Sedimentação
OP1 | Operações Unitárias 1 | UFPE | II-06 | Rev. 0.7 | Prof. Luiz Stragevitch 2 Sedimentação Separação partícula/fluido Partícula: Sólidos Gotículas de líquido Fluido: Líquido Gás
Fluido pode estar em repouso ou em movimento
Força motriz: gravidade
3 Aplicações
Separação de sólidos insolúveis Tratamento de água
Tratamento de efluentes líquidos Tratamento de efluentes gasosos Cristalização
Extração líquido-líquido Separação óleo/água
4 Objetivo
Compreender as forças que se opõem à sedimentação das partículas
Analisar o movimento de uma partícula num fluido
Estimar a velocidade de sedimentação de uma partícula
Aplicar no projeto de sedimentadores
5 Movimento de uma partícula num fluido
vf
vp
Fg FD FB
Balanço de forças sobre a partícula rígida: a m Fy= p′
∑
dt dv m F F Fg− B− D= p′ v= velocidade relativa m′p= massa virtual 6 Balanço de forçasPartícula em queda livre:
Período inicial de aceleração (FDbaixa) À medida que acelera, FDaumenta (FD∝v) Aceleração reduz e tende a zero
Velocidade máxima (constante) é atingida
Velocidade terminal vt dt dv m F F Fg− B− D= p′
7 Período inicial de aceleração
Em aplicações típicas de sedimentação, o período inicial de aceleração é muito curto (frações de segundo) 0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 t/s 0 0.04 0.08 0.12 0.16 0.2 v/ (m /s ) Areia/ar 50 µm Areia/água 1 mm Poeira/ar 50 µm Água/óleo 2 mm Areia/água 200 µm Areia/ar 10 µm 8 Balanço de forças D B g F F F − =
A velocidade terminal é observada quando a força gravitacional líquida (net) é contrabalançada pela força de arraste 0 = dt dv constante t = =v v dt dv m F F Fg− B− D= p′ 9 Forças g x g V g m F 6 3 p p p p g
π
ρ
ρ
= = =Força peso Empuxo
g m
FB= f
mf= massa de fluido deslocado pela partícula
g x g V F 6 3 f p f B
π
ρ
ρ
= = 10 Força de arrasteDefinida em termos do coeficiente de arraste:
2 f 2 1 D D v F C
ρ
′ = A F F ′ = = ′ D D partícula da projetada Área arraste de Força 11 Força de arrasteSe a partícula for esférica:
4 2 2 f 2 1 D D x v F C
π
ρ
= 4 2 x A′=π
12 Balanço de forças(
)
4 6 2 2 t f 2 1 D 3 f p x v C g xρ
π
π
ρ
ρ
− = E o coeficiente de arraste? f D f p t 3 ) ( 4ρ
ρ
ρ
C xg v = −13 Coeficiente de arraste
Caso particular para auxiliar na compreensão: Escoamento lento (creeping flow)
Bird-Stewart-Lightfoot (2ª ed.), p. 58: v x FD=3
π
µ
Lei de Stokes =µ
ρ
f D 24 xv Cµ
ρ
f p Re =xv p D Re 24 = C 14 10–2 10–1 1 101 102 103 104 105 CD 10–310–210–1 1 101 102 103 104 105 106 Rep Coeficiente de arraste (ψψψψ= 1) p D Re 24 = C(
)
p 681 , 0 p p D Re 8710 1 407 , 0 Re 150 , 0 1 Re 24 + + + = C Experimental Lei de Stokes Brown-Lawler 15 Validade da Lei de StokesO regime de Stokes é válido para Rep≤0,1 Para Rep≤0,1 o coeficiente de arraste é predito com incerteza ≤1%
Para Rep>0,1 usar as correlações CD(Rep)
16 Algumas correlações (ψψψψ= 1, Rep< 2 ××××105) Correlação Desvio Haider e Levenspiel (1989) 3,6% Brown e Lawler (2003) 3,2% Cheng (2009) 2,5%
(
)
p 6459 , 0 p p D Re 95 , 6880 1 4251 , 0 Re 1806 , 0 1 Re 24 + + + = C(
)
p 681 , 0 p p D Re 8710 1 407 , 0 Re 150 , 0 1 Re 24 + + + = C(
)
[
(
0,38)
]
p 43 , 0 p p D 1 0,27Re 0,471 exp 0,04Re Re 24 − − + + = C 17 Coeficiente de arraste (ψψψψ ≠≠≠≠1) 10–1 1 101 102 103 104 105 CD 10–3 10–2 10–1 1 101 102 103 104 105 Rep ψ = 1 ψ = 0,806 ψ = 0,67 ψ = 0,5 ψ = 0,3 ψ = 0,1 18 Correlação para ψψψ ≠≠≠≠ψ 1 Haider e Levenspiel (1989) Desvio médio: 5,8%(
)
[
]
{
}
(
)
(
ψ)
ψ ψ ψ 2122 , 6 exp 378 , 5 Re 0748 , 5 exp Re 69 , 73 Re 0655 , 4 exp 1716 , 8 1 Re 24 p p 5565 , 0 0964 , 0 p p D + − + − + = + C19 Velocidade terminal Para qualquer Rep: Para Rep≤0,1: f D f p t 3 ) ( 4
ρ
ρ
ρ
C xg v = −(
)
µ
ρ
ρ
18 2 f p t g x v = −(
p f)
1 2 t , , − − ∝xρ
ρ
µ
v 20 Velocidade terminalPara valores altos de Rep, CD≅0,44:
f f p t ) ( 74 , 1 ρ ρ ρ xg v = −
(
)
1/2 f 2 / 1 f p 2 / 1 t , , − − ∝x ρ ρ ρ vNão depende da viscosidade
21 Velocidade terminal
Para Rep≤0,1:
Para valores altos de Rep:
Para valores intermediários de Rep:
(
)
1/2 0 f 2 / 1 f p 2 / 1 t ,ρ ρ ,ρ ,µ − − ∝x v(
)
0 1 f f p 2 t , , , − − ∝x ρ ρ ρ µ v(
)
0 1 0 1 2 , , , 2 1 2 1 2 1 f f p t ≤ ≤ − ≤ ≤ − ≤ ≤ ≤ ≤ − ∝ d c b a x v a ρ ρ b ρc µd 22 ExercícioCálculo de velocidade terminal Resolver o exercício 2.15(a)
23 Cálculo de velocidade terminal
1° passo: calcular a velocidade terminal supondo regime de Stokes:
Com o valor da velocidade, calcular o Rep
Caso Rep≤0,1, o problema está finalizado
(
)
µ
ρ
ρ
18 2 f p t g x v = −µ
ρ
f t p Re =x v 24 Cálculo de velocidade terminal2° passo: caso Rep>0,1
Usar um dos seguintes métodos: Gráfico
Numérico – substituições sucessivas (planilha) Numérico – softwares de cálculo (SciLab) Correlações explícitas na velocidade terminal
25 Método gráfico
Partindo da expressão geral
Deduzir a equação que descreve o problema na forma f D f p t 3 ) ( 4
ρ
ρ
ρ
C xg v = − 2 p D Re const = CMarcar dois pontos no gráfico, unir por uma reta até cruzar a curva experimental e ler o valor de Rep 26 Método gráfico 10–1 1 101 102 103 104 105 CD 10–3 10–2 10–1 1 101 102 103 104 105 Rep
Com o valor de Repobtido graficamente calcula-se a velocidade terminal f p t Re
ρ
µ
x v = 27 Método numérico – planilha28 Método numérico – SciLab
29 Correlações explícitas para vt
Definição de novas grandezas adimensionais: Velocidade terminal adimensional:
Tamanho de partícula adimensional:
3 / 1 f p 2 f t 3 / 1 D p * ) ( Re 3 4 − = =
ρ
ρ
µ
ρ
g v C v 3 / 1 2 f p f 3 / 1 2 p D * ) ( Re 4 3 − = =µ
ρ
ρ
ρ
g x C x 30 Correlações explícitas para vtCálculo direto da velocidade terminal Não há necessidade do método gráfico Diversas correlações disponíveis Por exemplo: Brown e Lawler (2003)
( ) ( ) 0,449 1,114 * 1 / 936 , 0 1 898 , 0 2 * * 317 , 0 18 * * − + + + = x x v x x Validade: Rep<2 ×105 (I)
31 Correlações explícitas para vt
Brown e Lawler (2003) também apresentaram uma correlação com menor incerteza
Faixa de validade mais restrita Atende maioria das aplicações da sedimentação Validade: Rep<5000, x*<190
(
)
405 18 81 , 2 0258 , 0 5 , 22 046 , 2 * 046 , 3 * 046 , 4 * 046 , 2 * 2 * * + + + + = x x x x x v (II) 32 De volta ao exercício x* x*< 190 v*(II) vt, Rep Rep< 5000 Fim v*(I) S N S N 33 ExercícioCálculo do tamanho de partícula dada a velocidade terminal
Resolver o exercício 2.16
34 Cálculo do tamanho de partícula
1° passo: calcular o tamanho da partícula supondo regime de Stokes:
Com o valor de x, calcular o Rep
Caso Rep≤0,1, o problema está finalizado
µ
ρ
f t p Re = x v(
)
µ
ρ
ρ
18 2 f p t g x v = − (Isolar x) 35 Cálculo do tamanho de partícula2° passo: caso Rep>0,1
Usar um dos seguintes métodos: Gráfico
Numérico – substituições sucessivas (planilha) Numérico – softwares de cálculo (SciLab) Correlações explícitas na velocidade terminal - implícitas em x! (SciLab)
36 Método gráfico
Partindo da expressão geral
Deduzir a equação que descreve o problema na forma f D f p t 3 ) ( 4
ρ
ρ
ρ
C xg v = − p D=const×Re CMarcar dois pontos no gráfico, unir por uma reta até cruzar a curva experimental e ler o valor de Rep
37 Método gráfico 10–1 1 101 102 103 104 105 CD 10–3 10–2 10–1 1 101 102 103 104 105 Rep
Com o valor de Repobtido graficamente calcula-se o tamanho da partícula f t p Re
ρ
µ
v x= 38 Sedimentação de uma suspensãoSedimentação livre
Sedimentação de uma partícula em um fluido infinito ⇒ vt
Processos reais: há uma suspensão de partículas
Sedimentação com interferência
Uma partícula influencia a outra no processo de sedimentação
vp= vt, vp< vt, ou vp> vt?
39 Sedimentação com interferência
Simulação numérica
ladd.che.ufl.edu/research/sedimentation/sedimentation.htm A velocidade de sedimentação diminui à medida que aumenta a concentração de partículas na suspensão
40 Sedimentação com interferência
Fluxo ascendente de fluido
À medida que as partículas sedimentam, ocupam espaço do fluido que é deslocado para cima
Efeito de parede
Efeito do tamanho do tanque sobre a velocidade de sedimentação
41 Sedimentação com interferência
Termos equivalentes Sedimentação em massa Sedimentação retardada
42 Sedimentação batelada tipo 1
Zonas de sedimentação t = 0 t1> 0 t2> t1 t3> t2 t4>> t3 B B B B A A A A D D D D
43 Sedimentação em batelada tipo 1
Zonas de sedimentação z t B A D AB BD AD 44 Sedimentação batelada tipo 2
Zonas de sedimentação t = 0 t1> 0 t2> t1 t3> t2 t5>> t4 B C A A D D t4> t3 C A D B A C B A D C D 45 Sedimentação em batelada tipo 2
Zonas de sedimentação z t AB CD AD D B A C BC AC 46 Efeito da concentração Definições ε= fração de vazios
= fração volumétrica de fluido
c= fração volumétrica de partículas = concentração da suspensão 1 = +c
ε
47 Efeito da concentração Qp Qf p f Q Q = p eff, p f eff, fA v A v = − cA v A vf = p −ε
ε
ε
− − = p1 f v v 48 Efeito da concentração Sedimentação livre:Sedimentação com interferência:
(
)
µ
ρ
ρ
18 2 f p t g x v = −(
)
susp 2 susp p rel 18µ
ρ
ρ
x g v = − vrel=vp−vf49 Efeito da concentração
Medir os dados da suspensão Não muito interessante para fins de engenharia
Alternativa: parâmetros efetivos
Propriedades do fluido (livre de suspensão) Concentração de sólidos p f susp
ερ
ρ
ρ
= +c( )
ε
µ
µ
f = susp f(ε)= fator de correção 50 Efeito da concentração( )
ε
ε
f v v v vrel= p− f = tε
ε
− − = p1 f v v( )
ε
ε
f v vp= t 2 f(ε)= ? Válido para c≤10%( )
ε
=ε
2,5 f 51 Efeito da concentração 5 , 4 t p vε
v = Válido para c≤10% Generalizando: n v vp= tε
Expoente n: Depende de Rep Efeito de parede Diversas correlações ou vp=vt( )
1−c n 52 Correlações para nKhan & Richardson (1989)
− = − − 0,27 57 , 0 4 , 2 1 Ar 043 , 0 4 , 2 8 , 4 D x n n
(
)
2 3 f p f Arµ
ρ
ρ
ρ
− x g = Rep≤2 ×105 53 Exercício Resolver o exercício 2.23Para obter a velocidade de uma interface, efetuar o balanço de massa de partículas na interface:
X Y vXY ( )
(
)
( )(
)
(
p,X XY) (
Y p,Y XY)
X XY Y p, Y XY X p, X Y Y Y p, X X X p, Y p, X p, 1 1 v v c v v c v v A v v A v A v A M M − = − − − = − − = = ε ε ρ ρ X Y X p, X Y p, Y XY c c v c v c v − − = 54 Sedimentação contínua Espessamento/clarificação contínua Faixas de aplicação típicas:Partículas de 0,5 mm até alguns µm Suspensões com 2% até 10% de sólidos Produz lodos com 20% até 50% de sólidos
Uso de agentes floculantes para melhorar a eficiência de separação
55 Sedimentação contínua Espessador/clarificador contínuo 56 Sedimentador contínuo 57 Sedimentador contínuo Alimentação Extravasante Lodo Projeto: Calcular a área plana para
uma dada vazão de alimentação
58 Sedimentador contínuo Vista superior Rastelo 59 Projeto
Área plana para uma dada vazão de alimentação
Altura de espessamento Balanço de massa de sólidos Balanço de massa de líquido
(
)
p p p p p p p p p 1 cQ cA A A M ρ υ ρ ε υ ρ υ ρ = = − = ′ =( )
( )
f f f f f f f f f 1 1 Q c A c A A M − = − = = ′ = ρ υ ρ ε υ ρ υ ρ 60 Definições Alimentação Extravasante Lodo F, cF V, cv Qf Qc c L, cL 0Qf: vazão de líquido ascendente na seção transversal Qc: vazão de suspensão descendente na seção transversal c: concentração de sólidos em uma seção transversal do
61 Balanços de massa
Balanço global de sólidos ⇒ Vazão de lodo
F, cF V, cv Qf Qc c L, cL V c L c F cF p L p V p
ρ
ρ
ρ
= + F c c L L F = 0 62 Balanços de massa Balanço de sólidos V c cQ F cF p c p V pρ
ρ
ρ
= + F c c Q F c= 0 F, cF V, cv Qf Qc c L, cL 63 Balanços de massa Balanço de líquido L Q Qc f f f f L fε ρε ρε ρ = + Qf=( )
1−cQc−(
1−cL)
L 1 F, cF V, cv Qf Qc c L, cL 64 Equação de projeto v = v(c):Velocidade ascensional de líquido Deve ser menor do que a velocidade de sedimentação − = L F f 1 1 c c F c Q A Q v= f 65 Equação de projeto Valores de c: cF≤c≤cL v = v(c)
Encontrar o par (v, c) tal que a área A seja máxima (condição de projeto)
− = L F 1 1 c c v F c A 66 Equação de projeto
Capacidade de sedimentação: F/A Condição de projeto: F/A = mínimo
− = L F 1 1 1 c c v c A F
67 Ensaio Kynch z t z0 z0 68 Método de Kynch Determinação da velocidade z t z0 t z zi dt dz = =tan
θ
Inclinação θ 0 i − − = − = t z z dt dz v 69 Método de Kynch Determinação de c z0 cF z zi t = 0 t > 0 t > 0 0 F p p c Az M =ρ Mp=ρpcAzi i 0 F z z c c= c 70 Localizando o ponto de projetoLocalizar a concentração c* em que F/A = mín Aplicar à equação de projeto
a condição − = L F 1 1 1 c c v c A F
(
/)
0 * = =c c dc A F d * 0 proj t z A F = 71 Localizando o ponto de projetoO tempo t* corresponde a algum z* na curva Kynch − = L * * F * 0 1 1 1 c c v c t z L F 0 * c c z z = 72 Método de Kynch Determinação de t* z t z0 t* z* L F 0 * c c z z = * 0 proj t z A F =
73 Exercício
Resolver o exercício 2.25
Projeto de um sedimentador contínuo Método Kynch
74 Como melhorar?
75 Área: lamelar vs. convencional
76 Sedimentador lamelar