alan Thom
ANEXO II | GLOSSÁRIO DE SIGLAS / ABREVIATURAS
CTG - Cardiotocografia
ERASMUS - European Region Action Scheme for the Mobility of University Students
NMS|FCM da UNL - Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa
HBA - Hospital Beatriz Ângelo HEM - Hospital Egas Moniz HJM - Hospital Júlio de Matos
HSFX - Hospital São Francisco Xavier HVFX - Hospital Vila Franca de Xira
IFMSA - International Federation of Medical Students Associations MIM - Mestrado Integrado em Medicina
SOAP - Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano SNS - Serviço Nacional de Saúde
SU - Serviço de Urgência
TEAM - Trauma Evaluation And Management UC - Unidade Curricular
USF - Unidade de Saúde Familiar VFX - Vila Franca de Xira
ANEXO III | CRONOGRAMA DO ANO LETIVO 2017/2018
ESTÁGIO
PARCELAR Regente Período de Estágio Local Tutor(a)
Medicina Interna Prof. Dr. Fernando Nolasco 11/09/17 — 03/11/17 (8 semanas) HEM Dr. João Furtado
Cirurgia Prof. Dr. Rui Maio 06/11/17 — 12/01/18 (8 semanas) HBA Dr. Gonçalo Luz
Pediatria Prof. Dr. Luís Varandas 22/01/18 — 16/02/18 (4 semanas) HSFX Dr. Edmundo Santos
Ginecologia e
Obstetrícia Prof.ª Dr.ª Teresa Ventura 19/02/18 — 16/03/18 (4 semanas) HVFX Dr.ª Rita Passarinho Dr.ª Raquel Robalo
Saúde Mental Prof. Dr. Miguel Talina 19/03/18 — 20/04/18 (4 semanas) HJM Dr.ª Vânia Viveiros
Medicina Geral e
Familiar Prof.ª Dr.ª Isabel Santos 23/04/18 — 18/05/18 (4 semanas)
USF Jardim dos
Plátanos Dr.ª Joana Azeredo
Otorrinolaringologia
(Opcional) Prof. Dr. José Alves 21/05/18 — 01/06/18 (2 semanas)
Hospital Infante D. Pedro
(Aveiro)
ANEXO IV | TRABALHOS REALIZADOS NO ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
ESTÁGIO
PARCELAR Tema Autor(es)
Medicina Interna Doença Hepática Crónica descompensada numa Enfermaria de Medicina Interna
Revisão teórica da Doença Hepática Crónica e suas
descompensações, a partir de um caso clínico.
• Carolina Gafanhão
• Inês Gomes
• Marta Caldas
Cirurgia multidisciplinar da A abordagem Obesidade
A partir de um caso clínico:
• Breve revisão teórica da Obesidade;
• Importância da
multidisciplinaridade na abordagem terapêutica desta patologia;
• Cirurgia Bariátrica: indicações, eficácia, técnicas cirúrgicas, vantagens e desvantagens.
• Carolina Gafanhão
• Inês Gomes
• Marta Caldas
Pediatria Gastroenterite Aguda
Revisão teórica de uma patologia pediátrica clássica - a
Gastroenterite Aguda - em contexto de SU, a partir de um caso clínico.
Carolina Gafanhão
Ginecologia e
Obstetrícia Amenorreia Secundária
Abordagem da Amenorreia Secundária: etiologia e
diagnóstico diferencial, a partir de um caso clínico.
• Carolina Gafanhão
• Inês Gomes
• Marta Caldas
Saúde Mental Perturbação Bipolar
História clínica colhida em contexto de internamento:
Perturbação Bipolar, com episódio maníaco atual com características psicóticas.
ANEXO VI | CERTIFICADO: PARTICIPAÇÃO NO CONGRESSO B.E.S.T.
[B.E.S.T. — Bariatric Endoscopy Surgery Trends]
CERTIFICATE
We hereby certify that
Carolina Beatriz dos Santos Maia e Gafanhão
attended on the 4th of December the B.E.S.T. 2017 IBERIAN – 14TH EDITION, held at Centro Cultural de Belém, Lisbon, Portugal,
on the 4th and 5th of December of 2017.
_______________ ________________
Carlos Vaz Nilton Kawahara
Course Directors
ANEXO IX | CERTIFICADO: ESTÁGIO CLÍNICO EM NEONATOLOGIA EM OLOMOUC
ANEXO X | CERTIFICADO: ERASMUS NA UNIVERSIDADE DE ZARAGOZA
ANEXO XI | CERTIFICADO: COMISSÃO ORGANIZADORA DA iMed Conference 9.0
CERTIFICATE
iMed Conference® 9.0
Organising Committee
It is hereby certified that
Carolina Maia Gafanhão – ID Number: 14536380
Integrated the iMed Conference® 9.0 – Lisbon 2017 Organising Committee as Scientific and Clinical Mind Competition coordinator. This grand project by the Student’s Union of NOVA Medical School (AEFCM) took place at Teatro Camões and NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas, on October 25th to 29th, 2017.
The iMed Conference® is an annual event organised by the Student’s Union of NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas (AEFCM), aiming to bring the most recent scientific and medical innovations to the next generation of Life Science’s students.
Its 9th edition, under the motto ‘Explore the Exceptional’, presented Keynote Lectures
by Professor Eric Wieschaus (Nobel Lecture) and Professor Sir Ian Wilmut., and Scientific Sessions dedicated to Cardiology, Surgery and Critical Care, Innovative Approaches and Medical Sexology, along with the inspiring Humanitarian Lectures and iMed Sessions, namely ‘Emotional First Aid Box’, ‘Humour in Healthcare’ and ‘Knok’.
Edgar Simões AEFCM | President
Filipa Rodrigues Organising Committee | President