• Nenhum resultado encontrado

ELEITORAL BOLETIM

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ELEITORAL BOLETIM"

Copied!
93
0
0

Texto

(1)

T R I B U N A L S U P E R I O R E L E I T O R A L

BOLETIM ELEITORAL

J

N? 438 - ANO XXXVII JANEIRO DE 1988

(2)

Ministro Oscar Corrêa — Presidente

Ministro Aldir Passarinho — Vice-Presidente Ministro Francisco Rezek

Ministro O t t o Rocha Ministro Sebastião Reis Ministro Sérgio Dutra Ministro Roberto Rosas

Dr. José Paulo Sepúlveda Pertence — Procurador-Geral Eleitoral Dr. Pedro J o s é Xavier M a t t o s o — Secretário d o Tribunal

(3)

SUMÁRIO

Págs.

Jurisprudência ^ S u p r e m o Tribunal Federal ^

Legislação ^

Q1

índice Temático 3 1

índice N u m é r i c o ^5

(4)

ACÓRDÃO N? 8.494

(de 11 de n o v e m b r o de 1986) M a n d a d o de Segurança n? 839

Classe 2? - Paraná (Curitiba)

Impetrante. Frente Popular das Oposicões (PFL, P M B , PJ e P D T ) .

Direito de resposta. Concessão. Man- dado de Segurança objetivando cassar a decisão.

Não merece prosperar o pedido de cassação do direito de resposta, através Mandado de Segurança, tendo em vista que a decisão do Tribunal a q u o baseou-se em elementos válidos de convicção.

Vistos, etc.

Acordam os Ministros d o Tribunal Superior Eleitoral, por maioria de votos, indeferir o M a n - dado de S e g u r a n ç a , vencido, e m parte, o Minis- tro Aldir Passarinho, nos t e r m o s das notas ta- quigráficas e m apenso, que ficam fazendo parte integrante d a decisão.

Sala das Sessões d o Tribunal Superior Elei- toral.

Brasília, 11 de n o v e m b r o de 1986 — José Néri da Silveira, Presidente — William Patterson, Relator — Aldir Passarinho, Vencido

— José Paulo Sepúlveda Pertence, Procurador- Geral Eleitoral.

( P u b l i c a d o n o DJ d e 10-8-87).

R E L A T Ó R I O

O Senhor Ministro William Patterson (Rela- tor): Senhor Presidente, trata-se de M a n d a d o de Segurança impetrado pela Frente Popular das Oposicões (PFL, P M B , PJ e PDT) contra deci- são d o Egrégio Tribunal Regional Eleitoral d o Es- tado d o Paraná que concedeu direito de respos-

ta ao Senhor Osmar Fernandes Dias, Presidente da Empresa estatal Café d o Paraná, pelas razões que aduz na inicial (lê fls. 2 / 5 ) .

Solicitadas, vieram as informações de praxe (fls. 15/17 - A n e x o ) .

É o relatório.

PARECER O R A L

O Senhor Procurador-Geral Eleitoral J. P.

Sepúlveda Pertence: Senhor Presidente, a impe- trante pretende e m M a n d a d o d e Segurança, não o que se t e m c o n c e d i d o algumas vezes — sus- pender o exercício de direito de resposta — , mas, salvo engano m e u , cancelar este direito.

A i n d a que fosse o M a n d a d o de Segurança o re- médio a d e q u a d o para isso, a leitura das i n f o r m a - ções que são minuciosas, e transcrevem o tre- cho da propaganda d o Senhor A d e m a r Geara, candidato a Senador, c o m relação ao ofendido, provam, evidentemente, que há calúnia escanca- rada, há clara insinuação de u m crime, que ao final se torna manifesta, q u a n d o se diz que " é por isso que só c o m fulano de tal no g o v e r n o se terá seriedade no P a r a n á " . De tal f o r m a que, ainda q u a n d o liberalmente se examine a preten- são de negar-se o direito d e resposta, a preten- são será i m p r o c e d e n t e . S ó n u m p o n t o me res- t o u dúvida na leitura dos autos: o Tribunal t e m decidido, endossando a posição que parece cor- reta d o Tribunal de São Paulo, que o direito de resposta está necessariamente condicionado ao prévio exame pelo juiz, que no caso é o Tribunal Regional Eleitoral, d o t e x t o da resposta a ser proferida. De tal m o d o , que só nessa medida me parece caberia conceder, e m parte, a Segurança para que o exercício da resposta fosse antecedi- d o da liberação d o t e x t o pelo Tribunal.

V O T O

O Senhor Ministro William Patterson (Rela- tor): Senhor Presidente, não me parecem pre- sentes os pressupostos básicos para a c o l h i m e n - t o d o pedido, quais sejam a certeza e liquidez d o

(5)

6 B O L E T I M E L E I T O R A L N.° 4 3 8 J a n e i r o d e 1 9 8 8

direito v i n d i c a d o . C o m efeito, a decisão i m p u g - nada, ao c o n c e d e r o direito de resposta, fê-lo c o m base no exame de elementos que analisou e e n t e n d e u caracterizar peça ofensiva, c o m apoio no p r o n u n c i a m e n t o da d o u t a Procuradoria Regional Eleitoral, s e g u n d o o qual: (lê f1. 16 — A n e x o ) .

A s alegações contidas na inicial sobre não constituir crime a espécie discutida e ainda no que t a n g e à negativa de se chegar à conclusão d e f a v o r e c i m e n t o ilegal, não me parece possam conduzir à r e f o r m a d o v. decisório.

A n t e o e x p o s t o , indefiro o p e d i d o .

V O T O

O Senhor Ministro Aldir Passarinho: Senhor Presidente, o sistema que estamos a d o t a n d o p a - ra os j u l g a m e n t o s é d i n â m i c o . Estamos decidin- d o M a n d a d o de Segurança recebido c o m infor- m a ç õ e s prestadas t a m b é m hoje, e igualmente hoje o u v i d o o ilustre Procurador-Geral Eleitoral.

C o m o não foi possível que Sua Excelência se manifestasse por escrito, fê-lo oralmente nesta m e s m a assentada, e já agora estamos julgando o writ. N ã o h á , no caso, ante a premura d o t e m p o , de vir o t e x t o da resposta a este T r i b u - nal, e m e s m o é possível que não haja t e m p o pa- ra que o Tribunal Regional Eleitoral possa reunir- se para examinar tal t e x t o . Se não houver sub- missão d o t e x t o ás autoridades judiciárias, pode ocorrer, o u face a já ser a resposta dada no últi- m o dia da c a m p a n h a eleitoral pelo rádio e pela televisão, que tal resposta se faça e m t e r m o s desarrazoados, ultrapassando os limites d o per- missível. A s s i m , há risco d e a resposta exceder- se.

Deste m o d o . Senhor Presidente, a c o m p a - n h o e m parte, o e m i n e n t e Ministro Relator, de- f e r i n d o o direito de resposta, mas d e v e n d o o t e x t o desta ser s u b m e t i d o à aprovação d o T r i b u - nal Regional Eleitoral. Não sendo isso possível, pela p r e m u r a d o t e m p o , que, então, seja apro- v a d o pelo Presidente d o Tribunal Regional Elei- toral o u m e s m o p o r m e m b r o d o Tribunal que ele designar para tal f i m . A s s i m , defiro em parte a Segurança para que o t e x t o seja apresentado ao Tribunal e e x a m i n a d o pela Corte ou não sendo isso possível, que tal exame se faça pelo Presi- d e n t e d o Tribunal o u por Juiz daquela Corte por ele d e s i g n a d o , dando-se, c o m isso, flexibilidade para que o t e x t o da resposta possa ser aprecia- d o antes d e ir ao ar.

E X T R A T O D A A T A

M S n? 839 - CIs. 2f - PR - Rei.: M i n . W i l l i a m Patterson.

Impetrante: Frente Popular das Oposicões (PFL, P M B , PJ e P D T ) . (Advs.: Drs. Giovani Gionedis e Eraldo Luiz Kuster).

Decisão: O Tribunal indeferiu o M a n d a d o de Segurança, vencido, e m parte, o Sr. Ministro Aldir Passarinho.

Presidência d o Ministro Néri da Silveira.

Presentes os Ministros Oscar Corrêa, Aldir Pas- sarinho, Carlos Mário Velloso, William Patter- son, Sérgio Dutra, Roberto Rosas e o Dr. José Paulo Sepúlveda Pertence, Procurador-Geral Eleitoral.

A N E X O A O A C Ó R D Ã O N? 8.494 Exmo. Sr.

Ministro William Patterson DD Relator d o M S n? 839 Senhor Ministro,

T e n d o e m vista solicitação constante d o Te- lex n? 3.338, de 10 d o fluente, c u m p r e - m e escla- recer a Vossa Excelência, Senhor Ministro, que e m data de 13 de o u t u b r o o " M o v i m e n t o D e m o - crático Brasileiro", Coligação P M D B / P N D , in- gressou c o m petição protocolada sob n? 11.950, requerendo direito de resposta c o m o fito de es- clarecer declarações tidas c o m o caluniosas e in- juriosas, atribuídas pela Coligação "Frente Popu- lar das O p o s i c õ e s " ( P M B / P D T / P F L / P J ) , através de seu locutor oficial e, t a m b é m , pelo seu candi- dato ao Senado da República, A m a d e u Geara, durante os p r o g r a m a s de propaganda política gratuita na televisão, contra o Presidente da Companhia Agropecuária de F o m e n t o Econômi- co d o Paraná — Café d o Paraná — , Sr. Osmar Fernandes Dias, e contra a pessoa d o Dr. Paulo Fernandes Dias.

Distribuídos os autos, o ilustre Relator, d o u - tor José Wanderlei Resende, requisitou, inicial- mente, as fitas de áudio apontadas na inicial, cuja degravação resultou na certidão que trans- crevo a seguir:

"Certifico que, em c u m p r i m e n t o ao despacho de fls. 9v., foi procedida a de- gravação da fita magnética requisitada e encontrou-se o seguinte t e x t o : fitas dos dias 2 8 / 9 (20:30 horas às 21:30 horas) e 2 9 / 9 (8:00 às 9:00 horas), d o horário políti- co gratuito da 'Frente Popular das Oposi- cões' (Coligação P M B / P D T / P F L / P J ) fala d o locutor oficial da Frente Popular das Oposicões: — ' C o m o u m ator de novela, o candidato d o Governo veio à televisão mostrar a agricultura paranaense, fez críti- cas e fez promessas para o f u t u r o , mas es- queceu que nos últimos três anos a Café d o Paraná, por sinal dirigida por seu irmão

(6)

Osmar, praticou uma verdadeira agiotagem contra a agricultura paranaense, detendo o m o n o p ó l i o da semente de algodão, semen- te que a Café não produz, mas c o m p r a a quarenta e cinco cruzados a saca, para revendê-la a trezentos ao p r o d u t o r . É assim que os irmãos Dias querem favorecer os nossos agricultores?' Fita d o dia 3 0 / 9 (20:30 às 21:30 horas): fala d o candidato ao Senado da República, Senhor A m a d e u Geara: — ' N ó s falamos m u i t o da Café d o Paraná, porque t e m o s uma preocupação c o m a importância desse órgão e m relação à agricultura paranaense. Ele não está c u m p r i n d o a sua finalidade. E vejam, al- guns o u t r o s fatos são estranhos na Café d o Paraná. A Café d o Paraná é presidida pelo Senhor Osmar Fernandes Dias, irmão d o Senador Álvaro Dias. A família possui muitas fazendas nesse Paraná, especial- m e n t e na região de M a r i n g á . E é u m fato interessante, porque u m o u t r o irmão d o Senador Álvaro Dias, Senhor Paulo Fer- nandes Dias, c o m p r o u sementes de soja e m oitenta e três e, depois pediu para a Café indenizá-lo, porque a semente não te- ria g e r m i n a d o . Foi feito u m laudo e deter- m i n a d o o p a g a m e n t o da indenização. Quer dizer, o irmão d o Presidente da Café d o Paraná, pagando para o irmão c o m p r a d o r da semente. Isso é uma confusão de família, difícil de explicar. Mas seria u m f a - t o normal isso, não fosse u m telex que nós t e m o s e m m ã o s d o Gerente da Café d o Pa- raná, em M a r i n g á , afirmando que t o d o s os c o m p r a d o r e s deste lote de semente viram a sua semente germinar, o único que pediu indenização foi exatamente u m dos irmãos d o Presidente da Café d o Paraná. É u m f a - t o estranho, só nos causa uma certeza, se- riedade de Governo nós teremos apenas c o m Alencar Furtado!'.

Curitiba, 24 de o u t u b r o de 1986 — Ivan Gradowski, Diretor-Geral."

Ouvida a d o u t a Procuradoria Regional Elei- toral, assim se p r o n u n c i o u :

" S e n h o r Relator,

I — A Coligação P M D B / P N D , deno- minada M o v i m e n t o D e m o c r á t i c o Brasileiro, representa contra a Frente Popular das Oposicões (Coligação P M B / P D T / P F L / P J ) e seu candidato ao Senado, Senhor A m a - deu Geara, e m razão de ofensas à honra dos Senhores Osmar Fernandes Dias, Pre- sidente da Empresa Estatal, Café d o Para- ná, e Paulo Fernandes Dias, proferidas pe- lo apresentador d o programa de propagan- da gratuita d o representado, por televisão, e pelo citado candidato a Senador, em o u - tro p r o g r a m a .

Pede a Coligação representante que seja deferido aos ofendidos o direito de resposta, no horário destinado ao progra- ma dos representados e c o m a mesma d u - ração das falas consideradas ofensivas.

A p e n a s o Senhor Osmar Fernandes Dias ratificou os t e r m o s da inicial, c o m o se lê às fls. 1 2 / 1 5 . Estando e m causa u m di- reito personalíssimo, s o m e n t e e m relação a ele a Representação poderá ser c o n h e c i d a .

À s fls. 1 7 / 1 8 está a transcrição das gravações.

II — A primeira fala (programa dos dias 28 e 29 de setembro), do locutor ofi- cial da Frente Popular das Oposicões, e m - bora c o n t u n d e n t e , não me parece c o m p r o - meter a honra d o representante.

A s e g u n d a , p o r é m , d o candidato ao Senado, Senhor A m a d e u Geara, indiscuti- velmente afirma a existência de favoreci- m e n t o ilegal de Paulo Fernandes Dias por parte de seu irmão Osmar Fernandes Dias, c o m o Presidente da já mencionada entida- de estatal. E maliciosamente, o representa- d o liga o exercício dessa f u n ç ã o pelo repre- sentante, t a m b é m irmão d o candidato ao Governo d o Estado, Senador Álvaro Dias, ao f a t o de a sua família possuir 'muitas f a - zendas nesse Paraná, especialmente na Re- gião de M a r i n g á ' (fl. 17).

É certo, assim, que o segundo repre- sentado atribui ao Senhor Osmar Fernan- des Dias a prática d o delito de prevarica- ção (art. 319 d o Código Penal) e, c o m is- so, lesa-lhe a honra, autorizando o exercício d o direito de resposta, nos ter- m o s pretendidos na inicial. Face ao expos- t o , opino pelo d e f e r i m e n t o d o pedido for- m u l a d o .

Quanto aos desdobramentos penais, há indícios d o crime previsto no art. 324 d o Código Eleitoral, atribuído a um Deputado Federal.

Por isso e ante o disposto no art. 119, inc. I, alínea a, da Constituição da Repúbli- ca, a c o m p e t ê n c i a para eventual processo e j u l g a m e n t o será d o S u p r e m o Tribunal Fe- deral, c a b e n d o a iniciativa da ação penal ao Procurador-Geral da República. Requei- ro, assim, que caso a Representação seja acolhida, remetam-se cópias de t o d a s as peças destes autos, inclusive d o acórdão, ao chefe d o Ministério Público Federal, pa- ra as providências que entender cabíveis.

Curitiba, 30 de o u t u b r o de 1986 - Od/7/â Ferreira da Luz Oliveira, Procuradora Regional Eleitoral."

(7)

8 B O L E T I M E L E I T O R A L N P 4 3 8 J a n e i r o d e 1 9 8 8

Em sessão realizada e m data de 4 d o fluen- te, este T R E , à unanimidade de votos, acolheu, e m parte, a Representação, através d o A c ó r d ã o n? 14.362, cujo teor é o seguinte:

Ementa: Representação. Ofensas pro- feridas n o horário político gratuito a Presi- d e n t e de empresa estatal. Direito de res- posta assegurado ao o f e n d i d o . T e m p o equivalente a o usado pelo ofensor.

Exercício d o direito, imediatamente a p ó s a publicação d o v. acórdão, c o m ciência pré- via às partes. Remessa de peças ao chefe d o Ministério Público Eleitoral, para as pro- vidências cabíveis.

A c o r d a m , à unanimidade de votos, e m acolher e m parte a Representação, para as- segurar direito d e resposta ao Senhor Os- mar Fernandes Dias, no horário político g r a t u i t o destinado à Frente Popular das Oposicões, e m t e m p o equivalente ao usa- d o pelo D e p u t a d o A m a d e u Geara, no pro- n u n c i a m e n t o considerado ofensivo, a ser exercido imediatamente após a publicação d o v . a c ó r d ã o , c o m ciência prévia às par- tes.

Para m e l h o r elucidação da matéria, segue- se a íntegra d o v o t o d o ilustre Relator, d o u t o r J o s é W a n d e r l e i Resende:

" A c o l h e n d o o r. parecer da d o u t a Pro- curadoria Regional Eleitoral, v o t o n o senti- d o d e acolher, e m parte, a Representação f o r m u l a d a pelo Senhor Osmar Fernandes

Dias, por ser direito personalíssimo e nos t e r m o s d o art. 153, parágrafo 8? da Consti- t u i ç ã o Federal e Resolução n? 12.924-TSE, art. 15, inc. IX e parágrafo 2P, asseguran- d o a o m e s m o (Osmar Fernandes Dias) o direito d e acesso ao programa de p r o p a - g a n d a eleitoral para, se o desejar, oferecer resposta pública às agressões verbais pro- duzidas pelo D e p u t a d o A m a d e o Geara.

0 t e m p o será f o r n e c i d o pela Frente Popular das Oposicões ( P M B / P D T / P F L / PJ) e deverá ter a mesma duração de t e m - po que dispôs A m a d e u Geara.

A s s i m c o m o ainda a d o t a n d o o parecer da d o u t o r a Procuradora Regional Eleitoral d e t e r m i n a n d o - s e remessa de cópias de t o - das as peças destes autos, inclusive d o a c ó r d ã o , ao chefe d o Ministério Público Federal, para as providências que entender cabíveis.

O direito assegurado deverá ser exerci- d o no prazo imediatamente após a publica- ção d o a c ó r d ã o , c o m ciência prévia da Co- ligação Frente Popular das Oposicões

( P M B / P D T / P F L / P J ) , ao Deputado A m a - deu Geara e ao representante Osmar Fer- nandes Dias.

Curitiba, 4 de n o v e m b r o de 1986 — José Wanderlei Resende, Relator."

Estas, e m síntese, preclaro Senhor Ministro, as informações que julgamos de nosso dever prestar a Vossa Excelência, reiterando os nossos protestos de mais alto apreço e distinguida c o n - sideração. Lauro Lima Lopes, Presidente e m exercício d o Tribunal Regional Eleitoral d o Para- n á .

ACÓRDÃO N? 8.498

(de 11 de n o v e m b r o de 1986) M a n d a d o d e Segurança n? 843 — Classe 2?

P e r n a m b u c o (Recife)

Impetrante: M a r c o A n t ô n i o de Oliveira M a - ciel, Ministro-Chefe da Casa Civil.

Propaganda eleitoral gratuita. Direito de resposta suspenso pelo TRE, em virtude de liminar concedida em Mandado de Se- gurança, impetrado na Corte Regional.

Mandado de Segurança perante o TSE deferido, parcialmente, para que a instân- cia a q u o julgue o w r i t impetrado, a fim de que, se indeferido, possa ser exercido, a tempo, o direito de resposta.

Vistos, etc.

Acordam os Ministros d o Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade de votos, deferir, e m parte, o M a n d a d o de Segurança, nos t e r m o s das notas taquigráficas e m apenso, que ficam fazendo parte integrante da decisão.

Sala das Sessões d o Tribunal Superior Elei- toral .

Brasília, 11 de n o v e m b r o de 1986 — Néri da Silveira, Presidente — Aldir Passarinho, Relator

— José Paulo Sepúlveda Pertence, Procurador- Geral Eleitoral.

( P u b l i c a d o n o DJ de 1 0 - 8 - 8 7 ) .

R E L A T Ó R I O

O Senhor Ministro Aldir Passarinho (Rela- tor): Senhor Presidente, o Sr. Ministro-Chefe da Casa Civil, M a r c o A n t ô n i o Maciel, impetra M a n - dado de Segurança contra ato que considerou abusivo d o Tribunal Regional Eleitoral de Per- n a m b u c o , c o m pedido de liminar, sustentando que dito ato impedira o impetrante de responder

(8)

às ofensas que lhe f o r a m irrogadas por candida- t o da Frente Popular de Pernambuco, e m horá- rio de propaganda eleitoral gratuita, pela televi- são. Havia pedido direito de resposta ao Juiz Coordenador da propaganda eleitoral e este a concedera, mas o Tribunal Regional Eleitoral cassara a decisão. Em face disso, impetra o Dr.

M a r c o Maciel esse M a n d a d o de Segurança para que, por sua vez, seja cassada a determinação liminar d o Tribunal Regional Eleitoral, restabele- cendo, assim, e m conseqüência, a decisão d o M M . Juiz Coordenador da propaganda eleitoral.

Solicitei, por telex, informações ao ilustre Presidente d o Tribunal Regional Eleitoral de Per- n a m b u c o , considerando se encontrarem nos a u - tos, ao que me pareceu, t o d o s os elementos ne- cessários, e a f i m de que o j u l g a m e n t o pudesse fazer-se, pela natureza d o assunto, sem maior d e m o r a . A resposta d o nobre Presidente se en- contra nestes t e r m o s (fl. 32):

" E m atenção ao Telex número 3.361, desta data, c o m u n i c o Vossência não será julgado hoje M a n d a d o de S e g u r a n ç a impe- trado pela Coligação Frente Popular de Pernambuco, contra ato d o Exmo. Juiz da Propaganda Eleitoral neste E s t a d o . "

A n t e essa informação, e t e n d o e m vista a urgência e m ser dada solução ao assunto, eis que o prazo da propaganda eleitoral gratuita se esgota a m a n h ã , deferi a liminar que fora pedida pelo impetrante, nestes t e r m o s (fl. 33):

" D e f i r o a liminar, em parte, ou seja, para que o C. Tribunal Regional Eleitoral de P e r n a m b u c o julgue o M a n d a d o de Se- gurança, impetrado pela Coligação da Frente Popular de Pernambuco, a t e m p o , para que, se f o r ele indeferido, naquela Corte, ainda possa haver oportunidade de o Sr. Ministro M a r c o Maciel exercer o di- reito de resposta até o horário de propa- ganda gratuita de a m a n h ã , à noite, inclusi- v e . "

É o relatório. Senhor Presidente. E eu pedi- ria que o ilustre Procurador-Geral Eleitoral se manifestasse oralmente, em face da urgência d o assunto.

PARECER O R A L

O Dr. Procurador-Geral Eleitoral: Senhor Presidente, pela confirmação da liminar.

V O T O

O Senhor Ministro Aldir Passarinho (Rela- t o r ) : Senhor Presidente, as questões relativas à

propaganda eleitoral t ê m sido resolvidas aqui neste Tribunal e pelos Regionais, c o m a m á x i m a urgência, pois já a m a n h ã se esgotará o prazo dentro d o qual ela poderá ser realizada.

N o caso, verifica-se que o Relator, no C.

Tribunal Regional Eleitoral, concedeu a liminar, no M a n d a d o de Segurança impetrado pela Coli- gação da Frente Popular de Pernambuco para que ficasse suspensa a resposta d o Ministro M a r c o Maciel e informa que ainda hoje não seria julgado aquele M a n d a d o de Segurança.

Ora, se o writ não f o r julgado naquela Cor- te, a resposta não será dada, ainda que tenha direito o Ministro M a r c o Maciel de exercê-la, em face da liminar, e sem que possa o TRE apreciar o mérito da impetração, já que poderia não che- gar a ser julgado o M a n d a d o de Segurança.

Não me parece de outra parte, que deva es- te T S E de logo julgar o M a n d a d o de Segurança para conceder o u não o direito de resposta, pois, de certa f o r m a , seria substituir o TRE exa- minando, inclusive, os próprios elementos que poderiam justificar, o u não, o vindicado direito.

A solução que, assim, me parece correta e ajustada à hipótese é a de que se conceda a se- gurança, mas apenas e m parte, isto é, para que o C. Tribunal Regional Eleitoral de P e r n a m b u c o julgue o M a n d a d o d e Segurança impetrado pe- rante aquela Corte pela Coligação da Frente Po- pular d e P e r n a m b u c o , ainda a t e m p o para que se f o r ele indeferido, ainda possa haver o p o r t u - nidade de o Ministro M a r c o Maciel exercer o seu direito de resposta ainda no programa de propa- ganda gratuita de a m a n h ã à noite.

E nesse sentido, c o n f i r m a n d o a liminar, é o meu v o t o .

E X T R A T O D A A T A

M S n? 843 - CIs. 2? — PE — Rei.: M i n . Aldir Passarinho.

Impetrante: M a r c o A n t ô n i o de Oliveira M a - ciel, Ministro-Chefe da Casa Civil (Adv.: Dr. J o - sé Guilherme Villela).

Decisão: Por unanimidade, deferiu-se, em parte, o M a n d a d o de Segurança, para que o TRE-PE julgue o M a n d a d o de Segurança impe- trado pela Coligação da Frente Popular de Per- n a m b u c o , nos t e r m o s d o v o t o d o Relator.

Presidência d o Ministro Néri da Silveira.

Presentes os Ministros Oscar Corrêa, Aldir Pas- sarinho, Carlos Mário Velloso, William Patter- son, Sérgio Dutra, Roberto Rosas e o Dr. J o s é

Paulo Sepúlveda Pertence, Procurador-Geral Eleitoral.

(9)

10 B O L E T I M E L E I T O R A L N.° 4 3 8 J a n e i r o d e 1 9 8 8

ACÓRDÃO N? 8.517

(de 12 de n o v e m b r o de 1986) M a n d a d o de Segurança n? 844 — Classe 2?

M i n a s Gerais (Belo Horizonte)

Impetrante: M a r c o Aurélio Flores Carone, c a n d i d a t o a D e p u t a d o Estadual, pelo PFL.

( A d v . : Dr. R o b e r t o J o s é Valadares Versinani).

Eleitoral. Candidatos. Nomes. Identifi- cação. Código Eleitoral, art. 175, § 2°, I.

Lei n? 7.493, de 17-6-86, art. 21, parágrafo único.

Segurança deferida, para que sejam contados, em separado, os votos dados ao nome Carone, sem as identificações do nú- mero do candidato ou da legenda. No Re- curso Especial, já interposto, a questão se- rá solucionada, em definitivo.

Vistos, etc.

Acordam os Ministros d o Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, deferir o M a n d a d o de S e g u r a n ç a , nos t e r m o s d o v o t o d o Relator, que fica f a z e n d o parte integrante d o presente j u l g a d o .

Sala das Sessões d o Tribunal Superior Elei- t o r a l .

Brasília, 12 d e n o v e m b r o de 1986 — José Néri da Silveira, Presidente — Carlos M.

Velloso, Relator — José Paulo Sepúlveda Pertence, Procurador-Geral Eleitoral.

( P u b l i c a d o n o DJ de 10-8-87).

R E L A T Ó R I O

O Senhor Ministro Carlos M. Velloso (Rela- t o r ) : Trata-se de M a n d a d o de Segurança impe- t r a d o p o r M a r c o Aurélio Flores Carone, candida- t o à Assembléia Legislativa nas eleições de 15-11-86, pelo PFL, contra a t o d o Egrégio T r i b u - nal Regional Eleitoral de Minas Gerais, que inde- feriu Representação d o impetrante, pela qual pe- diu a exclusividade d o sobrenome Carone.

O caso é o seguinte: dois irmãos. M a r c o Aurélio Flores Carone, ora impetrante, e A n t ô n i o Carlos Flores Carone, são candidatos ao cargo de D e p u t a d o à Assembléia Legislativa de Minas Gerais, por partidos diferentes: o primeiro, pelo PFL; o s e g u n d o , pelo P M D B . M a r c o Aurélio Flores Carone, ao a r g u m e n t o de que, nas elei- ções d e 1978, d i s p u t o u o m e s m o cargo, ocasião e m que o b t e v e o registro c o m a variação Caro- ne, sustenta que essa variação passou a ser d i - reito seu, direito adquirido. A s s i m , representou ao Egrégio T R E / M G , para que os v o t o s que f o -

rem conferidos ao n o m e Carone fossem c o m p u - tados para ele. 0 Egrégio T R E / M G , pelo acór- dão de f l . 10, indeferiu o pedido. 0 representan- te interpôs, contra tal decisão. Recurso Especial.

Impetra, agora, este M a n d a d o de Seguran- ça, no qual pede:

" D e s t a f o r m a , requer a V . Exa., que se digne determinar liminarmente, para fins de direito que o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais c o m u n i q u e às J u n t a s A p u r a d o r a s que t o d o s os v o t o s atribuídos ao n o m e Carone sejam contados e m sepa- rado até a decisão d o Recurso Especial, que irá dirimir a dúvida a q u e m terá o direi- t o de usar o n o m e Carone, e a q u e m será c o m p u t a d o os v o t o s dados a este n o m e .

Requer, ao final, após o u v i d o o Presi- dente d o Tribunal Regional Eleitoral, decla- re o direito líquido e certo d o impetrante de ter os v o t o s c o n t a d o s em separado"

(fls. 6 / 7 ) .

Requisitei informações ao eminente Presi- dente d o Egrégio T R E / M G , que prestou-as às fls. 37, assim:

" R e s p o s t a Telex n? 3.344, de 10 d o corrente, i n f o r m o Vossência, M a r c o Auré- lio Flores Carone, candidato a Deputado Estadual, PFL, apresentou petição d e n o m i - nada de 'ação de declaração de direito contra A n t ô n i o Carlos Flores Carone', t a m - b é m candidato a Deputado Estadual, P M D B , autuada nesta Corte c o m o Repre- sentação n? 3 2 / 8 6 .

0 requerente, sob alegação de haver concorrido às Eleições de Deputado Esta- dual em 1978, t a m b é m c o m a variação 'Ca- rone' de seu n o m e , solicitou declarar e re- conhecer esta Corte que a variação d o so- b r e n o m e 'Carone' assiste ao suplicante, c o m p u t a n d o - s e - l h e os v o t o s assim consig- nados.

O representado compareceu nos a u - tos, manifestando-se pelo indeferimento da Representação.

Este Tribunal, sessão de 3 d o corren- te, a indeferiu, ao a r g u m e n t o de que repre- sentante e representado solicitaram, entre as variações de n o m e c o m que poderiam ser votados, a de 'Carone' e que, assim, seria evidente a dúvida quanto à identidade d o candidato acaso v o t a d o apenas c o m aquele s o b r e n o m e .

A o referido A c ó r d ã o foi oferecido Re- curso Especial pelo impetrante, já recebido por esta Presidência, c o n f o r m e seguinte despacho:

' A d m i t o o Recurso.

(10)

Não vejo ofensa a dispositivo da lei federal, p o r q u a n t o , sendo dois os candi- datos de n o m e " C a r o n e " ao m e s m o car- go, n e n h u m deles poderia obter o regis- tro d o n o m e abreviado, e m face da evi- dente dificuldade de se identificar o can- didato.

A decisão, a meu ver, se confor- m o u c o m o disposto no art. 2 1 , caput, da Lei n? 7.493.

Q u a n t o à divergência jurisprudencial invocada, recebo o apelo, para ensejar melhor exame d o caso na E. Instância Superior, embora a decisão trazida à c o - lação não me pareça ajustar-se à tese dos a u t o s . '

C u m p r e esclarecer que, além dos can- didatos acima mencionados, irmãos entre si, t a m b é m J o r g e Carone Filho, pai dos mesmos, concorre à Câmara Federal pelo P M D B , t e n d o t a m b é m solicitado concorrer c o m a variação 'Carone'.

Finalmente, i n f o r m o referidos candida- tos encontram-se registrados c o m os no- mes de: M a r c o Aurélio Carone, A n t ô n i o Carlos Flores Carone e J o r g e Carone Filho, respectivamente.

0 impetrante deu sua autorização para o registro nos seguintes termos: '... que proceda o registro de minha candidatura a Deputado Estadual, j u n t o ao Tribunal Re- gional Eleitoral deste Estado, c o m o nome de M a r c o Aurélio Carone e as seguintes variações de n o m e s ...'

Entre tais variações, em n? de vinte e duas, consta a de 'Carone' já referida.

Seu irmão, A n t ô n i o Carlos Flores Ca- rone, t a m b é m pediu entre outras, a varia- ção ' C a r o n e ' . "

Dei vista dos autos ao eminente Procurador-Geral Eleitoral, que oficiou à f l . 40, da seguinte f o r m a : "Parecer pelo deferimento, a ser f u n d a m e n t a d o oralmente e m sessão".

É o relatório.

V O T O

O Senhor Ministro Carlos M. Velloso (Rela- tor): Senhor Presidente, c o m o vimos, dois ir- mãos, M a r c o Aurélio Flores Carone e A n t ô n i o Carlos Flores Carone, são candidatos ao cargo de D e p u t a d o Estadual nas próximas eleições de 15-11-86, por Partidos Políticos diferentes. O pri- meiro, porque, nas eleições de 1978, foi candi- dato ao m e s m o cargo, ocasião e m que obteve o registro c o m a variação Carone, sustenta que

essa variação lhe pertence. Quer, então, que os votos que f o r e m conferidos ao n o m e Carone se- jam c o m p u t a d o s para ele.

Duas disposições legais p o d e m ser invoca- das.

A primeira, é o artigo 21 da Lei n? 7.493, de 17-6-86, que dispõe:

" A r t . 2 1 . Para as eleições previstas nesta lei, o c a n d i d a t o poderá ser registrado sem o p r e n o m e ou c o m o n o m e abreviado, apelido o u n o m e pelo qual é mais conheci- do, desde que não se estabeleça dúvida q u a n t o à sua identidade, não atente contra o pudor, não seja ridículo o u irreverente.

Parágrafo ú n i c o . Para efeito de regis- tro, b e m c o m o para apuração e c o n t a g e m de votos, no caso de dúvida q u a n t o à identificação da v o n t a d e d o eleitor, serão válidos e consignados os nomes, preno- mes, c o g n o m e s ou apelidos de candidatos anteriormente registrados e m eleições ime- diatamente anteriores, para os m e s m o s c a r g o s . "

Duas dúvidas s u r g e m , de p r o n t o : a) nem a inicial e nem as informações (fls. 2 / 7 , fls. 37/38) esclarecem, convenientemente, se o impetrante foi registrado, nestas eleições, c o m o n o m e iso- lado de Carone; b) o impetrante não foi candida- to nas eleições imediatamente anteriores, 1982, c o m o n o m e Carone, mas, sim, nas eleições de 1978, ocasião e m que lhe f o r a m deferidas " a s variações Flores, Flores Carone e Carone, no re- gistro d o c a n d i d a t o e m q u e s t ã o " (Certidão d e f l . 9). Nas informações, aliás, ficou claro que a m - bos os irmãos pediram o registro c o m o Carone (fl. 38).

Impossível, pois, uma decisão definitiva, c o m base no art. 2 1 , parágrafo único, da Lei n?

7.493/86, por o r a .

A segunda disposição legal pertinente, é o item I, d o § 2? d o art. 175, d o Código Eleitoral, que dispõe:

" A r t . 175

§ 2°. Serão nulos os votos, e m cada eleição pelo sistema proporcional:

I — q u a n d o o candidato não f o r indi- cado, através d o n o m e o u d o n ú m e r o , c o m clareza suficiente para distingui-lo de o u t r o candidato ao m e s m o cargo, mas de o u t r o Partido, e o eleitor não indicar a le- g e n d a . "

Isto quer dizer que, tratando-se d o impe- trante, se o n o m e Carone f o r indicado, mais o seu número, tem-se que foi convenientemente identificado, m o t i v o por que deve ser c o n t a d o o voto e m seu favor; o m e s m o deve ser dito, se o n o m e Carone f o r indicado, mais a legenda.

(11)

12 B O L E T I M E L E I T O R A L N.° 4 3 8 J a n e i r o d e 1 9 8 8

A q u e s t ã o que não p o d e ser resolvida, por e n q u a n t o , e deverá ser solucionada no recurso especial interposto da decisão d o Egrégio T R E / M G , que indeferiu a representação, é esta:

os v o t o s d a d o s a o n o m e Carone, sem indicação do número do candidato ou da legenda, serão c o n t a d o s para q u e m , o u serão nulos?

Diante d o e x p o s t o , defiro o M a n d a d o de S e g u r a n ç a , tal c o m o pedido, para que " t o d o s os v o t o s atribuídos ao n o m e 'Carone', sem as identificações acima mencionadas — n ú m e r o d o c a n d i d a t o o u legenda d o candidato — sejam c o n t a d o s e m separado até a decisão d o Recurso Especial", que dará solução definitiva á questão.

E X T R A T O DA A T A

M S n? 844 - CIs. 2a — M G — Rei.: M i n . Carlos M á r i o Velloso.

Impetrante: M a r c o Aurélio Flores Carone, c a n d i d a t o a D e p u t a d o Estadual, pelo PFL ( A d v . : Dr. R o b e r t o J o s é Valadares Versini).

Decisão: Por unanimidade, o Tribunal defe- riu o M a n d a d o d e Segurança, nos t e r m o s d o v o - t o d o Relator.

Presidência d o Ministro Néri da Silveira.

Presentes os Ministros Oscar Corrêa, Aldir Pas- sarinho, Carlos M á r i o Velloso, William Patter- s o n , Sérgio D u t r a , Roberto Rosas e o Dr. J o s é Paulo S e p ú l v e d a Pertence, Procurador-Geral Eleitoral.

ACÓRDÃO N? 8.730

(de 30 d e abril de 1987)

Recurso d e Diplomação n? 373 — Classe 5?

R o n d ô n i a (Porto Velho)

Recorrentes: Francisco José Chiquilito Coimbra Erse, W i l l i a m José Kury e A d e m a r A l - fredo S u k e l .

Recorrido: Diretório Regional d o P M D B . Diplomação. Recurso (art. 262, III, do Código Eleitoral). Alegação de inconstitu- cionalidade formal e material do Decreto- Lei n? 1.541/77, de violação do princípio majoritário e de extinção da sublegenda, sendo pleiteada a anulação da diplomação dos recorridos e a expedição de diplomas aos recorrentes.

Inexistindo incompatibilidade entre o sistema de escrutínio majoritário e o do vo- to de sublegenda, não há como incidir so- bre o Decreto-Lei n? 1.541/77 a eiva de in- constitucionalidade.

Recurso desprovido.

Vistos, etc.

Acordam os Ministros d o Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade de votos, conhecer d o Recurso, mas negar-lhe provimento, nos ter- mos d o v o t o d o Relator, que fica fazendo parte integrante da decisão.

Sala das Sessões d o Tribunal Superior Elei- toral.

Brasília, 30 de abril de 1987 - Oscar Corrêa, Presidente — Aldir Passarinho, Relator

— Ruy Ribeiro Franca, Procurador-Geral Eleito- ral S u b s t i t u t o .

( P u b l i c a d o n o DJ d e 21 - 8 - 8 7 ) .

R E L A T Ó R I O

O Senhor Ministro Aldir Passarinho (Rela- tor): Senhor Presidente, os Srs. Francisco José Chiquilito Coimbra Erse, William José Kury e A d e m a r A l f r e d o Sukel, o primeiro alegando sua condição d e candidato a Senador e os outros dois na condição de suplentes d o primeiro (art.

4 1 , § 3? da CF), interpuseram Recurso contra a diplomação dos Srs. Ronaldo Aragão, Djair Prie- t o e A n t ô n i o M o r i m o t o , o primeiro, c o m o Sena- dor da República e os demais c o m o suplentes daquele, para isso estribando-se no art. 262, III, do Código Eleitoral.

Entendem os recorrentes que a diplomação impugnada feria o art. 41 c / c a Emenda Consti- tucional n? 25, art. 3?, parág. único, e o art. 63 da Resolução 1 2 . 8 5 4 / T S E , que determinam seja considerado eleito o candidato mais v o t a d o no- minalmente e, no caso, isso ocorrera c o m eles, recorrentes, c o n f o r m e c o m p r o v a r a m .

Assenta-se o Recurso e m bem lançada f u n - damentação, que assim p o d e ser resumida: o art. 4 1 , da Constituição Federal, na redação da Emenda Constitucional n? 25, de 15 de maio de 1985, t o r n o u explícito o princípio majoritário de eleições para o S e n a d o Federal, c o n f o r m e resul- tava d o parágrafo único d o art. 3? da aludida Emenda Constitucional, ao dizer:

" N a data estabelecida neste artigo, o Distrito Federal elegerá, ainda, 3 (três) Se- nadores, sendo que os dois mais votados terão m a n d a t o de 8 (oito) anos e o 3? (ter- ceiro), m a n d a t o de 4 (quatro) a n o s . "

Entretanto, sustentam que o Tribunal Re- gional Eleitoral d o DF pretendia aplicar o Decreto-Lei n? 1.541 / 7 7 , que era, p o r é m , c o n - trário à Constituição Federal, quer no seu as- pecto formal c o m o no material, a par d o que se encontrava d e r r o g a d o desde a EC n? 11/78 e 15/80, e inaplicável, por força da EC n? 2 5 / 8 5 e, por f i m revogado pelo Congresso Nacional, c o m sanção d o Presidente da República. Oferecem

(12)

histórico das Constituições e da legislação eleito- ral, m o s t r a n d o que sempre prevaleceu o princípio majoritário nas eleições para o Senado.

Lembra as Emendas Constitucionais n?s 7 e 8, além d o Decreto-Lei n? 1.541, aquelas trazendo a figura d o Senador Indireto e este instituindo a sublegenda para o S e n a d o . Ressalta os protes- tos que tais medidas p r o v o c a r a m , inclusive da O A B , aí através de manifesto assinado e aprova- d o pelo seu então Presidente, o Dr. R a i m u n d o Faoro. S u s t e n t a m que o Decreto-Lei n? 1.541, de 1977, que instituía a sublegenda é inconstitu- cional, t a n t o no seu aspecto formal c o m o no material. Embora pudesse o Presidente da Repú- blica, ante o § 1?, do art. 2°, do AI-5, legislar sobre qualquer matéria, não poderia fazê-lo no referente ao direito eleitoral, pois ele é t o t a l m e n - te diverso d o estabelecido no art. 55, incisos I, II e III, da Carta Magna e, assim, a instituição de sublegenda só poderia fazer-se através de lei or- dinária o u de lei c o m p l e m e n t a r , e se a t a n t o ti- vesse autorizada a EC n? 8. A s s i m , sendo o Decreto-Lei n? 1.541/77 f o r m a l m e n t e inconstitu- cional, t a m b é m o era no seu aspecto material por ferir o princípio majoritário consagrado no regime republicano desde a primeira eleição para o Senado Federal, e m 1890, pois ficaria extirpa- da a representatividade dos Estados, que passa- riam a ser representados pelos Partidos Políticos e não pelos cidadãos que obtivessem a maioria de votos. A f i r m a m , ainda, os recorrentes que a EC n? 1 1 , de 13-10-80, revogou t o d o s os atos institucionais e complementares, pelo seu art.

3?, o qual dispôs:

" S ã o revogados os atos institucionais e complementares, no que contrariarem a Constituição Federal, ressalvados os efeitos praticados c o m base neles, os quais estão excluídos de apreciação j u d i c i a l . "

A l e g a m , q u a n t o aos efeitos, embora ressal- vados, que são eles manifestamente contrários à Constituição Federal e aos seus princípios, fica- ram eles revogados desde 1-1-79, q u a n d o entrou em vigor dita EC n? 1 1 . Se o legislador preten- desse que o Senador representasse o Partido Político e não a unidade da Federação, tê-lo-ia declarado expressamente desde a primeira Cons- tituição Republicana, de f o r m a clara. E acres- c e n t a m os recorrentes (fls. 12/13):

" P o r o u t r o ângulo há de se entender que os Estados não p o d e m ser representa- dos por Partidos Políticos para preservar a Unidade Federativa, pois se esta tivera sido a intenção d o legislador constitucionalista, ele a teria expresso que o Senado Federal seria c o m p o s t o de representantes dos Par- tidos Políticos, eleitos s e g u n d o o Princípio Majoritário.

N u m a interpretação lógica, o represen- tante d o Estado não pode ser o menos v o - t a d o , eis que, no exercício da atividade parlamentar, o representante d o Estado no Senado, exerce o seu mandamus c o m total independência. E assim, é impossível o re- presentante não ser o mais votado, pois o contrário seria, realmente, a não represen- tatividade autêntica e legítima d o referido Estado no C o n j u n t o Federado, e m total discrepância c o m o Princípio Majoritário e da Representatividade dos Estados, na m a - nutenção d o Equilíbrio Federativo, consa- grado na Constituição Federal."

Dizem, ainda, os recorrentes que nova der- rogação sofreu o aludido Decreto-Lei n?

1.541/77 pela EC n? 15/80, ao dar nova redação ao art. 4 1 , eis que pôs f i m à eleição indireta de Governador e Senador, restabelecendo o v o t o direto para a m b o s e sendo a eleição pelo princípio majoritário, ou seja o d o mais v o t a d o , pelo que não mais poderia subsistir o Decreto- Lei n? 1.541/77. Reafirmava, assim, o legislador o fim da sublegenda manifestamente inconstitu- cional. I n v o c a m a seguir lições de d o u t r i n a , t u d o na asseveração de que não mais pode prevalecer a eleição à base da sublegenda. A c e n t u a r a m , por último, que a Lei Complementar n? 4 1 , de 1981, ao criar o Estado de Rondônia, estabele- ceu, no seu artigo 4?, § 2?, que " o s dois Sena- dores m e n o s v o t a d o s dos três eleitos terão m a n - dato de q u a t r o a n o s " , o que evidentemente mostra que na outra eleição, na renovação dos referidos dois terços, deveriam ser eleitos os dois mais v o t a d o s . Pleiteiam, em conseqüência, que sejam anulados os diplomas expedidos e m favor dos recorridos e expedidos outros aos re- correntes, o primeiro c o m o Senador eleito pelo Estado de Rondônia, na legenda do PFL e os dois outros, c o m o seus respectivos suplentes, t u d o de a c o r d o c o m as votações nominais rece- bidas pelos recorrentes e recorridos, no pleito de 15 de n o v e m b r o d o ano p. f i n d o .

O recorrido, P M D B , em suas contra-razões, sustenta, preliminarmente, que não t e n d o o a t o d o pedido de registro d o s candidatos sofrido i m - pugnação, implicou isso na aceitação, por t o d o s os Partidos, das regras d o pleito que se realizou.

A f i r m a m que a legislação pertinente é no senti- d o da existência da sublegenda.

Ouvida, manifestou-se a d o u t a Procura- doria-Geral Eleitoral, pelo c o n h e c i m e n t o d o pre- sente Recurso, mas pelo seu desprovimento, c o m f u n d a m e n t a ç ã o igual aquela já expendida ao ensejo d o parecer e m i t i d o no Recurso de Di- plomação n? 367-DF, e m que figurou c o m o re- corrente o candidato d o PT a Senador Lauro Á l - vares da Silva Campos que recorreu contra a d i - plomação d o candidato Meira Filho, d o P M D B .

Ê o relatório.

(13)

1 4 B O L E T I M E L E I T O R A L N ? 4 3 8 J a n e i r o d e 1 9 8 8

V O T O

O Senhor Ministro Aldir Passarinho (Rela- t o r ) : S e n h o r Presidente, o parecer da d o u t a Procuradoria-Geral Eleitoral manifesta-se pelo c o n h e c i m e n t o d o Recurso, mas pelo seu impro- v i m e n t o , não o c o r r e n d o preclusão, embora não tenha h a v i d o i m p u g n a ç ã o ao registro dos candi- d a t o s á sublegenda, em face de a objeção ser de o r d e m constitucional, ante a jurisprudência desta Corte, à luz d o art. 223, § 3? d o Código Eleitoral e d o parágrafo único d o art. 259 d o m e s m o d i p l o m a legal.

O Decreto-Lei n? 1.541/77 não se me afigu- ra i n c o n s t i t u c i o n a l , e nem assim o considerou este T r i b u n a l , e m b o r a não tenha apreciado tal aspecto e m sede c o n t e n c i o s a .

A s s i m é que estipulou na Resolução n?

12.874, de 24-7-86, que nas eleições para o Se- nado seria considerada c o m o chapa cada candi- d a t o isolado, o u sublegenda ( c o m dois o u três c a n d i d a t o s ) , tendo-se c o m o eleitos as duas (ou 3, no DF), as chapas majoritárias. E, na chapa majoritária, seria, no caso de sublegenda, consi- derado eleito o mais v o t a d o . E tal e n t e n d i m e n t o foi i m p l i c i t a m e n t e reiterado pela Resolução 13.066 d e 10-9-86, que a p r o v o u o m o d e l o da cé- dula oficial, o n d e se e n c o n t r a v a m os lugares próprios para a indicação d o s que figurassem na c h a p a , e m sublegenda, e o critério, c o m o t u d o salientado no parecer da ilustrada Procuradoria- Geral Eleitoral, foi reiterado ao ser disciplinada a apuração, pela Resolução n? 13.266, de 29-10-86, c o n f o r m e seu art. 43, parágrafo ú n i c o .

Entretanto, tal circunstância não tornaria ir- reversível o e n t e n d i m e n t o implícito desta Corte sobre o t e m a , até porque, e c o m o dito, não h o u v e decisão judicial contenciosa, mas apenas administrativa, no disciplinamento da realização das eleições d e 15 de n o v e m b r o de 1985 e da apuração d o s resultados. M o s t r a , c o n t u d o , que o Tribunal Superior Eleitoral — que, o b v i a m e n - te, e m b o r a não t e n h a havido decisão e m sede c o n t e n c i o s a — não viu, inconstitucionalidade no Decreto-Lei n? 1.541/77. Ademais, não é de es- quecer que a sublegenda não é de agora, mas já fora a d o t a d a nas eleições anteriores para o Se- n a d o , q u a n d o já vigorava o princípio majoritário.

E, assim, f o i , nas eleições anteriores, c o m o nes- tas últimas, a d o t a d o o critério de sublegenda, sem que se acoimasse ele de inconstitucional.

Q u a n t o ao resultado a que levaria o provi- m e n t o d o Recurso, por certo que levaria ele à anulação das eleições, pelas razões ajustada- m e n t e postas n o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral, m a n i f e s t a d o no Recurso 677, e m que figura c o m o recorrente Lauro Álvares da Silva C a m p o s e o u t r o s , ao dizer (fls. 3 9 / 4 1 ) :

" 3 4 . N o caso, o acolhimento da ar- güição da invalidez d o Decreto-Lei n?

1.541/77, afetaria a validade d o registro, pelo m e s m o partido, de dois candidatos à mesma vaga, e m sublegenda e importaria, em conseqüência, o cancelamento d o de a m b o s , após as eleições.

35. Claro, cuidando-se de eleições majoritárias, seria inaplicável a parte final, que, c o m vistas a pleitos proporcionais, manda c o n t a r para a legenda partidária os v o t o s dados a candidatos, cujos registros hajam cancelados.

36. Não obstante, o que importa é o princípio que inspira a norma, segundo a qual não p o d e u m partido ser prejudicado pela decisão que, declarando inelegibilida- de ou cancelando registro antes concedi- do, altere, após o pleito, os termos da equação eleitoral sob os quais se feriu a disputa.

37. Esse princípio, q u a n d o não possa induzir â c o n t a g e m dos v o t o s e m favor d o partido — que não teria sentido, e m elei- ção regida pelo sistema majoritário — , só poderá levar á anulação d o pleito.

38. Essa mesma conseqüência, aliás, é expressamente ditada pelo Código Eleito- ral, para situação similar: a nulidade da vo- tação que atingir mais da metade de v o t o s da circunscrição (art. 224).

39. Do contrário — aceita, que fos- se, na espécie, a solução pleiteada pelos recorrentes, — ter-se-ia solução que a lógi- ca repudia: a diplomação d o candidato de maior v o t a ç ã o individual, por força de deci- são posterior ao pleito, frustraria a mani- festação de maior número de eleitores que, t e n d o sufragado u m dos candidatos regis- trados e m sublegenda, segundo as regras d o j o g o , antecipadamente declaradas pela Justiça Eleitoral, não apenas expressaram sua preferência por u m dos nomes da cha- pa, mas, simultaneamente, sufragaram o que, dentre eles, lhe superasse a votação individual.

40. Em o u t r o s termos, o v o t o confe- rido a c a n d i d a t o registrado em sublegenda c o n t é m em si duas manifestações de v o n - tade: u m , preferencial, em favor d o n o m e sufragado; o u t r o , na hipótese de não ser ele o mais v o t a d o da chapa respectiva, em favor daquele que o seja.

4 1 . Por isso, cotejar a votação de q u e m c o n c o r r e u isolado c o m a votação in- dividual de cada u m dos que concorreram e m sublegendas é comparar votos hetero- gêneos, em prejuízo d o partido que obtive- ra da Justiça o registro da chapa plural.

Referências

Documentos relacionados

 Respeitar as diferenças entre as pessoas (gênero, idade, habilidades e ideias).  Desenvolver habilidades motoras por meio

Presidência do Ministro Rafael Mayer. Presentes os Ministros Néri d a Silveira, Oscar Corrêa, Torreão Braz, Washington Bolívar, José Guilherme Villela, Sér- gio Dutra e

Recorrente: Waldimar de Oliveira (Adv. Abrão Name). Presente s os Ministro s Oscar Corrêa, Aldir Passarinho, Carlos Mário Velloso, William Patterson, José Guilherme Vil-

Mandado de segurança julgado prejudicado em razão da decisão proferida no Recurso n.. Presente s os Ministro s Oscar Corrêa, Aldir Passarinho, Carlos Mário Velloso,

Reclamação prejudicada (Resolução TSE n. Em- bargos de Declaração rejeitados. Presente s os Ministro s Oscar Corrêa, Aldir Passarinho, Carlos Mário Velloso, William

10.. Presente s os Ministro s Oscar Corrêa, Aldir Passarinho, Carlos Mário Velloso, William Patterson, Sérgio Dutra, Rober- to Rosas e o Dr. José Paulo Sepúlveda

Rec. Carlos Mário Velloso.. Walter Nunes da Silva). Decisão: Improvido, em decisão unânime. Presidência do Ministro Oscar Corrêa. Pre- sentes os Ministros Aldir Passarinho, Francisco

— PH, fixando o prazo de 1 (um) ano para orga- nização definitiva. Presidência do Ministro Aldir Passarinho. Ruy Ribeiro Franca, Procurador-Geral Eleitoral Substituto.. O TSE