UNIVERSIDADE NOVA DE
LISBOA
FACULDADE DE
CIÊNCIAS
SOCIAIS
E
HUMANAS
AS
ELEI^ÔES
E
O PODER
MUNICIPAL
EM
LISBOA ENTRE
1851
E
1867
V*«.:
/'J/,,^t...
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t<>«;.*<■ *• '' -•-'-'•'■■*''</',.«./„■ .-'.>-*-.'/■'■■-'■''
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Disserta9ão
de Mestrado
emHistôria
do
século
XIX
Por:
Fernando
Manuel Carvalho
da Mota
Orientador: Professor Doutor Luís Nuno
Espinha
da Silveira
Capa:
Boletim de
votomanuscrito para vereadores
pelo
bairro de
Alcântara. Novembro de 1865.
Bolseiro da
Funda9ão
para
aCiência
eTecnologia
e
do Fundo Social
Europeu,
AS
ELEK ÔI
_S E O PODERMUNICIPAL
EM LISBOA ENTRE 1851 E 18671. Introducão
y
2. 0espa9oconcelhio.
2.1 0 concelho dc Lisboae os novosconcelhos de Olivais e Belém 10 2.2 A evolucãoe
transforma9ão
da cidade 203. A
Regeneraeâo
e oMunicípio.
3.1 O
pronunciamenlo
de Saldanhac opoder
municipal
28 3.2 A defesa domunicipaiismo
414. Aseleicôes locais no concelho de Lisboaentre 1851 e 1867 53
4. 1 A evolucâo da
legislacão
eleitoral 55 4.2 As listasderecenseamento: a intervencâo dos 40 maiorescontribuintese as reclamacôes 65
4.3 A
campanha
eleitoral 794.4 Asassembleias de voto:
organizacåo
e funcionamento 111 4.5 O processo devota9ão
econtagem
dos votos: osprotestos.
o caso Mantas e a fraude eleitoral 115
4.6 Resultados eleitorais em Lisboa durante a
Regeneracão:
o universo eleitoral.A
absten9ão.
agrandc
vencedora 1234.7 A
política
local: construcão daelitemunicipal
1485. Conclusâo 161
6. Anexos 166
"0 indivíduo é afeicoado ao seu
Município
pelo
berco epela
sepultura. pelos
seus interessese afeicôes e fmalmentepela
sua vida social.0
Município
é a Família e aoMunicípio
devem muito acivilizac-ão
e aliberdade; é necessário
pois respeitar
oMunicípio,
conservando-lhe
o que constitui a suaessência e quea lei
positiva
lhenâodá,
mas sôrcgula
-Jus Ante OmniaJura Natum - cvem a ser.
primeiro
o ser electivo e,segundo
o exercício depoder
administrar. que Ihe éconi'erido
pelo
voto dos seusconcidadãos."Cãmara
Municipal
de Lisboa. emverea9âo
de 3 de Fevereiro dc 1858. in: Anais doMunicípio
de Lisboa. n.° 3. Janeiro de 1858.1.
Introducão.
As
principais
obras queimpulsionaram
o interessepelo
estudo das elites locaisedo
poder
municipal
foram «AsVésperas
de Leviathan. Instituicôes e Poder PolíticoPortugal.
Século XVI1», de AntônioMespanha
e «Para o estudo doAlgarve
econômico(1660-1773)».
de Romero deMagalhães1.
No mesmo âmbitohistoriográfico
destacam--_ ^
se também autores como José Viriato
Capela
e NunoMonteiro,
entreoutros". I)e tacto.a última década viu nascer o gosto e interesse
pelo
estudo da IlistôriaLocal,
cominúmeras teses de mestrado, de doutoramento e obras
publicadas
sobre diversaslocalidadesdo
país.
Até Antônio
Hespanha perdurou
a ideia deque o Estado fora centralizadoratéaofinal do
Antigo
Regime.
tendo asfixiado opoder municipal
através dosjuízes
de fora(estando
Alexandre Herculano entre os defensores destateoria).
Ahistoriografia
romântica defendia
igualmente
as «câmaraspopulares»
com oshomens-bons.
nosquais
vislumbrava a
origem
da fiitura classemédia,
vencedora da revolucão liberal. Apartir
de Antônio
Hespanha,
Romero deMagalhães
e Maria Helena Coelho. estasimagcns
decentralismo e democracianos
municípios
diluem-se na direccãooposta,
afirmando-se aautonomia
municipal
e. em vez de ummunicípio
democrático, a nocâo de ummunicípio
oligárquico
nasgrandes
cidades.Com a redescoberta do peso dos
municípios,
numahistoriografia
que defendia asua subalternidadeem relacão ao
poder
central da Coroa, novasportas
se abriram, numa área da Histôria que se tinha cristalizado. assistindo-se aorejuvenescimento
das linhas1
HESPANHA, Antônio Manuel, As Vésperas de Leviathan. Instituigôes e Poder político - Portugal,
século XVII. LivrariaAlmedina,Coimbra, 1994.
MAGALHÃES, Joaquim Romerode, Paraoestudo doAlgarveeconômicoduranteosêculoXVI(1
660-1773). Cosmos, Lisboa, 1970.
2
CAPELA.José Viriato. OConcelho de BarcelosdoAntigoRegimeåprimeiraRepública: fontesparao
seuestudo, Bareelos,Comp. Ed. do Minho, 1983.
IDEM, OMunicípio deBraga de 1750a 1834. OGovernoe aAdministra(;ão Econômicae Financcira.
Braga. 1991.
IDEM. O Minhoe osseusmunicípios. Estudoseconômico-adminislrativos sohreo MunicípioPortuguês
nos Hurizuntcs daReformuLiberul. Braga.UniversidadcdoMinbo, 1995.
MONTEIRO. Nuno Gongalo. «Os Poderes Locais no Antigo Regimc» in OI.IVEIRA. Ccsar
(dir.)-HistôriadosMunicípiosedoPoderLocal.. Lisboa,Círculo deLeitores. 1995, pp. 17-175.
IDEM, «Elites locaisemobilidade socialem Portugal nos tlnais do Antigo Regime». in Análise Sccial.
n.c 141, Lisboa, I.C.S., 1998,pp. 335-368.
de orientac-ão e esludo.
É
nesta linha depensamento
que o estudo daseliles,
aliado aogoverno
municipal, ganha
novofôlego.
Ao analisarmos aselites sociais no
Antigo
Regime.
verificamos o contraste entreas elites de corte e de
província.
Ao efectuarmos umacomparacâo
entre estas.coneluímos que na
província
existiriam seguramente entre uma a duas dezenas de casas com um rendimentoequivalente
ao das menos afortunadas casas daprimeira
corte. Noenlanto,
aquelas
nuncaalcanc.avam
o rendimento médio dasgrandes
famílias,
nem deoutras elites de Lisboa, como
negociantes
ou financeiros. A corte situava-se noutropalamar. quer material. quer de distincão social. o que em termos eleitorais se vai reilectir nos arrolados e
elegíveis
para os cargosmunicipais.
Defacto,
os indivíduoscom certas
distin<;ôes,
eomo osdonatários efidalgos
da Casa Real, desde que residissemnas terras. eram arrolados. mesmo que fossem naturais de outros conce!hos\
Normalmente,
os arrolamentos fornecem-nos a identificacio dos nobres residentes emcada concelhoe, namaiorparte doscasos. o
respectivo
rendimento e fortuna.No entanto, não se deve confundir elites locais com elites
políticas.
Osarrolamentos
serviam,
dependendo
das diversasespeciíîcidades,
paradelimitaras elites sociais locais. Mas adisponibilidade
e vontade para de facto exercer o governomunicipal
eram bastante diferentes.Algumas
dasprincipais
casasdeprovíncia
tentavamnão exercer essas funcoes. tendo em vista o servico å
monarquia,
donde tirariam entâoum estatuto
nobiliárquico superior.
A formacâo deoligarquias
camarárias coincidia,geralmente,
com famílias e casas semgrandes perspectivas
demobilidade,
enquanto a procura intensa decargosmunicipais correspondia,
emgeral,
a gruposem ascensãoque, muitofrequentemente.
tentavam aceder aosoficios deordenan^as4.
E fundamental salientar a
especificidade
de Lisboa noperíodo
doAntigo
Regime,
pois.
acapital
do Reino era administrada porumsenado,
presidido
sempre porummembro da alta aristocraciae
integrado
pordesembargadores
nomeadospelo
rei. Noresto do
territôrio,
os concelhos eramdirigidos
por câmaraspresididas
por umjuiz
ordinário, oficiais
honorários,
nâo letrados, eleitospelo
povo de acordo com o processoprevisto
nasordena^ôes;
ou porjuizes
defora,
oficiais de carreira- letrados e deJ
MONTEIRO, Nuno Gon^alo, «Poderes Mtinieipais eelites loeais (scculos XVTI-XIX): estado de uma questão». in O Município no Mundo Português, Funchal. Ccntro de Estudos de Histôria do Atlántico,
1998.
MONnilRO, Nuno. Ocrepúscutodosgrandcs: acasae opatrimoniodaaristocraciaemPortugal (I750-PS32),INCM. Lisboa, 1996.
nomeacao
régia.
A um deles. somavam-se, no mínimo, dois vereadores e umprocurador.
eseolhidospelos
"homens bons" do concelho.Contudo. o
município
era apenas uma das peeas do sistema administrativo ejudicial
no territôrio dePortugal
continental noAntigo Regime,
existindoigualmente
as eomarcas. â frente dasquais
estavam oscorregedores.
Era a estes que cabia aresponsabilidade
deorganizar
as eleicôes concelhias. Estes funcionáriosrégios
chegavam
a uma determinada localidade, escolhiam para seus inlbrmadores duasou três pessoas «das maisantigas
e honradas» para elaborarem os «rois de eleitores eelegíveis».
Os eleitores envolvidos neste processo deveriam ser oriundos do grupo dos «mais nobres da tcrra».prevendo
alegislacão
que a escolha fînal recaísse sobre a chamada «gente da governanca», isto é. indivíduos quejá
teriam exercido idênticasfuncôes no
passado.
ou iîlhos ou netos de quemjá
tivesse servido nos ditos cargos. Criavam-se assimoligarquias
camarárias,
grupos restritos de notáveis locais. quedetinham assenlo camarário durante anos, em
conjunto
com os seus descendentes ouparentes.
A revolucâo
liberal,
além de ter transformado oregime
financeiro das câmaras através da reforma da sisa e dosimpostos
directos, introduziu.igualmente. importantes
modillcacoes no funcionamento das instituicoes que
regiam
a vida local, alterando aorganizacão
administrativa do reino e o modo de recrutamento das elites quedirigiam
os destinos
municipais.
Com a revolucão liberal. umaelite fortemente
inspirada
no pensamento francês ena
experiência espanhola.
atinge
opoder.
Esta elite acredita na ideia da unidade dasoberania,
queos liberais entendem que reside na nacão. aqual
é compostapor cidadâosdotados de direitos e deveres. O programa liberal vai
implicar,
assim,
aconsagracâo
domonopôlio
da autoridadepública
do Estado e a realizacão dos direitos e deveresindividuais. Este
desejo
nunca sepoderia
materializar sem uma redefinicão do espacopolitíco-administrativo
e a criacâo de novas instânciasdepoder
.O libcralismo
português
procurou instaurar umaadministrayão
centralizada ehierarquizada
que visava o controlo efectivo do territôrio nacional e das comunidadeslocais. Para combater a
desorganizacâo
edispersâo
administrativa doAntigo
Regime,
adopkui
i.im SÍStcma ílSSCntC nanomcâíâo
dcap,cnltí.s doLsl.tdo,
rtipipscnUiiiles
i\npiuler
central nos \ários níveis administrativos. Da mesma forma, o libcralismo criaria umaSILV'EIRA, Luís Nuno Ispinha da, Territârio e Poder. Xas origens do estado contemporãneo em
Portuga/,Cascais, Patrominia, 1997.
nova
realidade,
o distrito. que não tinhaqualquer
raiz ou tradicão ecujo
objectivo
cra ode tentar
relbr^ar
ahierarquia
cslatal. sob o controlo dos ministros do Rcino. Contudo.o Estado liberal. entre outros motivos, como os escassos recursos de que
dispunha.
delegou
boaparte
dascompetências
de governo dasperiferias
nas elites locais. âsemelhanea do que fizera a
monarquia
noAntigo
Regime'1.
H certo queaquelas
agorajá
não se defmiam de acordo com atributos
nobiliárquicos,
mas por crilérios censitários ecapacitários.
A maioria dos trabalhos desenvoKidos até ao momento
privilegiou
oAntigo
Regime.
permitindo
aconstrugâo
de um retrato da sociedade de então. maiscompleto
epormenorizado
do que o doperíodo posterior
å Revolucão Liberal. Ficoueomprovado.
opapel
das elites locais na vida local epolítica
nosmunicipios
noAntigo
Regime,
ao exercerem umpoder
sobre a comunidade onde se inseriam. com o clarobeneplácito
dopoder
real que,permitia
a manutencâo de um grupo restrito de indivíduos nopoder
durante anos.Com avitoria do liberalismo. a maioriadas elites
municipais
foi substiruída. masnão
perdendo.
no entanlo. a suaimportância. Lxemplo
fundamental da mudancaoperada
com a revolucão liberai é omunicípio
deLisboa,
onde o Senado de nomeacãorégia
é substituído por uma câmaraeleita. composta
pelos
mais abastadosproprietários
da
capita!
e onde a elite dosnegociantes
tinha um peso decisivo. Também no Porto severificou um fenômeno semelhante com os vereadores do
período
anterior a 1834 adeixarem os cargos . Também em concelhos como Torres Vedras,
Évora,
Montemor-o-Novo,
Mouraou Castelo Branco se verificou com o liberalismo uma renovacâo dassuaselites
locais,
privilegiando
na sua maioria osproprietários
rurais. masprincipalmente
abrindo asportas
do governomunicipal
a indivíduos das maisdiversasorigens
sociais eprofissionais8.
"
SILVEIRA, Luís Nuno Espinha. «Estado Liberai e Centralizagão, Reexame de um Tema» in Poder
Central. PoderRegional.PoderLocal, umaperspectivahistôrica.Lisboa. EdicôesCosmos, 1997.
'
VALENTE, Vasco, «Os homens da governanga do município do Porto desde 1428 a 1949», Boletim
L'ulturalda CâmaraMunicipaldo Porto, 1949- 1 950.
PEREIRA,João ManuelRodrigues, Elites LocaiseLiheralismo. Torrez Vedras /792-1878. Lisboa,
ISCTE, policopiado, 1997.
FONSECA, Hélder,«Sociedadee ElitesAlentejanasnoséc. XIX». in EconomiaeSociologia,n.°45-46.
1988.pp. 6"Î-I06.
FERN'ANDES.PauloJorgedaSilva,EliteseFinanqas MunicipaiscmMontcmoro-Novo, l)oAntigo
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TRINDADE,Carla.Aseliteslocaise aselei<;ôesdo concelhodeMoura(1860-1910). Dissertacãode Mcsiradocm Socioiogia. Univcrsidade de Evora, 1997.
POLJSINHO. Nuno, Castelo Branco. Governo, PodereElites H92-IS7S. Edicôes Coiibri, Câmara
Mimicipaldc Castclo Branco. ^004
Contudo. em termos
políticos
faltava sobretudo a estabilidade. F.ntre 1834 a 1851. os governos, revoltas armadas. revolucrjes, etc. sucederam-se a um ritmo tal. que opronunciamento
do marechal Saldanha, em Maio de 1851. aparentou ser mais um.entre tantos. No entanto, marcaria toda a diferenca no
Portugal
de oitocenlos. A«RegeneraQão».
nomepelo qual
ficou conhecido o movimento de Saldanha e operíodo
subsequente,
trouxe apolítica
portuguesa
a estabilidade que faltava. Asdiferenyas
oudivergências políticas
deixaram de ser resolvidas de forma violenta. para serprivilegiada
a via da discussãoideolôgica
em sedeprôpria.
ouseja,
na Câmara dosDcputados
ou mesmo nas câmarasmunicipais.
De que forma a
Regeneracão
influenciou aconstituic^ão
da CâmaraMunieipal
deLisboa?
Que
aiteracôesproduziu
na administracâo local e na sua elitemunicipal?
Que
especificidades
detinha a edilidade lisboeta em relacão ao resto dopaís?
Que
papcl
desempenhava
aimprensa
no acto eleitoral? Procuraremos eneontrar umaresposla
aestas
questôes,
assim como.perceber
e relacionar a evolucâo dapolítica
loeal, aperíodos
anteriores e a outros concelhos dopaís.
Este trabalho tem como balizas
cronolôgicas
o início daRegeneracâo
(1851
) e oano de 1867. que marca o fim dos governos de Fusão. A
investigacão
nâoseguiu
até1878 - data da
aprova^ão
de um novocôdigo
administrativo-como verificado noutros
trabalhos,
comosobre,
porexemplo,
Torres Vedrasou Castelo Branco. por sepretender
conheceras
possíveis
alteracôesnapolítica
local nestaprimeira
fasedaRegeneracâo'.
O estudo da Câmara
Municipal
deLisboa,
emparticular.
insere-se na novaabordagem
da HistôriaLocal,
atrás referida,procurando
darnovasperspectivas
epislas
aos estudosolisiponenses.
A escolha deslaedilidade,
nada tem a ver compreconceitos
ou ideias
pré-concebidas
de centralizacâo. massim,
com as suasparticularidades
reais. como os comportamentos eleitoraisespecíficos.
Particularidades, derivadas talvez dasua
popula^âo,
do seu nível cultural, que o Concelho de Lisboa e a sua Câmaradetinham em relacâo âs demais.
Na sua estrutura este trabalho divide-se em três
capítulos.
Noprimeiro.
proeuraremos caracterizaro espacoconcelhio em termos
geográficos,
sobretudo,de\ ido âs mudancasoperadas
com a criacão dos concelhos de Olivais e Belém. AvaliaremosPEREIRA. João Manuel Rodrigues, Elites Locais e Liberalismo. Torres Vedras I 92-18 S'. I isboa.
Policopiado.
1997.POUSINHO. Nuno. Castelo Branco. Governo, Poder e Elites /r92-lX~S. Edicôes Colibri. (amara
Municipalde Castelo Branco. 2004.
também a evoluc-ão e transformacão da cidade, traduzidas nos vários melhoramentos
nela introduzidos eambicionados, destacando o
papel
das várias vereacôes na obtencão dos mesmos.No
segundo capítulo,
estudaremosarelacãoentre opronunciamento
de Saldanhae o
poder municipal. já
que. com a vitôria daRegeneracão
várĩas alteracôes. tanto anível eleitoral como administrativo. foram introduzidasem Lisboa. em
particular.
Nesteaspecto. a defesa do
municipalismo,
ouseja,
o combatepelas
liberdades epelo
estatutopolítico
e administrativo da CâmaraMunicipal
de Lisboa(assim
como. até de outrascâmaras).
serão também desalientar.No terceiro
capítulo
serão analisadas as eleicôes locais em Lisboa entre 1851 e1867. Em
primeiro
lugar,
para uma melhorcompreensão
do funcionamento da administracâo local e dos seus agentes, identiíicaremos e analisaremos alegislacão
eleitoral desdeo
Antigo Regime
até âsmodificacôes introduzidas com aRegeneracão.
Deseguida.
abordaremos o processo eleitoral em si. com a elaboracâo das listas de recenseamento, conhecendo então os processos censitários em uso para aseleic^ôes
municipais.
Que
papel desempenhavam
os maiores contribuintes.responsáveis pela
eleicão das comissôes de recenseamento? 0período
de reclamacôes ao recenseamento,concedido por
lei,
seriafrutuoso? Sãoalguns
pontos
quecarecem deresposta.
Depois
de elaboradas as listas de recenseamento(normalmente
emAgosto)
e atéâs eleicoes em Novembro. decorria uma
época
quepoderemos
designar
porcampanha
eleitoral. A escolha dos candidatos era efectuada nacapital
em moldes diíerentes doresto do
país,
em resultado do número de habitantes e, devido aofacto,
daeleicâo
municipal
se dividir por bairros.Aqui
analisaremos opapel
fulcral que as reuniôespreparatôrias desempenhavam
na escolha dos candidatos. Da mesma forma. serádesenvolvido o
papel
daimprensa
como catalizador e motivador do eleitorado eprincipal divulgador
da mensagempolítica,
através dosprincipais
jornais,
como oPortuguês.
aRevolugâo
deSetemhro,
aÉpoca,
o Conservador. entre outros.Estudaremos.
igualmente.
aparticipacão
dasparcialidades políticas
na escolha dos candidatos e nacampanha
eleitoral.Noutro momento, analisaremos a
organizacão
e funcionamentodas assembleias de voto. assim como. o processo decontagem
de votos. protestos epossíveis
fraudeseleitorais. No
seguimento
deste ponto, será estudado o universo eleitoral dacapital.
relacionando a
populacâo
total com o número de homens maiores de 25 anos. osrecenseados e os eleitores e
elegíveis.
culminando naapresentacão
dos resultadoseleitorais. onde serâo analisadas as ta.xas de
participacão
e os níveis derepresentati\
idade aleancados naseleicôes
paraa edilidade lisboeta.Por fim. observaremos a construcão da elite
local,
identificando os actores dapolítica
local.procurando
eompreender
de que forma aRegeneracão
alterou a suacomposieâo
e assuas ambicoes.Para este trabalho socorremo-nos
principalmente
de doisarquivos:
oArquivo
Vlunicipal
de Lisboa - Arco deCego
e o Instituto dosArquivos
Nacionais/ Torre doTombo. A autorizacâo coneedida no
Arquivo Municipal
de Lisboa para consultardocumentacão por inventariar foi fundamental para a elaboracâo deste estudo.
já
que.estavam aí
depositados
todos os recenseamentos, reclamaeôes eprotestos,
assim como, a maioria dos resultados eleitorais.No Inslituto dos
Arquivos
Nacionais/ Torre do Tombo encontraram-sealguns
resultados eleitorais, além de
importante
documentacão do Ministério do Reino.respeitante
a troca decorrespondência
entre a edilidade e o Governo Civil do distrito. assim como, entrea câmaramunicipal
e opoder
cenlral.O cruzamento de informacôes fornecidas
pelas
fontes foicrucial,
tendo sidoseguidas
as regras fundamentais dainvestigacâo
histôrica na elaboracão deste trabalho.Depois
de uma leiturarigorosa
e atentadestas,
serâoaqui apresentadas
as nossas conclusôesquepretendem
reflectiro máximodeobjectividade possível.
2.
O cspaco concelhio.
2.1 O concelho de Lisboa c os novos concelhos de lielém e Olivais.
Fm Diário do (ĩoverno n.° 218, de 15 de Setembro de 1852. era
publicado
oDecreto de dia 1 1 do mesmo mêsque marcava os novos limites do concelho de Lisboa. criando dois
municípios,
um a nascentc - Olivais;e outro a poente - Belém. A
pailir
desse momento deixavam de existir ou mudariam de denominacão os bairros de Santa
Catarina,
Mouraria. Olivais e Belém. Este decreto delimitava o concelho de Lisboapela
linha que
seguia
o muro de circunvalacão que cercava acapital
e a margem direita doTejo.
Hnquanto
nãochegava
aépoca regular
das eleicoesmunicipais.
o GovernadorCivil do Distrito de I.isboa nomeava. para cada um dos concelhos criados. uma
comissâo
municipal
que e.xerceria todos ospoderes
administrativosprôprios
das câmaras. O recenseamento e as eleicôes ficavamprovisoriamente
a cargo da CâmaraMunicipal
de Lisboa. Além disso. eontinuariam a pertencer a Lisboa as administracôes daspropriedades
quepossuía
no territôrio desanexado. Também se manteria acargo da CâmaraMunicipal
de Lisboa adespesa
a fazer nos novos conceihos com ailuminacão
pública
econservacão
dacal^adas,
até o assunto serregulamentado,
obrigando-se
oGoverno a
entregar
anualmente umaprestacão
equivalente
âdespesa
que a CâmaraMunicipal
daCapital
faria.Por outro decreto da mesma data - 1 1 de Setembro de 1852 - do Ministério da
Fazcnda, oGoverno aboliu a
cobran^a
deimpostos pela
CâmaraMunicipal
de Lisboa naparte
incorporada
no concelho do Olivais eigualou
o territôriocompreendido
fora doslimites de
Lisboa,
quanto â tributacâo, ao dos outros concelhos do Reino, salvo. no quedizia
respeito
aos Olivais. quanto åsseguintes imposicôes:
15 réis por arrátel de carneverde.
compreendendo-se
neste o real deágua
e os 3 réisadieionais;
uma taxa adecretar. como licenca anual devida
pelas
casas de venda delíquidos.
por grosso emiúdo. Hstes
impostos
sôentrariamemvigor
a I de Janeiro de 1853.Tendo sido fixado um prazo de sessenta dias para a divisão de cada um dos bairros e dos novos concelhos. a
partir
dapublieacâo
do Decreto de 1 1 de Selembro.esta seria
publicada
no Diário do Governo de 16 de Outubro do mesmoano. 0 concelhode I.isboa
passaria
a estardivididopelas
seguintes freguesias:
Lisboa
Bairro de Alíama Bairro do Rossio Bairro Alto Bairro de Alcânlara
Sanla
Lngrácia
S. Vicente
St. AndréeSta. Marinha
Sta. Cruzdo Castelo
S.
Tiago
e S. MartinhoS. Tomé
S.
Miguel
St.Lstevão
S. Joao da Praca
S.Cristovão
S. Lourenco
N. SenhoradosAnjos
N. Sr.ado Socorro
S. Jorge(a)
(a)a parteque fica
entre-murosda linha da
cir-cunvalavão.
S.Julião
Santa Justa S. Nicolau
N. Sr.a dalincama^ão
N. Sr.:i dos Mártires Sta. Maria Madalena
Sta. Maria Maior
S.José
S.Sebastião (a)
S. Mamede
Sm.Coracão de Jesus
N. Sr.a das Mercês
N. Sr.a daLncarna^ão
Sacramento
N.Sr.adaPena
Sta. Catarina
S.Paulo
Santos-o-V'clho
Sta. Isaheĩ (a)
N. Sr'dal.apa
S Pedro de Alcântara
(b)
(a) a partc que íica
dentro da linhade
cir-eunvala^ão.
(a) a parte que tica dentro da linha de
cir-cunvalacâo.
(b) Idcm
Os concelhos criados
englobavam
asseguintes
freguesias:
Bclcm
Sta. Maria de Belém
N. Sr.a da
Ajuda
S. Pedro de Alcântara(a)
N. Sr.adoAmparode Benfica S. Lourenco de Carnide
St. NomedeJesus deOdivelas
S. Sebastião(b)
Sta. Isabel(c)
(a) n partc que fica extramuros da linha de
circunvalacâo. (b)Idem
(c) Idem
Olivais
Fonte: ANTT,Ministério do Reino. A.S.E. Proc. 897. I
S. Bartolomeu do Beato
N. Sr.3da Purificacão de Sacavcm
Sta. Maria dos Olivais
S.Joâoda Talha
N. Sr.ada Assuncão de Vialonga
S. Saturnino de Fanhôes
S. PedrodeLousa
S. Silvestre de Unhos
S.JuliãodeFrielas
S. Lstevão das Galés
S.Juliãoao Tojalinho
S. Antão dasTojas
N. Sr.a Purificacãode Bucelas
Sta. Maria de Loures
N. Sr.a da Kncarna^âoda Ameixoeira
Pôvoade Sto. Adrião
N. Sr.a da FncarnacãodaApelacão
S.Tiagode Camarate
S. BartolomeudaCharneca
S. João Batista do Lumiar
Santos ReisdoCampoGrande S. Jorge
a) apartcquc fica i'orada linha ilccirctmvalacão.
.v. 10. \1v-. 3385. 1852.
Hste mapa fora elaborado
pelo
Governador Civil de Hisboa que. a 14de Outubrode 1852, o colocava â
disposicão
do Governo paraapreciacâo.
Oconde de Tavarede. I ).Franciseo. que exercia
aquelas
funcoes. em relatôrio de 13 de Outubro. inlbrmava que na elaboracâo dos mapas tivera em conta «informacôes acerea dapopulacão. riqueza
etopograíia
de cada uma dasfreguesias».
A 16 de Oulubro o mapa eraaprovado.
assim como os administradores dos novosconcelhose bairros dacapital
.- O Município dos Olivais
0 concelho de Olivais passou a ser constituído por 22
frcguesias. euja
comissaomunicipal
foiempossada
a 22 de Outubro de 1852. Hra constituídapelo
Visconde de Juromenha. João de Hemos Pereira de Hacerda.presidente.
eDomingos
Correia Arouca.João da Costa
Carvalho,
Anlônio Dias de Sousa. Francisco de Assis Boaventura e João Câneio de Matos. vereadores. Para servir de Pac-os do Concelho. foi entregue âcomissão a casa que servira â administracâo do extinto bairro da Mouraria. na Rua Direita do
Salilre,
n.°32,
1° andar. Acolocagão
dos Pacos do Concelho dos Olivais na Rua do Salitre sopoderia
ser encarada a títuloprovisôrio,
por estar fora da áreaconcelhia e por
representar
obvio incômodo para osrespectivos
munícipes.
Por isso.logo
nasegunda
sessão, a câmara, em ofício aogovernador
civil.propôs.
vindo aconseguir,
a mudanca para a casa doHargo
doHeão,
n.°3,
deDiogo
Sales da Cunha, ondese reuniupela primeira
vez,em 22 de Dezembrode 1852.A vereacão não esteve,
contudo,
muitotempo
nesta parte dafreguesia
de S.Jorgc. Desejando
morar no edifício. o senhorioconseguiu
que a Câmara dos Olivaisdesistissedo arrendamento. para se ir instalar na
Quinta
do Fole, n.°33,
ondeteve a suaprimeira
reuniâo a 13 de Julho de 1854. Actuavajá,
nesta altura. aprimeira
vereacãoeleita, composta
pelos seguintes
vereadores: Francisco de AssisBoaventura,
presidente.
e Antônio Vieira Caldas,Quirino
HuísHouro,
ManuelRodrigues
de Azevedo. AnicetoVentura
Rodrigues
e Antônio Sabino da Silva".
Pouco tempo
volvido,
o Govemo deliberou, novamenle, sobre asimposicôes
físcais cobradas no concelho,decretando o
seguinte:
a abolicâo, apartir
de 1 de Julho de1855. dos
impostos especiais
incidentes sobre o vinho e carne e sobrelicen^as
devidaspelas
casas vendedoras de bebidas, nos termos do decreto de 1 1 de Setembro de 1852:Colec(,-ãoOjicialda
Legislacão
Portuguesa. Imprensa Nacional. Lisboa, 1852.pâg. 563."
DLI.CiADO, Ralph. AantigafreguesiadosOlivais. Lisboa. 1969.
sujeicâo
do coneelho aopagamento
do real daágua.
como pagavam os restanteseoncelhos: e a cessacão dos subsídios que o Governo deveria entregarao
município
dosOlivais e Belém,
enquanto
estes ficavamobrigados
a pagarao tesouro, uma soma anual fixa. a título decompensacão
das vantagensprestadas pclo
Estado . Por outrolado,
odomínio directo dos tcrrenos aforados como baldios
pela
Câmara deHisboa,
oupelo
antigo
SenadoMunicipal.
situados na área dos novosconcelhos,
fícavam a pertencer ãrespectiva
Câmara. ao mesmo tempo que os terrenoscompreendidos
na marinha dacidade de Hisboa e seu termo.
adjacentes
ao territorio do novo concelho. fícavam da mesma forma.pertencendo
å nova edilidade. para serempossuídos
por estas com os mesmos direitose restricôes com que osdctivera a CâmaraMunicipal
deHisboa'
.A Câmara dosOlivais continuava. eontudo. com difículdades na obtencâo de um
edifício para os Pacos do Concelho. Tendo de deixar a
Quinta
do Fole eaproveitando
uma felizoportunidade,
mudou para opalácio
que fora domarquês
de Valenca, noprincípio
da Hstrada do l.umiar. eom uma fachada virada para oCampo
Grande.alugado
por Antônio Maria Couceiro. Ali esteve durante três anos, até voltardefínilivamente
parao seujá
conhecidoHargo
do Heão, n.°9,
em 1858.- O Município de Belém
Oconcelho de Belém, que fora criado
pelo
mesmo decreto de Setembro de 1852.teve umahistoria bastante mais atribulada do queados Olivais.
A procura de um edifício para a edilidade foi
igualmente
difícil. Foi tentadajunto
do Ministério do Exército a cedênciatemporária
do extinto Convento daBoa-Mora. O edifício estava em obras para aí se instalar um
Hospital
para mililares (que aindahoje
existe).
consislindo opedido
da Câmara de Belém numa sala apenas. Aresposta acabou por vir do
prôprio
Marechal Saldanha que, adivinhando a passagem doprovisôrio
a defínitivo. recusava a cedência dasinstalacbes14.
Apenas
em 1855. foiconcedido o edifício nacional que fora do
Duque
de Palmela, na Rua dosQuartéis.
Contudo. foi ao nível do combatepolítico
que a edilidade de Belém foi mais notoria. Para tal,ajudou
com certeza ter á frente dos destinosmunicipais
AlexandreHerculano.
I:
Lei de5 de Agostodc 1854.
L'
Lei dc 9deAgostode 1854.
14
IA-TT. Ministério do Reino. 3" Dir.2a Rep.. Proc.429, L. 13. Mc. 3403.
As
primeiras
eleigôes
realizadas em Novembro de 1853 foram anuladas. paraespanto
geral.
por acôrdão do Governo Civil a 20 de Dezembro. 0Português
lez ecodessa surpresa ao referir que «as
irregularidades
dequalquer
elcicaomunicipal
nãolevam em regra muitos dias a examinar,
quando
não há protestos. 0 silêncio das auloridades sobre os motivos daanulayão
das eleicôes. é uma acusaci.oeioquente
aosmembros da Câmara
Munieipal
de Hisboa ou aos seusdelegados.
quepresidiram
åsrespectivas
mesas eleitorais. Se o vício consistisse apenas napreteriyão
dealguma
solenidade. na
adopcâo
dealguma
fôrmula menos conlbrme a lei. os editais para as novas eleicbes mencioná-lo-iam para se evitar a reincidência. 0 caso deve ter sido seno. »As relacôes entre a nova edilidade e a Câmara
Municipal
de Hisboa foram quascsempre caracterizadas por tentativas. por
parte
daprimeira.
de afastar a inlluênciaeconômica e
política
dacapital.
A CâmaraMunicipal
dc Bclém desde cedo tenlou verreduzidas as tributacbes devidas tanto â Câmara de Hisboa
(enquanto.
o Governo nåodecretou o
contrário)
como ao Govemo. no caso das carnes verde.s. Hsta luta porprivilégios
-que em parte
conseguiu. principalmente
com Alexandre Herculano â frentedos destinos da edilidade - teriao seu
augeem 1855.
Herculano. como acérrimo defensor do
municipalismo
e daindependência
doscorpos
municipais
emrelac^âo
ao governo central. vêsurgir
num eonfíito eom o comandante doCorpo
de Artilharia, estacionado nacalyada
daAjuda.
umpretexto
para queaautoridademunicipal
fosse umarealidade e não uma abstraceãolegitimada
apenaspor um
papel.
0 braco de ferro iniciado com asimples colocayão
de um candeeiro emfrente âporta de armas do
quartel.
teria como resultado fínal adissoluyâo
da Câmara deBelém e oafastamento de Herculano dos
negôcios
daedilidade.A 1 7 de Outubro de 1855, o Governador Civil de Hisboa. Conde da Ponte envia ao Ministro do Reino o relatôrio. em que descrcvia de forma resumida os
acontecimentos sucedidos a 13 de Setembro do mesmo ano. O relatôrio da Câmara
Municipal
de Belém que estava anexo â missiva, era mais extenso e descrevia osacontecimentos da
seguinte
forma:«0ntem. 13 de Setembro colocava-se o último dos colunelos que sustentam os
eandeeiros na parte inferior da
calyada.
0 sítiodesignado
para a eolocaeãodaqueie
colunelo fíea
prôximo
da extremidade de um dos edifícios da Casa Real deslinadoOPortugucs. 3de Janeirode 1854.n." 222.
ultimamente para
quartel
da tropa. Osoperários
da Câmaraproeederam
a abrir a covapara assentar o marco: uma sentinela que se achava
prôxima
ordenou-lhes que cessassemimediatamente,
porque também recebera ordem para nao consentir a obra.Comunicado esse lacto
singular
ao Vereador Fiseal. este mandou ao Mestre das Calcadas que ibsse eleprôprio
continuarotrabalho,
dandoparte
do resultado. 0 mestredas calcadas recebeu a mesma intimidacâo da
sentinela,
quepositivamente
que declarou que não toleraria aninguém
que bulissenaquele lugar.
Avisado do que se passava. oVereador Iisc_.il
dirigiu-se
ao sítio da contestacão. Disse â scntinela quem era. que setratava de
eumprir
uma deliberacão da câmara e que eraindispensável
colocar-se ocoîunelo. A sentinela declarou-lhe que recebera ordens terminantes e que
empregaria
aforya.
se o dito vereador fiscal mandasse continuar a obra. Podia haver nisto umainlerprelayão
errada da sentinela. 0 vereador físcaldirigiu-se
ao Comandante da Guarda. Hsterepetiu-lhe
a mesmadeclarayão, repetindo
também as ameacas. Eraportanto evidente que esse
procedimento
nascia de ordenssuperiores.
Nãoquerendo
expor-se a si
proprio
a uminsulto,
ou osoperários
a seremespancados.
cedeu â forca maior. Hste acto de brutal violência não carece de comentários. Se a câmara nãoexigisse
umareparacâo
completa
por semelhante ofensa seriaindigna
da confianca dosseus eomitentes e
perderia
toda a autoridade moral para i'azer executar as suasdisposiyôcs.
Se â forcapública
forpermitido
obstar com mao armada aocumprimento
de
legítimas
deliberacôes demagistrados
administrativos,
o povoaprenderá
facilmenteessas
licôes
deanarquia
dadaspelos
agentes dopoder
público,
e mal da sociedade.quando
ele as tiver decorado. A câmarade Belém desacatada, e moralmente anulada poresta inaudita
agressão.
resolveu comunicaro facto a V. Ex." e adeliberayão
que tomou.sejam
quais
I'orem asconsequências
que daí possamprovir.
desuspender
o exercíciodas suas funcôes. até que o Governo
haja
de lhe dar umaplena
reparacâo.
retirando daefectividade do
serviyo
oofícial,
ou ofíciais que ordenaram o atentado, ou de prover deoutro mododissolvendo amesma
câmara.16»
A resposta
partiria
do Ministério da Guerra por estar envolvido um sentinela deum
quartel.
Afírmava-se emprimeiro
lugar
« nâopode
achar criminalidade em umasentinela que cumpre as ordens que lhe são dadas,
pelo
contrário, aehameonvenicntíssimo quc
qualqucr
indivíduo e muito niais, levcslido de autoridade.procure
polémicas
com uma sentinela(...)»;
emsegundo lugar.
que « o mareo colocado'"
IN-TT. Ministério do Reino. 3;iDir. 2a Rep.. Decreto de 1()/| 1/1855
quase em frente da
porta
dopicadeiro
delanceiros,
como o que seprojeclava
colocaremfrente da
porta
principal
doQuartel
de Artilharia, é inconvenientíssima a suaposicao
para o
serviyo
dopicadeiro
e muito mais para o de Artilharia(...)»
e por último. «(...)manda admoestar o
engenheiro
e recomenda atodos,
quc sempre que sederemquestdes
semelhantes não
seja
oengenheiro,
nem o comandante do corpo que as resolva com aforca â sua
disposiyão.
aqual
deve somente ser empregue para manter a ordem esossego
público
».0
impasse
eslava criado. A Câmara dc Belém reunia-se deemergência
e ouviacom «assombro» a resposta do Ministério da Guerra. As
atribuiyoes
ecompetências
municipais
eramponto
de honra para a edilidade «a Câmara ordenara que sepraticasse
um acto quevigorosamente
estava dentro das suas atribuicbes. llm acto dc servicomunicipal,
em que não havia a menor sombra de ofensa contra o direitoparticular
deninguém,
nem sequebrara princípio
ou regraalguma
do direitopúblico
dopaís.
Hstcacto foi
impedido
com mão armada por ordem de umagente
depoder,
por um militar,que da comunicacâo do Ministério da Guerra se
depreende
ser um oficial doCorpo
deHngenheiros.
Semelhanteprocedimento
verifícado empúblico
diante de muitastestemunhas. sabido dentro de pouco
pelos
habitantes doconcelho,
trava desdelogo
ovalor moral a todas as
mamfestayôes
de autoridade quedemandassem
da câmara. (...)». Opresidente
daCâmara,
Alexandre Ilerculano. em carta enviada ao Governo. atravésdo Governador
Civil,
anunciavaque asentinela e o ofícial doCorpo
deEngenheiros
que se tinham envolvido napolémica,
se fossemjulgados
pelo
«crimeque haviam
praticado.
segundo
oartigo
186 doCodigo
Penal,
aprovado
em ditadurapelo
Governoque agora não dava
resposta»
seriam condenados aodegredo
para aíndia.
Considera ainda que «acâmara não se intrometeu nas
atribuiyôes
do governo, de que fícava livreintegrar
ounâo o
negôcio
com opoder
judicial.
o que vinha a serindispensável
era faz.ercurvar
quanto antes a forcadiante do
direito,
mudar semsentenya
umademonstracão
suprema,
inteligível
para opovo e ofícialmentepública.
de que o governo sabe, dentro dos limitesque
impôe
a constituicão doEstado,
reprimir
aanarquia.
venha ela de onde vier;o que
cumpria
era habilitar desdelogo
a câmara, parafuncionar,
coisa moralmenteimpossível
antes da
reparac-âo.
não sô no sentido da câmara, mas tambémsegundo
parece no que
V.a Ex.a e o
prôprio
Governo. quc ainda atéhoje
nao eondenou oproccdimcnto
dcla, oquc
cumpria.
se reputusseirregular».
'
Fonte citada.
0 Ministério da Guerra considerava as
exigências
da Câmara de Belém.«absurdas e desnecessárias». O Govemador Civil. ao verificar o
impasse
a que seassistia
pedia
ao Governo que, «do que deixo exposto é conhecido que a adminislracâomunicipal
de Belém se achacompletamente
abandonada há mais de um mcs. com graveprejuízo
dos interesses domunicípio
eaté da salubridadepública.
visto teremparado
asobras decncanamento que haviam comecado na
respectiva praia.
Por isso tcnho a honrade solicitar de V. Hx.'' as
providencias
a lomar quejulgar
mais convenientese aeertadaspara fazer eessar este estado». A dissolucão acabou por ser concedida alravés de
Decreto de 10 de Novembro de 1855. O
presidente
da Câmara, Alexandre Herculanodesiludido. não voltariaadetercargos
municipais.
Anos mais tarde, o Govemador Civil de Hisboa enderecaria ao Governo.
diversas
peticôes
equeixas
contra a CamaraMunicipal
de Belcmi. A edilidade deixara de serpopular.
ao sucederem-se cada vez mais casos de abusos depoder,
desvios dedinheiro eeobrancas de
impostos
emexcesso.Balaneo
finalA reducão da área
geográfica
do concelho de Hisboa tevegrandes
implicacbes
ao nível administrativo, financeiro e na
prôpria
constituicão da massa eleitoral. Alegislacio
criada para os novos concelhos. transferindo acobran^a
deimpostos
paraestes, provocou um verdadeiro rombo nas financas
já
débeisda edilidade lisboeta. semconseguir.
todavia. satisfazer asnecessidades,
emespecial,
de Belém. Umexemplo
dessas medidas. foi o Decreto de 21 de Dezembro de 1852, que
repartia
pelos
trêsconcelhos a
quantia
atribuídapelos
cofrespúblicos
paraproverâiluminacão
ecalyadas.
Da
consignacão
anual de cento c vinte contos de réis que eram concedidos â CâmaraMunicipal
de Hisboa. dois contos, setecentos e trinta e três mil réis passaram a serentregues â câmara dos Olivais e seis contos. quatrocentos e sessenta e seis mil réis a
I o
Belém . Para os novos
municípios
asquantias
atribuídaspelo
Governo eram diminutas,especialmente
para Belém. O concelho dos Olivais, devido ao facto de serpredominanlemente
rural e com nma reduzida densidadepopulaeional.
nunca tevevontade,
porexemplo,
dc iluminar o seu espaco através dogás
(mantendo
a tradicional:'
Estes valoressâode aparentepoucaexpressâoporqueailumina<;âodos concelhosdeBelémeOlivais
nãoera agás- comoode I.isboa,
massimaazeite.
iluminacão de
az.eite).
Mas o mesmo não se passava com Belém. quepretendia
iluminacão fornecida
pela Companhia
Hisbonense de Gás e Electricidade. Além de terconcentrada indústria dentro dos seus novos limites. a densidade
populacional
doconcelho de Belém era muito maior. habitando nele
grande
parte da arisíocraeialisboeta. ou
seja.
umapopulayâo
maisexigentc
em termos de melhoramentos equalidades
do novoeoncelho.A falta de verbas para melhoramcntos
exigidos pelos munícipes alligia
lodos osconcelhos. mas mais do quc nunca. Hisboa. A
diminuiyão
de receitas por parte da câmara dc Hisboa, nâo cessou apartir
de 1852. Um dosexemplos
claros dessasdiliculdades. era a divida â
Companhia
Hisbonense de Gás e Electricidade. com valores naordem das centenas de eontos de réis, e apenas umempréstimo
autorizado å banca e arenegociacão
do contratoimpediram
o corte do fornecimento da iluminacãopúhlica.
No sentido de
ultrapassar
asprevisíveis
dificuldades financeiras porque a câmara deHisboa
poderia
vir a sofrer, o Govemo decretara acriayão
daAll'ândega
Municipal
deHisboa,
reunindo para isso aAlfândega
das Sete-Casas e a do Terreiro Público, numatentativa de
organizar
oprincipal
meio de fínanciamento da edilidade.Os benefícios que Belém e os Olivais retiraram da constituicão dos
respectivos
concelhos foram poucos. No caso dos Olivais. a aldeia da matriz estava cercada de
fazendas e não tinha espacx) para se desenvolver. O consequente desinteresse dos
grandes
proprietários
que caracterizavam o concelho por melhoramentos epela
política
local,
revelou.principalmente,
a sazonalidade das suas visitas foi apenas um reflexo dageografía
do concelho dos Olivais. A par disso. a concorrência das dezenas decapelas
particulares
â assistênciareligiosa
na matriz dos Olivais. bem como dos conventos emosteiros;
os caminhos intransitáveis e difíceis de percorrer durante o Inverno: osentido do povoamento marcado da
periferia
para o centro, devido âvizinhanya
dacapital;
e aposicão
de satélite lisboeta daprôpria
freguesia,
anunciavam aabsoryão
total. No casode
Belém,
o facto da área domunicípio
se confundir com a malha urbana deHisboa,
fazia desde cedoantecipar
o retorno aosantigo
limites ocidentais dacapital.
cujo
desenvolvimentopopulacional
e industrial se estendiaprecisamente
nessa direccãoe quea construcão do Aterro veio concretizar em parte.
A Câmara
Municipai
dos Olivaisreuniu,
pela
última vez nos Pacos do Concelhodo
Hargo
do Leâo. em 30 de Dezembro de 1886. A edilidade deu posse a 2 de JaneiroDezembro de 1885,
pela
reforma administrativa domunicípio
de Lisboa de 18 de Julho do mesmo ano epelo
decreto de 8de Outubro]q.
'■
lontecitada.n.°229, 12 de Outubro de 1885.
2.2 Evolucão c
transforma^ão
da cidadc.0
período
sobre oqual
nosdebrucamos
éparticularmente
importante
no querespeita
â cvolucão e transfonnacão da cidade. Acapital,
que estavaadministrativamente limitada
pela
estrada dacircunvalac-ão
e reduzida em área.pela
criacão dos concelhos de Belém e Olivais. continuava virada para o rio
Tcjo,
via para aHuropa
eo mundo.A modernidadc. o desenvolvimento, o progresso e a
regeneracão
desejada
pelo país.
espelhar-se-iam
na suacapital
c seriam as suas vereaeoes que mais lutariam por essesvalores. Hssa
eapital
estava efectivamente virada parao rio e, como a maioria ascidadeseuropeias
comerciais/marítimas,
era caracterizadapela
existência,
naprimeira
linha deedifícios ribeirinhos. de construcôes
ligadas
ao comércio e indústria. De facto. Hisboaenquadrava-se
neste molde. Percorrendo acapital
åépoca pelas
vias queacompanhavam
o Ieito do rioTejo.
verifícaríamos a existência no sentidoPoente/Nascente da cordoaria na
Junqueira;
dos moinhos de maré em Alcântara;Companhia
de Iluminacâo a Gás e muitas outras indústrias na Boavista. com as suachaminés
fumegantes;
Cais do Sodré.porto
dechegada
do comércio abastecedor deHisboa,
pejado
de pequenasembarca^ôes
de pesca, varinasapregoando peixe;
estaleiro naval na Praca do Comércio(topo Poente)
e daAlíandega
(topo Nascente);
caismarítimos dos terreiros do
Trigo
e do Tabaco erespectivas
dependências.
até aosterrenosdestinadosåfuturaestacåode Santa
Apolônia,
o Cais dos Soldados.Hisboa tinha como limiies urhanos neste
período.
oupalácios
ouquartéis.
como,por
exemplo,
o das Necessidades emAlcântara,
oquartel
emCampo
deOurique,
ospalácios
equintas
no Humiar. e osquartéis
no Desterro e SantaApolônia.
Para lá destcslocais. apcnas se observaria o campo cultivado.
polvilhado aqui
e além de pequenas moradias.Poderemos considerar três fases no crescimento
populacional
da cidade: umaprimeira,
até 1857. em que o crescimento dapopulacão
no seu total énegativo
ouprôximo
do zero, tendo como causasprováveis
a instabilidadepolítiea
e militar daprimeira
metade do século XIX e que culminacom o últimogrande
surtoepidémico
de febre amarela,naquele
ano; umasegunda.
desta última data até ao início da década deoitenta,
com um crescimentoprogressivo
mais intenso dapopulacão
urbana. frutosobretudo do fenômeno
migratôrio;
e. numa última fase. de 1880 apelo
menos 1910, um novoimpulso
nocrescimento com adescida da mortalidade infantil e o aumento da esperanca de vida. associadaa intensosfíuxosmigratôrios
para a cidade" .A
partir
de dados recolhidos do censo de1864,
verifíca-se que5,5
por cento dapopulacão
portuguesa
vivia em Hisboa(186.578
indivíduos).
num espaco com poucosquilometros
desuperfície.
Era elaramentea maior cidade dopaís.
Com o decorrer da cenlúria quase todas as
freguesias
centrais diminuiriam de residentes. enquanto as mais afastadas. para oriente e ocidente i zonas semi-urbanas com solos abundantes ebaratos,
economicamente mais atractivas. onde seimplantavam
indústriase passavam a rcsidiragrande
parte
dos trabalhadores aíempregues).
sofreram um crescimentopopulacional
acentuado. Também asfregucsias
a norte do concelho deHisboa.
regista
um acentuado crescimento com aumentossuperiores
a 100 poreento dosefectivos de residentes" .
Ao mesmo tempoque o
país
entrava numperíodo
de desenvolvimento tndustrial e econômico - fruto da acalmiapolítica
originada pelo Regeneracâo
- a CâmaraMunicipal
deLisboa,
procurava o progresso defendidopelo pronunciamento
do Marechal Saldanha. tentadoalcan^ar
e recuperar anos de atraso em relacio ås restantescapitais
europeias.
As
competências
camarárias em matéria deconstru^âo
estavamlegisladas pelo
Côdigo
Administrativo. destacando-se de entre elas:«dirigir
e fazer executar as obrasno concelho» e
«empreender quaisquer
obras novas por conta doconcelho,
tais como afeitura de caminhos.
estradas,
construgão
depontes,
catøadas,
fontes,
etc, do uso comum dos moradores(...)
abertura e alinhamento de pra^as e ruas»'~. Foi de facto âCâmara de Hisboa que couberam a maior
parte
das iniciativas de desenvolvimento e crescimento da urbe.Desde 1852. que acâmara
municipal
de Hisboa contavacom a existência de umpelouro
quegeria
os assuntos relativos aos espa^os verdes. Era da suaresponsabilidade
velar
pelos jardins
existentes: o Passeio Público, de iniciativapombalina;
a Aiameda de S. Pedro deAlcântara,
obra dos anosquarenta
do século XIX. e o Jardim da Estrela. iniciado em 1850. Aconcepcão
dejardins
fechados-por muros, ou
gradeamenlos
-eomeeava a ser substituída
pela
ideia da pracaajardinada. Aqui
verifíca-se aimporlacão
20RODRIGUES,
Teresa, Ibidem,. pág. 91.21
RODRIGUES. Teresa. Idem,pág. 55.
'"
Co/ecgãode Direitos eRegulamentos publicados duranteoGoverno daRegênciado Reino
estahelecidanallha Terceiru. I3Série.2aedicão. Pág.62. Lisboa. Imprensa Nacional. 1 836. pãg. 118.
de um modelo
inglês
da «square» ou daadaptacao
que dele se fez na ParisHaussmanniana. onde se optou por umasolucão de pequeno
jardim"~\
Comoexemplos
lisboetas,
temos o caso daPraga
doPríncipe
Real.ajardinada
entre 1859 e 1863 e. também. olargo
abertopela
demolicão deantigos prédios
e ruínas na zona entre oLargo
das DuasIgrejas.
a RuaLarga
de S.Roque.
a Rua do Loreto, a Travessa dosGatos e a Ruada Horta Seca, local da futura Praca deCamôes
-inaugurada
em 1 862 " .Contudo,
opelouro
dos «espacos verdes» erajá
insufíciente. numa cidade que sequeria
moderna, å semelhanca das restantes cidadeseuropeias.
Osprojectos
camaráriospara o embelezamento e melhoramento da cidade eram um dos
principais
elementosreferidos nas
campanhas
eleitorais queprecediam
aseleicoes
municipais
em Lisboa. Eradefendido o bom
gosto.
ainteligência
dos vereadores. porque sô assim sepoderia
ambicionar uma cidade modema. a par de outras
capitais europeias.
mas emparticular
de uma delas. Paris. Era esse
desejo
e ambieao queoriginavam
nosperiodicos
críticas comuns â actuacâo dealgumas
vereac-ôes, como aseguinte:
« E mister que nãotenhamos uma câmara que nos desfolhe a cada passo sobre a cabeca mil
pétalas
deflores exôticas, que nos
atapete
e arrelvc mimosamente o châo dosjardins
epasseios.
e que nos deixeprivados
das mais inocentes comodidadespúblicas.
É
necessário que novos tântalos no meio de um Edenmunicipal.
e aopé
doscopiosos
mananciais,
nosnão sequem as faces com
sede,
aponto
de nempodermos
entoar os louvores â câmara que nos felicita.Eleger
uma câmara para curar de «fuchsias» e de«bougainvillas», quando
nãohá
política
urbana,quando
ruas inteiras sãoespécimes arqueolôgicos
daantiga
Lisboa muculmana.quando
a iluminacão é mediocrementebrilhante,
quando
nâo há umaescola
municipal, quando
nâo há mercados sufícientes equando
a cidade está clamando porurgentíssimos aperfeicoamentos,
é o mesmo que decorar umpardieiro
desmoronado,
pondo-lhe
aopé
ospensiles
da Babilônia ou os maravilhososvergéis
da fabulosa Armida... Não queremos que na câmara o elementopuramente
artístico anule aideia decomodidade nos outros
pelouros
doregime
municipal
"VA Lisboa do início da
Regenera^ão
tinha um reduzido número de mascalcetadas, sendo as restantes de terra batida ou. as mais modemas, com revestimento Xfacadame. 0
pô
no Verâo erainsuportável,
tendo as ruas(pelo
menos asdaBaixa)
de"'
LISBOA. MariaHelena, OsEngenheirosem Lishoa. UrbanismoeArquitectura (1850-/930).Colecgão
Cidade de Lisboa. LivrosHorizonte, 2002.pág. 156-157.
24
Idem. Ob.Cit.
25O
Português., 12 de Novembrode 1853.n.° 178.