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Estudo do dever de gestão processual CPC

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Estudo do dever de gestão processual previsto no CPC

Nuno Miguel Mendes Morujão (n.º aluno: 3400004013) Turma: Pós-Laboral

Porto, 30/11/2015

Direito de Processo Civil 2015/2016

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1 Índice

Lista de siglas ... 2

I- Introdução ... 3

II- Contexto: a função do processo judicial e a reforma do CPC de 2013 ... 3

III- O poder-dever de gestão processual como parte do princípio do inquisitório (em sentido amplo) ... 4

i) Poder-dever de direção do processo ... 4

ii) Poder-dever de adequação formal ... 5

IV- Questões analisadas ... 6

i) A compressão do dispositivo pelo poder-dever de direção do processo ... 6

ii) O caráter discricionário / vinculado do poder-dever de adequação formal ... 6

iii) A irrecorribilidade das decisões relativas ao dever de gestão processual ... 7

iv) Implicações da evolução do papel do juiz: de “poder” para “dever” de gestão processual .... 7

V- Conclusão ... 9

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2 Lista de siglas Ac. Acórdão Al. Alínea Art. Artigo Cfr. Conforme DL Decreto-Lei

CPC Código de Processo Civil

CRP Constituição da República Portuguesa

GP Gestão processual

P.e. Por exemplo

Proc. Processo

RC Responsabilidade civil ou Relação de Coimbra (no contexto jurisprudencial)

RL Relação de Lisboa

RP Relação do Porto

RPCE Regime processual civil experimental STA Supremo Tribunal Administrativo STJ Supremo Tribunal de Justiça

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3 I- Introdução

O dever de GP é parte integrante de um dos princípios fundamentais estruturantes do processo civil: o princípio do inquisitório.

A reforma do CPC instituída em 2013 “acentuou a função jurisdicional civil enquanto função do Estado ao serviço da justa composição de litígios de acordo com a verdade material (…)”, e “(…) a partir do momento em que as partes submetem o litígio o tribunal, todo o decurso do processo passa a ser dominado quase exclusivamente pela ideia de que a função jurisdicional deve observar as exigências da justa composição do litígio e esta é uma incumbência do juiz”1. Foi assim reforçada a

importância do princípio do inquisitório, alterando o paradigma da dinâmica processual, e reforçando o papel que incumbe ao juiz, nomeadamente quanto ao dever de GP.

O presente estudo visa analisar esse dever.

II- Contexto: a função do processo judicial e a reforma do CPC de 2013

A função do processo judicial é a justa composição do litígio em tempo útil, de acordo com a verdade material, concretizando a realização do direito substantivo na situação controvertida.

Tal processo é regulado pelo CPC que é, por natureza, um dos mais sensíveis corpos normativos de qualquer ordenamento jurídico, designadamente por ser nele que se busca o equilíbrio entre as funções e os poderes do Estado e os direitos dos cidadãos, o que lhe confere uma adequada sensibilidade social, quer para os intervenientes processuais, quer para os cidadãos e empresas.

Na reforma do CPC concretizada em 1995/1996, promoveu-se a primeira rotura assumida com a ideologia vigente há décadas, consagrando-se novos princípios, atribuindo-se ao juiz um papel dirigente e ativo. Foi nesta reforma que se concretizou a viragem histórica e a atualização do direito adjetivo civil em Portugal.

Mais recentemente, no âmbito do “Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica”, celebrado no quadro do recente programa de auxílio financeiro a Portugal, o Governo comprometeu-se em rever o CPC.

Esta reforma veio completar a de 1995/1996, pois não só não entra em rota de colisão com o que aquela hierarquizou, como preenche o vazio da sua concretização e, por essa via, a completa. Com efeito, “pode, hoje, concluir-se que a reforma de 1995/1996 erigiu corretamente os princípios orientadores do moderno processo civil, mas não colocou nas mãos dos intervenientes processuais os instrumentos adequados para o tornar eficaz, viabilizando os fins a que se tinha proposto” (exposição de motivos do CPC de 2013).

Entre os princípios norteadores da recente reforma, manteve-se e reforçou-se o “poder de direção do processo pelo juiz e o princípio do inquisitório (de particular relevo na eliminação das faculdades dilatórias, no ativo suprimento da generalidade da falta de pressupostos processuais, na instrução da causa e na efetiva e ativa direção da audiência)” (exposição de motivos do CPC de 2013).

Quanto às medidas adotadas com importância para o presente estudo, é referido na exposição de motivos: “(…) importa-se para o processo comum o princípio da GP, consagrado e testado no âmbito do regime processual experimental2, conferindo ao juiz um poder autónomo de direção ativa do

processo, podendo determinar a adoção dos mecanismos de simplificação e agilização processual que, respeitando os princípios fundamentais da igualdade das partes e do contraditório, garantam a composição do litígio em prazo razoável. (…) É ainda uma visão participada do processo que justifica a inexistência de exceções ao princípio segundo o qual ao juiz não é lícito decidir questões de facto ou de direito, ainda que de conhecimento, sem que as partes tenham tido a possibilidade de sobre elas se

1 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,Elementos de Direito Processual Civil – Teoria Geral,

Princípios, Pressupostos, UCP Ed., 2014, p. 135.

2 Cfr. art. 2.º do DL n.º 108/2006, de 8/6 (RPCE), que apesar de ser aplicável a um número restrito de Comarcas, permitiu

um desenvolvimento doutrinário considerável relativamente ao paradigma da atividade do juiz. A opção pelo dever de GP também terá sido influenciada pelo processo civil Inglês (judicial case management) e ter-se-á ainda inspirado nos Princípios do Processo Civil Transnacional adotados pelo American Law Institute e pelo Unidroit, cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA, I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., p. 136.

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4 pronunciarem. Ainda em consonância com o princípio da prevalência do mérito sobre meras questões de forma, em conjugação com o assinalado reforço dos poderes de direção, agilização, adequação e GP do juiz, toda a atividade processual deve ser orientada para propiciar a obtenção de decisões que privilegiem o mérito ou substância sobre a forma, cabendo suprir-se o erro na qualificação pela parte do meio processual utilizado e evitar deficiências ou irregularidades puramente adjetivas que impeçam a composição do litígio ou acabem por distorcer o conteúdo da sentença de mérito, condicionado pelo funcionamento de desproporcionadas cominações ou preclusões processuais”.

III- O poder-dever de gestão processual como parte do princípio do inquisitório (em sentido amplo)

Como se afirmou introdutoriamente, nas reformas anteriores (sobretudo na revisão de 1995/1996) o princípio do inquisitório (em sentido amplo) foi reforçado, dotando o juiz de mais poderes na busca da verdade material e da justa composição do litígio.

O princípio do inquisitório compreende3:

i) O “poder-dever de GP”, atribuído ao juiz para dirigir ativamente o processo, e

ii) O “princípio do inquisitório em sentido estrito”, atribuindo “ao juiz poderes em matéria de iniciativa da prova quanto aos factos que lhe é lícito conhecer”4.

A GP compreende “todas as faculdades do juiz no sentido de decidir o modo de tramitar o processo, o que pedir às partes e quando, o que aceitar do que estas pedem, o que indeferir dos seus requerimentos, que atos praticar em concreto, por que ordem e com que função”5.

Neste âmbito, além de reforçado, o “poder” do juiz evoluiu para um “dever”; estas palavras-chave, usadas respetivamente antes e depois do novo CPC de 20136, são bem ilustrativas do reforço do

protagonismo do juiz. Ou seja, não só foram feitos ajustamentos no conteúdo do papel a desempenhar por este, como também aquilo que antes era uma faculdade, de uso discricionário pelo juiz, passou a ser um verdadeiro dever. Ou antes, um “poder-dever”.

De acordo com o CPC em vigor, “cumpre ao juiz, sem prejuízo do ónus de impulso especialmente imposto pela lei às partes, dirigir ativamente o processo e providenciar pelo seu andamento célere, promovendo oficiosamente as diligências necessárias ao normal prosseguimento da ação, recusando o que for impertinente ou meramente dilatório e, ouvidas as partes, adotando mecanismos de simplificação e agilização processual que garantam a justa composição do litígio em prazo razoável” (n.º 1 do art. 6.º CPC). Adicionalmente, “o juiz providencia oficiosamente pelo suprimento da falta de pressupostos processuais suscetíveis de sanação, determinando a realização dos atos necessários à regularização da instância ou, quando a sanação dependa de ato que deva ser praticado pelas partes, convidando estas a praticá-los” (n.º 2 do art. 6.º CPC).

Como veremos adiante, o protagonismo do juiz manifesta-se sobretudo na fase intermédia do processo (“fase de condensação”7), já que na fase inicial se mantém a preponderância do dispositivo.

Analisamos seguidamente, de modo mais desenvolvido, o conteúdo do atual “poder-dever” de GP, nas suas duas vertentes fundamentais8.

i) Poder-dever de direção do processo

Conforme antes exposto, compete ao juiz dirigir ativamente o processo e providenciar pelo seu andamento célere; nisso consiste o poder-dever de direção do processo.

3 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., p. 137. 4 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., p. 139.

5 Cfr. GOUVEIA,M.F.,GAROUPA, N.,MAGALHÃES,P.,CARVALHO,J.M., Justiça Económica em Portugal – Sínteses e

Propostas, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2012, p. 43.

6 Antes do CPC de 2013 o art. 265.º do CPC referia-se ao “poder de direção do processo e princípio do inquisitório” e

atualmente o art. 6.º do CPC prevê o “dever de GP”.

7 Explanada em LEBRE DE FREITAS,Aação declarativa comum – À luz do Código de Processo Civil de 2013, Coimbra Ed,

2013, pp. 151-154.

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5 Neste âmbito, inclui-se “o poder-dever de assegurar a regularidade da instância e o seu normal andamento” e “o poder-dever de providenciar oficiosamente pela sanação da falta de pressupostos processuais, ou, no caso de esta depender de ato das partes, de convidar estas ao seu suprimento (…)”9.

A sanação da falta de pressupostos processuais evita situações em que, de outro modo, seria admissível desde logo o indeferimento liminar da petição inicial por ineptidão (n.º 1 do art. 590.º do CPC) conduzindo à absolvição de instância (al. b) do n.º 1 do art. 278.º e n.º 1 do art. 186.º CPC), como pode suceder quando falte ou seja ininteligível a indicação do pedido ou da causa de pedir, quando o pedido esteja em contradição com a causa de pedir, ou quando se cumulem causas de pedir ou pedidos substancialmente incompatíveis (n.º 2 do art. 186.º CPC).

Este poder-dever é passível de manifestação em três grandes momentos: despacho pré-saneador, audiência prévia e despacho saneador.

O despacho pré-saneador desempenha uma quádrupla função10: a sanação da falta de

pressupostos processuais (al. a) do n.º 2 do art. 590.º CPC), a correção das irregularidades dos articulados (al. b) do n.º 2 e n.º 3 do art. 590.º CPC), junção de documento que permita a imediata apreciação de exceção dilatória ou o imediato conhecimento do pedido (al. c) do n.º 2 do art. 590.º CPC), e aperfeiçoamento dos articulados deficientes (al. b) do n.º 2 e n.º 4 do art. 590.º CPC).

É este o contexto em que “o juiz convida as partes a suprir as irregularidades dos articulados (…)” (n.º 3 do art. 590.º CPC), e “(…) ao suprimento das insuficiências ou imprecisões na exposição ou concretização da matéria de facto alegada (…)” (n.º 4 do art. 590.º CPC).

Concluídas as diligências resultantes do despacho pré-saneador (se a elas houver lugar), é convocada audiência prévia, que tem as seguintes finalidades principais (n.º 1 do art. 591.º CPC) 11:

a tentativa de conciliação das partes (al. a) do art. 591.º, regulada nos termos do art. 594.º CPC), discussão sobre as exceções dilatórias (al. b) do n.º 1 do art. 591.º CPC), discussão de mérito da causa (al. b) do n.º 1 do art. 591.º CPC), discussão para delimitação dos termos do litígio (al. c) do n.º 1 do art. 591.º CPC), aperfeiçoamento dos articulados deficientes (al. c) do n.º 1 do art. 591.º CPC), prolação do despacho saneador (al. d) do n.º 1 do art. 591.º CPC), determinação da adequação formal, da simplificação ou da agilização processual (al. e) do n.º 1 do art. 591.º CPC), despacho de identificação do objeto do litígio e enunciação dos temas da prova (al. f) do n.º 1 do art. 591.º CPC), e programação da audiência final (al. g) do n.º 1 do art. 591.º CPC).

Por fim, o despacho saneador destina-se a verificar a regularidade da instância, mediante o apuramento da ocorrência dos pressupostos processuais ou de exceções dilatórias e apreciação de nulidades processuais12, e conhecer imediatamente do mérito da causa, sempre que o estado do

processo permitir (n.º 1 do art. 595.º CPC) 13.

Uma vez “proferido despacho saneador, quando a ação dever prosseguir, o juiz profere despacho destinado a identificar o objeto do litígio e a enunciar os temas da prova” (n.º 1 do art. 596.º CPC).

ii) Poder-dever de adequação formal

Como já referimos, cumpre ainda ao juiz a adoção de mecanismos de simplificação e agilização processual, devendo ser adotada “(…) a tramitação processual adequada às especificidades da causa e adaptar o conteúdo e a forma dos atos processuais ao fim que visam atingir, assegurando um processo equitativo” (art. 547.º CPC), visando a justa composição do litígio em prazo razoável.

A simplificação e agilização processual são determinados no âmbito da audiência prévia (al. e) do n.º 1 do art. 591.º CPC), sendo expressamente consagrada a diretriz da simplicidade dos atos (art. 131.º CPC), segundo a qual os atos processuais terão a forma mais simples e adequada ao fim que visam.

9 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., pp. 138. 10 Cfr. LEBRE DE FREITAS,ob. cit., pp. 155-156.

11 Podem ainda ter lugar os seguintes atos na audiência prévia: alteração do requerimento probatório (n.º 1 do art. 598.º CPC),

apresentação do articulado superveniente (al. a) do n.º 3 do art. 588.º CPC) e prestação de depoimento de parte (n.º 3 do art. 456.º CPC), cfr. LEBRE DE FREITAS,ob. cit., pp. 170-178.

12 Neste contexto poderá ser ordenada a correção e correção da qualificação do meio processual utilizado pela parte (n.º 3 do

art. 193.º CPC).

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6 IV- Questões analisadas

i) A compressão do dispositivo pelo poder-dever de direção do processo

Num sentido lato, o princípio do dispositivo traduz-se “na liberdade da decisão sobre a instauração do processo e sobre a conformação do seu objeto, bem como (…) sobre o termo e suspensão do mesmo. Num sentido mais restrito, designa-se por princípio da controvérsia, que manifesta a [autor]responsabilidade das partes pelo material fáctico da causa, abrangendo a liberdade de as partes alegarem os factos destinados a constituir o fundamento da decisão, a liberdade das partes acordarem sobre a existência de certos factos ou de os darem por assentes e a iniciativa das partes quanto à prova dos factos que forem controvertidos”14. Este princípio é preponderante na fase inicial do processo.

Sucede que com o “CPC de 2013, o princípio do inquisitório (em sentido amplo) invadiu uma área nova, até agora dominada pelo dispositivo, no plano da conformação do objeto do processo, aparentemente à custa de uma compressão daquele princípio no plano da alegação dos factos” 15.

“O poder de livre disposição reconhecido à vontade individual mantém-se na fase do impulso inicial e de identificação do objeto do processo. Porém, a partir do momento em que as partes submetem o litígio ao tribunal, todo o decurso do processo passa a ser dominado quase exclusivamente pela ideia de que a função jurisdicional deve observar as exigências da justa composição do litígio, e esta é uma incumbência do juiz, não está dependente da vontade das partes (…) ao juiz cabe apreciar, em toda a sua extensão, o objeto do litígio” 16.

Esta compressão do dispositivo, emergente do dever do juiz convidar as partes “ao suprimento das insuficiências ou imprecisões na exposição ou concretização da matéria de facto alegada”, nunca deverá conduzir a novas alegações, porventura mais pertinentes e suscetíveis de maior probabilidade de sucesso no mérito da causa, visto que a isso corresponderia uma perda da (imprescindível) imparcialidade do juiz. Neste contexto usam-se conceitos indeterminados como “insuficiências” e “imprecisões”, que caberá à doutrina e à jurisprudência preencher, segundo cremos, sempre norteados pela imparcialidade exigível ao juiz. Efetivamente, “há uma barreira que não se pode ultrapassar: se na configuração que as partes deram ao litígio, estas omitiram factos essenciais à causa de pedir e ao pedido, seja da pretensão seja da defesa, não pode o tribunal ex officio tornar um articulado inepto num articulado viável, mediante um convite ao aperfeiçoamento. A tanto se opõe, além do mais, o princípio da autorresponsabilidade das partes”17.

ii) O caráter discricionário / vinculado do poder-dever de adequação formal

O poder-dever de adequação formal não pode ser exercido de forma discricionária, visto que está vinculado concretamente à prossecução da justa composição do litígio em prazo razoável, e “tem como limites inultrapassáveis o respeito pelos princípios da igualdade das partes e do contraditório da aquisição processual de factos e da admissibilidade dos meios probatórios (…) de tal modo que, ultrapassada qualquer dessas barreiras o seu exercício torna-se ilegítimo (…)”18.

Assim, quando o juiz pretender afastar-se do figurino legal, o que poderá suceder mesmo contra os interesses das partes19, tem de exarar nos autos a razão ou razões por que o faz, por forma sucinta

mas compreensível para as partes, sob pena de a sua decisão se assumir como ilegal, sempre que se afaste dos direitos fundamentais das partes ou de uma delas (…)”, não lhe sendo permitido assumir nos autos “(…) a função de legislador e esquecendo que está sujeito à lei (art. 203.º da CRP) tanto material como processual (…)”20.

14 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., p. 140. 15 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., p. 134.

16 Cfr. LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,ob. cit., p. 135. No mesmo sentido, LEBRE DE FREITAS,ob.

cit., p. 151.

17 Cfr. NETO A.,Novo Código de Processo Civil Anotado, Ediforum, 2015, p. 685 (nota 6). 18 Cfr. NETO A.,ob. cit., p. 35 (nota 4).

19 Cfr. ABRANTES GERALDES,A.S.,“O novo processo declarativo”, Ebook Caderno II – O Novo Processo Civil, CEJ, 2013,

p. 10.

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7 iii) A irrecorribilidade das decisões relativas ao dever de gestão processual

Quanto ao poder-dever de GP, o novo CPC estabeleceu a irrecorribilidade de diversas decisões processuais do juiz, nomeadamente em matéria de adequação formal e agilização processual21.

Com efeito, a irrecorribilidade ficou prevista, designadamente, em relação a “decisões de simplificação ou de agilização processual, proferidas nos termos previstos no n.º 1 do artigo 6.º (…) [quanto a] decisões de adequação formal, proferidas nos termos previstos no artigo 547.º, salvo se contenderem com os princípios da igualdade ou do contraditório, com a aquisição processual de factos ou com a admissibilidade de meios probatórios” (n.º 2 do art. 630.º do CPC), bem como quanto ao “despacho de convite ao suprimento de irregularidades, insuficiências ou imprecisões dos articulados” (n.º 7 do art. 590.º CPC)22.

Note-se contudo que não se pretendeu prescindir de uma visão participada do processo, impondo-se que tais decisões impondo-sejam antecedidas da audição das partes (exposição de motivos do CPC de 2013). Ou seja, a conduta do juiz deve ser vinculada pela participação das partes, observando o contraditório. Uma vez analisada a (in)suscetibilidade de recurso no e concluindo-se que estas decisões de GP do juiz são irrecorríveis, inviabilizando a reação das partes que com o seu conteúdo discordem, uma nova questão emerge: a omissão das decisões, quando em concreto forem devidas, é regulada no CPC? Como é tutelada a posição das partes em litígio em caso de silêncio do juiz? Quid iuris?

iv) Implicações da evolução do papel do juiz: de “poder” para “dever” de gestão processual Como já se afirmou, além de reforçado, o “poder” do juiz (enquanto faculdade de exercício discricionário) evoluiu para um “dever”23 (ou “poder vinculado”). Exige-se agora que a intervenção

do juiz seja mais ativa e direcionada para a simplificação e agilização processuais, bem como ao convite ao suprimento das insuficiências ou imprecisões na exposição ou concretização da matéria de facto alegada, em nome, recorde-se, da justa composição do litígio, em que se devem privilegiar decisões de mérito em detrimento de decisões formais, e visando a decisão em prazo razoável.

Voltando à questão deixada em aberto, quanto à tutela das partes em caso de silêncio do juiz (no âmbito das decisões de GP irrecorríveis), a omissão dos despachos devidos poderá constituir nulidade processual24, invocável pelo interessado na observância da formalidade (art. 195.º, 197.º, 199.º, n.º 3

do art. 200.º e art. 201.º), designadamente no caso do despacho pré-saneador em geral, e quanto ao despacho relativo ao articulado irregular em particular25.

Invocada essa nulidade perante o juiz, existe controvérsia quanto a saber se as decisões de tais reclamações são suscetíveis de recurso26, parecendo salvaguardar-se tal possibilidade sempre que as

decisões “contenderem com os princípios da igualdade ou do contraditório, com a aquisição processual

21 Concordando com a solução legislativa adotada, ABRANTES GERALDES,A.S.,ob. cit. p.12, refere que “só desse modo se

valoriza efetivamente a intervenção do juiz e se propiciam condições para que, sobrelevando eventuais interesses estratégicos das partes, se privilegiem os valores que o processo civil deve prosseguir: apreciar, com celeridade e eficácia, litígios na esfera do direito privado (art. 2º do CPC), conferindo efetivamente a possibilidade de obstar a estratégias que se orientem pela dilação da resposta judiciária ou pela ineficácia das sentenças que venham a ser proferidas”.

22 No âmbito do despacho saneador, também “não cabe recurso da decisão do juiz que, por falta de elementos, relegue para

final a decisão de matéria que lhe cumpra conhecer”. Por outro lado, com o despacho saneador, o juiz profere despacho destinado a identificar o objeto do litígio e a enunciar os temas da prova, que é suscetível de reclamação, mas “o despacho proferido sobre as reclamações apenas pode ser impugnado no recurso interposto da decisão final” (n.º 3 do art. 596.º CPC). Por fim, quanto ao despacho relativo à adequação formal, simplificação ou agilização processual, quanto ao despacho destinado a identificar o objeto de litígio e a enunciar os temas da prova, bem como o despacho destinado a programar os atos a realizar na audiência final (estabelecendo o número de sessões e a sua provável duração e a designar as respetivas datas), em todos os casos anteriores, as partes podem (uma vez notificadas) reclamar do teor desses despachos e requerer a realização de audiência prévia (n.º 3 do art. 593.º CPC).

23 Refira-se, a este propósito, o previsto na al. a) do n.º 2 do art. 602.º CPC: “ao juiz compete em especial dirigir os trabalhos

e assegurar que estes decorram de acordo com a programação definida”.

24 Cfr. Ac. STJ de 9/3/1993 (proc. 083553, relator: Fernando Fabião). 25 Cfr. LEBRE DE FREITAS,ob. cit., pp. 156-157 e 164.

26 No sentido de não ser admissível recurso, Ac. RC de 15/2/2011 (proc. 1301/09, relator: António Beça Pereira) e Ac. RC

de 14/2/2012 (proc. 1032/09.9TBVNO-A.C1, relator: Carlos Gil). Em sentido contrário, entendendo existir lugar a recurso se o tribunal se tiver pronunciado negativamente quanto à matéria em causa (perante a reclamação decidindo pela irrelevância da omissão), Ac. RC de 4/12/2007 (proc. 1268/04.9TBACB-B.C1, relator: Falcão Magalhães).

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8 dos factos, ou com a admissibilidade de meios probatórios (n.º 2 do art. 630.º). Ou seja, a parte tem não só de convencer o tribunal que a nulidade processual existe, como, além disso, tem de provar que põe em causa princípios estruturantes e fundamentais do processo, ou um direito fundamental seu, ou do direito a um processo equitativo”27. Essencial é demonstrar a influência da omissão, no exame ou

na decisão da causa28.

Constatada a influência e concluindo-se pela invalidade do ato (omissivo), esta “repercute-se nos atos subsequentes da sequência processual que dele forem absolutamente dependentes (art. 195.º 2)”29.

Mas sendo intempestiva a arguição da nulidade, ou em caso de indeferimento da reclamação, poderá suceder que, em conexão com o exercício indevido do poder de GP (traduzido em omissões ou decisões incorretas), o processo venha a culminar com uma decisão diferente da que resultaria, caso o dever legalmente prescrito fosse cumprido apropriadamente. Com efeito, tais deficiências podem conduzir a uma (indevida porque evitável) absolvição de instância em caso de ineptidão da petição inicial, ou a uma decisão de mérito diferente da que resultaria em caso de sanação de insuficiências / imprecisões das alegações, ou ainda, simplesmente, a uma demora processual para além do razoável, até à decisão. E como tal as partes podem sentir-se lesadas. Quid iuris?

O regime de responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais Entidades Públicas30 prevê

responsabilidades pelos “(…) danos ilicitamente causados pela administração da justiça, designadamente por violação do direito a uma decisão judicial em prazo razoável, o regime da responsabilidade por factos ilícitos cometidos no exercício da função administrativa”.

Quanto à atividade jurisdicional que nos ocupa, incluída na previsão anterior (porque integra a administração da justiça), a doutrina e a jurisprudência têm-se debruçado habitualmente sobre o problema do “erro judiciário” (nos pressupostos de facto ou na aplicação do direito) e da decisão “em prazo razoável”31 (n.º 4 do art. 20.º CRP), e não propriamente na violação de deveres processuais do

juiz, possivelmente porque até ao novo CPC predominavam os seus “poderes” e não “deveres”. De notar contudo que, até agora dissertamos sobre o error in procedendo, e não sobre o error in judicando (“erro judiciário” em sentido próprio32). Porém, consideramos que quando o error in procedendo

influencia a sentença, se verifica igualmente a ilegalidade da decisão, embora com dúvidas.

Em abstrato, cremos que dificilmente será viável acionar esta RC nos casos de absolvição de instância, visto que nesse caso o dano não está consumado (pelo menos a título definitivo); nada obsta a que seja interposta nova ação judicial que aprecie o mérito da causa. Consideramos que já será possível acionar a RC quanto à decisão em tempo para além do razoável, que a jurisprudência já tem sancionado33. Finalmente, em relação às situações em que o juiz não tenha convidado a parte a suprir

insuficiências e imprecisões, e devido a essas insuficiências tenha existido uma decisão de mérito desfavorável, consideramos que também poderá ser viável a ação de RC, ainda que seja de considerar a “culpa do lesado”34, o que poderá atenuar ou mesmo excluir a responsabilidade do Estado.

Em qualquer caso, naturalmente, exigir-se-á a demonstração de todos os pressupostos deste tipo de responsabilidade: o facto ilícito, a culpa, o dano e o nexo de causalidade entre o facto e o dano35.

27 Cfr. NETO A.,ob. cit., p. 261 (nota 2).

28 Cfr. Ac. STJ de 23/3/2006 (proc. 05B4325, relator: Araújo Barros).

29 Cfr. LEBRE DE FREITAS,Introdução ao Processo Civil, Coimbra Ed, 2013, pp. 23-25. No mesmo sentido, Ac. STJ de

23/5/2006 (proc. 06A1090, relator: Sebastião Póvoas).

30 Estabelecido pela lei n.º 67/2007, de 31/12 e alterada pela lei n.º 31/2008, de 17/7, que no seu art. 12.º (regime geral) e 13.º

(erro judiciário) prevê expressamente a responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional.

31 Quanto à doutrina, refira-se p.e. SALVADOR DA COSTA,Responsabilidade Civil por danos derivados do exercício da função

jurisdicional, 2009, CARVALHO,A.C.,“Responsabilidade por erro judiciário”, EBook Julho 2014 – Responsabilidade Civil

do Estado, CEJ, 2014, ou ainda RANGEL DE MESQUITA,M.J.,Aresponsabilidade pelo exercício da função jurisdicional:

âmbito e pressupostos, 2008. Quanto à jurisprudência, remete-se para a resenha do GABINETE DE JUÍZES ASSESSORES DO

SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA – ASSESSORIA CÍVEL,A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência

das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça (Sumários de Acórdãos de 1996 a Dezembro de 2012), 2013, pp. 19-50.

32 Que compreende “decisões jurisdicionais manifestamente inconstitucionais ou ilegais ou injustificadas por erro grosseiro

na apreciação dos respetivos pressupostos de facto” cfr. segunda parte do n.º 1 do art. 13.º da lei n.º 67/2007, de 31/12 e alterada pela lei n.º 31/2008, de 17/7.

33 A título de exemplo, cfr. Ac. STA de 10/9/2014 (proc. 090/12, relator: Fonseca da Paz). 34 Cfr. art. 4.º da lei n.º 67/2007, de 31/12 e alterada pela lei n.º 31/2008, de 17/7.

35 Em caso de sucesso da ação de RC, “o pedido de indemnização fundado em responsabilidade por erro judiciário deve ser

(10)

9 V- Conclusão

Sem dispormos de experiência forense prática que nos habilite a avaliar o modo como, em concreto, tem sido exercido o poder-dever de gestão processual nas suas vertentes de direção do processo e adequação formal, parece-nos que com o CPC de 2013 o legislador criou a moldura jurídica apropriada para os seus objetivos essenciais: privilegiar as sentenças de mérito em detrimento das sentenças formais, a busca da verdade material, e a justa composição do litígio em prazo razoável. Assinalamos no entanto que a jurisprudência já revela a interiorização das mudanças impostas pelo CPC de 201336.

É certo que a prossecução de tais objetivos depende de aspetos que transcendem o papel que agora se espera do juiz, mas cremos que foram acertadas as previsões legais a este respeito.

Na vertente de direção do processo, destacamos a previsão de correção dos articulados e aperfeiçoamento dos articulados deficientes no âmbito do despacho pré-saneador. Será importante assegurar que as virtuosidades destas funções em prol da busca da verdade material não prejudica a autorresponsabilidade das partes e a imparcialidade exigível ao juiz. Quanto à vertente de adequação formal e agilização do processo visando a decisão em prazo razoável, a sua efetividade (como resultado deste poder-dever individualmente considerado) poderá ser limitada, visto não se prescindir das garantias das partes, designadamente da audição, contraditório e igualdade.

Mas o que nos parece mais saliente e assinalável no novo regime consiste no papel mais ativo esperado juiz. Mais do que esperado, exigido. Como se explanou no nosso estudo, já antes se previa o poder de direção do processo, mas só agora tal poder passou a ser de exercício vinculado e não discricionário, com tudo o que tal significa relativamente à efetividade concreta e homogeneidade de condutas. Este facto parece-nos marcante enquanto novo paradigma do estatuto do juiz; deixa de estar num plano de superioridade inacessível, e em alguns casos porventura esvaziado de benefício para o processo, para um poder ao serviço da justa composição do litígio. Marcante ainda porque, conduz a uma (maior) sindicabilidade do exercício de funções (jurisdicionais). O próprio juiz, ao compor litígios das partes, tem de observar regras, sendo que em caso de omissões ou exercício defeituoso das suas funções, pode acarretar nulidades processuais e até responsabilidade civil do Estado37 (que exponencia

a relevância do cumprimento deficiente dos deveres do juiz). Desse modo se reforça a tutela dos direitos das partes e se beneficia o equilíbrio entre o poder jurisdicional do Estado e os direitos dos particulares.

36 Veja-se p.e. o Ac. RL de 19/6/2014 (proc. 2485/13-8, relator: António Ferreira de Almeida), bem como Ac. RL de

15/5/2014 (proc. 26903/13.4T2SNT.L1-2, relator: Ezaguy Martins), em que após vigência do CPC de 2013 se assume como vinculado o poder-dever de gestão processual, em comparação com o Ac. STJ de 27/11/2007 (proc. 07A3918, relator: João Camilo), anterior ao CPC de 2013, onde se afirma que “o convite ao aperfeiçoamento da petição inicial (…) corresponde a uma mera faculdade do julgador e não a um poder vinculado”. Não obstante, veja-se ainda o Ac. RP de 23/6/2015 (proc. 172/14.7TBPVZ.P1, relator: Carlos Portela), que considera que “não se justifica de todo o recurso ao mecanismo de aperfeiçoamento da petição inicial, quando mesmo assim se vislumbre que a decisão a proferir será necessariamente de improcedência do pedido formulado pelos autores”.

37 Ainda que a jurisprudência venha exigindo, na aplicação deste regime, que o erro do tribunal seja “grosseiro, evidente,

(11)

10 VI- Referências bibliográficas

1.Legislação

- CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.

- CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA.

- REGIME PROCESSUAL CIVIL EXPERIMENTAL (DL n.º 108/2006, de 8/6).

- REGIME DA RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL DO ESTADO E DEMAIS ENTIDADES PÚBLICAS (Lei n.º 67/2007, de 31/12, alterada pela Lei n.º 31/2008, de 17/7).

2.Doutrina

- ABRANTES GERALDES,A.S.,“O novo processo declarativo”, EBook Caderno II – O Novo Processo Civil, CEJ, 2013, in

www.cej.mj.pt/cej/recursos/ebooks/ProcessoCivil/Caderno_II_Novo%20_Processo_C ivil.pdf (consultado em 21/11/2015).

- CARVALHO, A. C., “Responsabilidade por erro judiciário”, EBook Julho 2014 – Responsabilidade Civil do Estado, CEJ, 2014, in

http://www.cej.mj.pt/cej/recursos/ebooks/civil/Responsabilidade_Civil_Estado.pdf

(consultado em 21/11/2015).

- GOUVEIA,M.F.,GAROUPA,N.,MAGALHÃES,P.,CARVALHO,J.M., Justiça Económica em

Portugal – Sínteses e Propostas, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2012, in

https://www.ffms.pt/upload/docs/justica-economica-sintese-e-propostas_BJAYcxW-P0eLzRI6bbxt-w.pdf (consultado em 21/11/2015).

- GABINETE DE JUÍZES ASSESSORES DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA – ASSESSORIA CÍVEL,

A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça (Sumários de Acórdãos de 1996 a Dezembro de 2012), 2013, in http://www.stj.pt/ficheiros/jurisp-tematica/responsabcivilestado1996-2012.pdf (consultado em 24/11/2015).

- LEBRE DE FREITAS:

§ Aação declarativa comum – À luz do Código de Processo Civil de 2013, Coimbra Ed, 2013.

§ Introdução ao Processo Civil, Coimbra Ed, 2013.

- LOBO XAVIER,R.,FOLHADELA,I.e ANDRADE E CASTRO,G.,Elementos de Direito Processual Civil – Teoria Geral, Princípios, Pressupostos, UCP Ed., 2014.

- NETO A.,Novo Código de Processo Civil Anotado, Ediforum, 2015.

- RANGEL DE MESQUITA,M. J.,A responsabilidade pelo exercício da função jurisdicional:

âmbito e pressupostos, 2008 in

http://www.icjp.pt/sites/default/files/media/608-898.pdf (consultado em 21/11/2015). - SALVADOR DA COSTA,Responsabilidade Civil por danos derivados do exercício da função

jurisdicional, 2009 in

http://www.inverbis.pt/2007-2011/images/stories/pdf/salvadorcosta_respcivil_funcaojurisdicional.pdf (consultado em 21/11/2015).

(12)

11 3.Jurisprudência

- SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO:

§ Ac. STA de 10/9/2014 (proc. 090/12; relator: Fonseca da Paz). - SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA:

§ Ac. STJ de 9/3/1993 (proc. 083553, relator: Fernando Fabião). § Ac. STJ de 23/3/2006 (proc. 05B4325, relator: Araújo Barros). § Ac. STJ de 23/5/2006 (proc. 06A1090, relator: Sebastião Póvoas). § Ac. STJ de 27/11/2007 (proc. 07A3918, relator: João Camilo). - TRIBUNAL CONSTITUCIONAL:

§ Ac. TC de 23/9/2015 (proc. 185/15; relator: Pedro Machete). - TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE COIMBRA:

§ Ac. RC de 4/12/2007 (proc. 1268/04.9TBACB-B.C1, relator: Falcão Magalhães). § Ac. RC de 15/2/2011 (proc. 1301/09, relator: António Beça Pereira).

§ Ac. RC de 14/2/2012 (proc. 1032/09.9TBVNO-A.C1, relator: Carlos Gil). - TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE LISBOA:

§ Ac. RL de 15/5/2014 (proc. 26903/13.4T2SNT.L1-2, relator: Ezaguy Martins). § Ac. RL de 19/6/2014 (proc. 2485/13-8, relator: António Ferreira de Almeida). - TRIBUNAL DA RELAÇÃO DO PORTO:

§ Ac. RP de 23/6/2015 (proc. 172/14.7TBPVZ.P1, relator: Carlos Portela). Jurisprudência disponível em www.dgsi.pt

Referências

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