Hugo Luís da Costa Delgado
UMinho|20
14
janeiro de 2014
Es
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Universidade do Minho
Escola de Economia e Gestão
Estratégia de Internacionalização e
Competitividade do Vinho Alvarinho
Hugo Luís da Cost
Dissertação de Mestrado
Mestrado em Marketing e Gestão Estratégica
Trabalho realizado sob a orientação do
Professor Doutor Vasco Eiriz
Hugo Luís da Costa Delgado
janeiro de 2014
Universidade do Minho
Escola de Economia e Gestão
Estratégia de Internacionalização e
Competitividade do Vinho Alvarinho
ii
Declaração
Nome: Hugo Luís da Costa Delgado
Endereço eletrónico: [email protected] Telefone: 966 565 816
Número do Bilhete de Identidade: 11006741
Título da dissertação: Estratégia de Internacionalização e Competitividade do Vinho Alvarinho
Orientador: Professor Doutor Vasco Eiriz Ano de conclusão: 2014
Designação do Mestrado: Mestrado em Marketing e Gestão Estratégica
É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO INTEGRAL DESTA DISSERTAÇÃO APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE.
Universidade do Minho, 03/ 01/ 2014
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Agradecimentos
O primeiro agradecimento é dirigido ao Professor Doutor Vasco Eiriz, orientador desta dissertação, a quem agradeço o espirito crítico e a capacidade para, de forma interventiva, assegurar que todas as etapas fossem vencidas.
Um especial agradecimento a todos os que contribuíram para a elaboração desta dissertação através da informação disponibilizada e conhecimentos transmitidos, em particular a todos os entrevistados, pela sua disponibilidade e cordialidade.
À minha família, Luís, Cidália e Sara, e à Rita, um profundo obrigado pela compreensão e pelo inestimável apoio sem o qual seria tremendamente mais difícil concluir este desígnio que sempre procurei alcançar.
v
Resumo
Estratégia de Internacionalização e Competitividade do Vinho Alvarinho
O setor dos vinhos em Portugal enfrenta nos últimos anos uma estagnação do consumo e, por outro lado, a opção por parte dos consumidores por vinhos com um preço mais baixo. Em sentido oposto as exportações nacionais têm vindo a registar aumentos na ordem dos 7% ao ano. Este cenário obriga as empresas portuguesas, em particular as pequenas e médias empresas (PME’s) a adotarem estratégias de negócio mais eficazes e eficientes, de forma a manterem níveis de competitividade superiores. Para as empresas produtoras de Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, estes aspetos assumem especial relevância porque, sendo empresas de dimensão reduzida e com baixos volumes de produção, só a aposta em produtos diferenciadores e de elevada qualidade lhes permitirá enfrentar a concorrência dos restantes vinhos nacionais e internacionais. A cooperação entre estas empresas parece, também, significar um aumento da sua capacidade para obterem sucesso nos mercados. Numa outra dimensão, estas empresas devem optar por um modelo de internacionalização sequencial baseado nas exportações, uma vez que acarreta menos riscos para as suas estruturas. Esta investigação adota uma metodologia qualitativa, através de entrevistas em profundidade, aplicadas a agentes institucionais e a empresas. Tendo por base as proposições formuladas foi possível confirmar a capacidade das entidades do sistema científico e tecnológico para contribuírem para a valorização das estratégias de marketing das empresas e que a exportação parece ser o modo mais adequado para as empresas internacionalizarem. Não foi possível confirmar a adequação das políticas públicas para a sustentabilidade do setor; que a cooperação, nomeadamente no seio de um cluster, seja potenciadora da capacidade de internacionalização das empresas; e que a identificação de boas práticas nacionais e internacionais, passíveis de ser adotadas pela sub-região, possam contribuir para a potenciação do setor.
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Abstract
Internationalization Strategy and Competitiveness of Alvarinho Wine
The wine industry in Portugal faces, in recent years, a consumption stagnation and, on the other hand, consumers appears to choose wines with lower prices. At the same time, national exports have recorded increases of 7% per year. These facts oblige Portuguese companies, in particular small and medium enterprises to adopt more efficient and effective business strategies in order to maintain higher levels of competitiveness. For companies producing Alvarinho at the sub region of Monção and Melgaço, these aspects are particularly relevant because, being small sized and having low production volumes, only betting on differentiated and high-quality products companies will be enabled to face competition from other domestic and international wines. The cooperation between these companies also seems to mean an increase in their ability to succeed in the markets. In another dimension, these companies should opt for a model of sequential internationalization based on exports, as it entails less risk for their structures. This research adopts a qualitative methodology, through in-depth interviews, applied to institutional agents and companies. Based on the propositions formulated, it was possible to confirm the capacity of scientific and technological system’s entities to contribute to the development of companies’ marketing strategies, and also to confirm that exportation seems to be the most appropriate way for companies’ internationalization. It wasn’t possible to confirm the adequacy of public sector policies to sector’s sustainability; that cooperation, including the development of the cluster, could be a provider of internationalization capability of enterprises; and that the identification of national and international good practices, capable to be adopted by the sub-region, may contribute to the potentiation of the sector.
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Índice
Declaração ... ii Agradecimentos ... iii Resumo ... v Abstract ... vii Índice ... ixÍndice de figuras ... xiii
Índice de gráficos ... xv
Índice de tabelas ... xvii
Capítulo 1. Introdução ... 1
1.1. Enquadramento do tema de investigação e motivação para a sua escolha ... 1
1.2. Objetivos de investigação ... 3
1.3. Metodologia de investigação ... 4
1.4. Estrutura da dissertação ... 5
Capítulo 2. A competitividade de um setor ... 7
2.1. Introdução ... 7
2.2. A competitividade e os seus determinantes ... 7
2.3. A competitividade das micro-empresas e PME’s ... 10
2.4. Criação de um cluster ... 13
2.5. Cooperação entre atores de um cluster ... 16
2.6. Conclusão ... 19
Capítulo 3. O processo de internacionalização ... 21
3.1. Introdução ... 21
x
3.3. Fatores impulsionadores e principais barreiras da internacionalização ... 25
3.4. Modos de entrada e modelos de internacionalização ... 28
3.5. Estratégia de marketing e de comunicação internacionais ... 31
3.6. Conclusão ... 34
Capítulo 4. Metodologia ... 37
4.1. Introdução ... 37
4.2. Método de estudo ... 37
4.3. Técnicas de recolha e o tratamento dos dados ... 39
4.4. Conclusão ... 47
Capítulo 5. Contextualização ... 49
5.1. Introdução ... 49
5.2. O vinho verde ... 49
5.3. O Alvarinho na sub-região de Melgaço e Monção ... 53
5.4. Os vinhos portugueses e a sua internacionalização ... 56
5.5. Conclusão ... 61
Capítulo 6. A perspetiva dos agentes institucionais ... 63
6.1. Introdução ... 63
6.2. O setor do vinho Alvarinho de Monção e Melgaço ... 63
6.3. Do noroeste de Portugal para o Mundo ... 70
6.4. A cooperação e o cluster ... 73
6.5. A promoção e a comunicação do vinho Alvarinho ... 75
6.6. Conclusão ... 77
Capítulo 7. A perspetiva das empresas ... 79
7.1. Introdução ... 79
xi
7.3. Do noroeste de Portugal para o Mundo ... 84
7.4. A cooperação e o cluster ... 86
7.5. A promoção e a comunicação do vinho Alvarinho ... 88
7.6. Conclusão ... 90
Capítulo 8. Conclusão ... 91
8.1. Introdução ... 91
8.2. Principais conclusões ... 91
8.3. Limitações e recomendações para investigações futuras ... 96
xiii
Índice de figuras
Figura 1 - Estrutura da dissertação ... 6 Figura 2 – Sub-regiões da Região dos Vinhos Verdes ... 51
xv
Índice de gráficos
Gráfico 1 – Peso do Alvarinho no total da produção das empresas da sub-região de Monção e Melgaço ... 56 Gráfico 2 - Evolução da produção de vinho em Portugal Continental, em milhares de hectolitros, no período 1909-2009 ... 57 Gráfico 3 - Evolução da Produção e Consumo de Vinho em Portugal, em milhares de hectolitros, para as campanhas de 2000/2001 a 2009/2010 período 1909-2009... 58 Gráfico 4 – Evolução das exportações mundiais de vinho dos principais países exportadores (Top 10), em volume (mhl) ... 59
xvii
Índice de tabelas
Tabela 1 - Definições de competitividade ... 8
Tabela 2 – Guião de entrevista ... 42
Tabela 3 – Informação genérica sobre as entrevistas realizadas ... 46
Tabela 4 - Castas para vinho verde ... 52
Tabela 5 – Rendimento, graduação e estágio do “vinho verde” ... 53
Tabela 6 - Posição relativa nos principais mercados de exportação dos vinhos de Portugal ... 61
1
Capítulo 1. Introdução
Este capítulo pretende apresentar a dissertação. Assim, a secção 1.1 enquadra o tema de investigação e apresenta as motivações para a sua escolha. Na secção 1.2 são apresentados os objetivos da investigação que suportam a construção da dissertação. A metodologia utilizada nesta investigação é apresentada na secção 1.3 Por fim, na secção 1.4 é apresentada a estrutura da investigação.
1.1. Enquadramento do tema de investigação e motivação para a sua
escolha
A escolha do tema Estratégia de Internacionalização e Competitividade do vinho Alvarinho assentou em três aspetos fundamentais que na minha perspetiva são essenciais no momento de enveredar por um trabalho desta natureza. O primeiro aspeto prende-se com o interesse científico do tema abordado o qual apresenta a relevância necessária uma vez que a problemática da internacionalização das empresas e dos clusters tem sido objeto, ao longo dos anos, de vários estudos, pesquisas e artigos científicos. Por outro lado, um segundo aspeto importante, na escolha deste tema, diz respeito à importância estratégica que o cluster do vinho Alvarinho pode representar para o desenvolvimento da região do Alto-Minho e para a afirmação dos produtos da região à escala internacional. Por fim, mas não menos importante, devo referir que a escolha deste tema resulta da minha paixão pela região do Alto-Minho, onde vivo, e em relação à qual pretendia, desde logo, aproveitar esta dissertação para contribuir de forma concreta para a melhoria da sua notoriedade e competitividade.
No que à escolha do tema do cluster do vinho Alvarinho esta deve-se ao facto de se tratar de um produto de qualidade reconhecida e que, à partida para esta dissertação, tudo indica deter um forte potencial de crescimento no mercado externo.
Importa desde já referir que o estudo será enquadrado na sub-região de Monção e Melgaço. Esta clarificação é fundamental uma vez que a Região dos Vinhos
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Verdes tem atualmente 1300 hectares de Alvarinho, em 10 concelhos. Esta dispersão geográfica começa a levantar algumas questões, nomeadamente no que respeita à designação Denominação de Origem Controlada (DOC) que, no quadro legal vigente, apenas pode ser utilizada no vinho Alvarinho produzido na sub-região de Monção e Melgaço, embora já se discuta o alargamento desta designação a toda a Região dos Vinhos Verdes.
Nesta sub-região as empresas são maioritariamente PME’s, que são empresas cuja definição em Portugal corresponde a micro, PME’s que se enquadram nos critérios previstos na Recomendação n.º 2003/361/CE, da Comissão Europeia, de 6 de Maio e surgem no Decreto-Lei n.º 372/2007 de 6 de Novembro. A legislação referida define assim as empresas que empregam menos de 250 pessoas e cujo volume de negócios anual não excede 50 milhões de euros ou cujo balanço total anual não excede 43 milhões de euros como enquadráveis nas categorias de micro, PME’s. Assim, uma pequena empresa caracteriza-se por empregar menos de 50 pessoas e deter um volume de negócios anual ou balanço total anual que não excede 10 milhões de euros. Por outro lado, as empresas que empregam menos de 10 pessoas e cujo volume de negócios anual ou balanço total anual não excede 2 milhões de euros são consideradas micro-empresas.
Eiriz et al. (2010) apontam para o facto de o conceito de competitividade ser muitas vezes confundido e comparado com desempenho, vantagem competitiva, competição e equilíbrio. Importa então clarificar o conceito e destacar as suas determinantes uma vez que a competitividade do cluster do vinho Alvarinho é um aspeto chave para que o processo de internacionalização decorra de forma sustentada.
Na identificação dos assuntos a estudar foi, ainda, considerada a importância dos vinhos portugueses no contexto internacional. Segundo Marcelino (2013), as exportações nacionais de vinho atingiram, em 2012, um valor de 706 milhões de euros mantendo-se assim uma tendência crescente em relação ao ano anterior. Afigura-se, assim, como relevante, analisar o comportamento do vinho Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço neste contexto atual.
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1.2. Objetivos de investigação
Esta dissertação está baseada em seis objetivos fundamentais, a saber: análise do setor dos vinhos em Portugal, em particular do vinho Alvarinho; identificação de barreiras à internacionalização do vinho Alvarinho; identificação de modelos de internacionalização adotados pelas empresas de vinho Alvarinho; avaliar a importância da distribuição no desenvolvimento das operações do cluster; avaliar o nível de cooperação entre os diversos stakeholders como fonte propulsora da internacionalização do setor; identificação de boas práticas, nacionais e internacionais, de marketing e de comunicação que possam servir de base à internacionalização do vinho Alvarinho. O trabalho desenvolvido relativamente a cada um destes objetivos será o fio condutor da dissertação onde, de forma direta ou indireta, procurarei trabalhar vários aspetos que entendo pertinentes na definição de uma estratégia de internacionalização que promova a competitividade das empresas envolvidas e do produto vinho Alvarinho.
Seguidamente, para cada um dos objetivos, apresentam-se alguns aspetos que serão tidos em conta ao longo da dissertação.
Em relação ao primeiro objetivo, importa referir que setor dos vinhos detém características distintivas que importa caracterizar. Desta forma, proponho-me a elaborar uma análise estratégica do setor (Eiriz e Barbosa, 2004) procurando, assim, posicionar o vinho Alvarinho no contexto do setor. Partindo desta caracterização será possível identificar o conjunto de recursos e competências do cluster do vinho Alvarinho que poderão contribuir para a sua afirmação internacional. Assim, tendo por base o guia proposto pelos referidos autores procurarei analisar a suas diversas dimensões, efetuando uma descrição geral do setor, do produto, da estrutura do setor, dos diversos atores (produtores, empresas, fornecedores, clientes e fornecedores).
O segundo objetivo deve considerar que a internacionalização de qualquer empresa, conforme defendido por Bernetti et al. (2006) pode ser impulsionada por diversos fatores, dos quais destacaria a qualidade, na medida que esta pode representar a sobrevivência no mercado dos vinhos. É também assumido que em
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mercados globais cada vez mais competitivos torna-se praticamente impossível ao
cluster do vinho Alvarinho competir pelos custos. Assim, o sucesso de uma estratégia
de internacionalização deste cluster deve assentar em dois pontos-chave: qualidade e competitividade.
O estudo do terceiro objetivo, tendo por base os diferentes modelos de internacionalização apresentados na literatura, apontar as vantagens e desvantagens da adoção dos diferentes modelos de internacionalização com o objetivo de propor aos produtores/empresas e aos decisores políticos o modelo mais adequado. Será também importante identificar os mercados preferenciais para a construção de um processo de internacionalização sustentável. Neste âmbito será interessante identificar quais os aspetos que podem assumir um papel determinante na escolha dos países preferenciais. Serão os aspetos culturais mais ou menos relevantes que a proximidade geográfica no momento de escolher os mercados alvo?
Com o quarto objetivo pretende-se avaliar a importância da distribuição no desenvolvimento das operações do cluster e perceber se poderá residir na distribuição ou em alterações sobre esta atividade uma fonte de propulsão do crescimento do setor.
Para o quinto objetivo, alguma literatura refere o nível de comprometimento na cooperação entre os diversos agentes de um cluster como fundamental para a internacionalização de PME’s. Desta forma é minha intenção assinalar as áreas em que a cooperação poderá ser indutora de impactos positivos para a internacionalização do vinho Alvarinho.
Neste objetivo proponho a uma análise de benchmarking das boas práticas nacionais e internacionais na promoção internacional de produtos substitutos e similares. Com base nesta análise tenciono propor uma estratégia de marketing do vinho Alvarinho orientada para os mercados preferenciais identificados.
1.3. Metodologia de investigação
A metodologia utilizada, de natureza qualitativa, procura investigar as opiniões dos agentes que participam no cluster do Alvarinho. O número reduzido de agentes
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com interesses neste cluster sugere como válida a opção pelo desenvolvimento de um estudo qualitativo. Os procedimentos de pesquisa de dados adotados são as entrevistas em profundidade, procedimentos diretos e não estruturados de obter informação.
As fontes utilizadas para a recolha de informação foram a consulta de sítios de produtores, adegas, distribuidores, associações de produtores e cooperativas, dos municípios de Monção e Melgaço e a consulta de sítios da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP); a análise de documentos da CVRVV e publicações identificadas em diversas pesquisas e disponibilizadas pelas entidades supracitadas e por fim as entrevistas em profundidade.
1.4. Estrutura da dissertação
A dissertação está dividida em oito capítulos que, por sua vez integram um conjunto de secções. Para permitir ao leitor uma atualização constante da informação apresentada cada capítulo inicia com uma introdução, onde são apresentados os seus principais objetivos, terminando com uma conclusão do mesmo.
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Figura 1 - Estrutura da dissertação
Fonte: O autor.
Introdução Capítulo 1
• Este capítulo inclui o enquadramento do tema de investigação e motivação para a sua escolha, os objetivos de investigação, a metodologia de investigação que será utilizada e, nesta secção, a estrutura da dissertação.
A competitividade de um setor Capítulo 2
• Este capítulo como objetivo aprofundar os conceitos de competitividade, cooperação e cluster procurando relacioná-los com as PME’s.
O processo de internacionalização Capítulo 3
• Este capítulo procura enquadrar teoricamente a internacionalização. Assim, identificam-se um conjunto de temáticas com as quais se pretende estabelecer as bases que tornem a afirmação de um setor ou de um cluster no mercado global.
Metodologia Capítulo 4
• Este capítulo corresponde à definição e caracterização das abordagens metodológicas que suportam o trabalho de campo desta dissertação.
Contextualização Capítulo 5
• Este capítulo apresenta uma caracterização dos vinhos verdes, em particular do Alvarinho e os respetivos comportamentos nos mercados.
A perspetiva dos agentes institucionais Capítulo 6
• Este capítulo apresenta a perspetiva dos agentes institucionais sobre os diversos objetivos definidos para esta dissertação.
A perspetiva das empresas Capítulo 7
• Este capítulo apresenta a perspetiva das empresas sobre os diversos objetivos definidos para esta dissertação.
Conclusão Capítulo 8
• Este capítulo apresenta de forma resumidas as principais conclusões que resultam da investigação desenvolvida.
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Capítulo 2. A competitividade de um setor
2.1. Introdução
O Capítulo 2, primeiro de revisão de literatura, tem como objetivo aprofundar os conceitos de competitividade, cooperação e cluster procurando relacioná-los com as PME’s. Na secção 2.2 é estudada a diversidade de definições do termo competitividade identificando-se, em simultâneo, as suas implicações quer ao nível de outros indicadores que o explicam quer ao nível da dimensão geográfica onde o conceito é analisado. A secção 2.3 aprofunda a análise da competitividade nas PME’s na medida de que, para além de representarem a totalidade das empresas em foco neste estudo, são consideradas fundamentais para o desenvolvimento económico. Importa então identificar os aspetos que mais influenciam esta competitividade. As secções 2.4 e 2.5 estabelecem a interligação entre a criação de um cluster e a forma como a cooperação pode, no seu interior, potenciar o crescimento e a melhoria dos indicadores económicos das empresas. É, também, analisado contributo da cooperação entre as empresas no seu processo de internacionalização. A secção 2.6 apresenta, de forma resumida, as principais conclusões deste capítulo.
2.2. A competitividade e os seus determinantes
A competitividade do cluster do vinho Alvarinho é um aspeto chave para que o processo de internacionalização decorra de forma sustentada e baseada na capacidade dos seus operadores em oferecer um produto de qualidade a preços competitivos. No entanto, o conceito de competitividade é muitas vezes confundido e comparado com performance, vantagem competitiva, competição e equilíbrio (Eiriz et al., 2010).
De facto, Buckley et al. (1988) salientam a grande variedade de conceitos de competitividade que inundam a literatura e, ao mesmo tempo, a extrema dificuldade de medi-la, aplicando-os. Os autores aprofundam o estudo deste conceito de competitividade identificando quatro níveis de análise do conceito de competitividade
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(nacional, indústria, firma e produto) e salientam a imperatividade de identificar qual o nível a que a análise ocorre e o horizonte temporal para medir a competitividade. Também para estes autores a medida da competitividade deve incluir o desempenho competitivo, o potencial e o processo de gestão. Desde então, outros autores têm abordado esta questão, o que se traduz num elevado número de conceitos apresentados ao longo das últimas décadas.
Tabela 1 - Definições de competitividade
Autores Ano Definição
Porter (1993) 1993
A competitividade é a habilidade ou talento resultantes de conhecimentos adquiridos capazes de criar e sustentar um desempenho superior ao desenvolvido pela concorrência.
Feurer e Chaharbaghi (1994)
1994
A competitividade é relativa e não absoluta. Depende dos valores do acionista e do cliente, da capacidade financeira que determina a disponibilidade para agir e reagir em contexto competitivo e o potencial de recursos humanos e de tecnologia necessários à implementação das mudanças estratégicas necessárias. A competitividade apenas é sustentável através da manutenção de um equilíbrio entre estes fatores, o que pode ser de natureza conflituosa.
Huggins e
Davies (2006) 2006
Capacidade de uma economia para manter níveis de vida crescentes para as suas populações, através da atração de empresas com quotas de mercado estáveis ou crescentes.
Chikán (2008) 2008
Capacidade de uma firma para atingir de forma sustentável os seus propósitos: responder aos requisitos dos clientes de forma lucrativa.
Black et al.
(2009) 2009
Competitividade é a capacidade de competir em mercados de bens ou serviços. É baseada numa combinação de preço e qualidade. Com qualidade semelhante e um estabelecimento com reputação as empresas apenas são competitivas se os seus preços são mais baixos que os dos rivais.
Eiriz et al.
(2010) 2010
Competitividade é a capacidade para gerar e manter uma vantagem competitiva
Fonte: Porter (1993), Feurer e Chaharbaghi (1994), Huggins e Davies (2006), Chikán (2008), Black et al. (2009) e Eiriz et al. (2010).
O conjunto de definições apresentadas na Tabela 1, bem como outras que se encontram na literatura, permitem confirmar a perspetiva de Cellini e Soci (2012) que afirmam que o conceito de competitividade é desconcertante e que, por isso, resiste à definição. A análise do conceito de competitividade não pode, porém, assentar
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unicamente na sua definição e implicações importando, ainda, relevar e avaliar a sua dimensão geográfica.
Cellini e Soci (2012) analisaram a competitividade em três níveis diferentes: empresa, “sistema local” e país. Para estes autores as empresas procuram a sua segurança e previnem o crescimento de outras procurando inclusivamente a eliminação do seu negócio. Ao nível dos distritos ou regiões verifica-se a relevância do problema da agregação levando os autores a afirmar que o conceito de competitividade emerge de forma complexa contendo diversos aspetos que transcendem a economia. Finalmente, ao nível do país os autores questionam se a sua competitividade deverá ser alcançada em detrimento de outros ou se, pelo contrário, esta resulta de um percurso partilhado. A resposta a esta questão induzirá assim a adoção de políticas protecionistas ou de políticas de maior abertura ao exterior.
A resposta à questão das diferenças de performance entre países foi objeto de análise por parte de Fagerberg et al. (2007) que identificaram a tecnologia, a capacidade, a procura e o preço como os principais aspetos distintivos. Os autores concentraram-se no entanto nos três primeiros aspetos que, por dificuldades na sua medição, tendem a ser descurados. Para os autores a competitividade dos países é relativa uma vez que a análise deve ser feita não de forma direta mas comparando a sua performance em relação a outros. Esta competitividade tem para estes autores um duplo significado uma vez que resulta do bem-estar económico dos cidadãos, normalmente medida através do PIB per capita e a balança comercial do país. O estudo destes autores, realizado em 90 países entre 1980 e 2002 permitiu concluir da relevância da tecnologia, da capacidade e da procura para o crescimento económico.
Balkyte e Tvaronaviciene (2010) destacam o facto de alguns investigadores entenderem a aplicação do conceito de competitividade como mais apropriado às firmas e aos produtos, enquanto outros destacam a competitividade nacional como uma determinante da competitividade da globalidade das firmas ou na sua perspetiva setorial. Os autores referem a existência de estudos que centram a sua análise em diferentes categorias nomeadamente a competitividade da firma, setorial, regional, nacional, bloco e internacional.
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Outro aspeto que ressalta da literatura é a relação existente entre a competitividade e a inovação. Clark e Guy (1998), suportados por aquilo que definem como a opinião consensual, apoiada por fortes evidências empíricas, mostram que a inovação tem um efeito positivo na competitividade. Para os autores importa então compreender as políticas de inovação mais adequadas de acordo com o contexto de aplicação recorrendo para isso a uma metodologia experimental e analisando de forma cuidada os seus resultados.
2.3. A competitividade das micro-empresas e PME’s
As PME’s são o suporte da economia de muitos países chegando por vezes a representar mais de 90% do conjunto do tecido empresarial em muitos deles (Poon e Swatman, 1999).
Singh et al. (2008) observaram que as PME’s são consideradas como a maior fonte do crescimento económico. No entanto, os autores constatam que a ausência de um foco efetivo no desenvolvimento de estratégias, nas quais a maior parte é destinada a objetivos de curto prazo, confirma a prioridade atribuída à gestão do funcionamento. Por outro lado, os autores identificam os recursos limitados e a ausência de inovação no desenvolvimento das capacidades como os fatores que provocam os principais constrangimentos à capacidade exportadora destas empresas.
As micro-empresas e as PME’s, como resultado da sua dimensão e da sua flexibilidade na adaptação à mudança, apresentam diversas vantagens em relação às grandes empresas (Salavou et al., 2004). Estes autores afirmam ainda que PME’s orientadas para o mercado e para a aprendizagem, que enfrentam forte concorrência, tendem a ser mais inovadoras. Por outro lado, os autores apresentam critérios como a dimensão, idade, quota de mercado, detenção de capital, intensidade de gestão e gama de produtos como sendo determinantes da inovação organizacional.
A literatura apresenta ainda um conjunto alargado de perspetivas sobre a forma como a competitividade destas empresas pode ser analisada. Man et al. (2002) desenvolveram um modelo conceptual procurando relacionar as características dos proprietários e gestores destas categorias de empresas e a performance das suas
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empresas. Para estes autores as empresas mais pequenas não são empresas de escala menor das grandes empresas uma vez que dependem da estrutura organizacional, da sua envolvente, dos tipos de liderança e da forma como competem com outras firmas.
Man et al. (2008) procuraram investigar a relação entre as características empreendedoras e a performance das empresas através da operacionalização de uma teoria sobre a competitividade das PME’s. Esta teoria relaciona assim as competências empreendedoras e a performance com mais dois constructos, âmbito competitivo e capacidades organizacionais. O teste de hipóteses desenvolvido pelos autores juntos de 153 empresários evidenciou a contribuição direta e indireta das competências de oportunidade, relacionamento, inovação, humanas e estratégicas do empreendedor na performance de longo prazo da empresa através do seu âmbito competitivo e das capacidades organizacionais.
Um dos aspetos já referido com relevante no sucesso de uma PME assenta nas características e competências da sua liderança. Hannon e Atherton (1998) referem que o desenvolvimento da capacidade, por parte do proprietário ou do gestor, de percecionar estrategicamente o ambiente externo respondendo-lhe apropriadamente favorecerá a eficácia do processo de planeamento para assegurar a competitividade das empresas.
Neste contexto, Gunasekaran et al. (2011) apontam a globalização dos mercados e das operações e os avanços tecnológicos como fatores impulsionadores da competição entre as PME’s. Por outro lado a sua sobrevivência, ainda segundo estes autores, depende cada vez mais de um conjunto de fatores, nomeadamente a resiliência para reposicionar as suas estratégias e tecnologias. Outros fatores tais como as mudanças nas tendências dos mercados e o surgimento de novas técnicas de gestão e organizacionais são para Gunasekaran et al. (2011) indispensáveis à capacidade de competir e sustentabilidade das PME’s.
Wolff e Pett (2006) realizaram um estudo em 182 PME’s da região Centro-Oeste dos Estados Unidos da América afirmam que a inovação e a internacionalização, proveniente de novos produtos e da melhoria de outros já existentes, aparentam estar relacionadas com o crescimento. Os autores constataram ainda a relação direta entre
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a internacionalização e o crescimento e a melhoria dos produtos. Importa ainda referir que este estudo sugere que a inovação desempenha um papel relevante nas melhorias dos produtos e dos processos das PME’s.
Os fatores associados às condições competitivas e à vantagem competitivas das PME’s foi estudo por Bennett e Smith (2002) através da realização de um inquérito a 1531 empresas do Reino Unido. Os resultados obtidos pelos autores parecem confirmar que o desenvolvimento de estratégias que visem, por um lado, a especialização e, por outro, a diferenciação da base de clientes é consequência do crescimento do negócio. Este estudo confirma ainda uma associação positiva entre o aumento da força para competir e o aumento da dimensão e da idade da empresa e uma relação negativa entre essa capacidade para competir e os níveis de competências, e o histórico de exportações e inovações.
Franco e Haase (2010) procuraram identificar os principais fatores que contribuem para a fraca performance e o insucesso das PME’s. Os autores selecionaram um conjunto de oito empresas portuguesas que enfrentavam resultados fracos tais como, vendas baixas e baixo crescimento. A partir da realização de entrevistas, observações diretas e análise de documentos os autores puderam retirar algumas conclusões relevantes. Assim, o acesso limitado a recursos financeiros, as fracas condições de mercado, estrutura de pessoal inadequada, a falta de apoio institucional bem como de cooperação e relacionamentos foram os principais fatores apontados. Apesar de os fatores externos serem citados com mais frequência a análise desenvolvida pelos autores permitiu concluir que os fatores internos, embora não fossem devidamente reconhecidos, assumiam um carater iminente. No entanto, alguns dos entrevistados mostraram alguma consciência das fraquezas das suas empresas, nomeadamente a falta de visão e de estratégia, baixos níveis de educação e capital social inadequado.
O estudo do tema da competitividade das empresas impõe ainda a análise do trabalho de Porter (2008), onde o autor, atualizando o seu artigo revolucionário de 1979, identifica, para além da rivalidade entre os concorrentes, quatro forças competitivas que podem afetar os lucros futuros das empresas. Efetivamente, a
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pressão realizada pelos clientes junto da empresa e das suas rivais, que pode forçar a uma baixa de preços; o poder negocial dos fornecedores; a ameaça de novas entradas e a ameaça de substituição por outros produtos ou serviços são aspetos que podem condicionar a competitividade das empresas. Para o autor o gestor que observa a competição como algo que não resulta apenas da concorrência com os rivais detetará um leque mais alargado de ameaças e estará mais preparado para enfrentá-las. Assim, o autor considera que, mais do que nunca, pensar a competição de uma forma estrutural.
2.4. Criação de um cluster
Um cluster pode ser definido como uma concentração de empresas e instituições relacionadas entre si numa área de negócio específica e inseridas na mesma localização geográfica que promovem em simultâneo a concorrência e a cooperação oferecendo eficácia, eficiência e flexibilidade (Porter, 1998). Para este autor a formação de um cluster do vinho Alvarinho pode representar um estímulo para a competitividade deste setor na medida que aumentará a competitividade das empresas, contribuirá para a inovação e estimulará a formação de novos negócios.
A diversidade de definições relativas ao conceito de cluster existentes na literatura permite identificar três elementos fundamentais (Kuah, 2002). Em primeiro lugar, um cluster consiste num grupo de empresas associadas e interligadas que estão relacionadas vertical e/ou horizontalmente através das suas semelhanças e da complementaridade nos produtos, serviços, inputs, tecnologias e outputs; em segundo lugar os clusters são grupos de empresas interligadas e fisicamente próximas que favorecem a sua formação e proporcionam a criação de valor através das suas interações; por fim a partilha de localização não implica por si só a formação de um
cluster quando benefícios como a inovação, produtividade, crescimento ou um nível de
competitividade não são demonstrados. Assim, Kuah (2002) define cluster como um conjunto de indústrias concorrenciais e relacionadas, geograficamente próximas e sobre as quais é observável um aumento de performance.
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Enright (2003) defende que alguns dos requisitos para a formação de clusters são a importância da marca, da distribuição e da investigação e desenvolvimento.
Atualmente os sistemas de produção são caraterizados por duas forças principais: a crescente natureza global dos mercados e da economia que resultou no aumento da concorrência e uma nova divisão do trabalho, mais global e, por outro lado, a maior complexidade da tecnologia torna a inovação um aspeto chave para a competitividade das empresas industriais. O estabelecimento de redes de colaboração parece ser importante em ambos os processos (Álvarez et al., 2009).
Os autores, através da análise da competitividade em quatro setores diferentes – alimentar, químico, eletrónica e veículos, procuraram analisar, no mercado espanhol, o impacto dos relacionamentos entre as empresas e outras organizações independentes na melhoria da competitividade e a sua vontade para partilhar o conhecimento com os seus concorrentes. Os autores concluíram que a internacionalização crescente dos mercados contribui para uma redefinição da importância do relacionamento cooperativo das empresas. Outra conclusão relevante para as empresas que procuram estabelecer relacionamentos é a importância atribuída à cooperação intraempresa, ao relacionamento entre o produtor e o consumidor e à cooperação entre concorrentes.
Para Porter (1998), apesar de a localização se afigurar como fundamental para a concorrência o seu papel é muito diferente daquele que assumia nas gerações anteriores. No seu lugar a vantagem competitiva reside na utilização mais eficiente dos recursos, o que requer uma inovação contínua. O autor sugere que a competição é afetada pelos clusters em três vertentes: através do aumento da produtividade ali inseridas, indicando o rumo e o ritmo da inovação que suporta o crescimento da produtividade e estimulando a formação de novos negócios. Os clusters revelam assim que o ambiente externo das empresas desempenha um papel fundamental.
Embora a abordagem de Porter aos clusters se tenha tornado uma referência no meio a popularidade do conceito não garante a sua profundidade (Martin e Sunley, 2003). Estes autores procuraram desconstruir o conceito destacando aspetos como a sua definição, benefícios, vantagens e o seu uso para a definição de políticas. Ainda de
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acordo com os autores a literatura existente sobre clusters é uma constelação de ideias, algumas importantes para o desenvolvimento económico contemporâneo e outras meramente banais. Existem desta forma duas limitações que importam evidenciar: a primeira resulta do facto de que um conceito de tal forma elástico não pode fornecer um modelo universal e determinístico sobre a forma como a concentração está relacionada com o crescimento económico local e regional; a segunda é que o facto de existir uma associação entre indústrias de crescimento elevado e várias formas de concentração geográfica, isso não significa por si só que seja esta a principal causa do crescimento económico e do sucesso.
Krugman (1991) afirma que para conseguirem economias de escala enquanto minimizam os custos de transporte as firmas tendem a localizar-se em regiões com muita procura, no entanto a localização da procura depende também ela da distribuição da produção. Para o autor torna-se fácil desenvolver um modelo de concentração geográfica baseado na interação das economias de escala com os custos de transporte.
Belleflamme et al. (2000) observam a formação de clusters como resultado do peso relativo de três fatores distintos: a magnitude das economias de localização, a intensidade da competição de preços e o nível de custos de transporte. Estes autores procuram recolher as ideias de Porter sobre os clusters regionais transportando-as para a realidade da microeconomia. Por outro lado, a abordagem dos autores diverge em vários aspetos da de Krugman. Enquanto Krugman assume a competição monopolística e as externalidades pecuniárias suportadas pela expansão da procura local os autores focam-se nas externalidades tecnológicas e na concorrência de preço. Os autores sugerem ainda que a aglomeração ocorre com maior facilidade no contexto da economia global uma vez que apesar dos seus benefícios não deixam de poder colocar uma parte substancial dos seus produtos em mercados distantes.
O conceito de cluster serve de referência para a definição de políticas que promovam a competitividade e a inovação baseadas na especialização e colaboração entre agentes do mesmo setor (Fromhold-Eisebith e Eisebith, 2005). No seu artigo, os autores sugerem que não são apenas as políticas públicas para os clusters que devem
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ser observadas como favorecedoras dos mesmos mas também as iniciativas resultantes das próprias firmas.
Neste quadro de evolução é possível verificar que as políticas de âmbito regional dirigidas às PME’s também mudaram (Diez, 2001). A autora afirma que estas políticas prestam uma maior atenção aos clusters e aos sistemas de inovação regional. Porém, existe um conjunto de fatores que, de acordo com a autora, dificultam a avaliação das políticas orientadas aos clusters tais como os objetivos intangíveis, a complexidade dos relacionamentos, a natureza sistémica e as características da própria região onde são aplicadas.
2.5. Cooperação entre atores de um cluster
É frequentemente assumido que a localização em clusters ajuda as empresas a trocar, adquirir e gerar novo conhecimento. No entanto, Malmberg e Power (2005), reconhecem que existem reduzidas evidências de que a cooperação e as transações entre empresas na mesma localização sejam características de empresas de sucesso. Porém, ao mesmo tempo, os autores destacam o papel das dinâmicas do mercado de trabalho e da interação social, ao nível individual, como facilitadoras do processo de criação de conhecimento nas empresas e nos clusters.
Os clusters afetam a competição em três vertentes que em conjunto refletem e amplificam as partes do diamante (Porter, 2000). Em primeiro lugar através do aumento da produtividade das empresas que os constituem através do acesso a inputs e recursos humanos especializados, das complementaridades de produtos, de marketing e de atividades de suporte, do acesso a instituições e a bens públicos e através de incentivos e medidas de performance; em segundo lugar através da crescente capacidade das empresas para a inovação e crescimento da produtividade como resultado de uma perceção mais rápida e mais clara das necessidades dos clientes, das tecnologias, das operações e das ações dos concorrentes; e por fim através do surgimento de novos negócios que suportam a inovação e contribuem para expansão do cluster.
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Navickas e Malakauskaite (2009) investigaram o impacto da atividade dos
clusters no desenvolvimento do conjunto de PME’s. De acordo com os autores as
empresas tendem a cooperar com o intuito de recolher benefícios das sinergias em várias áreas de operação e melhorar a sua performance no ambiente competitivo. As formas de cooperação vão desde parcerias informais e alianças para o estabelecimento de redes, clusters, associações bem como plataformas tecnológicas complexas. Efetivamente, os autores, destacam o papel dos clusters como ferramentas de melhoria da produtividade e inovação uma vez que quer a produtividade quer a inovação estão fortemente associadas ao aumento da competitividade nos mercados nacionais e globais. Por outro lado, os autores entendem que as PME’s que participam em clusters podem beneficiar de infraestruturas especializadas, maiores possibilidades de penetrar em novos mercados, recursos humanos mais qualificados, capacidade de resposta às necessidades dos seus clientes e redução dos custos de operação. No contexto macroeconómico as políticas de cluster e o podem conduzir ao desenvolvimento económico e social, criando novos empregos e aumentando o nível de vida das pessoas.
Para Bititci et al. (2004) uma rede pode ser definida como um modo distinto de organização em que as organizações participantes trabalham conjuntamente em equidade, compromisso e confiança na troca de informações, partilha de atividades e recursos favorecendo desta forma o aumento mútuo das suas capacidades geradoras de benefícios mútuos e os seus objetivos comuns através da partilha de riscos, responsabilidades e recompensas. Estes autores demonstram ainda que redes de empresas colaborativas podem criar uma proposta de valor única complementando, integrando e alavancando as competências e capacidades de cada uma das empresas.
A definição de estratégias ao nível de uma rede implica que a heterogeneidade de recursos e a interdependência entre as atividades externas à empresa bem como a colaboração entre as empresas envolvidas devem ser consideradas simultaneamente (Gadde et al., 2003). Os autores advogam que uma empresa deve analisar a sua situação em termos dos seus relacionamentos e conexões. É por isso crucial que a empresa relacione as suas atividades com as atividades das outras empresas por forma
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a favorecer a sua performance uma vez que é através da contínua combinação e recombinação dos relacionamentos de negócios que são identificadas novas dimensões de recursos. Para estes autores os gestores necessitam de compreender os mecanismos e as contingências que os afetam particularmente em lugar de aplicar regras de forma indiscriminada ou seguir outras firmas cuja situação pode ser substancialmente diferente.
Brunetto e Farr-Wharton (2007) através de questionários realizados em 231 empresas australianas mostram que, apesar de os gestores procurarem novas oportunidades de negócio quando aderem a redes, o seu nível de confiança é moderador das suas interações na rede e afeta a sua predisposição para partilhar conhecimento relevante e reconhecer novas oportunidades de negócio.
Johanson e Vahlne (2003) apontam para o facto de relacionamentos próximos e duradouros entre as empresas que desenvolvem negócios entre si são vistos por estas como cruciais. Para os autores, a construção destes relacionamentos depende de fatores como o tempo e os recursos. Os autores destacam ainda a necessidade de existir um nível de compromisso adequado com as empresas clientes, fornecedoras, intermediárias e cooperantes. Assim, a primeira preocupação deverá residir no desenvolvimento gradual dos relacionamentos em que as empresas já estão inseridas.
A cooperação entre as firmas e a experiência destas na manutenção destes relacionamentos traduz-se em empresas com maior sucesso (Fink e Kessler, 2010). Ainda de acordo com estes autores o carater internacional dos relacionamentos contribui para a performance da empresa. Porém, o número de relacionamentos de cooperação não é, por si só, um fator decisivo para a performance da empresa.
A constituição de redes representam por outro lado um conjunto de oportunidades para as pequenas e médias alcançarem uma internacionalização de sucesso (Torkkeli et al., 2012). Os autores procuraram examinar a influência das competências existentes nas PME’s para o estabelecimento de redes na sua propensão para internacionalizar e subsequentemente na sua performance internacional. O estudo, que contemplou um inquérito realizado a 298 empresas finlandesas de cinco setores diferentes, indica que a existência de maiores competências para trabalhar em
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rede tem um efeito positivo na propensão para internacionalizar e na performance internacional. Assim, as empresas onde se verifica este pressuposto estão mais aptas a internacionalizar e a atingir níveis de performance mais elevados.
Fink et al. (2008) analisaram a contribuição do compromisso para a performance de PME’s em contexto de internacionalização cooperativa. Os autores através de uma análise empírica realizada para uma amostra de 146 PME’s austríacas, checas e eslovenas concluíram que a internacionalização com base na confiança é uma alternativa interessante às outras formas de internacionalização, e, particular para as PME’s. A análise revela ainda uma contribuição significativa e positiva para a performance resultante do compromisso entre empresas que cooperam.
Che Senik et al. (2011), através da análise de opiniões de especialistas e empreendedores da Malásia, procuraram responder às questões relativas às fontes e de forma as redes apoiam as PME’s a ganhar exposição internacional. Assim, as três fontes principais de relacionamentos são as instituições, os parceiros e as relações públicas, as quais permitem uma distribuição e acesso eficiente à informação sobre oportunidades internacionais.
2.6. Conclusão
Este capítulo foi iniciado com a definição do conceito de competitividade, as suas implicações e a sua dimensão geográfica. Através da revisão de literatura realizada conclui-se que o conceito de competitividade foi analisado por inúmeros autores o que se traduz num elevado número de definições. Esta diversidade de definições dificulta inclusivamente a sua medição, de forma direta ou através de comparação, e aplicabilidade quer à empresa quer a uma região ou a um país. Por outro lado, as implicações do conceito são diversas surgindo por vezes relacionado a outros conceitos tais como a performance, vantagem competitiva, desempenho e inovação. O conceito de competitividade quando transportado para o universo das PME’s, que representam grande parte do tecido empresarial de muitos países, é influenciado por outros aspetos como a inovação, liderança e a capacidade empreendedora. Finalmente, atendendo ao facto de que o conceito de cluster,
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enquanto fator de estímulo da competitividade, assume especial relevância identificam-se os requisitos para a sua formação e as suas características principais. É também analisada a capacidade das políticas públicas para influenciar a criação e sustentabilidade dos clusters e o papel da cooperação, dependendo sempre dos níveis de relacionamento e da amplitude das redes estabelecidas, como fonte de inovação e da produtividade.
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Capítulo 3. O processo de internacionalização
3.1. Introdução
O terceiro capítulo procura analisar a segunda grande área de estudo desta dissertação: a internacionalização. Assim, identificam-se um conjunto de temáticas com as quais se pretende estabelecer as bases que tornem a afirmação de um setor ou de um cluster no mercado global. A secção 3.2 apresenta algumas das evidências que suportam a decisão de internacionalização. A secção 3.3 identifica fatores impulsionadores que alavancam a internacionalização das empresas e as barreiras que se configuram como constrangimentos da mesma. Na secção 3.4 são analisados os modos de entrada e os modelos de internacionalização e as respetivas características e formas de implementação. Os contributos das estratégias de marketing e da comunicação, e de que forma estas podem contribuir para impulsionar um setor ou
cluster no mercado global são evidenciados na secção 3.5. Por fim, a última secção,
sintetiza as principais conclusões do capítulo.
3.2. Decisões de internacionalização
O fenómeno da globalização colocou na ordem do dia a discussão sobre as decisões de internacionalização das empresas. De facto, encontram-se na literatura uma série de contributos que mostram a complexidade associada a este tema.
Para Caves (1971), o investimento direto estrangeiro (IDE) ocorre principalmente em indústrias caracterizadas por certas estruturas de mercado, tanto no país de origem como no país estrangeiro. O oligopólio com diferenciação de produto normalmente prevalece onde empresas fazem investimentos "horizontais" para produzir no exterior a mesma linha de produtos que produzem no mercado doméstico. Oligopólio, não necessariamente diferenciado, no mercado doméstico é típico em indústrias que realizam investimentos diretos "verticais" para produzir no exterior matéria-prima ou outros inputs para seu processo de produção nacional.
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No entanto, mais recentemente tem-se verificado que as decisões de internacionalização não dependem apenas da estrutura de mercado mas outros tais como a performance, a eficácia e o risco.
Tallman e Li (1996) examinaram os relacionamentos entre a diversidade internacional e de produto e a performance da firma em empresas multinacionais americanas. De forma consistente foi possível demonstrar uma relação quadrática entre a diversificação do produto e a performance o que já não se verificou quando a relação foi estudada com outras medidas da diversidade internacional. Assim, os autores apresentam evidências sólidas de qua a performance está relacionada com a diversidade do produto de uma forma não linear. Foi ainda possível fornecer algumas evidências de que a performance está positivamente relacionada com o âmbito de operações internacionais mas não com a medida mais utilizada para a intensidade internacional, as vendas por subsidiárias estrangeiras.
A sugestão da teoria de que a performance da empresa é inicialmente positiva mas que acaba por estagnar e se torna negativa à medida que a diversificação internacional aumenta é demonstrada pelos resultados (Hitt et al., 1997). Efetivamente, a diversificação de produtos é moderadora da relação entre a diversificação internacional e a performance. Assim, a diversificação internacional relaciona-se negativamente com a performance em empresas não diversificadas, positivamente em empresas com alta diversificação de produtos e de forma curvilínea em empresas de diversificação moderada de produtos. Por outro lado, os autores mostram que a diversificação internacional relaciona-se positivamente com a intensidade de investigação e desenvolvimento, mas que os efeitos da sua interação com a diversificação de produtos é negativa. Os resultados do estudo destes autores fornecem ainda evidências da importância da diversificação internacional para atingir uma vantagem competitiva mas também sugere que as complexidades da sua implementação para estas vantagens em empresas com produtos diversificados. Apesar da existência de múltiplos benefícios potenciais a implementação efetiva e a gestão adequada da diversificação internacional e de produto são fundamentais para se atingirem estes benefícios. Concluem então os autores que as empresas que
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desenvolvem capacidades internacionais podem alcançar vantagens que não sendo facilmente imitáveis pelos concorrentes torna o desenvolvimento desta capacidade como um fator decisivo e de especial relevância.
Mas, segundo Hsu e Boggs (2003), embora tenha havido um desenvolvimento significativo na teoria do comércio internacional e na literatura empírica sobre as causas e os resultados do IDE, ainda parece subsistir uma compreensão limitada de como o grau de internacionalização afeta o desempenho da empresa.
É por isso mesmo que os autores decompõem medidas tradicionais de desempenho financeiro, aplicando duas medidas diferentes de grau de internacionalização, country scope e as vendas externas em percentagem das vendas totais, para medir os efeitos sobre desempenho financeiro dos diferentes graus de internacionalização. A evidência sugere que as vantagens da internacionalização são maiores do que as desvantagens nos níveis mais baixos de internacionalização, enquanto a multinacional pode gerir com eficiência seus recursos. Para um maior grau de internacionalização, no entanto, as vantagens são compensadas pelas desvantagens de restrições administrativas e limitação de recursos, ou os problemas de gestão eficiente dos recursos.
Katsikea e Skarmeas (2003) identificam na literatura alguns elementos organizacionais e de gestão, que permitem, potencialmente distinguir entre unidades exportadoras mais ou menos eficazes e procuram identificar o perfil, ou seja, as características, das unidades mais eficazes e averiguar como estas se diferenciam de outras unidades de exportação, no que diz respeito a sistemas de controlo de gestão do comportamento das exportações, design organizacional e características e comportamentos dos gestores.
Os resultados obtidos pelos autores indicam que, quando comparadas com unidades exportadoras com uma performance inferior, as unidades exportadoras mais eficazes apresentam níveis elevados de controlo de gestão das exportações e design das organizações. Para além disso, apresentam gestores de exportações com atributos comportamentais superiores, sobretudo ao nível do planeamento das vendas, apresentação, adaptação as vendas, suporte das vendas e conhecimentos técnicos; e,
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ainda, algumas características específicas como a competência profissional e a orientação para o consumidor.
Lages e Montgomery (2004) analisam empiricamente dados obtidos de mais de 400 gestores responsáveis pelas principais ventures de exportação das PME’s portuguesas. Estes concluem que a performance ao nível das exportações é um antecedente do compromisso no que respeita às mesmas e, ao mesmo tempo, afeta a forma como os gestores definem as suas estratégias. Especificamente, afeta o grau de adaptação do produto (efeitos indiretos significativos), o preço (efeitos diretos e totais significativos) e a distribuição (efeitos diretos, indiretos e totais significativos).
Zaheer (1995) discute as consequências da decisão de internacionalizar e dos riscos associados. No seu estudo, este autor, procurou analisar se as empresas integradas em ambientes globais e competitivos assumem os riscos de internacionalização e se fatores como os países de destino, as especificidades das firmas, as práticas organizacionais ou a cópia de práticas utilizadas por outras empresas podem auxiliar a suplantar estes riscos. Estas preposições foram testadas em 24 dependências bancárias americanas e japonesas, uma vez que se trata de um setor global, extremamente competitivo e com produtos semelhantes o que sugere que os resultados possam ser aplicados em outros setores. Os resultados mostram a existência do risco de internacionalizar e o papel da cultura administrativa de empresa na vantagem competitiva das unidades internacionais. Os resultados, apresentados pelo autor, destacam ainda a dificuldade das empresas em adotar práticas organizacionais de outras empresas pelo que a utilização de práticas intrínsecas à empresa se afigura como a melhor opção para ultrapassar o risco de internacionalização.
Um estudo organizacional semelhante do risco de internacionalização sugere que, para além de ser mutável em função do tempo decorrido, as suas consequências são uma performance inferior e um aumento das taxas de insucesso (Zaheer e Mosakowski, 1997). Por outro lado, este risco decresce à medida que a empresa permanece no mesmo local e com o aumento da desregulação e da globalização. Os autores identificaram ainda ambientes que, fruto da elevada proporção de firmas
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estrangeiras, tendem a ser menos competitivos quer para as empresas nativas quer para as estrangeiras.
3.3. Fatores
impulsionadores
e
principais
barreiras
da
internacionalização
O tema da internacionalização das empresas é abordado amplamente na literatura. De entre as diversas questões que são abordadas se alguns autores procuram destacar os seus fatores impulsionadores (e. g. Etemad (2004) ou, por outras palavras, as circunstâncias que levam as empresas a internacionalizar-se outros dedicam a sua atenção às principais barreiras (e. g. Cuervo-Cazurra et al. (2007) e Pinho e Martins (2010)).
Hymer (1976) começa por abordar os fatores impulsionadores apontando duas razões principais. A primeira prende-se com o facto de em determinadas situações ser rentável controlar empresas em mais de um país, a fim de eliminar a concorrência entre elas. As empresas de diferentes países estão, frequentemente interligadas entre elas através dos mercados, ligação essa que pode tornar lucrativo ter uma empresa a controlar todas as empresas, em vez de ter firmas separadas em cada país. A segunda resulta de eventuais vantagens que a empresa possa deter numa determinada atividade que possam ser exploradas de forma rentável através da internacionalização. Podem contar-se inúmeros tipos de vantagem: custos mais baixos (que outras empresas) na aquisição de fatores de produção, uma função de produção mais eficiente, melhores linhas de distribuição ou um produto diferente. O autor refere, ainda, uma outra razão, menor, segundo ele, a diversificação porque o controlo da não é necessariamente envolvido.
Etemad (2004) apresentou um modelo integrador que conjugasse as forças influenciadoras da internacionalização. O modelo consiste em três constructos teóricos fundamentais, cada um deles com um conjunto de forças e influências, e as respetivas relações bilaterais e multilaterais. Os constructos são denominados por fatores internos (push factors), fatores externos (pull factors) e forças moderadoras da
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internacionalização. Os fatores internos são a natureza empreendedora e a busca Schumpeteriana para a “criação de oportunidades” principalmente quando a firma detém combinações inovadoras e está apta para coloca-las em prática. Os fatores externos representam aqueles que permitem a competitividade da empresa ou se traduzem em incentivos para a internacionalização. Por fim, o autor destaca as forças mediadoras que resultam da interação entre os fatores internos e externos e que exercem pressão sobre a empresa.
No que respeita às barreiras à internacionalização, Hymer (1976) discute as dificuldades de internacionalização como o custo de realizar negócios no exterior. Efetivamente, para este autor, na ausência de caraterísticas distintas as empresas que operam em determinado país são provavelmente empresas do próprio país uma vez que detém vantagens sobre as estrangeiras. De facto, as firmas nacionais têm a vantagem de acederem a melhor informação sobre o país nomeadamente, a economia, a língua, as leis e o sistema político enquanto que para uma empresa estrangeira o acesso a esta informação, embora seja um custo fixo, pode ser considerável.
Hymer (1976) aponta ainda uma barreira às operações internacionais, esta de natureza mais permanente, que resulta da discriminação por parte dos governos, dos consumidores e dos fornecedores. A discriminação governamental pode ser extrema envolvendo ações como a proibição de estrangeiros ou restrições severas às atividades que os estrangeiros podem desenvolver. Por outro lado, mas ainda dentro das possibilidades de ações governamentais, estão as expropriações que representam sempre um perigo maior para os estrangeiros do que para os nativos. As operações internacionais das empresas podem ainda estar limitadas por via da legislação existente no país de origem. Outra barreira importante resulta do risco associado à taxa de câmbio cuja variação afeta de forma consideravelmente diferente das empresas estrangeiras e as nativas.
Leonidou (2004) analisa 39 barreiras à exportação referidas por diversos estudos empíricos encontrados na literatura, permitindo-lhe, demonstrar amplamente