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Trabalho 1: PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA.

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

FACULDADE DE DIREITO

TEORIA GERAL DO PROCESSO 2

Professor: Vallisney Oliveira

Manuella Bonavides Amaral - 12/0167697 Lara Sena Scapetti Almeida - 12/0124301

Trabalho 1: PRINCÍPIO DA

PRESUNÇÃO DE

INOCÊNCIA.

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I. Acórdão

Ministro EROS GRAU

Relator REVISTA DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Edição Especial — ano XXVIII;

Decisões do STF 223; 15/12/2009; SEGUNDA TURMA

AG. REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 769.433 CEARÁ RELATOR: MIN. EROS GRAU

AGTE. (S): ESTADO DO CEARÁ

PROC. ((A/S) (ES)): PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO CEARÁ AGDO. (A/S): JEFFERSON LOPES CUSTÓDIO

ADV. (A/S): JEFFERSON LOPES CUSTÓDIO

EMENTA

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL. INQUÉRITO POLICIAL. EXCLUSÃO DO CERTAME. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA.

O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que viola o princípio constitucional da presunção de inocência a exclusão de candidato de concurso público que responde a inquérito ou ação penal sem trânsito em julgado da sentença condenatória. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, sob a Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator.

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RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO EROS GRAU: Neguei seguimento ao agravo de instrumento nos seguintes termos:

DECISÃO: Trata-se de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto com fundamento no artigo 102, III, “a”, da Constituição do Brasil em oposição ao acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, assim ementado [fls. 200-201]:‘CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRELIMINAR DE INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. CONCURSO PÚBLICO. PROVA DE TÍTULOS. ACUSAÇÃO DE FRAUDE. INQUÉRITO POLICIAL ARQUIVADO. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. ORDEM DE SEGURANÇA CONCEDIDA.

— A documentação trazida ao bojo dos autos, com o ajuizamento da ação mandamental, afigura-se mais que suficiente à demonstração do direito líquido e certo do impetrante. Desincumbiu-se fielmente de seu ônus de produzir prova pré-constituída. — Não cabe ao Poder Público, em se tratando de condutas penalmente relevantes, usurpar as funções institucionais do Poder Judiciário, a quem compete, isoladamente, o julgamento de fatos dessa magnitude.

— Em concurso público, é vedada a exclusão de candidato, a pretexto de responder ou haver respondido a inquérito policial já arquivado, por fatos tipificados abstratamente como crimes, porquanto sobre essas condutas incide o princípio da presunção de inocência.

— Nulo é o ato administrativo que inobserva esta imposição. Ordem concedida’.REVISTA DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Edição Especial — ano XXVIII

Alega-se, no recurso extraordinário, ofensa ao disposto no artigo 5°, caput, LIII e LVII, da CB/88.

O agravo não merece provimento. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento fixado por esta Corte no sentido de que a exclusão de candidato de

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concurso público por estar respondendo a ação penal, sem condenação definitiva com trânsito em julgado, fere o princípio constitucional da presunção de inocência. Nesse sentido, colaciono os seguintes precedentes:

O agravante alega que “[...] o Recorrido foi eliminado do certame por fraude quanto à originalidade e autoria de determinadas obras apresentadas pelo candidato para efeito de prova de títulos. Vê-se, portanto, que a eliminação não se deu por violação ao princípio da presunção de inocência, mas por fraude perpetrada na própria seleção da qual participava” [fl. 298].

Assevera que “ora, é inaceitável a permanência em concurso de delegado da polícia civil, de candidatos que respondam por ilícitos perpetrados na própria - - - - Requer o provimento do agravo regimental para que o extraordinário tenha regular seguimento.

É o relatório.

VOTO

O SENHOR MINISTRO Eros Grau (Relator): Os argumentos deduzidos pelo agravante são insuficientes para desconstituir os fundamentos da decisão agravada.

Tal e qual demonstrado na decisão objurgada, o acórdão recorrido está em consonância com o entendimento fixado por esta Corte no sentido de que a exclusão de candidato de concurso por estar respondendo a ação penal, sem condenação definitiva, com trânsito em julgado, fere o princípio da presunção de inocência. Nesse sentido transcrevo os seguintes precedentes: EMENTA: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Recurso que não demonstra o desacerto da decisão agravada. 3. Concurso público. Polícia Militar. Candidato respondendo a ação penal. Exclusão do certame. Violação ao princípio da presunção de inocência. 4. Ausência de prequestionamento quanto aos demais artigos suscitados. Incidência das Súmulas 282 e 356 do STF. 5. Agravo Regimental a que se nega provimento. [RE n. 487.398-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJ 30.6.06] [grifei]. CONCURSO PÚBLICO — CAPACITAÇÃO MORAL — PROCESSO-CRIME EM ANDAMENTO.

Surge motivado de forma contrária à garantia constitucional que encerra a presunção da não-culpabilidade ato administrativo, conclusivo quanto à ausência de capacitação

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moral, baseado, unicamente, na acusação e, portanto, no envolvimento do candidato em ação penal [RE n. 194.872, Relator o Ministro Marco Aurélio, Segunda Turma, DJ 2.2.01] [grifei]. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. POLÍCIA MILITAR. CANDIDATO. ELIMINAÇÃO. INVESTIGAÇÃO SOCIAL. ART. 5°, LVII, DA CF. VIOLAÇÃO.

I — Viola o princípio constitucional da presunção da inocência, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição Federal, a exclusão de candidato de concurso público que responde a inquérito ou ação penal sem trânsito em julgado da sentença condenatória. Precedentes.

II — Agravo regimental improvido. [RE n.

559.135-AgRg, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJ 13.6.08] [grifei]

II. Introdução ao Princípio da Presunção de Inocência

A constituição, tida como a Carta Magna do ordenamento jurídico brasileiro, é composta por diversos princípios que tem como objetivo fundamentar e direcionar o ordenamento jurídico nacional. Um desses princípios é o da Presunção de Inocência, presente no art. 5º, LVII da Constituição de 1988, que enuncia: “ninguém será considerado culpado até transito em julgado de sentença penal condenatória”.

A importância deste princípio reside em sua vocação para reprimir qualquer ato que viole a liberdade de um cidadão antes deste ser condenado e submetido a todos as garantias constitucionais que lhe tem direito. Verificamos que, graças a este princípio, o autor de um determinado crime só é tido como culpado após sentença judicial, tendo sua inocência presumida.

O primeiro indício desse princípio em nosso ordenamento ocorreu em 1948 com a Declaração dos Direitos Humanos da ONU que relatava em seu artigo 11: “Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não se prova sua culpabilidade, de acordo com a lei e em processo público no qual se assegurem todas as garantias necessárias para sua defesa”. Embora o Brasil tenha sido signatário deste tratado, o princípio da presunção de inocência só foi positivado com a Constituição de 1988. Vemos que hoje temos dois textos constitucionais que abarcam esta matéria: o Art.5 da CF e o Art.8 do Pacto de San José que foi incorporado ao ordenamento brasileiro através do Decreto Legislativo nº27 de 1992.

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A aplicação deste princípio se dá no campo probatório e no tratamento de um acusado em estado de inocência. O primeiro refere-se ao fato de que cabe ao acusador provar que o outro é culpado e a veracidade dos fatos. O acusado não é obrigado a contribuir para a apuração dos fatos para não se tornar um objeto de investigação quando, na verdade, é um sujeito processual. O segundo está relacionado com o processo penal que deve ser regido de maneira na qual o acusado seja privado o mínimo possível de seus direitos e sejam tomadas apenas as medidas necessárias para o andamento do julgamento.

Um outro campo de aplicação do princípio da presunção de inocência trata da prisão cautelar do acusado. Vemos que essa medida cautelar e excepcional só pode ocorrer quando a liberdade do réu acarreta risco ao andamento do processo. Pode-se argumentar que isso seria uma afronta ao princípio aqui citado, mas realçamos que este tipo de prisão só é emitida quando bem fundamentada e de acordo com os devidos processos legais.

A importância deste princípio consiste na manutenção do equilíbrio entre a liberdade do cidadão (jus libertatis) e a prerrogativa estatal de punir possíveis infratores (jus puniendis), sendo assim essencial para o Estado Democrático de Direito.

III. Jurisprudência do STF

No dia cinco de fevereiro de 2009 o Supremo Tribunal Federal decidiu que um acusado só poderá ser preso após sentença condenatória transitada em julgado. Isso reafirma, somente, aquilo que já estava expresso na Art.5 da Constituição Federal de 1988, que diz que “ninguém será considerado culpado até transito em julgado de

sentença penal condenatória”. Embora o texto seja bastante autoexplicativo havia uma recorrente ação dos tribunais inferiores que desprovido o apelo defensivo, expediam mandados de prisão, quando afastada a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito, dando início, assim, a execução provisória da pena. Sobre esta matéria o Ministro Celso de Melo declarou que “o postulado constitucional da presunção de inocência impede que o estado trate, como se fosse culpado, aquele que ainda não sofreu condenação penal irrecorrível”. Ressaltamos aqui que não importa o grau de violação do acusado, ele nunca poderá ser provido de

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liberdade sem antes ser condenado. Por sua vez, o Ministro Eros Graus, ao julgar o habeas corpus n 94.408-6/MG, relatou que “nas democracias mesmo os criminosos são sujeitos de direitos. Não perdem essa qualidade, para se transformarem em objetos processuais. São pessoas, inseridas entre aquelas beneficiadas pela afirmação constitucional da sua dignidade (art. 1º, III, da Constituição do Brasil). É inadmissível a sua exclusão social, sem que sejam consideradas, em quaisquer circunstâncias, as singularidades de cada infração penal, o que somente se pode apurar plenamente quando transitado em julgado a condenação de cada qual”.

Podemos concluir afirmando que a jurisprudência do STF caminha no sentido de defender e perpetuar o princípio da presunção de inocência não só na esfera penal como também nas diversas áreas do direito. Esse é um entendimento que confere direitos aos cidadãos que estão em face de um processo judicial, conferindo-lhe os direitos constitucionalmente previstos e que devem ser observados. Por fim, deve-se ressaltar que em nada a decisão do supremo atinge a prisão cautelar devidamente aplicada em beneficio da atividade estatal, com função exclusivamente processual, pois em qualquer de suas modalidades, ela não se destina a punir antecipadamente, pois não tem caráter de sanção como a prisão penal.

IV. Quanto ao caso concreto

À luz do presente caso, concluiu-se que não podem repercutir, contra o réu, situações jurídico-processuais ainda não definidas por decisão irrecorrível do Poder Judiciário, especialmente naquelas hipóteses de inexistência de título penal condenatório definitivamente. A recusa administrativa de inscrição em Curso de Formação de Sargentos da Polícia Militar, motivada, unicamente, pelo fato de haver sido instaurado, contra o candidato, procedimento penal, inexistindo, contudo, condenação criminal transitada em julgado, transgride, de modo direto, a presunção constitucional de inocência, consagrada no art. 5º, inciso LVII, da Lei Fundamental da República.

Sustenta-se que a Corte judiciária local teria desrespeitado o art. 5º, inciso LVII, da Constituição, pois a parte ora recorrente entende possível a recusa de inscrição em cursos de formação da Polícia Militar nos casos em que o candidato esteja sofrendo

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procedimento penal, embora inexistindo, contra ele, condenação criminal transitada em julgado.

A pretensão jurídica do Distrito Federal no que tange ao Recurso Extraordinário defendeu que no caso dos autos, “trata-se de uma Corporação Policial Militar que se rege, fundamentalmente, pelos princípios da hierarquia, da disciplina e da proteção do ordenamento jurídico. Nessa moldura, nota-se que o registro de inquéritos e/ou ações penais pendentes em nome do candidato, mesmo que ainda não haja condenação transitada em julgado, constitui, evidentemente, fato desabonador de uma conduta que se pretende moralmente idônea, suficiente a impedir a ascensão na carreira policial militar.” (…) Destarte, no campo administrativo funcional-militar, o simples fato de os milicianos estarem respondendo a processo criminal ou disciplinar tem absoluta e necessária repercussão nas progressões da carreira, porque passarão a ter parcela maior de comando. (...)”

No agravo, alegou-se que “(...) o Recorrido foi eliminado do certame por fraude quanto à originalidade e autoria de determinadas obras apresentadas pelo candidato para efeito de prova de títulos. Vê-se, portanto, que a eliminação não se deu por violação ao princípio da presunção de inocência, mas por fraude perpetrada na própria seleção da qual participava” [fl. 298]. Assevera que “ora, é inaceitável a permanência em concurso de delegado da polícia civil, de candidatos que respondam por ilícitos perpetrados na própria seleção” [fl. 298]. Com tais argumentos, requer o provimento do agravo regimental para que o extraordinário tenha regular seguimento.

Todavia, a documentação trazida aos autos, com o ajuizamento da ação mandamental, é considerada mais que suficiente para comprovar o “direito líquido e certo do impetrante”. O Senhor Ministro Eros Graus considera os argumentos deduzidos pelo agravante insuficientes para desconstituir os fundamentos da decisão agravada.Sendo assim, são considerados inviáveis o recurso extraordinário e o agravo.

O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento fixado por esta Corte no sentido de que a exclusão de candidato de concurso público por estar respondendo a ação penal, sem condenação definitiva com trânsito em julgado é contrário ao princípio constitucional da presunção de inocência.

Com efeito, a controvérsia suscitada na presente causa já foi resolvida, embora em sentido oposto ao defendido pelo Distrito Federal, por ambas as Turmas do STF, que, em diversos julgados, reafirmaram a aplicabilidade da presunção constitucional do estado de inocência.

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Então, é possível concluir que baseado no princípio da presunção constitucional do estado de inocência, se inexistir, contra o indivíduo, uma condenação criminal transitada em julgado, este é considerado inocente e não pode ser penalizado.

Referências

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