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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

PROCURADORIA-GERALDA REPÚBLICA

N.º 399/2019 – SFPOSTF/PGR

HABEAS CORPUS Nº 165.515/AP (ELETRÔNICO) IMPETRANTE: Maria Cláudia de Seixas

PACIENTE: Luiz Eduardo Pinheiro Correa

RELATOR: Ministro Marco Aurélio

Excelentíssimo Senhor Ministro Marco Aurélio,

A PROCURADORA-GERAL DA REPÚBLICA, no exercício das suas atribuições

constitucionais e legais, em atenção ao despacho datado de 12 de junho de 2019, vem expor e requerer o que se segue.

I

Trata-se de Habeas Corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de Luiz Eduardo Pinheiro Correa e que tem por objeto a cassação da decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça no Habeas Corpus nº. 479.348/AP para impedir a execução da pena do

Gabinete da Procuradora-Geral da República

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paciente nos autos da AP nº 2005.31.00.000356-0/AP.

Nesses autos (0000357-51.2005.4.01.3100), Luiz Eduardo Correa foi condenado, em 24/07/2012, a uma pena de 04 anos e 08 meses de reclusão e pagamento de 40 dias multa pela prática dos crimes previstos nos arts. 90 da Lei de Licitações e art. 333 do CP, a ser cumprido em regime inicial semiaberto, sendo-lhe reconhecido o direito de recorrer em liberdade.

Contra a sentença foram interpostos recursos de apelação pelo paciente e demais corréus.

Em 28/06/2016, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região julgou os recursos de apelação e manteve a condenação e a pena fixada na sentença, em relação ao ora paciente.

O paciente e demais corréus apresentaram recurso especial, que teve juízo negativo de admissibilidade. Diante desta decisão, foi interposto agravo, também inadmitido pelo Superior Tribunal de Justiça (AREsp nº 1.050.984).

Interposto o agravo regimental, a Quinta Turma do STJ, em 18/09/2018, negou provimento e deste Acórdão, o paciente opôs embargos declaratórios, rejeitados no STF em 16/10/2018.

Após o encerramento do duplo grau de jurisdição, o Juízo da Vara Federal do Amapá, com fundamento na jurisprudência do STF (AreRg 964.246), determinou a execução provisória da pena do paciente de demais corréus, com expedição do mandado de prisão.

O paciente, objetivando obstar o cumprimento da pena, inicialmente, impetrou

habeas corpus no TRF 1ª Região1, cuja liminar foi indeferida pela Desembargadora Relatora. Assim, socorreu-se ao Superior Tribunal de Justiça, HC nº 479.348/AP, contudo, o Relator, Ministro Jorge Mussi, em 14/11/2018, indeferiu a liminar, com fundamento no enunciado nº 691 da Súmula do STF e, desta decisão, foi impetrada a presente medida.

O Ministro Relator, em 28/11/2018, deferiu a liminar, nos seguintes termos: A execução provisória pressupõe garantia do Juízo ou a viabilidade de retorno, alterado o título executivo, ao estado de coisas anterior, o que não ocorre em relação à custódia. É impossível devolver a liberdade perdida ao cidadão.

O fato de o Tribunal, no denominado Plenário Virtual, atropelando os processos objeti-vos acima referidos, sem declarar, porque não podia fazê-lo em tal campo, a

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onalidade do artigo 283 do aludido Código, e, com isso, confirmando que os tempos são estranhos, haver, em agravo que não chegou a ser provido pelo relator, ministro Teori Zavascki – agravo em recurso extraordinário nº 964.246, formalizado, por sinal, pelo pa-ciente do habeas corpus nº 126.292 –, a um só tempo, reconhecido a repercussão geral e “confirmado a jurisprudência”, assentada em processo único – no citado habeas corpus –, não é obstáculo ao acesso ao Judiciário para afastar lesão a direito, revelado, no caso, em outra cláusula pétrea – conforme a qual “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” – incisos XXXV e LVII do artigo 5º da Carta da República.

Ao tomar posse neste Tribunal, há 28 anos, jurei cumprir a Constituição Federal, observar as leis do País, e não a me curvar a pronunciamento que, diga-se, não tem efeito vinculante. De qualquer forma, está-se no Supremo, última trincheira da Cidadania, se é que continua sendo. O julgamento virtual, a discrepar do que ocorre em Colegiado, no verdadeiro Plenário, o foi por 6 votos a 4, e o seria, presumo, por 6 votos a 5, houvesse votado a ministra Rosa Weber, fato a revelar encontrar-se o Tribunal dividido. A minoria reafirmou a óptica anterior – eu próprio e os ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Tempos estranhos os vivenciados nesta sofrida República! Que cada qual faça a sua parte, com desassombro, com pureza d’alma, segundo ciência e consciência possuídas, presente a busca da segurança jurídica. Esta pressupõe a supremacia não de maioria eventual – conforme a composição do Tribunal –, mas da Constituição Federal, que a todos, indistintamente, submete, inclusive o Supremo, seu guarda maior. Em época de crise, impõe-se observar princípios, impõe-se a resistência democrática, a resistência republicana. De todo modo, há sinalização de a matéria vir a ser julgada, com a possibilidade, segundo noticiado pela imprensa, de um dos que formaram na corrente majoritária – e o escore foi de 6 a 5 – vir a evoluir.

Destaco ter liberado, em 4 de dezembro de 2017, para inserção na pauta dirigida do Pleno, ato situado no campo das atribuições da Presidência, as ações declaratórias de constitucionalidade nº 43 e 44, visando o julgamento de mérito, bem como, em 19 de abril de 2018, a de nº 54 para análise do pedido de medida acauteladora. Nenhuma teve designada data para apreciação. Ressalte-se que a última está lastreada em fato novo – a evolução na manifestação do ministro Gilmar Mendes, no exame do habeas corpus nº 152.752, relator ministro Edson Fachin –, a retratar a revisão da óptica que ensejou es-cassa maioria.

3. Defiro a liminar para afastar, até o julgamento do mérito da impetração, ou até a pre-clusão maior do título condenatório, a execução provisória da pena. Expeçam o alvará de soltura a ser implementado com as cautelas próprias: caso o paciente não esteja reco-lhido por motivo diverso do retratado no processo nº 2005.31.00.000356-0, da Segunda Vara Federal da Subseção Judiciária do Amapá, considerada a execução açodada, pre-coce e temporã da pena. Advirtam-no da necessidade de permanecer com a residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamamentos judiciais, de informar eventual transfe-rência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade.

4. Colham o parecer da Procuradoria-Geral da República. 5. Publiquem.

Contra esta decisão liminar apresentei agravo regimental em 06/12/2018, que ainda está pendente de julgamento.

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Em seguida, em petição protocolada em 24/04/2019, a defesa de Luiz Eduardo Correa informa o julgamento definitivo do HC nº 479.348 pela Quinta Turma do STJ, cuja liminar indeferida pelo Ministro Jorge Mussi foi objeto da presente impetração.

Como a liminar foi indeferida no HC nº 479.348, o paciente interpôs agravo, que foi indeferido pelo Ministro Jorge Mussi e desta decisão interpôs agravo regimental, que a Quinta Turma do STJ negou, a unanimidade, provimento ao recurso.

Diante destas informações, os autos foram encaminhados à PGR para manifesta-ção.

É o relatório.

II

De início, destaco que da decisão que concedeu a liminar neste writ, “para

afas-tar, até o julgamento do mérito da impetração, ou até a preclusão maior do título condenató-rio, a execução provisória da pena”, apresentei agravo regimental em 06/12/2018, que ainda

está pendente de julgamento.

No referido recurso, delimitei a matéria fática e jurídica discutida neste habeas

corpus, motivo pelo qual reitero as razões do agravo regimental e requeiro a reconsideração

da decisão agravada para restabelecer a execução provisória da pena do paciente, conforme orientação do Plenário do STF (Are 964246/SP)

Destaco, ainda, que no caso em apreço, o acesso ao STJ, pela via do recurso espe-cial já se encerrou, sequer está pendente o juízo de admissibilidade do recurso extraordinário interposto do Acórdão da Quinta Turma do STJ que negou provimento ao agravo regimental no agravo em recurso especial, o qual foi negativo pela decisão da Ministra Maria Thereza de Assis Moura, em 19/02/2019.

Interposto agravo, da decisão que negou seguimento ao Recurso Extraordinário, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, negou seguimento ao recurso, em decisão datada de 08/04/2019. Opostos embargos declaratórios, estes foram rejeitados em 05/06/2019.

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Na sequência, da defesa do paciente opôs os segundos embargos declaratórios em 14/06/2019, conforme se depreende do andamento processual do AREsp nº 1.050.984/AP.2

Cumpre ressaltar, que além dos embargos declaratórios, o paciente peticionou no Aresp 1.050.984, postulando a concessão de habeas corpus de ofício, o que foi afastado pela Ministra Relatora.

Desta forma, observa-se que o paciente, no abuso do direito de defesa, se vale de expedientes protelatórios para obstar o trânsito em julgado e manejar habeas corpus sob o fundamento de se tratar de execução provisória da pena.

Entretanto, no caso em apreço, a condenação do paciente na ação penal nº 0000357-51.2005.4.01.3100 não está sujeita à revisão, pois o recurso especial não foi conhe-cido e os sucessivos recursos de natureza protelatória para obstar o trânsito em julgado já fo-ram apreciados.

Ao consultar o andamento do AREsp nº 1.050.984, verifica-se que foram opostos os segundos embargos declaratórios, em 14/06/2019, o que confirma o comportamento inade-quado da defesa do paciente, na interposição reiterada de recursos procrastinatórios, com o único propósito de obstar o trânsito em julgado.

Aliás, o mesmo comportamento - interposição de recursos procrastinatórios e im-petração de habeas corpus, per saltum – repetiu-se nas outras ações penais em que o paciente foi condenado, objetivando impedir o trânsito em julgado e consequentemente o imediato cumprimento da pena.3

Portanto, não há fundamento jurídico que justifique que a execução da pena im-posta ao paciente ocorra somente após o trânsito em julgado, leia-se julgamento dos segundos embargos declaratórios de acórdão que inadmitiu o seguimento do recurso extraordinário, pois não se coaduna com a orientação jurisprudencial desta Suprema Corte, já expressa em sucessivos julgados do Plenário desta Corte, inclusive com repercussão geral.

2 https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?

tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=201700227786&totalRegistrosPorPagina=40&aplicaca o=processos.ea

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Nesses termos, reitero as razões do agravo regimental que apresentei em 06/12/2018 e requeiro a reconsideração da decisão deste Ministro Relator, que concedeu a li-minar para restabelecer a execução da pena do paciente.

Caso não haja a reconsideração da decisão agravada, requeiro o provimento do re-curso pela Primeira Turma para reforma da decisão e não conhecimento do habeas corpus. Caso conhecido o writ, que seja provido o agravo para denegar a ordem e restabelecer a exe-cução da pena, prestigiando o entendimento firmado no HC 126.292/SP, nas Ações Declara-tórias de Constitucionalidade 43 e 44 e no julgamento do ARE 964246, de repercussão geral reconhecida.

III

Pelas razões apresentadas, reitero os termos em que me manifestei no agravo regi-mental interposto em 06/12/2018 e, caso não haja a reconsideração da decisão agravada, o julgamento e provimento do recurso.

Brasília, 17 de junho de 2019.

Raquel Elias Ferreira Dodge

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