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Reforma da moradia

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Academic year: 2021

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CAPÍTULO 6

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS AVALIAÇÃO DA ERODIBILIDADE

6.1 – Generalidades

O estudo do processo erosivo e de seus fatores condicionantes em áreas urbanas vem aumentando nos últimos anos, o que constitui um reflexo da preocupação do homem em relação à degradação dos solos. Neste capítulo, serão apresentados e discutidos os resultados relativos às constatações de focos erosivos na área experimental, ao desencadeamento do processo, bem como aos ensaios destinados à avaliação da erodibilidade, de forma a se classificar e quantificar a suscetibilidade dos solos à erosão hídrica pelo fluxo superficial.

A determinação da erodibilidade foi realizada in situ, através do monitoramento de campo em uma parcela medindo 250m2 (sob chuva natural) e experimentos de chuva simulada em parcelas menores medindo 2m2 (os detalhes estão presentes no Capítulo 4, item 4.2.3). Já no laboratório para avaliação da erodibilidade, foram feitos alguns experimentos, tais como, inderbitzen, inderbitzen modificado, crumb test, furo de agulha, desagregação e estabilidade dos agregados, todos descritos no referido Capítulo 4 (item 4.3.7).

6.2 – Constatações na área após os eventos pluviométricos

As atitudes comportamentais dos moradores das encostas, desde que se tornaram parte dominante dos sistemas, têm uma tendência contrária à manutenção do equilíbrio ambiental. O homem tem imposto uma pressão cada vez maior sobre o ambiente, haja vista o aumento da densidade populacional.

Atualmente o Bairro do Ibura apresenta inúmeras voçorocas em vários estágios de desenvolvimento. A população convive com essas imensas crateras, e tentam estabilizá-las com lixo e tudo o que possa dar volume para fechá-las, na esperança de algum tipo de melhoria por parte dos órgãos competentes. Com

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a intensificação das chuvas os problemas de instabilização dos solos se agravam, trazendo transtornos aos moradores, que insistem em permanecer nos locais juntamente com o lixo e as constantes ameaças de um processo de instabilização.

As atividades antrópicas relacionadas com a retirada da cobertura vegetal e cortes nos taludes, para construções e melhorias de suas moradias, resultam na deterioração e desagregação do solo. Com a precipitação pluviométrica, o arraste das camadas do solo, levando-se em conta a dinâmica da ocupação das áreas urbanas, ocorre de forma intensa. O resultado disso é uma considerável degradação dos solos.

À medida que os eventos pluviométricos acontecem é possível constatar os focos de processos erosivos na área; a presença da erosão laminar é vista de maneira nítida através da presença de raízes salientes devido ao descalçamento das raízes das árvores, conforme zoom da Figura 6.1.

Figura 6.1 – Presença de erosão laminar

Além desse aspecto, pode-se constatar em alguns pontos o descalçamento das raízes de algumas árvores com presença de inclinações

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nos troncos, o que traz riscos para as casas que ficam localizadas na parte inferior da encosta, conforme mostra a Figura 6.2. Verificou-se ainda na escadaria de acesso, o aumento progressivo de pequenos sulcos provocado pela erosão hídrica, a partir do início do período chuvoso (Figura 6.3) e durante os meses de maior intensidade pluviométrica (Figura 6.4).

Figura 6.2 – Descalçamento das raízes e Inclinação das árvores

Figura 6.3 – Início de pequenos sulcos Figura 6.4 – Agravamento dos sulcos Os meses de totais pluviométricos mais reduzidos são marcados pela ausência da Defesa Civil, que não fica em alerta nessas áreas por não haver

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necessidades urgentes, favorecendo, de certa forma, nesse período o agravamento das ocupações clandestinas. As pessoas aproveitam o tempo de estiada e a própria ausência da Defesa Civil para executar as reformas das casas e realizar construções de novas moradias em trechos de perigo (avaliados pelo órgão aludido), aproveitando que este se encontra desavisado e desatento. Isso reflete, dentre outros fatores, a ausência de políticas públicas de educação ambiental formal (escolar) e informal (através de informações).

Sem um planejamento prévio, o espaço urbano na localidade vem expandindo-se através de invasões da população de baixa renda. A conseqüência é o surgimento de moradias de forma desordenada. A falta de uma política habitacional para essas populações de baixa renda é responsável pelo aumento dessas ocupações irregulares.

As pessoas que pretendem morar nesses lugares geralmente são pessoas de baixo poder aquisitivo, que erguem, gradativamente, seus barracos com suas próprias mãos. Iniciam com um pequeno barraco de tábua com telha de amianto (Figura 6.5) e com o ganho dos trabalhos informais vão aos poucos transformando-o. As tábuas vão dando lugar às alvenarias. Assim, os barracos aglomeram-se e outros seguem sofrendo suas metamorfoses (Figura 6.6).

Com o passar do tempo, em algum local da encosta, o terreno é desmatado à espera da chance para o surgimento de mais um barraco. Cortes e aterros são feitos sem qualquer critério; os solos tornam-se instáveis. Quando ocorrem as chuvas mais intensas, os processos erosivos fortalecem-se. Para corroborar com o quadro acima, os moradores que constroem nesses lugares despejam o lixo pelos terrenos vizinhos e jogam as águas servidas (morro abaixo), sem canalização, agravando mais ainda o problema.

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Figura 6.5 – Ocupações desordenadas Figura 6.6 – Ocupações desordenadas feitas de tábua feitas de alvenaria

Os moradores ao executarem os desmatamentos e os cortes para criar um terreno plano ,conforme mostrado na Figura 6.6, deixam a superfície anexa ao terreno, verticalizada, com isso, geram uma instabilização nesses locais que agora passa a ameaçar as casas construídas (figuras 6.5 a 6.8).

Figura 6.7 – Casa construída próximo Figura 6.8 – Corte vertical ameaçando a ao talude de corte moradia

Na área destinada aos estudos, a maioria dos moradores obteve seus lotes por preços muito baixos. É possível, também, que esses moradores tenham consciência dos riscos a que estão sujeitos (mesmo contribuindo para a insegurança do local), pois inúmeros são os acidentes que já ocorreram em áreas vizinhas. A hipótese mais provável é que não tenham para onde ir. No caso específico esse terreno de encosta foi ocupado há muitos anos, por um invasor. Hoje, quem administra o “comércio” é o seu filho, que reside na parte de cima da encosta. Sua casa encontra-se sendo reformada – Figura 6.9 (a) e

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(b), e possui um tronco de coqueiro como contenção de parte da frente da moradia (tal imagem será mostrada mais adiante).

Outro aspecto modificador que acontece nos períodos de estiagem e que intensifica ainda mais os processos erosivos são as ampliações das moradias, fazendo com que haja novos desmatamentos nas proximidades da residência, bem como os cortes na encosta necessários para essas reformas e o aumento de sobrecargas nos taludes, Figura 6.9 (a) e (b).

(a) (b)

Figura 6.9 – Cortes no topo da encosta para reforma da moradia

Na medida em que as ocupações, os desmatamentos e os cortes acontecem, a ocorrência de instabilização nos períodos chuvosos intensifica- se. Segundo ALMEIDA et al. (1991), o aumento da instabilização do solo seria um indicativo do grau de desagregação ambiental de uma área, sendo a pluviosidade um dos principais responsáveis pelo desencadeamento desse processo.

O corte do talude para reforma da moradia – sem o mínimo conhecimento da resistência do solo de fundação – é feito com sérios prejuízos ao próprio morador. No local da reforma, mostrada na Figura 6.9 e mais adiante na Figura 6.10, não se consegue realizar sondagens, mesmo fazendo algumas mudanças no tripé, devido ao solo ser muito orgânico e apresentar uma quantidade considerável de lixo que nem o trado conseguia tirar: eram restos de entulho, garrafas pet, chinelas, garrafas de vidro, arames, etc. Nesse

Reforma da moradia

Reforma da moradia

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lugar, a profundidade máxima que se conseguia chegar era até 1,5m e, em certos pontos, o lixo não permitia qualquer penetração. Depois das tentativas perguntou-se ao morador sobre o terreno e este falou que antes colocavam entulho e lixo no referido local. Mesmo sabendo da quantidade de lixo, o morador e dono de toda área em que se desenvolveu a pesquisa, aproveitou o período de estiada para execução da reforma. A resposta do proprietário, ao ser indagado, foi que tinha colocado uma fundação resistente e que o terreno era dele.

Praticamente na frente da casa, que se encontra sendo reformada, a improvisação para conter o solo é feita de forma inadequada. Mesmo antes da reforma, era utilizado um tronco de coqueiro como contenção do solo, na tentativa de evitar seu carreamento (Figura 6.11).

Figura 6.10 - Corte na encosta para re- Figura 6.11 - Tronco utilizado para evitar forma da moradia o carreamento

Outro aspecto relevante e motivo de discussões na área com os moradores, além dos citados anteriormente, era o descaso com o ambiente e a falta de conscientização. Buscava-se esclarecer os moradores sobre as práticas adequadas e as inadequadas. Estes fatos tornavam-se mais graves, quando depois de tantas explicações, improvisações ainda eram realizadas pelos moradores na rede de abastecimento de água, através da instalação de canos clandestinos, de maneira inadequada, Figura 6.12.

Sobrecarga no talude Corte na encosta para

reforma da moradia

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Nessa situação é comum aparecerem vazamentos e rompimentos em pontos diferentes do terreno, configurando uma nova situação em relação ao fluxo de água no interior da tubulação, assim como uma rápida saturação do solo subjacente à área de vazamento.

Figura 6.12 – Presença de ligação clandestina na encosta e vazamento

Vazamentos e rompimentos de tubulações na rede de abastecimento de água ou esgoto propiciam a saturação do solo e a diminuição da sua resistência, favorecendo a instabilização de cortes e aterros. A descontinuidade de um fluxo d’água, ao longo de uma tubulação superficial, por rompimento impossibilita a chegada da água ao nível de base, despejando-a ao longo da encosta e fazendo-a descer através de caminhos preferenciais ou ser infiltrada.

A menor alteração que seja feita em uma encosta, sem um estudo prévio, pode constituir-se em áreas de altíssimos riscos para os próprios moradores que se estabelecem no local.

Alguns focos de erosão são freqüentemente vistos nas proximidades das residências construídas perto dos cortes. Esses sedimentos erodidos da encosta (Figura 6.13) são carreados para a caixa coletora (Figura 6.14).

Cano

clandestino

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Figura 6.13 - Início de focos de erosão Figura 6.14 - Carreamento de sedimentos próximos à residência para a caixa coletora

De acordo com ALMEIDA (1991), o problema da erosão agrava-se ainda mais pela ação do homem, visto que ele assume, pelo menos em nível local, maior significância em comparação com os demais fatores naturais associados.

Nesse aspecto, os efeitos da expansão urbana, sem os necessários condicionantes infra-estruturais, levam, geralmente, aos processos erosivos nas áreas de encostas, com conseqüência para níveis de base local. Como se observa na Figura 6.15, o morador tenta melhorar a subida e descida na encosta com uma enxada. À medida que este escava e deixa o solo mais solto, sem uma mínima compactação, isto facilita o carreamento pela água das chuvas.

Figura 6.15 - Escavação para melhoria da passagem dos moradores e conse- qüente desprendimento do solo

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O pequeno talude, em que se encontra a via de acesso para os moradores, com o início das chuvas, apresentou alguns focos de processos erosivos (Figura 6.16). Com a intensificação das chuvas, a erosão também foi potencializada, provocando a desagregação em pontos próximos ao tanque (Figura 6.17), obrigando-se a fazer melhorias na fundação do tanque e a construir um muro de proteção na área de passagem (Figura 6.18).

Figura 6.16 – Início de focos de erosão Figura 6.17 – Descalçamento/tanque

Com a finalização das construções, o morador que reside na casa vizinha ao tanque, aproveitou a canaleta que passa por cima do tanque para edificar um muro, objetivando, assim, a delimitação de seu terreno e fechando, por conseguinte, a passagem que antes era realizada por este local. Com essa problemática, fez-se premente a construção de uma escadaria de acesso aos moradores em frente do tanque (Figura 6.19).

Descalçamento do tanque e tombamento de solo da encosta, com as fortes chuvas.

Início de focos de erosão no talude

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Figura 6.18 - Construção de muro e me- Figura 6.19 – Passagem dos moradores lhora da base do tanque e construção de escadaria

Os atos de vandalismos, que presumivelmente não iriam acontecer por ser um estudo voltado para a comunidade e ao próprio bem-estar dos seus moradores, terminavam acontecendo:

9 remoção de pequenos pedaços de chapas (Figura 6.20 e 6.21);

9 pisoteamento das chapas;

9 abertura da válvula de passagem de água do tanque coletor;

9 deposição de lixo e entulhos varridos para dentro da caixa coletora, impedindo, dessa maneira, a passagem da água e sedimentos provenientes da encosta;

9 deposição de material de corte na área de passagem (Figura 6.22);

9 retirada do pluviômetro para reforma de moradia (Figura 6.23).

Esses imprevistos acarretaram alguns atrasos e perdas de alguns resultados, visto que foi necessário fazer reposições de chapas, pluviômetro, bem como efetuar a retirada do lixo que se acumulava. Para minimizar tais problemas, implantou-se a fiscalização através da contratação de pessoa da comunidade.

muro

escadaria de acesso

Muro de proteção e melhoria da fundação do tanque

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Figura 6.20 - Remoção de chapa Figura 6.21 - Remoção de chapa localização 2.

localização 1.

Figura 6.22 – Deposição de material na Figura 6.23 – Corte para reforma da casa passagem

Alguns procedimentos eram repassados para os moradores do local, dentre os quais se destacam:

9 Comunique-se com a Defesa Civil antes de realizar qualquer modificação no ambiente;

9 Procure sempre orientação dos técnicos da Defesa Civil para executar aterros e corte nas encostas, pois sem estudo prévio há possibilidade de provocar a instabilização do terreno e aumento do agravamento da declividade;

Corte no talude para reforma da moradia

Material de Corte

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9 As encostas em morros devem ser protegidas por drenagem de calhas e canaletas para escoamento da água da chuva;

9 Solicite a Defesa Civil, em caso de urgência, a colocação de lonas plásticas nas barreiras;

9 Não destrua a vegetação das encostas;

9 As barreiras devem ser protegidas com vegetação que tenha raízes compridas, gramas e capins que sustentam mais o solo;

9 Pode-se plantar, próximo à casa, para que o solo não seja carreado pela água da chuva, pequenas fruteiras, plantas medicinais e de jardim, tais como: pitanga, laranja, limão, pinha, acerola, urucum, jasmim, rosa, pata-de-vaca, hortelã, cidreira, boldo e capim santo. Nas encostas pode- se plantar: capim braquiária, capim gordura, capim-de-burro, capim sândalo, capim gengibre, grama germuda, capim chorão, grama pé-de- galinha, grama forquilha e grama batatais. A vegetação irá proteger as encostas;

9 Nas encostas não plante mamão, fruta-pão, jambo, coco, banana, pois acumulam água no solo e provocam a instabilização dos locais;

9 Conduza a água servida sempre até uma vala mais próxima;

9 Não amontoe sujeira e lixo nas proximidades das moradias nem dificulte o caminho das águas com lixo, porque podem obstruir a saída de água e desestabilizar os terrenos provocando rupturas;

9 Junte o lixo em depósitos apropriados para o dia da coleta e não o deixe entulhado no morro;

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9 Valas obstruídas causam transbordamento, encharcando o solo e comprometendo a estabilidade da encosta;

9 Consertar vazamentos o mais rápido possível e não deixar a água escorrendo pelo chão. O ideal é construir canaletas;

9 Qualquer iminência de perigo, saia imediatamente de casa com toda a família;

9 Se observar o aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas, inclinação de tronco de árvores, de postes e o surgimento de minas d’água, avise imediatamente a Defesa Civil;

REDAELLI (2002) faz uma análise pertinente da situação:

está na hora de os governos municipais terem a coragem de iniciar um controle sério e efetivo sobre o uso do solo do município, de criar (e continuar) um programa de construção de casas populares, mesmo em áreas mais distantes, para a parcela da população de baixa ou baixíssima renda, de retirar os moradores das áreas de risco, de não sucumbir aos apelos e chantagem dos moradores que querem continuar nos locais (de risco) onde já estão instalados (e com razão, pois aquela casa que eles mesmos construíram são o bem mais precioso que eles têm), de fazer a fiscalização efetiva para evitar novas invasões, e de dizer não aos tantos atos de corrupção que todos nós sabemos que correm por baixo dos panos, quando há interesses econômicos em jogo (...).

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6.3 – Experimentos de Campo

No Brasil, as estimativas sobre perdas de solo por erosão laminar, de acordo com BERTONI e LOMBARDI NETO (1999), representam em torno de 500 milhões de toneladas por ano. Esse valor representa uma degradação de aproximadamente 15 cm de superfície dos solos para cada 280.000 hectares.

A capacidade de minimizar esses processos erosivos e uma adequada redução dos impactos ambientais está relacionada não apenas ao entendimento do tipo de solo, mas também, das características hidrológicas, do conhecimento da pluviosidade, das variáveis físicas envolvidas na desagregação e no transporte dos sedimentos. Desta forma procurou-se determinar as perdas de solo in situ para posteriormente comparar esses resultados com os obtidos em laboratório.

6.3.1 – Experimento sob chuva natural

A pluviosidade é considerada o fator principal na análise dos fatores que desencadeiam os processos erosivos e intensificam os que já existem. Diante disso, o acompanhamento pontual da precipitação permite uma verificação mais detalhada durante os anos em que foi realizado o monitoramento. Nas figuras 6.24 e 6.25, estão apresentadas para os pontos da área estudada, as precipitações mensais acumuladas dos anos de 2006 e 2007 e no apêndice C as precipitações diárias para cada mês durante os mesmos anos para os três tipos de pluviômetros. Os totais pluviométricos obtidos para os anos de 2006 e 2007 são respectivamente iguais a 1967,0 mm e 2.245,0 mm (Estação Recife- Curado), 1.871,8 mm e 2.117,6 mm (pluviômetros de garrafa pet), 1.875,3 mm e 2117,6 mm (pluviômetro de cano), 1.873,7 mm e 2.061,4 mm (pluviômetro de leitura direta).

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Precipitação Pluviométrica (Ano 2006) Pluviômetro de leitura direta

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Tempo (mês)

Precipitão (mm)

Chuva acum. mensal

(a)

Precipitação Pluviométrica (Ano 2006) Pluviômetro de Garrafa pet

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Tempo (mês)

Precipitação (mm) Chuva acum. mensal

(b)

Precipitação Pluviométrica (Ano 2006) Pluviômetro de cano

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Tempo (mês)

Precipitão (mm)

Chuva acum. mensal

(c)

Figura 6.24 – Precipitação pluviométrica obtida com os pluviômetros para o ano de 2006

(17)

Precipitação Pluviométrica (Ano 2007) Pluviômetro de leitura direta

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Tempo (mês)

Precipitação (mm)

Chuva acum . m ens al

(a)

Precipitação Pluviométrica (Ano 2007) Pluviômetro de garrafa pet

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Tempo (mês)

Precipitação (mm)

Chuva acum. mensal

(b)

Precipitação Pluviométrica (Ano 2007) Pluviômetro de cano

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Tempo (mês)

Precipitão (mm)

Chuva acum. mensal

(c)

Figura 6.25 – Precipitação pluviométrica obtida com os pluviômetros para o ano de 2007

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Para estudo da perda de solo dentro da parcela, provocada pela precipitação pluviométrica, inicialmente foram relacionadas as precipitações mensais obtidas através dos pluviômetros colocados na área com os valores da Estação Recife – Curado, figura 6.26 a 6.28 para os anos de 2006 e 2007.

Os coeficientes de determinação R2 obtidos entre as precipitações da estação Recife – Curado e as precipitações coletadas nos pluviômetros de garrafa pet, cano e de leitura direta foram iguais a 0,9975 e 0,9875 (Estação Recife-Curado x pluviômetro de garrafa pet), 0,9972 e 0,9975 (Estação Recife-Curado x pluviômetros de cano), 0,7408 e 0.9694 (Estação Recife-Curado x pluviômetro de leitura direta), respectivamente para os anos de 2006 e 2007. Os valores obtidos para os pluviômetros de garrafa pet e de cano foram aproximadamente iguais, o que era de se esperar já que as áreas receptoras de coleta eram as mesmas. As correlações obtidas mostram que seus totais mensais podem ser considerados bem ajustados, mesmo o pluviômetro de leitura direta não tendo fornecido correlação tão boa em comparação com os demais.

y = 1,0073x - 9,1215 R2 = 0,9975

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

0 100 200 300 400 500

Estação Recife - Curado

Precipitação pontual - Ibura

y = 1,01x - 9,284 R2 = 0,9972

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

0 100 200 300 400 500

Estação Recife - Curado

Precipitação pontual - Ibura

Figura 6.26 – Relação entre os valores mensais acumulados da precipitação da Estação Recife – Curado e a precipitação obtida com os pluviômetros de garrafa pet e de cano para o ano de 2006

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y = 1,0298x - 20,665 R2 = 0,9875 0

50 100 150 200 250 300 350 400 450

0 100 200 300 400 500

Estação Recife - Curado

Precipitação pontual - Ibura

y = 1,0298x - 20,665 R2 = 0,9875

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

0 100 200 300 400 500

Estação Recife - Curado

Precipitação pontual - Ibura

Figura 6.27 – Relação entre os valores mensais acumulados da precipitação da Estação Recife – Curado e a precipitação obtida com os pluviômetros de garrafa pet e de cano para o ano de 2007

y = 0,9733x - 0,7851 R2 = 0,7408 0

50 100 150 200 250 300 350 400 450 500

0 100 200 300 400 500

Estação Recife - Curado

Precipitação pontual - Ibura

y = 0,9565x - 0,6502 R2 = 0,9694

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

0 100 200 300 400 500

Estação Recife - Curado

Precipitação pontual - Ibura

Figura 6.28 – Relação entre os valores mensais acumulados da precipitação da Estação Recife – Curado e a precipitação obtida com o pluviômetro de leitura direta para o ano de 2006 e 2007

Nos gráficos apresentados na Figura 6.29 (a) e (b) a seguir apresentam a comparação entre os descartes de água antrópico descarregado em um período semanal e obtido conforme item 4.3.4.1 do Capítulo 4, sendo extrapoladas para os anos de 2006 e 2007, que foram os anos estudados, considerando-se que o número de habitantes não aumentou, já que na área de estudo (na delimitação da parcela) não houve invasão antrópica, haja vista a fiscalização constante e, sim, apenas em áreas circunvizinhas, o que não influencia na parcela.

De acordo com SILVA (2007) através de estudos experimentais em uma área de pesquisa situada no município de Camaragibe-PE, ao comparar a precipitação pluviométrica e o descarte antrópico de água, observou que este representa 35,5% da precipitação pluviométrica no ano de 2005, mostrando ainda que ele, no geral, foi superior à precipitação pluviométrica nos meses de

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janeiro, setembro, outubro e novembro e, aproximadamente, iguais nos meses de fevereiro e março.

Entretanto, isso depende muito de alguns aspectos, tais como: da densidade demográfica da área que se queira estudar; do regime de precipitação, pois este pode ser bastante diferenciado em outros anos; dos meses considerados, visto que é função dos sistemas atmosféricos que atuam no regime pluvial da localidade, do consumo diário, entre outros.

(a) (b)

Figura 6.29 – Relação entre os valores mensais acumulados da precipitação pluviométrica e o descarte antrópico para os anos de 2006 e 2007.

Para o desenvolvimento do experimento de campo foram feitos todos os procedimentos, conforme item 4.22 do Capítulo 4, já que havia dependência de chuva natural, possibilitando através da parcela de monitoramento quantificar o escoamento superficial e as perdas de sedimentos pelas chuvas. Nas Figuras 6.30 e 6.31 são apresentados os dias de coleta de água e sedimentos para quantificação nos anos de 2006 e 2007. O monitoramento foi aleatório não tendo dias definidos, pois as coletas eram realizadas no instante em que fosse lavado todo o tanque a espera de um novo evento.

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Gráfico Pluviométrico Diário (Ano 2006)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

1 29 57 85 113 141 169 197 225 253 281 309 337 365

Tempo (dias)

Precipitação (mm)

Precipitação Pluviométrica Medida Dias dos eventos de chuva monitorados

Figura 6.30 – Dias dos eventos de chuva em que foram feitas as coletas de sedimentos e água para análise da erodibilidade da área no ano de 2006

Gráfico Pluviométrico Diário (Ano 2007)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

1 29 57 85 113 141 169 197 225 253 281 309 337 365

Tempo (dias)

Precipitação (mm)

Precipitação Pluviométrica Medida Dias dos Eventos de Chuvas Monitorados

Figura 6.31 – Dias dos eventos de chuva em que foram feitas as coletas de sedimentos e água para análise da erodibilidade da área no ano de 2007

Após os eventos pluviométricos, as coletas de sedimentos e água provenientes da encosta eram feitas no tanque a cada homogeneização de solo e água, em 10 potes plásticos com capacidade de 1litro (Figura 6.32). O solo que ficava retido pela caixa coletora (Figura 6.33) era considerado como parte dos eventos e posto dentro do tanque antes das coletas. Depois de realizada a amostragem, eram retirados solo e água do tanque, conforme

(22)

figuras 6.34 e 6.35. Lavavam-se a caixa e o tanque, com o objetivo de esperar um novo evento (Figura 6.36).

Figura 6.32 - Coleta de solo e água Figura 6.33 – Material retido na caixa

Figura 6.34 – Retirada de sedimentos Figura 6.35 – Limpeza do tanque

As amostras foram transportadas para o Laboratório da Universidade Federal Rural de Pernambuco, para pesagens e adicionamento do sulfato de Alúmem de Potássio P.A. Dodecahidratado, o que torna mais rápida a deposição das partículas de solo na base dos potes (Figura 6.37). Na medida em que essas partículas estavam sendo depositadas, eram succionados dos potes os excessos de água. Na seqüência, o solo era colocado na estufa para obtenção do peso seco.

(23)

Figura 6.36 – Lavagem da caixa de co - Figura 6.37 – Sedimentação das amos- leta tras

Na Tabela 6.1, estão apresentados os valores médios anuais de erodibilidade da parcela, para 2006 e 2007. Analisando os índices de erosão na área, constatou-se que as taxas de erodibilidade do solo, quando comparados os anos, teve um aumento significativo de erosão laminar e visível a olho nu e desproporcional ao aumento da precipitação anual de 2006 e 2007.

As figuras 6.38 e 6.39 apresentam a relação entre os dados observados de precipitação e erosão medidos na parcela, nos 35 eventos, para o ano de 2006, e, nos 40 eventos, para o ano de 2007. Os maiores valores observados de erosão foram de 3,11t/ha e 6,88t/ha, respectivamente, para os anos de 2006 e 2007. Os coeficientes de determinação R2 obtidos para os anos de 2006 e 2007 separadamente apresentaram boa correlação, e coeficiente de determinação de 0,55 e 0,67, respectivamente.

(24)

Tabela 6.1 – Erodibilidade da parcela experimental – 2006/2007

Ano: 2006 2007

Qtde Precipitação

(mm) t/ha Precipitação

(mm) t/ha

1 12 0,021420 26 0,054123

2 17 0,006921 20 0,032042

3 5 0,013528 20 0,096711

4 27 0,099266 98 6,877232

5 8 0,000642 30 1,278821

6 8 0,008590 8 0,007337

7 6 0,012945 28 1,057757

8 1 0,011975 16 0,404622

9 7 0,010262 12 0,0782

10 11 0,019066 48 2,050729

11 49 0,340212 12 0,105408

12 7 0,003123 118 5,855781

13 16 0,111107 65 5,742571

14 36 0,128519 38 0,781501

15 3 0,060563 38 0,256685

16 6 0,023472 55 4,808263

17 25 0,177078 26 0,28308

18 10 0,042388 25 2,421342

19 53 0,220393 45 5,778973

20 49 0,319672 75 5,778973

21 27 1,722381 27 0,167725

22 25 0,066098 25 0,183288

23 75 2,803203 28 0,925651

24 43 0,844262 95 2,614792

25 32 0,502946 25 0,389774

26 50 1,499591 25 0,476978

27 41 0,538709 62 5,947831

28 42 0,728624 62 3,763958

29 28 0,828448 38 2,039432

30 42 1,239768 34 0,418508

31 26 0,596662 25 1,323919

32 38 1,02426 13 0,393672

33 35 0,801497 17 0,084268

34 25 0,164925 4 0,001484

35 75 3,118996 12 0,165463

36 15 0,012487

37 7 0,002256

38 9 0,04639

39 5 0,001624

40 11 0,051284

Total: 18,11 54,42

(25)

Perda de solo na área

y = 0,0227x R2 = 0,55

0 2 4 6

0 20 40 60 80 100

Precipitação (mm)

Perda de solo (t/Ha)

Perda de Solo: 2006

Figura 6.38 – Perda de solo na parcela experimental no ano de 2006

Perda de Solo y = 0,0551x R2 = 0,67

0 2 4 6 8

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120

Precipitação (mm) Perda de solo (t/Ha) Perda de Solo 2007

Figura 6.39 – Perda de solo na parcela experimental no ano de 2007

No período pesquisado, foram estudados 75 eventos. Os referidos estão delineados na Tabela 6.2. Na Figura 6.40, são apresentados os dados em conjunto para os anos de 2006 e 2007. Observam-se algumas dispersões dos dados quando comparados evento a evento. De acordo com GUERRA (1998), COGO et al (2003) e SANTOS et al (2007), um dos fatores para tal dispersibilidade é a influência da erosividade das chuvas e sua distribuição temporal. Constata-se que as precipitações anuais ocorreram de forma irregular ao longo do período analisado.

(26)

Perda de solo na área de estudo

0 2 4 6 8

0 20 40 60 80 100 120 140

Precipitação (mm)

Perda de solo (t/Ha)

Perda de Solo: Ano 2006 Perda de Solo: Ano 2007

Figura 6.40 – Correlação entre as perdas de solo na parcela experimental para os anos de 2006 e 2007

De acordo com SILVA et al (2004), as clareiras abertas nas vegetações provocadas pelas atividades antrópicas, caracterizadas pelo desmatamento, queimadas, etc., em combinação com os eventos atmosféricos, principalmente as abundantes chuvas e variáveis terrestres, contribuem de forma intensa para o processo erosivo.

GUERRA (1998) aponta outros fatores relevantes que influenciam a erosão dos solos, como, por exemplo, as propriedades físicas deste, a cobertura vegetal e as características da encosta.

Analisando-se os valores de perdas de solo da parcela para os anos de 2006 e 2007, verificou-se que essa considerável perda de solo (Figura 6.41), deve-se em grande parte à ação antrópica pela remoção da cobertura vegetal, bem como ao revolvimento de solo, permitindo diretamente o impacto das gotas de chuva e escoamento superficial na área. Este cenário facilita a desagregação e transporte das partículas de solo pela água. Outros fatores que podem influenciar o potencial de erosão na área são: as características da encosta, as propriedades físicas do solo, a sucção, ou seja, a umidade que o solo apresenta quando do início da chuva, a presença de vegetação e de serrapilheira, que é variável, e na ausência potencializa o impacto direto das gotas de chuva e o escoamento da água, carreando o solo desagregado e o manejo antrópico no local.

y= 0,04737x R2 = 0,57

(27)

Figura 6.41 – Perda de solo por erosão laminar na área experimental

6.3.2 – Experimento sob chuva simulada

A avaliação das perdas de solo em diferentes coberturas na área foi realizada através de chuvas simuladas em pequenas parcelas experimentais medindo 2m de comprimento por 1m de largura. Nessas parcelas de estudo da erosão o solo foi analisado sob condições distintas no que tange à sua cobertura. Conforme foi dito no Capitulo 4 as chuvas simuladas foram aplicadas com um simulador fornecido pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, que tem um sistema de funcionamento elétrico. As chuvas foram aplicadas nas diversas condições do solo, do modo mais natural possível; estas foram realizadas em solos com a presença da vegetação local e serrapilheira (cobertura morta) e também em locais que não apresentavam vegetação em serrapilheira, com o objetivo de abranger toda área experimental (parcela geral). Realizaram-se um total de 20 experimentos de chuva simuladas de forma aleatória na área. Descrições mais detalhadas das características das parcelas são apresentadas no Apêndice B.

Como a área de estudos está localizada numa zona tropical, pode-se verificar que os processos relacionados à erosão repercutem sobre o desenvolvimento regional, uma vez que podem causar danos às atividades econômicas e ao próprio meio ambiente. Esta considerável exploração dos

(28)

recursos naturais vem mostrando nas ultimas décadas a fragilidade desses sistemas ambientais, que se apresentam em um meio complexo de equilíbrio e ao mesmo tempo de fragilidade em face à ação antrópica presente. A erosão dos solos é um dos mais importantes problemas ambientais em todo o mundo.

As questões relacionadas à erosão têm aumentado de forma substancial nos últimos anos especialmente nessas regiões de encostas. Portanto, esse estudo buscou trazer para o âmbito da engenharia a análise da influência da cobertura vegetal e da declividade nos processos de escoamento superficial e de erosão do solo. A avaliação da influência da cobertura vegetal na área de estudos foi realizada a partir da comparação de dados obtidos do escoamento superficial e da erosão provocada pelas chuvas simuladas nas parcelas, essas parcelas foram determinadas de forma aleatória dentro da área experimental, sob condições distintas no que tange à cobertura do solo. Nas figuras 6.42 a 6.43 apresentam-se exemplos das três condições de cobertura.

Figura 6.42 – Parcela com presença de vegetação rasteira

(29)

Figura 6.43 – Parcela sem vegetação rasteira

Figura 6.44 – Parcela com pouca vegetação rasteira e muita cobertura morta Com base no enfoque exposto anteriormente, foi avaliado ainda o comportamento da perda acumulada de solo durante o período de precipitação

(30)

para os valores de energia cinética decorrentes de chuvas simuladas e de declividade da superfície do solo; verificou-se o efeito da declividade e do tipo de vegetação na perda de solo.

A análise do estado da umidade inicial do solo nas parcelas revelou uma baixa umidade, apresentando em média 1,72% e, em algumas parcelas, limitada capacidade de infiltração, facilitando o escoamento superficial da lâmina de água, independente do tipo de cobertura em questão.

Verifica-se, através do comportamento do escoamento superficial, que para os solos sem vegetação o tempo de início do escoamento ocorreu entre 0,83 e 2,3 min (Figura 6.45), por outro lado, essa variação foi maior para os solos com cobertura vegetal, variando entre 0,75 e 3,2 min, sendo essa variação entre 0,75 e 3,00 para solos com pouca vegetação e 1,5 e 3,2 para solos com vegetação e serrapilheira (cobertura morta), corroborando os resultados encontrados por MELLO et al (2003); INÁCIO (2007). Esse tempo maior para o início do escoamento e a consecução dos tratamentos com a presença de vegetação mostra o efeito benéfico e eficaz contra o impacto direto das gotas de chuva que essa vegetação promove. Já para solos sem vegetação, a superfície fica exposta ao impacto direto das gotas de chuva; com o tempo cria-se uma crosta superficial que reduz a taxa de infiltração de água e, conseqüentemente, passa a ocorrer o início do escoamento superficial.

Tempo de Inicio dos Escoamentos para os Tratamentos

1 3

1,5

0,83 2

2,5 2,3

0,75

3 3,2

0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50

Tratamentos

Tempo (min)

Sem cobertura Vegetal declive 21 - 23% com vegetação declive 21 - 23% com vegetação e serrapilheira declive 23 - 26%

sem vegetação declive 23 - 26% com vegetação declive 26 - 29% com vegetação e serrapilheira declive 26 - 29%

sem vegetação declive 26 - 29% com vegetação declive 35 - 38% com vegetação e serrapilheira declive 29 - 32%

com vegetação e serrapilheira declive 32 - 35%

Figura 6.45 – Tempo de início do escoamento para os tratamentos estudados

(31)

Nas figuras 6.46 a 6.48 são apresentadas as relações entre as declividades e as perdas de solo nas parcelas de acordo com as diferentes coberturas superficiais. Analisando-se as perdas de solo independente da declividade, verifica-se que estas foram bastante significativas quando o solo encontrava-se sem vegetação. Esses resultados ressaltam a importância da cobertura vegetal (seja esta viva ou morta), que atua interceptando o impacto direto das gotas de chuva reduzindo em conseqüência a concentração de sedimentos, que contribuem para as perdas de solo. Esse comportamento foi também percebido por outros autores: CANTALICE, 2002; BEZERRA et al, 2002; CASSOL et al, 2004.

De modo geral, os valores mais altos de perda de solo ocorreram entre as classes de declividade 26-29, 32-35 e 35-38% e os mais baixos entre as classes 21-23% e 23-26%, mostrando que há aumento das perdas de solo com o aumento da declividade, corroborando os resultados encontrados por PEREIRA et al, 2003. O efeito da declividade foi maior para o solo sem vegetação, verificando-se que as maiores perdas de solo foram observadas para os maiores declives, sendo importante destacar uma tendência à linearidade.

De acordo com AMORIM (1999) e AMORIM et al (2001), o aumento observado na perda de solo, quando a declividade da superfície do solo foi aumentada, tendo a taxa de escoamento permanecido constante ao longo de todo o teste pode ser devido a três fatores: ao aumento no desprendimento de partículas de solo provocado pelo maior ângulo de impacto das gotas da chuva sobre a superfície do solo; à maior facilidade com que as partículas se movimentam no sentido da declividade pelo efeito da gravidade, para maiores declividades da superfície do solo; ao aumento da velocidade de escoamento superficial, o qual aumenta a capacidade de transporte do escoamento.

(32)

y = 0,0007x - 0,017 R2 = 0,8984

0,000 0,001 0,002 0,003 0,004 0,005 0,006 0,007 0,008

20 25 30 35 40 45

De cliv idade (º) Perda de solo (kg/m2 )

Com Vegetação e Serrapilheira

Figura 6.46 – Parcelas com vegetação e serrapilheira

y = 0,0201x - 0,4478 R2 = 0,9918

0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40

15 20 25 30 35 40 45

Decliv idade (º) Perda de solo (kg/m2 )

Com Vegetação

Figura 6.47 – Parcelas com vegetação

y = 0,3633x - 7,6754 R2 = 0,9659

0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50

15 20 25 30 35 40 45

Declividade (º) Perda de solo (kg/m2 )

Sem Vegetação

Figura 6.48 – Parcelas sem vegetação

(33)

Na Figura 6.49 é apresentada a relação da declividade com as perdas de solo sob as disposições de cobertura vegetação da superfície, provocadas pelo impacto direto das chuvas e seu escoamento superficial nas encostas, esses resultados foram plotados numa mesma figura para melhor comparar e observar o efeito pronunciado nas perdas de solo, das diferentes coberturas de solo e declividade.

y = 0,0334x - 0,9324 / R2 = 0,99 y = 0,0007x - 0,0165 / R2 = 0,89

y = 0,3633x - 7,6754 / R2 = 0,97

0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50

20 25 30 35 40 45

Declividade (º) Perda de solo (kg/m2 )

Com Vegetação e Serrapilheira Com Vegetação

Sem Vegetação

Figura 6.49 – Parcelas com vegetação e serrapilheira, com vegetação e sem vegetação.

Diversos fatores foram estudados durante cada experimento de chuvas nas parcelas. A partir dos resultados apresentados na Figura 6.48, conclui-se que as maiores perdas de solo foram registradas nas parcelas sem a presença de vegetação e serrapilheira, bem como sem a presença da compactação antrópica. Pôde-se observar ainda que não apenas a cobertura vegetal contribuiu para impedir a ação direta das gotas no solo, mas também a cobertura morta (serrapilheira), em consonância com os resultados encontrados por SANTOS et al (2007). Logo, em áreas em que o solo apresenta alguma vegetação, viva ou morta, existe uma diminuição da taxa de infiltração de água, bem como um aumento no volume escoado para as cotas mais baixas. Observa-se ainda, que em algumas parcelas sem a presença de cobertura vegetal há bastante tempo a capacidade de infiltração e desagregação é limitada por possuir uma pequena espessura de capa superficial protetora, que resistia aos impactos iniciais das gotas de chuva.

Entretanto, apresentaram considerável escoamento superficial.

(34)

As perdas de solo para os declives 23-26, 26-29%, na condição sem cobertura vegetal foram significativamente maiores que no solo com alguma cobertura. Nesses declives encontraram-se valores respectivamente de 1,4423 kg/m2 e 2,2168 kg/m2, no tratamento sem cobertura, enquanto para a condição com cobertura vegetal e com cobertura vegetal e serrapilheira para os mesmos declives as perdas foram respectivamente de 0,0489 kg/m2 e 0,1279 kg/m2, e 0,0006 kg/m2 e 0,0016. Quando compara-se as declividades 23-26, 26-29%

nas condições de tratamento sem vegetação e com vegetação tem-se respectivamente, 30 e 17 vezes menores a perda de solo. Nas condições de tratamento com vegetação e com vegetação e serrapilheira (cobertura morta) foram de 81 e 80 menores a perda de solo, já nas condições de tratamento sem vegetação e com vegetação e serrapilheira foram significativamente menores apresentando valores respectivamente de 2.400 e 1.385 vezes menores.

Quando sob cobertura vegetal, esses baixos valores de erosão podem ser atribuídos principalmente à interceptação das gotas de chuva e à barreira física promovida pela vegetação, ou seja, além da vegetação normal a cobertura morta foi bastante significativa. Em algumas parcelas com presença de cobertura vegetal não foi observada perdas de solo, pois dentro da parcela estudada havia a presença de vegetação intensa, composta de pequenos pés de mata-pasto (cassia bicapsularis), tiririca (cyperus rotundus l.), pequenos pés de goiabeira (Psidium guajava), entre outras e a presença intensa de cobertura morta (serrapilheiras).

Enquanto isso, a perda de solo no declive 21-23% na condição sem vegetação foi de 0,1989 kg/m2 e no declive 35-38% na condição com vegetação foi de 0,2752 kg/m2, o que representa um aumento de apenas 1,4 vezes com o aumento declividade. Nos declives 29-32 e 32-35% para o tratamento com vegetação e serrapilheira, as perdas foram de 0,0035 e 0,0072 kg/m2, ou seja representando 2 vezes maior com o aumento da declividade.

(35)

De acordo com a proposta de BRIAUD (2008) baseado na relação das taxas de erosão com a velocidade de escoamento (Capítulo 2, item 2.2.7.2.3) os solos estudados foram classificados como de erodibilidade muito alta. Estes resultados demonstram que quando maiores as percentagens de cobertura de solo, proporcionadas pelas diferentes formas de cobertura, menores foram as perdas de solo registradas pelas parcelas e observado o contrário para as parcelas sem a presença de vegetação e o efeito do declive foi mais pronunciado para o solo sem vegetação, conforme pode se observar na Figura 6.50 que a medida que esse fator de proteção aumenta a erosão diminui. Portanto, é importante ressaltar o relevante papel que a cobertura vegetal desempenha no controle de perdas de solo provocadas pelo impacto direto das chuvas e seu escoamento superficial nas encostas.

Figura 6.50 – Avaliação da proteção nas parcelas de estudo.

Apesar de serem obtidos resultados satisfatórios do processo erosivo, o modelo de simulação de chuva não condiz com uma chuva natural, o bico arspersor não abrange toda a parcela de forma simultânea, ou seja, este realiza uma pequena oscilação para tentar varrer a parcela, o ideal seria um bico aspersor isento de oscilações e que por ventura abrangesse toda a parcela simultaneamente sem haver perdas.

(36)

6. 4 – Experimentos de Laboratório

Os experimentos de campo permitem diferentes formas satisfatórias para se estudar a erosão dos solos com as mais variadas técnicas e uma estimativa realista das perdas de solo, através de monitoramento e experimentos de campo. Entretanto ensaios de laboratórios também são utilizados com freqüência, para se determinar as características do solo e suas propriedades geomecânicas e de erodibilidade. Os resultados obtidos em laboratório vêm mostrando confiabilidade, pois com os aperfeiçoamentos os resultados encontrados têm se assemelhado cada vez mais aos encontrados em campo.

6.4.1 – Ensaio Pelo Critério de Erodibilidade MCT

Os ensaios baseados na Metodologia MCT estão detalhados no Capítulo 4 (item 4.3.7.3). São aplicados nos solos da Formação Barreiras, as interpretações de acordo com a metodologia MCT. A Tabela 6.2 apresenta um resumo das principais características relacionadas a erodibilidade das classes MCT, segundo VILLIBOR et al. (1986).

Tabela 6.2 – Características das classes NA’ e NS’ da Metodologia MCT, VILLIBOR et al. (1986)

Proposto por NOGAMI e VILLIBOR (1979) os ensaios de infiltrabilidade (Figura 6.51) e erodibilidade específica (Figura 6.52), foram desenvolvidos, para a avaliação da susceptibilidade a erosão hídrica de solos tropicais

Classe Solos da Formação

Barreiras Características MCT

NA’

P – 01

(0,15-0,45) Solos areno-argilosos, pouco plásticos e pouco coesivos, com finos não lateríticos, infiltrabilidade baixa a média, desagrega sob ação de água corrente. Erodibilidade difícil de ser definida pela classificação MCT.

(0,70-1,00) P – 02

(0,15-0,45) (0,70-1,00)

(37)

compactados. As amostras foram ensaiadas em três condições distintas de umidade: natural, seca ao ar e pré-umedecidas.

Figura 6.51 – Processo de infiltrabilidade

Figura 6.52 – Ensaio de erodibilidade específica (perda de massa por imersão)

6.4.1.1- Ensaio de Infiltrabilidade

As figuras 6.53 a 6.60 a seguir, apresentam os resultados obtidos dos ensaios de infiltrabilidade para os pontos P0-1 e P-02 nas profundidades de 0,15 a 0,45m e 0,70-1,00m.

Entrada de água por capilaridade

Sentido do fluxo

(38)

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 01 - Amostra Seca ao Ar Prof.: (0,15 - 0,45) m

0.00 50.00 100.00 150.00 200.00 250.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40

Tem po (m in1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.53 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-01 – Amostra seca ao ar (0,15-0,45m).

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 02 - Amostra Seca ao Ar Prof.: (0,15 - 0,45) m

0.00 50.00 100.00 150.00 200.00 250.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Tem po (m in1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.54 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-02 – Amostra seca ao ar (0,15-0,45m).

Ensaio de Infiltrabilidade: P - 01- Amostra Seca ao Ar Prof.: (0,70 - 1,00) m

0.00 50.00 100.00 150.00 200.00 250.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40

Tempo (min1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.55 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-01 – Amostra seca ao ar (0,70-1,00m).

(39)

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 02 - Amostra Seca ao Ar Prof.: (0,70 - 1,00) m

0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 120.00 140.00 160.00 180.00 200.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Tempo (min1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.56 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-02 – Amostra seca ao ar (0,70-1,00m).

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 01 - Amostra Natural Prof.: (0,15 - 0,45) m

0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 120.00 140.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40

Tempo (min1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.57 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-01 – Amostra Natural (0,15-0,45m).

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 02 - Amostra Natural Prof.: (0,15 - 0,45) m

0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 120.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Tempo (min1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.58 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-02 – Amostra Natural (0,15-0,45m).

(40)

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 01 - Amostra Natural Prof.: (0,70 - 1,00) m

0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 120.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40

Tempo (min1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.59 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-01 – Amostra Natural (0,70-1,00m).

Ensaio de Infiltrabilidade: P- 02 - Amostra Natural Prof.: (0,70 - 1,00) m

0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 120.00

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Tempo (min1/2)

Leitura (mm)

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

Figura 6.60 – Comprimento do menisco capilar x Raiz do tempo ponto P-02 – Amostra Natural (0,70-1,00m).

6.4.1.2 Ensaio de erodibilidade específica

O ensaio de erodibilidade específica possibilitou a obtenção da perda de massa por imersão, representando a desagregação do solo pela água.

A Tabela 6.12 apresenta os resultados obtidos com os ensaios de infiltrabilidade e erodibilidade específica, ou seja, o coeficiente de sorção (s) e a perda de massa por imersão para os solos estudados.

Referências

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