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Aspectos microbiológicos do pescado resfriado

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ES S L C

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA CENTRO DE- CIÊNCIAS AGRARIAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PESCA

ASPECTOS MICROBIOLóGICOS DO PESCADO RESFRIADO ANA CRISTINA DA ROCHA ARAÚJO

Dissertação apresentada ao Departamento de Engenharia de Pesca do Centro de Cincias Agrrias da Universidade Federal do Cear, como parte das exig'encias para a obtenção do tItulo de Engenheiro de Pesca.

FORTALEZA - CEARA 1990.1

(2)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará

Biblioteca Universitária

Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

A687a Araújo, Ana Cristina da Rocha.

Aspectos microbiológicos do pescado resfriado / Ana Cristina da Rocha Araújo. – 1990. 26 f. : il.

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências Agrárias, Curso de Engenharia de Pesca, Fortaleza, 1990.

Orientação: Profa. Regine Helena S. dos F. Vieira.

1. Pescados - Conservação. I. Título.

(3)

Prof g Adj. Regine Helena S. dos F. Vieira Orientadora -

COMISSÃO EXAMINADORA:

Prof g Adj. Regine Helena S. dos F. Vieira

- Presidente -

Prof g Adj. Dorasilvia Pontes Lima

Prof. 'Adj. Jose Raimundo Bastos

VISTO:

Prof g Adj. Vera Lúcia Mota Klein

Chefe do Departamento de Engenharia de Pesca

Prof. Adj. Jose Raimundo Bastos

(4)

ASPECTOS MICROBIOL6GICOS DO PESCADO RESFRIADO

ANA CRISTINA DA ROCHA ARAÚJO

1 - INTRODUÇÃO

0 pargo, Lutjanus purpureus Poey, esta incluido entre os principais recursos pesqueiros da regiao Nordeste do Brasil.

Antes de 1961, a indústria pesqueira do Nordeste brasileiro ex

piorava essencialmente a lagosta, tendo encontrado na pesca do

pargo uma rent;.vel alternativa para os perlodos de baixas captu-ras daquele crust;.ceo. Depois de 1961, os desembarques de pargo cresceram continuamente, ao mesmo tempo em que o recurso alcança va altos pregos de venda nos mercados interno e externo ( IVO & HANSON, 1982).

Sendo um recurso demersal, o pargo capturado no Bra

sil encontrado tanto na plataforma continental como em bancos

,

oceanicos. Fora das aguas continentais brasileiras, a especie

pode ser encontrada em quase todo o Mar do Caribe e parte da cos

ta dos Estados Unidos (CARPENTER, 1965; RIVAS, 1966 e 1970; CAR

PENTER & NELSON, 1971, citados por IVO & HANSON, 1982). Do mesmo

modo, que no Brasil, o pargo capturado no Mar do Caribe também

em bancos oceanicos e na plataforma continental. Estas areas

nas costas de Honduras e NicarLgua, parecem ser regiOes onde o

potencial da especie considerLvel (CARPENTER & NELSON, 1971 ,

citado por IVO & HANSON, 1982). Outras areas costeiras do Pana

ColOmbia, Venezuela, Trindade, Guianas, Cuba e Porto Rico

(5)

se devolver a qualidade original 2

da desde o Atol das Rocas at o Estado do Para. No entanto, a

area de atuação da frota pargueira baseada em Fortaleza, esta li

mitada, praticamente, aos Estados do Ceara. e Maranhao

(FONTELES-FILHO, 1969). Durante o ano de 1987, a frota, no porto de Forta-leza, desembarcou 3.442 toneladas desta especie.

Devido a sua importância comercial no mercado externo, sob forma de file e peixe congelados, praticamente toda a produ- gao do pargo e oriunda da pesca industrial, e somente um pequeno percentual e capturado pelo sistema de pesca artesanal. Nesse ca

so, os peixes sao comercializados com a populagao nas feiras de

pescado.

O pescado exportado, normalmente, 6 beneficiado e ins

pecionado com maior rigor do que aquele que se destina ao merca-

do interno. Entretanto, existem muitos cuidados que devem ser

observados, uma vez que a manutenção da qualidade do produto re

.veste-se de uma atividade de carter imprescindível, consideran-

do-se que uma vez instalado o processo de deterioração no se

conhece nenhum metodo capaz de da mataria

De um modo geral, o pescado possui a carne mais pere civel de todas as consumidas pelo homem. A deterioragao do pesca do pode ser definida como as alteragOes indesejaveis que ocorrem

no músculo apos a morte do animal. Tais mudanças so agravadas

como resultado da falta de cuidado no manuseio e falhas no pro

cessamento ou estocagem.

0 pescado sofre, logo que sai da Agua, alteragOes de ordem química (ranço), enzimatica (autOlise) e bacteriana. Esta ultima e, sem dúvida, a mais importante, e se processa a partir da superficie da pele, das guelras e do trato intestinal, ja que

(6)

o

o tecido Muscular estéril no peixe vivo (REIDEL, 1987).

f

As modificagoes quimicas ocorridas no pescado apos a ,

sua morte sao motivadas, principalmente, pelas bactérias presen-

tes, cuja carga inicial dependente do grau de contaminação das

guas que constituem seu habitat (VIEIRA & TELLES, 1977) e do

grau de contaminagao provocado pelo processamento logo apes a

captura (VIEIRA & CARDONHA, 1979).

É muito dificil prever o prazo de conservagao de um

pescado, porque inúmeros fatores interferem no processo de dete-rioragao. A especie, o local de pesca (temperatura e poluição da agua), os metodos de captura (exaustão das reservas de glicoge - nio), a manipulação (redes, contaminagao) sao alguns dos fatores que merecem importante influencia na decomposigao do pescado.

A analise bacteriolOgica um dos instrumentos mais úteis, tanto no campo da pesquisa tecnologica, como nas ativida-des de uma indústria pesqueira. Ela serve como meio auxiliar na

fase de .industrializagao e na avaliagao do estado sanitL.rio do

produto final enlatado, salgado-seco, fresco, embutido e outros.

Normalmente, as analises microbiolegicas indicadas pa

INI

ra determinar o grau de contaminagao em pescado fresco sao: o

Número Mais ProvL.vel (NMP) de coliformes totais e fecais, Conta-

gem Padrao em Placas de Microorganismos (CPP), pesquisa de Sal

monella, contagem de Staphylococcus aureus e pesquisa de Vibrio

parahaemolyticus.

As bacterias do grupo coliforme pertencem a familia Enterobacteriaceae •que inclui todos os bacilos aerObios e facul-

tativos, gram-negativos, no esporulados, que produzem cido e

6s a partir da fermentação da lactose no periodo de 48 horas a 352C. As especies c1L.ssicas deste grupo sao a Escherichia coli e

(7)

a Enterobacter aerogenes. A E. coil 6 um habitante normal do trato intestinal do homem e de outros animais.- A E. aerogenes 6 encontrada com mais frequencia em grãos e vegetais, podendo ocor

rer, tambem nas fezes do homem e de animais. Tais especies pos

suem muita semelhança no que diz respeito As suas caracteristi

cas morfolOgicas e de cultivo. Consequentemente 6 necess.ário re

correr a testes bioquímicos que possam estabelecer sua diferen ciação (FISHBEIN et al., -- 1976; PELCZAR et al., 1981). De acordo com PELCZAR et al.(1981), os germes dotados de potencial patoge-nico chegam às extensOes de água atraves das excreg6es do homem e de outros animais. Alem disso, certas especies bacterianas do

'grupo conforme como a E. coil, os estreptococos fecais e o

Clostridium perfringens estão normalmente presentes na _,_-_,filLt6ria fecal. Assim, a presença de qualquer uma dessas especies bacteri

anas na agua evidencia algum tipo de poluição fecal, de 6rigem

humana ou animal. Se tais germes estão presentes na L.gua, o .

acesso esta aberto, também, para os agentes pato6nicos, encon -

trados, igualmente, nas fezes. As estimativas de coliformes,

totais e fecais, se aplicam como indices das condigOes sanitL.

rias, não so pelo fato de estarem em numero muito abundante, mas

por serem de fácil isolamento e identificação, bem como por

sobreviverem durante mais tempo do que os demais patogenicos-- en tericos (VIEIRA, 1989)..

A Contagem Padrão em Placas 6 um m6todo que procura estimar o número de celulas viveis contidas em um material qual quer. Esta metodologia 6 aceita universalmente como um Indice da

condição sanit'Aria do produto alimenticio. At 6 1-CA pouco_tempo, a

Resolução 13/78 da Comissão Nacional de Normas e Padres para

(8)

5

duto de pesca no poderia apresentar um número de Unidade Forma

dora de Colonia (UFC) superior a 106/g. Entretanto, a nova legis

laço da Diviso Nacional de Vigilancia Sanitria de Alimentos

(DINAL), Portaria n2 01 de 28 de janeiro de 1987 dispensou este

Índice de avaliação de qualidade, embora muitas indústrias expor tadoras e o prOprio Ministério da Agricultura ainda o considerem.

KIETZMANN et al. (1974) observa que o pescado esta. imersO em um

mundo de microorganismos que coexistem dentro da corpo ou sobre ele, de forma quantitativa e qualitativa, em equilibrio biolOgi- co e sua permanencia pode ser continua ou passageira. Outrossim

variagoes so produzidas, segundo a especie do pescado, o habi

tat, zona de captura, estagao do ano, situagao de alimentagao e

fase do ciclo reprodutivo.

LEIT-A0 (1984) afirma que a maioria das bacterias' presentes na mucosidade que recobre o pescado pertence geralmen-

te aos generos Pseudomonas, Achromobacter (hoje, Moraxella/

Acinetobacter), Micrococcus, Flavobacterium, Corynebacterium,

Sarcina, Serratia, Vibrio e Bacillus, cujo número apOs a captura

pode apresentar os seguintes valores: guelras 103 a 106g;

intes-tino 103 a 108g de conteúdo e superfície corporal 102 a 107 /cm2 podendo ser diminuido com a lavagem. Ainda segundo o mesmo autor, ao se analisar o pescado como veiculo de microorganismos patoge-

nicos ou responsveis diretamente por casos de surtos de toxin

fecgoes de origem alimentar, deve-se distinguir os problemas me rentes A mataria-prima e aqueles existentes nos produtos indus trializados. Ressalta ainda, que as evidencias disponiveis indi

cam que um pescado capturado em "L.guas limpidas e no pollaidas,

as únicas bacterias potencialmente patogenicas que podem ser de tectadas sao o Vibrio parahaemolyticus e Clostridium botulinum.

(9)

6

0 habitat normal das salmonelas e o trato enteri-co do homem e dos animais, de oenteri-corre'ncia mais frequente em aves (BRYAN, 1968; TAYLOR & McCOY, 1969), sendo eliminadas pelas fe zes.

Todas as salmonelas deveriam Ser considerados um

patOgeno em potencial para o homem. A via oral e virtualmente a

maneira exclusiva de entrada desses organismos no corpo do ho

mem. Por essa razão, e de suma importancia a pesquisa de

Salmonella em alimentos (ICMSF, 1978). Salmonella e um genero

bastante numeroso da familia Enterobacteriaceae, contendo espe -

cies que se apresentam como bastonetes curtos, gram-negativos

nao esporulados, na maioria mOveis por flagelos peritriquios, de

metabolismo aerObio ou facultativamente anaerObio, utilizam o

citrato como fonte de carbono, nao desaminam a fenilalanina, nao produzem indol, nao produzem acetilmetilcarbinol, nao decompoem'

a ureia, nao fermentam a sacarose e geralmente a lactose, mas

fermentam a glicose produzindo gas. Normalmente, produzem gas

sulfidrico e descarboxilam a usina (BIER, 1981; PELCZAR et al.,

1981; VIEIRA, 1989).

Segundo GIORGI (1982), atualmente as salmonelas

representam um dos grupos mais importantes das zoonoses, sendo

que os alimentos de origem animal constituem a principal fonte

de infecgao para o homem, tendo sido identificados mais de 1.000

diferentes sorotipos de Salmonella, todos eles potencialmente pa

togenicos.

A existencia de portadores, modernamente chamados de assintomaticos, responsaveis pela transmissao das salmonelas, e representados pelos manipuladores e conhecida ha muito tempo, sendo considerado um serio problema na epidemiologia(SANTIAGO . ,

(10)

7

cias nos estabelecimentos produtores de alimentos, assim como os surtos epidemiolOgicos, porque conhecendo-se a magnitude do problema e possivel o estabelecimento de programas eficientes

com o objetivo de interromper a cadeia de transmissao dessas

zoonoses. A presença de Salmonella, de qualquer sorotipo, em

alimentos perigosa como fonte de enfermidade para o homem pe

lo consumo direto, ou indiretamente, quando ocorre uma contami

nagao secundLxia (THATCHER & CLARK, 1972). A patogenicidade ,

nestes casos, se desenvolve através da infecgao mediante o con

sumo de uma infecgao alimentar, caracterizada por sintomas cia ros de dores abdominais, vOmitos, diarreia e febre. Dentre as especies mais frequentes destacam-se S. typhi, S.

enteritidis-sorotipos paratyphi A e B, S. gallinarum, S. typhimurium, S.

pullorum, etc. (VIEIRA, 1989). •

'Os estafilococos constituem uma representagao es cassa dentro da microbiota habitual do pescado de .gua salga -

da. Segundo KIETZMANN (1974) pode-se afirmar que o Staphylo

coccus aureus e outros tipos afins, que ve'm sendo discutidos '

como causadores de intoxicagoes alimentares, nao aparecem nos peixes marinhos,muito embora, 10 a 30% do pescado manipulado a

bordo, filetado depois em terra e vendido fresco, estejam con

taminados por tais microorganismos, como consequencias do con

tato com manipuladores de S. aureus.

WILSON & MILLES (1966) consideram que a principal

fonte de S. aureus do meio ambiente o corpo animal, sendo en

contrado nas fossas nasais, saliva, pele e conteúdo intestinal. De acordo com ANGELLOTTI (1969), e importante salientar que o S. aureus encontra-se frequentemente presente em pessoas assin tom'L.ticas, enquanto que WILLIANS (1963) acredita que o proble-ma dos portadores de S. aureus s8 poderL. ser resolvido adequa-

(11)

8

damente depois da implantagao é difusao do uso da prova de coa

gulase. Para HOOFER (1985), um baixo número de S. aureus pode

ser esperado em alimentos processados a mio, e a ocorrencia de uma contagem excessiva pode indicar metodos no higienicos. A presença de patOgenos e indicadores de qualidade e segurança ' de alimentos servem como uma bandeira de alerta sobre a possi-bilidade de perigosos microorganismos patogenicos. A intoxica-

,

gao estafilococica e a forma mais frequente de envenenamento a limentar, sendo causada pela ingestao de enteroxina produzida'

no alimento por cepas de S. aureus. Estas exotoxinas so ter

morresistentes e provem, quase sempre, de cepas coagulase posi tivas. A OPS/OMS (1978) ressalta que poucas cepas coagulase ne

gativas so enterotoxigenicas e que, atualmente, sabe-se da

existencia de cinco tipos de toxinas (A, B, C, D e E) sendo A a mais prevalente nos casos de intoxicação.

f

Quanto as caracteristicas morfológicas, os estafi

lococos compreendem cocos agrupados em cachos de uva, gram-

positivos, imOveis, nao esporulados, anaeróbios facultativos ,

embora se desenvolvam melhor aerobicamente. No que se refere

aos caracteres fisiológicos, FRAZIER (1972) e JENNINGS (1975)

relatam que o S. aureus resiste a concentragoes elevadas de

cloreto de sadio, mesmo aquelas proximas a saturação, podendo at multiplicar-se. Possui atividade fermentativa com tempera-tura 6-ulna de 35 a 372 C e pH mL.ximo em torno de 9,0.

0 Vibrio parahaemolyticus uma bacteria aerObia

ou facultativa que necessita de 2-4% de sal para se desenvol -

ver. Seu habitat natural o ambiente marinho, sendo que as

,

investigagoes realizadas nos últimos 20 anos, abordam a ocor

(12)

rios, no sedimento e nos componentes de sua fauna, alem daque-las que retratam os processos entericos humanos, relacionados' com surtos de toxinfecgao alimentar, em certas regiOes do mun do (HOFER & SILVA, 1978).

0 V. parahaemolyticus passou a ser objeto de estu do, quando em 1957 no Japão, houve um surto de gastroenterite'

provocado pela ingestao de um alimento preparado a base de

pescado cru (KIETZMANN, 1974). Embora o V. parahaemolyticus

nao esteja associado a esgotos, existem evidencias de que a

L.gua do mar prOxima aos afluentes de indústrias pesqueiras con

tem números elevados desses microorganismos. CHAVES (1980) en

foca que o ITAL pesquisando as Aguas litoraneas do Estado de

Sao Paulo, concluiu que a presença dessa bacteria e mais

acen-tuada nas Areas mais poluidas. Entre as bacterias potencialmen

te patogenicas, o V. parahaemolyticus por um tempo de geragao

muito curto prolifera velozmente, sendo encontrado com mais

frequencia na superficie, guelras e trato intestinal dos crus tAceos (LEITO, 1979). Segundo CONNELL (1978), o quadro clini-co desinteriforme provocado pelo clini-consumo de alimentos clini- contami-nados ocorre tanto em paises temperados quanto em zonas tropi cais, principalmente nas estagOes mais quentes do ano.

A enumeragao de V. parahaemolyticus a partir de

alimentos marinhos tem se tornado muito importante, consideran ,

do que a Comisso Nacional de Especificagoes Microbiologicas ' para Alimentos (ICMSF) tem recomendado um limite de aceitabili

dade igual a 102 /g para estes organismos em alguns produtos

pesqueiros (KARUNASAGAR et al., 1986).

No Brasil, essa bacteria ainda tem pouco estudo,e

(13)

2 - MATERIAL E MtTODOS

0 material utilizado na presente pesquisa constou de 10 (dez) individuos do genero Lutjanus capturados na costa de Fortaleza - CE, no período de julho a dezembro de 1989.

Os peixes refrigerados, esviscerados e lavados

foram adquiridos no Entreposto de Pesca do Mucuripe e levados ao laboratOrio dentro de sacos de polietileno.

No laboratOrio, o músculo foi retirado, mascerado em graal de porcelana e, em seguida homogeneizado em liquidifi

cador na proporção de 1:10 (ply) em solução salina a 0,85%

considerado a diluição 10-1.

Todo o material e instrumentos utilizados nas aná lises foram previamente esterilizados.

As analises procedidas foram: Contagem Padrão em

Placas de Microorganismo, Número Mais ProvLrel (NMP) de coli

formes totais e fecais, pesquisa de Salmonella, contagem de

Staphylococcus aureus e de Vibrio parahaemolyticus.

2.1. Contagem Padrão em Placas de Microorganismo (CPP). A Contagem Padrao em Placas foi realizada segundo o metodo das diluig3es sucessivas. Partindo-se da diluição

10-1 foram preparada S as demais, correspondendo a 10-2, 10-3

10-4 e 10-5,usando-se como diluente solução salina a 0,85%.

5

De cada diluigao, 1 mL foi transferido para pia

cas de Petri e coberto com aproximadamente 10 mL de

TGEA(agar-peptona de caseína-glicose-extrato de carne-DIFC0) fundido resfriado e mantido a temperatura de 45-50°C. Para homogenei

zar o inOculo, as placas foram submetidas a um movimento de

rotação com cuidado para evitar o transbordamento das mesmas

(14)

12

Depois da solidificagao do meio, as placas foram incubadas a

temperatura de 212C por 4 dias e a 352C durante 24-48 horas. ApOs o periodo de incubação, as placas que conti-nham um número de colOnias compreendido entre 30 e 300, foram

contados com auxilio de contador de colOnias Phoenix, Modelo

EC. 550A e os resultados expressos em Unidades Formadoras de

Colonias por grama (U.F.C./g).

2.2. Número Mais ProvL.vel (NMP) de coliformes totais e fe cais.

Para a determinagao de NMP de coliformes foram

usadas as diluigoes 10-1, 10-2 e 10-3. De cada diluigao foi

retirado 1 mL e semeado em tres series de tubos contendo 10 mL

1 de caldo Lauril sulfato (DIFCO) com tubos de Durham inverti

dos..

Os tubos foram incubados a 36+ 12 C por 24-48 ho

f .

ras. Decorrido este tempo, foram tomados inOculo ,com auxillo de uma alga de platina, dos tubos com produgao de 6s, conside rados positives e semeados em tubos contendo caldo lactosado '

bile verde brilhante (DIFCO) e caldo E.C. (DIFCO) tambem con

tendo tubos de Durham invertidos. Os tubos de caldo lactosado

bile verde brilhante (DIFCO) foram incubados a 36 + 12C por

24-48 horas e a produção de gas indicou a positividade do tee

te. Esses resultados foram transformados em NMP de coliformes

totais por 100g da amostra, com o auxilio da tabela de Hoskins.

Os tubos contendo caldo E.C. (DIFCO) foram incubados em

banho-maria Unitemp (FANEN)

a

temperatura de 44,5+0,22 C por 24 a 48

horas. 0 resultado positivo foi verificado pela presença de

(15)

13

amostra obtido tambem através da tabela de Hoskins.

2.3. Pesquisa de Salmonella.

Foram pesadas 25g do milsculo macerado, colocados

em 225 mL de caldo lactosado (DIFCO) e incubados a 36 + 120

por 24 horas. ApOs esta etapa de pre-enriquecimento, foram

transferidos porg6es de 1 mL para caldo selenito cistina

(DIFCO) e caldo tetrationato (DIFCO), com incubagao de 36 +

12C por 24 horas. Esta etapa se constitui no teste de enrique-cimento.

A partir desses caldos foram semeados placas de

agar AVE (DIFCO) e agar SS (DIFCO) com auxílio de alga de pla

tina e incubadas a 36 + 120 por 24 horas. As colonias suspei tas foram semeadas em TSI (DIFCO) e LIA (DIFCO) e incubados a 36 + 12C. Em seguida, a partir desses meios de triagem as colo

nias foram submetidas aos testes bioquímicos em caldo urdia

(DIFCO), caldo malonato fenilalanina (DIFCO) e caldo Usina

descarboxilase (DIFCO) e

a

sorotipagem.

Os resultados foram expressos como presença ou

ausencia de Salmonella em 25g da amostra.

2.4. Staphylococcus aureus.

De cada diluigao selecionada foi tornado 0,1 mL e

semeado sobre a superficie do agar Baird-Parker (DIFCO) com

auxilio de alga de Drigalski, e as placas foram incubadas a

36 + 12 C por 24-48 horas. As colOnias escolhidas para a conta-_

gem foram aquelas de cor preta brilhante circundadas por um

halo de clarificação. De cada placa foram selecionadas tre*s

colOnias típicas, as quais foram submetidas A coloração de

(16)

14

As colônias suspeitas de S. aureus foram isoladas

em caldo BHI - Brain Heart Infusion (DIFCO) e incubadas a 36 +

12C por 24 horas. Dessa cultura foi transferido um volume de

0,5 mL para tubos contendo 0,1 mL de plasma de coelho citratado

e incubados a 36 + 12C por 4 horas. Decorrido este periodo, a

presença de coagulo indicava a positividade da prova. A mesma cultura do BHI era fervida 15' e feita a prova da termonuclease

com o emprego de Agar Azul de Toluidina.

2.5. Vibrio parahaemolyticus.

Foram pesados 50 g do músculo macerado, homogenei-

zado em 450 mL de solução salina a 3% em liquidificador. Este

homogenato foi considerado a diluigao 10-1 e a partir dele fo

ram preparados os demais pelo metodo das diluigOes sucessivas u

sando solução salina a 3% como diluente.

A partir das diluigOes 10-1, 10-2, 10-3 e 10-4 fo

ram retirados in;culos de 1 mL de cada diluigao, os quais foram

transferidos para tubos contendo caldo GSTB (DIFCO) e incubados a 36 + 12C por 16 a 24 horas. Dos tubos que apresentaram turva

gao, foram semeados inoculos com alga de platina em placas de

agar TCBS (DIFCO) e incubadas a 36 + 12 C por 24 horas. _

Todos os testes procedidos de acordo com as reco mendagoes do LANARA (1981).

(17)

3 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das anAlises de colimetria em múscu

lo de pargo, Lutjanus purpureus Poey, estão apresentadas na TA

BELA 1. De um modo geral, os coliformes totais e fecais ocorre

ram em números elevados. As diferenças nas contagens, minima ,

igual a 230 e maxima, superior a 110.000, podem ser Atribuidas

a variação entre amostras. Segundo LEITO et al.(1976), as de-terminagOes de coliformes totais e fecais tem pouco ou nenhum'

valor na avaliação da qualidade do pescado estocado a baixa

temperatura. Sua importância seria na indicação de algumas fon

tes de contaminagao fecal, embora em alimentos crus, segundo

ICMSF (1978), virias especies de Enterobacteriaceae persistem

mais tempo do que a Escherichia coli. Como todas as amostras

apresentaram positividade para o teste de NMP de coliformes fe cais tem-se uma prova de que o pescado estudado foi provenien-te de um local onde as Lguas não eram de boa qualidade.

Os dados de Contagem Padrão em Placas de bacte

rias a 21 e 352C estão apresentadas tambem na TABELA 1. A con

tagem a 212C apresentou uma variação de 7 x 10 a 109 x 104

UFC/g, enquanto a 352 C, o menor valor foi 19 x 103 e o maior

29 x 106 UFC/g. Somente duas amostras (I e III), seriam

consi-deradas inaceit'aveis (FIGURA I).

DIPES/SIPA (1985), considera que a microbiota do pescado 6 composta, em sua maioria, de microorganismos psico - trOficos, recomendando que a contagem padrão seja efetuada em temperatura de 252C.

LEITX0 (1976), observa que alguns autores so una

nimes que estes exames devam ser efetuados com a precaugao de

(18)

16

se efetivar a incubação em temperaturas na faixa de 20 a 252C, durante três dias, pois nestas condigOes seria possível

avali-ar a microbiota psfc_rctro'fica de maior significado na deteriora

gao do pescado, usualmente mantido em refrigeração.

MICHENER & ELLIOT, citados por VIEIRA (1985), con

sideram a contagem padrao de mesOfilas de valor desprezivel pa

ra avaliação de alimentos conservados a baixa temperatura, uma vez que as mesofilas tem seu crescimento inibido em temperatu-ras inferiores'a 52 C.

Para alimentos estocados a baixas temperaturas tem-se sugerido que a determinação da populagao bacteriana de

va ser feita em relagao a temperatura de incuba,-:ão de 52 C

(INGAM, 1966). ou a 72C por 10 dias (VANDERZANT & JONHS, 1972). CONNELL (1978) considera que os organismos respon

saveis por alteragao do pescado, tem sua temperatura tima a

202C, sugere como orientagao que os microorganismos totais nao

devam ser superiores a 104 a 106g, quando a incubação se reali

zar de 35 a 372C.

Segundo a TABELA 2, observa-se que tres amostras

de pargo (I, II e III) apresentaram resultado positivo para

Salmonella. As amostras I e II foram Salmonella sorotipo B e

a terceira n.o pode ser sorotipada, uma vez que os antisoros ' que dispúnhamos em laboratOrio (A e B) no se prestaram para

sua identificagao. Nas demais amostras no foi constatada a

presença de Salmonella. Segundo JAY (1973), a presença de

Sal-monella em alimentos implica em grave problema de saúde

públi-ca ja que todas as salmonelas tem carter patogenico.

Nas amostras estudadas no foi detectado S.aureus (TABELA 2).

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4 - CONCLUSÕES

1. A incidencia de coliformes,total e fecal, observada nas

amostras analisadas, chama a atengao para que sejam adota - das medidas, principalmente no que se refere a manipulagao e processamento do produto.

2. Com relação a CPP de mesOfilas e psicotrOficas, os valores

encontrados foram relativamente altos, tendo duas amostras apresentado um número superior ao permitido pela legislagao •

Pr.

para 352C de incubagao.

3. A pesquisa de Salmonella apresentou resultado positivo para

tres amostras estudadas, indicando que o produto nao esta

dentro dos padres preconizados para pescados.

• 4. A-ausencia de S. aureus indica que o pescado nao sofreu con

taminagao desse microorganismo patogenico.

5. Com relação ao V. parahaemolyticus, sua presença nao foi

confirmada nas amostras analisadas.

(20)

- SUMÁRIO

0 presente trabalho visa fornecer informaç5es so

bre o grau de contaminação microbiolOgico em músculo de pargo, Lutjanus purpureus Poey.

Foram analisadas 10 amostras de músculo de pesca-do, constando de Contagem Padrao em Placas de Microorganismos, Numero Mais Provavel (NMP) de coliformes totais e fecais, pes

quisa de Salmonella, contagem de Staphylococcus aureus e de

Vibrio parahaemolyticus.

Todas as amostras analisadas apresentaram elevada incidencia de coliformes totais e fecais.

• A CPP revelou valores relativamente altos, tendo

duas amostras com um número superior ao permitido.

Em relação a pesquisa de Salmonella, tres amos

tras foram positivas.

As pesquisas de Staphylococcus aureus e Vibrio

parahaemolyticus no confirmaram a presença desses microorga nismos nas amostras analisadas.

(21)

6 - REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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(26)

TABELA 1 - Contagem Padrão em Placas (OFF) a 212 C e 35 2 C e Número Mais Provável (NMP) de coliformes totais e fecais em amostras de pargo, Lutjanus purpureus Poey.

Amostras

Contagem Padrão em Placas (UFC/g) - Temperatura NMP de NMP de

coliformes fecais/100g

212 c 35 2 C coliformes

n log(n) n I log( n) totais/100g

I 190.000 5,3 1.000.000 6,0 2,1x103 2,1x103 II 530.000 5,7 2.100.000 6,3 > 110,0x103 , 110,0x103

III

180.000 5,3 29.000.000 7,5 > 110,0x103 110,0x103 IV 283.000 5,5 225.000 5,4 > 110,0x103 > 110,0x103 V 23.000 4,4 175.000 5,2 > 110,0x103 110,0x103 VI 60.000 4,8 70.000 4,8 0,23x103 0,23x103 VII 1.090.000 6,0 225.000 5,4 110,0x103 > 110,0x103 VIII 7.000 3,8 112.000 5,0 24,0x103 24,0x103 IX 173.000 5,2 19.000 4,3 24,0x103 24,0x103 X 210.000 5,3 210.000 5,3 >110,0x103 110,0x103 ,

(27)

CONTAGEM PADR40 EM PLACAS 2I.G

3 4 5 6 7 8 9

DE AMOSTRAS DE PARGO, Lutjanus purpureus, Poey

FIGURA 1 - Log/UFC/g de amostras de pargo em re1a9ao ao número de amostras de pargo, Lutjanus purpureus Poey.

(28)

TABELA 2 - Resultados das análises de Salmonella, Staphylococ

cus aureus e Vibrio parahaemolyticus em amostras

de pargo, Lutjanus purpureus Poey.

Amostras Pesquisa

de

Salmonella

Sorogrupos S.aureus

Vibrio

parahaemolyticus

em 25g

I

+

B

-

-

II'

+

B

-

III

-

-

-

-

IV

-

-

-

-

V

-

-

-

-

VI

-

-

-

-

VII

-

-

-

-

VIII

-

-

-

-

IX

-

-

-

-

X

-

-

-

-

* (+) Positivo ( -) Negativo

Referências

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