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EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO DO MUNICÍPIO DE ARACAJU

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Academic year: 2021

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Avenida Rio Branco n° 186, - Edifício Oviêdo Teixeira, Bairro Centro, EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO DO MUNICÍPIO DE ARACAJU

ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES DO MUNCÍPIO DE ARACAJU – APMAJU, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda sob o n° 08.841.069/0001-50, com sede à Avenida Rio Branco n° 186 - Edifício Oviêdo Teixeira, nesta Capital, neste ato representada pelo seu Diretor Presidente Dr. JOSÉ ALEXANDRE SILVA LEMOS, brasileiro, Procurador do Município de Aracaju, inscrito na OAB/Se sob o nº 4712, portador da Cédula de Identidade com Registro Geral nº 1.118.028 SSP/SE, inscrito no Cadastro Nacional de Pessoa Física do Ministério da Fazenda sob o nº 964.148.045-68, vem perante Vossa Excelência ajuizar o presente REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO, com fundamento nos argumentos fático-jurídicos a seguir expostos:

01. A Constituição da República trouxe os principais delineamentos do regime jurídico-administrativo ao estampar em seu texto um conjunto de princípios e regras que condicionam a atividade administrativa desenvolvida pelos agentes públicos.

02. Desse conjunto de normas extrai-se, como principal comando, o princípio da legalidade, que no âmbito administrativo possui uma fisiologia diferenciada do princípio da legalidade descrito no art. 5º, II, da Lex Maxima.

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03. É que para os cidadãos legalidade significa fazer tudo aquilo que não é proibido por lei, traduzindo-se, portanto, em uma garantia que complementa um dos aspectos do princípio da liberdade, conferida a todos os seres humanos. Significa: somos livres nos limites da lei.

04. Já o princípio da legalidade previsto no caput do art. 37, da Constituição Brasileira, tem significado diferenciado. Aqui, a legalidade condiciona o agir da Administração Pública, devendo toda atuação dos gestores e servidores públicos está respaldada em uma autorização legislativa.

05. A legalidade entendida como princípio que rege a Administração Pública, representa uma verdadeira manifestação da Democracia brasileira, pois, sendo a Lei a manifestação do Poder popular, por meio dos representantes eleitos de forma democrática, não há como negar que todas as leis que conformam regras para a Administração Pública, são consentidas pelo povo brasileiro.

06. Dessa forma, estão obrigados os gestores e servidores públicos a respeitar e agir sempre de acordo com os preceitos estabelecidos em lei.

07. Esta rápida digressão sobre o princípio da legalidade é oportuna pois esta municipalidade vem desrespeitando preceito expresso na Constituição Federal com relação ao teto salarial dos Procuradores do Município de Aracaju.

08. Vejamos, antes de tudo, o preceito normativo violado: Constituição Federal:

Art. 37. (...)

XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra

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Avenida Rio Branco n° 186, - Edifício Oviêdo Teixeira, Bairro Centro,

natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tri-bunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

09. A Carta Magna estabeleceu regra que determina o teto remuneratórios dos agentes públicos, sejam eles ocupantes de cargos, empregos, funções, mandatos, aposentados e pensionistas.

10. Para o conjunto de servidores públicos municipais a Constituição estabeleceu como teto remuneratório o subsídio mensal do Prefeito. Este teto vem sendo aplicado também para os Procuradores Municipais.

11. Nesse ponto, verifica-se o equívoco desta Administração. O teto dos Procuradores Municipais é o previsto como teto para os Desembargadores do Tribunal de Justiça, que é limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, do Ministro do Supremo Tribunal Federal.

12. Dizer que o teto remuneratório dos Procuradores Municipais é o teto do Prefeito é um equívoco. Como se vê da leitura do comando constitucional acima referido, a própria Constituição excepciona a regra do teto do funcionalismo municipal, pois determina que os Procuradores estão submetidos ao mesmo teto dos Desembargadores do Tribunal de Justiça.

13. Essa preocupação da Constituição Federal, não é discriminatória, pelo contrário, se coaduna perfeitamente com outro preceito da Carta. Desse modo, vejamos a redação do seguinte dispositivo da Carta Política:

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Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

14. A Constituição declarou expressamente que o Advogado é indispensável à Administração da Justiça, ou seja, está o Advogado ocupando papel fundamental ao desenvolvimento da função jurisdicional. Há, portanto, uma igualdade na consecução da Justiça. Juízes, Promotores e Advogados possuem funções diferenciadas, mas que, somadas, estabilizam o sistema judiciário brasileiro, tornando o processo dialético e democrático.

15. Desse modo, havendo essa igualdade de importância na consecução da Justiça, nada mais coerente com essa idéia de igualdade das funções a aplicação do mesmo teto remuneratório para estas carreiras jurídicas. Por isso, a Carta Política estabeleceu um teto único para Juízes, Promotores de Justiça, Procuradores e Defensores Públicos.

16. Assim, a interpretação sistemática da Carta Republicana excepciona, no âmbito municipal, o pagamento aos Procuradores Municipais estar limitado ao teto do Prefeito.

17. Exposto desse modo, conclui-se a inconstitucionalidade do comportamento dessa Administração Municipal em aplicar o teto do Prefeito desta Urbe aos Procuradores Municipais.

18. Frise-se que o valor do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal é de R$ 26.723,13 (vinte e seis mil, setecentos e vinte e três Reais e treze centavos). Aplicando-se o percentual de 90,25% sobre o referido valor chegamos ao teto dos Procuradores Municipais, qual seja, R$ 24.117,62 (vinte e quatro mil, cento e dezessete Reais e sessenta e dois centavos).

19. Apesar da evidente defasagem da remuneração dos Procuradores do Município de Aracaju, há de se observar o teto de R$ 24.117,62, e não o do Prefeito Municipal, devendo esta Administração deixar de aplicar o redutor aos Procuradores Municipais que percebem remuneração superior ao teto do Prefeito.

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Avenida Rio Branco n° 186, - Edifício Oviêdo Teixeira, Bairro Centro,

20. É oportuno ressaltar, ainda, que a jurisprudência pátria milita no mesmo sentido. Assim, vejamos, a título de exemplo, a seguinte decisão:

DIREITO CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. SERVIDORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA. PROCURADOR DO MUNICÍPIO. ARTIGO 37, XI, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, ALTERADO PELA EMENDA CONSTITUCIONAL 41/2003. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA JURISDICIONAL EM FAVOR DO AUTOR. AGRAVO. NÃO PROVIMENTO. O procurador municipal tem seu teto remuneratório baseado no subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública. Verba de caráter alimentar. Ausência de prova segura de dano de difícil reparação. Decisão vergastada que se revela moderada e prudente. Aplicação do verbete nº 59, da súmula da jurisprudência deste Tribunal de Justiça. Recurso não provido. (TJRJ, Agr. Instrumento nº 2005.002.28318)

21. Apesar de já elucidado o direito ora invocado, é oportuna a seguinte transcrição de citação em artigo produzido pelo Dr. Luiz Henrique Antunes Alochio. Assim, vejamos:

"emerge claro e icto oculi que os Procuradores em geral – como o são os autores – não se submetem ao subsídio do Prefeito como sub-teto ou limite. Pouco importa que sejam procuradores federais, estaduais ou municipais, pois onde a Magna Carta não distinguiu não cabe ao intérprete assim proceder. [...] Aliás há absoluta coerência nessa simetria pois todos exercem seus cargos atuando perante o Poder Judiciário ou gravitam em torno dele". (Rui Stoco apud Alochio)1

22. Como se vê o Professor Rui Stoco foi muito feliz ao fazer a explanação acima citada. Se a Constituição Federal não distinguiu qual categoria de Procurador está submetida ao teto remuneratório do Desembargador do Tribunal de Justiça, não há como o intérprete fazê-lo, sob pena de arvorar-se da posição de

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legislador constituinte, construindo preceitos constitucionais não previstos na Carta Política.

23. Isto tudo, porque tais carreiras de Procurador (Federal, Estadual e Municipal) compreendem as funções jurídicas típicas de Estado ao lado da Magistratura e do Ministério Público. E, como já dito, formam o conjunto de profissionais que trabalham para a consecução da Justiça, por isso o tratamento igualitário entre tais carreiras devendo ser submetidos ao mesmo teto.

DO REQUERIMENTO:

Ante o exposto requer a V. Excelência que se digne em rever o posicionamento adotado pela Administração Pública Municipal em limitar o percebimento da remuneração, pensões e proventos dos Procuradores Municipais ao teto do Prefeito, devendo ser aplicado à referida categoria o teto dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, conforme art. 37, XI, da Carta da República.

Nestes termos, aguarda justo deferimento.

Aracaju, 05 de abril de 2010.

José Alexandre Silva Lemos Presidente da APMAJU

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