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(1)

S E M A N A

A R T E

(2)

SEMANA ARTE MODERNA

• Semana de Arte Moderna também chamada de

Semana de 22, ocorreu em

São Paulo

no ano de

1922

,

no período entre

11 de fevereiro

e

18 de fevereiro

no

Teatro Municipal de São Paulo

, na mesma cidade.

Durante os sete dias que de exposição, foram expostos

quadros e artes consideradas

modernista

, em relação a

época, entre as apresentações que ocorreram á noite

dos dias

13 de fevereiro

,

15 de fevereiro

e

17 de fevereiro

, foram apresentadas

poesia

,

música

e

palestras sobre a

modernidade

, que deixou alguns

(3)

• Representou uma verdadeira renovação de linguagem,

na busca de experimentação, na liberdade criadora na

ruptura com o passado e até corporal, pois a arte

passou então da

vanguarda

, para o

modernismo

. O

evento marcou época ao apresentar novas idéias e

conceitos artísticos. A

poesia

através da declamação,

antes era só escrita. A música por meio de concertos, só

havia cantores sem acompanhamento de

orquestras sinfônicas

. A

arte plástica

exibida em

telas,

esculturas

e maquetes de

arquitetura

, com

desenhos arrojados e modernos. O adjetivo "novo",

passou a ser marcado em todas estas manifestações

que propunha algo no mínimo curioso e de interesse.

• Participaram da Semana nomes consagrados do

Modernismo brasileiro

, como

Mário de Andrade

e

Oswald de Andrade

,

Víctor Brecheret

,

Anita Malfatti

,

(4)

Origens

• A Semana de Arte Moderna ocorreu em uma época cheia de turbulências políticas, sociais, econômicas e culturais. As novas

vanguardas estéticas surgiam e o mundo se espantava com as novas linguagens desprovidas de regras. Alvo de críticas e em parte ignorada, a Semana não foi bem entendida em sua época. • A Semana de Arte Moderna se encaixa no contexto da República

Velha, controlada pelas oligarquias cafeeiras e pela política do café-com-leite. O capitalismo crescia no Brasil, consolidando a

República e a elite paulista, esta totalmente influenciada pelos padrões estéticos europeus mais tradicionalistas.

• Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade com "a perfeita demonstração do que há em nosso meio em

escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista

rigorosamente atual", como informava o Correio Paulistano a 29 de janeiro de 1922.

(5)

Vanguardas européias

• O principal foco de descontentamento com a ordem

estética estabelecida se dava no campo da

literatura

(e

da

poesia

, em especial). Exemplares do

Futurismo

italiano chegavam ao país e começavam a influenciar

alguns escritores, como Oswald de Andrade e

Guilherme de Almeida

.

• A jovem pintora

Anita Malfatti

voltava da Europa

trazendo a experiência das novas vanguardas, e em

1917

realiza a que foi chamada de primeira exposição

modernista brasileira, com influências do

cubismo

,

expressionismo

e futurismo. A exposição causa

escândalo e é alvo de duras críticas de

Monteiro Lobato

,

o que foi o estopim para que a Semana de Arte Moderna

acontecesse.

(6)

Antecedentes

• Alguns eventos que direta ou indiretamente motivaram a realização da Semana de 1922, mudando as atitudes dos jovens artistas modernistas, constitui uma informação importante para o reconhecimento da forma como foi se tornando realidade.

• 1912. Oswald de Andrade retorna da Europa, impregnado do Futurismo de

Marinetti, e afirmando que “estamos atrasados cinqüenta anos em cultura, chafurdados ainda em pleno Parnasianismo”.

• 1913. Lasar Segall, pintor lituano, realiza “a primeira exposição de pintura não acadêmica em nosso país”, nas palavras de Mário de Andrade.

• 1914. Primeira exposição de pintura de Anita Malfatti, que retorna da Europa trazendo influências pós-impressionistas.

• 1917. – Mário de Andrade e Oswald de Andrade, os dois grandes líderes da primeira geração de nosso Modernismo, se tornam amigos.

– Publicação de Há uma gota de sangue em cada poema; livro de poemas de

Mário de Andrade, que utilizou o pseudônimo Mário Sobral para assinar essa obra pacifista, protestando contra a Primeira Guerra Mundial.

– Publicação de Moisés e Juca Mulato, poemas regionalistas de Menotti Del Pichia, que conseguem sucesso junto ao público.

(7)

• O músico francês

Darius Milhaud

, que vive no Rio de

Janeiro e entusiasma-se com maxixe, samba e os

chorinhos de

Ernesto Nazareth

, se encontra com

Villa-Lobos

. O então jovem compositor, já

impressionado com a descoberta de

Stravinski

, entra

em contato com a moderna música francesa.

• Segunda exposição de

Anita Malfatti

, exibindo quadros

expressionistas, criticados com dureza por

Monteiro Lobato

, no artigo “Paranóia ou mistificação?”,

publicado no jornal O Estado de S. Paulo, Esse artigo é

considerado o “estopim” de nosso

modernismo

, já que

provocou a união dos jovens artistas, levando-os a

discutir a necessidade de divulgar coletivamente o

movimento.

• 1919. Publicação de Carnaval, de

Manuel Bandeira

, já

(8)

• 1921. Banquete no palácio do Trianon, em homenagem ao lançamento de As máscaras, de Menotti Del Pichia,

Oswald de Andrade faz um discurso, afirmando a chegada da revolução modernista em nosso país.

• Exposições de quadros de Vicente do Rêgo Monteiro, em Recife e no Rio de Janeiro, explorando a temática indiana.

• Mostra de desenhos e caricaturas de Di Cavalcanti, denominada

“Fantoches da Meia-noite”, na cidade de São Paulo.

• Oswald de Andrade, Menotti Del Pichia, Cândido Mota Filho e

Mário de Andrade divulgam o Modernismo, em revistas e jornais. • Mário de Andrade escreve a série Os mestres

do passado, analisando esteticamente

a poesia parnasiana que estava no auge da

reputação literária e mostrando a necessidade de superá-la, porque a sua missão já foi cumprida

.

(9)

Oswald de Andrade

publica um artigo sobre

os poemas de

Mário de Andrade

,

intitulando-o “O meu poeta futurista”. A

partir de então, apesar da recusa de

Mário de Andrade

em aceitar a designação,

a palavra “futurismo” passa a ser utilizada

indiscriminadamente para toda e qualquer

manifestação de comportamento

modernista, em tom na maioria das vezes

pejorativo. Em contrapartida, os

modernistas chamam de “passadistas” os

defensores da tradição em geral.

(10)

A Semana

• A Semana, de uma certa maneira, nada mais foi do que uma ebulição de novas idéias totalmente libertadas, nacionalista em busca de uma

identidade própria e de uma maneira mais livre de expressão. Não se tinha, porém, um programa definido: sentia-se muito mais um desejo de

experimentar diferentes caminhos do que de definir um único ideal moderno.

• 13 de fevereiro (Segunda-feira) - Espalhadas pelo saguão do Teatro

Municipal de São Paulo, várias pinturas e esculturas provocam reações de espanto e repúdio por parte do público. O espetáculo tem início com a

confusa conferência de Graça Aranha, intitulada "A emoção estética da Arte Moderna". Tudo transcorreu em certa calma neste dia.

• 15 de fevereiro (Quarta-feira) - A "atração" dessa noite foi a palestra de

Menotti del Picchia sobre a arte estética. Menotti apresenta os novos escritores dos novos tempos e surgem vaias e barulhos diversos (miados, latidos, grunhidos, relinchos...) que se alternam e confundem com aplausos. Quando Ronald de Carvalho lê o poema entitulado Os Sapos de

(11)

• 17 de fevereiro (Sexta-feira) - O dia mais

tranqüilo da semana, apresentações musicais

de

Villa-Lobos

, com participação de vários

músicos. O público em número reduzido,

portava-se com mais respeito, até que

Villa-Lobos

entra de casaca, mas com um pé

calçado com um sapato, e outro com chinelo; o

público interpreta a atitude como futurista e

desrespeitosa e vaia o artista impiedosamente.

Mais tarde, o maestro explicaria que não se

tratava de modismo e, sim, de um calo

inflamado...

(12)

Desdobramentos

• Vale ressaltar, que a Semana em si não teve grande importância em sua época, foi com o tempo que ganhou valor histórico ao projetar-se ideologicamente ao longo do século. Devido à falta de um ideário comum a todos os seus participantes, ela desdobrou-se em diversos movimentos diferentes, todos eles declarando levar adiante a sua herança.

• Entre os movimentos que surgiram na década de 1920, destacam-se:

• Movimento Pau-Brasil: foi um movimento lançado em 1924 por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral que apresentava uma posição primitivista, buscando uma poesia ingênua, de redescoberta do mundo e do Brasil. • O movimento exaltava o progresso e a era presente, ao mesmo tempo em que combate à linguagem retórica e

vazia.

• Movimento antropofágico:foi uma manifestação artística brasileira da década de 1920. Oswald de Andrade foi figura central do movimento. Ironizava em suas obras a submissão da elite brasileira aos países desenvolvidos. Em 1928, lançou com Tarsila do Amaral o Movimento antropofágico, que propunha a "Devoração cultural das técnicas importadas para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produto de exportação".

• Ao mesmo tempo, intelectuais como Menotti del Picchia e Plínio Salgado seguiam outro rumo. Com tendências nacionalistas, fundaram o Movimento Verde-Amarelo. foram movimentos culturais decorrentes da Semana de

1922. Na literatura tem por característica textos patrióticos, ufanistas e a idealização do país.

• A principal forma de divulgação destas novas idéias se dava através das revistas. Entre as que se destacam, encontram-se:

• Revista Klaxon

(13)

Revista Klaxon

• Capa da Klaxon de agosto de 1922

• Klaxon foi uma revista mensal de arte moderna que circulou em

São Paulo de 15 de maio de 1922 a janeiro de 1923. Seu nome é derivado do termo usado para designar a buzina externa dos

automóveis.

• O principal propósito da revista foi servir de divulgação para o

movimento modernista, e nela colaboraram nomes como

Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Sérgio Buarque de Holanda,

Tarsila do Amaral e Graça Aranha, entre outros artistas e

escritores.

• Também destacam-se na revista a busca pelo atual; o culto ao progresso; a concepção de que a arte não deve ser uma cópia da realidade; aproveitamento das lições de uma nova arte em

(14)

Revista Antropofagia

• Revista de Antropofagia foi uma publicação surgida como conseqüência do Manifesto Antropófago escrito por

Oswald de Andrade. A revista de Antropofagia teve duas fases, ou "dentições", como queriam os seus participantes.

• A primeira "dentição", sob a direção de Alcântara Machado e

Raul Bopp, teve dez números publicados, que circularam de maio de 1928 a fevereiro de 1929. Nessa primeira fase os principais colaboradores foram: Plínio Salgado, Mário de Andrade,

Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira,

Menotti del Picchia, Murilo Mendes, Augusto Meyer, Pedro Nava

etc. Como se pode ver, os autores que escreveram nessa primeira fase da Revista de Antropofagia representam a "nata" do primeiro momento modernista. Já a segunda "dentição", sob liderança de

Geraldo Ferraz, teve 15 números publicados no jornal "

(15)

CONCLUSÃO

• Logo após a realização da Semana, alguns artistas fundamentais que dela participaram acabam voltando para a Europa (ou indo lá pela primeira vez, no caso de Di Cavalcanti), dificultando a

continuidade do processo que se iniciara.

• Por outro lado, outros artistas igualmente importantes chegavam após estudos no continente, como Tarsila do Amaral, um dos

grandes pilares do Modernismo Brasileiro.

• Não resta dúvida, porém, que a Semana integrou grandes personalidades da cultura na época e pode ser considerada importante marco do Modernismo Brasileiro, com sua intenção nitidamente anti-acadêmica e introdução do país nas questões do século.

• A própria tentativa de estabelecer uma arte brasileira, livre da mera repetição de fórmulas européias foi de extrema importância para a cultura nacional e a iniciativa da Semana, uma das pioneiras nesse sentido.

Referências

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