CENTRO
SOCIO-ECONOMICO
ACURSO DE
GRADUAÇÃO
EM
CIENCIAS
ECONOMICAS
'A
CO1\/IPETITIVIDADE
DO
SEG1\/IENTO
DE
DESCARTÁVEIS
PLASTICOS
DO
SUL
DE SANTA CATARINA
Monografia
submetida aoDepartamento
deEconomia
para a obtençãoda
carga horáriana
disciplina
CNM
5420
-
Monografia.
Por:
NOS~MAGRO
VERDIERI
Orientador: Pro
NA
O
RAMOS CAMPOS
Área de
concentração:Economia
deEmpresas
CENTRO
SOCIO-ECONOMICO
ACURSO DE
GRADUAÇÃO
EM
CIENCIAS
ECONOMICAS
A
banca
examinadora
resolveu atribuir a nota ... ... ..ao
aluno NosleiDalmagro
Verdieri,
na
disciplinaCNM
5420
-
Monografia,
pela apresentação deste trabalho.Banca
minadora:
V iiiiiiiiiw¿.š¿rSéäëëw
Presidente ° 45,
'rlz 1` ...Membro
... I ....š...~...Prof. Dr. Roberto
Meurer
erdieri, Noslei
Dalmagro
competitividade
do segmento
de descartáveis plásticos sulcatarinense/ coordenação Prof. Dr.
Renato
Ramos Campos
-
Florianópolis,SC;
Universidade Federalde
SantaCatarina,
2003
A
Deus, pela saúde e capacidade de enfrentar osdesafios.
Aos
meus
pais,Norbal
e Marli,minhas
irmãs,Milena
e Melania,meu
tio, Airton eminha
namorada,
Claudia, pelo amor, carinho, incentivoe dedicação oferecidos.
A
algunsamigos
em
especial:Lúcio
Gonçalves,André Paz
Rosa,Guilhenne
Belolli Réus,Rodrigo
Coral e LiluyoudCury
de Lacerda, pelaamizade
conquistada ao longodo
tempo. -Ao meu
professor e orientadorRenato
Ramos
Campos,
pela paciência e disponibilidadeno
acompanhamento
da
realização deste trabalho.A
professora LúciaOlympio
pelaamizade
dedicada.
A
todos os funcionáriosdo
Centro Sócio-Econômico,
do
Centro deComunicação
eExpressão e professores
do Curso
de CiênciasEconômicas.
A
todas as pessoas que, demaneira
diretaou
A
minha
avó
matema,
Lorena,Na
certeza deque
está ao ladodo Senhor
Que
Deus
a tenha.LISTA
DE ANEXOS
... ..08LISTA
DE
TABELAS
... ..09RESUMO
... ..l0 1.INTRODUÇÃO
... .. 11 2.MARCO
TEÓRICO
... ..15 2.1 Concorrência ... ..l5 2.2 Competitividade ePadrão de
Concorrência ... ._ 18 2.3 Clusters, Distritos Industrias e Sistemas Locais de Inovação ... ..253.
A1N|)ÚsTRIA1>1‹:TRoQUÍ1v11cA
... ..3o 3.1A
Cadeia
Produtivada
Indústria Petroquímica ... ..303 .2
A
Indústria Petroquímicano
Brasil ... ..373.3
A
Indústria transformadora de Produtos Plásticos: 3°Geração
... ..4l 3.4A
indústriaTransformadora
de Produtos Plásticosno
Brasil ... ..454.0
AGLOMERADO
DE
DESCARTÁVEIS
PLÁSTICOS
DO
SUL
CATARINENSE
E ANÁLISE
CQMPETITIVA
... ..534.1 Identificação das
Empresas
... ..544.2 Fatores Determinantes
da
Competitividadedo
Segmento
... ..574.3 Estratégias Competitivas das Principais
Empresas
.... ... ..634.4
Visão
da
ABRADE
e Sindicato Patronal ... ..724.5
A
Proximidade
Geográfica dasEmpresas
Plásticasdo
Sul Catarinense ... ..734.6 Avaliação dos Fatores
da
Competitividade ... ..754.6.1
Busca
de Tecnologia de Ponta ... ..764.6.2 Capacitação Tecnológica e Inovação ... ..76
4.6.3
Capacidade
de Investimento ede
Capital ... ..774.6.6 Logística e Distribuição
de
Produtos .... ..4.6.7 Diversificaçao e Diferenciação ... ..
4.6.8 Qualidade dos Produtos ... ..
4.6.9 Prazos
de
Entrega ... ._4.6.10 Preço e
Boas
Condições
dePagamento
5.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
... ..6.
REFERÊNCIAS
... ..LISTA
DE
TABELAS
Tabela
1 - Principais contrastes entre clusters e distritos industriais ... ..26Tabela
2
-Consumo
aparente de resinas tennoplásticas (mil ton.) ... ..39Tabela
3 - Categoriasde
plástico e materiais ... ..42Tabela
4
-Empresas da segunda
geraçãono
Brasil ... ..47Tabela
5 - Principaisempresas
produtoras de descartáveis plásticos sul catarinense ... ..54Tabela
6 -Número
de postosde
trabalhono
ano
de2003
nas principaisempresas
... ..55Tabela
7 - Localização dasempresas
... ..56Tabela
8 -Empresas
coligadas deum
grupo e independentes ... ..56Tabela 9
- Fatores determinantes parao
sucesso competitivono
mercado
... ..57Tabela
10 - Fatores determinantesdo
sucesso competitivona
organização industrial ... ..58Tabela 1 1 - Fatores determinantes para
o
sucesso competitivo nas relações intersetoriais ... ..59Tabela
12 - Fatores detenninantesda
competitividadena
infra-estrutura física ... ..59Tabela 13 - Fatores determinantes
do
sucesso competitivo dasempresas
na
infra-estrutura tecnológica ... ..60Tabela 14 - Fatores determinantes
do
sucesso competitivo nos condicionantesmacro-
econômicos, fiscais e financeiros ... ..61Tabela 15 - Fatores determinantes
do
sucesso competitivo nos condicionantes legais- regulatórios ... ..62A
Tabela
16 - Fatores determinantesdo
sucesso competitivo nos condicionantes sociais ... ..62Tabela 17 - Estratégias de
mercado
adotadas pelasempresas
... ..64Tabela
18 - Estratégiasde produção
adotadas pelasempresas
... ..65Tabela 19 - Estratégias
de
compras de insumos
ecomponentes
... ..67Tabela 20
- Estratégias de gestãode
recursoshumanos
... ..68Tabela
21 -Elementos que mais influenciaram
a formulação de estratégias atuais dasempresas
... ..69Tabela 22
- Principais vantagens locacionais ... ..70Tabela 23
- Importânciada mão-de-obra
local para asempresas
da
região ... ..72RESUMO
O
estudoda
competitividadedo
segmento de
descartáveis plásticosdo
sulde
Santa Catarina
vem
abordarum
importanteramo
da
economia
catarinense.A
região é responsável pelamaior produção
do
país, constituindona
liderançaem
termos devolume
produzido.A
monografia
analisa a indústria petroquímica,mostrando
seudesenvolvimento
no
mundo
e crescimentono
Brasil, atravésde
políticasgovemamentais
para fortalecimento
da
sua cadeia produtiva.Além
disso, mostracomo
está dividida estacadeia.
Através
da
verificação dos fatores determinantesda
competitividadedo
setorplástico brasileiro e
do segmento de
descartáveisdo
sul catarinense, foi feitoum
paralelo entreambos
para se saber se as principaisempresas da
regiãoseguem
o
padrãode
concorrência vigente
no
mercado
nacional.A
aplicaçãode
questionário setomou
ponto
1.
INTRODUÇÃO
i)
Contextualização
A
descobertade
reservas mineraisde
carvãono
sulde
Santa Catarinamarca
afase inicial
do
processo de industrializaçãoda
região. Foi a principal fonte deemprego
erenda para a população local, absorvendo grande parte
da mão-de-obra
disponível.Com
o
processo de beneficiamento de carvão, ocorreum
sistemáticoaumento
das relações comerciais
nos
municípiosda
região, concentrados principalmenteem
Criciúma. Durante décadas a principal atividade industrial se
baseou na
extração daqueleminério.
A
dependênciada mineração
diminuina
medida
em
que
se instalaum
parquefabril de
empresas de
diversos setores,que proporcionam novas
perspectivas deemprego
erenda
na economia
regional, sendoque
os principaisforam o
cerâmico, calçadista,vestuarista e de transformação plástica.
Do
setor de transformação plástica,o
segmento de
descartáveis éo
que possuimaior
número
deempresas
na
região,o mais
importante pólodo
Brasilem
PS
(poliestireno),
onde
está concentradoo maior
volume de produção do
país (Santos, 2000).As
empresas de
descartáveis plásticosdo
sul catarinense são responsáveis pelatransformação das matérias-primas,
chamadas
resinas termoplásticasem
produtoscomo
copos, bandejas, garfos, pratos e potes.
Esta pesquisa se propõe a analisar as condições
da
competitividadedo
segmento
de descartáveis plásticosda
região sulde
Santa Catarina, atravésdo
estudodos
fatores determinantes
de
competitividade das finnas, destacandoo
padrão de concorrênciae
comparando-os
com
os fatores de competitividadedo segmento no
país.Para essa análise, foi elaborado
um
questionário,que
aplicado nas principaisii) Objetivos
Geral:
1 - Análise das condições de competitividade das principais
empresas
do
segmento
de descartáveis plásticosda
região sul de Santa Catarina.Específicos:
1
-
Verificar as característicasdo
padrãode
concorrência específicodo
segmento;
2
-
Análise das estratégias adotadas pelas principaisempresas
da
região;3
-
Verificação do
aproveitamentoou não
de extemalidades proporcionadaspela proximidade geográfica das empresas.
iu)
Procedimentos metodológicos
A
análiseda
competitividade deuma
indústria se faz importante parao
comportamento
futuro dasempresas que
ascompõem.
É
atravésda
pesquisa dos fatorescompetitivos
que
podemos
avaliaro comportamento
dasempresas
de determinadaindústria.
São
três os fatoresda
competitividade: empresariais, estruturais e sistêmicos.Os
fatores empresariaisdizem
respeito às estratégias adotadas pelas empresas.São
relativos
ao uso
de seus recursos técnicos e financeiros para buscar vantagenscompetitivas. Dentro dos fatores empresarias a
empresa
tem
totalpoder de
intervenção.Os
fatores estruturaismostram
o comportamento
dasempresas
dentrodo mercado,
como
ele está configurado e a
forma
como
ocorre a concorrência.A
capacidade de interferênciada empresa
é limitada, atravésda mediação do
processo de concorrência.Os
fatoressistêmicos são aqueles
nos
quais asempresas não exercem
quaisquer tipos de intervenção,e são fatores
extemos
às firmas.São
fatores ligados às políticaseconômicas
adotadas,Q... gas
›-Q
u
São
seis as principaisempresas
de descartáveis responsáveis pelaprodução
doscopos pigmentados
brancos, e duas responsáveis pelaprodução de
descartáveis nobres,chamados
copos
cristais.Com
isso, são oito as principaisempresas de
descartáveisna
região identificadas pela pesquisa
de
campo
realizada.iv)
Estrutura
do
Trabalho
A
monografia
está estruturadada
seguinte maneira.O
capítulo 2 tratade
uma
revisão teórica a respeito
da
competitividade e fatores condicionantes à competitividade.Ele
busca
darembasamento
parao
estudo.Consta
também,
uma
revisão de literaturassobre sistemas locais
de
inovação, jáque
a pesquisatambém
se propõe a verificar possíveisganhos
de competitividade oriundosda aglomeração
dessas empresas.O
capítulo 3 mostrauma
análiseda
cadeia produtiva petroquímica, suaevolução
no
Brasil e analisa as característicasda
indústria transformadora de plásticos, seudesenvolvimento
no
país,número
de empresas, principais fomecedores, produtos, destinoda produção
e processos produtivos.No
capitulo4
é analisada aconfiguração do aglomerado
de descartáveis plásticosno
sul de Santa Catarina,buscando
entender a sua estrutura produtiva, nívelde
produção, relações entre associações
de
classe edemais
estruturas institucionais.São
mostrados os principais fatores determinantes
da
competitividade para asempresas da
região e suas estratégias, fazendo
um
comparativocom
os determinantes competitivosdo
segmento
plástico nacional.Além
disso, este capítulo procura verificar se asfirmas
aproveitam as extemalidades criadas pela
aglomeração
de empresas.Por
fim,
é apresentada urna breve conclusão, indicando os principais pontosencontrados
na
monografia
referentes às condições de competitividadedo segmento
dedescartáveis plásticos.
v)
Base
de
Dados
A
fonte dedados da
pesquisa é proveniente de livros e publicações sobre aindústria plástica, de
dados
retiradosde
entidadesde
classecomo
aABRADE
(AssociaçãoBrasileira de Descartáveis),
de
publicaçõesque
tratam de clusters e aglomeraçõesindustriais e
de
questionário (anexo I) aplicado nas principaisempresas componentes
do
segmento na
região.A
pesquisa decampo
foi realizada pormeio
de entrevistascom
os dirigentesdas principais
empresas do
segmento na
região,que responderam
as perguntas contidasno
questionário aplicado.
Depois
desta apresentação,podemos
definir as análisesque
serãoempregadas
na
monografia.A
primeira será realizada atravésdo
modelo
de análise dos fatoresdeterminantes
da
competitividadede
uma
indústria, apresentadono
capítulo 2, irá servirde
base para a verificação
da
competitividadedo segmento
de descartáveis plásticosdo
sulcatarinense.
A
terceira refere-se às estratégias adotadas pelas empresas, verificando se elas estãoseguem
o
padrão de concorrênciado segmento
no
país. Por último, a verificaçãodo
aproveitamento de extemalidades advindas
da
proximidade geográfica dasfirmas
2.
MARCO
TEÓRICO
2.1 Concorrência-
O
objetivo deste tópico é discorrerem
breves linhas sobreo
fenômeno
da
concorrência e
da
competitividade.Para Possas (1999), “a concorrência é
um
processo constitutivodo
capitalismo,que
examina algumas
características gerais das estratégias seguidas neste processoseletivo, para a obtenção
de
lucros.A
mais
geral delas é a tentativa decada
concorrente sediferenciar
em
relação às demais, prevalecendo sobre elas.O
ponto principal desseprocesso é a
busca
constantede
vantagens competitivas, paraque o
competidor consigaa
maior
parcela possíveldo
mercado”.Uma
questãonão
menos
importante é a deque
seusprocessos produtivos, juntamente
com
elementos institucionais,influenciam
em
cada
tipode
vantagem
competitivanum
determinadomercado.
Um
competidor procura diferenciar seus produtosou
serviçosnum
dado
mercado
basicamente atravésde
duas maneiras distintas: produtoscom
qualidade superiore preços abaixo dos concorrentes.
Os
preçosmais
baixosdevem
seracompanhados de
custos
de produção
menores, assimcomo
a qualidade superiordeve
ser obtida demaneira
não muito
fácil de ser imitada pelos concorrentes.Derivada
dessa diferenciação pode-se ainda atribuir dois tiposde
vantagenscompetitivas,
em
custo eem
diferenciação de produto. Possas (1999)chama
de“dimensões da
concorrência” às diversas possibilidades de vantagens competitivas.Existem
vários tiposde
vantagensem
custo eem
diferenciação de produto,que
designam
características distintasdo
processo competitivo,dependendo do
mercado
em
que cada
firma está inserida.Outros pontos
a serem lembrados
são os elementosque
afetam a eficiência dasvantagens competitivas, tais
como
os conceitos de custo de oportunidade, apropriabilidadee cumulatividade tecnológica. Possas
chama
de “atributos das formas de concorrência” àsQuando
nos
reportamos ao estudoda
concorrênciaem
preços,passamos
aestabelecer
o que
a literaturaeconômica
tradicional nos diz,ou
seja, ela éum
mecanismo
impedidor de
que
os preços praticados seelevem acima
dos preçosde
oferta.A
teoriamicroeconômica
possuiuma
vasta literatura sobreo
tema.É
salutar observar que, preçoacima
daquelesque
remunerem minimamente
o
capital investido pelo produtor etambém
reproduza a
mão-de-obra
utilizada, atraíriamnovos
competidores,aumentando
a ofertado
mercado.
Isso acarretarianuma
posterior redução dos preços.Nessas
circunstâncias,o
mercado
é considerado de concorrência perfeita e0 elemento
principal de ajuste é0
preço.Em
mercados
oligopolizados, este fatornão contempla
a realidade, jáque
ospreços, nesse caso, são rígidos,
não respondendo
a variaçõesda demanda.
Outro ponto àser visto, é
o
deque
os preçosadquirem
pouca
forçacomo
anna
na
disputa dessesmercados, já
que
asmudanças
de preçospodem
ser quase instantâneas (Possas, 1999).O
oligopólio favorece
uma
maior
rigidezde
preços,mas
não
exclui as suas característicascomo
maneira de
concorrência.Nos
mercados não
oligopolizados, a presençade
muitasempresas
com
margens
de lucros baixas significamque
as vantagens competitivas das firmas presentesno
mercado não desencorajam
a entrada denovos
concorrentes.Como
as vantagenscompetitivas das firmas
não
chegam
a ser obstáculo à entrada,não
existe possibilidadede
que
altasmargens
de lucropossam
existir durantemuito
tempo.O
pontochave
dessa discussão éo de que
a práticade
preços baixos ede
melhor
qualidade dos produtos para diferenciaçãoem
relação aos concorrentes,deve
seracompanhada
de custosmais
baixos e de produtoscom
pouca
facilidade de imitação.As
vantagens de custopodem
ser 'alcançadas atravésde
economias
de escala,economias
de escopo, capacidade de autofinanciamentoda
firma, patente e licenciamento de tecnologia, relaçõescom
fomecedores, relaçõescom
a mão-de-obra, organizaçãoda
produção, eficiência administrativa e capacitação
da
própria organização.Utilizando
métodos
produtivosmais
eficientesou
através da melhoriade
qualquer etapa
da produção
e comercialização, a firmapode
alcançareconomias
de escala,As
economias de escopo
sãoeconomias de
escala referidas aprodução de
um
conjunto de bens. Elas
podem
ser alcançadas pela flexibilização dos processos produtivos.Boas
condições financeiras deuma
empresa
podem
dar vantagens perante seus concorrentes, jáque
haverámaior
disponibilidade de recursos financeiros para aexpansão
e inovação de produtos pela empresa.
Por
meio
de
patentes e licenciamento tecnológico é permitidoque
as condiçõesde produção
dasfirmas
que
asdetém sejam
únicas,ou
seja,o
direito de propriedade sobredeterminada patente faz
com
que
aempresa
detentora consiga vantagens.O
relacionamentoproficuo
com
fomecedores
faz-se importante para aaquisição
de
vantagensde
custo pelo fatode que
nem
sempre
asfirmas conseguem
insumos de boa
qualidade a custos baixos. Isso éagravado
quando
as fontes de matéria-prima
são limitadas equando
são partes importantesde
diferenciaçãodo
produto.As
relaçõescom
amão-de-obra
sãoum
ponto delicadona
obtençãode
vantagens
de
custo.As
firmas
procuram
darum
bom
treinamento e qualificação a seusfuncionários
no
sentido de diminuirtempo
na execução de
tarefas etambém,
diminuiro
re~trabalho. Outro fator importante
no que
diz respeito àmão-de-obra
é a relação capital-trabalho existente,
ou
seja, asempresas
tentam evitar protestosque levem
a paralisaçãodo
processo de
produção
pormeio
de acordosou
medidas que
causem
o
mínimo
de
atritosentre as partes.
Os
métodos
de organizaçãoda produção
são instrumentos utilizados pararedução de despesas e
podem
setomar
elementos de vantagens de custo ede
diferenciação.Atuações
administrativasadequadas
ajudam na
redução de gastos desnecessários,principalmente
em
grandes empresas.Para finalizar os principais pontos referentes às vantagens de custo,
enfatizamos a capacitação. Ela é
uma
dasdimensões mais
relevantesem
todos os setoresAs
vantagens de diferenciação de produtopodem
ser alcançadas atravésde
diferentes dimensões, tais
como:
especificações dos produtos, confiabilidade, durabilidade, design, estética, linhasde
produto, custode
utilizaçãodo
produto,imagem
e marca,formas
de
comercialização, assistência técnica,financiamento
aosconsumidores
e atravésda
relação
com
usuários (Possas, 1999).Vale
dizerque
essasdimensões
são utilizadas para garantir fontesque
gerem
vantagens de diferenciação e
dependem
dosconsumidores
em
cada
mercado
específico.2.2
Competitividade
ePadrão
de Concorrência
Segundo
Ferraz et al (1997) competitividade é “a capacidadeda empresa
formular e
implementar
estratégias concorrenciaisque lhepennitam
ampliarou
conservar,de
forma
duradoura,uma
posição sustentávelno mercado”.
Ainda
utilizando os conceitos de Ferraz et al,o
padrão de concorrênciacorresponde a
um
conjunto de fatores decisivos parao
sucessoem
um
dado mercado,
eestá ligado
de
forma
intensa à competitividade.Podemos
dizer que,o
padrãode
concorrência é a variável determinante e a competitividade a variável detenninada
ou
de
resultado,
ou
seja, a competitividade é funçãoda adequação
das estratégias as firrnasao
padrão
de
concorrência vigenteem
cada
mercado.A
competitividade refleteo
graude
capacitação das firmas,que
se traduz nastécnicas praticadas pela empresa.
Novas
capacitaçõesdevem
ser buscadas constantemente, jáque
os recursos encontrados sedepreciam
com
o
passar dosanos
e precisam ser repostos, etambém
setomam
obsoletosem
funçãodo
surgimento de inovaçõesno
processo produtivo.
O
padrãode
concorrência decada
indústria é determinado pelas característicasestruturais e
comportamentais
do
ambiente competitivoda
empresa.Em
cada
mercado,ou
seja,
o
localonde
asempresas
se defrontam,há
apredominância
deum
dado
padrãode
concorrência,
que
é definido a partirda
interação entre estrutura e condutasdominantes
no
setor.
São
competitivas asempresas
que adotam
estratégias competitivasmais adequadas
definido pelos seguintes fatores, a saber: fatores empresariais, fatores estruturais e fatores
sistêmicos.
Os
fatores empresariais são aqueles sobre os quais afirma
detém poder de
decisão e
podem
ser controladosou
modificados através de condutas ativas assumidas,correspondendo a variáveis
no
processo decisório. Refere-sea
determinantes intemosda
empresa.
Os
fatores estruturais são referem-se a própria indústria, são fatores intemosao
complexo
industrial eque
formando a
oferta de produtosda
indústria.Os
fatores sistêmicos são aquelesque
exercem
influência direta sobreo
sistemaeconômico.
São medidas que
interferem sobre os agentes político-institucionais, legais-regulatórios,
de
infia-estruturas, determinantes intemacionais e sociais.São
fatoresextremamente
importantes parao
sucesso dasempresas
em
ambientes altamentecompetitivos e
em
que
aaglomeração
de finnas possa trazer benefícios parauma
determinada região (Ferraz et al, 1997).
Estudar competitividade requer aprofundar os estudos das origens das
vantagens competitivas.
As
vantagens competitivaspodem
ser construídas a partir dediversas fontes
que
estão vinculadas às especificaçõesdo
produto,o
processode
produção,às vendas, a gestão, às escalas produtivas, os
tamanhos
dos mercados, às relaçõescom
fomecedores
e usuários, aos condicionantesda
política econômica, a financiamentoda
empresas
ou
de
sua clientela, às disponibilidades de infra-estrutura, a aspectos de naturezalegal, entre outras.
Faremos
a seguir,uma
abordagem,
com
mais
profundidade sobre os principaisfatores competitivos
que
interferemna
competitividadeda
empresas.Os
fatores empresariais são aqueles sobre os quaisa empresa
detém
totalpoder
de decisão e controle através de condutas ativas. Eles se referem ao estoque de recursos
acumulados
pelaempresa
e as estratégias de ampliação desses recursos sefazem
presentesem
quatro áreas: inovação, gestão, recursoshumanos
eprodução
(Ferraz et al, 1997).A
primeira das áreas é a inovação e elapode
ocorrerem
termosde
produto,processo produtivo e
em
termos tecnológicos.Na
segunda, a área de gestão, ocorre dentroda empresa nos
campos do
marketing, finanças, planejamento, serviços pós-vendas,finanças
e produtivo.Em
nível de gestão asempresas
procuram
trabalharno
sentidoda
diminuição
do
número
de
níveis hierárquicos envolvidosnos
processos eaumento
do
fluxo
de
infonnações. Elasprocuram
também,
criarum
ambiente favorável aaproximação
defomecedores
e clientes, para desenvolvimento conjunto de produtos, troca de informaçãotecnológica,
fluxo
de entregaque
para redução de estoques e estabilidade nos contratoscom
clientes e fomecedores.A
terceira áreaque
abrange os fatores empresariais é ade
recursos
humanos.
A
área de recursoshumanos
pode
ser trabalhada pelasempresas
paramelhoria das técnicas produtivas, a multifuncionalidade
da mão-de-obra
e a capacidadecriativa
na
resolução de problemas. Para isso aempresa deve
estar disposta a investirpermanentemente
em
treinamentos de toda sua força de trabalho. Ela influencia acompetitividade pelo fato de lidar diretamente
com
as pessoas envolvidasem
todoo
processo produtivo.
Cabe
a ela verificar e adotar práticasque levem
a qualificação,flexibilidade e
aumento de
produtividade dos envolvidosno
processo.A
última delas é referenteao
sistema deprodução da
empresa.Nessa
área, afinna
deve
adotarmedidas
que
as deixe atualizadasem
máquinas
e equipamentos, verificar sehá
possibilidadede
aprimoramento ou
criação denovas
técnicas, tantoem
nívelde
fábricacomo
à própriaorganização interna, e
também
de qualidade dos produtos.Diferentemente dos fatores empresariais, os fatores estruturais apresentam
peculiaridades setoriais
mais
nítidasna
medida
em
que
têm
sua importância diretamenterelacionada
ao
padrãode
concorrênciadominante
em
cada
indústria (Ferraz et al, 1997).Os
fatores estruturaisda
competitividadedizem
respeito aomercado
no
qualestão inseridas as empresas, a
configuração da
indústria eao
sistemade
incentivos eregulação
da
concorrência.São
fatoresexógenos
às empresas, por isso elastêm pouca
ação
paratomada
de decisões.Nesses
fatores, a capacidade de intervençãoda empresa
é limitada pelamediação
do
processo de concorrência, estando por isso apenas parcialmenteEm
termosde
mercado
podemos
dizerque
seus dinamismos,em
conjuntocom
consumidores
exigentes são fatoresque induzem
aoaumento da
competitividade das empresas.Ferraz et al observa que,
em
se tratandode mercado,
os fatores estruturais secaracterizam pela taxa de crescimento da indústria, distribuição
geográfica
eem
faixasde
renda, grau
de
satisfação tecnológica e outros requisitos impostos aos produtos,oportunidades de acesso a
mercados
intemacionais, sistemas de comercialização, entreoutros.
Os
lançamentos e incorporações de novas característicasem
relação aos produtosantigos
oferecem
nova dinâmica
aosmercados que
apresentam sinaisde
saturação, jáque
os produtos existentes
no
mercado
apresentamuma
tendência de reduçãodo
ciclode
vida.Segundo
Ferraz et al,a
configuraçãoda
indústria se refere sobre as tendênciasdo
progresso das técnicasempregadas
pela empresa,no que
diz respeito aos ciclos deprodutos e processo; a intensidade
do
esforçode
P
&
D
e às oportunidades tecnológicas,inclusive de introdução de inovações radicais; às escalas típicas de operação e aos níveis
de
concentração técnica e
econômica da
oferta;o
grau de verticalização e diversificaçãosetorial; a distribuição espacial
da produção
eadequação da
infra-estrutura física aoregime
de
P
& D
e integraçãocom
infi'a-estrutura tecnológica;ao
relacionamentoda empresa
com
fomecedores, usuários e concorrentes; e a relação capital-trabalho.
A
configuraçãoda
indústrianada mais
édo
que a maneira
como
asempresas
seorganizam
e interagem entre si, para efetuar relações entrefomecedores
e clientes.Ferraz et al mostra
algumas
características de configurações industriais. Eleapresenta
que
em
setores de alta intensidadede
capital ocorreum
processode
especialização
em
linhas afins,em
termos de base tecnológica e áreas de especialização.Em
setoresde
menor
intensidadede
capital, para enfrentar gastoscom
P
&
D, formação
demão-de-obra
e aperfeiçoamento gerencial, asempresas
formam
redes cooperativas horizontais entre elas.O
aumento da
cooperação vertical,ou
seja, cooperação entre asempresas
na
cadeia produtiva, é pontode
referência dasconfigurações
industriaisOs
regimesde
incentivos e regulaçãoda
concorrênciapodem
ser fatorescondicionantes para a disposição das
firmas
competirem
nos mercados.Ambientes de
altarivalidade interempresarial
favorecem
a competitividade, porsubmeterem
asempresas
aesforços contínuos de melhoria
da
eficiência produtiva e de inovação dos produtos emétodos
deprodução
(Ferraz et al, 1997).Desse
sistema faz parteo
grau de rivalidade entre concorrentes;o
graude
exposição aocomércio
intemacional; a ocorrência debarreiras tarifárias e não-tarifárias às exportações; a estrutura
de
incentivos, tributos àprodução
ecomércio
exterior,que
inclui aspectos relacionados ao financiamento e aoscustos de capital; e efetivaçao
da
regulação das práticas concorrências.Os
fatores sistêmicosda
competitividade são aquelasque
se constituemem
extemalidades para a empresa, já
que
elanão
possuipoder
de interferência, constituindoparâmetros importantes para
a
tomada
de decisõesda firma.
Os
principais condicionantesdesses fatores são os determinantes
macroeconômicos,
determinantes político-institucionais, legais-regulatórios, determinantes
de
infra-estrutura, sociais e determinantesintemacionais.
Os
determinantesmacroeconômicos que
interferem sobrena
competitividadedas indústrias
podem
ser divididos,segundo
Ferraz et al,em
três:o
regime cambial;políticas de regulação
macroeconômica
(política fiscal, monetária e tributária) e seusresultados
em
termos de nível e estabilidade das taxas de inflação edo
sistema de créditoda
economia.Um
regime
decâmbio que
eviteuma
sobrevalorização cambialmuito
grande é necessária para a preservaçãoda
competiçãoda
indústria nacionalem
relação aconcorrência internacional e,
também,
a estabilidadeda
taxade
câmbio
real reduz riscosligados às atividades financeiras.
O
controle inflacionário se faz importante para a redução dos custos decorrentesda
incertezana economia,
e permiteque
asempresas
adotem
prazos de cálculonão
sóem
curto prazo,mas
também
em
longo prazo, necessários para a formulação eadoção
de estratégias competitivas inovadoras,na
tentativa, por parte das empresas,da
Um
ponto levantado por Ferraz et al éo
de que o
crescimento continuadodo
PIB
permite àsempresas
sebeneficiarem
daseconomias
de escala e de aprendizadoadvindos
de
mercados
intemosem
expansao, incrementando a competitividadeda
indústria.
O
sistemade
créditoda
economia
éum
mecanismo
de grande importância paraa competitividade das empresas, já
que
interferem nos custos de financiamento de projetosde longo prazo e naqueles
em
que o
risco para sua implantação é alto.Os
determinantes político-institucionaiscorrespondem
ao conjuntode
instituições, políticas e práticas através das quais
o
Estado se relaciona ativamentecom
o
setor industrial. Dentre as
medidas
adotadas pelo Estado estão políticasde comércio
exterior e tarifária, política tributária e política científica e tecnológica.
As
políticas decomércio
exterior e tarifária são determinantes para aformulação de acordos comerciais, incentivos às exportações, proteção à setores
com
potencial exportador, condiçoes
de
acesso ainsumos
eequipamentos
importados, entreoutros.
Para Ferraz et al, a política tributária
tem
forteimpacto
sobre acompetitividade industrial
na
medida
em
que
políticas tributáriassejam cada
vezmais
consideradas
como
contrapartidas necessárias para o acesso a certos acordosou
blocosde
comércio. .
A
política científica e tecnológicapode
afetar demaneira
significativa acompetitividade ao oferecer a infra-estmtura para criação e melhoria de processos,
máquinas
e equipamentos, etambém,
estimular amodemização
da
indústria.Os
determinantes legais-regulatórioscuidam da
regularizaçãodo
sistemade
concorrência
em
que
estão inseridas as empresas. Nelesfazem
parte códigosque
defendem
o
meio-ambiente, a própria concorrência,o
consumidor,o
direitoda produção
Os
determinantes de infi'a-estrutura são representados pelosmeios
básicos parao
estabelecimento das firmas, taiscomo
sistema de transporte viário, telecomunicações eenergia.
De
maneira
geral, seufomecimento
éde
responsabilidadedo
Estado.A
disponibilidadede
um
abastecimentode
energiaa
custos reduzidos afetadiretamente todo
0
sistema industrial e, portanto, a competitividadeextema
dasempresas
locais.
Uma
redede
transportes integrada e eficiente,também
é fator importante paraa
determinação
da
competitividade dasempresas
instaladasem
determinada região.A
qualidade e
o
baixo custo deuma
redede
telecomunicações étambém,
fator estratégicopara a competitividade das
empresas
tantocomo
condição preponderante parao
acesso amercados
externos, quantona
integraçãodo
própriomercado
interno.Os
determinantes sociaiscorrespondem
aos fatores sociais e culturaisque
fazem
partedo
localonde
estão as firmas.As
condições sociaistêm
importantes efeitossobre a competitividade das empresas,
em
particularno
que
diz respeito ao padrãode
vidados consumidores, à
educação
e qualificaçãoda mão-de-obra
e a natureza das relaçõestrabalhistas.
Os
níveis de produtividade e qualidade dos produtosdependem
do
nívelde
educação
e qualificaçãoda
mão-de-obra.Da mesma
forma, a geração e incorporaçãode
inovações
não ocorrem
senão
existirem técnicos e cientistas qualificados.Relações trabalhistas
que estimulem
a cooperação entre patrões eempregados
podem
influenciar positivamentena
evoluçãoda
produtividade industrial.O
efeitoprincipal
de
relações trabalhistasmais
participativas parece virdo
aproveitamento daspossibilidades de
economias
de aprendizado detectadas pelos próprios trabalhadores.O
padrão de vida e a distribuição de renda vigentena
sociedadetambém
têm
efeitos sobre a competitividade industrial
na
medida
em
que
afeta adimensão
eo
graude
sofisticação
do
mercado consumidor
intemo.Os
determinantes internacionaisda
competitividade referem-se aos impactosdas principais tendências
da economia mundial
eda forma
de inserção internacionalda
economia
local.As
tendências dosmovimentos
intemacionais de capital financeiro sãoimportantes para a estabilidade
macroeconômica
eo
crescimentoda economia
local. Essesdeterminantes interferem
na
economia
local, tantona
questão produtiva,como
na
financeira.
Na
dimensão
produtiva, os fatoresmais
decisivos são as tendências dos fluxosde
comércio
intemacional e dos investimentosextemos
diretos.Na
dimensão
financeira, é necessário levarem
conta as principais tendências dosmovimentos
intemacionaisde
capital financeiro,
no
que
diz respeito à direção, natureza, mobilidade e condiçõesde
acesso aos
fluxos de
financiamento externo (Ferraz et al, 1997).2.3 Clusters, Distritos Industrias e Sistemas
Locais
de Inovação
Existem
vários conceitos para tratar dos clusters e distritos industriais.Devido
a isso, ocorre certa confusão para a explicação e interpretação desses termos.
Iniciaremos a
abordagem
desse assunto atravésda
exposiçãodo
conceitode
Sclnnitz3 (1997, p. 169)
segundo o
qualno
cluster“há amplas
oportunidades para a divisãodo
trabalho entre asempresas
e, portanto, para a especialização e a inovação essenciaispara competir fora dos
mercados
locais.Há
também
oportunidades substancialmentemaiores para a ação conjunta”.
No
conceitoacima
fica
evidente a idéia deque
'o cluster significaoportunidades,
que
setomam
efetivasou não
ao longodo tempo;
Dentro dele, é viabilizadoo
desenvolvimento de estratégiasde
crescimento, visando sua transfonnação epassagem
paraum
estágiomais avançado
de desenvolvimento,o
distrito industrial.Para
que
isso ocorra, é necessárioque
as relações sociaisde
determinada regiãose consolidem
num
ambiente
deconfiança
recíproca e de cooperaçãomútua
entre osagentes,
não
interessando se sao competidoresou
não.Gastaldon (2000) utiliza
o
conceito de Becattini para conceituar os distritosindustriais:
3
Distrito industrial é
uma
entidade sóc_io-territorial, caracterizada pela presençaativa de
uma
comunidade de pessoas e deuma
população de empresasnum
determinado espaço geográfico e histórico.
(BECATTINI, 1994)
A
principal característica dos distritos industriais éque
se tratamde
um
clustercom
relações cooperativas entre asempresas
amontante
(fomecedores) e a jusante(clientes).
Com
isso, pode-se dizerque
todo distrito industrialtem
suaorigem
num
cluster,embora
estenão venha
necessariamente se transformarem
distrito industrial.Fica‹ evidenciado
que
cluster e distrito industrialnão
são sinônimos. Parasintetizar essa diferenciação, apresentamos a visão de
Amin4
(1996),em
Gastaldon (2000),que mostra
três características fundamentais para definiro
distrito industrial, distinguindo-o
deuma
simplesaglomeração
depequenas
empresas, a saber: (i) divisão de tarefas entreum
grandenúmero
depequenas empresas
locaisque fazem
parteda
mesma
cadeiaprodutiva; (ii) ativo coletivo,
ou
seja,um
centro criador de conhecimento, capacidadeempresarial e
aprendizagem
dentrode
uma
linha industrial e (iii)adensamento
institucional. ~
Segundo
Gastaldons os principais contrastes existentes entre clusters e distritosindustriais
podem
ser agrupadosna
tabela I.Tabela
1 - Principais contrastes entre clusters e distritos industriais` ` 4
CLUSTER
DISTRITO
INDUSTRIAL
Custos altos e ineficiência de integração vertical Benefícios pela especialização de tarefas
\
Clustering de firmas independentes Clustering de firmas interdependentes e ganhos
V de associação
Mercado
subdesenvolvido para os negócios deMercado
desenvolvido ou intermediação doserviços setor público para serviços especializados pré-
definidos
Busca de mercado e realizaçao das vendas Níveis altos de institucionalização e apoio
depende de espaço próprio coletivo
Cultura familiar ou individualismo interesseiro Cultura de cooperação e solidariedade cívica
Fonte: Gastaldon (2000)
4
Amin
defineaspectos importantes sobre os distritos industriais. 5
Um
dos enfoques deste tópico são os sistemas locaisde
inovação.O
processoinovativo apresenta dificuldade de análise para a teoria econômica,
mas
a vertentedominante
acreditaque
a inovaçãopode
ser gerada independentementedo
localem
questão.
As
literaturas, identificadas a partirdo
inícioda década
de 80,vêm
buscando
compreender o
papel relativo ao local para acompreensão do
processo de inovação nasempresas, regiões e países. Elas
dão
atençãoao
caráter localizadoda
inovação edo
conhecimento, ao constatarem-se as grandes assimetrias
em
termos de distribuição espacialda
capacidade de geração e de difusão das inovações.O
enfoque
sobreo
caráter localizadoda
inovação passa a ganharmaior
evidência para se estabelecer às relações existentes entre
o
local eo
global e ao papelque
cada
uma
destasdimensões
irádesempenhar
em
níveiseconômico,
político e social.-
De
maneira
geral,
podemos
observarque
as contribuições sobreo
tema
da
dimensão
localda
inovação parte de diferentes autoresque adotam
variadas linhasde
pensamento,
não
sóeconômico,
mas
também
geopolítico, histórico etambém
filosófico.Verifica-se
um
amplo
número
de formas de análiseda
capacidade de arranjos locaisem
gerarem desenvolvimento
econômico
e inovativo.O
foco das contribuiçõesmais
recentes nesse sentido residena noção de que
osprocessos de geração
de conhecimento
e inovação são interativos e localizados.A
interação criada entre agentes localizados
em
um
mesmo
espaço, favoreceo
processode
geração e difusão
de
inovações.Nosso
estudo teórico sobre as características e a importância dos arranjos produtivos locaisnão
estariacompleto
sem
antes nos reportarmos à contribuiçãode
Marshalló,
que
em
fins
do
séculoXIX,
estabeleceuo
conceitode
distritos industriaisobservando
um
padrão de organizaçãocomum
à Inglaterrado
período,onde pequenas
firmas
concentradasna
manufaturade
produtos específicos,em
setorescomo
o têxtil, selocalizavam geograficamente
em
clusters,em
geralna
periferia dos centros produtores.6
A
abordagem de
distritos industriais realizadas por Marshall, ressaltando aeficiência e competitividade das
pequenas
firmas deuma mesma
indústria localizadaem
um
mesmo
espaço geográfico,deu fundamento
a vários trabalhos sobreo
tema.Diversas experiências sobre arranjos produtivos
vêm
sendo
realizadas, e delasforam
apontadas as principais características dos distritos industriais contemporâneos.São
elas
a
proximidade geográfica, especialização setorial,predominância de pequenas
emédias
empresas, estreita colaboração entre firmas,competição
entre firmas baseadana
inovação, identidade sócio-cultural
com
confiança, organizaçõesde
apoio ativas epromoções
degovemos
regionais e municipais (Schmitz, 1995).A
emergência
do
processode
inovação localizada, coincidecom
a saturaçãodo
modelo
deprodução
em
massa, ocorrido nas décadas de70
e 80,onde o domínio
dosmercados
era das grandesempresas
voltadas paracompetição
via preços.A
noção de
especialização flexível reforçou
o
reconhecimentoda
importânciade
articulações geográficas,propondo
uma
espécie de consolidaçãoda
regiãocomo
uma
unidadede
produção
integrada.Um
breve comentáriopode
ser feitoem
relação ao processo de globalização eos sistemas locais
de
inovação.No
atual quadro de globalizaçãoem
que
omundo
estávivenciando, a competitividade das firmas, e
também
das nações, está condicionada à suacapacidade inovativa,
onde
amudança
tecnológica éum
processo acelerado.Em
talcenário, observa-se
uma
transformação fundamentalno
significado dos investimentosem
conhecimento
eem
capital fixo.Atualmente
os gastos anuaisem
P&D
dasempresas
líderes são maiores
que
seus investimentosem
capital fixo.O
processode
globalização trouxe consigo a expectativade que
a entradamaciça
de capital estrangeiro pudesse acelerar a difusão dasnovas
tecnologias e aintegraçao das
economias
locaiscom
o
mercado
global.Porém,
issoacabou
nao
ocorrendo, pelo contrário, piorou a situação das
economias
locais.Depois
desta apresentação,podemos
definir as formasde
análiseque
serãoempregadas na
monografia.A
primeira será realizada atravésdo
modelo
de análise dosservir
de
base para a verificaçãoda
competitividadedo segmento
de descartáveis plásticosda
região sul de Santa Catarina.A
segunda
é referente às teorias sobre clusters, distritosindustriais e arranjos produtivos locais, e serão pontos
de
referência para a determinaçãodas relações existentes entre as
empresas
instaladas naquela região. Elas proporcionarão aanálise
do
aglomerado de
firmas
de
descartáveis instituídosno
local,dando
ênfase especialpara
o
aproveitamento de extemalidades proporcionadas pela proximidadegeográfica
das3.
A
n~1DÚsTRIA
PETROQUÍMICA
O
estudoda
indústriade
produtos plásticos está intimamente ligado a análiseda
cadeia petroquímica.O
objetivo deste capítulo é fazeruma
apresentação decomo
está dividida acadeia petroquímica, analisar a evolução
do
plásticono
mundo
eno
Brasil, mostrar osprincipais processos produtivos relativos à transformação de resinas termoplásticas,
mostrar os principais
fomecedores
de matérias-primas nas diferentes cadeiasda
indústria,explicitando
também,
os seus principais fatores de competitividade.3.1
A
Cadeia Produtiva
da
IndústriaPetroquímica
A
cadeia produtiva petroquímica é dividida, a partirdo
refino
do
petróleo,de
três diferentes indústrias: indústria
de
la, 2” e 3” gerações.Do
refinodo
petróleo são retirados a nafta,o
gás natural eo
gasóleo. Estas sãomatérias-primas para a indústria
da
primeira geração,também
chamada
de petroquímicabásica.
Dessa
indústria são retirados osinsumos
básicos para a 2” geraçãodo
setorpetroquímíco,
o
de resinas termoplásticas.Os
principaisinsumos
utilizados são eteno,propeno, butadieno,
benzeno
e paraxileno.A
terceira geraçãoda
cadeia petroquímica éo
da
indústria transformadorade
resinas termoplásticasem
materiais plásticos.Todos
os produtos devmatéria plástica se utilizamem
grande quantidadede
insumos
produzidos pela indústria petroquímica. Dentre os principais insumos, pode-sedestacar:
PEAD
(polietilenode
baixa densidade),PEBD
(polietileno de alta densidade),PP
(polipropileno),
PVC
(policloreto de vinila),PS
(poliestireno) ePET
(politereftalatode
etileno).
Cada
uma
dessas resinastem
uma
função específica para a indústria de produtosplásticos.
Esquema
1 -A
cadeiapetroquímica
igás natural, nafta,
gasóleo|
Petroquímica básica
1*
Geração
'leteno,
propeno,
butadieno,benzeno,
paraxilenoli
Resinas
Termoplásticasl
2”
Geração
Ipolietileno, poliestireno,
PVC,
poliestireno,EVA
l
i Indústria
de Transformaçãoi
3°
Geração
produtos
plásticos Fonte s1REsi›'A
cadeia petroquímica está inseridano complexo
químico, tendona química
orgânica sua principal fonte
de
pesquisas, jáque
lidacom
compostos
dessa natureza. Seusprincipais produtos,
como
já mencionados, sãoo
gasóleo,0
gás natural e a nafia.A
indústria petrolífera,ao
fomecer
tais materiais, estabeleceu relações intensascom
a indústria petroquímica, detentora de tecnologia para beneficiamento, tanto que,em
1988, “25,l
%
da
propriedade dasempresas
do
setor petroquímicono
mundo
pertenciam afirmas
petrolíferas” (Araújo, 1992).A
indústria petroquímicatem
forte pesona composição do
PIB
mundial,principalmente nos países desenvolvidos, pelo fato
de
ser grandefomecedora de insumos
para
uma
vasta gama'de
atividades econômicas,que
por sua vez,continuam
demandando
quantidades maiores de petróleo e gás.
Um
dos
indicadoresmais
utilizados para avaliar a situaçãoda
indústriapetroquímica é
o
nívelde
utilizaçãoda
capacidade deprodução
de eteno, consideradoo
produto
mais
importanteda
cadeia e fator relevante para a indicaçãoda
lucratividade dasempresas
produtoras.Segundo Coutinho
et al (1994) as principais característicasda
indústriapetroquímica
mundial
são a alta densidade de capital eP&D,
especialização damão-de-
obra, interdependência entre os diversos
segmentos
da
cadeia e a grande possibilidadede
substituição entre matérias-primas, rotas tecnológicas e aplicação
de
produtos.Na
sua estrutura, a característicada
indústria petroquímica éa
altaconcentração
da
produção,com
presença detamanhos
de plantas deempresas
diversas.Estão presentes grandes
empresas
diversificadas e integradas etambém,
empresas médias
especializadas.
O
volume
de capital e o acesso a matérias-primas constituem barreiras aentrada às
empresas que queiram
adentrarna
indústria.A
existência deuma
ociosidade planejada, necessária devido aocomportamento
cíclicoda
indústria,também
écondicionante
a
entradade novas
firmas.A
principal fontede
vantagem
competitiva para asempresas
está relacionadacom
a tecnologiaempregada
pelas empresas. Firmasque
possuem
laboratóriosmodemos
e
que
realizamP&D
de
longo prazoobtêm
vantagens sobre seus concorrentes.O
domínio
do
mercado
internacional é exercido porum
reduzidonúmero
de
empresas
multinacionaisde
grande porte, capazes de adequar suas produções às diversas plantas existentesno
mundo,
adaptando suaprodução
ademanda
ebuscando
obtereconomias
de escala.Um
dos principais traços dessa indústria,segundo
Coutinho, é a ociosidade planejada das empresas,ou
seja,o
investimento realizado pelasempresas
paraaampliação da
sua capacidadede produção
é realizadocom
bastante antecedênciaao
crescimento
da
demanda.
No
fimda década de
70, a indústria petroquímicamundial
sofie
uma
profundareestruturação produtiva,
aprofundando
a integração dasempresas
e a posiçãointemacional das
empresas
em
atingiremnovos
mercados.Nesse
processo,0
mercado
americano da quimica
é invadido porempresas
européias e japonesas.Segundo Coutinho
et al (1994),
no ano
de 1986, oitocompanhias
norte-americanasforam
adquiridas porempresas
européias.As
principais estratégias empresariais adotadasno
processo de reestruturação produtivaforam o
direcionamento dos investimentos para ossegmentos
da
química fina e especialidades; a transferênciade
áreasde produção
de petroquímicos tradicionais parapaíses
recém
industrializados,no
qual asempresas
lideres mundiais se associaramcom
produtores locais; alianças estratégicas entre produtores para
o
aproveitamentode
oportunidades tecnológicas e de
mercado;
fiisões e incorporações de empresas; e adiversificação
de
linhas de produtos (Coutinho et al, 1994).Com
o
processode
reestruturação intensificou-se acompetição
entre asempresas.
Os
investimentosem
P
& D
para melhoria de produtos e processos seintensificou,
dando
lugar a projetos cujos riscoseram
elevados.O
segmento de
termoplásticos,
que
fabricam osinsumos
para a 3* geraçãoda
cadeia petroquímica foio
pioneiro
no
desenvolvimento denovos
materiais capazes de dar força e estabilidadetérmica aos produtos plásticos.
Segundo Coutinho
et al, são cinco os fatores empresariaisda
competitividadeda
indústria petroquímica.O
primeiro éo
corporativismo estratégico,no
qual sãoconsideradas as vantagens comparativas
da
firma, as condições competitivasdo
mercado
esuas possíveis oportunidades.
A
segunda
refere-se aos investimentosem
pesquisa edesenvolvimento de longo prazo realizado pelas
empresas
líderes.O
terceiro diz respeito àorientação
do
mercado,dando
ênfase ao desenvolvimento de produtos a partirda
necessidade dos clientes.
A
quarta é a criação denovos
modelos
e sistemasorganizacionais dentro das empresas.