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DOUTRINA NACIONAL

O P Ç Õ E S LEGISLATIVAS P A R A U M A R E F O R M A TRABALHISTA

JOSÉ AUGUSTO RODRIGUES PINTO (*)

1. A necessidade de uma reiorma trabalhista e suas razões.

2. Modelos e caracteres de reiorma legislativa. 3. Adaptabilidade dos modelos clássicos ao fenômeno social do século XXI. 4. A me­

lhor opção para o Direito do Trabalho. 5. Conclusões.

1. A N E C E S S I D A D E D E U M A R E F O R M A T R A B A L H I S T A E S U A S R A Z O E S

Entre as prioridades das a g e n d a s nacionais, sobretudo as dos p o d e ­ res d o Estado e das classes produtora e trabalhadora, está anotada a da urgente

reforma trabalhista,

assim d evendo ser entendida u m a revisão extensa e profunda d o corpo d e n o r m a s reguladoras das relações individu­

ais e coletivas d e trabalho subordinado.

A s razões disso vão muito al é m d e interesses estritamente jurídicos e trabalhistas. Por elas r e s p o n d e m a espantosa revolução q u e abalou até se u s alicerces as estruturas do fenômeno social no século X X , forçando inexoravelmente o Direito a t a m b é m m u d a r toda a linha estrutural d e re­

gras d e condicionamento d a conduta individual e coletiva e m todas as suas áreas d e atuação, diante d o s novos figurinos q u e ve s t e m as relações de interesse h u m a n o n u m a escala mundial q u e n ã o poderia deixar d e proje­

tar-se n o o r d e n a m e n t o brasileiro.

C o n v é m advertir, nesse ponto, q u e a premência da revisão está lon­

g e de limitar-se a o Direito d o Trabalho, e m particular, n e m a o seu s e g m e n ­ to normativo. Fatores externos ao fenômeno

jurídico

lhe c a u s a r a m enor­

m e impacto, ora lhe exigindo decidida mutação. Entre eles, as violentas convulsões ca u s a d a s por duas grandes guerras, q u e subverteram u m a or­

d e m edificada sobre costumes, filosofias e padrões éticos brutalmente re-

(') D a A c a d e m i a Nacional d e Direito d o Trabalho e d a A c a d e m i a d e Letras Jurídicas d a Bahia.

(2)

movidos d a consciência dos indivíduos e dos grupos sociais, e a espanto­

sa explosão tecnológica determinante d e radicais transformações d o fenô­

m e n o econômico, defrontaram a ciência jurídica, à qual c a b e interpreta-las e discipiiná-ias, c o m o velbo dilema q u e a Esfinge nos propõe h á milênios:

decifra-me o u devoro-te.

V e m daí a febril atividade de atualização q u e está s e n d o imposta a todas as grandes ramificações d o Direito para compatibiliza-lo c o m u m a o r d e m social e e c o n ó m i c a radicalmente diversa daquela sobre a qual foi costurada, até o século XIX, sua estrutura reguladora, aproveitando linea­

m e n t o s e m alguns casos milenares.

O Có d i g o Civil e, n o s e u contexto, o Comercial, a c a b a m de ser su b s ­ tituídos pela recente Lei n. 10.046, de 10 d e janeiro d e 2002. O Código Penal, cujo o r g a m c i s m o sistêmico s e estilhaçou n a multiplicidade das e m e n ­ das, clama por u m a reconstituição modernizadora. O Direito Processual e todos os outros r a m o s p a s s a m pela m e s m a crise d e envelhecimento dos inúmeros estatutos q u e tentam u m a precária aproximação d e suas regras d e c o m p o r t a m e n t o h u m a n o c o m a modernidade q u e transpira n o caldeirão fervente d a sociedade deste início d o século X X L

N o particular d o Direito do Trabalho, a maior fonte de pressão por u m m o v i m e n t o renovador de princípios, doutrina e normas, exsurge de u m a inesperada m u d a n ç a d e posição h e g e m ô n i c a n a velha aliança celebrada entre a tecnologia e a ec o n o m i a n a

1S Revolução Industrial

dos séculos X V I U e XIX, seu nascedouro. Aliança q u e propiciou u m a reiação inicial de cumplicidade entre o trabalhador e a máquina, inoperante s e m o seu c o n ­ curso, contra o patrão, d a n d o m a r g e m a u m direito fortemente tutelar do trabalho h u m a n o e m face do capital. Aliança que, n a m e d i d a d o incremento tecnológico, substituiu a cumplicidade pela competição entre a m á q u i n a e o trabalhador. Aliança que, por fim, q u a n d o a tecnologia passou a dominar a economia, a ponto d e retificar para

Revolução Tecnológica

o n o m e de batismo da

Revolução Industrial,

tornou antropofágica a relação d a m á ­ quina c o m o trabalhador, deglutido pela a u t o m a ç ã o q u e devora o e m p r e g o e exclui socialmente parcelas ca d a vez maiores de sua fonte, privando-a d o seu m e i o de subsistência.

A dramática m u d a n ç a d o com p l e x o das relações d o trabalhador c o m a e m p r e s a e c o m a m á q u i n a e, por via d e consequência, do trabalhador e d o empresário entre si, m u d o u radicalmente o conteúdo e c o n ô m i c o da reiação jurídica d e trabalho neste recente

fin de siècle,

sob a veste da

globalização.

N o s e u rastro, o f e n ô m e n o social trabalhista c e d e à

flexibi­

lização

ou, peio absurdo desejo d e alguns, deverá ceder à

üesregula- mentação.

Ai está, s e m n e n h u m a dúvida, a causa d a premência d a

reforma tra­

balhista,

q u e v e m a ser a nova construção normativa da relação d e traba­

lho subordinado, n o intuito d e coloca-lo à altura dos seus pressupostos econômicos e sociais.

Realiza-la implica du a s ordens d e preocupações: u m a , d e

conteúdo,

ou seja, do

q u e fazer,

outra, d e forma, ou seja, do

c o m o fazer.

A atenção

d o nosso trabaiho, n o mom e n t o , está voltada para esta última.

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180 REVISTA D O T R T D A 15a R E G I Ã O — N. 22 — J U N H O , 2003

2. M O D E L O S E C A R A C T E R E S D E R E F O R M A L E G I S L A T I V A

A construção d e qualquer sistema de n o r m a s e m torno d e determina­

d a matéria jurídica se t e m fundado, tradicionaimente, n u m destes três m o ­ delos disponíveis a o legislador:

código, consolidação

o u

legislação esparsa.

Eles têm e m c o m u m

a propriedade de articular d o conteúdo da disci­

plina sob tratamento, até lhe dar consistência sistêmica. Distinguem-se pelo

procedimento o u m o d o d e fazer a articulação.

Através d o s caracteres de c a d a

procedimento,

claramente revela­

d o s pela tríade f ormada por

propósito, a m b ição

e

resultado,

c h e g a r e m o s s e m dificuldade à inteligência d e ca d a modelo.

Partindo daí, ver-se-á q u e o

propósito d o código é emprestar lon­

g a estabilidade à sistematização d a matéria ordenada,

assim entendida a mais longa imutabilidade, n o tempo, das regras concebidas. Neste ponto, o

código é

u m m o d o d e

sistematização

q u e

se

encontra c o m a vocação conservadora o u sedimentar d o direito.

Logo, s u a

a m b ição é aprisionar o m o m e n t o d o f e n ô m e n o social cristalizado e m su a norma,

conservando-o invariável até a i é m d o seu pró­

prio tempo, se isso for possível.

S e u inevitável

resultado è a

tendência a o

e n g e s s a m e n t o

dos fatos sociais pelo Direito, por aç ã o d a resistência à revisão

da norma,

n o exato significado d e

atualiza-la

c o m a sociedade q u e evolui

e m u d a

a despeito dela.

Esta análise faz ver, a todas as luzes, q u e o

código

n ã o é u m instru­

m e n t o a d e q u a d o à tentativa d e articulação sistêmica daquilo q u e chamarí­

a m o s d e áreas novas do Direito, e m processo d e constante transformação, n e m do próprio todo jurídico, nos estágios evolutivos particularmente rápi­

d o s e nervosos d a sociedade q u e lhe c a b e conter c o m s u a disciplina. E m a m b a s as hipóteses, forma-se o contraste d a ambição sedimentar d o

código

c o m a intensa

mutabilidade

d e r a m ó s nascentes o u de m o m e n t o s sociais particularmente inquietos. Falta-lhe exatamente a flexibilidade f u n d a m e n ­ tal à adaptação d e s u a própria forma às m u d a n ç a s dos f e n ô m e n o s cuja dinâmica lhe i n c u m b e condicionar.

Noutro aspecto o

código

substancia, por excelência, u m a

atividade criadora d e n o r m a s pelo legislador.

Ainda q u e para a s u a criação c o n ­ tribuam fortemente os subsídios invariavelmente procurados na interpreta­

ção pelos juristas e pela jurisprudência da n o r m a a ser substituída, n e ­ n h u m c o m p r o m i s s o existe c o m sua repetição ou sequer influência n a co n s ­ tituição d a n o r m a q u e a substituirá. Portanto, todo

código,

e m s e u nasci­

mento, t e m fortes traços d e inovação d o Direito, q u e só irão perder-se na resistência a o t e m p o e às m u d a n ç a s q u e ele i m p õ e à vida, inclusive d a sociedade h u m a n a .

J á a

consolidação,

confrontada c o m a tríade antes referida (ver n.

2), reage de maneira diferente, q u e reaíça s e u caráter e permite estabele­

cer seu conceito, a m b o s diferentes dos relativos à codificação.

(4)

C o m efeito, e m termos d e

propósito,

a

consolidação

n a d a faz al é m d e

sistematizar legislação esparsa pré-existente.

S o b este aspecto, por­

tanto, há u m ponto d a aproximação entre os dois modelos (a

organização sistêmica da matéria

a dtsc/plinar) e outro d e irredutível separação (a

atividade criadora da norma, que

caracteriza o

código

e descaracteriza a

consolidação.

Logo, e m termos da

ambição,

tudo q u e a

consolidação

deve a l m e ­ jar é emprestar à plasticidade das n o r m a s esparsas u m a continuidade sis­

têmica decorrente d e a l g u m a rigidez de articulação q u e as interliga logica­

mente. Diante disso, n ã o nos parece inadequado dizer q u e a

consolida­

çã o é

exatamente u m meio c a m i n h o entre a disciplina solta d a

legislação esparsa e

a disciplina sistematizada d o

código.

A conseqüência da indefinição, e m termos de

resultado,

é a tendên­

cia para o alongamento dispersivo d o conjunto normativo.

Deve-se o alongamento dispersivo, de u m lado, à absorção d e regras dispensáveis a o conjunto, e d e outro, à freqüência indesejável d e altera­

ções do texto já consolidado, ora por meio d e legislação complementar.

E x e m p l o s d o s dois tipos d e inconveniente, entre nós, s ã o as Leis ns.

605/49 (repouso s e m a n a l remunerado), 3.207/57 ( e m p regados v e n d e d o ­ res viajantes e pracistas), 5.107/66 e 8.038/90 (FGTS).

D e outro lado, deve-se à m á inserção de textos no sistema original, c o m o d e m o n s t r a m as Leis ns. 9,957 e 9.958 (artigos 852-A/852-I e 625-A/

625-H d a CLT).

Por fim, proporciona a esquisita mistura d e matérias estranhas entre si, a e xemplo da regulação do trabalho aos dom i n g o s n a Lei n. 10.101/00, q u e trata d a participação dos e m p r e g a d o s nos lucros e resultado d a e m ­ presa, e d o b a n c o d e horas na Lei n. 9.601/98, q u e regula o contrato de duração determinada.

A

consolidação

abre t a m b é m a perspectiva de absorção d e n o r m a s já envelhecidas e d e consequente incremento d e e m e n d a s do texto global.

T u d o isso tanto p o d e ser verificado, ainda hoje, na CLT, c o m o já o fora na antiga Consolidação d a s Leis d a Previdência Social, d e 1960.

A

legislação esparsa,

finalmente, tem por

propósito o

a c o m p a n h a ­ m e n t o

pari passu

das m u d a n ç a s sociais q u e ex i g e m discipiina através d a n o r m a jurídica.

Es s e desiderato revela a evidente

a m bição

de constituir u m proces­

s o de (quase) absoluta d e atualização normativa — destinando-se o advér­

bio entre parênteses a fazer ver que, por mais ágeis q u e sejam os mo v i ­ m e n t o s d o legislador, a s mut a ç õ e s sociais a n d a m , s e m p r e adiante dele.

O

resultado

a q u e ela c h e g a é u m a desarticulação crônica das leis,

tendo e m vista q u e os fatos sociais n ã o evoluem dentro d e u m a o r d e m

rigorosamente metódica, m a s a o contrário estão sujeitos a impulsos d e s ­

c onexos e, n ã o raro, imprevisíveis, q u e o legislador é incapaz de a c o m p a ­

nhar, se estiver rigidamente atrelado à sincronia lógica tão indispensável

a o b o m rendimento das regras d e conduta jurídica.

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182 REVISTA D O T R T D A 15a R E G I A O — N. 22 — J U N H O , 2003

A consequência dessa particularidade avizinha o processo de forma­

ç ã o da

legislação esparsa

c o m o

direito consuetudinario,

cuja proprie­

d a d e mais marcante é a solução d o s casos à m e d i d a q u e se manifestam, até q u e s e cristalizarem n u m a determinada forma iterativa de conduta pela aceitação d e certos efeitos.

S e n d o esse o quadro clássico dos

m o d e l o s legislativos,

torna-se pertinente indagar: qual a escolha mais apropriada para u m a reforma de d i m e n s ã o e profundidade significativas da legislação trabalhista brasileira, sabido ser Impostergável a necessidade de faze-fa na diiação mais curta possível?

Para chegar a u m a b o a resposta é preciso primeiro especular sobre a adaptabilidade dos três

m o delos

praticáveis às fortes turbulências q u e a b a ­ laram até o s alicerces as estruturas d o

f e n ô m e n o social no

século XX, desnorteando o

f e n ô m e n o jurídico

q u e c h e g a ao século XXI desespera­

d a m e n t e necessitado d e revitalizar-se para conter se u s efeitos dentro d e limites m i n i m a m e n t e civilizados. Dela faremos o objeto do item seguinte.

3. A D A P T A B I L I D A D E D O S M O D E L O S C L Á S S I C O S A O F E N Ô M E N O S O C I A L D O S É C U L O XXI

Este passo prospectivo d o nosso trabalho s e destina a estabelecer a capacidade d e adaptação d e c a d a m o d e l o clássico d e elaboração d a nor­

m a jurídica a o

m o d o c o m o se

está manifestando o

f e n ô m e n o social

neste início d e século.

Dois traços d o seu perfil se

aliguram veementes,

a

rapidezes insta- bllidade.

Traços, aliás, q u e se u n e m c o m facilidade, e m face d a correspon­

dência intuitiva entre a velocidade e a precariedade d e equilíbrio d o movi­

mento.

D a

instabilidade social o

significado q u e os léxicos nos d ã o é d e

“fase d e transição entre desorganização e reorganização social”. S e b e m observada a História mais recente da civilização, o século X X está perfeita­

m e n t e ajustado a o sentido léxico d e grande desorganização social, devida principalmente a dois sangrentos conflitos d e envolvimento universal, à alternância d e h u m o r político q u e entronizou e derruiu poderosos regimes d e extrema direita o u esquerda, exaltou a ética democrática e execrou suas cruzadas supostamente

libertárias, c o m o a do Vietnam e, agora mesmo, a

d o Iraque. E s s e conjunto d e acontecimentos profundamente traumáticos i m p ô s reviravoltas completas a padrões éticos estabelecidos, q u e afetaram relações individuais, familiais, nacionais e internacionais.

Enfim,

iast but not least, o impacto

foi completado pela explosão tec­

nológica demolidora d e todo o anterior quadro estável de relações e c o n ô ­ micas e laborais.

E s s a desorganização, saliente-se b e m , n ã o é tópica, e m b o r a atinja

e m escala

diferenciada d e intensidade as nações de estrutura organizacio­

nal mais sólida e outras mais frágeis ou simplesmente desestruturadas,

sobretudo por ser a m p a r a d a de m o d o mais decisivo no poderio econômico.

(6)

Por isso m e s m o , e m b o r a nossa preocupação imediata s e volte para o problema brasileiro, a reformulação legislativa é u m a exigência q u e se e s ­ praia por todos os quadrantes. E, e m suma, u m esforço d e sobrevivência d o Direito, pelo r e e x a m e dos seus próprios fundamentos c o m p o s t o s por princípios e doutrina, para lograr u m a

reorganização social

q u e m a n t e ­ n h a viva s u a missão d e equilibrar mediante regras imperativas d e conduta a convivência social.

U m a correta avaliação d e posltividade desse esforço exige o cotejo dos tipos clássicos d e ad o ç ã o possível para u m a reforma legislativa e m profundidade, n o intuito d e verificar a

adaptabilidade

d e c a d a u m à insta­

bilidade das atuais instituições e à contribuição c o m q u e será c apaz de concorrer para o resgate de seu equilíbrio, muito significativo para a reor­

ganização certamente desejada por todos os h o m e n s d e b o a fé.

Examinemo-los u m a um.

a) O

código, por seu caráter sedimentário, naturalmente conserva­

dor, n ã o responde b e m aos estímulos reclamados por u m a reforma legisla­

tiva trabaihista, neste mo m e n t o . Trata-se de u m m o d e l o que, além de exigir, por sua extensão e complexidade textura!, u m a discussão muito prolonga­

da, se mostra incapaz d e a c o m p a n h a r o ímpeto evolutivo Imprimido a o

fe­

n ô m e n o social

e m nosso tempo.

E s s e ímpeto diminuirá drasticamente a expectativa d e vida útil de qualquer

código d o trabalho,

contrapondo-se à natural conformação d e s ­ s e instrumento para a longevidade. A conseqüêncla será o surgimento mais e mais frequente d e e m e n d a s que, na continuidade, c o m p r o m e t e r ã o sua virtude sistêmica e dificultarão a o intérprete compreende-lo e apiica-lo.

O e xemplo d o Direito Civil, muito mais sensível a o conservantlsmo do q u e o Direito d o Trabalho, geneticamente revolucionário, está aí m e s m o para edificar o raciocínio. S e u projeto, discutido por longos vinte e cinco anos, d e s a g u o u n u m a normatização envelhecida no nascimento, porque ultrapassada e m muitos pontos e omissa e m outros, conforme a denúncia d e inúmeros respeitáveis civilistas contra a Lei n. 10.046/00, q u e o apro­

vou. Isso a s s u m e inegável foro de verdade e m face das primeiras tentati­

vas de emenda-lo, antes m e s m o d e completar u m a n o d e vigência.

E s s a Incapacidade de auto-atualização incita o P oder Judiciário a buscar, através d a jurisprudência, a título d e interpretação, o q u e nos per­

mitimos c h a m a r de

suprimentos legislativos,

c o m o vemos, para dar u m só e xemplo nas resoluções ou instruções normativas q u e retraçaram, no âmbito d o STF, S T J e TST, o rito do recurso d e Agravo d e instrumento.

b) A consolidação,

e m b o r a se mostre mais vantajosa pela plasticidade mais a d e q u a d a à satisfação d a permanente necessidade de atualização, é repetidamente exigida para modificar-se, a fim de ajustar-se a conjunturas d e velozes transformações d o

f e n ô m e n o social.

Isso a despoja d e sua virtude axial, q u e é a sistematização ampla de legislação originária esparsa.

N o s s a própria C L T é, atualmente, emblemática, n o particular. Malgrado

sua natureza, n a verdade,

híbrida,

devida a o fato d e e m sua elaboração

(7)

184

ter sido exercitada a m p l a atividade criativa d e normas, característica do

código,

conforme depoimento d e seu único compilador sobrevivente, o eminentíssimo Ministro

Arnaldo Süssekind,

lhe tenha assegurado sobre­

vida digna d e u m texto codificado, o certo é que, hoje, n ã o passa d e u m a costura de retalhos desconexos e n e m s e m p r e ligados pelos pontos certos.

Ilustremos nossa afirmação.

O que nos sobra, então, é u m a

consolidação completada por vasta legislação esparsa complementar,

de que são exemplos leis importantís­

simas para o Direito d o Trabalho e seu processo, tais c o m o as que regulam o repouso semanal remunerado (Lei n. 605/49), o F u n d o d e Garantia d o T e m ­ po de Serviço (Lei n. 5.107/66, ora substituída pela Lei n. 8.036/90), a c o m ­ petência d o T S T (Lei n. 7.701/88) e a ampliação d o c a m p o d e contratação do trabalho c o m duração determinada (Lei n. 9.601/98), entre tantas outras.

A o lado disso, ademais, perdeu-se o senso d e uniformidade d e crité­

rio, porque muitas outras leis, q u e teriam o m e s m o caráter de

c o m p l e m e n ­ tares da consolidação,

foram a ela incorporadas sob o pretexto de

s u b s ­ tituição de capítulos,

tais c o m o as q u e p a s s a r a m a regular as férias a n u ­ ais r emuneradas (Decreto-lei n. 535/77, q u e reformulou o Capítulo IV d o Título D), a segurança e medicinado trabalho (Lei n.6.514/77 q u e reformulou o Capítulo V do Título II) e as despesas processuais obrigatórias (Lei n.

10.537/02, q u e reformulou o Capítulo II, S e ç ã o II, d o Capítulo X).

Outras leis, entretanto, n e m se tornaram

complementares

n e m

s u b s ­ tituíram

partes d a CLT. Diversamente d e tudo isso, foram

aditadas

a o seu texto, tais c o m o a q u e passou a regular as c h a m a d a s

comissões de c o n ­ ciliação prévia

(Lei n. 9.958/00, que aditou os artigos 625-A/625-H), e a q u e instituiu o c h a m a d o

procedimento sumaríssimo (sic)

(Lei n. 9.957/

00, q u e aditou o s artigos 852-A/852-I).

Esses aditamentos, aliás, d e r a m m a r g e m à adoção d a nova e execrável técnica, estranha à nossa tradição legislativa, d e combinar letras e n ú m e ­ ros nos dispositivos legais. Pior d o q u e isso, n e m s e m p r e os enxertos fo­

r a m feitos nos locais apropriados, pois é d e ver q u e a matéria d a Lei n.

9.958/00 (

negociação indivíduaf)

na d a t e m que ver c o m o artigo 6 2 5 da C L T (

negociação coletiva)

para justificar q u e se torne u m a continuação dele. D o m e s m o modo, Lei n. 9.957/00, q u e institui o

procedimento s u m a - ríssimo (sic),

n a d a t e m que ver c o m o art. 852, q u e encerra o

proced i m e n ­ to (tomado) ordinário

por contraposição terminológica.

D e outro lado, tropeça-se constantemente, nessa ausência d e unifor­

m i d a d e d e critérios, c o m múltiplos enxertos d e matérias totalmente estra­

nh a s a o texto destinado a complementar, incorporar-se ou aditar a CLT. Por exemplo: n a Lei n. 9.601/98, q u e regula u m

contrato d e duração determi­

nada,

trata-se d o

b a n c o d e horas

; n a Lei n. 10.537/02, q u e regula

d e s p e ­ sas processuais obrigatórias,

trata-se d o

trabalho e m dias de domingo.

É claríssimo q u e a CLT, elaborada para reunir sistematicamente a legislação esparsa q u e existia até a d é c a d a d e 3 0 d o século passado, cujo relevante fim histórico — assegurar a transição pacífica das relações de

REVISTA D O T R T D A 15a R E G I Ã O — N. 22 — J U N H O , 2003

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trabalho d a eco n o m i a rural para a industrial — foi cumprido g a l h ardamen­

te, sofre c o m o declínio inglório d e texto ininteligível. Mas, justamente por isso, s e converte n u m e m b l e m a vivo da inadaptabilidade d a

consolidação

às reformas legislativas trabalhadas sobre estágios d e alta rotatividade do

f e n ô m e n o social,

c o m o o q u e e stamos vivendo.

c) A legislação esparsa

oferece, e m tese, dois inconvenientes irremovíveis: dificulta a consulta e a aplicação das normas, pela óbvia difi­

culdade d a própria localização, e elimina toda possibilidade d e articulação sistêmica.Tais inconvenientes se agravam, e m concreto, q u a n d o se deseje disciplinar pela n o r m a u m c a m p o tão extenso e complexo de relações jurí­

dicas c o m o o alcançado pelo todo d o Direito d o Trabalho, envolvente de interesses individuais e coletivos d e direito material e d e conflitos muitas vezes s ó resolúveis na área d o direito formal, acrescido, ademais, nos dois segmentos, d e forte conteúdo e c onômico e de fortíssimas repercussões sociais. N e s s e s casos, a fórmula d a legislação esparsa passa a ser virtual­

m e n t e impraticável.

4. A M E L H O R O P Ç Ã O P A R A O DIREITO D O T R A B A L H O

A análise q u e a c a b a m o s d e fazer produziu-nos o sentimento de impasse, e m t e r m o s d e escolha pelo jurista, entre os tipos clássicos d e solução legislativa, o mais adaptável a u m a reforma profunda e, ao m e s m o tempo, funcional d a legislação trabalhista.

C u idadosa reflexão sobre os inconvenientes d e c a d a u m a das vias disponíveis terminou ievando-nos a o q u e c h a m a r í a m o s d e quarta

via,

para usar expressão feliz figuração d e estadista c o n t e m p o r â n e o m e n o s feliz, q u a n d o lhe c o u b e criar vias alternativas para a truculência e a d e s u m a n i ­ d a d e de u m a guerra inexplicável.

À via alternativa q u e nos esforçamos por encontrar c h a m a r e m o s de

legislação setorial

o u

setorização legislativa.

Ela p o d e n ã o ser perfeita, m a s nos parece juntar as principais virtudes, eliminando o u pelo m e n o s minimizando o s piores defeitos d a s outras fórmulas.

P o d e m o s expô-la d e m o d o absolutamente esquemático.

Partamos d o c o m e ç o de q u e o Direito d o Trabalho, enquanto ra m o típico d a ciência jurídica, deve ser olhado c o m o u m todo internamente bi­

furcado e m

direito material

e

direito processual.

C a d a u m desses ata­

lhos, por s u a vez, é repartido, d e acordo c o m a especificidade das matérias q u e lhe toca disciplinar.

Assim, o

direito

material, nicho dos interesses jurídicos substan­

ciais, abriga d u a s espécies distintas d e relações, a

individual

e a

coletiva,

a m b a s exigindo a disciplina normativa de

sujeitos

e

instrumentos,

que

são, respectivamente,

empregado, e m p r e g a d o r (ou empresa) e contrato individual de emprego,

n a relação individual, e

associações sindicais (profissionais e econômicas), empregadores (ou empresas) e ajustes normativos,

n a relação coletiva.

(9)

186 REVISTA D O T R T D A 15a R E G I Ã O — N. 22 — J U N H O , 2003

A seu turno, o

direito processual,

nicho d a solução dos conflitos d e interesses substanciais, individuais o u coletivos, desbordados para o s

dis­

sídios (ou lides),

exerce atividade e m três áreas correspondentes à provo­

c a ç ã o e ao resultado q u e o s dissidentes o u litigantes pretendem: a d e

cog­

nição (ou conhecimento),

essencialmente investigativa d e fatos para cer­

tificação d o direito, a d e

execução (ou executiva/executóría),

essencial­

m e n t e

coerciva d o vencido pela

certificação

do direito para satisfaze-lo, e a cautelar,

essencialmente preservativa d o b e m objeto d o direito disputado n a área d e cognição ou de execução, a fim d e entrega-lo incólume àquele que, a final, deva tê-lo.

U m a vez classificadas metodicamente as repartições d o todo c o m ­ posto pelo Direito do Trabalho, para efeito d e s u a disciplina legislativa, a idéia é e m lugar d e disciptiná-lo e m

bioco,

o q u e fevaria a u m complexo

Código d o Trabalho,

o u a dois complexos códigos, o

d o trabalho

e o de

processo d o trabalho,

ou ainda d e elaborar as n o r m a s ao sabor das ne ­ cessidades sucessivas para, após, compacta-las sistematicamente, o q u e levaria a u m a nova

Consolidação das Leis d o Trabalho,

elaborar u m a

legislação setorial,

de acordo c o m o e s q u e m a divisório das matérias, para imprimir a c a d a setor a m e d i d a d e profundidade normativa q u e reclamar.

E m desenvolvimento d a idéia, a primeira das leis deverá ser a de

Introdução,

destinada a enunciar os grandes princípios definidores das bases legislativas dos setores seguintes, d e direito material e processual, tais c o m o os relativos à tutela social d o e c o n o m i c a m e n t e fraco, a o papel categorias profissionais e econômicas n a formação d os pactos normati­

vos, e de trabalhadores e emp r e g a d o r e s (ou empresas) n a formação dos ajustes individuais, à posição d o Estado c o m o garante do cumprimento das n o r m a s coercivas d e interesse social. Esta seria, c o m o é possível perce­

ber, u m a lei-síntese dos grandes parâmetros dos dois c a m p o s surgidos da bifurcação d o Direito d o Trabalho e m

material e processual.

O setor seguinte, compreensivo do Direito Individual d o Trabalho, c o m ­

portaria du a s leis específicas: u m a para cuidar da disciplina dos

sujeitos da relação jurídica de trabalho subordinado (empregado o u trabalhador e e m p r e g a d o r o u empresa),

desde a fixação d a capacidade para o

n e g ó ­ cio jurídico trabalhista

e da sanção por seus vícios; a outra, dos

instru­

m e n t o s d o negócio jurídico trabalhista

na s u a formulação geral ou e m formulações especiais.

N o setor o c u p a d o pelo Direito Sindical e Coletivo do Trabalho repetir- se-ia o m e s m o método, ou seja, u m a lei estabelecendo os parâmetros d a formação e atuação dos

sujeitos da relação coletiva (associações sin­

dicais, e m p r e s a s e empregadores),

vale dizer o

Direito Sindical propri­

a m e n t e dito,

a s e g u n d a sistematizando e disciplinando os

instrumentos d a negociação coletiva (pacto social, contrato coletivo, con v e n ç ã o coletiva, acordo coletivo d o trabalho, regulamento da e m p r e s a etc.),

vale dizer, o

Direito Coletivo d o Trabalho.

(10)

A m e t a d e representada pelo

Direito Processual

no todo d o Direito d o Trabalho t e m u m a divisão ainda mais intuitiva d e setores para a elabora­

ção d a legislação sistêmica, e m vista d o caráter naturalmente metódico do processo.

C h a m a - s e a atenção, e m primeiro plano, para a conveniência d e se ­ parar

processo

e

organização judiciária,

dizendo respeito esta última a p e ­ nas à estrutura d e Poder destinada a aplica-!o. T e m o s sublinhado, s e m p r e q u e possível, c o m o agora, q u e a

organização judiciária

e o

processo

se m o s t r a m aos nossos oihos c o m o m a r g e n s opostas d e u m rio, ligadas por u m a única ponte, a

jurisdição,

q u e conecta as respectivas matérias. A s e ­ paração, aíiás, prevaleceu s e m p r e no processo c o m u m , inclusive s o b

o

aspecto constitucional d a competência para legislar, entregue à União para o

processo,

e a c a d a Estado federado para s u a

organização judiciária.

A

Lei de Organização Judiciária Trabalhista

h á d e ser, pois, a pri­

meira a considerar, c o m abrangência d a estrutura e competência material, pessoal, funcional e territorial dos órgãos jurisdicionais e atribuições dos órgãos auxiliares d a Justiça d o Trabalho, hoje

concentrada o Título

VIJI da CLT, e clara exclusão d o Ministério Público d o Trabalho, q u e já t e m suas funções institucionais próprias reguladas por s u a Lei Orgânica {n. 75/93).

U m a s e g u n d a fel disporá sobre

Processo e Procedimentos Traba­

lhistas d e Conhecimento

, alcançando o Título X, Capítulos i a II d a C L T atual, q u e c o m p r e e n d e os procedimentos

ordinário

e

sumário

{jamais

sumaríssimo, c o m o

está erroneamente denominado), acrescidos d o s

pro­

cedimentos especiais,

a cujo respeito continuamos n a dependência d e aplicação supletiva d o C P C , c o m inevitáveis erronias decorrentes d e diver­

gência d e critérios interpretativos dos juizes d o trabalho.

Ainda e m termos d e cognição seguir-se-á lei dispondo sobre

Proces­

s o e Procedimentos d o s Dissídios Coletivos,

sintonizada c o m o atual con­

teúdo constitucional d o

p o d e r normativo

dos tribunais trabalhistas, ou outro q u e vier a ser estabelecido.

A lei seguinte deverá versar

Processo e Procedimentos de Execução Trabalhista,

üvrando-nos de u m a vez por todas d a sinuosa dependência firmada no artigo 8 8 9 da C L T e oferecendo preciosa oportunidade para u m a simplificação q u e responda ao anseio d e todos pela rápida efetividade do respeito à coisa julgada trabalhista.

O

processo cautelar,

a cujo respeito a legislação trabalhista vigente m a n t é m sepulcral silêncio, deverá ser objeto d e outra lei setorial, a dispor sobre o respectivo processo e seu procedimento, este sim, m e r e c e n d o ser sumariíssimo. A providência cobrirá u m a lacuna q u e c o s t u m a provocar, t a m ­ b é m , constantes entrechoques de interpretação sobre o m o d o d e aplicar a legislação processual c o m u m u s a d a para suprl-la.

O ciclo d a s leis setoriais d e processo será fechado c o m a

Lei dos Recursos Trabalhistas.

Ela deve servir d e fecho, pois o sistema a ser cons­

truído dará cobertura a todo o complexo de processos e procedimentos,

(11)

188 REVISTA D O T R T D A 15* R E G I Ã O — N. 22 — J U N H O , 2003

c o m extrema a m b i ç ã o simpiificadora q u e p o u p e o s recurso de ser, c o m o hoje, a mais odiosa trava d o princípio d a celeridade processual. S u a m a t é ­ ria corresponderá à contida atualmente n o X, Capítulo VI, d a CLT.

N ã o t e m e m o s q u e nossa proposição proporcione u m a visão inicial incauta d e perplexidade traduzida n a pergunta: por q u e tantas leis, q u a n d o é possível reunir toda a matéria q u e elas cobrirão n u m a lei única (que seria o

código}?

H á du a s considerações q u e nos p a r e c e m capazes de desfazer essa possível impressão.

A primeira é q u e u m a legislação setorial permite entregar o trabalho d e elaboração do texto aos melhores

experts,

realmente, e m c a d a área, sabido que, e m geral, n ã o há u m domínio h o m o g é n e o do direito material e processual por todos os juristas, d o m e s m o m o d o que, dentro d o direito material, há u m a ciara cisão d e autoridades e m direito sindical e coletivo e e m direito individual. A s s i m t a m b é m sucede n o direito processual, relativa­

m e n t e às várias ciasses de processos, procedimentos e recursos.

A s e g u n d a é q u e o trato setorial permitirá

enxugar o s textos legais,

no sentido de, e m ca d a caso, se obterá

normatização mais sintética p o s ­ sível, o

q u e responde a u m a aspiração natural desta é p o c a pelo acúmulo d o conhecimento no b a n c o d e dados, a imediatidade d a c o m u n i c a ç ã o e a u t o m a ç ã o das técnicas.

Acrescente-se u m a terceira consideração d e igual importância. A le­

gislação setorial tanto possibilita a consulta c o m o efeito d o código, para a qual basta aiinhar as leis e m s u a sequência lógica, quanto flexibiliza as alterações, já q u e as localiza n o micro-sistema formado por c a d a qual.

H á muito t e m p o def e n d e m o s embrionariamente esta idéia, proclaman­

d o seguidamente a conveniência e m e s m o a necessidade d e criar-se leis especiais d e

Exe c u ç õ e s Trabalhistas

e d e

Recursos Trabalhistas.

C r e ­ m o s agora mais firmemente estar c o m a idéia certa, q u a n d o o uvimos das autoridades tributárias a sugestão d e adotar esse critério n a elaboração das respectivas leis e m outra das reformas d e q u e c a r e c e m o s desespera­

damente, a d o sistema tributário brasileiro.

Tu d o isso nos m o v e a submete-la à discussão pelas inteligências mais lúcidas envolvidas c o m o c o m p r o m i s s o por u m pa'ss mais justo e, portanto, melhor, u m es b o ç o sistemático d o q u e ela representa.

5. C O N C L U S Õ E S

Abaixo, a síntese conclusiva do q u e expusemos.

1. É urgente u m a reforma d a legislação, n u m contexto reformista d e todo o o r d e n a m e n t o legal brasileiro, q u e lhe permita ombrear-se c o m as profundas

e

rápidas transformações q u e m a r c a r a m o

fenô­

m e n o social

d o século X X e invadem c o m o m e s m o ritmo vertiginoso

o alvor d o sécuto XXI.

(12)

2. H á três tipos clássicos utilizados d e elaboração legislativa, abrangente d e c a m p o s amplos e específicos d o Direito: o código, a consolidação e a legislação esparsa. N e n h u m deles

constitui

alterna­

tiva satisfatória de reforma c a p a z aparelhar a sociedade brasileira c o m a legislação ao m e s m o t e m p o ágil e flexível q u e é u m a exigência d o nosso tempo.

3. A melhor o p ç ã o para chegar a esse resultado é elaborar u m a legislação setorial, q u e dê cobertura normativa a todo o Direito do Trabalho d e acordo c o m a divisão interna d e suas matérias.

4. A

legislação setorial

proporciona o engajamento d e especia­

listas e m c a d a área jurídica trabalhista na elaboração das respecti­

vas normas, permite u m a sistematização tão segura e permanente quanto a do código e facilita o a c o m p a n h a m e n t o permanente das m u ­ da n ç a s do fenômeno social, q u e atinjam c a d a área, s e m c o m p r o m e ­ ter o caráter sistêmico d o conjunto.

5. Esta nos parece, portanto, u m a idéia a se desenvolver, de m o d o esclarecido, pelos q u e tiverem c o m p r o m i s s o c o m a constitui­

ç ã o d e u m a sociedade mais justa e equilibrada para nossa nacionali­

dad e.

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