Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região - 1º Grau PJe - Processo Judicial Eletrônico
Consulta Processual
23/05/2017
Número: 0024653-98.2016.5.24.0006
Data Autuação: 27/04/2016
Classe: AÇÃO TRABALHISTA - RITO ORDINÁRIO
Valor da causa: R$ 40.000,00
Partes
Tipo Nome
AUTOR ELIANE AJALA DA SILVA - CPF: 024.520.351-65
ADVOGADO IJOSEY BASTOS SOARES - OAB: MS15432
RÉU EXPRESSO QUEIROZ LTDA - CNPJ: 01.537.539/0001-47
ADVOGADO NICOLAS SHADDAI CAMPOS DA SILVA - OAB: MS21557
ADVOGADO Viviane Lacerda Lopes Nogueira - OAB: MS14700 Documentos
Id. Data de Juntada Documento Tipo
495b6 c2
27/04/2016 17:50 001- Inicial Eliane Ajala Petição Inicial
17218 f5
29/04/2016 08:37 Decisão de prevenção Decisão
9a357 0a
10/06/2016 21:37 1. Expresso Queiroz x Eliane Ajala - Contestação Petição em PDF b1848
49
02/09/2016 10:54 Expresso Queiroz x Eliane Ajala - Manifestação - Set.16 PDF
Documento Diverso eae07
2b
11/05/2017 20:38 Ata da Audiência Ata da Audiência
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA ª VARA DO TRABALHO DE CAMPO GRANDE (MS).
ELIANE AJALA DA SILVA, brasileira,
solteira, cobradora, CPF/MF 02 0 24 4. .5 52 20 0. .3 35 51 1- -6 65 5, RG 00160.6378
SSP/MS, PIS 1 12 29 9. .1 18 82 20 05 5. .3 38 8. .0 0, CTPS 07 0 71 18 87 75 56 69 9 SE S ER RI IE E 00 0 00 01 1/ /M MS S, filha
de Guimaria Ajala da Silva, residente e domiciliado em Campo
Grande/MS sito à Rua Alcélio de Souza Castro, nº 303, Jardim
Uirapuru, CEP 79073-229, por seu advogado que esta subscreve,
vem perante Vossa Excelência propor AÇÃO TRABALHISTA em face
de EXPRESSO QUEIROZ LTDA, pessoa jurídica de direito privado
inscrita no CNPJ 01 0 1. .3 35 57 7. .5 53 39 9/ /0 00 00 01 1- -4 44 47 7, com sede em Campo
Grande/MS, à Av. Salgado Filho, 2616, Jardim América, CEP 79005-
300, pelos motivos de fato e de direito que, articuladamente, passa a
expor:
1 - DO CONTRATO DE TRABALHO 1.1 – DA ADMISSÃO E FUNÇÃO.
A obreira foi admitida em 23.10.2012 para laborar na função de cobradora.
1.2 - DA JORNADA DE TRABALHO.
A jornada da obreira consistia em, para cada três dias trabalhados, um dia de folga.
Desta feita a obreira fazia a linha Campo Grande/Assentamento patagônia, iniciando o dia de trabalho às 06h00min e terminando às 11h30min, no dia seguinte a obreira percorria a linha Campo Grande/Dourados, iniciando as atividades diárias às 04h40min e encerrando às 15h30min, e finalmente, no terceiro dia consecutivo a obreira repetia o mesmo trajeto Campo Grande/Dourados, porém em horário diverso do dia anterior, ou seja, iniciava as atividades às 06h20min, finalizando às 18h00min.
Após o dia de folga, a obreira retornava a sequencia dos três dias, começando com a linha Campo Grande/
Dourados, com início às 10h00min e término às 20h30min, no dia
seguinte trabalhava na linha Campo Grande/Assentamento Patagônia,
iniciando o turno de trabalho às 14h30min e encerrando às 20h00min,
e finalmente para o encerramento do tríduo, a obreira percorria a linha
Campo Grande/Dourados, iniciando os trabalhos às 07h20min, encerrando às 19h40min.
Desta forma completado o ciclo descrito acima, após um dia de folga, este voltava a repetir-se, indiferente se o dia laborado coincidisse no sábado, domingo ou feriado.
Nos dias de jornadas mais extensas o intervalo intrajornada era de 30 a 40 minutos, sendo para os demais dias sem qualquer intervalo.
1.3 - DA REMUNERAÇÃO.
Seu salário, considerado para fins rescisórios foi de R$ 1.782,20.
Ao lado da remuneração acima, a obreira
recebia, habitual e gratuitamente, vale refeição de R$ 110,00 (cento e
dez reais) por mês, de igual modo, a obreira recebia também salário in
natura (sacolão) que girava em torno de R$ 100,00 (cem reais),
benefícios estes que tem caráter salarial, devendo integrar a
remuneração da obreira na forma do artigo 458 da CLT.
1.4 - DA RESCISÃO.
“Imagine um tribunal com poderes para acusar, produzir provas, julgar em instância única e executar de imediato a pena aplicada, tudo de forma unilateral e sigilosa. Esse “tribunal” Kafkiano pode ser encontrado em alguns manuais de Direito do Trabalho. Demitir um trabalhador sob a alegação de falta grave sem antes lhe dar oportunidade de se defender é compatível com a CF de 1988, que garante aos acusados em geral o exercício das
garantias do contraditório e da ampla defesa? ”
1No dia 04.01.2016 a obreira foi dispensada por justa causa em razão dos fatos a seguir narrados.
Logo após o retorno da obreira da licença maternidade, a esta foi concedida o gozo de férias, cujo retorno se deu em 05/11/2015.
Desde o regresso ao trabalho a autora passou a sofrer perseguição por parte de seu superior, impondo a obreira que assinasse diversas advertências sem a devida fundamentação.
No dia 19/01/2016, a reclamada acusou a obreira de que esta não teria conferido o veículo, deixando de emitir uma passagem, todavia, a reclamante confirma que realizou a vistoria neste dia, não constatado qualquer anormalidade, muito embora,
1 Extraído da obra a Dispensa Por Justa Causa e as garantias do contraditório e da ampla defesa – Claudimir Supioni Junior – LTR.
conforme relatório nº 5520, nenhum fiscal tenha comparecido para a realização da fiscalização alegada, não se fundamentado, desta forma, a acusação levantada.
De igual forma, no dia 23/01/2016 a reclamada obrigou a obreira a assinar advertência, tendo como punição a suspensão por dois dias do trabalho, sob a acusação de que a obreira teria deixado de emitir passagens na saída da linha Campo Grande/Assentamento Patagônia, todavia a controvérsia deu início motivada pelo fato de que, neste dia, a obreira teria levado sua filha e supostamente não teria emitido sua passagem.
Mais uma vez agiu a reclamada de má fé, haja vista ter a obreira comprado a passagem de sua filha, conforme se comprova ticket da passagem adquirida (anexo).
Verifica-se, neste caso, implacável perseguição da reclamada na tentativa de impingir a autora indevida justa causa, aliás, atitude empregada com relativa frequência pela ré, e de conhecimento desta especializada.
Na contramão da realidade enfrentada, as empresas têm suprimido os diretos conquistados pela classe trabalhadora, impondo fraudulentas demissões no afã de esquivar-se das obrigações trabalhistas.
Esse tipo de manobra tem se tornado
rotina dentro das empresas, devendo ser com veemência combatida por esta especializada.
Com todas as vênias a penalidade imposta deve ser revertida, não obstante os motivos adicionais que passaremos a esclarecer.
1º) FALTA DE IMEDIATIDADE.
Reza a doutrina pátria, no tocante a esse aspecto: Exige a ordem jurídica que a aplicação de penas trabalhistas se faça tão logo se tenha conhecimento da falta cometida.
Com isso evita-se eventual situação de pressão permanente ou, pelo menos, por largo e indefinido prazo sobre o obreiro, em virtude de alguma infração cometida.
No caso em comento a obreira foi suspensa em 25 de janeiro de 2016, ficando afastada do labor nos dias 26 e 27 do mesmo mês, e recebendo o aviso de dispensa por justa causa, no dia 29/01/2016.
Assim, havendo transcorrido um lapso de tempo entre a falta, e a efetivação de sua dispensa, tem-se que a ex- empregadora abriu mão do direito potestativo de aplicar-lhe a pena insculpida no artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho.
Nem alegue a ré razoabilidade no prazo
em questão, pois que nenhum procedimento administrativo, do tipo inquérito ou sindicância, foi aberto a fim de que se explicasse o lapso de tempo, razão pela qual a justa causa imputada é nula de pleno direito.
2º) OFENSA AO PRINCÍPIO “NON BIS IN IDEM”
O ordenamento jurídico brasileiro proíbe a aplicação de mais de uma punição pela mesma ação praticada.
Com efeito, dentro do seu poder disciplinar, tem o empregador o direito de punir o empregado faltoso, aplicando a penalidade que mais se ajuste à falta praticada, de acordo com a gravidade desta.
Escolhida e aplicada a pena de suspensão, não cabe nova penalidade de dispensa por justa causa com fundamento no mesmo fato já punido, haja vista o poder disciplinar do empregador esgotar-se em relação ao fato punível e a aplicação da pena escolhida.
Neste cenário, observa-se que a obreira já
havia sido penalizada com a suspensão do labor por dois dias, sendo
inadmissível a aplicação de outra pena (justa causa), sobre o mesmo
ato cometido, motivo pelo qual é invalida a justa causa aplicada,
requerendo desde já a sua reversão.
3º) VIOLAÇÃO À EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.
“Ora, as mudanças econômicas tornaram necessário fazer circular os efeitos do poder por canais cada vez mais sutis, chegando até os próprios indivíduos, seus corpos, seus gestos, cada um de seus desempenhos cotidianos. Que o poder, mesmo tendo uma multiplicidade de homens a gerir, seja tão eficaz quanto se ele se exercesse sobre um só”. Michel Foucault - Microfísica do poder.
Não restam dúvidas de que os direitos fundamentais estampados na constituição federal possuem eficácia não só vertical (cidadão v.s. Estado), antes guardam dimensão mais ampla, possuindo, outrossim, eficácia horizontal, ou seja, entre os particulares.
Deste modo vale dizer; assim como os atos emanados do Estado só se legitimam quando observado o sistema de liberdades e garantias previsto na Constituição Federal, os atos dos particulares praticados, sem a observância de tais parâmetros, são ilegítimos.
Como se sabe, o sistema de garantias
fundamentais estampado na carta da república imputa invalidade a
todos os atos disciplinares que não observem o contraditório e a ampla defesa.
Assim, é inválida a justa causa aplicada, pois que não se conferiu a obreira, em momento algum o direito ao contraditório e à ampla defesa, institutos indispensáveis à aplicação da pena de justa causa.
O Regional recentemente proferiu decisão revertendo uma justa causa em que não se oportunizou ao obreiro o contraditório e a ampla defesa, por violação ao art. 5º, LV, da CF, vejamos o trecho do acórdão:
2.2.1 – REVERSÃO DA JUSTA CAUSA – VERBAS DECORRENTES.
Voto da lavra do Juiz Convocado Júlio César Bebber:
“O juiz originário reconheceu
comprovados os fatos que motivaram a demissão por justa causa do reclamante.”
O autor pretende a reforma da sentença aduzindo que a prova não dá respaldo à manutenção da decisão e pede a condenação do reclamado no pagamento de verbas decorrentes de demissão sem justa causa. ” (Relatório do Exmo. Des. João de Deus Gomes de Souza).
Assiste-lhe razão.
O contraditório e a ampla defesa são direitos fundamentais (CF, 5º, LV) com eficácia vertical e horizontal, aplicando- se, por isso, também entre os particulares (STF-RE- 01819/RJ,
2ª T., Red. Min. Gilmar Mendes, DJ 27-10- 2006, p.64).
A ré não oportunizou ao autor esclarecer, explicar ou defender-se das irregularidades que lhe foram imputadas (como cobrador permitiu a presença de passageiro sem passagem; picotou algumas passagens somente na via do passageiro), valendo-se, de pronto, de juízo sumário, em franca e aberta afronta ao art. 5º, LV, da CF.
Dou provimento para reputar injusta a dispensa e deferir o pagamento das verbas e direitos pleiteados. “
Pelo exposto, seja pela falta de falta grave a ensejar a justa causa, seja pelo fato de que a ré não observou o princípio do contraditório e da ampla defesa, não obstante a ofensa ao princípio que proíbe a dupla punição, a demissão há que ser reputada nula e convertida em despedida imotivada.
2 - VERBAS DEVIDAS 2.1 – VERBAS RESCISÓRIAS.
Conforme já explanado, não houve culpa
na rescisão contratual, razão pela qual são devidos o aviso prévio indenizado, férias proporcionais, 13º proporcional além do FGTS com multa e emissão das guias do seguro desemprego.
Pede o deferimento do pedido.
2.2 - HORAS EXTRAS E INTERVALOS INTRAJORNADAS.
Consoante exposto, durante todo o contrato de trabalho, a obreira laborou em jornada que extrapola o limite constitucional previsto sem a devida remuneração.
Veja Vossa Excelência que nem mesmo o intervalo intrajornada era respeitado.
Por tal razão, requer a procedência do pedido para condenar a acionada ao pagamento das horas extras e reflexos, assim consideradas as excedentes à 7ª diária e 42ª hora semanal, com repercussão em repouso remunerado, destes (HE'S + RSR´S) em aviso prévio, férias com acréscimo de 1/3, décimo terceiro salário e incidência de FGTS com multa (11,20%).
A verba deverá ser liquidada com a
adoção do divisor 200, redução da hora noturna, adicional de
convenção e globalidade salarial.
Pede o deferimento do pedido.
2.3 – INTEGRAÇÃO DO VALE ALIMENTAÇÃO E ALMOÇO AO SALÁRIO.
Conforme narrado, a obreira recebia mensalmente a importância de R$ 110,00 (cento e dez reais) por mês, de vale alimentação, assim como um sacolão mensal que girava em torno de R$ 100,00 (cem reais).
É nítido que tais benefícios possuem natureza salarial e por isso devem integrar o salário para todos os fins, devendo a ré ser condenada ao pagamento dos seus reflexos em RSR, férias com adicional, salários trezenos, aviso prévio indenizado e FGTS com multa.
Pede deferimento.
2.4 - MULTA DO ARTIGO 467 CLT.
Não havendo pagamento das verbas incontroversas em sua totalidade na 1ª audiência, a ré deverá ser condenada ao pagamento da multa invocada.
Saliente-se que não há espaço para
interpretar o dispositivo de modo a fixar entendimento de que qualquer
controvérsia, ainda que formal, possa ensejar o afastamento da multa.
Para que a multa em questão não tenha vez, é imperioso que a ré lance argumentos fundamentados e idôneos a controverter o débito das verbas rescisórias, o contrário a condenação é medida que se impõe.
2.5 - MULTA DO ARTIGO 477, § 8º DA CLT.
Com relação à multa do artigo 477, o pagamento das verbas rescisórias se deu após o prazo estipulado em lei, devendo a ré ser condenada ao pagamento da multa prevista.
Conforme já se manifestou a SBDI-1 do C.
TST a única hipótese capaz de afastar a aplicação da sanção em questão é a culpa do obreiro.
Neste sentido:
EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 11.496/2007. MULTA DO ARTIGO
477 DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO - VÍNCULO
EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. A simples invocação de
inexistência de vínculo empregatício, na defesa, não isenta o empregador
do pagamento da multa, visto que a única exceção contida no artigo 477, §
8º, da Consolidação das Leis do Trabalho é a hipótese em que ficar
comprovado que o trabalhador deu causa a mora no seu pagamento, o que
não se verifica no caso dos autos. Recurso de embargos conhecido e
desprovido.( TST-E-RR-78900-76.2009.5.24.0005).
Complementando o raciocínio:
RECURSO DE REVISTA. MULTA DO § 8.º DO ARTIGO 477 DA CLT.
REVERSÃO DE JUSTA CAUSA. APLICABILIDADE. A jurisprudência desta Corte admite a imposição da multa prevista no art. 477, § 8.º, da CLT para os casos, como o presente, em que não se configurou fundada controvérsia acerca da configuração de falta grave ensejadora de rescisão do contrato de trabalho por justa causa. Recurso de Revista não conhecido (RR - 1200- 35.2008.5.18.0002 – Tribunal Superior do Trabalho – 4ª Turma).
A contrário senso, a simples discussão acerca do motivo da rescisão não ilide a aplicação da multa.
Assim, diante da inadimplência é devida a multa do artigo 477, parágrafo 8° da CLT, pelo que requer a procedência do pedido para o fim de condenar a recorrida ao pagamento da multa prevista.
Pede deferimento.
3 – REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS.
Conforme dantes narrado, a demissão imposta à obreira foi arbitrária, dado que desprovida de justificativa e sem qualquer fundamentação legal.
Além do fato de que a demissão se deu
em momento de extrema fragilidade da obreira, haja vista
necessidade desta, como única mantenedora e mãe solteira, em
suprir todas as necessidades de sua prole de pouco mais de um ano de idade, padecendo a obreira sentimentos de humilhação desespero e vergonha, além de falta de recurso para a manutenção da família.
Em assim procedendo, a ré lançou fora a trabalhadora, suprimindo seus direitos garantidos em lei, sob a forma de uma demissão explicitamente forjada, situação esta que configura clara violação ao artigo 186 do CCB, deflagrando a incidência dos artigos 927 e 944 do mesmo diploma.
Diante de tal circunstância, presentes os requisitos do dever de indenizar, não há outra saída que não a de condenar a reclamada ao pagamento de indenização por danos morais decorrentes das violações dos direitos de personalidade da obreira.
No que cerne ao quantum indenizatório, tarefa difícil é essa de chegar a um valor que seja tido como justo para uma indenização por um dano moral.
Com efeito, a moral de alguém não pode ser precificada, tabelada, de modo que coube à jurisprudência e à doutrina fixar parâmetros para a precificação do dano moral e deste modo levam-se, pois, em conta, em sua determinação, as condições pessoais, sociais, e econômicas do ofendido e do causador do dano, o grau de sua culpa ou a intensidade do elemento volitivo, assim como a reincidência.
Deste modo temos de um lado a honrada
pessoa da reclamante que jamais esteve a dever nada na sociedade e
deste modo é digna de duplicada honra no seio social já que se trata de mulher honesta, com certo grau de instrução e que jamais teve seu nome envolvido em qualquer tipo de ilícito.
Do outro lado temos a figura da reclamada, cuja administração e condução de suas atividades, estava sob o comando de preposto, que pela posição, deveria demonstrar entendimento hábil a ensejar o mínimo de respeito e ética dignos de impedi-lo de tais práticas e de errar com a honra de seus funcionários.
Outro balizador do quantum deve ser o caráter pedagógico da sanção imposta, de modo que uma condenação nos moldes que vêm sendo praticados são inteiramente despidas de caráter pedagógico, beirando o status de convite ao abuso.
Deste modo sugerimos o valor de 20 vezes o valor do maior salário da obreira, como sendo um quantum indenizatório razoável, prevalecendo, porém o justo arbitramento de Vossa Excelência.
4 – REPARAÇÃO POR PERDAS E DANOS - APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 389 E 404 DO CÓDIGO CIVIL (RESTITUTIO IN INTEGRUM).
Preceitua o art. 389 do CCB que “não
cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos,
mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”.
O artigo 395 dispõe que “responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”.
Por fim, o art. 404 do mesmo diploma disciplina que “as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas, e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional”.
Nessa linha, temos a conclusão lógica que, para a perseguição de seu crédito a obreira teve de despender valores relativos a honorários advocatícios contratuais, diante do que se impõe a condenação da acionada à restituição dos valores despendidos, pois do contrário não se fará justiça, visto que não se trará a restituição integral do direito.
Neste sentido, vale colacionar o enunciado nº. 53 da 1ª jornada de direito material e processual na Justiça do Trabalho (2007):
REPARAÇÃO DE DANOS – HONORÁRIOS CONTRATUAIS DE ADVOGADO. Os artigos 389 e 404 do Código Civil autorizam o Juiz do
trabalho a condenar o vencido em honorários contratuais de advogado, a fim de assegurar ao vencedor a inteira reparação do dano.
Nem se argumente a incidência das
súmulas 219 e 329 do TST, pois que referidas súmulas versam sobre honorários assistenciais, que possuem natureza processual, ao passo que o que se busca é a reparação por perdas e danos decorrentes da contratação de advogado particular, que encontra amparo na legislação material.
Por esta razão a condenação da Acionada é medida que se impõe.
5 - DOS PEDIDOS
Por todo exposto requer seja recebida a presente reclamação trabalhista para, conceder a obreira os benefícios da justiça gratuita por ser pobre na forma da lei, declarar a reversão da justa causa e condenar a ré ao pagamento das verbas pleiteadas no item 2, 3, 4 e seus subitens, com juros e correção monetária pelo IPCA (a apurar):
Seja citada as Rés para, querendo, contestar a ação sob cominação de revelia, decorrendo daí seus efeitos.
Protesta por provar o alegado por todos os meios de provas em admitidos em direito, sem exceção.
Dá-se à causa o valor de R$. 40.000,00
(quarenta mil reais), para fins exclusivos de alçada e rito.
Termos em que pede deferimento.
C.G., 27.04.2016
WILSON CREPALDI JUNIOR IJOSEY BASTOS SOARES
OAB/MS 17.872 OAB/MS 15.432
PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO 1ª REGIÃO 6ª Vara do Trabalho de Campo Grande
RUA JOAO PEDRO DE SOUZA, 1025, JARDIM MONTE LIBANO, CAMPO GRANDE - MS - CEP: 79004-914 tel: (67) 33161916 - e.mail: [email protected]
PROCESSO: 0024653-98.2016.5.24.0006
CLASSE: AÇÃO TRABALHISTA - RITO ORDINÁRIO (985) AUTOR: ELIANE AJALA DA SILVA
RÉU: EXPRESSO QUEIROZ LTDA
DECISÃO PJe-JT
Não se configurando qualquer hipótese prevista no art. 286 do novo CPC que justifique a distribuição dirigida a este órgão julgador em face do(s) processo(s)
0024206-13.2016.5.24.0006 (ação de consignação em pagamento já julgada e arquivada), redistribua-se o feito aleatoriamente.
CAMPO GRANDE , 28 de Abril de 2016
BEATRIZ MAKI SHINZATO CAPUCHO Juiz(a) Titular de Vara do Trabalho
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA 6ª VARA DO TRABALHO DE CAMPO
GRANDE -MS.
AUTOS Nº 0024653-98.2016.5.24.0006
EXPRESSO QUEIROZ LTDA., qualificada nos autos do processo em epígrafe, que lhe move ELIANE AJALA DA SILVA,vem perante Vossa Excelência, por intermédio da advogada que esta subscreve, apresentar CONTESTAÇÃO aos fatos e pedidos iniciais, fundando-se, para tanto, nas relevantes razões de fatos e de direitos a seguir articuladas:
DOS PEDIDOS INICIAIS
1. Após detida análise da exordial, verifica-se que a autora pretende o seguinte:
i. nulidade da justa causa, com a sua consequente conversão para dispensa imotivada e recebimento dos consectários legais;
ii. recebimento de horas extras, DSRs e reflexos e intervalos intrajornadas;
iii. integração ao salário dos vales alimentação e almoço percebidos mensalmente pela reclamante, mais reflexos;
iv. recebimento das multas previstas nos arts. 467 e 477, §8°, ambos da CLT;
v. recebimento de indenização moral; e
vi. recebimento de indenização por perdas e danos a título de honorários advocatícios.
2. Sendo esses, em apertada síntese, os pedidos vindos com a petição inicial, cumpre à ora contestante rechaçá-los em todos os seus termos, porquanto destituídos de fatos e fundamentos jurídicos válidos.
DO CONTRATO DE TRABALHO MANTIDO COM A AUTORA
3. A autora foi admitida aos serviços da ré em 23/10/2012 para exercer a função de cobradora, com salário mensal inicial de R$685,00 (seiscentos e oitenta e cinco reais).
4. Impugna-se nesta oportunidade o valor indicado em sede de inicial que consignou o salário base da reclamante como sendo de R$1.782,20, tal informação é mentirosa e não tem espaço na presente lide. A despeito do valor apontado pela reclamante, tem-se que o seu último salário mensal foi de R$900,13 (novecentos reais e treze centavos). O seu desligamento da empresa reclamada se deu por dispensa por justa causa em 29/01/2016, conforme comprovam os termos de rescisão e de homologação de rescisão de contrato de trabalho em anexo.
DA RESCISÃO POR JUSTA CAUSA
5. Inicialmente, merece ser esclarecido que a rescisão do contrato de trabalho firmado entre reclamante e reclamada se deu tão logo no dia 29/01/2016 - e não em 04/01/2016 - oportunidade na qual aquela se negou a assinar o “termo de aviso do empregador para dispensa do empregado por justa causa”, bem como a realizar o exame demissional – vide documentação anexa.
6. Esclarece-se, ainda, que a demissão por justa causa, fulcrada nas alíneas “b” e “e”, do art. 482 da CLT, se deu em razão de a reclamante atuar com mau procedimento e, ainda, com visível desídia no desempenho das suas funções.
7. A despeito do consignado em sede de inicial, é certo, em especial pelos documentos acostados a esta contestação, que foram reiteradas as advertências e suspensões dirigidas à reclamante, não só em razão das suas diversas faltas injustificadas, mas, também, em decorrência de reclamações realizadas por clientes da reclamada, motivadas pela falta de educação e de cortesia com que foram tratados pela reclamante.
8. Conforme se depreende dos elementos ora apresentados, a justa causa aplicada à reclamante foi motivada por duas ocorrências registradas nos Relatórios de Fiscalização em Veículos n° 5528 e 5530, ambas datadas de 20/01/2016 (em anexo).
9. A primeira ocorrência emanou de reclamação formalizada pela passageira ELIZAFAN LINHARES DE SOUZA, que – conforme relatado – foi destratada pela autora, quando solicitou que esta etiquetasse a sua bagagem antes de coloca-la no bagageiro do veículo (íntegra em anexo):
10. Ainda no mesmo dia, conforme se depreende do relatório de fiscalização em veículos n° 5530, foi constatado pelo fiscal responsável que a ora autora não desempenhava suas funções com o devido cuidado e diligência. Além de ter sido verificado que a mesma vinha preenchendo o seu talão de passagens de forma incorreta, foi-lhe informado pelo motorista responsável que, usualmente, ASSIM QUE O ÔNIBUS DEIXAVA A RODOVIÁRIA, A FUNCIONÁRIA ELIANE AJALA DA SILVA IA DORMIR NO SALÃO DO VEÍCULO, DE MODO QUE, QUANDO DO EMBARQUE DE PASSAGEIROS NA RODOVIA, ERA NECESSÁRIO ACORDÁ-LA, PARA QUE CUMPRISSE SUAS FUNÇÕES!!!
11. Ora, como se percebe, não foi aplicada qualquer advertência ou pena de suspensão à reclamante pelos fatos acima narrados. A penalidade aplicada – leia-se, justa e devidamente dotada de
imediaticidade - foi a de demissão por justa causa, com fundamento no art.
482, b e e, da CLT. Posto isto, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM PENALIZAÇÃO EM BIS IN IDEM, em especial pelo fato de ter se tratado, na hipótese, de duas ocorrências graves e distintas.
12. Noutro giro, a despeito do que leva a crer a inicial, a suspensão de 02 (dois) dias, sofrida em 25/01/2016 (que, repete- se, não deu causa à dispensa por justa causa ora discutida), se referia às faltas cometidas nos dias 19 e 23 de Janeiro do corrente ano (termos de fiscalização em veículos em anexo), e não apenas a esta última. A falta cometida no dia 19 está relatada no relatório de nº 5520 (em anexo), restando comprovada, por conseguinte, a realização de fiscalização do veículo no qual laborava a reclamante naquela data.
13. Com relação à ocorrência registrada no dia 23/01/2016, deve-se anotar que, a despeito das alegações no sentido de que a reclamante teria de fato adquirido passagem para sua filha (o que, conforme restou comprovado do relatório de n° 5525, não ocorreu) não vem ao caso. Fato é que a reclamante se encontrava em local e horário de trabalho, não lhe sendo permitido, portanto, levar consigo no decorrer da sua jornada sua prole – ou qualquer outro ente familiar.
14. Logo, não há dúvidas, de que o simples fato de levar consigo sua filha (ou irmã – vide relatório 5525) já seria suficiente à aplicação de penalidade disciplinar. O fato de a autora não ter adquirido a passagem correspondente somente tem o condão de agravar – ainda mais – a situação na qual se encontrava a requerente no dia 23/01/2016. Segue a íntegra do relatório:
15. Sendo assim, está sobejamente comprovado que além de a reclamante trazer um parente consigo para seu local de trabalho – leia-se, sem prévia consulta e autorização dos seus superiores hierárquicos -,ela, de fato, não havia adquirido bilhete para o transporte da passageira que levava consigo, não sendo críveis, portanto, meras afirmações tecidas em sede de inicial, sem qualquer meio de prova da tempestiva compra do referido bilhete.
16. Nestes termos, com atenção a todo o relatado, resta sobejado, portanto, que NÃO HOUVE PERSEGUIÇÃO POR PARTE DA EMPRESA
– OU DE SEUS SUPERIORES HIERÁRQUICOS – EM DESFAVOR DA RECLAMANTE, mas tão somente fiscalização das atividades dos seus funcionários – o que é
medida comum à manutenção do padrão de qualidade e à boa prestação de serviços de qualquer empresa.
17. Não bastasse o fato de os relatórios que registraram diversas faltas da reclamante serem subscritos por diversos fiscais empregados da reclamada (e não por um só, como faz acreditar a inicial), a documentação acosta à inicial é suficiente à comprovação de que a desídia e a má conduta da autora no exercício de suas funções eram reiteradas, uma vez que a despeito das ocorrências que levaram à dispensa por justa causa da obreira (ocorrências datadas de 20/01/2016), foram-lhe aplicadas diversas outras advertências e suspensões disciplinares no decorrer da relação contratual, senão vejamos:
I. Em 25/05/2013, foi realizado o primeiro registro de advertência em desfavor da reclamante que, naquela oportunidade, havia deixado de emitir bilhetes de passagem para três passageiros que se encontravam no ônibus sob sua supervisão – doc. anexo;
II. Em 02/01/2014, por ter a reclamante, em 01/01/2014, deixado de comparecer ao trabalho, sem qualquer justificativa ou aviso prévio ao empregador, foi-lhe conferida suspensão das atividades laborais pelo prazo de um dia – em anexo;
III. No ano de 2015 lhe foram aplicadas 02 (duas) as suspensões disciplinares, ambas se referiam às faltas injustificadas e sem aviso prévio à empregadora, nos dias 21 e 27/12/2014 – doc. anexo;
IV. Já em 2016, mais especificadamente no dia 04/01/2016, em clara inobservância às regras de vestimenta da empresa, a reclamante deixou de utilizar o uniforme que lhe foi fornecido pela empregadora, tendo comparecido ao trabalho calçando sapato de salto alto. Aliás, conforme informações do responsável, mesmo devidamente advertida, tal ocorrência era de comum prática da autora;
V. Consta ocorrência do dia 07/01/2016, a reclamante deixou de comparecer à garagem da empresa para iniciar a sua jornada de trabalho, não apresentando, para tanto, qualquer justificativa
plausível. Em razão disso, recebeu advertência patronal (aviso de medida disciplinar nº 224) – em anexo;
VI. O terceiro registro do corrente ano se deu em 11/01/2016, quando, mais uma vez, sem justificativa ou aviso prévio, a reclamante deixou de comparecer ao trabalho, causando transtornos à empregadora – motivo pelo qual sofreu suspensão disciplinar no dia 14 daquele mês – em anexo;
VII. Novamente, em 25/01/2016, foi solicitada suspensão disciplinar da reclamante por, em 19/01, não ter conferido o veículo sob sua responsabilidade, deixando, assim, de destacar uma passagem que poderia ser reutilizada pelo passageiro. E mais, conforme consta do relatório de fiscalização em veículos nº 5520, a reclamante já havia sido anteriormente orientada sobre o ocorrido em outras oportunidades – em anexo;
VIII. Por fim, já em 23/01/2016, a reclamante deixou de emitir duas passagens – bilhetes nº 737574/737575, na linha sob sua responsabilidade, além de exercer sua função com desídia, pois, conforme consignado pelo Fiscal Rodrigo Henrique no Relatório nº 5525, a cobradora não desempenhava sua função corretamente, uma vez que ela não destacava a passagem na hora que o passageiro entrava no veículo, fazendo-o somente com a chegada de um fiscal.
Demais disso, frisou que a irmã da reclamante se encontrava dentro do ônibus, não lhe tendo sido emitido o bilhete competente – em anexo.
18. De todo o apontado, não deve prevalecer a tese de que “a autora passou a sofrer perseguição por parte do seu superior, impondo a obreira que assinasse diversas advertência sem a devida fundamentação”. Ora, todos os fatos que culminaram nas penalidades sofridas pela autora estão suficientemente fundamentadas nos relatórios de fiscalização em veículos regularmente emitidos pelos fiscais da EXPRESSO
QUEIROZ LTDA..
19. É sabido que a atuação dos fiscais se dá de modo dinâmico, não ocorrendo pré-agendamento para a realização das
vistorias. Justamente na tentativa de atestar a usual postura, zelo e observância dos funcionários da ré para com suas funções e deveres no dia- a-dia laboral. Ora, se houve o registro de ocorrências, este somente se deu por existir, de fato, irregularidade no labor prestado pela reclamante.
20. Não são críveis, portanto, as alegações autorais, até mesmo porque a inicial não trouxe qualquer evidência apta a desconstituir a veracidade de tal documentação, sendo composta única e exclusivamente de falácias, sem qualquer respaldo comprovatório, devendo ser afastada a tese de que ocorria perseguição pessoal em desfavor da autora.
21. Insta salientar, por oportuno, a inocorrência, no caso em apreço, da aclamada “violação à eficácia horizontal dos direito fundamentais” da obreira. As alegações no sentido de que não lhe foi oportunizada a ampla defesa e o contraditório não devem prosperar. Ora, questionada pelos fiscais que, por diversas e reiteradas vezes, a abordaram em situação de visível descompasso às normas da empresa e ao treinamento ao qual foi submetida para o exercício das suas funções, a autora nunca apresentou justificativa plausível às faltas cometidas e, muito menos, a sua desídia ou má conduta - até porque inexiste desculpa para isso.
22. Portanto, diante de justificativas truncadas, repletas de inconsistências e totalmente desvinculadas de razoabilidade apresentadas pela autora: a empresa não tinha outra atitude a tomar senão a dispensa motivada. As atitudes negativas da autora – que colocaram em cheque até mesmo a imagem da EXPRESSO QUEIROZ LTDA., quando do destrato dirigido à passageira - sem contar a reiteração na sua conduta desidiosa – que certamente gerou prejuízo financeiro à reclamada (vide ocorrências datadas de 20/01/2016), necessitavam de uma ação imediata e dura, como o foi a sua dispensa por justa causa.
23. Por tais motivos, não há que se falar, na hipótese, de punição “injusta e arbitrária”. É dever da empresa agir com a devida rigidez.
24. Dessa maneira, não restam dúvidas no sentido de que a atitude tomada pela ré - que consistiu na rescisão contratual por justa causa por atos extremamente graves praticados pela autora em 20/01/2016, que vão contra todo o treinamento e advertências que lhe foram conferidas no decorrer da relação contratual - trata-se, por isso, de medida razoável e proporcional ao descrito panorama fático. Estando presentes a devida gravidade e segurança em razão dos fatos ocorridos, prezando sempre a manutenção de ambiente salutar aos demais funcionários da empresa, precipuamente pela necessidade de repelir tais condutas ímprobas no exercício das funções dos demais empregados da ré.
25. Como bem se sabe, a rescisão contratual por justa causa necessita, em apertada síntese, da presença de três elementos circunstanciais, quais sejam, gravidade, atualidade e imediação entre a falta e a decisão tomada pelo empregador.
26. No que tange à gravidade, a demissão por justa causa pode ser motivada tanto em razão do cometimento de falta grave pelo empregado, quanto pela reiteração em faltas leves, desde que o empregador tenha, neste último caso, aplicado advertências e/ou suspensões ao agente. Quanto à atualidade, tem-se que a punição deve ser aplicada de imediato, não podendo existir extenso lapso temporal entre o fato e a reprimenda.
27. Estando devidamente preenchidos os requisitos acima arrolados, frisa-se, por fim, o atendimento ao terceiro e último pressuposto: imediação, que diz respeito à vinculação direta entre a falta e a punição, sob pena de perdão tácito ao empregado. Cabe referir que
a CLT não estabelece prazo legal para a punição com demissão por justa causa. Segundo aponta MAURÍCIO DELGADO GODINHO, o prazo não se conta exatamente a partir do fato irregular, mas, sim, do instante em que o empregador, ou seus prepostos tomam conhecimento do fato1.
28. Nesse passo, urge salientar que a demissão por justa causa ocorreu tão logo a Diretoria da reclamada teve ciência das ocorrências datadas de 20/01/2016. Conforme se denota do termo em anexo, o preposto da ré e a sua Diretoria tiveram acesso ao referido relatório no dia 27/01, tendo sido aplicada a penalidade máxima à reclamante tão logo em 29/01, ou seja, no segundo dia subsequente à ciência da reclamada, estando devidamente presente no caso em apreço, como já demonstrado anteriormente, a imediaticidade na aplicação da sanção pela empregadora.
29. De se salientar, por conseguinte, que as penas de suspensão que lhe foram aplicadas em 25/01/2016 correspondiam às faltas referentes aos dias 19 e 23 de Janeiro – não implicando, conforme explicitado à autora (vide termo de suspensão de ID 54b9bcd), no perdão tácito às ocorrências referentes ao dia 20/01, que, POR SEREM MAIS GRAVES, seriam apuradas (como o foram) diretamente pela Diretoria da empresa!!!
30. Diante do exposto, resta demonstrado que não havia outra atitude a ser tomada pela ré, senão a demissão da forma que o foi. Não há, portanto, que se falar em hipótese de nulidade da justa causa. Feitos estes esclarecimentos, considerando que o contrato de trabalho mantido entre as partes foi rescindido na modalidade de dispensa por justa causa, art. 482, b e e, da CLT, requer-se sejam julgados improcedentes os pedidos de conversão da dispensa por justa causa e de pagamento dos consectários legais, dentre os quais aviso prévio
1 GODINHO, Maurício Delgado. Curso de direito do trabalho. 11ª ed. São Paulo: LTr, 2012.
p. 1213.
indenizado, férias proporcionais, 13° salário proporcional, levantamento de FGTS e da multa de 40% e da liberação das guias de seguro desemprego.
DOS PEDIDOS DECORRENTES DA JORNADA DE TRABALHO DA AUTORA
31. Os pedidos de recebimento por supostas supressões de intervalos intrajornada e reflexos, horas extras – assim entendidas aquelas excedentes e reflexos, e DSRs e reflexos também não merecem guarida.
32. Há que se registrar que a autora trabalhava em jornada sendo ela composta por um trajeto de curta duração (Campo Grande – Assentamento Patagônia) e outro de média duração (Campo Grande – Dourados). Desta forma, de se pontuar que a jornada laboral não ultrapassava os limites legais. Exatamente porque os diferentes destinos e, portanto, distancias, são auto compensáveis.
33. Firme nesta linha de raciocínio, verifica-se dos espelhos de ponto ora anexados que num mês de 30 dias a obreira laborava em média 14/15 dias apenas. Também deles se extrai que as horas extras laboradas dentro do mês eram mínimas e, mesmo assim, corretamente adimplidas. Conclusão que se alcança de confronto com os demonstrativos salariais, como, por exemplo, referem os demonstrativos referentes ao mês de Janeiro/2014: no qual a reclamante laborou 11 dias e cumpriu 4h25min a título de horas extras – em confronto com o seu holerite, verifica-se que lhe foram pagos R$70,64 (setenta reais e sessenta e quatro centavos) pelas horas-extras acima descritas. Ainda na competência acima declinada, a reclamante gozou de 7 dias de DSR e 8 dias folgas compensatórias.
34. Como dito, no decorrer de toda a relação de trabalho a empregada percebeu corretamente eventuais horas extras
laboradas como se comprova do confronto entre as folhas ponto anexadas e os demonstrativos salariais.
35. Desde já, impugna-se a jornada descrita na inicial, uma vez que a obreira não laborava das “06h às 11h30min”, das
“04h40 às 15h30min”, nem muito menos das “06h20 às 18h”, privada do gozo integral do seu intervalo. Diz-se isso porque a autora somente se ativava no turno diurno, em ESCALAS prévias e FIXAS de serviço conforme previsão nas CCTs da categoria gozando de todos os intervalos legais. Isso se comprova facilmente dê vistas aos pontos ora anexados
36. A autora sempre laborou para a ré dentro dos limites de 44 horas semanais, gozando corretamente os DSRs em dias de domingos e de feriados ou em outro dia da semana, bem como os intervalos legais, inclusive dentro dos limites previstos nas convenções coletivas de trabalho da categoria.
37. Importa repisar, de qualquer forma, que eventuais horas extras laboradas pela autora em dias normais, de domingos e/ou feriados, foram compensadas2 com o correspondente descanso em outro dia da semana ou devidamente adimplidas, conforme se infere dos inclusos holerites de pagamento de salário e fichas de controle de jornada e no exemplo descrito no item “32”.
38. Segundo o art. 59 da CLT e art. 7º, XIII da CF, a Convenção Coletiva firmada entre a Federação dos empregados e o Sindicato dos empregadores prevê, em sua cláusula vigésima, a compensação de jornada dentro do período de 30 (trinta) dias. Isso se faz
2 CLÁUSULA VIGÉSIMA PRIMEIRA - DA COMPENSAÇÃO – CCT 2015/2016
Nos termos do art, 59 da CLT, quando a jornada de trabalho diária for acrescida de duas horas, desde que não ultrapasse o limite de dez horas diárias e de maneira que não exceda o horário normal da semana, as empresas ficam dispensadas do acréscimo legal, desde que observada à compensação, pela correspondente diminuição em outro dia.
Parágrafo único: A compensação da jornada deverá ser efetivada dentro do período de 30 (trinta) dias.
Ultrapassado este limite, não poderá mais ser compensada.
necessário em atenção aos problemas enfrentados pela natureza da prestação deste serviço (transporte rodoviário) que está exposta a problemas externos e de força maior.
39. Veja-se o mês de Fevereiro de 2014, no qual a reclamante trabalhou de modo regular apenas 11 dias num mês – tendo nele gozado de 7 DSRs e mais 5 folgas compensatórias. O mesmo acontece no mês subsequente, quando a reclamante laborou regularmente por 18 dias, gozando de 9 DSRs e 3 folgas compensatórias.
40. CONSIGNE-SE QUE A JORNADA DA AUTORA SEMPRE SE INICIAVA NO INÍCIO DA MANHÃ TENDO SEU TÉRMINO NO INÍCIO DA TARDE POR OPORTUNIDADE DO DESTINO MAIS PRÓXIMO (ASSENTAMENTO PATAGÔNIA) E NO FINAL DA TARDE QUANDO O TRECHO ERA CAMPO GRANDE/DOURADOS.
41. Merece ser desconsiderada para fins de julgamento a informação de que: “Nos dias de jornadas mais extensas o intervalo intrajornada era de 30 a quarenta minutos, sendo para os demais dias sem qualquer intervalo”. Tal informação é mentirosa e absurda!!!!
42. Diz-se isso porque não é verdade que a autora trabalhava em seu horário de intervalo intrajornada, até mesmo porque os itinerários já são esquematizados prevendo a observância a todo e qualquer intervalo intrajornada que seja legalmente previsto aos funcionários da categoria!!! Nunca houve trabalho sem o respectivo adimplemento.
43. A título de amostragem, apontam-se os intervalos gozados nos dias 16/02/2014; 04/03/2014; 25/02/2015; 11, 13, 14, 17 e 25/03/2015; 23/11/2015, nos quais TODOS os períodos usufruídos pela autora têm duração bastante superior à uma hora, não havendo que se falar, portanto, na supressão de intervalos intrajornadas pela reclamada. Demais disso, sobreleva notar que o gozo dos intervalos quando do itinerário Campo Grande/Dourados poderia ser realizado de
forma livre pela empregada, não sendo necessário que a reclamante aguardasse o seu transcurso da garagem da reclamada.
44. Como dito alhures, o regular gozo dos intervalos intrajornada se comprova de simples vista das fichas de horários em confronto com a convenção coletiva da categoria em sua cláusula vigésima – “Dos intervalos”. Especialmente sobre o intervalo intrajornada, a CCT da categoria prevê o elastecimento para até o máximo de cinco horas.
45. De se consignar que a autora gozava de DSR em Domingo pelos menos uma vez ao mês, bem como que, caso o dia laborado coincidisse com feriado, esta era devidamente e recompensada com a diária em dobro, ou com DSR em dobro, conforme se depreende do confronto entre as folhas de ponto e os holerites em anexo.
46. Face ao todo exposto, requer-se sejam julgados totalmente improcedentes os pedidos de condenação da ré quanto à percepção de horas extras e reflexos, do pagamento de DSRs e reflexos e de não cumprimento de intervalo intrajornada.
DA CESTA BÁSICA E TICKET ALIMENTAÇÃO
47. Requer a reclamante seja conferida natureza salarial aos benefícios do vale alimentação e vale almoço, que lhe são conferidos mensalmente pela reclamada. Razão não lhe assiste.
48. Ora, os benefícios da cesta básica e do ticket alimentação estão EXPRESSAMENTE PREVISTOS NA “CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA – DA CESTA BÁSICA” DA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO DA CATEGORIA, que assim dispõe (íntegra em anexo):
A empresa fornecerá gratuita e mensalmente, a todos os seus empregados, com exceção: a) dos que forem demitidos por justa causa; b) dos que forem demitidos sem justa causa até o décimo quarto dia do mês e aos admitidos após o décimo sexto dia do mês; c) Possuírem mais de 02 faltas sem justificativa no mesmo mês; d) estiverem gozando férias reduzidas por força do artigo 130 CLT; f) estiverem afastados por qualquer motivo por mais de 15 (quinze) dias, com arrimo na Lei 6.321/76 e no Decreto nº 05/91 que a regulamenta, visando à realização do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), UMA CESTA BÁSICA, SEM NATUREZA SALARIAL E NÃO GERANDO DIREITO A QUALQUER TIPO DE INTEGRAÇÃO NAS DEMAIS VERBAS, a ser entregue no dia do pagamento do mês respectivo, e terá a seguinte composição: [...]
Parágrafo Terceiro - Além do beneficio estabelecido no caput, com exceção: a) dos que forem demitidos por justa causa; b) aos admitidos após o décimo quinto dia do mês; c) estiverem afastados por qualquer motivo por mais de 15 (quinze) dias, a empresa fornecerá mensalmente TICKET ALIMENTAÇÃO no valor de R$ 110,00 (cento e dez reais), VALOR ESTE QUE NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO SALARIAL DO EMPREGADO PARA QUALQUER FIM, portanto não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos e não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do FGTS. (Grifei).
49. Resta expressa, portanto, a inexistência de natureza salarial aos benefícios percebidos pela reclamante, que são
decorrentes tão somente de negociações realizadas entre o Sindicato e a Federação da categoria e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Mato Grosso do Sul.
50. De se consignar, ainda, que houve aumento dos valores designados ao ticket alimentação fornecido aos empregados da reclamada, que de R$90,00 (noventa reais) mensais (CCT 2014-2015 e anteriores) foi exasperado para R$110,00 (cento e dez reais) por mês (CCT 2015-2016), no que foi devidamente acompanhada pela ora ré.
51. Nesse passo, não há que se falar na atribuição de natureza salarial às verbas que decorrem única e exclusivamente de benefícios previstos em sede de negociação coletiva, ainda mais quando esta é expressa ao deixar de conferir tal característica aos benefícios dirigidos aos funcionários.
52. Posto isto, é impositivo o indeferimento do pleito de reconhecimento da natureza salarial da cesta básica, do ticket alimentação e dos seus consectários legais.
DO DANO MORAL
53. Alega a autora que a dispensa motivada causou-lhe dano de ordem moral: “Como visto, a medida extrema, injusta e arbitrária, adotada pela empresa atingiu não só o patrimônio material da reclamante, mas, também, causou lesão à sua dignidade de cidadão e trabalhadora, atingindo-lhe a própria honra”. Não lhe assiste razão.
54. Inicialmente, é importante repisar que a autora foi quem deu azo a sua dispensa. A empresa apenas reagiu de modo natural e na mesma medida da ação da funcionária. Sua conduta foi grave e
qualquer omissão da empresa culminaria por admitir e ratificar tal comportamento. O que serviria, inclusive, de exemplo negativo perante os demais funcionários.
55. De mais a mais, é correto afirmar que a ré não cometeu nenhum ato ilícito ou ofensa à pessoa e/ou dignidade da autora, muito menos praticou qualquer ato que lhe causasse desgaste psicológico, ficando expressamente impugnadas todas as alegações iniciais em sentido contrário.
56. Para a configuração da responsabilidade da reclamada e sua consequente condenação à reparação dos danos pleiteados pela autora, seria necessário o preenchimento de alguns requisitos, dentre eles, a demonstração do nexo de causalidade entre uma possível ação ou omissão na ocorrência dos danos alegados.
57. Vê-se que a autora está a pleitear algo a que não tem direito. Os supostos danos morais que quer ver ressarcidos, à ré não podem ser atribuídos posto que não há nexo de causalidade entre os danos descritos pela mesma e o comportamento da empresa. O destrato dispendido à cliente – que nada mais solicitava, além da etiquetação da sua bagagem (o que lhe é direito), sem contar a desídia no exercício das suas funções (o que resta configurado, uma vez que a reclamante comprovadamente dormia durante o seu horário de trabalho) – são claros e inequívocos, ante a conjuntura não só das declarações constantes do Relatório de Fiscalização de Veículos nº 5530 (íntegra em anexo), mas também da reiterada prática faltosa, uma vez que, mesmo após aplicadas penalidades à reclamante, esta não realizava suas tarefas com a devida diligência e gentileza. Tal panorama não gera outra conclusão se não a inexistência de dano a ser imputado a qualquer pessoa, que não a própria reclamante!!!
58. Não há que se falar, ainda, como apontado em sede de inicial, em caso de “demissão explicitamente forjada”, pois - além de ser imputação extremamente grave e, portanto, sujeita à apuração judicial, com a aplicação das devidas cominações legais àquele que o faz sem qualquer respaldo fático ou documental - a autora levanta tal tese sem trazer à baila qualquer elemento apto à gerar dúvida acerca da veracidade dos fatos formalmente narrados nos relatórios de fiscalização.
59. Assim, não havendo nexo de causalidade, nem dano, não há o que se falar na responsabilidade da ré em indenizar, ainda mais se considerando que ela não agiu com culpa grave ou dolo, porque simplesmente assim não agiu.
60. De outro lado, como é sabido, as condenações devem observar a capacidade financeira do obrigado, sob pena de violação do princípio da razoabilidade.
61. Quanto ao valor pretendido pela autora a título de indenização por danos morais, no importe de 20 (vinte) vezes o maio salário da reclamante, deve ser anotado que o mesmo é absolutamente excessivo, estando fora da realidade e, como tal, deve ser afastado por esse MM. Juízo, sob pena de violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
62. Feito todos estes esclarecimentos, requer-se seja julgado improcedente o pedido de indenização por danos morais ora impugnado.
DA INDENIZAÇÃO A TÍTULO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
63. Os pedidos de pagamento de honorários advocatícios a título de perdas e danos, com a devida vênia, não merecem guarida.
64. Com efeito, não há previsão legal no processo do trabalho de que a parte vencedora seja ressarcida dos honorários decorrentes da contratação do seu advogado (art. 5°, II, da CF/88), notadamente se considerado que na Justiça do Trabalho ainda vige o jus postulandi, de modo que o fato da autora ter contratado advogado para assistir os seus interesses na ação ora contestada, por si só, não lhe dá o direito de ser ressarcida por supostos gastos que teve ou que terá de arcar a título de honorários contratuais, muito menos autoriza a condenação da ré no pagamento de honorários de sucumbência.
65. Não é demais observar, além do mais, que na Justiça do Trabalho são cabíveis honorários advocatícios apenas e tão somente quando preenchidos os requisitos da Lei n° 5.584/70 – trabalhador hipossuficiente e assistido pela entidade sindical. Esse entendimento, aliás, está materializado nas Súmulas n° 219 e n° 329 do C. TST, cujas redações são as seguintes:
219. Honorários advocatícios. Hipótese de Cabimento.
I – Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, nunca superiores a 15%
(quinze por cento), não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a parte estar assistida por sindicato da categoria profissional e comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família.
II – É incabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios em ação rescisória no processo
trabalhista, salvo se preenchidos os requisitos da Lei 5.584/1970.
329. Honorários advocatícios. Art. 133 da CF/1988.
Mesmo após a promulgação da CF/1988, permanece válido o entendimento consubstanciado no Enunciado 219 do Tribunal Superior do Trabalho.
66. Recentemente, neste sentido, inclusive, foi pacificado o entendimento do E. Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região por ocasião do julgamento de Incidente de Uniformização Jurisprudencial de nº 0024142.55.2015.5.24.0000, senão vejamos do que restou ementado:
INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
PERDAS E DANOS. Honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, nas lides decorrentes da relação de emprego, devem atender às disposições das Súmulas 219 e 329 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho.
67. Deste modo, por absoluta falta de previsão legal, requer-se sejam julgados improcedentes os pedidos de condenação da ré ao pagamento de honorários advocatícios a título de perdas e danos.
DO ART.467 DA CLT
68. Considerando os termos constantes da presente contestação, verifica-se que todas as verbas pleiteadas na exordial passaram a ter natureza controvertida, motivo pelo qual resta inaplicável ao caso vertente o disposto no art. 467 da CLT. Requer-se, pois, seja julgado
improcedente pedido de aplicação da penalidade prevista nesse dispositivo legal.
DA MULTA DO ART.477,§8º, DA CLT
69. Por fim, a despeito do fato de a reclamante insistir em pugnar pelo recebimento da multa do art. 477, §8º, da CLT, em decorrência do alegado pagamento em atraso das suas verbas rescisórias, tem-se que tal pleito não deve prevalecer.
70. Ora, os elementos anexos à presente contestação são mais que suficientes à comprovação de que foi a própria autora quem agiu com desídia no recebimento das parcelas constantes do instrumento de rescisão.
71. Verifica-se dos autos que não obstante o aviso de dispensa consignar o agendamento do dia 05/02/2016, às 15h, para comparecimento Homologação da Rescisão contratual no Sindicato da categoria, tem-se que a autora deixou de comparecer naquela data (cf.
Declaração emitida pelo Sindicato dos Trab. em Trans. Rod. de Campo Grande/MS – em anexo).
72. Posteriormente, contatada via telefone, a reclamante mais uma vez agendou reunião para recebimento dos seus haveres rescisórios, tendo, no entanto, deixado de comparecer à sede da empresa. Por tal razão, em 16/02/2016, foi ajuizada ação de consignação em pagamento, que tramitou perante este D. Juízo sob o nº 0024206- 13.2016.5.24.0006, a qual, mesmo após a regular citação da ora reclamante ELIANE AJALA DA SILVA,foi julgada à revelia – vide sentença em anexo.
73. No corpo da sentença acima referida, que transitou em julgado no dia 12/04/2016, restou consignado que este D.
Juízo julgou procedente a ação de consignação em pagamento ajuizada pela EXPRESSO QUEIROZ em desfavor da ora reclamante, PARA O FIM DE EXONERAR A PRIMEIRA DOS EFEITOS DA MORA, OU SEJA, DA MULTA DO ARTIGO 477 DA CLT – daí porque a impossibilidade de condenação da reclamada às penas do art. 477,
§8º, do diploma celetista.
74. Vale referir, ainda, que mesmo destituída de qualquer efeito legal, em 03/03/2016, a reclamada foi notificada extrajudicialmente pelo patrono da reclamante, acerca da sua constituição em mora com relação ao adimplemento dos créditos decorrentes da relação de emprego. Em resposta, foi esclarecido ao notificante que dado o panorama acima descrito, a totalidade dos valores devidos já haviam sido depositados em ação de consignação em pagamento – sendo ineficaz, portanto, a notificação realizada pela autora.
75. Em derradeiro, ressalta-se que, pelos motivos acima descritos, até a presente data, encontra-se em poder da reclamada a CTPS da autora, de maneira que se procederá a sua entrega quando da audiência de conciliação a ser designada por este D. Juízo.
CONCLUSÃO
76. Ante o exposto, requer-se sejam julgados inteiramente improcedentes todos os pedidos formulados por ELIANE AJALA DA SILVA em desfavor da EXPRESSO QUEIROZ LTDA., condenando-se a primeira ao pagamento do ônus da sucumbência.
77. Na hipótese de ser julgado procedente qualquer dos pedidos iniciais, o que não se espera, requer-se seja determinada a compensação e/ou o abatimento de valores pagos sob as mesmas rubricas.
78. A ré protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente o depoimento pessoal da autora em audiência, sob pena de confissão, juntada de outros documentos, entre outros.
Pede deferimento.
Campo Grande - MS, 10 de Junho de 2016.
Viviane Lacerda Lopes Nogueira - OAB/MS 14.700