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Braz. j. . vol.83 número5

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Academic year: 2018

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www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Profile

and

prevalence

of

hearing

complaints

in

the

elderly

Magda

Aline

Bauer

a,b

,

Ângela

Kemel

Zanella

a

,

Irênio

Gomes

Filho

c

,

Geraldo

de

Carli

c

,

Adriane

Ribeiro

Teixeira

c

e

Ângelo

José

Gonc

¸alves

Bós

c,∗

aPontifíciaUniversidadeCatólicadoRioGrandedoSul(PUC-RS),ProgramadePós-Graduac¸ãoemGerontologiaBiomédica,Porto

Alegre,RS,Brasil

bUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),PortoAlegre,RS,Brasil

cPontifíciaUniversidadeCatólicadoRioGrandedoSul(PUC-RS),PortoAlegre,RS,Brasil

Recebidoem26deoutubrode2015;aceitoem20dejunhode2016 DisponívelnaInternetem25dejulhode2017

KEYWORDS

Hearingloss; Epidemiologic studies; Aged

Abstract

Introduction:Hearingisessentialfortheprocessingofacousticinformationandthe understan-dingofspeechsignals.Hearinglossmaybeassociatedwithcognitivedecline,depressionand reducedfunctionality.

Objective: Toanalyze the prevalenceof hearing complaintsin elderlyindividuals from Rio Grande do Sul anddescribe theprofile ofthe study participants with andwithout hearing complaints.

Methods:7315elderlyindividualsinterviewedintheirhomes,in59citiesinthestateofRio GrandedoSul,Brazil,participatedinthestudy.Inclusioncriteriawereage60yearsorolder andansweringthequestiononauditoryself-perception.Forstatisticalpurposes,thechi-square testandlogisticregressionwereperformedtoassessthecorrelationsbetweenvariables.

Results:139elderlyindividualswhodidnotanswerthequestiononauditory self-perception and9whoself-reportedhearinglosswereexcluded,totaling7167elderlyparticipants.Hearing loss complaint rate was 28% (2011) among the elderly, showing differences between gen-ders,ethnicity,income,andsocialparticipation.Themeanageoftheelderlywithouthearing complaintswas69.44(±6.91)andamongthosewithcomplaint,72.8(±7.75)years.Elderly indi-viduals withouthearingcomplaintshad5.10(±3.78)yearsofformaleducationcompared to 4.48(±3.49)yearsamongthosewhohadcomplaints.Multiplelogisticregressionobservedthat protectivefactorsforhearingcomplaintswere:higherlevelofschooling,contributingtothe familyincomeandhavingreceivedhealthcareinthelastsixmonths.Riskfactorsforhearing complaintswere:olderage,malegender,experiencingdifficultyinleavinghomeandcarrying outsocialactivities.

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.06.015

Comocitaresteartigo:BauerMA,ZanellaÂK,GomesFilhoI,CarliG,TeixeiraAR,BósÂJ.Profileandprevalenceofhearingcomplaints

intheelderly.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:523---9. ∗Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](Â.J.Bós).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

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Conclusions:AmongtheelderlypopulationofthestateofRioGrandedoSul,theprevalenceof hearingcomplaintsreached28%.Thecomplaintismoreoftenpresentinelderlymenwhodid notparticipateinthegenerationoffamilyincome,whodidnotreceivehealthcare,performed socialandcommunityactivities,hadalowerlevelofschoolingandwereolder.

©2017PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofAssociac¸˜aoBrasileirade Otorrinolarin-gologiaeCirurgiaC´ervico-Facial.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBYlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Perdaauditiva; Estudo

epidemiológico; Idoso

Perfileprevalênciadequeixaauditivaemidosos

Resumo

Introduc¸ão:Aaudic¸ãoéessencialparaoprocessamentodeeventosacústicoseemissãoe com-preensão dos sinaisde fala. A perdaauditivapode estarassociada ao declíniocognitivo, à depressãoeàreduc¸ãodafuncionalidade.

Objetivo:AnalisaraprevalênciadequeixaauditivaemidososdoRioGrandedoSuledescrever operfildosparticipantescomesemqueixaauditiva.

Método: Participaramdoestudo7.315idososentrevistadosemsuasresidências,em59cidades gaúchas.Oscritériosdeinclusãoadotados foramter60 anosoumaiseterem respondidoà questãosobreautopercepc¸ãoauditiva.ParafinsestatísticosfoirealizadootesteQui-quadrado eregressãologísticaparaavaliarascorrelac¸õesentreasvariáveis.

Resultados: Foramexcluídos 139idosos semresposta àautopercepc¸ãoauditiva e novepor autorreferiremsurdez(7.167participantes).Afrequênciadequeixadeperdaauditivafoide 28%(2011)dosidosos,apresentoudiferenc¸aentregêneros,etnia,renda,participac¸ãosocial.A médiadeidadedosidosossemqueixaauditivafoide69,44(±6,91)ecomqueixa72,8(±7,75) anos.Osidosossemqueixaauditivaapresentaram5,10(±3,78)anosdeestudocomparados com4,48(± 3,49)anosdoscomqueixa. A regressãologísticamúltipla observouqueforam fatoresprotetoresparaaqueixaauditivamaiorescolaridade,contribuirnarendafamiliareter recebidoatendimentodesaúdenosúltimosseismeses.Fatoresderiscoparaaqueixaauditiva foramidademaisavanc¸ada,sexomasculino,apresentardificuldadedesairdecasaerealizar atividadessociais.

Conclusões:Napopulac¸ãoidosadoRioGrandedoSulaprevalênciadequeixaauditiva atin-giu28%.Aqueixaestámaispresenteemidososhomens,semparticipac¸ãonarendafamiliar, não receberam atendimento de saúde, tinham atividade social e comunitária, com menor escolaridadeemaioridade.

©2017PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeAssociac¸˜aoBrasileirade Otorrinolarin-gologiaeCirurgiaC´ervico-Facial.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY(http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

A audic¸ão é essencial para o processamento dos even-tos acústicos e para a emissão e compreensão dos sinais de fala. As consequências da perda auditiva variam de acordocomo tipo,grau e a idadede acometimento.Nos adultos e idosos geralmente se observa isolamento, com restric¸ões de participac¸ão na vida social e familiar, por vezes devido o receio de se tornar alvo de zombaria ou desprezo.1 A perda auditiva ainda pode estar associada ao declíniocognitivo, à depressão e à reduc¸ão doestado funcional.2

Em virtude do crescimento da populac¸ão idosa, faz--se necessário compreender os fatores relacionados ao envelhecimentoeàfragilidade,especialmenteosaspectos correspondentesaos fatoresincapacitantes.3 Esses podem sercaracterizadospelainterac¸ãoentreadisfunc¸ãodo indi-víduo(orgânicae/ouestrutural),restric¸ãonaparticipac¸ão

social e dos fatores ambientais que poderão interferirno desempenhodasatividadesindividuais.4

Paratanto,éimportanteavaliaracapacidadefuncional dos idososde formaa relacionar a mesma comos aspec-tospráticosdocuidadopessoal,manutenc¸ãoedesempenho dasatividadesbásicasecomplexasdocotidiano.5Entreos fatoresaseremavaliadosestá aaudic¸ão,umadas princi-paisalterac¸õessensoriais6quepodemmodificaroshábitos doidoso.

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preditordapresenc¸adeperdaauditiva,8umaumentode sensibilidadee especificidadedovalorpreditivo do autor-relato de perda em indivíduos idosos,se comparado com outrasidades.9

Apesardarelevânciadatemáticaparaosidosos,poucos estudosforamfeitosouforamcapazesdedeterminarqual aincidênciadeperdaauditivanapopulac¸ão brasileira,ou emseusestados.Umexemplouméoestudofeitonacidade deSãoPauloqueevidenciouaprevalênciade30%deperda auditiva em seus idosos.2 Esse dado temsua importância justificadaparapossamsertomadasasdevidasmedidasde atenc¸ãoàsaúdeauditivaepossaserfornecidaadimensão dessefatonapopulac¸ãoemquestão.

Assim,opresenteestudoteveporobjetivoanalisara pre-valênciadeautorrelatodequeixaauditivaemidososdoRio GrandedoSul,bemcomodescreverosfatores epidemioló-gicosassociadosdosidososcomesemqueixaauditiva.

Método

Opresenteestudofoicaracterizadocomotransversal descri-tivoefazpartedeumlevantamentomaior,recortadocom focona audic¸ãodeidosos.Oquestionáriofoiinspiradono GuiaGlobalCidadeAmigadoIdosodaOrganizac¸ãoMundial daSaúde.Osdadosanalisadosediscutidosforamcoletados entre2010e2011.

Foram entrevistados em suas residências 7.315 idosos, aleatoriamente,selecionadosapartirdesetorescensitários de 59 cidades gaúchas.Os critérios de inclusão adotados foram ter60 anos oumais e estar presente no momento da entrevista. Foram excluídos os participantes que não puderam responder à questão de autopercepc¸ão auditiva por comprometimentocognitivo e decomunicac¸ão. Todos osparticipantes,ouseusresponsáveis,assinaramtermode consentimentolivree esclarecido.O projetofoiaprovado peloscomitêsdeéticadasinstituic¸õesenvolvidas(09/04931 e481/09).

Os idosos foram entrevistados, entre outras questões, a respeito da autopercepc¸ão de audic¸ão. As variáveis sexo(masculinoefeminino),estadocivil(casado,solteiro, viúvo,separadooudivorciado,nãosouberesponder),etnia (branca,parda,preta,outra),participac¸ãonarendafamiliar (semrenda,maiorouúnicoresponsável,divide responsabi-lidade),terrecebidoatendimentoporproblemasdesaúde nosúltimosseismeses(recebeu,nãorecebeu),fazer ativi-dadessociais(faz,nãofaz)oucomunitárias(faz,nãofaz)e referirterdificuldadedesairporproblemasdecomunicac¸ão (tem dificuldade, não tem dificuldade), além do uso de próteseauditiva(usa,nãousa),foramtratadascomo cate-góricaseexpressasemfrequências.Jáidadeeescolaridade (anos de estudo formal) foram tratadas como numéricas e expressasem médiae desvio padrão. A pergunta sobre autopercepc¸ãodeaudic¸ãoteveasseguintesopc¸õesde res-posta:‘‘ótima’’;‘‘boa’’;‘‘regular’’;‘‘má’’e‘‘péssima’’ ---previamenteestabelecidasnoquestionário.

Para fins de análise estatística, os níveis de

autopercepc¸ão auditiva foram agrupados em boa ou ótimaquandonãohaviaqueixa,eregular,máoupéssima, na presenc¸a de queixa auditiva. O teste do qui-quadrado foiusadoparatestaraassociac¸ãoentreaqueixaauditiva e as demais variáveis. A regressão logística múltipla foi

usadaparacalculararazãodechancedaqueixadeperda auditivasofrerinfluênciadasvariáveisestudadas.Níveisde significânciamenoresdoque 5% foramconsiderados esta-tisticamentesignificanteseentre5e10%comoindicativos designificância.10

Resultados

Dos7.315participantes,139foramexcluídospornãoterem respondidoàperguntasobreautopercepc¸ãoauditiva (com-prometimentocognitivo)enoveporautorreferiremsurdez, totaldaamostra7.167idosos(tabela1).Osresultadosforam expressosemmédiaedesviopadrão(DP).Amédiadeidade entreos idosos sem queixa auditiva foi de 69,4 (6,91) e comqueixa,de72,8(7,75)anos.Osidosossemqueixa audi-tivaapresentaram, em média,5,1 (3,79) anos deestudo, esseresultado émaior,comparadocomos4,5(3,49)anos daqueles com queixa.Tanto a idade como a escolaridade foramsignificativamente diferentesentreosidososcome semqueixasauditivas.

Naanálisedaregressãologística,tanto aidadequanto a escolaridade mantiveram quase o mesmo nível de sig-nificância.Comrelac¸ãoaos anosde estudo,osresultados evidenciaramqueosparticipantescomqueixaauditiva tive-rammenosanosdeestudo.Cadaumanoamaisdeestudo foirelacionadoaumachance3%menordequeixaauditiva. Jáemrelac¸ãoàidade,cadaumanoamaisesteve relacio-nadocomumaumentode6%dechancesdequeixaauditiva (tabela2).

Aqueixaauditivafoisignificativamentemaisfrequente noshomens(p = 0,0016).Aassociac¸ãoentresexoequeixa auditivamanteve-se significativanaanálise múltipla,com ajuste pelas outras variáveis. Apesar de a diferenc¸a na frequênciadehomense mulherescomqueixaserde ape-nas3,3%(tabela1),naanálisemúltiplaelestiveram19%a maisdechancesdeterqueixaauditivadoqueasmulheres, quando ajustado pelas outras variáveis (tabela 2). Já em relac¸ãoàvariávelestadocivil,mostrou-sesignificativapara queixadeperdaauditiva(p < 0,0001).Ossolteirose viú-vosforamosquetiveramasmaioresfrequênciasdequeixa auditiva,oscasadoseseparadosforamosmenores.

Para melhor entender a relac¸ão entre o estado civil e aqueixaauditivafizemos umaregressãologística simples, observadanatabela3.Osviúvosapresentaram29%amaisde chancesdeapresentarqueixaauditiva,enquantonos soltei-rosessepercentualfoide43%emrelac¸ãoaoscasados.Jána análisemúltipla,comajustepelosoutrosfatores,achance deosviúvosapresentaremqueixaauditivaem relac¸ãoaos casadospassou anãoser significativa,enquanto a chance deossolteirosapresentaremessaqueixamanteve-se seme-lhante (41%) e significativa, como podeser observado na

tabela2. Dessaforma, adiferenc¸aobservada entre casa-doseviúvoscomrelac¸ãoàqueixaauditivaédependentede outrasvariáveis,entreelasaidade.

(4)

Tabela1 Característicasdosparticipantesdeacordocomoníveldeperdaauditiva

Queixaauditiva p

Semqueixa Comqueixa Total

Amostra 5.156(71,94%) 2.011(28,06%) 7167

Idade(média±DP) 69,4±6,91 72,8±7,75 70,4±7,32 <0,0001

Anosdeestudos(média ±DP) 5,1±3,79 4,5±3,50 4,9±3,72 <0,0001

Sexo 0,0016

Feminino 2.731(73,6%) 982(26,4%) 3.713(51,8%)

Masculino 2.425(70,2%) 1.029(29,8%) 3.454(48,2%)

Estadocivil <0,0001

Casado 2.341(73,5%) 843(26,5%) 3.184(44,4%)

Solteiro 256(66,0%) 132(34,0%) 388(5,4%)

Viúvo 1.599(68,3%) 742(31,7%) 2.341(32,7%)

Separado/divorciado 759(75,9%) 241(24,1%) 1.000(14%)

Nãosouberesponder 201(79,1%) 53(20,9%) 254(3,5%)

Cor 0,0899

Branca 3.578(72,7%) 1.341(27,3%) 4.919(68,6%)

Parda 768(70,3%) 325(29,7%) 1.093(15,3%)

Preta 536(69,0%) 241(31,0%) 777(10,8%)

Outras 248(71,3%) 100(28,7%) 348(4,9%)

Rendaparticipac¸ão <0,0001

Semparticipac¸ão 345(68,4%) 159(31,5%) 504(7%)

Maiorouúnicoresponsável 2.357(69,7%) 1.025(30,3%) 3.382(47,2%)

Divideresponsabilidade 2.454(74,8%) 827(25,2%) 3.281(45,8%)

Recebeuatendimento <0,0001

Nãorecebeu 2.972(68,6%) 1.360(31,4%) 4.332(60,4%)

Recebeu 2.178(77,0%) 651(23,0%) 2.829(39,5%)

Atividadesocial 0,0013

Nãofaz 3.066(73,4%) 1112(26,6%) 4.178(58,3%)

Faz 2.090(69,9%) 899(30,1%) 2.989(41,7%)

Atividadecomunitária

Nãofaz 4.313(73,3%) 1.568(26,7%) 5.881(82,1%) <0,0001

Faz 843(65,5%) 443(34,4%) 1.286(17,9%)

Dif.desair---Comunicac¸ão 0,0027

Nãotemdificuldade 5.127(72,1%) 1.986(27,9%) 7.113(99,2%)

Temdificuldade 29(53,7%) 25(46,3%) 54(0,8%)

Usodepróteseauditiva <0,0001

Nãousa 5.077(73,3%) 1.851(26,7%) 6.928(96,7%)

Usa 79(33,1%) 160(66,9%) 239(3,3%)

Amaioriadosidososnãohaviarecebidoatendimentode saúdeseismesesantesdaentrevista(60,4%)(tabela1).No entanto, os indivíduos que receberam atendimento apre-sentaram,significativamente,menorchancededesenvolver queixaauditiva(26%).Constatou-sequeterrecebido atendi-mentodesaúde(nosúltimosseismeses)fezachancedeter queixaauditivatersido menorsignificativamente,quando comparadosaosidososquenãoreceberam.Ainda,quanto aosacompanhamentos,apenasquatroidososreferiramter recebidoacompanhamentofonoaudiológico.

Amaioriados participantesnãofaziaatividades sociais nemcomunitárias,masambas asatividades apresentaram correlac¸ão significativa com a queixa auditiva tanto na análise simplesquanto no ajuste por outras variáveis. Os

frequentadores detais atividades tiverammaiorpresenc¸a de queixa quando comparados com osque não participa-vam.Essefatopodeserexplicado:presume-sequepessoas que seexpõem aumaatividade podemperceberseu pior desempenho quanto à audic¸ão do que os outros que não estãoexpostos,ouseja,emcasaouemambientefamiliar queseadaptamaeles.

(5)

Tabela2 Resultadosdaregressãologísticamúltiplaparaachancedeapresentarqueixadeperdaauditiva

Razãodechance Intervalodeconfianc¸a p

Anosdeestudo 0,9690 0,9538 0,9844 0,0001

Idade 1,0602 1,0519 1,0685 <0,0001

Sexo(masculino/feminino) 1,1939 1,0640 1,3396 0,0026

Estadocivil(solteiro/casado) 1,4076 1,1056 1,7922 0,0055

Estadocivil(viúvo/casado) 0,9798 0,8546 1,1232 0,7695

Estadocivil(separado/casado) 0,9690 0,8139 1,1536 0,7235

Rendaparticipac¸ão(maior/não) 0,8903 0,7154 1,1080 0,2978

Rendaparticipac¸ão(divide/não) 0,7691 0,6175 0,9581 0,0192

Atendimentodesaúde(sim/não) 0,7388 0,6577 0,8298 <0,0001

Atividadecomunitária(Sim/não) 1,4462 1,2434 1,6820 <0,0001

Dificuldadedesairdecasaporcomunicac¸ão(sim/não) 1,9518 1,0887 3,4993 0,0247

Atividadesocial(sim/não) 1,1593 1,0253 1,3107 0,0183

Tabela3 Resultadodaregressãologísticasimplesdoestadocivilparaachancedequeixadeperdaauditiva,emcomparac¸ão comoestadocivilcasado

Razãodechance Intervalodeconfianc¸a p

Estadocivil(solteiro/casado) 1,4319 1,1442±1,7919 0,0017

Estadocivil(viúvo/casado) 1,2886 1,1459±1,4491 <0,0001

Estadocivil(separado/casado) 0,8818 0,7477±1,0399 0,1348

Dos2.011idososquereferiram queixaauditiva, apenas 8%usavamaparelhoauditivo(tabela1).Amaioria,67%,dos queusavamaparelhotinhaqueixaauditiva.Noentanto,33% delesnãoreferiramqueixa.

Discussão

A incidência de autorrelato de perda auditiva em nossa amostracomidososapartirde60 anosfoide28%;relato semelhanteaodeoutrapesquisapopulacionalfeitaemSão Paulo, queevidenciou aprevalência de30%.2 Assimcomo essaúltima,apresentepesquisafoibaseadanaqueixa sub-jetivadedificuldadeauditiva.Acreditamosqueafrequência observada seria maior caso esses idosos tivessem feito avalic¸ãoauditivapormeiodeaudiometria.Umestudo pré-vio fez a comparac¸ão entre a queixa e a perda auditiva e constatouque essa foimaisfrequente,pois dos 50 ido-sosdaamostrasomente12(24%)tinhamqueixaespecífica de perdaauditiva, apesar de 33 (66%)apresentarem per-dasauditivasdegrauleve,moderado,severoeprofundo.11 Outras pesquisascomaaudiometriatambémencontraram frequênciasmaiores.UmestudofeitoporMattoseVeras12 comparticipantesdeumprojetodeextensãouniversitária comidososapontouaprevalênciade41%dequeixadeperda auditiva.EstudodeCostietal.13observouumaprevalência dequeixasauditivasem45%dosparticipantesdeumgrupo deterceiraidade.Asdiferenc¸aspodemserexplicadaspelo desenhodapesquisa,pelolocalondeapesquisafoifeitae pelosindivíduosquecompuseramaamostra.

Pesquisas de basespopulacionais e perdaauditiva não são comuns no Brasil e tampouco fora. Apenas alguns estudosforamencontradoscom essa temática.Umdeles, umarevisãodaliteraturaqueagrupou amostrasdepaíses

europeus com indivíduos idosos com 60 anos ou mais, verificouquecercade30%doshomense20%dasmulheres apresentaramperdaauditivaemalgumgrau aos70anose 55%dos homense 45% dasmulheres aos80.14 Opresente trabalhotambémobservoua maiorprevalênciadequeixa auditivaem idosos maislongevos, o sexo masculino foi o maisafetado. Oaumentodaqueixadeperdaauditivaem func¸ãodaidadepodeserexplicadopelofatodea presbia-cusiaapresentarcaracterísticaprogressiva,hárelac¸ãocom oaumento daidade,15 o queoriginaria ummaior número deindivíduoscomoautorrelatodedificuldadeparaouvir.

Ainfluênciadosanosdeestudopodeserobservadanos dadosavaliados,pois quantomaiora escolaridade,menor a chance de apresentar queixa de perda auditiva. Resul-tado similar foi observado em pesquisas tanto em idosos brasileiros2quantoemidososeuropeus,16 oquepode signi-ficarquemaisanosdeestudoresultariamemmaiorcuidado comasaúdeeadoc¸ãodemedidaspreventivas,nosentidode preservaraaudic¸ão.Nossosdadostambémsugeremqueo poderaquisitivopossainterferirnoscuidadoscomaaudic¸ão, vistoquearendafoifatorsignificativamenteprotetorpara aqueixaauditiva.

Quandoavaliada a questão sobrereceberatendimento de saúde e apresentar perda auditiva, observou-se que osidosos que recebemtal atendimento apresentam mais queixa. Acredita-se que tal ocorrência deve-se ao fato de que as pessoas que escutam bem procuram atendi-mentodesaúde,emcomparac¸ãocomasquenãoestudam,

ou os que recebem atendimento podem receber algum

(6)

avaliadaquetêmcomoconsequênciaaperdaauditiva,tais comodiabetes,hipertensão,dislipidemias,entreoutras.

Pandhi etal.17 investigaram senos idosos apropensão a relatar dificuldades, atrasos e diminuic¸ão da satisfac¸ão noacesso aoscuidadoscomasaúdeestaria relacionadaà perdaauditiva.Descobriramqueosindivíduoscom dificul-dadedeaudic¸ãoerammaispropensosarelatardificuldades emacessoàsaúde;noentanto,aaudic¸ãonãofoipreditiva paraasatisfac¸ãocomoacessoàsaúde.

Encontramosrelac¸ãosignificativaentreatividadesocial, entreelasa atividade física, e perdaauditivaem idosos. Outroestudonãoevidenciourelac¸ãosignificativaentre ati-vidadefísicaequeixadeperdaauditiva.18

Chenetal.,19emsuapesquisa,corroboraramosachados denossoestudoetambémverificaramquedeficiência audi-tivaem idososéindependentementeassociada commaior deficiênciaelimitac¸õesemváriascategoriasdeautorrelato defuncionamentofísico.Emcontrapartida,oestudode Fiel-dlerePeres20 ressaltaqueparecehaverumarelac¸ãocom oaumentodaincidência deperdaauditivaeapráticade atividadefísica, levaa crer que pessoas que fazem ativi-dade físicapodem apresentarmais queixas, umavez que sesentem incomodadaspornãoconseguirinteragircomo ambientequeasrodeia.

Sobre autorreferênciade cor (branca,parda, preta ou outra)earelac¸ãocomqueixaauditiva,emnossapesquisa,a diferenc¸anãofoiestatisticamentesignificativaentreos gru-pos.Noentanto,umatendênciamaiordequeixafoireferida entrepretos,seguida dos pardose, porúltimo, dos bran-cos.Deve-sesalientarofatodeaproporc¸ãodepessoasnão brancassermuitomenornoEstadodoRioGrandedoSuldo queem outrasunidades federativasdoBrasil, essefatoé ummotivadorparanãosealcanc¸aroníveldesignificância preconizado. Opresente achadodifere do constatado em estudoamericano,noqualacor preta nosidososfoi con-sideradacomosubstancialmenteprotetoracontraperdade audic¸ão.21

Sobre o fato de as pessoas idosas com autorrelato de queixaauditiva referirem não sairde casa em func¸ão da dificuldade de comunicac¸ão, dado encontrado em nossa amostra,umestudosimilarnãochegouaessesresultados. Aoanalisaroisolamentosocialesuaassociac¸ãocomaperda auditiva,oestudoconstatouqueapenasemmulheresentre 60a 69 anoso maiorgrau daperda auditivaestava asso-ciado comaumento de chancesde isolamento social;nas demaisfaixasetáriasenoshomensessaassociac¸ãonãofoi significativa.22Aspessoasquenãosaíamdecasapor dificul-dadedecomunicac¸ãoapresentaram95%maischancesdeter queixasauditivas,conformenossosachados.Sugere-seque aperdaauditivalimitaacomunicac¸ãoerestringe significa-tivamenteoidosoao sairdecasa,embora essanãotenha sidoaúnicacausa.

Observamos que somente um terc¸o das pessoas que usavam aparelho auditivo não referiu queixa auditiva, presume-se que o aparelho auditivo supre integral-mente suas necessidades auditivas. Falta de ajustes ou inadequac¸ões poderiamjustificar o percentualde pessoas aindacomqueixa,mesmocomapróteseauditiva.

Apesardeosnúmerosdestapesquisajáalertarempara aquestão daperdaauditiva, ficao registrode quemuito poucotemsidofeitoarespeito.Emnossapopulac¸ão, verifi-camosqueapenasquatroidososrecebiamacompanhamento

fonoaudiológico e 54 usavam próteses auditivas. Ainda, sugere-se um estudo de base populacional com avaliac¸ão instrumental da audic¸ão, uma vez que se estima que o número de idosos com queixa é inferior ao número de idososquerealmenteapresentamalgumgraudeperda audi-tiva,vistoque aperdaauditivaéprogressiva(facilitaque o idoso se adapte à perda), que poucos fazem ativida-des sociais(não se expõem a ambientes que exigem boa audic¸ão)equea maiorianãorecebeacompanhamentode saúde.

Ressalta-se a importância de estudos de acompanha-mentolongitudinaldeidososcomqueixadeperdaauditiva, a fim de que seja possível estabelecer opc¸ões terapêuti-cas, com vistas não apenas ao tratamento, mas também umaprevenc¸ãomaiseficazparaessapopulac¸ãocrescente, sobretudo em seusaspectos clínicos, físicos, funcionais e psicossociais.

Conclusão

Em nossoestudo, ficou evidente que há queixa de perda auditivanos idosos,comumaprevalênciade aproximada-mente30%.Comrelac¸ãoaoperfildosidososcomqueixade perdaauditiva,constatou-sequeamaioriaécompostapor homenscommenosanosdeescolaridade.Achancede apre-sentarqueixaauditivaaumentacomaidade:acadaumano amais,háumaumentode6%dechancesdequeixadeperda auditiva. A queixafoi associada àdiminuic¸ão doacesso à saúdeeanãosairdecasapordificuldadedecomunicac¸ão. Poroutrolado,osidososcommaiorníveldeatividadesocial apresentarammaiorfrequênciadequeixaauditiva.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Tabela 1 Características dos participantes de acordo com o nível de perda auditiva
Tabela 2 Resultados da regressão logística múltipla para a chance de apresentar queixa de perda auditiva

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