• Nenhum resultado encontrado

DELIBERAÇÃO. Deliberação

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "DELIBERAÇÃO. Deliberação"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

P.º n.º C.N. 29/2010 SJC-CT Documento particular autenticado

electronicamente depositado. Possibilidade de extracção de certidão em

papel por serviço de registo predial.

DELIBERAÇÃO

Precedendo consulta sobre o tema submetida pela sra. conservadora do

registo predial de …, foi superiormente determinado que o Conselho se

pronunciasse sobre a questão de saber da possibilidade de nos serviços de registo

predial se extrair certidão de documento particular autenticado electronicamente

depositado, mormente quando com base nele se tenha promovido acto de registo.

A posição do Conselho vai expressa na seguinte

Deliberação

Do documento particular autenticado a que se reportam os arts. 22.º e 24.º/2,

3 e 5 do DL n.º 116/2008, de 4-7, pode qualquer serviço de registo predial

emitir certidão a partir do documento (electrónico) correspondente depositado

(arquivado) na plataforma electrónica que para essa finalidade específica se

criou (cfr. art. 5.º da Portaria n.º 1535/2008, de 30-12).

1

1 Não são poucas as vezes que este Conselho tem sido interpelado a reflectir sobre

diferentes aspectos do regime legal do documento particular autenticado que o legislador do DL n.º 116/2008, em alternativa à escritura pública, veio erigir em meio bastante de formalização no que toca a um amplo leque de negócios jurídicos que versem sobre imóveis (cfr. art. 22.º daquele diploma), sinal bem eloquente das muitas interrogações que esse regime, no que diz e no que não diz, continuamente faz surgir no espírito do intérprete aplicador.

Especificamente quanto à questão que ora nos é colocada, cremos que a resposta, ou pelo menos o princípio dela, se pode no essencial colher do texto do parecer emitido no processo RP 67/2009 SJC-CT, no qual em profundidade se intentou perscrutar a natureza e surpreender a fisionomia desta inovadora maneira de titular. É dele que, com particular interesse para o tema que presentemente nos ocupa, nos permitimos transcrever o seguinte excerto (cfr. ponto 5.2 da pronúncia, págs. 11-13):

(2)

art. 43º do C.R.P., um facto jurídico titulado por documento particular autenticado nos termos dos art.s 22º e segs. do D.L. nº 116/2008 e da Portaria nº 1535/2008.

Já acentuámos (…) os três momentos em que se desdobra a formação do título [1) elaboração do documento pelas partes; 2) autenticação; 3) arquivo/depósito electrónico], salientando que o depósito electrónico é condição de validade da autenticação do documento particular.

O documento particular autenticado depositado electronicamente e os documentos instrutórios também depositados electronicamente devem ser arquivados pela entidade autenticadora (cfr. art. 24º, nº 6, do D.L. nº 116/2008, e art. 8º da Portaria nº 1535/2008).

Temos, assim, um documento escrito que é o documento particular autenticado, que a própria lei (citados art.s 24º, nº 6, do D.L. nº 116/2008 e 8º, nº 1, da Portaria nº 1535/2008) chama de “original”.

Deste documento poderão, segundo cremos, ser extraídas certidões e públicas-formas (cfr. art.s 383º e 386º do C.C.), mas o original não comprova o facto, que, como já acentuámos, só estará completamente titulado com o depósito electrónico.

O depósito electrónico, se bem ajuizamos, consiste na recepção e arquivo em suporte informático do documento particular autenticado, tornando-se a partir daí acessível à leitura apenas no monitor de um computador, antes e à margem da sua impressão em suporte de papel. Sendo o documento “original” depositado electronicamente um documento escrito em suporte de papel, este documento depositado electronicamente assumirá a natureza de documento electrónico escrito em sentido estrito. É o que a nosso ver resulta do disposto no art. 3º, nº 1, do D.L. nº 290-D/99, de 2 de Agosto, e dos ensinamentos de Miguel Pupo Correia, Assinatura electrónica e certificação digital, in Direito da Sociedade de Informação, Vol. VI, 2006, págs. 287/288 (cfr. ainda o nosso parecer emitido no Pº R.P. 159/2007 DSJ-CT).

Inclinamo-nos a sustentar que o documento particular autenticado depositado electronicamente em sítio na Internet legalmente definido assume a natureza de “pública-forma” do original em suporte de papel arquivado pela entidade autenticadora. Apesar de não existir acto de certificação de conformidade com o original (aliás, se não erramos, ainda não está regulamentada em portaria a certificação da conformidade de documentos electrónicos com os documentos originais, em suporte de papel – cfr. art. 38º, nº 6, do D.L. nº 76-A/2006, na redacção do D.L. nº 8/2007, de 17.01), sempre tal certificação resultaria automaticamente ex legis do depósito electrónico, uma vez que este só pode ser feito pela entidade autenticadora do documento particular depositando.

Importa, porém, atentar no que dispõe o nº 5 do art. 24º do D.L. nº 116/2008: «A consulta electrónica dos documentos depositados electronicamente substitui para todos os efeitos a apresentação perante qualquer entidade pública ou privada do documento em suporte de papel». Do que resulta, a nosso ver, que o documento electrónico tem a força probatória do original em suporte de papel, pelo que ao caso não será aplicável o disposto no art. 386º do C.C.

(3)

(Omissis).

O título que preencherá os requisitos de forma ad substantiam e ad probationem do negócio jurídico a inscrever nas tábuas será o documento electrónico constituído pelo documento particular autenticado (original) recebido e arquivado no suporte informático www.predialonline.mj.pt, ou cópia autenticada que deste documento poderá ser extraída em diferente tipo de suporte (cfr. conclusão 6ª do citado parecer emitido no Pº R.P. 159/2007 DSJ-CT).”

Ao admitir a emissão de “cópia autenticada”, em diferente tipo de suporte, do documento particular autenticado residente em formato electrónico na plataforma de natureza informática cujo interface de acesso (quer para efectuação do depósito do documento particular autenticado e documentos instrutórios, quer para sua ulterior consulta) se localiza no indicado endereço da Internet, implicou claramente o Conselho a possibilidade legal de dele (documento electrónico em sentido estrito) se produzir certidão em papel – pois que é efectivamente disso – da transposição fidedigna de um conteúdo informático para aquele tipo de suporte físico – do que aqui se trata. (Sobre a emissão de certidão em papel do documento original arquivado, cfr. o parecer do p. C.N. 3/2010 SJC-CT.)

Sendo em si mesmo evidente, não julgamos todavia supérfluo chamar a atenção para este ponto: o valor probatório da certidão (de qualquer certidão) contém-se naturalmente nos limites do valor probatório do documento certificado (CCivil, arts. 383.º/1 e 387.º/1); e se o do documento electrónico, como se defendeu, é o de pública-forma (do original em papel), tal será também (mediatamente, em relação ao documento original) o da certidão que daquele se possa extrair.

Por outro lado, se a consulta do documento electrónico, feita no indicado sítio, substitui para todos os efeitos a apresentação do documento (original) em papel, já temos as maiores dúvidas de que a mesma equivalência possa ser estendida à certificação em papel que acaso se realize a jusante (isto é, à cópia da cópia electrónica do original). Segundo cremos, o valor plenamente substitutivo do original é um “privilégio” com que a lei quis contemplar em exclusividade o documento electrónico “em estado puro”, tal como ele resulta exibido no ecrã do dispositivo de acesso. Pensamo-lo, fundamentalmente, porque se nos afigura nítida a intenção de incentivar o uso do meio informático de consulta (daí, precisamente, o disposto no art. 24.º/5, do DL n.º 116/2008) – o que, a contrario, consente a inferência acerca do correlativo desfavor com que o legislador terá encarado a “replicação” em papel do documento electronicamente visualizável.

Claro que o conceito de certidão pressupõe que o documento certificado conste de arquivo público, e bem assim que o serviço emitente possa dizer “seu” esse arquivo (CCivil, arts. 383.º e 387.º).

Não cremos que se possa razoavelmente questionar a natureza de arquivo público da plataforma electrónica que a lei define como a infra-estrutura tecnológica necessária à

(4)

realização do depósito, em suporte electrónico, do documento particular autenticado e dos documentos que o instruem e que devam ficar arquivados por não constarem de arquivo público (cfr. art. 5.º da Portaria n.º 1535/2008; adiante, simplesmente “Portaria”). Tratando-se do depósito (arquivo, guarda) de documentos desmaterializados, o complexo de meios (de hardware e de software) que lhe está afecto há-de naturalmente satisfazer as condições tecnológicas adequadas a essa natureza. O arquivo não deixa de ser arquivo pelo facto de, em vez de nas prateleiras de uma sala, os documentos se encontrarem “arrumados” num qualquer dispositivo de memória informática (disco rígido, disco óptico, etc.). E se o arquivo está a cargo e é mantido por entidade pública, então teremos, logicamente, um arquivo público (na primordial acepção de que “pertence” a um organismo público, que não na de que os documentos estejam acessíveis ao público). Ora a referida plataforma está ao cuidado do Instituto dos Registos e do Notariado, I.P., (como, cremos, exuberantemente resulta da conjugação do disposto nos arts. 2.º, 5.º/2, 13.º/3 e 15.º/3, da Portaria), pelo que, sobre não ser lícito duvidar de que constitua um arquivo, também não o será de que seja público.

Considerada a legal “adjudicação” da plataforma ao IRN, IP, por outro lado, também não figuramos como razoável que contra a possibilidade de os serviços de registo, e em especial as conservatórias do registo predial, emitirem certidões do documento depositado se objecte com o argumento de que esse documento não integra o arquivo respectivo (cfr. art. 8.º/ 2 e 3 do DL 129/2007). Na orgânica do IRN, IP, as conservatórias são serviços desconcentrados (na terminologia do DL n.º 129/2007, art. 8.º/1) ou externos (na terminologia do ainda vigente DL n.º 519-F-2/79, de 29-12, art. 1.º). Portanto, se aos serviços do IRN, genericamente, for permitido emitir certidões dos documentos depositados, natural é que a prestação do serviço se faça por intermédio das conservatórias, pois que é pelos seus balcões que o IRN, IP, organizatoriamente se dispõe a satisfazer as solicitações dos cidadãos relacionadas com a titulação e registo dos actos – e, logo, com a certificação dos mesmos actos.

Sendo porém indiscutivelmente público o arquivo-plataforma, esse é todavia um repositório cujo acesso “externo” (consulta electrónica) comporta a objectiva limitação de estar dependente do conhecimento de um muito específico dado, conhecimento esse cuja geral e pública disponibilização, segundo os termos da regulamentação legal, não compete nem ao IRN, IP (enquanto entidade responsável pela manutenção da plataforma), nem às conservatórias (enquanto serviços da entidade responsável pela manutenção da plataforma).

Na verdade, concluído o depósito, é pelo sistema informático enquadrante gerado comprovativo que se compõe, além do mais, de código privativo de identificação (representado por uma sequência de dígitos), e cuja inserção, no campo próprio do formulário oferecido no sítio de depósito e consulta, constitui o meio único de alcançar a visualização (em monitor) do conteúdo do documento particular autenticado (cfr. arts. 12.º/1 e 15.º/1 da Portaria). Portanto, quem não esteja na posse deste código, podendo eventualmente até saber que entre A e B se celebrou compra e venda do imóvel x por

(5)

documento particular autenticado, está no entanto impedido de aceder, seja por que outra forma for, à leitura electrónica, na “fonte”, do conteúdo de tal documento.

Resulta ao que cremos com suficiente clareza das disposições aplicáveis que a distribuição pública do código de identificação (e, consequentemente, o franqueamento do acesso informático ao conteúdo do documento depositado que proporciona) é um poder originariamente reservado da entidade autenticadora. Sentido diferente, na verdade, confessamos não ser capazes de atribuir à conjugação do disposto nos arts. 12.º/1 e 15.º/1 da Portaria: o código é enviado ao autenticador; é a ele (e aos sujeitos do negócio) que do código pode ser fornecida segunda via; e o documento depositado pode ser visualizado por qualquer pessoa a quem a entidade autenticadora tenha disponibilizado o código de identificação.

Por conseguinte, se bem captamos o pensamento ínsito no texto da lei, nem o IRN (entidade incumbida da manutenção da plataforma) nem os serviços de registo estão autorizados a divulgar ao público o código de identificação (ainda quando o conheçam, ou possam tecnicamente conhecê-lo). Julgamos discernir, na assinalada inibição (ou, inversamente, na assinalada prerrogativa da entidade autenticadora), dois níveis de racionalidade. O primeiro – e, cremos, primário – é este: a pessoa que “receba/adquira” o código (da entidade que lho puder disponibilizar) fica desde logo habilitada a visualizar, sem qualquer limite temporal de duração, o conteúdo dos documentos depositados; mas, sobretudo, fica com o poder de facto, virtualmente incontrolável, não só de produzir cópia(s), em formato electrónico ou físico, de tais documentos, e de com isso fazer a utilização que bem lhe aprouver, como ainda com o poder de a seu bel-prazer propagar o próprio código de identificação, com isso ramificando pelo número dos seus subsequentes detentores, para o bem e para o mal, os mesmos latos poderes de utilização. Há aqui perigos, potenciados pela própria natureza imaterial do documento depositado (desde logo, e elementarmente, de excessiva exposição dos intervenientes no negócio constante do documento depositado a consultas de discutível ou dúbia motivação) a que o legislador terá sido sensível. E daí que tenha preferido colocar a responsabilidade pela decisão de disponibilizar o código nas mãos da entidade autenticadora, confiando talvez em que a sua maior proximidade com os sujeitos do negócio lhe permitirá avaliar com prudente critério quando e a quem pode/deve providenciá-lo.

O segundo plano de racionalidade que se nos afigura estar na base da decisão legislativa de somente à entidade autenticadora se ter concedido o poder de disponibilizar o código terá a ver com a noção de que o mesmo “pertence” à entidade que efectuou o depósito na sequência do qual, e para o qual, esse código se produziu, nos mesmos termos em que se pode dizer que lhe “pertence” o documento particular autenticado original, por si arquivado.

Sobre o ponto, uma nota final, que vale a pena ter presente. É que nos serviços de registo também se pode autenticar e depositar electronicamente documentos (cfr. art. 38.º/1 do DL n.º 76-A/2006, de 29-3). Como é evidente, se o autenticador tiver sido o conservador

(6)

Deliberação aprovada em sessão do Conselho Técnico de 30 de Junho de

2011.

António Manuel Fernandes Lopes, relator.

Esta deliberação foi homologada pelo Exmo. Senhor Presidente em

04.07.2011.

ou o oficial dos registos, vale para eles, no que tange à disponibilização do código, tudo quanto vimos de defender para as demais entidades nesse domínio competentes. Acrescentaremos apenas que, na nossa opinião, o poder de “entregar” o código é do serviço a cujos quadros pertence o concreto (conservador ou oficial de registos) autenticador, e não um poder “personalizado” neste concreto autenticador. Caberá ao responsável por cada serviço instituir as cautelas que julgue mais adequadas a uma “entrega” criteriosa.

A ignorância do código impede a visualização directa, a consulta electrónica.

Mas já não impede, segundo cremos, a passagem de certidão em papel do documento particular autenticado electronicamente depositado por serviço de registo, maxime de registo predial,

Seria para nós deveras estranho que o conteúdo do documento electrónico depositado, assim que depositado, ficasse sujeito a uma qualquer espécie de inviolável quarentena, determinante de que a elesomente os eleitos com a posse do código pudessem aceder. Acresce que seria isso de todo incoerente com a tendencial equiparação do “novo” documento particular autenticado com escritura pública (cfr. o princípio enunciado no art. 164.º/1, do código do notariado: as certidões podem ser requeridas – e obtidas – por qualquer pessoa).

Entendemos portanto que os serviços de registo predial, enquanto serviços da entidade responsável pela manutenção do arquivo electrónico que alberga os documentos depositados, têm competência para de tais documentos emitir certidões, antes mesmo de com base neles se haver promovido acto de registo (o que, parece, pressupõe que lhes seja tecnicamente possível, através de funcionalidade informática de pesquisa, obter o indispensável código – ou seja, independentemente de qualquer outorga por parte da entidade autenticadora). Simplesmente, de tais certidões não poderá constar qualquer referência ao código. O que nelas se tem que dizer, isso sim, é que constituem impressão do documento particular autenticado electronicamente depositado no sítio www.predialonline.mj.pt no dia tantos do tal pela entidade autenticadora tal. Caberá depois à entidade autenticadora, se lhe for requerido, decidir se deve ou não deve entregar o código.

(7)

Processo CN 29/2010 SJC-CT

Súmula das questões tratadas

• Documento particular autenticado electronicamente depositado – extracção de

certidão por serviço de registo predial.

o

Natureza de arquivo público da plataforma electrónica de depósito;

ƒ O IRN, I.P., como entidade incumbida da manutenção do arquivo;

ƒ As conservatórias enquanto serviços integrados no IRN –

admissibilidade, a essa luz, de a plataforma se considerar seu

(das conservatórias) arquivo.

ƒ Código de identificação do depósito: sua divulgação enquanto

atribuição exclusiva da entidade autenticadora.

ƒ Passagem da certidão: omissão, no seu conteúdo, da referência

ao código.

Referências

Documentos relacionados

O acréscimo do aditivo do leite materno humano na dieta de recém-nascidos pré-termos pode ser de grande importância para a recuperação e evolução do

Entendendo a ginástica, e, especialmente neste estudo a Ginástica Rítmica, como uma das formas de conhecimento significativas à formação humana, nem sempre potencializada no

STAND Cristina Jorge de Carvalho Design, Maison et Object, Paris, FRANÇA Ë Em colaboração com o Atelier Cristina Jorge de Carvalho.. Visite nosso site para conhecer estes e

A diretora-geral do Campus Canoas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), no uso das atribuições legais que lhe são conferidas,

Regime de trabalho do corpo docente do curso (Para fins de autorização, considerar os docentes previstos para o primeiro ano do curso, se CSTs, ou dois primeiros anos,

Osteochondromas can present as juxtacortical to normal bone, leaving the bone surface unchanged when surgically removed and not affecting the health or appearance of the

Rain amounts (mm/day) are shown on top.. BP, MP - Precipitation amounts in mms, at Belém and Manaus, respectively. DPB, PPM - " d " parameter values of daily

perspectivismo é aqui uma teoria que, a partir da compreensão da infinitude das possíveis interpretações do mundo, pensa a pers- pectiva como o princípio sintético de todas