POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
PAULO
DIRETORIA DE ENSINO E CULTURA
DIRETORIA DE ENSINO E CULTURA
ESCOLA SUPERIOR DE SARGENTOS
ESCOLA SUPERIOR DE SARGENTOS
CURSO SUPERIOR DE TECNÓLOGO DE
CURSO SUPERIOR DE TECNÓLOGO DE
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POLÍCIA OS
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DA ORDEM PÚBLICA II
DA ORDEM PÚBLICA II
MATÉRIA 12: DIREITO
MATÉRIA 12: DIREITO
ADMINISTRATIVO MILITAR
ADMINISTRATIVO MILITAR
Divisão de
Divisão de Ensino e Administração
Ensino e Administração
Seção Técnica
Seção Técnica
Setor de Planejamento
Setor de Planejamento
Apos
Apostitila atualla atual izadizada ea em Am A GO13GO13, pe, pelo lo Cap PM Cap PM ANAN DRADRA DEDE , da ESS, da ESSgt.gt. APOS
ÍNDICE: ÍNDICE:
DESCRIÇÃO
PÁG.
DESCRIÇÃO
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INVESTIGAÇÃO
INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR PRELIMINAR 0303
SINDICÂNCIA 05
SINDICÂNCIA 05
PROCESSOS
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS ADMINISTRATIVOS EM EM GERAL GERAL 1212 PROCEDIMENTO
PROCEDIMENTO DISCIPLINAR DISCIPLINAR (PD) (PD) 1717
PROCESSOS
PROCESSOS REGULARES: REGULARES: CD CD E E PAD PAD 2222
CONSELHO
CONSELHO DE DE JUSTIFICAÇÃO JUSTIFICAÇÃO E E PROCESSO PROCESSO ADMINISTRATIVO ADMINISTRATIVO EXONERATÓRIO EXONERATÓRIO 3232 SANÇÕES
SANÇÕES DISCIPLINARES DISCIPLINARES E E SEUS SEUS EFEITOS EFEITOS 3535 RECURSOS
RECURSOS DISCIPLINARES DISCIPLINARES PRÓPRIOS PRÓPRIOS E E IMPRÓPRIOS IMPRÓPRIOS 4040
FLUXOGRAMAS 43 FLUXOGRAMAS 43 BIBLIOGRAFIA 46 BIBLIOGRAFIA 46
Nota:
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Investigação
Investigação Preliminar Preliminar 01 01 h/ah/a
INVESTIGAÇÃ
INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR (Artigo 67, §O PRELIMINAR (Artigo 67, §§ 1º ao § 1º ao 6º, das I-16-PM)6º, das I-16-PM) Conceito:
Conceito: A i A investigação preliminarnvestigação preliminar é um procedimento sumaríssimo destinado à é um procedimento sumaríssimo destinado à imediata colheita de subsídios necessários para imediata colheita de subsídios necessários para fundamentar a instauração ou não de
fundamentar a instauração ou não de sindicânciasindicância ou outro procedimento administrativo ou ou outro procedimento administrativo ou processo disciplinar
processo disciplinar aplicável, aplicável, quando quando a a notícianotícia de fato ou de ato irregular não reúna, de pronto, de fato ou de ato irregular não reúna, de pronto, elementos suficientes de
elementos suficientes de convicção.convicção.
Competência:
Competência: A investigação preliminar será instaurada mediante despacho daA investigação preliminar será instaurada mediante despacho da autoridade competente, dentre as relacionadas no artigo 31 do RDPM, podendo ser designado autoridade competente, dentre as relacionadas no artigo 31 do RDPM, podendo ser designado subordinado para conduzi-la, observando-se as regras de hierarquia.
subordinado para conduzi-la, observando-se as regras de hierarquia.
Prazo:
Prazo: A investigação preliminar será encerrada no prazo improrrogável de 10 (dez)A investigação preliminar será encerrada no prazo improrrogável de 10 (dez) dias, contados ininterruptamente a partir do despacho de sua i
dias, contados ininterruptamente a partir do despacho de sua instauração.nstauração.
Indícios de crime militar:
Indícios de crime militar: Nos casos em que existirem indícios claros de crime militar, Nos casos em que existirem indícios claros de crime militar, não será instaurada a
não será instaurada a investigação preliminar, devendo ser observados os investigação preliminar, devendo ser observados os procedimentos insculpidosprocedimentos insculpidos no artigo 12 do Código de Processo Penal Militar.
no artigo 12 do Código de Processo Penal Militar.
Numeração:
Numeração: A investigação preliminar será numerada em ordem seqüencial, única e A investigação preliminar será numerada em ordem seqüencial, única e anual, observando-se para tanto o disposto nos artigos 49 a 51, 77 e 78 das I-7-PM, sendo anual, observando-se para tanto o disposto nos artigos 49 a 51, 77 e 78 das I-7-PM, sendo responsabilidade das Seções de Justiça e Disciplina (SJD) a centralização dessa numeração, responsabilidade das Seções de Justiça e Disciplina (SJD) a centralização dessa numeração, independe
independentemente da autoridade que ntemente da autoridade que a instaurou.a instaurou.
Providênc
Providências do ias do Encarregado e da Autoridade InstauradoraEncarregado e da Autoridade Instauradora
O Encarregado da investigação preliminar deverá: O Encarregado da investigação preliminar deverá: I - dirigir-se ao local dos
I - dirigir-se ao local dos fatos, deles inteirando-se;fatos, deles inteirando-se; II - entrevistar as pessoas que saibam do
II - entrevistar as pessoas que saibam do ocorrido, anotando os dados qualificadoocorrido, anotando os dados qualificadores e asres e as principais informações sobre a autoria e materialidade, sendo vedada a adoção de meios f
principais informações sobre a autoria e materialidade, sendo vedada a adoção de meios formais deormais de apuração (Termo de Declaração, Inquirição Sumária, Auto de
apuração (Termo de Declaração, Inquirição Sumária, Auto de Qualificação e Interrogatório, pedidoQualificação e Interrogatório, pedido de Exames Periciais etc.);
de Exames Periciais etc.);
III - juntar os documentos e provas disponíveis que tenham relação com os fatos; III - juntar os documentos e provas disponíveis que tenham relação com os fatos;
IV - elaborar o relatório de investigação preliminar, propondo ao final a medida IV - elaborar o relatório de investigação preliminar, propondo ao final a medida adequada.
adequada.
A autoridade que instaurou a investigação preliminar, após análise do relatório, emitirá A autoridade que instaurou a investigação preliminar, após análise do relatório, emitirá parecer acerc
parecer acerca do apurado, deca do apurado, decidindo ou opinando, peidindo ou opinando, pela instauração de pla instauração de procedimento administrativorocedimento administrativo ou processo disciplinar ou ainda, pelo arquivamento.
Sindicância.
Sindicância. 01 01 h/ah/a
SINDICÂNCIA SINDICÂNCIA
CONCEITO CONCEITO
A sindicância é um procedimento inquisitorial e sumário de investigação de A sindicância é um procedimento inquisitorial e sumário de investigação de irregularidades praticadas por militares do Estado em decorrência da sua
irregularidades praticadas por militares do Estado em decorrência da sua atividade profissional ou aatividade profissional ou a interesse da Administração Pública.
interesse da Administração Pública.
Perceba que a sindicância não é um processo administrativo disciplinar, mas sim um Perceba que a sindicância não é um processo administrativo disciplinar, mas sim um instrumento de investigação de atos pertinentes à Administração Pública.
instrumento de investigação de atos pertinentes à Administração Pública.
FUNDAMENTO LEGAL (MODALIDADES) FUNDAMENTO LEGAL (MODALIDADES)
O procedimento em estudo encontra amparo legal no
O procedimento em estudo encontra amparo legal no artigo 65 das I-16-PM:artigo 65 das I-16-PM:
“Artigo 6
“Artigo 6 5 5 - A sindicância é o meio sumário de investigação de: - A sindicância é o meio sumário de investigação de:
II - danos no patrimônio do Estado sob administração da Polícia Militar,- danos no patrimônio do Estado sob administração da Polícia Militar, compreendidos os conveniados, provocados por policial militar ou pelo civil;
compreendidos os conveniados, provocados por policial militar ou pelo civil;
II I I - danos no patrimônio e/ou integridade física de terceiros, decorrentes da atividade - danos no patrimônio e/ou integridade física de terceiros, decorrentes da atividade policial;
policial;
II II I I - acidente pessoal de servidor militar - acidente pessoal de servidor militar ocorridos em razão do serviço ou "in itinere".ocorridos em razão do serviço ou "in itinere". II V V - ato de bravura; - ato de bravura;
V
V - atos indecorosos e indignos para o exercício da função policial militar; - atos indecorosos e indignos para o exercício da função policial militar; VI
VI - outros fatos de índole administrativa, quando necessário procedimento formal de - outros fatos de índole administrativa, quando necessário procedimento formal de apuração.
apuração.
PROIBIÇÃO EM CASO DE CRIME MILITAR PROIBIÇÃO EM CASO DE CRIME MILITAR
§
§ 2º 2º -- “É proibida a instauração de sindicância para apuração de crimes militares”.“É proibida a instauração de sindicância para apuração de crimes militares”.
MODALIDADES DE SINDICÂNCIA MODALIDADES DE SINDICÂNCIA
Conforme o dispositivo legal acima exposto, as sindicâncias instauradas na Polícia Conforme o dispositivo legal acima exposto, as sindicâncias instauradas na Polícia Militar se destinam a apurar:
- Danos ao patrimônio do Estado sob a administração da PM
Tal espécie de sindicância deverá ser instaurada quando da existência de qualquer dano ao Patrimônio Público, seja da administração direta ou indireta. Nesse sentido, se um equipamento que pertença a uma concessionária pública ou uma fundação pública for danificado, deverá ser objeto de avaliação de responsabilidades por meio de sindicância.
Assim, podemos citar como exemplos um acidente de trânsito envolvendo viatura da PM, ou mesmo o extravio de uma arma de fogo ou equipamento de informática, etc.
- Danos ao patrimônio e/ou integridade física de terceiros, decorrentes da atividade policial
Essa modalidade de procedimento visa salvaguardar a Administração Pública dos fatos decorrentes da atividade policial militar, pois, nos termos do artigo 37, § 6º, da CF, a responsabilidade pelos atos praticados pelos agentes públicos, em decorrência dos atos relativos à atividade desenvolvida, é objetivamente do Estado.
É importante assinalar a possibilidade de ação de regresso do Estado em face do militar do Estado, ou qualquer outro agente público, bem como dos particulares envolvidos que tenham causado o ilícito administrativo e que não possuam em sua conduta as excludentes de responsabilidade previstas no Código Civil.
Portanto, a sindicância, nesta hipótese, servirá como medida de avaliar o eventual prejuízo causado a qualquer integrante da sociedade, bem como resguardar a Administração Pública, mormente quanto à viabilidade de ação de regresso deste contra o agente público ou o particular.
Exemplo de tal modalidade de sindicância é a inaugurada em decorrência dos danos causados no telhado de uma residência pela queda de uma árvore que estava sendo cortada pelo Corpo de Bombeiros.
- Acidente pessoal do PM ocorrido em razão do serviço ou in iti nere
Tal modalidade de sindicância visa a elucidação dos fatos que envolvam os militares do Estado em qualquer acidente ou incidente, quer seja físico ou mental, decorrente de ação mecânica ou patológica, desde que este se encontre nas condições estabelecidas no artigo 1º do Decreto nº 20.218/82.Exemplo:PM de folga ao agir em uma ocorrência, acabou por cair de um muro e fraturar sua perna gravemente.
- Ato de bravura
O ato de bravura é caracterizado por atos de coragem, audácia, energia, firmeza, tenacidade na ação, que revelem abnegação pelo sentimento do dever militar e que constituam um exemplo aos integrantes da Corporação.
A Sindicância de investigação de ocorrência de ato de bravura deverá, após solução, ser remetida ao Comando Geral, via órgão responsável pela promoção de Oficiais ou de Praças, para apreciação e medidas cabíveis.
- Atos indecorosos e indignos para o exercício da função policial
Qualquer ato praticado onde haja indícios de envolvimento de militar do Estado e que ofenda os deveres éticos para o cumprimento da profissão policial militar deverá ser apurado por meio de sindicância, com o escopo de supedanear a autoridade administrativa competente para a adoção de medidas depuratórias adequadas.
Veja que um processo administrativo contra o policial não pode ser instaurado diretamente com base na simples notícia de seu acontecimento. É necessário que se juntem indícios suficientes da falta e de sua autoria, para só então se proceder à acusação do policial faltoso. Daí a necessidade de sindicância nestes casos.
- Outros fatos de índole administrativa, quando necessária a formalização da apuração.
É a considerada sindicância regular. Deverá ser instaurada sempre que algum fato ocorrido dentro da Administração Militar necessite de uma apuração mais detida, mesmo como resguardo para o Estado. Aqui se enquadram as mais variadas possibilidades de fatos. Basta que haja a necessidade de investigação mais detida de um fato que interesse à Administração para justificar a instauração de sindicância nesta hipótese
Note, mais uma vez, que esse fato não pode se constituir em crime, pois nessa hipótese a forma obrigatória de investigação é o Inquérito Policial Militar (IPM).
Esta modalidade de Sindicância é importante porque, para se instaurar um processo disciplinar (PD, PAD, CD, etc.), é necessário haver suficientes indícios do cometimento de falta disciplinar. Nem sempre esses indícios estão presentes logo na notícia inicial do fato. Tome-se como exemplo uma reclamação de uma pessoa quanto a mau atendimento. Não basta a versão dela para que se acuse o militar em um processo disciplinar, é necessário investigar os fatos para se
FINALIDADE (§ 1º DO ARTIGO 65 DAS I-16-PM)
Como pudemos notar, a finalidade da sindicância é a determinação da responsabilidade civil e/ou disciplinar, dos direitos e obrigações dos envolvidos e, em especial, do Estado.
Nesse sentido convém lembrar que o militar do Estado, assim como todos os agentes públicos, estão sujeitos a três esferas de responsabilidade independentes, quais sejam: a administrativa, a civil e a penal. Há ainda uma quarta esfera, a política, mas esta não será objeto de estudo nesta matéria.
A responsabilidade administrativa está calcada na violação dos valores e deveres éticos, traduzidos por normas de conduta, que se impõem para a realização, de forma eficaz, da atividade policial militar.
A responsabilidade civil se consubstancia na provocação, por parte do agente público, de ato ilícito em esfera civil, praticado por ação ou omissão voluntária, negligência, imprudência ou imperícia, ainda que exclusivamente moral.
Por fim, a responsabilidade penal se caracteriza pela ofensa aos bens jurídicos criminalmente tutelados pelo Estado.
INSTAURAÇÃO (Artigo 66 das I-16-PM)
A instauração da sindicância se dá com a notícia do fato administrativo a ser apurado, cabendo às investigações a busca de provas de autoria e materialidade.
A sindicância será instaurada pelo Cmt da OPM, através de PORTARIA, e será presidida por Oficial, quando a própria autoridade instauradora não quiser presidi-la. Considera-se
autoridade instauradora o Cmt de OPM (nível Batalhão) em diante.
A instauração caberá também a Oficial ou Asp Of, em serviço, por dever de ofício, devendo seu ato ser aprovado, posteriormente, por autoridade competente.
Note que a Portaria instaurada pelo Oficial de Serviço trata-se de Portaria instaurada por delegação do Comandante, que dependerá de homologação deste.
Para fatos conexos, previstos no artigo 67 das I-16-PM, deverá ser instaurada uma única Sindicância.
HOMOLOGAÇÃO DA PORTARIA
A sindicância instaurada pelo Comandante de Subunidade, ou qualquer outro Oficial ou Asp Of de Serviço, deve ser encaminhada posteriormente ao Comandante da respectiva OPM para homologação da Portaria, tendo em vista que a competência original para a instauração pertence ao Comandante de OPM (nível de Comandante de Unidade) em diante.
Exemplo: O Comando de Força Patrulha da 1ª Cia do 12º BPM/M, ao verificar um acidente de trânsito envolvendo uma viatura PM em um final de semana, instaurou uma sindicância por delegação do Comandante Do Batalhão, adotando todas as providências necessárias. No entanto, esta sindicância deverá ser encaminhada ao Comandante do 12º BPM/M, para fins de homologação de sua portaria e prosseguimento do feito. Este fato ocorre com bastante frequência na instauração de sindicância pelo oficial PPJM.
CRITÉRIOS PARA INSTAURAÇÃO DE SINDICÂNCIA
De forma geral, os critérios para determinação das autoridades com competência para instaurar estão previstos no artigo 11 das I-16-PM, como segue:
- Pela atribuição específica em determinado processo.
Em determinados casos, o fato a se apurar se vincula diretamente a um feito administrativo de natureza diversa. As irregularidades eventualmente existentes nele deverão ser apuradas pela autoridade que tenha poderes específicos para a sua fiscalização.
- Pela subordinação hierárquica-funcional entre a autoridade e o infrator.
Exemplo:Um PM do 7º BPM/M que necessite ter suas condutas devidamente apuradas para posterior instauração de um processo administrativo; deverá seu Comandante de Batalhão
instaurar a competente Sindicância.
- Pela responsabilidade sobre o patrimônio estatal danificado ou extraviado.
Exemplo: Uma viatura da APMBB que se envolve num acidente de trânsito; o Comandante da Academia de Polícia Militar do Barro Branco deverá instaurar a competente Sindicância.
PLURALIDADE DE ENVOLVIDOS (§ 6º do artigo 11 das I-16-PM)
Em havendo pluralidade de envolvidos (mais de um PM de OPM diversas), a Sindicância deverá ser instaurada observando-se os seguintes critérios:
- Pelo Cmt da Unidade responsável pela área dos fatos
Exemplo: um fato ocorrido na área do 18º BPM/M, envolvendo um PM do 5º BPM/M e outro PM do 9º BPM/M, deverá ter a sindicância instaurada pelo Cmt do 18º BPM/M.
Note que isto é possível porque, como mencionamos, a sindicância não é um processo, mas uma mera investigação. Assim, não é necessário que autoridade instauradora tenha poderes disciplinares sobre os envolvidos. Se ao final dela for efetivamente constatada a falta disciplinar de algum deles, a documentação deverá ser remetida ao Comandante do envolvido para a inauguração do processo administrativo.
- Pelo Cmt da Unidade especializada quando assim o exigirem as peculiaridades do fato
Exemplo: Um grande evento esportivo foi realizado em um estádio de futebol localizado na área do 16º BPM/M, contando com a participação de policiais militares do 2º BPChq,
do 16º BPM/M e do Regimento de Cavalaria “9 de Julho”. Se houver a necessidade de se instaurar
uma Sindicância, o 2º BPChq, OPM especializada e responsável pelo evento, deverá instaurá-la. A razão da existência desta hipótese é o fato de que, por vezes, o fato a investigar envolve técnicas, procedimentos e planejamento específicos, cuja investigação ganhará eficiência se ficar a cargo da Unidade especializada que realizou o planejamento ou detém os conhecimentos específicos e cujo Oficial Presidente poderá, por conseguinte, compreender melhor a dinâmica do ocorrido durante as investigações.
- Pelo Cmt da Unidade que primeiro tomar conhecimento do fato.
Este critério somente é utilizado quando não for possível chegar a uma autoridade com base no 1º critério.
Exemplo: No mesmo exemplo do primeiro critério, suponha que não se saiba exatamente onde os fatos ocorreram no momento da instauração, ou de qual Unidade são os policiais envolvidos, mas o Comandante do 5º BPM/M tomou conhecimento do fato primeiro. Ele
PRESIDENTE DA SINDICÂNCIA (artigo 66, § 3º, das I-16-PM)
A Presidência da Sindicância, quando o sindicado for Oficial, deverá recair em Oficial, ao menos, mais antigo que o sindicado.
ESCRIVÃO (Art 66, § 4º, DAS I-16-PM)
A designação de Escrivão para sindicância caberá ao respectivo Presidente, se não tiver sido feita pela autoridade que instaurou, recaindo em Oficial Subalterno, se o sindicado for Oficial, e em Sargento, Subtenente ou Aspirante a Oficial nos demais casos.
Exemplo 1: Se o sindicado for um 1º Sgt PM, o Escrivão poderá ser de um 3º Sgt PM em diante.
Exemplo 2: Se o sindicado for um Cap PM, o Escrivão deverá ser ao menos Oficial Subalterno (1º ou 2º Ten PM).
O escrivão providenciará para que estejam em ordem e em dia as peças e termos do processo, cabendo-lhe o controle dos prazos e medidas pertinentes. Assim que receber do presidente
a portaria e seus anexos, o escrivão fará a autuação, ou seja, dará capa ao processo.
RELATÓRIO
A sindicância será encerrada com minucioso relatório assinado pelo presidente, observando-se as regras do artigo 75 das I-16-PM:
Artigo 75 – A sindicância será encerrada com minucioso relatório, o qual deverá descrever fundado exclusivamente nos autos:
I – indicação do dia, hora e local da ocorrência do fato passível de apuração pela administração;
II – descrição das provas testemunhais, materiais e periciais obtidas, bem como os indícios existentes;
III – avaliação e comparação das provas entre si;
IV - manifestação fundamentada, com a respectiva classificação legal, sobre a autoria e materialidade do fato gerador e da responsabilidade civil, disciplinar, acidente do trabalho ou do direito pleiteado.
V – sugestão da instauração se for o caso, de outros procedimentos administrativos, bem como de remessa de cópias às autoridades interessadas.
Deve ser feita remissão das folhas em que se encontram os elementos probatórios descritos e medidas adotadas.
PRAZO DE ENCERRAMENTO E PRORROGAÇÃO (artigo 76 das I-16-PM)
O prazo para conclusão da sindicância é de 30 (trinta) dias a contar da data de instauração ou do termo de recebimento da
portaria, em caso delegação, prorrogáveis por até 90 (noventa) dias pela autoridade instauradora ou avocadora, mediante pedido fundamentado, que constará dos autos.
Exemplo: Uma sindicância instaurada na ESSgt terá sua prorrogação por até 90 dias autorizados pelo próprio Comandante da ESSgt.
Esgotados os prazos do “caput” e não estando concluída a sindicância por falta de
laudos, perícias ou outra diligência necessária à elucidação dos fatos, deverão ser solicitados novos prazos à autoridade funcional imediatamente superior à instauradora ou avocadora, os quais
não excederão a 90 (noventa) dias.
Exemplo: No mesmo caso acima, após esgotados os prazos do Comandante da ESSgt, o competente para prorrogar por períodos de até 90 (noventa dias) é o Dir Ense Cult.
A Corregedoria PM deve acompanhar as sindicâncias que estão em andamento há mais de duzentos e dez dias.
Os pedidos de prorrogação de prazo devem ser justificados diante da real necessidade de complementação do feito e devem ser acompanhados dos autos para que a autoridade competente realize a necessária auditoria, demonstrando, assim, que não houve inércia e consequentemente desídia na investigação, justificando o pedido de prorrogação de prazo.
SOLUÇÃO (artigo 77 das I-16-PM)
A autoridade instauradora decidirá sobre os aspectos legais, de mérito e formais, através de despacho fundado nas provas contidas nos autos, exarado no prazo de dez dias corridos, a contar do relatório, apreciando a atividade apuratória e a conclusão apontada pelo sindicante, sob os aspectos da legalidade, do mérito e formais.
Processos Administrativos em Geral 03 h/a
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS TRÍPLICE RESPONSABILIDADE
O militar do Estado que pratica ato irregular poderá responder administrativa, penal ou civilmente, isolada ou cumulativamente.
Exemplo: O motorista de uma viatura PM, imprudentemente, avança um sinal vermelho, ocasionando um acidente de trânsito e a morte do encarregado da guarnição, bem como a perda total do veículo. Com tal atitude, o motorista poderá ser responsabilizado
administrativamente por ter descumprido normas do CTB; civilmente pelos danos causados ao erário público e danos causados à família do PM morto e penalmente pelo crime militar de homicídio culposo.
Essa tríplice responsabilidade vem estampada nos artigos. 11 e 44, caput , do RDPM, como segue:
Artigo 11 - A ofensa aos valores e aos deveres vulnera a disciplina policial-militar, constituindo infração administrativa, penal ou civil, isolada ou cumulativamente.
Artigo 44 - A sanção disciplinar não exime o punido da responsabilidade civil e criminal emanadas do mesmo fato.
No art. 5º das I-16-PM também está prevista a tríplice responsabilidade:
Artigo 5º - O militar do Estado que pratica ato irregular responde administrativa, penal ou civilmente, isolada ou cumulativamente.
INDEPENDÊNCIA ENTRE AS ESFERAS DE RESPONSABILIDADE PENAL E ADMINISTRATIVA
A norma do artigo 138, § 3º, da Constituição Estadual, trata da reintegração do militar do Estado que for demitido por ato administrativo e absolvido pela Justiça na ação referente ao ato que deu causa à demissão, ocasionando a sua reintegração com todos os direitos restabelecidos.
O dispositivo constitucional acima citado, entretanto, somente poderá ser aplicado quando a decisão judicial absolutória penal fundar-se na negativa do fato (artigo 439, alínea “a”, 1ª
parte, do CPPM) ou da autoria do fato (artigo 439, alínea “c” do CPPM), e ainda, que os fatos sejam
rigorosamente os mesmos analisados em uma e outra esfera de responsabilidade.
Pertinente, neste caso, a Súmula 18 do STF, “in verbis”:
“ Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível
a punição administrativa do servidor público.”
Embora o militar do Estado acusado possa ter sido absolvido na esfera penal, pode ser provado no devido processo administrativo a ocorrência de sua conduta irregular, no âmbito administrativo disciplinar, caracterizada pelo seu comportamento incompatível com a sua condição de policial militar, violando deveres policiais militares que podem torná-lo incapaz moralmente de permanecer no serviço ativo da Instituição.
Nesse sentido, cumpre destacar o Despacho Normativo do Governador do Estado, publicado no Diário Oficial do Estado de 30 de março de 1990, dispondo acerca da limitação da aplicabilidade das regras dos artigos 136 e 138, § 3º, da Constituição Estadual aos casos em que a decisão judicial absolutória decorra da peremptória negação do fato ou de sua autoria e abranja todos os motivos determinantes do ato demissório ou expulsório.
Como se observa, consagra tal Despacho a sabida independência entre as esferas administrativa e penal, amplamente reconhecida pela doutrina e jurisprudência.
Nesse sentido é a lição citada pelo mestre Hely Lopes Meireles (2000, p. 650):
“ Ao Poder Judiciário é permitido perquirir todos os aspectos de legalidade e
legitimidade para descobrir e pronunciar a nulidade do ato administrativo onde ela se encontre, e seja qual for o artifício que a encubra. O que não se permite ao Judiciário é pronunciar-se sobre o mérito administrativo, ou seja, sobre a conveniência, oportunidade, eficiência ou justiça do ato, porque, se assim agisse, estaria emitindo pronunciamento de administração, e não de jurisdição judicial, o mérito administrativo, relacionando-se com conveniência do Governo ou com elementos técnicos, refoge do âmbito do Poder Judiciário, cuja missão é a de aferir a conformação do ato com a lei escrita, na sua falta, com os princípios gerais do Direito.”
Não é outro o entendimento do Colendo Supremo Tribunal Federal, que, no julgamento do R. E. 68.780, decidiu:
“ A ação do Judiciário deve conter-se no campo da legalidade, não da justiça: esta
corre a conta do poder discricionário da Administração, a qual, valorizando os elementos informativos, aplicou a sanção, que se ateve aos termos da lei. (in RTJ 56/333).”
Alguns dispositivos do RDPM ilustram bem a independência entre as esferas de responsabilidade penal e administrativa, como segue:
Artigo 12 - Transgressão (...).
§ 5º - A aplicação das penas disciplinares previstas neste Regulamento independe do resultado de eventual ação penal.
Artigo 44 - A sanção disciplinar não exime o punido da responsabilidade civil e criminal emanadas do mesmo fato.
Parágrafo único - A instauração de inquérito ou ação criminal não impede a imposição, na esfera administrativa, de sanção pela prática de transgressão disciplinar sobre o mesmo fato.
Artigo 79 - O Conselho poderá ser instaurado, independentemente da existência ou da instauração de inquérito policial comum ou militar, de processo criminal ou de sentença criminal transitada em julgado.
SUJEIÇÃO À DISCIPLINA POLICIAL-MILITAR
Estão sujeitos ao Regulamento Disciplinar da Polícia Militar (artigo 2º do RDPM), os militares: - do serviço ativo; - da reserva remunerada; - reformados; - agregados. Observação:
Não estão sujeitos ao RDPM os militares ocupantes de cargos públicos ou eletivos e os Magistrados da Justiça Militar.
COMPETÊNCIA DISCIPLINAR
Ar tigo 31 - A competência disciplinar é inerente ao cargo, função ou posto, sendo autoridades competentes para aplicar sanção disciplinar:
I - o Governador do Estado: a todos os militares do Estado sujeitos a este Regulamento;
II - o Secretário da Segurança Pública e o Comandante Geral: a todos os militares do Estado sujeitos a este Regulamento, exceto ao Chefe da Casa Militar;
III - o Subcomandante da Polícia Militar: a todos os integrantes de seu comando e das unidades subordinadas e às praças inativas;
IV - os oficiais da ativa da Polícia Militar do posto de coronel a capitão: aos militares do Estado que estiverem sob seu comando ou integrantes das OPM subordinadas.
§ 1º - Ao Secretário da Segurança Pública e ao Comandante Geral da Polícia Militar compete conhecer das sanções disciplinares aplicadas aos inativos, em grau de recurso, respectivamente, se oficial ou praça.
§ 2º - Aos oficiais, quando no exercício interino das funções de posto igual ou superior ao de capitão, ficará atribuída a competência prevista no inciso IV deste artigo.
LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES
Ar tigo 32 - O Governador do Estado é competente para aplicar todas as sanções disciplinares previstas neste Regulamento, cabendo às demais autoridades as seguintes competências:
I - ao Secretário da Segurança Pública e ao Comandante Geral: todas as sanções disciplinares exceto a demissão de oficiais;
II - ao Subcomandante da Polícia Militar: as sanções disciplinares de advertência, repreensão, permanência disciplinar, detenção e proibição do uso de uniformes de até os limites máximos previstos;
III - aos oficiais do posto de coronel: as sanções disciplinares de advertência, repreensão, permanência disciplinar de até 20 (vinte) dias e detenção de até 15 (quinze) dias;
IV - aos oficiais do posto de tenente-coronel: as sanções disciplinares de advertência, repreensão e permanência disciplinar de até 20 (vinte) dias;
V - aos oficiais do posto de major: as sanções disciplinares de advertência, repreensão e permanência disciplinar de até 15 (quinze) dias;
VI - aos oficiais do posto de capitão: as sanções disciplinares de advertência, repreensão e permanência disciplinar de até 10 (dez) dias.
Autoridade com competência disciplinar é aquela que tem ascensão hierárquica e ascensão funcional em relação ao policial militar que tenha praticado uma transgressão disciplinar, competência esta estabelecida e limitada pelo Regulamento Disciplinar.
A ascensão hierárquica tem fundamento no “cargo” que o superior ocupa. No caso da
PMESP, a hierarquia é verticalizada, e os cargos vão de Soldado a Coronel, subdividida em graduação (para as Praças) e posto (para os Oficiais).
A ascensão funcional tem fundamento no Quadro Particular da Organização, ou seja, na distribuição do efetivo pela OPM, importando aqui a função exercida pelo superior, como por exemplo, Cmt de Cia e Cmt de Btl, independentemente do cargo.
Exemplo: O Cmt da 1ª Cia/ESSgt tem competência disciplinar em relação a qualquer Al Sgt PM da 1ª Cia, o que não acontece em relação a qualquer Al Sgt PM da 2ª Cia, pois neste caso não há ascensão funcional, somente a ascensão hierárquica.
DOSIMETRIA NA APLICAÇÃO DA SANÇÃO
Artigo 33 - Na aplicação das sanções disciplinares serão sempre considerados a natureza, a gravidade, os motivos determinantes, os danos causados, a personalidade e os antecedentes do
agente, a intensidade do dolo ou o grau da culpa.
Artigo 34 - Não haverá aplicação de sanção disciplinar quando for reconhecida qualquer das seguintes causas de justificação:
I - motivo de força maior ou caso fortuito, plenamente comprovados;
II - benefício do serviço, da preservação da ordem pública ou do interesse público; III - legítima defesa própria ou de outrem;
IV - obediência a ordem superior, desde que a ordem recebida não seja manifestamente ilegal;
V - uso de força para compelir o subordinado a cumprir rigorosamente o seu dever, no caso de perigo, necessidade urgente, calamidade pública ou manutenção da ordem e da disciplina.
Artigo 35 - São circunstâncias atenuantes: I - estar, no mínimo, no bom comportamento; II - ter prestado serviços relevantes;
III - ter admitido a transgressão de autoria ignorada ou, se conhecida, imputada a outrem; (obs: a atenuante diz respeito à apuração da autoria da transgressão.)
IV - ter praticado a falta para evitar mal maior;
V - ter praticado a falta em defesa de seus próprios direitos ou dos de outrem; VI - ter praticado a falta por motivo de relevante valor social;
VII - não possuir prática no serviço;
VIII - colaborar na apuração da transgressão disciplinar. (obs: A atenuante diz respeito à materialidade da transgressão.)
Artigo 36 - São circunstâncias agravantes: I - mau comportamento;
II - prática simultânea ou conexão de duas ou mais transgressões; III - reincidência específica;
IV - conluio de duas ou mais pessoas;
V - ter sido a falta praticada durante a execução do serviço;
VI - ter sido a falta praticada em presença de subordinado, de tropa ou de civil; VII - ter sido a falta praticada com abuso de autoridade hierárquica ou funcional.
§ 1º - Não se aplica a circunstância agravante prevista no inciso V quando, pela sua natureza, a transgressão seja inerente à execução do serviço.
§ 2º - Considera-se reincidência específica o enquadramento da falta praticada num mesmo item dos previstos no parágrafo único do artigo 13 ou no item 2 do § 1º do artigo 12. (obs: A falta que tenha resultado em aplicação de advertência não deve ser considerada para efeito de reincidência específica, visto não ser objeto de publicação e registro em Assentamento Individual. Para a apreciação da reincidência específica não devem ser utilizadas sanções disciplinares publicadas na vigência dos regulamentos Disciplinares anteriores.)
Artigo 41 - Na aplicação das sanções disciplinares previstas neste Regulamento, serão rigorosamente observados os seguintes limites:
I - quando as circunstâncias atenuantes preponderarem, a sanção não será aplicada em seu limite máximo;
II - quando as circunstâncias agravantes preponderarem, poderá ser aplicada a sanção até o seu limite máximo;
III - pela mesma transgressão não será aplicada mais de uma sanção disciplinar.
Artigo 42 - A sanção disciplinar será proporcional à gravidade e natureza da infração, observados os seguintes limites:
I - as faltas leves são puníveis com advertência ou repreensão e, na reincidência específica, com permanência disciplinar de até 5 (cinco) dias;(obs: a reincidência específica de falta leve implica na aplicação de permanência disciplinar, sendo vedada a cominação de sanção de advertência ou de repreensão)
II - as faltas médias são puníveis com permanência disciplinar de até 8 (oito) dias e, na reincidência específica, com permanência disciplinar de até 15 (quinze) dias;(obs: de acordo com a interpretação do contido no parágrafo único do artigo 16, é possível a aplicação de repreensão nas faltas médias, desde que não haja reincidência específica. A reincidência específica de falta média implica na aplicação de permanência disciplinar em quantidade de dias superior à aplicada na sanção anterior.)
III - as faltas graves são puníveis com permanência de até 10 (dez) dias ou detenção de até 8 (oito) dias e, na reincidência específica, com permanência de até 20 (vinte) dias ou detenção de até 15 (quinze) dias, desde que não caiba demissão ou expulsão. (obs: a reincidência específica de falta grave implica na aplicação de permanência disciplinar ou detenção, de forma mais severa, quer em relação ao tipo de sanção, quer em relação à quantidade de dias.)
PRESCRIÇÃO DA AÇÃO DISCIPLINAR DA ADMINISTRAÇÃO
A ação disciplinar da Administração prescreverá em 5 (cinco) anos, contados da data do cometimento da transgressão disciplinar (artigo 85 do RDPM).
O ilícito administrativo previsto também como crime prescreve nos prazos estabelecidos na legislação penal comum e militar, salvo se o prazo for inferior a 5 (cinco) anos.
Em qualquer caso, a interposição de recursos disciplinares interrompe a prescrição, até a solução final do recurso.
Procedimento Disciplinar (PD) 06 h/a
PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
Não se confunda o Procedimento Disciplinar (PD) com os Processos Regulares previstos no RDPM (Conselho de Justificação, Conselho de Disciplina, Processo Administrativo
Disciplinar).
A sanção aplicada por meio do PD não gera a exclusão do PM das fileiras da Instituição, ao contrário das sanções que podem ser aplicadas por meio dos processos regulares.
O PD está previsto nos artigos. 27 a 29 do RDPM:
Artigo 27 - A comunicação disciplinar dirigida à autoridade policial-militar competente destina-se a relatar uma transgressão disciplinar cometida por subordinado hierárquico.
Ar tigo 28 - A comunicação disciplinar deve ser clara, concisa e precisa, contendo os dados capazes de identificar as pessoas ou coisas envolvidas, o local, a data e a hora do fato, além de caracterizar as circunstâncias que o envolveram, bem como as alegações do faltoso, quando presente e ao ser interpelado pelo signatário das razões da transgressão, sem tecer comentários ou
opiniões pessoais.
§ 1º - A comunicação disciplinar deverá ser apresentada no prazo de 5 (cinco) dias, contados da constatação ou conhecimento do fato, ressalvadas as disposições relativas ao recolhimento disciplinar, que deverá ser feita imediatamente.
§ 2º - A comunicação disciplinar deve ser a expressão da verdade, cabendo à autoridade competente encaminhá-la ao acusado para que, por escrito, manifeste-se preliminarmente sobre os fatos, no prazo de 3 (três) dias.
§ 3º - Conhecendo a manifestação preliminar e considerando praticada a transgressão, a autoridade competente elaborará termo acusatório motivado, com as razões de fato e de direito, para que o militar do Estado possa exercitar, por escrito, o seu direito a ampla defesa e ao
contraditório, no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 4º - Estando a autoridade convencida do cometimento da transgressão, providenciará o enquadramento disciplinar, mediante nota de culpa ou, se determinar outra solução, deverá fundamentá-la por despacho nos autos.
§ 5º - Poderá ser dispensada a manifestação preliminar quando a autoridade competente tiver elementos de convicção suficientes para a elaboração do termo acusatório, devendo esta circunstância constar do respectivo termo.
Ar tigo 29 - A solução do procedimento disciplinar é da inteira responsabilidade da autoridade competente, que deverá aplicar sanção ou justificar o fato, de acordo com este Regulamento.
§ 1º - A solução será dada no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento da defesa do acusado, prorrogável no máximo por mais 15 (quinze) dias, mediante declaração de motivos no próprio enquadramento.
§ 2º - No caso de afastamento regulamentar do transgressor, os prazos supracitados serão interrompidos, reiniciada a contagem a partir da sua reapresentação.
§ 3º - Em qualquer circunstância, o signatário da comunicação deverá ser notificado da respectiva solução, no prazo máximo de 90 (noventa) dias da data da comunicação.
§ 4º - No caso de não cumprimento do prazo do parágrafo anterior, poderá o signatário da comunicação solicitar, obedecida a via hierárquica, providências a respeito da solução.
Veja que os artigos acima enumerados não são suficientes para o entendimento integral do rito do PD e de diversas particularidades acerca dele. Para tanto, e com fulcro no artigo 88 do RDPM, o Cmt Geral editou a Portaria do Cmt G nº CorregPM-004/305/01, estabelecendo o rito do Procedimento Disciplinar, em seu Anexo III. O estudaremos a seguir:
RITO DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR A QUE SE REFEREM OS ARTIGOS 27 A 29 DO REGULAMENTO DISCIPLINAR (Anexo III à Portaria do Cmt G Nº.
CorregPM-004/305/01).
H ipóteses de cabimento
Artigo 1º - As transgressões disciplinares que, por sua natureza e complexidade, não exigirem a instauração de Sindicância, de Processo Administrativo Disciplinar, de Conselho de Disciplina ou de Conselho de Justificação serão apuradas por meio do Procedimento Disciplinar a
que se referem os artigos 27 a 29 do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar. Conhecimento da transgr essão
Artigo 2º - A comunicação disciplinar, ou qualquer documento legal não anônimo que noticie a prática de transgressão disciplinar, deve ser dirigida à autoridade policial-militar competente, no prazo de 5 (cinco) dias.
Conteúdo da comuni cação di scipl inar
§ 1º - A comunicação disciplinar deve ser clara, concisa e precisa, contendo os dados capazes de identificar as pessoas ou coisas envolvidas, o local, a data e a hora do fato, além de caracterizar as circunstâncias que o envolveram, bem como as alegações do faltoso, quando presente e ao ser interpelado pelo signatário das razões da transgressão, sem tecer comentários ou
opiniões pessoais.
Dispensa da comunicação discipl inar
§ 2º - Quando a transgressão disciplinar ocorrer na presença da autoridade competente, for contra esta ou a ela chegar ao conhecimento por qualquer veículo idôneo de comunicação social, dispensa- se o documento citado no “caput”.
Tr ansgressão prati cada por inativo
§ 3º - Na hipótese da transgressão disciplinar ter sido praticada por militar do Estado inativo, a documentação mencionada no “caput” deve ser r emetida ao Comandante Geral, no caso do faltoso ser Oficial, ou ao Subcomandante PM, no caso do faltoso ser Praça, por intermédio da Corregedoria PM.
I nstr ução pr elimi nar de transgressão pr ati cada por inativo
§ 4º - Sempre que possível, antes de efetuar a remessa prevista no parágrafo anterior, o Comandante da Unidade responsável pela área da ocorrência deverá formalizar os atos, apurando o ocorrido e juntando a manifestação preliminar do inativo faltoso.
Recolh imento disciplinar
Artigo 3º - Presente uma das excepcionais hipóteses de aplicação de recolhimento disciplinar poderá ser aplicada a medida, nos termos do artigo 26 do RDPM, sem prejuízo da elaboração imediata dos documentos, despachos e decisões explicitados nesta norma.
Análise preli minar
Artigo 4º - Por meio de despacho motivado, a autoridade competente realizará análise preliminar, decidindo:
I - restituir à origem para complementação de dados, se possível, caso não tenha sido observado o previsto no § 1º do artigo 2º;
II - arquivar, caso presente uma das causas de justificação do artigo 34 do RDPM ou no caso da inexistência de transgressão disciplinar, devendo deste ato ser cientificado o militar do Estado faltoso e o signatário da comunicação disciplinar;
III - encaminhar ao militar do Estado faltoso, para que se manifeste preliminarmente sobre os fatos, no prazo máximo de 3 (três) dias; ou
IV - formular acusação, sem manifestação prévia do militar do Estado faltoso, caso haja elementos de convicção suficientes para adoção desse procedimento, devendo tal circunstância ser objeto de registro no Termo Acusatório.
Termo acusatório. Pr azo para elaboração
Artigo 5º - A autoridade competente, ao receber a manifestação preliminar por escrito do militar do Estado acusado e considerando praticada a transgressão disciplinar, elaborará Termo Acusatório, no prazo de 5 (cinco) dias, no qual descreverá e tipificará a conduta nos preceitos do RDPM, zelando pela clareza e precisa delimitação e indicando o rol de testemunhas, se houver.
Apr esentação de defesa
Artigo 6º. - O prazo para entrega de defesa escrita é de 5 (cinco) dias, a contar da ciência e do recebimento do Termo Acusatório pelo militar do Estado acusado.
Requerimentos da defesa
§ 1º - Apresentada a defesa, a autoridade atenderá aos requerimentos, se pertinentes. Ausência de requer imentos da defesa. Confissão
§ 2º - A ausência de requerimentos da defesa ou a confissão permitirá à autoridade competente passar diretamente à fase de julgamento, acarretando na imediata solução, observando-se, contudo, o disposto no inciso IV do artigo 8º desta norma.
Pr azo par a a solução. Pr or rogação de prazo
Artigo 7º - O prazo para solução do Procedimento Disciplinar é de 30 (trinta) dias, incluindo-se neste a instrução, podendo ser prorrogado por mais 15 (quinze) dias, motivando tal ato no enquadramento disciplinar.
I nstr ução do Procedimento Di sciplinar
Artigo 8º - Para a instrução do Procedimento Disciplinar, deverá ser observado, no que couber, o seguinte:
Delegação da instrução
I – observadas as regras da hierarquia, a autoridade competente poderá delegar a instrução do Procedimento Disciplinar, por despacho, a Oficial, Praça Especial, Subtenente ou Sargento; sendo que nas OPM atendidas por Escritório de Justiça e Disciplina, a instrução será feita por integrante do respectivo Escritório.
H orário dos atos procedimentai s
II - os atos procedimentais serão públicos e poderão ser realizados em qualquer horário, procurando-se evitar prejuízo ao serviço a que o militar do Estado acusado deva concorrer.
Ampla Defesa e Contr aditóri o. Atos probatórios
III - os atos probatórios serão realizados na presença do militar do Estado acusado ou do seu defensor, sendo a qualquer deles permitido perguntar e reperguntar às testemunhas, por intermédio do Presidente, de tudo, mantendo-se registros escritos.
Verdade real
IV - o imperativo da busca da verdade real obriga a se considerar, em defesa do militar do Estado acusado, todo argumento que, por inépcia ou outra razão, não tenha sido usado, mas que seja de conhecimento.
I nti mação do acusado e seu defensor
V – o acusado e seu defensor constituído deverão ser intimados da realização de todos os atos do Procedimento Disciplinar, por meio de correspondência registrada, publicação em Diário Oficial ou publicidade pessoal certificada nos autos, com a advertência de que o não comparecimento do militar do Estado acusado ou do seu defensor importará na realização do ato sem a sua presença.
F alta de comparecimento ju stifi cada
VI - na hipótese de falta de comparecimento justificada do militar do Estado acusado e de seu defensor, o Presidente adiará o ato do Procedimento Disciplinar por uma única vez, constando nos autos.
F alta de comparecimento inj ustificada
VII – na hipótese de falta de comparecimento injustificada do militar do Estado acusado e de seu defensor a ato do Procedimento Disciplinar, o Presidente designará como defensor “ad hoc” um Oficial, Praça Especial, Subtenente ou Sargento, constando nos autos.
Designação de defensor dativo
VIII – se a falta de comparecimento do militar do Estado e de seu defensor constituído persistir, deverá ser designado defensor dativo, fazendo constar nos autos.
Nulidade
IX - a nulidade de ato somente será declarada se houver efetiva demonstração de prejuízo à defesa ou à Administração, devendo qualquer incidente nesse sentido ser resolvido de plano, com registro obrigatório nos autos.
Rejeição de r equerimentos pr otelatórios
X – no curso da instrução do procedimento disciplinar, a autoridade competente ou o Presidente indeferirá, motivadamente, o requerimento de qualquer prova ilegal, tumultuária,
impertinente ou protelatória. Declar ação de sigi lo
XI - a autoridade competente ou o Presidente poderá, por conveniência da disciplina, da ordem pública ou da ordem administrativa militar, declarar sigiloso o Procedimento Disciplinar, garantida sempre
a presença do militar do Estado acusado e/ou do seu defensor. Suspensão do prazo do Procedimento D isciplinar
XII - nos casos de extravio ou de gozo de afastamento regulamentar do militar do Estado acusado, o prazo do Procedimento Disciplinar ficará suspenso, dando prosseguimento à sua contagem no dia útil seguinte ao término do afastamento.
I nati vidade de militar do Estado acusado
XIII – na hipótese de transferência do militar do Estado acusado para a inatividade, mesmo que temporária, o procedimento terá seu curso normal, no entanto, a solução competirá às autoridades mencionadas nos incisos II e III do artigo 31 do RDPM.
Adi tamento do Termo Acusatório
Artigo 9º - O Termo Acusatório poderá ser aditado antes do julgamento, tornando-se obrigatória a execução do Procedimento Disciplinar, em relação à nova imputação.
I mpossibil idade de uso da defesa contr a o mi litar do Estado acusado
Parágrafo único. Nenhum argumento usado pelo militar do Estado acusado, em sua defesa, quando apresentado em termos respeitosos, poderá ser objeto de aditamento do Termo Acusatório ou de nova acusação disciplinar, salvo se capcioso fútil ou claramente estranho ao fato
motivador do procedimento.
Alegações finais de defesa. Prazo. Vi stas dos autos.
Artigo 10 - Instruído o Procedimento Disciplinar, o prazo para apresentação das alegações finais de defesa será de 5 (cinco) dias, assegurado, durante esse período, vistas dos autos em cartório.
Não apresentação de alegações finai s de defesa
Parágrafo único. Caso não tenham sido apresentadas as alegações finais de defesa no prazo estipulado neste artigo, o Presidente deverá nomear defensor “ad hoc” para apresentá-las,
obedecendo-se o mesmo prazo. Relatório do Pr esidente
Artigo 11 - O Presidente emitirá relatório sobre as provas produzidas, manifestando-se sobre a existência ou não da transgressão disciplinar imputada, encaminhando o Procedimento Disciplinar à autoridade competente para julgamento e solução.
Julgamento e Sol ução
Artigo 12 - A autoridade competente julgará com base nos elementos de convicção existentes nos autos e na verdade real, emitindo a solução, escrita e motivada, preenchendo o enquadramento disciplinar (planilha PM-C-117-A), para a devida publicação.
Avocação do Pr ocedim ento Discipl inar
Artigo 13 - As autoridades funcionalmente superiores à instauradora poderão avocar o Procedimento Disciplinar, declarando os motivos em despacho nos autos.
Ci ênci a ao signatário da comunicação
Artigo 14 – O signatário da comunicação disciplinar deverá ser cientificado da solução, após a aprovação do ato disciplinar, no prazo máximo de 90 (noventa) dias, a contar da
data da comunicação disciplinar. Aplicação das I -16-PM
Processos Regulares. 02 h/a
PROCESSOS REGULARES - CONSELHO DE DISCIPLINA E PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Dentro do assunto processo administrativo, temos os processos administrativos disciplinares que são utilizados na PMESP com a finalidade de julgar seus integrantes, no sentido de verificar se ainda reúnem condições morais de continuarem servindo nas fileiras da Instituição, após a prática de determinadas faltas disciplinares, que estudaremos adiante. Esses processos são chamados de Processos Regulares.
O Regulamento Disciplinar da PMESP (instituído pela Lei Complementar nº 893, de 9 de março de 2001) estabelece que a Praça só será demitida ou expulsa mediante Processo Regular.
O art. 71 do RDPM dispõe:
“O processo regular a que se refere este Regulamento, para os militares do Estado, será:
I - para oficiais: o Conselho de Justificação (CJ);
II - para praças com 10 (dez) ou mais anos de serviço policial- militar: o Conselho de Disciplina (CD);
III - para praças com menos de 10 (dez) anos de serviço policial-militar: o Processo Administrativo Disciplinar (PAD).”
Obs:
1) Na hipótese de o militar do Estado completar 10 (dez) anos de serviço durante a instrução do PAD, deve-se dar continuidade ao processo já instaurado, sem qualquer prejuízo para a sua validade.
2) Havia uma polêmica a respeito de o Asp Of PM, o Subtenente PM e o Sgt PM serem submetidos a CD, independentemente do tempo de serviço, no entanto, o atual RDPM estabelece a regra do tempo de serviço, ou seja, sendo praça com menos de 10 anos de serviço será submetido a PAD, e com 10 anos ou mais, a CD.
3) Se num mesmo fato incompatível com a função estiverem envolvidos Oficial e Praça, ambos responderão processos regulares distintos, ou seja, o Oficial responderá a um CJ e a Praça responderá a um CD ou PAD, conforme o tempo de serviço prestado.
4) Para a instauração do processo regular, a transgressão disciplinar deve ser grave, nos termos do art. 124, III e IV, das I-16-PM, como segue:
Artigo 124 - A portaria constitui a peça inicial do processo regular e deve conter: Definição da infração di sciplinar
III - a exposição clara, precisa e concisa do fato censurável de natureza grave, suas circunstâncias e antecedentes, objetivamente definidos no tempo e no espaço;
A n orma legal
IV - a tipificação legal da conduta, ainda não punida, classificada como transgressão disciplinar grave nos termos da Lei Complementar 893/01;
FINALIDADE
A finalidade do CD e do PAD é apurar a incapacidade moral da Praça para permanecer no serviço ativo da PMESP, conforme art. 76, “caput”, do RDPM, como segue:
Artigo 76 - O Conselho de Disciplina destina-se a declarar a incapacidade moral da praça para permanecer no serviço ativo da Polícia Militar (...).
Os arts. 126 e 127 das I-16-PM também estabelecem tal finalidade:
Conselho de Di sciplin a
Artigo 126 - O Conselho de Disciplina é o processo regular que visa apurar a incapacidade moral da Praça com 10 (dez) ou mais anos de serviço policial-militar para permanecer no serviço ativo, fornecendo subsídios para decisão final do Comandante Geral.
Processo Administrati vo Di sciplin ar
Artigo 127 - O Processo Administrativo Disciplinar é o processo regular que visa apurar a incapacidade moral da Praça com menos de 10 (dez) anos de serviço policial-militar para permanecer no serviço ativo, fornecendo os fundamentos para decisão final do Comandante Geral.
PLURALIDADE DE ENVOLVIDOS - ARTIGO 11, § 3º, DAS I-16-PM
A pluralidade de envolvidos está prevista no art. 80, “caput” e § 1º, do RDPM, como
segue:
Artigo 80 - Será instaurado apenas um processo quando o ato ou atos motivadores tenham sido praticados em concurso de agentes.
§ 1º - Havendo dois ou mais acusados pertencentes a OPM diversas, o processo será instaurado pela autoridade imediatamente superior, comum aos respectivos comandantes das OPM dos acusados.
O art. 11, § 3º, das I-16-PM também prevê tal disposição: Art. 11 – (...)
Plur ali dade de envolvidos
§ 3º - Estando envolvidos integrantes de mais de uma OPM, o processo será único, observadas as restrições específicas, e instaurado pela autoridade de cargo superior, comum aos respectivos Comandantes.
Exemplo: Dois policiais militares, um da ESSgt e o outro da APMBB, se envolveram em um mesmo fato, tendo praticado transgressões disciplinares desabonadoras. O Conselho de Disciplina, se for o caso, deverá ser instaurado pelo Diretor de Ensino.
Obs: No caso de Sindicância, quando se tratar de pluralidade de envolvidos, a regra é específica, pois não se trata de imputação de responsabilidade disciplinar e sim de uma investigação a ser realizada pela autoridade competente, nos termos do art. 11, § 6º, das I-16-PM.
CONSELHO DE DISCIPLINA
O Conselho de Disciplina, como já foi mencionado, é o processo regular que visa apurar a incapacidade moral da Praça com 10 (dez) ou mais anos de serviço policial-militar para permanecer no serviço ativo, fornecendo subsídios para decisão final do Comandante Geral (artigo
126 das I-16-PM).
RDPM:
Artigo 76 - O Conselho de Disciplina destina-se a declarar a incapacidade moral da praça para permanecer no serviço ativo da Polícia Militar e será instaurado:
I - porportaria do Comandante da Unidade a que pertencer o acusado; II - por ato de autoridade superior à mencionada no inciso anterior.
Parágrafo único - A instauração do Conselho de Disciplina poderá ser feita durante o cumprimento de sanção disciplinar.
Obs: O Conselho de Disciplina não será instaurado com base em transgressão disciplinar da qual o militar do Estado já tenha cumprido a sanção, nos termos do artigo 41, III, do RDPM.
COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE DISCIPLINA
Artigo 78 - O Conselho será composto por 3 (três) oficiais da ativa .
§ 1º - O mais antigo do Conselho, no mínimo um capitão , é o presidente , e o que lh e segui r em Antigüidade ou precedência funcional é o interr ogante , sendo o relator e escri vão o mais moderno .
Exemplo: A composição de CD que tem como acusado uma Praça, de Sd a Asp Of, será de no mínimo um Cap PM (Presidente), um 2º Ten PM (Interrogante) e um 2º Ten PM (Relator e Escrivão).
Obs: A necessidade de ter um Major PM como presidente do CD instaurado em desfavor de Sargento PM não mais existe em face da revogação dos antigos R-2-PM e R-2A-PM.
§ 2º - Entendendo necessário, o presidente poderá nomear um subtenente ou sargento para funcionar como escrivão no processo, o qual não integrará o Conselho.
MEDIDAS CAUTELARES
As medidas cautelares estão previstas no art. 112 das I-16-PM, das quais mencionaremos somente as relativas às Praças, como segue:
M edidas que recaem sobre o mi litar do Estado acusado
Ar tigo 112 - O Comandante, Chefe ou Diretor do militar do Estado acusado em processo regular deverá determinar que ele fique:
(...)
IV - Se Praça:
a) vinculado à Unidade do presidente do Processo Administrativo Disciplinar, como adido se necessário, desde a instauração do Conselho de Disciplina ou do Processo Administrativo Disciplinar, até a publicação da decisão definitiva;
b) prestando serviços internos, impedido de assumir às funções de ensino ou instrução, justiça e disciplina, inteligência policial, finanças e atendimento ao público em geral;
c) afastado de atividades operacionais, inclusive de supervisão, devendo ser empregado em serviços internos, em horário de expediente administrativo, ou no Serviço de Dia de Subunidade e Guarda do Quartel da Unidade, em regime de horário peculiar a essas funções, no entanto,
exclusivamente no período diurno, e suspensa a concessão de carga pessoal de arma de fogo. § 1º - As medidas determinadas neste Artigo alcançam, também, o militar do Estado nas seguintes condições:
1 - reintegrado por força de ordem liminar, até o julgamento definitivo da ação correspondente;
2 - reintegrado judicialmente, desde que seja permitida à Administração a instauração de novo processo regular, pelos mesmos fundamentos, observando-se o prazo de prescrição
quinquenal da Lei Complementar nº 893/01 (RDPM).
§ 2º - Em nenhuma hipótese, o militar do Estado que se encontrar nas situações previstas neste Artigo deverá ser escalado para representar a Instituição ou a Unidade em ato público, interno ou externo.
Ar tigo 113 - A autoridade instauradora do processo regular poderá requerer a decretação de medida cautelar, que consistirá em:
I - movimentação de unidade por conveniência da disciplina e do processo; II - proibição de uso de uniforme.
Parágrafo único - As medidas cautelares devem ser fundadas em uma ou mais das seguintes razões:
1 - na repercussão social da conduta em apuração; 2 - na conveniência da instrução processual;
3 - na exigência da manutenção das normas e princípios da hierarquia e disciplina, quando ficarem ameaçados ou atingidos em razão da conduta em apuração;
4 - outro motivo relevante.
CITAÇÃO E REVELIA
A citação está prevista no artigo 54 das I-16-PM e deve obedecer ao que segue: Conceito
Artigo 54 - A citação é o ato de chamamento ao processo do policial militar acusado. Conteúdo
§ 1º - A citação conterá:
I - o nome do Presidente do processo;
II - o nome do policial militar acusado e sua qualificação; III - a indicação do tipo de processo regular;
IV – cópia da portaria que instaurou o processo regular;
defensor e apresentar defesa preliminar, por escrito, nos termos do Artigo 134 destas Instruções; VI - a indicação de que o não atendimento do contido no item anterior acarretará o prosseguimento à revelia e a nomeação de defensor dativo;
VII - assinatura do presidente. Citação pessoal
§ 2º - O policial militar será citado pessoalmente, onde possa ser encontrado, sendo-lhe entregue o documento citatório, mediante recibo aposto na contrafé.
Ci tação por edital
§ 3º - Se não for possível encontrar o acusado, em razão de deserção, ausência ilegal, desconhecimento de seu paradeiro ou por esquivar-se à citação, deverá o presidente determinar a sua citação por edital.
§ 4º - A citação por edital consiste na publicação, por única vez, de um extrato da citação em diário oficial, estabelecendo o prazo de 5 (cinco) dias, contados da publicação, para responder à acusação.
A revelia está prevista no mesmo artigo 54, §§ 5º e 6º, das I-16-PM: Revelia
§ 5º - O não atendimento da citação acarretará o prosseguimento do processo à revelia, sendo que nos atos posteriores somente deverá ser intimado o defensor do acusado, salvo se houver o seu comparecimento no curso do processo.
§ 6º - O revel que comparecer após o início do processo poderá acompanhá-lo nos termos em que este estiver, não tendo direito à repetição de qualquer ato.
Importante frisar que o policial militar não será punido sem defesa, ou seja, a revelia implica em designação de PM habilitado para exercer a defesa do policial faltoso.
NOMEAÇÃO DE DEFENSOR
As normas quanto ao defensor no CD e no PAD estão nos artigos 19 e seguintes das I-16-PM:
Defensor
Artigo 19 - O acusado poderá constituir defensor no processo regular e, na falta deste, o Presidente do processo nomeará militar do Estado bacharel em Direito para exercer essa função.
Ausênci a de Pr ocuração
§ 1º - A constituição de defensor independe de instr umento de mandado se o acusado o indicar em qualquer das audiências, devendo tal situação ser registrada na ata da audiência.
Defesa obrigatória
§ 2º - Nenhum acusado será processado ou julgado sem defensor. Substituição do dativo
§ 3º - A nomeação de defensor dativo não impede que o acusado, a qualquer tempo, apresente seu defensor constituído, sem prejuízo dos atos processuais já praticados.
Substituição por recusa
§ 4º - O presidente realizará a substituição do defensor nomeado que tenha sido recusado pelo acusado, somente se configurado motivo relevante ou qualquer das hipóteses do
Artigo 29 destas Instruções. Pr esença do defensor
Artigo 20 - O defensor, caso tenha sido constituído pelo acusado, deverá estar presente em todas as sessões do processo.
Não com parecimento
Artigo 21 – A audiência será adiada uma única vez se, por motivo justificado, o defensor não puder comparecer.
§ 1º - Incumbe ao defensor justificar a ausência até 3 (três) dias antes da realização da audiência, salvo por motivo de força maior, quando poderá fazê-lo até a abertura da audiência e, não o fazendo, o presidente determinará o prosseguimento do processo, devendo nomear defensor ad hoc.
§ 2º - Caso se repita a falta, o presidente nomeará um defensor ad hoc, para efeito do ato.
Vi stas dos autos
Artigo 22 - As vistas dos autos pelo defensor será em cartório, sempre que necessária sua manifestação, podendo ser concedida a carga dos autos nos termos da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil).
M anifestação nos autos
Parágrafo único - A manifestação será inserida nos autos em ordem cronológica.
INTIMAÇÃO
A intimação está prevista no artigo 55 das I-16-PM, como segue: Conceito
Artigo 55 - A intimação para a prática de ato ou para a ciência de decisão no processo será expedida pelo seu presidente e conterá:
I - o nome e assinatura do presidente do processo; II - a indicação do tipo de processo administrativo; III - a especificação do objetivo da intimação;
IV - o lugar, dia e hora de comparecimento, se foro caso. F or mas de intimação
Artigo 56 – A intimação será realizada:
I - pessoalmente para o acusado, testemunhas, defensor nomeado e outras pessoas que devam participar de algum ato processual;
II – por meio de publicação em diário oficial para defensor constituído.
§ 1º - Dos atos praticados em audiência considerar-se-ão desde logo cientes o acusado e seu defensor.
§ 2º - Se o acusado estiver nas hipóteses mencionadas no § 3º do artigo 54, destas Instruções será intimado por edital.
§ 3 º - O não atendimento de intimação por parte do acusado acarretará o prosseguimento do processo à sua revelia.
§ 4º - A intimação de agentes públicos para comparecimento em audiência será realizada por meio de ofício do presidente do processo, devendo conter os requisitos previstos no Artigo 55 destas Instruções.
Obs: Ressaltem-se as diferenças entre a citação e a intimação. A citação será pessoal ou por edital, ocorrerá por uma única vez e no início do processo administrativo disciplinar apenas, a fim de chamar o acusado para o processo. Já a intimação ocorrerá quantas vezes forem necessárias após o início de um processo administrativo disciplinar ou investigatório, a fim de chamar qualquer uma das partes para o processo.