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A competitividade do segmento de descartáveis plásticos do sul de Santa Catarina

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(1)

CENTRO

SOCIO-ECONOMICO

A

CURSO DE

GRADUAÇÃO

EM

CIENCIAS

ECONOMICAS

'

A

CO1\/IPETITIVIDADE

DO

SEG1\/IENTO

DE

DESCARTÁVEIS

PLASTICOS

DO

SUL

DE SANTA CATARINA

Monografia

submetida ao

Departamento

de

Economia

para a obtenção

da

carga horária

na

disciplina

CNM

5420

-

Monografia.

Por:

NOS~MAGRO

VERDIERI

Orientador: Pro

NA

O

RAMOS CAMPOS

Área de

concentração:

Economia

de

Empresas

(2)

CENTRO

SOCIO-ECONOMICO

A

CURSO DE

GRADUAÇÃO

EM

CIENCIAS

ECONOMICAS

A

banca

examinadora

resolveu atribuir a nota ... ... ..

ao

aluno Noslei

Dalmagro

Verdieri,

na

disciplina

CNM

5420

-

Monografia,

pela apresentação deste trabalho.

Banca

minadora:

V iiiiiiiii

w¿.š¿rSéäëëw

Presidente ° 4

5,

'rlz 1` ...

Membro

... I ....š...~...

Prof. Dr. Roberto

Meurer

(3)

erdieri, Noslei

Dalmagro

competitividade

do segmento

de descartáveis plásticos sul

catarinense/ coordenação Prof. Dr.

Renato

Ramos Campos

-

Florianópolis,

SC;

Universidade Federal

de

Santa

Catarina,

2003

(4)

A

Deus, pela saúde e capacidade de enfrentar os

desafios.

Aos

meus

pais,

Norbal

e Marli,

minhas

irmãs,

Milena

e Melania,

meu

tio, Airton e

minha

namorada,

Claudia, pelo amor, carinho, incentivo

e dedicação oferecidos.

A

alguns

amigos

em

especial:

Lúcio

Gonçalves,

André Paz

Rosa,

Guilhenne

Belolli Réus,

Rodrigo

Coral e Liluyoud

Cury

de Lacerda, pela

amizade

conquistada ao longo

do

tempo. -

Ao meu

professor e orientador

Renato

Ramos

Campos,

pela paciência e disponibilidade

no

acompanhamento

da

realização deste trabalho.

A

professora Lúcia

Olympio

pela

amizade

dedicada.

A

todos os funcionários

do

Centro Sócio-

Econômico,

do

Centro de

Comunicação

e

Expressão e professores

do Curso

de Ciências

Econômicas.

A

todas as pessoas que, de

maneira

direta

ou

(5)

A

minha

avó

matema,

Lorena,

Na

certeza de

que

está ao lado

do Senhor

Que

Deus

a tenha.

(6)

LISTA

DE ANEXOS

... ..08

LISTA

DE

TABELAS

... ..09

RESUMO

... ..l0 1.

INTRODUÇÃO

... .. 11 2.

MARCO

TEÓRICO

... ..15 2.1 Concorrência ... ..l5 2.2 Competitividade e

Padrão de

Concorrência ... ._ 18 2.3 Clusters, Distritos Industrias e Sistemas Locais de Inovação ... ..25

3.

A1N|)ÚsTRIA1>1‹:TRoQUÍ1v11cA

... ..3o 3.1

A

Cadeia

Produtiva

da

Indústria Petroquímica ... ..30

3 .2

A

Indústria Petroquímica

no

Brasil ... ..37

3.3

A

Indústria transformadora de Produtos Plásticos: 3°

Geração

... ..4l 3.4

A

indústria

Transformadora

de Produtos Plásticos

no

Brasil ... ..45

4.0

AGLOMERADO

DE

DESCARTÁVEIS

PLÁSTICOS

DO

SUL

CATARINENSE

E ANÁLISE

CQMPETITIVA

... ..53

4.1 Identificação das

Empresas

... ..54

4.2 Fatores Determinantes

da

Competitividade

do

Segmento

... ..57

4.3 Estratégias Competitivas das Principais

Empresas

.... ... ..63

4.4

Visão

da

ABRADE

e Sindicato Patronal ... ..72

4.5

A

Proximidade

Geográfica das

Empresas

Plásticas

do

Sul Catarinense ... ..73

4.6 Avaliação dos Fatores

da

Competitividade ... ..75

4.6.1

Busca

de Tecnologia de Ponta ... ..76

4.6.2 Capacitação Tecnológica e Inovação ... ..76

4.6.3

Capacidade

de Investimento e

de

Capital ... ..77

(7)

4.6.6 Logística e Distribuição

de

Produtos .... ..

4.6.7 Diversificaçao e Diferenciação ... ..

4.6.8 Qualidade dos Produtos ... ..

4.6.9 Prazos

de

Entrega ... ._

4.6.10 Preço e

Boas

Condições

de

Pagamento

5.

CONSIDERAÇÕES

FINAIS

... ..

6.

REFERÊNCIAS

... ..

(8)
(9)

LISTA

DE

TABELAS

Tabela

1 - Principais contrastes entre clusters e distritos industriais ... ..26

Tabela

2

-

Consumo

aparente de resinas tennoplásticas (mil ton.) ... ..39

Tabela

3 - Categorias

de

plástico e materiais ... ..42

Tabela

4

-

Empresas da segunda

geração

no

Brasil ... ..47

Tabela

5 - Principais

empresas

produtoras de descartáveis plásticos sul catarinense ... ..54

Tabela

6 -

Número

de postos

de

trabalho

no

ano

de

2003

nas principais

empresas

... ..55

Tabela

7 - Localização das

empresas

... ..56

Tabela

8 -

Empresas

coligadas de

um

grupo e independentes ... ..56

Tabela 9

- Fatores determinantes para

o

sucesso competitivo

no

mercado

... ..57

Tabela

10 - Fatores determinantes

do

sucesso competitivo

na

organização industrial ... ..58

Tabela 1 1 - Fatores determinantes para

o

sucesso competitivo nas relações intersetoriais ... ..59

Tabela

12 - Fatores detenninantes

da

competitividade

na

infra-estrutura física ... ..59

Tabela 13 - Fatores determinantes

do

sucesso competitivo das

empresas

na

infra-estrutura tecnológica ... ..60

Tabela 14 - Fatores determinantes

do

sucesso competitivo nos condicionantes

macro-

econômicos, fiscais e financeiros ... ..61

Tabela 15 - Fatores determinantes

do

sucesso competitivo nos condicionantes legais- regulatórios ... ..62

A

Tabela

16 - Fatores determinantes

do

sucesso competitivo nos condicionantes sociais ... ..62

Tabela 17 - Estratégias de

mercado

adotadas pelas

empresas

... ..64

Tabela

18 - Estratégias

de produção

adotadas pelas

empresas

... ..65

Tabela 19 - Estratégias

de

compras de insumos

e

componentes

... ..67

Tabela 20

- Estratégias de gestão

de

recursos

humanos

... ..68

Tabela

21 -

Elementos que mais influenciaram

a formulação de estratégias atuais das

empresas

... ..69

Tabela 22

- Principais vantagens locacionais ... ..70

Tabela 23

- Importância

da mão-de-obra

local para as

empresas

da

região ... ..72

(10)

RESUMO

O

estudo

da

competitividade

do

segmento de

descartáveis plásticos

do

sul

de

Santa Catarina

vem

abordar

um

importante

ramo

da

economia

catarinense.

A

região é responsável pela

maior produção

do

país, constituindo

na

liderança

em

termos de

volume

produzido.

A

monografia

analisa a indústria petroquímica,

mostrando

seu

desenvolvimento

no

mundo

e crescimento

no

Brasil, através

de

políticas

govemamentais

para fortalecimento

da

sua cadeia produtiva.

Além

disso, mostra

como

está dividida esta

cadeia.

Através

da

verificação dos fatores determinantes

da

competitividade

do

setor

plástico brasileiro e

do segmento de

descartáveis

do

sul catarinense, foi feito

um

paralelo entre

ambos

para se saber se as principais

empresas da

região

seguem

o

padrão

de

concorrência vigente

no

mercado

nacional.

A

aplicação

de

questionário se

tomou

ponto

(11)

1.

INTRODUÇÃO

i)

Contextualização

A

descoberta

de

reservas minerais

de

carvão

no

sul

de

Santa Catarina

marca

a

fase inicial

do

processo de industrialização

da

região. Foi a principal fonte de

emprego

e

renda para a população local, absorvendo grande parte

da mão-de-obra

disponível.

Com

o

processo de beneficiamento de carvão, ocorre

um

sistemático

aumento

das relações comerciais

nos

municípios

da

região, concentrados principalmente

em

Criciúma. Durante décadas a principal atividade industrial se

baseou na

extração daquele

minério.

A

dependência

da mineração

diminui

na

medida

em

que

se instala

um

parque

fabril de

empresas de

diversos setores,

que proporcionam novas

perspectivas de

emprego

e

renda

na economia

regional, sendo

que

os principais

foram o

cerâmico, calçadista,

vestuarista e de transformação plástica.

Do

setor de transformação plástica,

o

segmento de

descartáveis é

o

que possui

maior

número

de

empresas

na

região,

o mais

importante pólo

do

Brasil

em

PS

(poliestireno),

onde

está concentrado

o maior

volume de produção do

país (Santos, 2000).

As

empresas de

descartáveis plásticos

do

sul catarinense são responsáveis pela

transformação das matérias-primas,

chamadas

resinas termoplásticas

em

produtos

como

copos, bandejas, garfos, pratos e potes.

Esta pesquisa se propõe a analisar as condições

da

competitividade

do

segmento

de descartáveis plásticos

da

região sul

de

Santa Catarina, através

do

estudo

dos

fatores determinantes

de

competitividade das finnas, destacando

o

padrão de concorrência

e

comparando-os

com

os fatores de competitividade

do segmento no

país.

Para essa análise, foi elaborado

um

questionário,

que

aplicado nas principais

(12)

ii) Objetivos

Geral:

1 - Análise das condições de competitividade das principais

empresas

do

segmento

de descartáveis plásticos

da

região sul de Santa Catarina.

Específicos:

1

-

Verificar as características

do

padrão

de

concorrência específico

do

segmento;

2

-

Análise das estratégias adotadas pelas principais

empresas

da

região;

3

-

Verificação do

aproveitamento

ou não

de extemalidades proporcionadas

pela proximidade geográfica das empresas.

iu)

Procedimentos metodológicos

A

análise

da

competitividade de

uma

indústria se faz importante para

o

comportamento

futuro das

empresas que

as

compõem.

É

através

da

pesquisa dos fatores

competitivos

que

podemos

avaliar

o comportamento

das

empresas

de determinada

indústria.

São

três os fatores

da

competitividade: empresariais, estruturais e sistêmicos.

Os

fatores empresariais

dizem

respeito às estratégias adotadas pelas empresas.

São

relativos

ao uso

de seus recursos técnicos e financeiros para buscar vantagens

competitivas. Dentro dos fatores empresarias a

empresa

tem

total

poder de

intervenção.

Os

fatores estruturais

mostram

o comportamento

das

empresas

dentro

do mercado,

como

ele está configurado e a

forma

como

ocorre a concorrência.

A

capacidade de interferência

da empresa

é limitada, através

da mediação do

processo de concorrência.

Os

fatores

sistêmicos são aqueles

nos

quais as

empresas não exercem

quaisquer tipos de intervenção,

e são fatores

extemos

às firmas.

São

fatores ligados às políticas

econômicas

adotadas,

Q... gas

›-Q

u

(13)

São

seis as principais

empresas

de descartáveis responsáveis pela

produção

dos

copos pigmentados

brancos, e duas responsáveis pela

produção de

descartáveis nobres,

chamados

copos

cristais.

Com

isso, são oito as principais

empresas de

descartáveis

na

região identificadas pela pesquisa

de

campo

realizada.

iv)

Estrutura

do

Trabalho

A

monografia

está estruturada

da

seguinte maneira.

O

capítulo 2 trata

de

uma

revisão teórica a respeito

da

competitividade e fatores condicionantes à competitividade.

Ele

busca

dar

embasamento

para

o

estudo.

Consta

também,

uma

revisão de literaturas

sobre sistemas locais

de

inovação, já

que

a pesquisa

também

se propõe a verificar possíveis

ganhos

de competitividade oriundos

da aglomeração

dessas empresas.

O

capítulo 3 mostra

uma

análise

da

cadeia produtiva petroquímica, sua

evolução

no

Brasil e analisa as características

da

indústria transformadora de plásticos, seu

desenvolvimento

no

país,

número

de empresas, principais fomecedores, produtos, destino

da produção

e processos produtivos.

No

capitulo

4

é analisada a

configuração do aglomerado

de descartáveis plásticos

no

sul de Santa Catarina,

buscando

entender a sua estrutura produtiva, nível

de

produção, relações entre associações

de

classe e

demais

estruturas institucionais.

São

mostrados os principais fatores determinantes

da

competitividade para as

empresas da

região e suas estratégias, fazendo

um

comparativo

com

os determinantes competitivos

do

segmento

plástico nacional.

Além

disso, este capítulo procura verificar se as

firmas

aproveitam as extemalidades criadas pela

aglomeração

de empresas.

Por

fim,

é apresentada urna breve conclusão, indicando os principais pontos

encontrados

na

monografia

referentes às condições de competitividade

do segmento

de

descartáveis plásticos.

v)

Base

de

Dados

A

fonte de

dados da

pesquisa é proveniente de livros e publicações sobre a

(14)

indústria plástica, de

dados

retirados

de

entidades

de

classe

como

a

ABRADE

(Associação

Brasileira de Descartáveis),

de

publicações

que

tratam de clusters e aglomerações

industriais e

de

questionário (anexo I) aplicado nas principais

empresas componentes

do

segmento na

região.

A

pesquisa de

campo

foi realizada por

meio

de entrevistas

com

os dirigentes

das principais

empresas do

segmento na

região,

que responderam

as perguntas contidas

no

questionário aplicado.

Depois

desta apresentação,

podemos

definir as análises

que

serão

empregadas

na

monografia.

A

primeira será realizada através

do

modelo

de análise dos fatores

determinantes

da

competitividade

de

uma

indústria, apresentado

no

capítulo 2, irá servir

de

base para a verificação

da

competitividade

do segmento

de descartáveis plásticos

do

sul

catarinense.

A

terceira refere-se às estratégias adotadas pelas empresas, verificando se elas estão

seguem

o

padrão de concorrência

do segmento

no

país. Por último, a verificação

do

aproveitamento de extemalidades advindas

da

proximidade geográfica das

firmas

(15)

2.

MARCO

TEÓRICO

2.1 Concorrência-

O

objetivo deste tópico é discorrer

em

breves linhas sobre

o

fenômeno

da

concorrência e

da

competitividade.

Para Possas (1999), “a concorrência é

um

processo constitutivo

do

capitalismo,

que

examina algumas

características gerais das estratégias seguidas neste processo

seletivo, para a obtenção

de

lucros.

A

mais

geral delas é a tentativa de

cada

concorrente se

diferenciar

em

relação às demais, prevalecendo sobre elas.

O

ponto principal desse

processo é a

busca

constante

de

vantagens competitivas, para

que o

competidor consiga

a

maior

parcela possível

do

mercado”.

Uma

questão

não

menos

importante é a de

que

seus

processos produtivos, juntamente

com

elementos institucionais,

influenciam

em

cada

tipo

de

vantagem

competitiva

num

determinado

mercado.

Um

competidor procura diferenciar seus produtos

ou

serviços

num

dado

mercado

basicamente através

de

duas maneiras distintas: produtos

com

qualidade superior

e preços abaixo dos concorrentes.

Os

preços

mais

baixos

devem

ser

acompanhados de

custos

de produção

menores, assim

como

a qualidade superior

deve

ser obtida de

maneira

não muito

fácil de ser imitada pelos concorrentes.

Derivada

dessa diferenciação pode-se ainda atribuir dois tipos

de

vantagens

competitivas,

em

custo e

em

diferenciação de produto. Possas (1999)

chama

de

“dimensões da

concorrência” às diversas possibilidades de vantagens competitivas.

Existem

vários tipos

de

vantagens

em

custo e

em

diferenciação de produto,

que

designam

características distintas

do

processo competitivo,

dependendo do

mercado

em

que cada

firma está inserida.

Outros pontos

a serem lembrados

são os elementos

que

afetam a eficiência das

vantagens competitivas, tais

como

os conceitos de custo de oportunidade, apropriabilidade

e cumulatividade tecnológica. Possas

chama

de “atributos das formas de concorrência” às

(16)

Quando

nos

reportamos ao estudo

da

concorrência

em

preços,

passamos

a

estabelecer

o que

a literatura

econômica

tradicional nos diz,

ou

seja, ela é

um

mecanismo

impedidor de

que

os preços praticados se

elevem acima

dos preços

de

oferta.

A

teoria

microeconômica

possui

uma

vasta literatura sobre

o

tema.

É

salutar observar que, preço

acima

daqueles

que

remunerem minimamente

o

capital investido pelo produtor e

também

reproduza a

mão-de-obra

utilizada, atraíriam

novos

competidores,

aumentando

a oferta

do

mercado.

Isso acarretaria

numa

posterior redução dos preços.

Nessas

circunstâncias,

o

mercado

é considerado de concorrência perfeita e

0 elemento

principal de ajuste é

0

preço.

Em

mercados

oligopolizados, este fator

não contempla

a realidade, já

que

os

preços, nesse caso, são rígidos,

não respondendo

a variações

da demanda.

Outro ponto à

ser visto, é

o

de

que

os preços

adquirem

pouca

força

como

anna

na

disputa desses

mercados, já

que

as

mudanças

de preços

podem

ser quase instantâneas (Possas, 1999).

O

oligopólio favorece

uma

maior

rigidez

de

preços,

mas

não

exclui as suas características

como

maneira de

concorrência.

Nos

mercados não

oligopolizados, a presença

de

muitas

empresas

com

margens

de lucros baixas significam

que

as vantagens competitivas das firmas presentes

no

mercado não desencorajam

a entrada de

novos

concorrentes.

Como

as vantagens

competitivas das firmas

não

chegam

a ser obstáculo à entrada,

não

existe possibilidade

de

que

altas

margens

de lucro

possam

existir durante

muito

tempo.

O

ponto

chave

dessa discussão é

o de que

a prática

de

preços baixos e

de

melhor

qualidade dos produtos para diferenciação

em

relação aos concorrentes,

deve

ser

acompanhada

de custos

mais

baixos e de produtos

com

pouca

facilidade de imitação.

As

vantagens de custo

podem

ser 'alcançadas através

de

economias

de escala,

economias

de escopo, capacidade de autofinanciamento

da

firma, patente e licenciamento de tecnologia, relações

com

fomecedores, relações

com

a mão-de-obra, organização

da

produção, eficiência administrativa e capacitação

da

própria organização.

Utilizando

métodos

produtivos

mais

eficientes

ou

através da melhoria

de

qualquer etapa

da produção

e comercialização, a firma

pode

alcançar

economias

de escala,

(17)

As

economias de escopo

são

economias de

escala referidas a

produção de

um

conjunto de bens. Elas

podem

ser alcançadas pela flexibilização dos processos produtivos.

Boas

condições financeiras de

uma

empresa

podem

dar vantagens perante seus concorrentes, já

que

haverá

maior

disponibilidade de recursos financeiros para a

expansão

e inovação de produtos pela empresa.

Por

meio

de

patentes e licenciamento tecnológico é permitido

que

as condições

de produção

das

firmas

que

as

detém sejam

únicas,

ou

seja,

o

direito de propriedade sobre

determinada patente faz

com

que

a

empresa

detentora consiga vantagens.

O

relacionamento

proficuo

com

fomecedores

faz-se importante para a

aquisição

de

vantagens

de

custo pelo fato

de que

nem

sempre

as

firmas conseguem

insumos de boa

qualidade a custos baixos. Isso é

agravado

quando

as fontes de matéria-

prima

são limitadas e

quando

são partes importantes

de

diferenciação

do

produto.

As

relações

com

a

mão-de-obra

são

um

ponto delicado

na

obtenção

de

vantagens

de

custo.

As

firmas

procuram

dar

um

bom

treinamento e qualificação a seus

funcionários

no

sentido de diminuir

tempo

na execução de

tarefas e

também,

diminuir

o

re~

trabalho. Outro fator importante

no que

diz respeito à

mão-de-obra

é a relação capital-

trabalho existente,

ou

seja, as

empresas

tentam evitar protestos

que levem

a paralisação

do

processo de

produção

por

meio

de acordos

ou

medidas que

causem

o

mínimo

de

atritos

entre as partes.

Os

métodos

de organização

da produção

são instrumentos utilizados para

redução de despesas e

podem

se

tomar

elementos de vantagens de custo e

de

diferenciação.

Atuações

administrativas

adequadas

ajudam na

redução de gastos desnecessários,

principalmente

em

grandes empresas.

Para finalizar os principais pontos referentes às vantagens de custo,

enfatizamos a capacitação. Ela é

uma

das

dimensões mais

relevantes

em

todos os setores

(18)

As

vantagens de diferenciação de produto

podem

ser alcançadas através

de

diferentes dimensões, tais

como:

especificações dos produtos, confiabilidade, durabilidade, design, estética, linhas

de

produto, custo

de

utilização

do

produto,

imagem

e marca,

formas

de

comercialização, assistência técnica,

financiamento

aos

consumidores

e através

da

relação

com

usuários (Possas, 1999).

Vale

dizer

que

essas

dimensões

são utilizadas para garantir fontes

que

gerem

vantagens de diferenciação e

dependem

dos

consumidores

em

cada

mercado

específico.

2.2

Competitividade

e

Padrão

de Concorrência

Segundo

Ferraz et al (1997) competitividade é “a capacidade

da empresa

formular e

implementar

estratégias concorrenciaisque lhe

pennitam

ampliar

ou

conservar,

de

forma

duradoura,

uma

posição sustentável

no mercado”.

Ainda

utilizando os conceitos de Ferraz et al,

o

padrão de concorrência

corresponde a

um

conjunto de fatores decisivos para

o

sucesso

em

um

dado mercado,

e

está ligado

de

forma

intensa à competitividade.

Podemos

dizer que,

o

padrão

de

concorrência é a variável determinante e a competitividade a variável detenninada

ou

de

resultado,

ou

seja, a competitividade é função

da adequação

das estratégias as firrnas

ao

padrão

de

concorrência vigente

em

cada

mercado.

A

competitividade reflete

o

grau

de

capacitação das firmas,

que

se traduz nas

técnicas praticadas pela empresa.

Novas

capacitações

devem

ser buscadas constantemente, já

que

os recursos encontrados se

depreciam

com

o

passar dos

anos

e precisam ser repostos, e

também

se

tomam

obsoletos

em

função

do

surgimento de inovações

no

processo produtivo.

O

padrão

de

concorrência de

cada

indústria é determinado pelas características

estruturais e

comportamentais

do

ambiente competitivo

da

empresa.

Em

cada

mercado,

ou

seja,

o

local

onde

as

empresas

se defrontam,

a

predominância

de

um

dado

padrão

de

concorrência,

que

é definido a partir

da

interação entre estrutura e condutas

dominantes

no

setor.

São

competitivas as

empresas

que adotam

estratégias competitivas

mais adequadas

(19)

definido pelos seguintes fatores, a saber: fatores empresariais, fatores estruturais e fatores

sistêmicos.

Os

fatores empresariais são aqueles sobre os quais a

firma

detém poder de

decisão e

podem

ser controlados

ou

modificados através de condutas ativas assumidas,

correspondendo a variáveis

no

processo decisório. Refere-se

a

determinantes intemos

da

empresa.

Os

fatores estruturais são referem-se a própria indústria, são fatores intemos

ao

complexo

industrial e

que

formando a

oferta de produtos

da

indústria.

Os

fatores sistêmicos são aqueles

que

exercem

influência direta sobre

o

sistema

econômico.

São medidas que

interferem sobre os agentes político-institucionais, legais-

regulatórios,

de

infia-estruturas, determinantes intemacionais e sociais.

São

fatores

extremamente

importantes para

o

sucesso das

empresas

em

ambientes altamente

competitivos e

em

que

a

aglomeração

de finnas possa trazer benefícios para

uma

determinada região (Ferraz et al, 1997).

Estudar competitividade requer aprofundar os estudos das origens das

vantagens competitivas.

As

vantagens competitivas

podem

ser construídas a partir de

diversas fontes

que

estão vinculadas às especificações

do

produto,

o

processo

de

produção,

às vendas, a gestão, às escalas produtivas, os

tamanhos

dos mercados, às relações

com

fomecedores

e usuários, aos condicionantes

da

política econômica, a financiamento

da

empresas

ou

de

sua clientela, às disponibilidades de infra-estrutura, a aspectos de natureza

legal, entre outras.

Faremos

a seguir,

uma

abordagem,

com

mais

profundidade sobre os principais

fatores competitivos

que

interferem

na

competitividade

da

empresas.

Os

fatores empresariais são aqueles sobre os quais

a empresa

detém

total

poder

de decisão e controle através de condutas ativas. Eles se referem ao estoque de recursos

acumulados

pela

empresa

e as estratégias de ampliação desses recursos se

fazem

presentes

em

quatro áreas: inovação, gestão, recursos

humanos

e

produção

(Ferraz et al, 1997).

(20)

A

primeira das áreas é a inovação e ela

pode

ocorrer

em

termos

de

produto,

processo produtivo e

em

termos tecnológicos.

Na

segunda, a área de gestão, ocorre dentro

da empresa nos

campos do

marketing, finanças, planejamento, serviços pós-vendas,

finanças

e produtivo.

Em

nível de gestão as

empresas

procuram

trabalhar

no

sentido

da

diminuição

do

número

de

níveis hierárquicos envolvidos

nos

processos e

aumento

do

fluxo

de

infonnações. Elas

procuram

também,

criar

um

ambiente favorável a

aproximação

de

fomecedores

e clientes, para desenvolvimento conjunto de produtos, troca de informação

tecnológica,

fluxo

de entrega

que

para redução de estoques e estabilidade nos contratos

com

clientes e fomecedores.

A

terceira área

que

abrange os fatores empresariais é a

de

recursos

humanos.

A

área de recursos

humanos

pode

ser trabalhada pelas

empresas

para

melhoria das técnicas produtivas, a multifuncionalidade

da mão-de-obra

e a capacidade

criativa

na

resolução de problemas. Para isso a

empresa deve

estar disposta a investir

permanentemente

em

treinamentos de toda sua força de trabalho. Ela influencia a

competitividade pelo fato de lidar diretamente

com

as pessoas envolvidas

em

todo

o

processo produtivo.

Cabe

a ela verificar e adotar práticas

que levem

a qualificação,

flexibilidade e

aumento de

produtividade dos envolvidos

no

processo.

A

última delas é referente

ao

sistema de

produção da

empresa.

Nessa

área, a

finna

deve

adotar

medidas

que

as deixe atualizadas

em

máquinas

e equipamentos, verificar se

possibilidade

de

aprimoramento ou

criação de

novas

técnicas, tanto

em

nível

de

fábrica

como

à própria

organização interna, e

também

de qualidade dos produtos.

Diferentemente dos fatores empresariais, os fatores estruturais apresentam

peculiaridades setoriais

mais

nítidas

na

medida

em

que

têm

sua importância diretamente

relacionada

ao

padrão

de

concorrência

dominante

em

cada

indústria (Ferraz et al, 1997).

Os

fatores estruturais

da

competitividade

dizem

respeito ao

mercado

no

qual

estão inseridas as empresas, a

configuração da

indústria e

ao

sistema

de

incentivos e

regulação

da

concorrência.

São

fatores

exógenos

às empresas, por isso elas

têm pouca

ação

para

tomada

de decisões.

Nesses

fatores, a capacidade de intervenção

da empresa

é limitada pela

mediação

do

processo de concorrência, estando por isso apenas parcialmente

(21)

Em

termos

de

mercado

podemos

dizer

que

seus dinamismos,

em

conjunto

com

consumidores

exigentes são fatores

que induzem

ao

aumento da

competitividade das empresas.

Ferraz et al observa que,

em

se tratando

de mercado,

os fatores estruturais se

caracterizam pela taxa de crescimento da indústria, distribuição

geográfica

e

em

faixas

de

renda, grau

de

satisfação tecnológica e outros requisitos impostos aos produtos,

oportunidades de acesso a

mercados

intemacionais, sistemas de comercialização, entre

outros.

Os

lançamentos e incorporações de novas características

em

relação aos produtos

antigos

oferecem

nova dinâmica

aos

mercados que

apresentam sinais

de

saturação, já

que

os produtos existentes

no

mercado

apresentam

uma

tendência de redução

do

ciclo

de

vida.

Segundo

Ferraz et al,

a

configuração

da

indústria se refere sobre as tendências

do

progresso das técnicas

empregadas

pela empresa,

no que

diz respeito aos ciclos de

produtos e processo; a intensidade

do

esforço

de

P

&

D

e às oportunidades tecnológicas,

inclusive de introdução de inovações radicais; às escalas típicas de operação e aos níveis

de

concentração técnica e

econômica da

oferta;

o

grau de verticalização e diversificação

setorial; a distribuição espacial

da produção

e

adequação da

infra-estrutura física ao

regime

de

P

& D

e integração

com

infi'a-estrutura tecnológica;

ao

relacionamento

da empresa

com

fomecedores, usuários e concorrentes; e a relação capital-trabalho.

A

configuração

da

indústria

nada mais

é

do

que a maneira

como

as

empresas

se

organizam

e interagem entre si, para efetuar relações entre

fomecedores

e clientes.

Ferraz et al mostra

algumas

características de configurações industriais. Ele

apresenta

que

em

setores de alta intensidade

de

capital ocorre

um

processo

de

especialização

em

linhas afins,

em

termos de base tecnológica e áreas de especialização.

Em

setores

de

menor

intensidade

de

capital, para enfrentar gastos

com

P

&

D, formação

de

mão-de-obra

e aperfeiçoamento gerencial, as

empresas

formam

redes cooperativas horizontais entre elas.

O

aumento da

cooperação vertical,

ou

seja, cooperação entre as

empresas

na

cadeia produtiva, é ponto

de

referência das

configurações

industriais

(22)

Os

regimes

de

incentivos e regulação

da

concorrência

podem

ser fatores

condicionantes para a disposição das

firmas

competirem

nos mercados.

Ambientes de

alta

rivalidade interempresarial

favorecem

a competitividade, por

submeterem

as

empresas

a

esforços contínuos de melhoria

da

eficiência produtiva e de inovação dos produtos e

métodos

de

produção

(Ferraz et al, 1997).

Desse

sistema faz parte

o

grau de rivalidade entre concorrentes;

o

grau

de

exposição ao

comércio

intemacional; a ocorrência de

barreiras tarifárias e não-tarifárias às exportações; a estrutura

de

incentivos, tributos à

produção

e

comércio

exterior,

que

inclui aspectos relacionados ao financiamento e aos

custos de capital; e efetivaçao

da

regulação das práticas concorrências.

Os

fatores sistêmicos

da

competitividade são aquelas

que

se constituem

em

extemalidades para a empresa, já

que

ela

não

possui

poder

de interferência, constituindo

parâmetros importantes para

a

tomada

de decisões

da firma.

Os

principais condicionantes

desses fatores são os determinantes

macroeconômicos,

determinantes político-

institucionais, legais-regulatórios, determinantes

de

infra-estrutura, sociais e determinantes

intemacionais.

Os

determinantes

macroeconômicos que

interferem sobre

na

competitividade

das indústrias

podem

ser divididos,

segundo

Ferraz et al,

em

três:

o

regime cambial;

políticas de regulação

macroeconômica

(política fiscal, monetária e tributária) e seus

resultados

em

termos de nível e estabilidade das taxas de inflação e

do

sistema de crédito

da

economia.

Um

regime

de

câmbio que

evite

uma

sobrevalorização cambial

muito

grande é necessária para a preservação

da

competição

da

indústria nacional

em

relação a

concorrência internacional e,

também,

a estabilidade

da

taxa

de

câmbio

real reduz riscos

ligados às atividades financeiras.

O

controle inflacionário se faz importante para a redução dos custos decorrentes

da

incerteza

na economia,

e permite

que

as

empresas

adotem

prazos de cálculo

não

em

curto prazo,

mas

também

em

longo prazo, necessários para a formulação e

adoção

de estratégias competitivas inovadoras,

na

tentativa, por parte das empresas,

da

(23)

Um

ponto levantado por Ferraz et al é

o

de que o

crescimento continuado

do

PIB

permite às

empresas

se

beneficiarem

das

economias

de escala e de aprendizado

advindos

de

mercados

intemos

em

expansao, incrementando a competitividade

da

indústria.

O

sistema

de

crédito

da

economia

é

um

mecanismo

de grande importância para

a competitividade das empresas, já

que

interferem nos custos de financiamento de projetos

de longo prazo e naqueles

em

que o

risco para sua implantação é alto.

Os

determinantes político-institucionais

correspondem

ao conjunto

de

instituições, políticas e práticas através das quais

o

Estado se relaciona ativamente

com

o

setor industrial. Dentre as

medidas

adotadas pelo Estado estão políticas

de comércio

exterior e tarifária, política tributária e política científica e tecnológica.

As

políticas de

comércio

exterior e tarifária são determinantes para a

formulação de acordos comerciais, incentivos às exportações, proteção à setores

com

potencial exportador, condiçoes

de

acesso a

insumos

e

equipamentos

importados, entre

outros.

Para Ferraz et al, a política tributária

tem

forte

impacto

sobre a

competitividade industrial

na

medida

em

que

políticas tributárias

sejam cada

vez

mais

consideradas

como

contrapartidas necessárias para o acesso a certos acordos

ou

blocos

de

comércio. .

A

política científica e tecnológica

pode

afetar de

maneira

significativa a

competitividade ao oferecer a infra-estmtura para criação e melhoria de processos,

máquinas

e equipamentos, e

também,

estimular a

modemização

da

indústria.

Os

determinantes legais-regulatórios

cuidam da

regularização

do

sistema

de

concorrência

em

que

estão inseridas as empresas. Neles

fazem

parte códigos

que

defendem

o

meio-ambiente, a própria concorrência,

o

consumidor,

o

direito

da produção

(24)

Os

determinantes de infi'a-estrutura são representados pelos

meios

básicos para

o

estabelecimento das firmas, tais

como

sistema de transporte viário, telecomunicações e

energia.

De

maneira

geral, seu

fomecimento

é

de

responsabilidade

do

Estado.

A

disponibilidade

de

um

abastecimento

de

energia

a

custos reduzidos afeta

diretamente todo

0

sistema industrial e, portanto, a competitividade

extema

das

empresas

locais.

Uma

rede

de

transportes integrada e eficiente,

também

é fator importante para

a

determinação

da

competitividade das

empresas

instaladas

em

determinada região.

A

qualidade e

o

baixo custo de

uma

rede

de

telecomunicações é

também,

fator estratégico

para a competitividade das

empresas

tanto

como

condição preponderante para

o

acesso a

mercados

externos, quanto

na

integração

do

próprio

mercado

interno.

Os

determinantes sociais

correspondem

aos fatores sociais e culturais

que

fazem

parte

do

local

onde

estão as firmas.

As

condições sociais

têm

importantes efeitos

sobre a competitividade das empresas,

em

particular

no

que

diz respeito ao padrão

de

vida

dos consumidores, à

educação

e qualificação

da mão-de-obra

e a natureza das relações

trabalhistas.

Os

níveis de produtividade e qualidade dos produtos

dependem

do

nível

de

educação

e qualificação

da

mão-de-obra.

Da mesma

forma, a geração e incorporação

de

inovações

não ocorrem

se

não

existirem técnicos e cientistas qualificados.

Relações trabalhistas

que estimulem

a cooperação entre patrões e

empregados

podem

influenciar positivamente

na

evolução

da

produtividade industrial.

O

efeito

principal

de

relações trabalhistas

mais

participativas parece vir

do

aproveitamento das

possibilidades de

economias

de aprendizado detectadas pelos próprios trabalhadores.

O

padrão de vida e a distribuição de renda vigente

na

sociedade

também

têm

efeitos sobre a competitividade industrial

na

medida

em

que

afeta a

dimensão

e

o

grau

de

sofisticação

do

mercado consumidor

intemo.

Os

determinantes internacionais

da

competitividade referem-se aos impactos

das principais tendências

da economia mundial

e

da forma

de inserção internacional

da

economia

local.

As

tendências dos

movimentos

intemacionais de capital financeiro são

(25)

importantes para a estabilidade

macroeconômica

e

o

crescimento

da economia

local. Esses

determinantes interferem

na

economia

local, tanto

na

questão produtiva,

como

na

financeira.

Na

dimensão

produtiva, os fatores

mais

decisivos são as tendências dos fluxos

de

comércio

intemacional e dos investimentos

extemos

diretos.

Na

dimensão

financeira, é necessário levar

em

conta as principais tendências dos

movimentos

intemacionais

de

capital financeiro,

no

que

diz respeito à direção, natureza, mobilidade e condições

de

acesso aos

fluxos de

financiamento externo (Ferraz et al, 1997).

2.3 Clusters, Distritos Industrias e Sistemas

Locais

de Inovação

Existem

vários conceitos para tratar dos clusters e distritos industriais.

Devido

a isso, ocorre certa confusão para a explicação e interpretação desses termos.

Iniciaremos a

abordagem

desse assunto através

da

exposição

do

conceito

de

Sclnnitz3 (1997, p. 169)

segundo o

qual

no

cluster

“há amplas

oportunidades para a divisão

do

trabalho entre as

empresas

e, portanto, para a especialização e a inovação essenciais

para competir fora dos

mercados

locais.

também

oportunidades substancialmente

maiores para a ação conjunta”.

No

conceito

acima

fica

evidente a idéia de

que

'o cluster significa

oportunidades,

que

se

tomam

efetivas

ou não

ao longo

do tempo;

Dentro dele, é viabilizado

o

desenvolvimento de estratégias

de

crescimento, visando sua transfonnação e

passagem

para

um

estágio

mais avançado

de desenvolvimento,

o

distrito industrial.

Para

que

isso ocorra, é necessário

que

as relações sociais

de

determinada região

se consolidem

num

ambiente

de

confiança

recíproca e de cooperação

mútua

entre os

agentes,

não

interessando se sao competidores

ou

não.

Gastaldon (2000) utiliza

o

conceito de Becattini para conceituar os distritos

industriais:

3

(26)

Distrito industrial é

uma

entidade sóc_io-territorial, caracterizada pela presença

ativa de

uma

comunidade de pessoas e de

uma

população de empresas

num

determinado espaço geográfico e histórico.

(BECATTINI, 1994)

A

principal característica dos distritos industriais é

que

se tratam

de

um

cluster

com

relações cooperativas entre as

empresas

a

montante

(fomecedores) e a jusante

(clientes).

Com

isso, pode-se dizer

que

todo distrito industrial

tem

sua

origem

num

cluster,

embora

este

não venha

necessariamente se transformar

em

distrito industrial.

Fica‹ evidenciado

que

cluster e distrito industrial

não

são sinônimos. Para

sintetizar essa diferenciação, apresentamos a visão de

Amin4

(1996),

em

Gastaldon (2000),

que mostra

três características fundamentais para definir

o

distrito industrial, distinguindo-

o

de

uma

simples

aglomeração

de

pequenas

empresas, a saber: (i) divisão de tarefas entre

um

grande

número

de

pequenas empresas

locais

que fazem

parte

da

mesma

cadeia

produtiva; (ii) ativo coletivo,

ou

seja,

um

centro criador de conhecimento, capacidade

empresarial e

aprendizagem

dentro

de

uma

linha industrial e (iii)

adensamento

institucional. ~

Segundo

Gastaldons os principais contrastes existentes entre clusters e distritos

industriais

podem

ser agrupados

na

tabela I.

Tabela

1 - Principais contrastes entre clusters e distritos industriais

` ` 4

CLUSTER

DISTRITO

INDUSTRIAL

Custos altos e ineficiência de integração vertical Benefícios pela especialização de tarefas

\

Clustering de firmas independentes Clustering de firmas interdependentes e ganhos

V de associação

Mercado

subdesenvolvido para os negócios de

Mercado

desenvolvido ou intermediação do

serviços setor público para serviços especializados pré-

definidos

Busca de mercado e realizaçao das vendas Níveis altos de institucionalização e apoio

depende de espaço próprio coletivo

Cultura familiar ou individualismo interesseiro Cultura de cooperação e solidariedade cívica

Fonte: Gastaldon (2000)

4

Amin

define

aspectos importantes sobre os distritos industriais. 5

(27)

Um

dos enfoques deste tópico são os sistemas locais

de

inovação.

O

processo

inovativo apresenta dificuldade de análise para a teoria econômica,

mas

a vertente

dominante

acredita

que

a inovação

pode

ser gerada independentemente

do

local

em

questão.

As

literaturas, identificadas a partir

do

início

da década

de 80,

vêm

buscando

compreender o

papel relativo ao local para a

compreensão do

processo de inovação nas

empresas, regiões e países. Elas

dão

atenção

ao

caráter localizado

da

inovação e

do

conhecimento, ao constatarem-se as grandes assimetrias

em

termos de distribuição espacial

da

capacidade de geração e de difusão das inovações.

O

enfoque

sobre

o

caráter localizado

da

inovação passa a ganhar

maior

evidência para se estabelecer às relações existentes entre

o

local e

o

global e ao papel

que

cada

uma

destas

dimensões

irá

desempenhar

em

níveis

econômico,

político e social.

-

De

maneira

geral,

podemos

observar

que

as contribuições sobre

o

tema

da

dimensão

local

da

inovação parte de diferentes autores

que adotam

variadas linhas

de

pensamento,

não

econômico,

mas

também

geopolítico, histórico e

também

filosófico.

Verifica-se

um

amplo

número

de formas de análise

da

capacidade de arranjos locais

em

gerarem desenvolvimento

econômico

e inovativo.

O

foco das contribuições

mais

recentes nesse sentido reside

na noção de que

os

processos de geração

de conhecimento

e inovação são interativos e localizados.

A

interação criada entre agentes localizados

em

um

mesmo

espaço, favorece

o

processo

de

geração e difusão

de

inovações.

Nosso

estudo teórico sobre as características e a importância dos arranjos produtivos locais

não

estaria

completo

sem

antes nos reportarmos à contribuição

de

Marshalló,

que

em

fins

do

século

XIX,

estabeleceu

o

conceito

de

distritos industriais

observando

um

padrão de organização

comum

à Inglaterra

do

período,

onde pequenas

firmas

concentradas

na

manufatura

de

produtos específicos,

em

setores

como

o têxtil, se

localizavam geograficamente

em

clusters,

em

geral

na

periferia dos centros produtores.

6

(28)

A

abordagem de

distritos industriais realizadas por Marshall, ressaltando a

eficiência e competitividade das

pequenas

firmas de

uma mesma

indústria localizada

em

um

mesmo

espaço geográfico,

deu fundamento

a vários trabalhos sobre

o

tema.

Diversas experiências sobre arranjos produtivos

vêm

sendo

realizadas, e delas

foram

apontadas as principais características dos distritos industriais contemporâneos.

São

elas

a

proximidade geográfica, especialização setorial,

predominância de pequenas

e

médias

empresas, estreita colaboração entre firmas,

competição

entre firmas baseada

na

inovação, identidade sócio-cultural

com

confiança, organizações

de

apoio ativas e

promoções

de

govemos

regionais e municipais (Schmitz, 1995).

A

emergência

do

processo

de

inovação localizada, coincide

com

a saturação

do

modelo

de

produção

em

massa, ocorrido nas décadas de

70

e 80,

onde o domínio

dos

mercados

era das grandes

empresas

voltadas para

competição

via preços.

A

noção de

especialização flexível reforçou

o

reconhecimento

da

importância

de

articulações geográficas,

propondo

uma

espécie de consolidação

da

região

como

uma

unidade

de

produção

integrada.

Um

breve comentário

pode

ser feito

em

relação ao processo de globalização e

os sistemas locais

de

inovação.

No

atual quadro de globalização

em

que

o

mundo

está

vivenciando, a competitividade das firmas, e

também

das nações, está condicionada à sua

capacidade inovativa,

onde

a

mudança

tecnológica é

um

processo acelerado.

Em

tal

cenário, observa-se

uma

transformação fundamental

no

significado dos investimentos

em

conhecimento

e

em

capital fixo.

Atualmente

os gastos anuais

em

P&D

das

empresas

líderes são maiores

que

seus investimentos

em

capital fixo.

O

processo

de

globalização trouxe consigo a expectativa

de que

a entrada

maciça

de capital estrangeiro pudesse acelerar a difusão das

novas

tecnologias e a

integraçao das

economias

locais

com

o

mercado

global.

Porém,

isso

acabou

nao

ocorrendo, pelo contrário, piorou a situação das

economias

locais.

Depois

desta apresentação,

podemos

definir as formas

de

análise

que

serão

empregadas na

monografia.

A

primeira será realizada através

do

modelo

de análise dos

(29)

servir

de

base para a verificação

da

competitividade

do segmento

de descartáveis plásticos

da

região sul de Santa Catarina.

A

segunda

é referente às teorias sobre clusters, distritos

industriais e arranjos produtivos locais, e serão pontos

de

referência para a determinação

das relações existentes entre as

empresas

instaladas naquela região. Elas proporcionarão a

análise

do

aglomerado de

firmas

de

descartáveis instituídos

no

local,

dando

ênfase especial

para

o

aproveitamento de extemalidades proporcionadas pela proximidade

geográfica

das

(30)

3.

A

n~1DÚsTRIA

PETROQUÍMICA

O

estudo

da

indústria

de

produtos plásticos está intimamente ligado a análise

da

cadeia petroquímica.

O

objetivo deste capítulo é fazer

uma

apresentação de

como

está dividida a

cadeia petroquímica, analisar a evolução

do

plástico

no

mundo

e

no

Brasil, mostrar os

principais processos produtivos relativos à transformação de resinas termoplásticas,

mostrar os principais

fomecedores

de matérias-primas nas diferentes cadeias

da

indústria,

explicitando

também,

os seus principais fatores de competitividade.

3.1

A

Cadeia Produtiva

da

Indústria

Petroquímica

A

cadeia produtiva petroquímica é dividida, a partir

do

refino

do

petróleo,

de

três diferentes indústrias: indústria

de

la, 2” e 3” gerações.

Do

refino

do

petróleo são retirados a nafta,

o

gás natural e

o

gasóleo. Estas são

matérias-primas para a indústria

da

primeira geração,

também

chamada

de petroquímica

básica.

Dessa

indústria são retirados os

insumos

básicos para a 2” geração

do

setor

petroquímíco,

o

de resinas termoplásticas.

Os

principais

insumos

utilizados são eteno,

propeno, butadieno,

benzeno

e paraxileno.

A

terceira geração

da

cadeia petroquímica é

o

da

indústria transformadora

de

resinas termoplásticas

em

materiais plásticos.

Todos

os produtos devmatéria plástica se utilizam

em

grande quantidade

de

insumos

produzidos pela indústria petroquímica. Dentre os principais insumos, pode-se

destacar:

PEAD

(polietileno

de

baixa densidade),

PEBD

(polietileno de alta densidade),

PP

(polipropileno),

PVC

(policloreto de vinila),

PS

(poliestireno) e

PET

(politereftalato

de

etileno).

Cada

uma

dessas resinas

tem

uma

função específica para a indústria de produtos

plásticos.

(31)

Esquema

1 -

A

cadeia

petroquímica

igás natural, nafta,

gasóleo|

Petroquímica básica

1*

Geração

'

leteno,

propeno,

butadieno,

benzeno,

paraxilenol

i

Resinas

Termoplásticasl

2”

Geração

Ipolietileno, poliestireno,

PVC,

poliestireno,

EVA

l

i Indústria

de Transformaçãoi

Geração

produtos

plásticos Fonte s1REsi›'

A

cadeia petroquímica está inserida

no complexo

químico, tendo

na química

orgânica sua principal fonte

de

pesquisas, já

que

lida

com

compostos

dessa natureza. Seus

principais produtos,

como

já mencionados, são

o

gasóleo,

0

gás natural e a nafia.

A

indústria petrolífera,

ao

fomecer

tais materiais, estabeleceu relações intensas

com

a indústria petroquímica, detentora de tecnologia para beneficiamento, tanto que,

em

1988, “25,l

%

da

propriedade das

empresas

do

setor petroquímico

no

mundo

pertenciam a

firmas

petrolíferas” (Araújo, 1992).

(32)

A

indústria petroquímica

tem

forte peso

na composição do

PIB

mundial,

principalmente nos países desenvolvidos, pelo fato

de

ser grande

fomecedora de insumos

para

uma

vasta gama'

de

atividades econômicas,

que

por sua vez,

continuam

demandando

quantidades maiores de petróleo e gás.

Um

dos

indicadores

mais

utilizados para avaliar a situação

da

indústria

petroquímica é

o

nível

de

utilização

da

capacidade de

produção

de eteno, considerado

o

produto

mais

importante

da

cadeia e fator relevante para a indicação

da

lucratividade das

empresas

produtoras.

Segundo Coutinho

et al (1994) as principais características

da

indústria

petroquímica

mundial

são a alta densidade de capital e

P&D,

especialização da

mão-de-

obra, interdependência entre os diversos

segmentos

da

cadeia e a grande possibilidade

de

substituição entre matérias-primas, rotas tecnológicas e aplicação

de

produtos.

Na

sua estrutura, a característica

da

indústria petroquímica é

a

alta

concentração

da

produção,

com

presença de

tamanhos

de plantas de

empresas

diversas.

Estão presentes grandes

empresas

diversificadas e integradas e

também,

empresas médias

especializadas.

O

volume

de capital e o acesso a matérias-primas constituem barreiras a

entrada às

empresas que queiram

adentrar

na

indústria.

A

existência de

uma

ociosidade planejada, necessária devido ao

comportamento

cíclico

da

indústria,

também

é

condicionante

a

entrada

de novas

firmas.

A

principal fonte

de

vantagem

competitiva para as

empresas

está relacionada

com

a tecnologia

empregada

pelas empresas. Firmas

que

possuem

laboratórios

modemos

e

que

realizam

P&D

de

longo prazo

obtêm

vantagens sobre seus concorrentes.

O

domínio

do

mercado

internacional é exercido por

um

reduzido

número

de

empresas

multinacionais

de

grande porte, capazes de adequar suas produções às diversas plantas existentes

no

mundo,

adaptando sua

produção

a

demanda

e

buscando

obter

economias

de escala.

Um

dos principais traços dessa indústria,

segundo

Coutinho, é a ociosidade planejada das empresas,

ou

seja,

o

investimento realizado pelas

empresas

paraa

(33)

ampliação da

sua capacidade

de produção

é realizado

com

bastante antecedência

ao

crescimento

da

demanda.

No

fim

da década de

70, a indústria petroquímica

mundial

sofie

uma

profunda

reestruturação produtiva,

aprofundando

a integração das

empresas

e a posição

intemacional das

empresas

em

atingirem

novos

mercados.

Nesse

processo,

0

mercado

americano da quimica

é invadido por

empresas

européias e japonesas.

Segundo Coutinho

et al (1994),

no ano

de 1986, oito

companhias

norte-americanas

foram

adquiridas por

empresas

européias.

As

principais estratégias empresariais adotadas

no

processo de reestruturação produtiva

foram o

direcionamento dos investimentos para os

segmentos

da

química fina e especialidades; a transferência

de

áreas

de produção

de petroquímicos tradicionais para

países

recém

industrializados,

no

qual as

empresas

lideres mundiais se associaram

com

produtores locais; alianças estratégicas entre produtores para

o

aproveitamento

de

oportunidades tecnológicas e de

mercado;

fiisões e incorporações de empresas; e a

diversificação

de

linhas de produtos (Coutinho et al, 1994).

Com

o

processo

de

reestruturação intensificou-se a

competição

entre as

empresas.

Os

investimentos

em

P

& D

para melhoria de produtos e processos se

intensificou,

dando

lugar a projetos cujos riscos

eram

elevados.

O

segmento de

termoplásticos,

que

fabricam os

insumos

para a 3* geração

da

cadeia petroquímica foi

o

pioneiro

no

desenvolvimento de

novos

materiais capazes de dar força e estabilidade

térmica aos produtos plásticos.

Segundo Coutinho

et al, são cinco os fatores empresariais

da

competitividade

da

indústria petroquímica.

O

primeiro é

o

corporativismo estratégico,

no

qual são

consideradas as vantagens comparativas

da

firma, as condições competitivas

do

mercado

e

suas possíveis oportunidades.

A

segunda

refere-se aos investimentos

em

pesquisa e

desenvolvimento de longo prazo realizado pelas

empresas

líderes.

O

terceiro diz respeito à

orientação

do

mercado,

dando

ênfase ao desenvolvimento de produtos a partir

da

necessidade dos clientes.

A

quarta é a criação de

novos

modelos

e sistemas

organizacionais dentro das empresas.

E

a última, diz respeito à preocupação das

empresas

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