TÍTULO: MOBILIDADE FUNCIONAL E VELOCIDADE DE MARCHA EM IDOSOS COM E SEM COMPROMETIMENTO COGNITIVO
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: FISIOTERAPIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): VITÓRIA DE ALMEIDA RAMOS AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): SHEILA DE MELO BORGES ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): JULIA EMIKO FLEMING UCHIDA COLABORADOR(ES):
MOBILIDADE FUNCIONAL E VELOCIDADE DE MARCHA EM IDOSOS COM E SEM COMPROMETIMENTO COGNITIVO
Vitória de Almeida Ramos¹,Júlia Emiko Fleming Uchida2, Sheila de Melo Borges3.
1. Graduanda do 6° período do curso de fisioterapia da Universidade Santa Cecília (UNISANTA).
2. Fisioterapeuta pela UNISANTA. Aprimoramento em Fisioterapia em Geriatria e Gerontologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
3. Docente do curso de fisioterapia da UNISANTA. Doutora em Psiquiatria pela FMUSP e Mestre em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas.
RESUMO: Alterações na mobilidade funcional e na marcha estão presentes no
processo de envelhecimento, sendo ainda mais prejudicadas na presença de comprometimento cognitivo. Para compreender essa relação, o objetivo do presente estudo foi verificar se idosos com déficit cognitivo apresentam pior desempenho funcional e maior prejuízo na velocidade da marcha em comparação a idosos cognitivamente preservados. Para isso, foram utilizados os dados do estudo intitulado “Síndrome da fragilidade: Identificação e monitoramento de vulnerabilidade em idosos usuários de Unidades Básicas de Saúde no município de Santos/SP”. Para verificar a hipótese supracitada, foram utilizados os seguintes dados: Mini-exame do Estado Mental (MEEM) para classificar os idosos com comprometimento cognitivo (Grupo Estudo – GE; n=38) e cognitivamente preservados (Grupo controle – GC; n=56), de acordo com o nível de escolaridade. Os testes Timed Up and Go (TUG) e velocidade de marcha de 4 metros (4VM), que foram utilizados para avaliar a mobilidade funcional e velocidade de marcha, respectivamente. Foi possível observar diferença significativa (p=0,03) apenas na 4MV entre os grupos (GC: 4,52±1,24 e GE: 5,24±1,66 segundos). Dessa maneira, conclui-se que os idosos com comprometimento cognitivo apresentam prejuízo na velocidade de marcha em comparação aos idosos sem déficit cognitivo.
Descritores: Envelhecimento, Idosos, Mobilidade Funcional, Cognição.
1. INTRODUÇÃO
No Brasil, o processo de envelhecimento está ocorrendo rapidamente, em associação com a expectativa de vida avançada na população em geral, o que pode resultar em um aumento da prevalência de doenças e incapacidades funcionais¹. Além disso, o envelhecimento pode ser acompanhado pelo declínio das capacidades físicas e cognitivas2.
Dentre as capacidades físicas, destaca-se os distúrbios da marcha e da mobilidade por interferirem diretamente na realização das atividades de vida diárias
(AVDs) e, portanto, na qualidade de vida dos idosos3, sendo estas também prejudicadas na presença de disfunções cognitivas1,4.
Idosos com comprometimento de execução da marcha apresentam um risco maior em desenvolver déficits cognitivos, da mesma forma este está relacionado à piora da marcha, além disso, ambos são considerados como importantes fatores de risco para quedas em idosos5.
Frente as possíveis repercussões do envelhecimento, a atuação fisioterapêutica nessa população tem um papel fundamental, visto que objetiva a melhora da funcionalidade e prevenir a ocorrência de quedas, sempre levando em consideração os aspectos individuais e características específicas de cada pessoa idosa, especialmente naqueles com comprometimento cognitivo e na limitação da mobilidade, permitindo lhes a conquista de sua autonomia e independência em suas AVDs. Nesse sentido, é necessário traçar um perfil da população idosa, para que possamos compreender a magnitude do prejuízo da mobilidade e da marcha na presença ou não do comprometimento cognitivo em idosos que utilizam unidades básicas de saúde (UBS), sendo este local considerado “porta de entrada” (serviço de atenção primária) da população brasileira do Sistema Único de Saúde.
2.OBJETIVO
Comparar o desempenho da mobilidade funcional e velocidade de marcha entre idosos com e sem comprometimento cognitivo.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 Tipo de estudo
Trata-se de uma pesquisa analítica, observacional do tipo transversal.
3.2 População
Foram avaliados 108 idosos, entretanto 14 foram excluídos por enquadrarem-se nos critérios de exclusão do estudo, desta maneira a mostra total foi de 94 idosos com e sem comprometimento cognitivo, dividindo-se em Grupo de Estudo (GE; n=38) e Grupo Controle (GC; n=56), respectivamente, que utilizam os serviços de UBS do município de Santos/SP.
Critérios de inclusão: Idosos de ambos os sexos, com idade igual ou superior
a 60 anos, e que aceitaram participar da pesquisa e para isso, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE).
Critérios de exclusão: Idosos cadeirantes, protocolos de pesquisa cujos testes
3.3 Procedimentos
A presente proposta de pesquisa integra o projeto “Síndrome da Fragilidade: identificação e monitoramento de vulnerabilidade em idosos frequentadores de unidades básicas de saúde do município de Santos/SP” e já possui aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa com seres humanos da UNISANTA, com CAAE: 36261214.8.0000.5513, estando de acordo com as diretrizes da resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.
Os idosos do projeto temático supracitado foram avaliados nas UBS dos bairros Aparecida e Gonzaga, por meio de um protocolo de pesquisa que utiliza informações contidas na Caderneta da Pessoa Idosa e no Caderno de Atenção Básica a Saúde. Para que sejam contemplados os objetivos deste estudo, foram utilizados o teste Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) para caracterizar idosos com e sem comprometimento cognitivo (GE e GC, respectivamente), bem como o Timed
Up and Go teste (TUG) e velocidade de marcha de quatro metros (4VM) para avaliar
a mobilidade funcional.
3.4 Materiais
O MEEM é um teste de rastreio cognitivo, utilizado clinicamente para identificar evidências de declínio cognitivo, controlar evolução de patologias crônico-degenerativas e verifica de uma forma individual como o idoso está reagindo a tratamentos. É um teste breve, incluindo questões como o local e momento, repetições de palavras, contas matemáticas e compreensão de linguagem e habilidades motoras básicas, ao todo a pontuação máxima do teste equivale a 30 pontos. A pontuação do teste é determinada pelo número de acertos, correlacionado aos anos de escolaridade6.
O TUG avalia mobilidade funcional e risco de quedas, sendo um exame rápido e fácil que consiste em basicamente levantar-se de uma cadeira, andar por três metros, retornar ao final do percurso e sentar-se novamente na cadeira, sendo
cronometrado a velocidade em que é concluído7.
O teste de 4VM consiste em avaliar funcionalmente a marcha, solicitado ao idoso que ande em um percurso de 4 metros, sendo cronometrado a velocidade em que ele realizou o teste8.
Além dos testes supracitados, também serão utilizados os seguintes dados para caracterização da amostra: idade, gênero, escolaridade, comorbidades, medicamentos em uso e sintomas depressivos.
3.5 Análise de dados
Para análise dos dados foi utilizado o programa estatístico SPSS® versão 16.0 para Windows. Para avaliar a normalidade dos dados o teste utilizado foi o
Kolmogorov-Smirnov. A análise comparativa foi feita por meio do teste Mann-Whitney em razão da distribuição livre dos dados. Para comparação dos dados categóricos nominais foi utilizado o teste Exato de Fisher. Foi utilizado o p<0,05 para ter efeito de significância estatística.
4.RESULTADOS
Os idosos avaliados com comprometimento cognitivo (n=38) apresentaram uma média de 72,7 anos (DP=6,88), com predomínio do gênero feminino (87%) e 6,76 anos de escolaridade (DP=3,77). Enquanto os idosos sem comprometimento cognitivo (n=56) apresentaram uma média de 72,5 anos (DP=7,14), com predomínio do gênero feminino (75%) e 6,57 anos de escolaridade (DP=4,16). Não houve diferença significativa entre os grupos em relação a maioria das variáveis da caracterização da amostra, exceto em relação ao gênero (Tabela 1).
Tabela 1 - Comparação entre os grupos controle e estudo da avaliação sociodemográfica e condições de saúde (n= 94).
GC n= 56 GE n= 38 P- valor Idade Gênero Homens Mulheres Escolaridade (anos) Doenças Medicamentos em uso EDG 72,50±7,14 14(25%) 42(75%) 6,57±4,16 2,73±1,53 3,52±2,10 3,70±2,94 72,76±6,88 5(13%) 33(87%) 6,76±3,77 3,08±1,71 4,00±2,10 3,50±2,93 ,868a 0,048b ,754a ,406a ,369a ,807a
Nota: a- p-valor referente a comparação dos dados numéricos apresentados em média+desvio padrão do teste
Mann-Whitney; b- P-valor referente a comparação dos dados nominais representados em frequência absoluta (%: frequência relativa) do teste Exato de Fisher.
Legenda: GC; grupo controle, GE; grupo estudo, n; número da amostra, EDG; Escala de Depressão Geriátrica.
Na tabla 2, observa-se diferença significativa (p=0,03) apenas no teste 4VM, com pior desempenho no grupo de idosos com déficit cognitivo.
Tabela 2 - Comparação da mobilidade funcional e velocidade de marcha entre os grupos avaliados (n= 94). GC n=56 GE n= 38 p-valor TUG 4VM 10,22±2,17 4,52±1,24 11,37±3,40 5,24±1,66 0,17 0,03
Nota: p-valor referente a comparação dos dados numéricos apresentados em média+desvio padrão do teste
Mann-Whitney não pareado.
Legenda: GC: grupo controle (sem déficit cognitivo), GE: grupo estudo (com déficit cognitivo), TUG: timed up go, 4VM: velocidade da marcha de quatro metros.
5. CONCLUSÃO
Os resultados desta pesquisa demonstraram que os idosos com comprometimento cognitivo tiveram um pior desempenho na velocidade de marcha, comparados aos idosos sem comprometimento cognitivo, porém não foi observado diferença significativa no teste de mobilidade funcional entre os grupos. Portanto a partir desses dados pretende-se estudar se há correlação entre essas variáveis e o déficit cognitivo(envolvendo outros testes de rastreio cognitivo) e aumentar a amostra para obtenção de resultados mais substanciais sobre a temática proposta.
6. REFERÊNCIAS
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Braz. J. Phys. Ther. 2013; 17(3): 297-306.
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