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1. INTRODUÇÃO

Ansiedade, consumo de substâncias psicoativas e adolescência são temas que despertam interesse na sociedade e na comunidade científica, além de, por vezes, relacionarem-se. Estudar essa ligação faz-se importante nos dias de hoje, quando o consumo de substâncias psicoativas, popularmente conhecidas como “drogas”, configura-se em um dos maiores problemas sociais e de saúde pública do mundo.

Investigar a relação entre a ansiedade e o consumo de substâncias psicoativas pelos adolescentes foi o ponto motivador desta pesquisa, por observar que este consumo tem se iniciado mais cedo nas sociedades e que o ritmo cada vez mais “acelerado” de vida tem exposto os adolescentes a mais situações ansiogênicas.

Etimologicamente, a palavra “adolescência” (em latim: adolescere) significa “crescer”. Frota (2007) afirma que esse período é comumente associado à puberdade, que é o conjunto de transformações fisiológicas ligadas à maturação sexual, que traduz a passagem da infância à adolescência. A autora prossegue afirmando que pensar sob essa perspectiva significa priorizar o aspecto fisiológico, e, sendo assim, não é suficiente para se definir o que seja a adolescência.

Para alguns teóricos, o período da adolescência inicia-se cada vez mais cedo e seu termino é cada vez mais tardio, chegando a ter, em algumas teorias, caráter interminável. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é definida como o período compreendido entre dez e vinte anos, ou a segunda década da vida (BRASIL, 2006). Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 2001) estabelece a adolescência dos doze aos dezoito anos de idade. Embora essa fase possa ser determinada sob o ponto de vista cronológico, o que de certa forma torna possível delimitar o grupo, sabe-se que a adolescência é um processo muito mais complexo e que vai além do critério da faixa etária.

De acordo com Nery Filho e Torres (2002), atualmente, os adolescentes estão tendo dificuldades cada vez maiores em se localizar devido à perda de referenciais históricos e culturais. A modificação das estruturas familiares e, sobretudo, o declínio dos ideais estão contribuindo para que o adolescente se sinta cada vez mais solitário e desamparado frente às exigências oriundas do meio familiar e social.

A adolescência é a etapa da vida em que acontecem mudanças rápidas, reais e significativas, gerando transformações físicas, psíquicas e sociais (FIGLIE; MORAES, 2004). Pratta e Santos (2007) corroboram essa idéia e acrescentam que tais mudanças tornam o

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adolescente mais vulnerável. Somado a isso, afirmam que, em geral, é na adolescência que se inicia o uso de drogas psicoativas.

Diante do exposto, evidencia-se que a adolescência é um tema amplo, permeado por diversos conceitos e abordagens. Segundo Chagas (2002), há uma ampla bibliografia que tem o objetivo de definir a adolescência, porém, nela existem reflexões e controvérsias passíveis de debates.

O presente estudo irá abordar a adolescência pela perspectiva sócio-histórica. Nessa concepção,

a adolescência não é vista aqui como uma fase natural do desenvolvimento é uma etapa natural entre a vida adulta e a infância. É vista como uma construção social com repercussões na subjetividade e no desenvolvimento do homem moderno e não como um período natural do desenvolvimento (BOCK, 2007, p.68).

Na literatura, a adolescência é uma etapa da vida que, por vezes, associa-se ao consumo de substâncias psicoativas. Porém, vale lembrar que o consumo de drogas sempre se fez presente desde o início da humanidade. Desde a pré-história, diferentes substâncias psicoativas são usadas com inúmeras finalidades desde o emprego lúdico, com fins estritamente prazerosos, até o desencadeamento de estados de êxtase místico/religioso (MACRAE, 2007).

Para Bucher (2002), o consumo de drogas deve ser considerado como um fenômeno especificamente humano, ou seja, cultural: não há sociedade que não tenha suas drogas, recorrendo a seu uso para finalidades diferentes, em conformidade com o campo de atividades no qual se insere.

O consumo de substâncias psicoativas no Brasil teve seu panorama modificado nas últimas décadas (CRUZ; MARQUES, 2000). Dados epidemiológicos nacionais vêm sendo obtidos principalmente por meio dos estudos realizados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), que – em 1987, 1989, 1993 e 1997 – realizou levantamentos com Galduróz, Noto, Fonseca e Carlini sobre o uso de drogas psicotrópicas entre estudantes de 1º e 2º graus em 10 capitais brasileiras. A mesma equipe também realizou, em 2004, o V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras. Os resultados apontam para um aumento no consumo, o que faz do problema um fenômeno preocupante para a sociedade, uma vez também que esse consumo tem sido cada vez mais precoce (MACHADO; MOURA; CONCEIÇÃO; GUEDES, 2010).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas,

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produzindo alterações em seu funcionamento. Do ponto de vista jurídico, são drogas lícitas aquelas comercializadas de forma legal e ilícitas as que são proibidas por lei. Numa classificação baseada na ação que têm no Sistema Nervoso Central (SNC), podem ser: depressoras, estimulantes e perturbadoras.

As drogas psicotrópicas são aquelas que alteram o funcionamento cerebral, causando modificações no estado mental e no psiquismo do indivíduo que a utiliza. Portanto, são chamadas, também, de substâncias psicoativas (NICASTRI, 2008).

O uso de drogas foi definido por Bertolote (1997) da seguinte maneira:

Uso experimental – os primeiros episódios de uso, infreqüentes e não persistentes; Uso recreativo – feito em momentos especiais ou relaxantes, sem implicações de outros problemas relacionados;

Uso controlado – manutenção do uso regular, não compulsivo e que não interfere com o funcionamento habitual do indivíduo;

Uso social – realizado em companhia de outras pessoas e de maneira socialmente aceitável.

Há também definições sobre uso, abuso, uso nocivo e dependência de drogas que são termos utilizados pela Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV (DSM-IV).

Nesta pesquisa, os critérios utilizados para classificar o uso de substâncias psicoativas foram os mesmos utilizados nos quatro levantamentos sobre o uso de drogas entre estudantes de 1º e 2º graus em 10 capitais brasileiras e no V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras. São eles:

Uso na vida – quando a pessoa fez uso de qualquer droga psicotrópica pelo menos uma vez na vida;

Uso no ano – quando a pessoa utilizou droga psicotrópica pelo menos uma vez nos doze meses que antecederam a pesquisa;

Uso no mês – quando a pessoa utilizou droga psicotrópica pelo menos uma vez nos trinta dias que antecederam a pesquisa;

Uso freqüente – quando a pessoa utilizou droga psicotrópica seis ou mais vezes nos trinta dias que antecederam a pesquisa;

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Uso pesado – quando a pessoa utilizou droga psicotrópica vinte ou mais vezes nos trinta dias que antecederam a pesquisa.

Um dos fatores que estão associados ao consumo de substâncias psicoativas é a ansiedade. Para Takei e Schivoletto (2000), a ansiedade pode ser fator motivador para o abuso de álcool e outras drogas. Uma pesquisa realizada por Kerr-Corrêa, Andrade, Bassit e Boccuto (1998) na Universidade Estadual Paulista, apontou que 6,5% dos universitários e 4,2% dos colegiados consomem drogas de modo freqüente com a finalidade de reduzir a ansiedade e o estresse. Corroborando essa pesquisa, Chiapetti e Serbena (2007), em estudo com universitários de Curitiba, obtiveram como terceiro motivo de manutenção para o consumo de drogas a redução da ansiedade e estresse. Essas pesquisas acima estabelecem uma relação de causa, no caso, a ansiedade liga-se ao consumo. A presente pesquisa não teve como objetivo apontar a ansiedade como um fator motivador do consumo de drogas, mas estabelecer uma relação entre ansiedade e o consumo de substâncias psicoativas.

Para Takei e Schivoletto (2002), a ansiedade é um estado caracterizado por sinais e sintomas inespecíficos que, juntos, trazem uma sensação desagradável de apreensão, expectativa e medo quanto ao futuro. Braghirolli (2004) caracteriza a ansiedade como sentimento de apreensão, inquietude e mal estar difuso, enquanto Caminha (2004) a define como um conjunto de reações fisiológicas referentes à emissão de comportamentos de luta ou fuga frente a situações perigosas.

O termo ansiedade é muito usado no senso comum e por profissionais da área da saúde, revelando aparente facilidade em ser compreendido. No entanto, a literatura científica trata a ansiedade como um construto bastante complexo, por envolver sensações, sentimentos e componentes cognitivos, o que exige conhecimentos específicos sobre o assunto (BATISTA, 2007). O autor prossegue afirmando que ainda não existe consenso quanto à definição do construto ansiedade, pelo contrário, tem-se uma grande discussão sobre a ambigüidade do termo.

O instrumento que avaliou a ansiedade neste estudo teve como referência os sintomas e

sentimentos indicadores de ansiedade recomendados pela Classificação dos transtornos mentais

e de comportamento da Classificação Internacional de Doenças -CID-10 (1993), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais - DSM–IV (1995) e DSM-IV-TR (2002), da Associação Psiquiátrica Americana (APA).

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Portanto, torna-se relevante verificar a associação entre a ansiedade e o consumo de substâncias psicoativas pelos adolescentes. Assim, ao entender as relações entre essa emoção e o consumo de tais substâncias, a psicologia da saúde pode contribuir com subsídios para a promoção da saúde e a prevenção do consumo de drogas.

1.1. Ansiedade

A palavra ansiedade é originária do latim anxietas, anxietatis, que significam preocupar-se, desejar. Em inglês, o termo correspondente é anxiety; em francês, anxieté; e, em alemão, angst. Ansiedade é um constructo complexo, não há uma definição única e não é possível defini-la sem estar apoiado em um referencial teórico.

A ansiedade, até o início da psicanálise freudiana, era discutida dentro da Filosofia. Não era, portanto, alvo de atenção científica. Foi Freud quem ressaltou o papel da ansiedade nas ciências do comportamento (ROSAMILHA, 1971).

A psicanálise de Freud entende a ansiedade como “um estado afetivo, isto é, uma combinação de certos sentimentos na série prazer-desprazer, com correspondentes inervações de descarga e uma percepção das mesmas [...]” (FREUD, 1933 apud NAGERA, 1970).

O cognitivismo de Spielberger (1981) explica a ansiedade como uma combinação singular de sentimentos e pensamentos desagradáveis. São pensamentos sobre os danos físicos e psicológicos e questões relativamente sem importância que surgem a partir de uma situação de perigo real ou imaginário.

De acordo Skinner (1974), a ansiedade é entendida como um caso especial da emoção que deve ser interpretada com a cautela usual, pois, quando se refere aos efeitos de ansiedade, está se dizendo que o próprio estado é uma causa. Isso indica que há um conjunto de predisposições emocionais atribuídas a um especial tipo de circunstâncias. A ansiedade ocorre quando um estímulo precede um forte reforçador negativo que terá um efeito de longo alcance.

Spielberger (1981) define a ansiedade como: estado e traço. Ansiedade como estado refere-se a reações emocionais a uma tensão específica; é constituída por reações emocionais caracterizadas por sentimentos conscientes e subjetivos de tensionamento, apreensão, nervosismo e preocupação. A ansiedade como traço refere-se a diferenças individuais em relação à propensão à ansiedade, isto é, quanto à tendência a encarar o mundo como sendo

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perigoso ou ameaçador, e quanto à freqüência com que estados de ansiedade são experimentados.

A ansiedade é uma vivência comum para qualquer ser humano (ANDRADE; GORENSTEIN, 1998; KAPLAN; SADOCK; GREBB,1997; REES, 1973; MAY, 1971). Ela se torna patológica quando é uma resposta inadequada a determinado estímulo, em virtude de sua intensidade e duração (BESSA, 2009; BRANDÃO, 2002; GENTIL, 1997; KAPLAN; SADOCK; GREBB,1997; REES, 1973).

A ansiedade possui níveis de intensidade (BATISTA; SISTO, 2005; SPIELBERGER, 1981). Spielberger (1981) classifica “calma” e “serenidade” como ausência de ansiedade; “tensionamento”, “apreensão” e “nervosismo” como nível moderado de ansiedade; e “sentimentos intensos de medo”, “pavor” e o “comportamento associado ao pânico” como um nível muito alto de ansiedade. Afirma, também, que intensidade e duração de um estado de ansiedade dependerão dos tensores que agem sobre a pessoa e sobre a interpretação que ela dá a esses tensores como sendo pessoalmente perigosos e ameaçadores.

Gentil (1997) apresenta os sintomas e sinais associados à ansiedade de forma esquemática, dividindo-os em: somáticos e psíquicos. Os sintomas somáticos podem ser: autonômicos (taquicardia, vasoconstrição, suor, aumento de peristaltismo, taquipnéia, poliereção, midríase); musculares (dores, contraturas, tremores); cenestésicos (parestesias, calafrios, adormecimentos); respiratórios (sensação de afogamento ou sufocação); dentre outros. Os sintomas psíquicos podem ser: tensão; nervosismo; apreensão; mal estar definido; insegurança; dificuldade de concentração; sensação de estranheza; despersonalização; desrealização; e outros.

Para Kaplan, Sadock e Grebb (1997), a ansiedade apresenta sintomas psicológicos e cognitivos, além de possuir dois componentes: O primeiro refere-se à consciência de sensações psicológicas como, por exemplo, palpitação e sudorese. O segundo é a consciência de estar nervoso ou amedrontado. Os autores acrescentam que os efeitos da ansiedade sobre o pensamento, a percepção e o aprendizado não devem ser ignorados, uma vez que a ansiedade tende a produzir confusão e distorções perceptivas, não apenas em termos de tempo e espaço, mas de pessoas e significados dos eventos.

De acordo com Ramos (2009), os sintomas ansiosos apresentam-se como uma mistura de manifestações somáticas, comportamentais e cognitivas, e que isso pode ser um estado afetivo normal, que serve para detectar as ameaças e modular o funcionamento cognitivo.

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Diante do exposto, pode-se dizer que a ansiedade engloba uma gama de aspectos psicológicos, cognitivos, físicos, emocionais e fatores da personalidade (BATISTA, 2007).

Há muita confusão e controvérsia a respeito da ansiedade e do medo (GRAEFF, 2007; SPIELBERGER, 1981).

Graeff (2007) explica a ansiedade e o medo de forma mais fundamentada e sólida a partir da abordagem eto-experimental, desenvolvida por Robert e Caroline Blanchard, em 1988. Segundo essa abordagem, a ansiedade é uma emoção relacionada ao comportamento de avaliação de risco que é evocado em situações em que o perigo não é certo, ou seja, em que haja uma ameaça potencial. Isso ocorre, ou porque o contexto é novo, ou porque o estímulo do perigo esteve presente no passado, mas não está mais no meio ambiente. Já o medo está relacionado a estratégias defensivas que acontecem em resposta ao perigo real que está a certa distância da vítima: é o que se chama de ameaça presente. Logo, ou se evita a situação sempre que exista uma rota de fuga disponível, ou se fica imobilizado de forma tensa, congelada, quando não há saída alguma.

“O medo trata-se de um estado de progressiva insegurança e angústia, de impotência e invalidez crescentes, ante a impressão iminente de que sucederá algo que o indivíduo quer evitar, o que progressivamente se considera menos capaz de fazer” (DALGALARRONDO, 2008).

Roazzi, Federicci e Carvalho (2002) referem-se ao medo como sendo uma emoção negativa muito comum, que influencia no pensamento do que se pode ou não fazer. Esses autores afirmam o quanto o medo é difícil de ser definido e, por isso, também, difícil de ser investigado.

Pessotti (1978) posiciona-se a respeito da ansiedade afirmando que a evolução cultural impõe a cada período histórico um conceito dominante, seja ele clínico, filosófico ou filosófico-clínico.

Nota-se que ainda não há um consenso quanto à definição do construto ansiedade, pois, na revisão da literatura, não se encontrou uma visão conclusiva a seu respeito. O que ocorre, na verdade, é uma grande discussão sobre a ambigüidade desse termo (BATISTA, 2007).

Como já dito, a ansiedade é uma emoção normal experimentada por todos os seres humanos em qualquer faixa etária. A maioria das pessoas a vivencia na adolescência por meio de algumas situações, tais como: semana de prova da escola, escolha de uma profissão, indecisão profissional, pensar no futuro, prestar vestibular, ingressar na universidade.

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Segundo Batista e Oliveira (2005), são grandes as adaptações que esses jovens têm de fazer durante esse período de desenvolvimento, pois enfrentam realidades diferentes das que já enfrentaram e, diante disso, reagem e se sentem ansiosos ao se adaptarem a essa nova fase.

Algumas pesquisas tiveram como objetivo verificar a ansiedade em adolescentes: Jatobá e Bastos (2007) realizaram uma pesquisa com 242 estudantes em Recife- PE, utilizando a escala de ansiedade de Hamilton. Nesse estudo, foi identificado ansiedade de grau leve em 194 (80,2%) estudantes; grau moderado em 27 (11,2%) estudantes; e o severo em 21 (8,7%) casos. Em um estudo realizado em Porto Alegre, utilizou-se a Escala de Ansiedade de Beck em 1.046 estudantes que se preparavam para o vestibular. Os resultados apontaram que 456 vestibulandos (43,6%) apresentaram nível mínimo de ansiedade; 343 (32,8%) apresentaram nível leve; 185 (17,7%), nível moderado; e 61 (5,8%) apresentaram um nível de ansiedade considerado grave (RODRIGUES; PELISOLI, 2008). Outra pesquisa, feita no mesmo estado, utilizando a mesma escala, foi realizada por Hutz e Bardagir (2006) em 467 estudantes do terceiro ano do Ensino Médio. Os resultados obtidos revelam que 9% da amostra de adolescentes são clinicamente ansiosos. Esse estudo também apontou que alunos da rede pública têm maior ansiedade que os da rede privada (t=2,02; gl=465; p<0,05).

Nas duas pesquisas realizadas em Porto Alegre, citadas acima, o gênero feminino obteve maior grau de ansiedade que o gênero masculino. Esses dados corroboram a pesquisa de Matos e Manso (2006), realizada em 344 adolescentes portugueses; e com o estudo de La Rosa (1998), realizado através do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), com 437 estudantes com média de 16,75 anos, que obteve resultados de mulheres com escores significativamente mais altos que os dos homens em ansiedade-estado e em traço de ansiedade.

Essas pesquisas tiveram o mesmo objetivo, que foi avaliar a ansiedade em adolescentes. Apesar de possuírem referenciais teóricos distintos, elas chegaram ao mesmo resultado: o gênero feminino apresenta maior ansiedade.

A adolescência geralmente é repleta de situações ansiogênicas, o que torna a relação entre a ansiedade e o uso de drogas ainda mais interessante quando estudada no grupo dos adolescentes.

1.2. Adolescência

Marcelli e Braconnier (2007) apresentam quatro modelos principais para a compreensão da adolescência:

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1- Modelo Fisiológico: contém as crises pubertárias, as alterações somáticas, a emergência de maturação genital e as tensões como resultado dessas transformações;

2- Modelo Sociológico: evidencia o papel do ambiente na evolução do adolescente. Esse modelo abrange a abordagem histórica, cultural e social;

3- Modelo Psicanalítico: compreende a adolescência como um processo psicológico relativamente homogêneo segundo as sociedades; explica os remanejamentos identificatórios, as mudanças e ligações com os objetos edipianos e a integração na personalidade da pulsão genital;

4- Modelo Cognitivo e educativo: compreende a modificação cognitiva e o desenvolvimento notável da capacidade intelectual quando não há entraves com as aprendizagens sociais múltiplas que ela possibilita.

De acordo com o sistema ideológico dominante, o adolescente é um ser em desenvolvimento, em conflito; que atravessa crises que se originam basicamente de mudanças corporais, de outros fatores pessoais e de conflitos familiares. Porém, há muitas formas de se abordar a adolescência. Primeiro, parece que ocorre uma distorção nas teorias que buscam explicá-la em termos unicamente psíquicos e somáticos (corporais). Seria possível, hoje, quando a sociedade atravessa várias crises históricas, ignorar a importância fundamental dos fatores sociais, econômicos e culturais que incidem na crise do adolescente? Com intuito de tentar entender os adolescentes, é preciso vê-los com perspectivas bem mais amplas que as tradicionais (BECKER, 1991).

Ozella e Aguiar (2008) posicionam-se de forma crítica em relação à visão sobre a adolescência: afirmam que, na década de 1960, havia uma visão do jovem como crítico, generoso, criativo; diferente dos anos 90 até os tempos de hoje, quando há uma associação da juventude à violência. Para esses autores, “a manutenção das concepções de adolescência como um período naturalmente de crise cumpre o papel ideológico de camuflar a realidade, as contradições sociais, as verdadeiras mediações que constituem tal fenômeno” (p. 100).

Frota (2007) pensa a adolescência além da idade cronológica, da puberdade e transformações físicas, dos ritos de passagem, de elementos determinados aprioristicamente ou de modo natural: ela deve ser vista e pensada como uma categoria que se constrói e se re-constrói dentro de uma história e tempo específicos.

A Psicologia Sócio-Histórica tem sua fundamentação básica em Vygotsky, Luria e Leontiev. Porém, segue mais particularmente Vygotsky (OZELLA, 2003). Oliveira (2009) acrescenta, afirmando que ela se fundamenta principalmente nas idéias de Vygotsky, pelo fato

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dele compreender a constituição do sujeito inserido em uma determinada cultura e de entendê-lo em sua totalidade.

Para Vygotsky (2000, p.80), “o desenvolvimento psicológico dos homens é parte do desenvolvimento histórico geral da nossa espécie e assim deve ser entendido”. Para ele, o homem constitui-se como tal através de suas interações sociais. O desenvolvimento da estrutura humana é entendido, assim, como um processo de apropriação pelo sujeito da experiência histórica e cultural. Nesse processo, o indivíduo, ao mesmo tempo em que internaliza as formas culturais, transforma-as e intervém em seu meio. Ou seja, o homem é visto como alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura. Desse modo, o ser humano não é só um produto de seu contexto social, mas também um agente ativo na criação desse contexto (REGO, 1995).

De acordo com Vygostsk, o desenvolvimento humano não está previamente pronto, ou seja, não é inato, mas construído na inserção do indivíduo nas atividades e relações sociais (OLIVEIRA, 2009).

Rego (1995, p.93) ainda afirma que “Vygotsky rejeita os modelos baseados em pressupostos inatistas que pré-escrevem características comportamentais universais do ser humano, como por exemplo, as definições de comportamento por faixa etária”.

Para a Psicologia Sócio-Histórica, a adolescência existe, mas não é uma fase natural do desenvolvimento: Ela é criada historicamente pelo homem, através das relações sociais enquanto um fato, que passa a fazer parte da cultura enquanto significado (AGUIAR, BOCK, OZELLA, 2009; BOCK, 2007; BOCK, 2004).

Aguiar, Bock e Ozella (2009) afirmam que o momento da adolescência não é natural, e sim interpretado e construído pelos homens. São atribuídos à adolescência marcas que a constituem como fenômeno social, como, por exemplo, os seios na menina e a força muscular no menino. Sabe-se que os seios e o desenvolvimento da massa muscular acontecem na mesma fase da adolescência, mas a menina que tem seus seios se desenvolvendo não os vê, sente e significa como possibilidade de amamentar seus filhos no futuro, o que seria vê-los como naturais. Com certeza, em algum tempo ou cultura, isso já foi assim, mas hoje os seios tornam as meninas sedutoras e sensuais: Esse é o significado atribuído em nosso tempo. Do mesmo modo, a força muscular do menino já foi significada como possibilidade de trabalhar, guerrear e caçar. Hoje, também se apresenta como um elemento de sensualidade e sedução. De acordo com os autores, não se pode responder a pergunta “o que é a adolescência?”, mas

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sim “como se constituiu historicamente esse período do desenvolvimento?”, uma vez que a adolescência deve ser compreendida em sua gênese histórica.

O indivíduo é construído ao longo de sua vida a partir das intervenções no meio e da relação com os outros homens. Somos únicos, mas não autônomos no sentido de termos um desenvolvimento independente ou já previsto pela semente de homem que carregamos (GIL, 2007, p.45).

Clímaco (1991) realizou uma pesquisa com oito adolescentes, sendo: quatro trabalhadores, alunos noturnos de uma escola pública, e quatro adolescentes não trabalhadores, estudantes de uma escola particular, com o objetivo de investigar a interpretação que eles têm a respeito da sua própria condição de adolescente e a realidade social que os cerca. Os resultados desse estudo demonstraram um acentuado antagonismo social, que se expõe à população ao definir modos de viver tão distintos para esses jovens, e que acaba definindo, também, diferentes formas de passagem da infância para a idade adulta, o que torna extremamente questionável tratar a adolescência de forma padronizada.

Os jovens trabalhadores vivem numa acirrada luta para garantir a própria sobrevivência, o que os impossibilita de experimentar a adolescência como um período de descomprometimento com o processo produtivo e de preparação para a idade adulta; enquanto isso os outros vivem essa fase como um grande período de desobrigação com a própria sobrevivência, sendo preparados para a realização de seus projetos futuros. Essa desigualdade indica muito claramente que a classe social, sinalizada, aqui, pela necessidade ou não de trabalhar- define, em grande medida, o processo da adolescência (CLIMACO, 1991, p.89).

Rangel (1999) faz uma reflexão sobre como cada sociedade elege o modo e o momento de transformar a criança em adulto. Nasociedade ocidental, construiu-se um padrão de sociabilidade que passou a incluir, em tempos recentes, uma fase intermediária chamada adolescência. Essa etapa da vida não corresponde, necessariamente, a uma fase biológica definida; foi criada, na verdade, uma fase psicológica cuja finalidade é adiar a transformação da criança em adulto. O retardamento do início das funções produtivas é um dos fatores mais importantes que explicam o fenômeno; quer seja pela dificuldade encontrar empregos, quer pelas exigências de formação profissional cada vez mais especializada, as camadas mais altas da hierarquia social dependem da instituição escolar para alongar a adolescência de seus filhos, deixando-os no limbo da indefinição juvenil, às vezes por mais de dez anos. Por outro lado, nas camadas sociais mais baixas o fenômeno inverte-se, exigindo que crianças de 7, 10 ou 12 anos abandonem a escola para trabalhar porque precisam contribuir com o orçamento familiar, mesmo que seja em troca de salários irrisórios. Esses exemplos mostram que os critérios para promover a passagem da infância para a idade adulta não são bem nítidos,

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porque a adolescência é vivida de maneira diferenciada pelos jovens de classes sociais distintas. Ao que tudo indica, há um padrão psicológico idealizado que faz com que todos os jovens sejam tratados como imaturos, irresponsáveis e em crise constante; mas não há um padrão sociológico comum, que estabeleça obrigações, direitos e atividades típicas dessa fase intermediária.

Esse modo de ver gera uma concepção de adolescência diferente da de outras teorias, pois a adolescência deixa de ser analisada como algo abstrato, natural em si, para ser vista como uma etapa do desenvolvimento na sociedade e na história da humanidade. É uma concepção que não centra sua análise na patologia, e sim, no desenvolvimento humano na medida em que o torna histórico, ou seja, a adolescência tem características que devem ser compreendidas no processo histórico de sua constituição, nas relações sociais e na cultura, e não no próprio desenvolvimento do sujeito que se constitui como adolescente. A adolescência não pode ser analisada a partir do sujeito, como se suas características surgissem naturalmente, à medida que atingisse determinada idade (AGUIAR; BOCK; OZELLA, 2009).

Assis, Avanci, Silva, Malaquias, Santos e Oliveira (2003) realizaram uma pesquisa com 1.686 adolescentes estudantes das escolas públicas e particulares de São Gonçalo, município do estado do Rio de Janeiro, cujo objetivo foi conhecer a representação social que esses adolescentes fazem de si próprios. Os resultados revelaram que os adolescentes possuem uma visão positiva de si mesmos, definida especialmente pela alegria, bom humor, extroversão e satisfação corporal. Isso mostra que nem sempre o adolescente se vê como um ser em crise, conturbado, rebelde, como o retratam as teorias mais tradicionais sobre a adolescência.

Segundo Bock (2004-2007), na adolescência não há nada de patológico, nada de natural. Ela é social e histórica; pode existir hoje e não mais amanhã, em uma nova formação social; pode existir mais evidenciada em um determinado grupo social, em uma mesma sociedade, como por exemplo: aquele grupo que fica mais afastado do trabalho; e não tão clara em outros grupos, como por exemplo: os que se engajam no trabalho desde cedo e adquirem autonomia financeira mais novos. Não há uma adolescência como possibilidade de ser, há uma adolescência como significado social, mas suas possibilidades de expressão são muitas.

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1.3. Consumo de substâncias psicoativas

O consumo de substâncias psicoativas faz parte da própria história da humanidade, acontece há milhares de anos e muito provavelmente vai acompanhar toda a história da humanidade (TAVARES; BERIA; LIMA, 2004; PARROTT; MORINAN;MOSS;SCHOLEY, 2004; DUARTE; MORIHISA, 2008; SIMÕES, 2008).

Bucher (2002, p.08) afirma que

ao percorrermos a história da civilização, encontramos a presença de drogas, desde os primórdios da humanidade, inseridas nos mais diversos contextos: social, econômico, medicinal, religioso, ritual, cultural, psicológico, estético, climatológico e mesmo militar. O consumo de drogas deve, portanto, ser considerado como um fenômeno, especificamente humano, isto é, um fenômeno cultural: não há sociedade que não tenha as suas drogas, recorrendo a seu uso para finalidades diferentes, em conformidade com o campo de atividades no qual se insere. Alguns autores opinam mesmo que a história do homem é aquela das drogas que consome.

Para Muza, Bettiol, Muccillo e Barbieri (1997), o conhecimento do hábito de consumir substâncias psicoativas remete aos séculos anteriores, onde sociedades primitivas utilizavam-nas de modo ritualístico. Esses autores afirmam que, utilizavam-nas décadas de 60 e 70, ocorreu uma verdadeira explosão do consumo pelos jovens. No Brasil, houve um aumento no consumo de substâncias psicoativas a partir da última década do século XX e uma intensificação do uso pelos adolescentes (SANTOS; PRATTA, 2007).

Bucher (1992) relata que, nos anos 60, com a contestação hippie, as drogas eram percebidas como uma oportunidade de experimentar novas sensações da vida, da interioridade humana. Porém, com a evolução da conjuntura econômica e com o militantismo, a sociedade dita “liberal” cedeu lugar ao modelo consumista, o movimento hippie é desarticulado e as drogas tomam outro sentido: as drogas agora têm o poder de fazer esquecer. Nos anos 90, o consumo foi reforçado pelos meios de comunicação, que mostravam a droga como promessa de esquecer os problemas, inseguranças e permitir encontros grupais.

Segundo Cavalcante, Alves e Barroso (2008), a geração atual é considerada a mais urbana da história. Por conta disso, os adolescentes ficam mais expostos aos riscos de consumir substâncias psicoativas. As autoras acrescentam que os fatores associados ao consumo de álcool na adolescência estão ligados aos aspectos sócio-históricos, como a industrialização e a urbanização de décadas recentes e a crise econômica dos anos 1980, responsável pela dificuldade de inserção do jovem no mercado de trabalho e a conseqüente insatisfação de suas necessidades.

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É na adolescência que geralmente acontece o primeiro contato com as drogas (MUZA et al, 1997; PRATA; SANTOS, 2007; MEDINA;SANTOS;ALMEIDA FILHO, 2010). “Os levantamentos epidemiológicos sobre o consumo de álcool e outras drogas entre os jovens no mundo e no Brasil mostram que é na passagem da infância para a adolescência que se inicia esse uso” (CRUZ; MARQUES, 2000, p. 32). Para Rezende (1999), a iniciação do uso e abuso de drogas já acontece na pré-adolescência e infância.

Existem várias explicações sobre o que leva o adolescente a consumir substâncias psicoativas.Segundo Pessini (1999), referem-se a curiosidade; ausência de valores; busca de felicidade artificial; necessidade de tranqüilidade para enfrentar tensões e problemas; vida estressante; ditadura da moda; desequilíbrios afetivos; incompreensões; grupos sociais de pressão; rejeição. A literatura, de uma forma geral, aponta que os fatores que podem levar os adolescentes a utilizarem drogas são variados (SANTOS; PRATTA, 2007), ou seja, o consumo não é causado por um fator, mas por uma combinação de fatores: genéticos, psicológicos, familiares, socioeconômicos e culturais.

No que diz respeito à idade, vários estudos analisam a associação dessa variável ao consumo de substâncias psicoativas.

Muza et al. (1997) realizaram uma pesquisa sobre consumo de substâncias psicoativa em adolescentes escolares com idade entre 13 e 19 anos, na cidade de Ribeirão Preto – SP. O resultado obtido, em relação à idade, foi que a primeira experiência com cada uma das substâncias psicoativas se concentra nas idades entre 14 e 16 anos, exceto para as bebidas alcoólicas, cuja primeira experiência ocorreu, na maioria das vezes, antes dos 11 anos de idade.

Godói, Muza, Costa e Gama (1991) realizaram uma pesquisa em estudantes de primeiro e segundo graus da rede privada do Distrito Federal, e, no que se refere à idade da primeira experiência com fumo, álcool e demais drogas, a maioria concentrava-se nas faixas de 13 a 16 anos. Um percentual significativo de jovens usou o tabaco e o álcool pela primeira vez em idades ainda mais precoces, abaixo de 10 anos.

O V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras obteve como resultado uma média de idade de 12,5 anos para o álcool e 12,8 anos para o tabaco. Essas substâncias aparecem com “idade do primeiro uso” menor que a das outras drogas psicotrópicas (GALDURÓZ;NOTO;FONSECA;CARLINI, 2005).

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2006 ), verificou-se que os meninos consumiram mais substâncias psicoativas que as meninas, exceto para os medicamentos estimulantes (anorexígenos), benzodiazepínicos (ansiolíticos), orexígenos (estimulantes do apetite), analgésicos e xaropes à base de codeína. O V levantamento apontou, em nível nacional, que o uso na vida de drogas foi maior para o sexo masculino, com 23,5%; contra 21,7%, para o sexo feminino. O sexo masculino teve maior uso freqüente que o feminino; e o uso pesado (ao menos 20 vezes por mês) foi idêntico para ambos os sexos, com 2,3% dos estudantes do sexo masculino e 1,7% do feminino, excluindo-se da análiexcluindo-se o álcool e o tabaco. Já no estudo de Tavares, Béria e Lima (2004), que foi realizado em Pelotas com estudantes de 10 a 19 anos, não houve diferenças de consumo significativas entre meninas e meninos.

Em relação ao tipo de substâncias psicoativas consumidas pelos adolescentes, diversos estudos apontam a prevalência de uso na vida de substâncias lícitas sobre as ilícitas (TEIXEIRA; ALIANE; ROBEIRO; RONZANI, 2009; GALDURÓZ et al, 2005; GUIMARÃES; GODINHO; CRUZ; KAPPANN; TOSTA JUNIOR, 2004; SANCEVERINO; ABREU, 2003; MUZA et al, 1997). O I e II levantamento domiciliar sobre o uso de drogas

psicotrópicas no Brasil, também apresentam em seus resultados as substâncias lícitas sendo mais consumidas que as ilícitas (CARLINI; GALDURÓZ; NOTO; NAPPO, 2002;

GALDURÓZ et al., 2005).

Alguns estudos apontam diferenças quanto ao consumo de substâncias psicoativas em

escolas públicas e particulares.

Guimarães et al (2004) realizaram um estudo com estudantes em escolas públicas e particulares na cidade de Assis – SP. Eles constataram que, na rede pública, as substâncias mais consumidas, na vida, foram: álcool (67,6%), tabaco (22,2%), solventes (8,9%), maconha (6,3%), ansiolíticos (3,5%), anfetamínicos (2,2%), e cocaína (1,7%). Nas escolas particulares, foi maior o uso na vida para o total de usuários: 22,5% (p<0,05), para solventes 16,9% (p<0,05) para anfetamínicos, 4,7% (p<0.05). Sengik e Scortegagna (2008), numa pesquisa em adolescentes de escolas públicas e privadas no interior do estado do Rio Grande do Sul, verificaram diferença significativa quanto ao tipo de instituição de ensino: A maioria dos usuários (14,9%) era formada por alunos de escolas da rede privada, enquanto apenas 2,7% eram estudantes de escolas públicas.Andrade e Argiman (2006) realizaram uma pesquisa com 706 adolescentes em Porto Alegre e, através do teste exato de Fisher, verificaram que os alunos da escola privada consumiram mais álcool na vida que os alunos da escola pública (cð2= 11,619; p<0,001). O mesmo ocorreu com o uso de maconha (cð2= 15,388; p<0,001),

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solventes (cð2= 16,261; p<0,001) e outras substâncias (cð2= 13,784; p<0,001). Sanceverino e Abreu (2003), numa pesquisa em estudantes do ensino médio em um município do Sul do Brasil, verificaram diferenças estatisticamente significativas do consumo na vida de anfetaminas e inalantes. O consumo maior dessas drogas foi verificado nos estudantes das escolas particulares.

Ao comparar os quatro levantamentos realizados (1987-1989-1993-1997), os solventes foram as drogas que tiveram maior uso na vida, excluindo-se o tabaco e o álcool da análise. Dentre as seis drogas mais utilizadas, três delas - maconha, anticolinérgicos e cocaína - tiveram um crescimento de uso na vida estatisticamente significante. No entanto, o álcool e o tabaco continuam amplamente a ocupar o primeiro lugar como as drogas mais utilizadas ao longo da vida e no momento atual (último mês). Segundo Souza, Areco e Silveira Filho (2005), há mais de duas décadas o álcool ocupa o primeiro lugar entre as substâncias consumidas pelos estudantes da rede estadual de ensino.

Cavalcante, Alves, Barroso (2008) e Tavares, Béria e Lima (2004) afirmam que a adolescência é o período em que as drogas se fazem mais presentes, sendo freqüente a sua experimentação. Porém, não é isso que aponta o I levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras: A pesquisa traz como resultado que o consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre os universitários é mais freqüente que na população em geral (GUERRA, DUARTE, OLIVEIRA, 2010). Esse estudo contribui tanto para a implementação de projetos de prevenção junto a esse público, como também, para desmistificar essa noção de que é na adolescência que o consumo de substâncias psicoativas é mais freqüente.

1.4. Ansiedade e consumo de substâncias psicoativas

Pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de demonstrar a associação entre a ansiedade e o consumo de substâncias psicoativas. Algumas têm estudado principalmente o álcool e o cigarro.

Um dos objetivos da pesquisa de Manso e Matos (2006) foi estudar a relação entre ansiedade e consumo de álcool e tabaco em adolescentes portugueses. Os resultados obtidos apontaram que os adolescentes que nunca experimentaram tabaco apresentam mais sintomas de ansiedade que os adolescentes que já experimentaram tabaco. Os adolescentes que nunca

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experimentaram álcool apresentaram níveis mais elevados de sintomatologia ansiosa, quando comparados com aqueles que já experimentaram álcool.

O estudo de Bortoluzzi, Traebert, Loguercio e Kehrig (2010) em amostra adulta não observou associação entre consumidores regulares de álcool e os graus de ansiedade mensurados pelo Inventário Beck de Ansiedade (BAI).

Rose, Ananda e Jarvik (1983 apud MANSO; MATOS, 2006) afirmaram que altos níveis de ansiedade estavam associados de forma significativa a níveis elevados de dependência da nicotina, tanto em populações psiquiátricas como em populações não psiquiátricas.

Estudos epidemiológicos e clínicos têm demonstrado que há uma associação positiva entre tabagismo e transtornos de ansiedade (KANDEL; JOHNSON; BIRD; CANINO; GOODMAN; LAHEY; REGIER; SCHWAB-STONE, 1997; ISENSEE; WITTCHEN; STEIN; HÖFLER; LIEB, 2003). Lopez, Turner, Saavedra (2005) verificaram que a presença de um transtorno de ansiedade prevê a presença de dependência de drogas.

Johnson, Cohen, Pine, Klein, Kasen e Brook (2000) revelaram, por meio de um estudo longitudinal com amostra de 668 adolescentes, que o tabagismo pesado (20 cigarros ou mais por dia) durante esta fase associa-se a um risco maior para o aparecimento de transtornos ansiosos como: o pânico, agorafobia e ansiedade generalizada no início da vida adulta.

Bittencourt, Oliveira e Souza (2005) realizaram uma pesquisa numa população de dependentes de álcool e encontraram relação entre fobia social e consumo de álcool.

Wu, Goodwin, Fuller, Liu, Comer, Cohen e Hoven (2010) realizam um estudo com o objetivo de analisar as diferenças de gênero no processo de co-ocorrência de determinados transtornos de ansiedade com o uso de substâncias em adolescentes. Obtiveram como resultados a fobia social associada ao consumo de cigarro entre os meninos. Para as meninas, os resultados sugeriram que a fobia social estava negativamente associada ao uso de drogas. Porém, para os outros transtornos de ansiedade, as associações com o uso da substância tendiam a ser mais fortes.

Com a finalidade de verificar a associação entre ansiedade e álcool e maconha, Low, Lee, Johnson, Williams e Harris (2008) selecionaram uma amostra de 632 adolescentes com diagnóstico de transtorno de ansiedade de um centro de atenção primária. Os resultados obtidos nesse estudo demonstraram uma forte associação entre álcool e ansiedade.

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De modo geral, os estudos citados referem-se aos transtornos de ansiedade associados ao consumo e à dependência de drogas. A literatura ainda é escassa quando se trata da ansiedade não patológica e sua relação com as substâncias psicoativas.

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2. OBJETIVOS

2.1. Geral:

Relacionar consumo de substâncias psicoativas e ansiedade pelos adolescentes.

2.2. Específicos:

Verificar os níveis de ansiedade dos adolescentes;

Verificar as substâncias psicoativas mais consumidas pelos adolescentes;

Associar consumo de substâncias psicoativas e ansiedade entre escolas públicas e particulares.

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3. MÉTODO

Tratou-se de um estudo de delineamento correlacional. Este estudo caracterizou-se por investigar o grau com que as variáveis co-variam, ou seja, examinam as relações entre as variáveis. Este tipo de estudo não tem a finalidade de inferir causa (DANCEY; REIDY, 2006). “Os estudos quantitativos correlacionais medem o grau de relação entre duas ou mais variáveis, ou seja, medem cada variáveis presumidamente relacionadas e depois também medem e analisam a correlação” (SAMPIERI; COLLADO, LUCIO, 2006, p. 104).

3.1. Participantes

Participaram da pesquisa 407 estudantes do Ensino Médio da cidade de Maceió-Alagoas sendo 237 (58,2%) do gênero feminino e 170 (41,8%) do gênero masculino, com idade entre 14 e 18 anos e média de 16,31 anos (desvio padrão= 1,17). Na amostra, a maioria dos participantes, 399 (97,2%), era solteira; 170 (41,8%) cursavam o 1° ano, 97 (23,8%) o 2° ano e 140 (34,4%) o 3° ano; 223 (54,8%) estudavam em escolas públicas e 184 (45,2%) em escolas particulares. Em relação à renda familiar, 178 (43,7%) informaram receber “até 3 salários mínimos”, 78 (19,2%) “mais de 3 até 5 salários míninos”, 67 (16,5%) “mais de 5 até 10 salários míninos”, 48 (11,8%) “mais de 10 até 15 salários mínimos”, e 36 (8,8%) “acima de 15 salários mínimos”. Os participantes da pesquisa foram selecionados por meio de uma amostra probabilística por conveniência. Segundo Rea e Parker (2000), na amostra não-probabilística, o pesquisador faz uso de um processo informal, não existindo meios probabilísticos de determinar o indivíduo que será selecionado como parte da pesquisa. Ainda de acordo com esse autores, na amostragem não-probabilística por conveniência a seleção é realizada tendo por base a disponibilidade imediata dos participantes.

3.2. Local

A coleta de dados foi realizada em sete escolas da cidade de Maceió – Alagoas. Foram selecionadas quatro escolas da rede pública estadual e três da rede particular, por meio de amostragem não-probabilística por conveniência.

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3.3. Instrumentos

Os seguintes instrumentos autoaplicáveis foram utilizados para a coleta de dados: 1. Escala de Ansiedade do Adolescente (EAA) (Anexo E). Essa escala foi construída e validada por Batista e Sisto (2007) e é composta por 41 itens. As respostas são dadas em

escala de 3 pontos, na qual o adolescente faz a opção por: “sempre”, “às vezes” ou “nunca”. Os

autores utilizaram os sintomas para a construção de seus itens, que se encontram em conformidade com as definições aceitas pela comunidade científica internacional da CID-10 (1993) e do DSM-IV (1995) e DSM-IV-TR (2002), nos quais se encontram as seguintes listas de sintomas físicos e emocionais para o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade: 01 - tremores ou sensação de fraqueza; 02 – tensão ou dor muscular; 03 – inquietação; 04 – fadiga fácil; 05 – falta de ar ou sensação de fôlego curto; 06 – palpitações; 07 – sudorese, mãos frias e úmidas; 08 – boca seca; 09 – vertigens e tonturas; 10 – náuseas e diarréia; 11 – rubor ou calafrios; 12 – polaciúria (aumento de números de urinadas); 13 – bolo na garganta; 14 – impaciência; 15 – resposta exagerada à surpresa; 16 – dificuldade de concentração ou memória prejudicada; 17 – dificuldade em conciliar e manter o sono; 18 – irritabilidade.

2. Questionário sobre o consumo de substâncias psicoativas (Anexo F). Para a coleta das informações desse item, foram utilizadas algumas questões do questionário sobre o uso de substâncias psicotrópicas do V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras – 2004, elaborado por Galdurózet al.

3. Questionário de levantamento de dados sócio-demográficos dos participantes (Dados Complementares - Anexo G).

3.4. Procedimento

Inicialmente, foi estabelecido contato com os diretores das escolas, com o intuito de explicar os objetivos do estudo e finalidade acadêmica, informar sobre os aspectos éticos envolvidos e quais os procedimentos a serem empregados na pesquisa. Após essa apresentação, foi solicitada autorização para realização da pesquisa com os adolescentes da instituição (Anexo B). Com essa autorização, o projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética da Universidade Metodista de São Paulo para avaliação.

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Foram contatadas treze escolas: nove particulares e quatro públicas. Seis escolas particulares se recusaram a participar da pesquisa, três delas argumentaram que o fato da pesquisa estar relacionada a drogas iria gerar desconforto com os pais dos alunos. As outras três alegaram que a realização da pesquisa iria desorganizar o cronograma escolar. Não houve recusa por parte das escolas públicas, mas uma abertura e interesse dos diretores em relação

ao objetivo da pesquisa.

Após a aprovação pelo Comitê de Ética da Universidade Metodista (Anexo A), protocolo 323575-19, foram agendadas datas e horários com a direção de cada instituição, a fim de apresentar os objetivos da pesquisa aos participantes e explicar os aspectos éticos envolvidos na pesquisa com seres humanos. Feito isto, foi entregue aos participantes menores de 18 anos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo C), para que fosse assinado pelos responsáveis. Aos participantes com 18 anos completos foi entregue TCLE (Anexo D), para que os mesmos assinassem, caso desejassem participar da pesquisa. O TCLE foi entregue em duas vias, sendo uma via do participante e a outra da pesquisadora, tendo sido marcada para o dia seguinte a entrega do TCLE e realização da pesquisa.

Foram entregues, em todas as escolas, por volta de 850 termos de consentimento livre esclarecido, em duas vias, aos estudantes. Um número considerável de participantes, por volta de 400, não pôde participar da pesquisa pelo fato de não ter levado o TCLE com a assinatura do responsável. Muitos disseram que se esqueceram de pedir para os pais assinarem e, mesmo sabendo que não poderiam participar da pesquisa, alguns pediram para responder aos instrumentos, chegando a afirmar que os pais deixariam eles participarem da pesquisa. Apesar do manifestado interesse desses estudantes em participar do estudo, as determinações éticas foram cumpridas e eles não participaram da pesquisa.

A pesquisa foi realizada de forma coletiva em uma sala de aula com os participantes que entregaram o TCLE assinado. Os três instrumentos foram grampeados juntos e entregues a cada participante. Quando os participantes terminaram de responder os instrumentos, depositaram os mesmos numa urna, para impossibilitar a identificação e não violar o sigilo da pesquisa.

A aplicação dos instrumentos foi realizada pela pesquisadora, auxiliada por três psicólogas e uma estudante do curso de psicologia. Todas estavam treinadas quanto aos procedimentos de aplicação, para garantir homogeneidade na coleta de dados.

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3.5. Análise dos dados

Por se tratar de um estudo quantitativo, a análise dos dados foi realizada com a utilização do software estatístico SPSS - Statistical Package for Social Science (SPSS) versão 14. Foi criado um banco de dados para efetuar as análises descritivas das variáveis da amostra (freqüências, porcentagens e médias), para descrever (médias, desvios-padrão) a ansiedade e o consumo de substâncias psicoativas. Foi feita análise das relações entre a ansiedade e o consumo de substâncias psicoativas através do teste qui-quadrado e exato de Fisher. O teste exato de Fisher foi utilizado quando as condições para o uso do teste qui-quadrado não foram verificadas. Os resultados foram considerados estatisticamente significantes para um valor de p < 0,05 e p<0,01.

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4. RESULTADOS

A tabela 1 mostra, em porcentagens, o uso na vida, ano, mês, freqüente e pesado dos participantes da pesquisa.

Tabela 1: Uso de substâncias psicoativas expressos em freqüência e porcentagem pelos 407 estudantes. Drogas Uso Na vida n (%) Uso No ano n (%) Uso No mês n (%) Uso Freqüente n (%) Uso Pesado N (%) Cigarro 100 (24,6%) 67 (16,5%) 20 (4,9%) 03 (0,7%) 10 (2,5%) Álcool 324 (79,6%) 277(68,1%) 95(23,3%) 44(10,8%) 40(9,8%) Maconha 19 (4,7%) 09 (2,2%) 01 (0,2%) 01 (0,2%) 02 (0,5%) Cocaína 07(1,7%) 04(1,0%) 02(0,5%) 0,0% 01(0,2%) Crack 03(0,7%) 02(0,5%) 02(0,5%) 0,0% 0,0% Anfetaminas 31(7,6%) 25(6,1%) 07(1,7%) 05(1,2%) 04(1,0%) Solventes 60(14,7%) 42(10,3%) 16(3,9%) 6(1,5%) 03(0,7%) Ansiolíticos 41(10,1%) 26(6,4%) 10(2,5%) 01(0,2%) 06(1,5%) Anticolinérgicos 02(0,5%) 02(0,5%) 01(0,2%) 0,0% 01(0,2%) Barbitúricos 01(0,2%) 01(0,2%) 0,0% 0,0% 0,0% Opiáceos 03(0,7%) -* - - - Xaropes 03(0,7%) - - - - Alicinógenos 02(0,5%) - - - - Orexígenos 08(2,0%) - - - - Energéticos 104(25,6%) - - - - Esteróides 05(1,2%) - - - -

*(-) O traço indica dados não colhidos.

O “uso na vida” de substâncias psicoativas foi relatado por 334 (82,1%) dos participantes; o “uso no ano”, por 289 (71%); o “uso no mês”, por 128 (31,4%); o “uso freqüente”, por 52 (12,8%); e o “uso pesado”, por 55 (13,05%). 71 (17,4%) dos participantes responderam nunca ter consumido nenhum tipo de substância psicoativa.

As cinco substâncias mais utilizadas na modalidade “uso na vida” foram: álcool, com 324 (79,6%); energéticos, com 104 (25,6%); cigarro, com 100 (24,6%); solventes, com 60 (14,7%); e ansiolíticos, com 41 (10,1%). Na modalidade “uso no ano”, as substâncias mais utilizadas foram: álcool, com 277 (68,1%); cigarro, com 67 (16,5%); solvente, com 42 (10,3%); ansiolíticos, com 26 (6,4%); e anfetaminas, com 25 (6,1%). Já para “uso no mês”, elas foram: álcool, com 95 (23,3%); cigarro, com 20 (4,9%); solventes, com 16 (3,9%); ansiolíticos, com 10 (2,5%); anfetaminas, com 7 (1,7%). Para “uso freqüente”, foram: álcool, com 44 (10,8%); solventes, com 6 (1,5%); anfetaminas, com 05 (1,2%); ansiolíticos e maconha, com 1 (0,2%). E na modalidade “uso pesado”: álcool, com 40 (9,8%); cigarro, com

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10 (2,5%); ansiolíticos, com 6 (1,5%); anfetaminas, com 4 (1,0%); e solventes, com 3 (0,7%). O álcool foi a substância lícita mais consumida e os solventes foram a substância ilícita mais consumida pelos participantes em todas as modalidade de consumo.

Em relação à média de idade em que usou pela primeira vez cada substância, os resultados dos participantes que responderam a esse item com a idade em que usaram as substâncias pela primeira vez apontam: cigarro, com média de 14,24 anos (desvio padrão: 1,93), sendo que 5,4% não lembram a idade em que fumaram cigarro pela primeira vez; bebidas alcoólicas apresentaram média de 13,92 anos (desvio padrão: 2,00), sendo que 23,6% não lembram a idade em que beberam pela primeira vez; maconha teve média de 14,38 anos (desvio padrão: 3,96), e 1% não lembra; cocaína, média 14,80 anos (desvio padrão: 2,68), e 0,5% não lembra a idade em que usou cocaína pela primeira vez; crack teve média de 13,50 anos (desvio padrão: 2,12), e 0,2% não lembra a idade; anfetaminas apresentaram média de 14,68 anos (desvio padrão: 1,68), 0,7% não lembra; solventes tiveram média de 14,35 anos (desvio padrão: 2,12), sendo que 2,2% não lembram a idade; ansiolíticos obtiveram média de 15,04 anos (desvio padrão: 1,74), e 3,7% não lembram; anticolinérgicos tiveram média de 15 anos (desvio padrão:1,41); e barbitúricos, a idade de uso foi 16 anos.

Quanto ao gênero, observou-se diferença nas prevalências entre o consumo de substâncias na vida. O gênero feminino apresentou maior prevalência no consumo de ansiolíticos, com 30 (12,7%); anfetaminas, com 23 (9,3%); e opiáceos, com 2 (0,8%). Já o gênero masculino apresentou maior prevalência no consumo de bebidas alcoólicas, com 141 (82,9%); energéticos, com 53 (31,2%); cigarro, com 45 (26,5%); solvente, com 30 (17,6%); maconha, com 11 (6,5%%); cocaína, com 4 (2,4%); orexígenos, com 4 (2,4%); anabolizantes, com 4 (2,4%) crack, com 3 (1,8%); xaropes, com 2 (1,2%); alucinógenos, com 1 (0,6%); anticolinérgico, com 1 (0,6%); e barbitúricos, com 1 (0,6%). O teste exato de Fisher verificou diferença entre o gênero e o consumo na vida, ano, mês, freqüente e pesado das substâncias psicoativas. As tabelas a seguir mostram o gênero em relação ao consumo de álcool (tabela 2), ansiolítico (tabela 3) e energéticos (tabela 4).

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Tabela 2: Gênero conforme consumo de álcool na vida, ano, mês, freqüente e pesado. Gênero Vida p Não Sim 0,171 Masculino n (%) 29 (17,1%) 141 (82,9%) Feminino n (%) 54 (22,8%) 183 (77,2%) Gênero Ano p Não Sim 0,518 Masculino n (%) 51 (30%) 119 (70%) Feminino n (%) 79 (33,3%) 158 (66,7%) Gênero Mês p Não Sim 0,009** Masculino n (%) 119 (70%) 51 (30%) Feminino n (%) 193 (81,4%) 44 (18,6%) Gênero Freqüente p Não Sim 0,195 Masculino n (%) 156 (91,8%) 14 ( 8,2%) Feminino n (%) 207 (87,3%) 30 (12,7%) Gênero Pesado p Não Sim 0,500 Masculino n (%) 151 (88,8%) 19 (11,2%) Feminino n (%) 216 (91,1%) 21 (8,9%) ** Diferença significativa (p<0,01).

Tabela 3: Gênero conforme consumo de ansiolítico na vida, ano, mês, freqüente e pesado.

Gênero Vida p Não Sim 0,045* Masculino n (%) 159 (93,5%) 11 (6,5%) Feminino n (%) 207 (87,3%) 30 (12,7%) Gênero Ano p Não Sim 0,150 Masculino n (%) 163 (95,9%) 7 (4,1%) Feminino n (%) 218 (92%) 19 (8%) Gênero Mês p Não Sim 0,204 Masculino n (%) 168 (98,8%) 2 (1,2%) Feminino n (%) 229 (96,6%) 8 (3,4%) Gênero Freqüente p Não Sim 1,000 Masculino n (%) 170 (100%) 0 ( 0%) Feminino n (%) 236 (99,6%) 1 (0,4%) Gênero Pesado p Não Sim 1,000 Masculino n (%) 168 (98,8%) 2 (1,2%) Feminino n (%) 233 (98,3%) 4 (1,7%) * Diferença significativa (p<0,05).

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Tabela 4: Gênero conforme consumo de energéticos na vida. Gênero Vida p Não Sim 0,029* Masculino n (%) 117 (68,8%) 53 (31,2%) Feminino n (%) 186 (78,5%) 51(21,5%) * Diferença significativa (p<0,05).

O uso no mês de bebidas alcoólicas (p=0,009) e uso na vida de energéticos (p=0,029) relacionam-se com o gênero masculino; e o uso na vida de ansiolíticos (p=0,045) relacionou-se com o gênero feminino. Isso significa que houve maior prevalência do consumo de bebida no mês e energéticos na vida para os adolescentes do sexo masculino, e maior prevalência de ansiolíticos na vida para as adolescentes do gênero feminino.

Quanto ao tipo de escola, os participantes que estudam em escola pública apresentaram maior prevalência do consumo na vida em: orexígenos 5 (2,2%); cocaína 4 (1,8%); e barbitúricos 1 (0,4%). Os que estudam em escola particular obtiveram maior prevalência em: álcool 158 (85,9%); energéticos 66 (35,9%); cigarro 49 (26,6%); solventes 31 (16,8%); ansiolíticos 25 (13,6%); anfetaminas 24 (13%); maconha 10 (5,4%); anabolizantes 4 (2,2%); xaropes 3 (1,6%); crack 2 (1,1%); opiáceos 2 (1,1%); alucinógenos 2 (1,1%); e anticolinérgico 1 (0,5%). O teste exato de Fisher verificou diferença estatisticamente significativa entre tipo de escola e o consumo de substâncias psicoativas. As tabelas a seguir mostram o tipo de escola conforme o consumo de álcool (tabela 5), cigarro (tabela 6), anfetaminas (tabela 7), ansiolíticos (tabela 8) e energéticos (tabela 9).

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Tabela 5: Tipo de escola conforme o consumo de álcool na vida, ano, mês, freqüente e pesado.

Tipo de escola Vida p

Não Sim

0,005**

Pública n (%) 57 (25,6%) 166 (74,4%)

Particular n (%) 26 (14,1%) 158 (85,9%)

Tipo de escola Ano p

Não Sim <0,001** Pública n (%) 92 (41,3%) 131 (58,7%) Particular n (%) 38 (20,7%) 146 (79,3%) Tipo de escola Mês p Não Sim 0,289 Pública n (%) 166 (74,4%) 57 (25,6%) Particular n (%) 146 (79,6%) 38 (20,7%)

Tipo de escola Freqüente p

Não Sim

0,055

Pública n (%) 205 (91,9%) 18 (8,1%)

Particular n (%) 158 (85,9%) 26 (14,1%)

Tipo de escola Pesado p

Não Sim

0,004**

Pública n (%) 210 (94,2%) 13 (5,8%)

Particular n (%) 157 (85,3%) 27 (14,7%)

** Diferença significativa (p<0,01).

Tabela 6: Tipo de escola conforme o consumo de cigarro na vida, ano, mês, freqüente e pesado.

Tipo de escola Vida p

Não Sim

0,419

Pública n (%) 172 (77,1%) 51 (22,9%)

Particular n (%) 135 (73,4%) 49 (26,6%)

Tipo de escola Ano p

Não Sim 0,349 Pública n (%) 190 (85,2%) 33 (14,8%) Particular n (%) 150 (81,5%) 34 (18,5%) Tipo de escola Mês p Não Sim 0,654 Pública n (%) 211 (94,6%) 12 (5,4%) Particular n (%) 176 (95,7%) 8 (4,3%)

Tipo de escola Freqüente p

Não Sim

0,592

Pública n (%) 222 (99,6%) 1 (0,4%)

Particular n (%) 182 (98,9%) 2 (1,1%)

Tipo de escola Pesado p

Não Sim

0,048*

Pública n (%) 221 (99,1%) 2 (0,9%)

Particular n (%) 176 (95,7%) 8 (4,3%)

(29)

Tabela 7: Tipo de escola conforme o consumo de anfetaminas na vida, ano, mês, freqüente e pesado.

Tipo de escola Vida p

Não Sim

<0,001**

Pública n (%) 216 (96,9%) 7 (3,1%)

Particular n (%) 160 (87%) 24 (13%)

Tipo de escola Ano p

Não Sim 0,002** Pública n (%) 217 (97,3%) 6 (2,7%) Particular n (%) 165 (89,7%) 19 (10,3%) Tipo de escola Mês p Não Sim 0,050 Pública n (%) 222 (99,6%) 1 (0,4%) Particular n (%) 178 (96,7%) 6 (3,3%)

Tipo de escola Freqüente p

Não Sim

0,662

Pública n (%) 221 (99,1%) 2 (0,9%)

Particular n (%) 181 (98,4%) 3 (1,6%)

Tipo de escola Pesado p

Não Sim 0,041* Pública n (%) 223 (100%) 0 (0%) Particular n (%) 180 (97,8%) 4 (2,2%) *Diferença significativa (p<0,05). ** Diferença significativa (p<0,01).

Tabela 8: Tipo de escola conforme o consumo de ansiolíticos vida, ano, mês, freqüente e pesado.

Tipo de escola Vida p

Não Sim

0,046*

Pública n (%) 207 (92,8%) 16 (7,2%)

Particular n (%) 159 (86,4%) 25 (13,6%)

Tipo de escola Ano p

Não Sim 0,041* Pública n (%) 214 (96%) 9 (4%) Particular n (%) 167 (90,8%) 17 (9,2%) Tipo de escola Mês p Não Sim 0,358 Pública n (%) 219 (98,2%) 4 (1,8%) Particular n (%) 178 (96,7%) 6 (3,3%)

Tipo de escola Freqüente p

Não Sim

0,452

Pública n (%) 223 ( 100%) 0 (0%)

Particular n (%) 183 (99,5%) 1 ( 0,5%)

Tipo de escola Pesado p

Não Sim 0,095 Pública n (%) 222 (99,6%) 1 (0,4%) Particular n (%) 179 (97,3%) 5 (2,7%) * Diferença significativa (p<0,05).

(30)

Tabela 9: Tipo de escola conforme o consumo de energéticos na vida.

Tipo de escola Vida p

Não Sim

<0,001**

Pública n (%) 185 (83%) 38 (17%)

Particular n (%) 118 (64,1%) 66 (35,9%)

** Diferença significativa (p<0,01).

O consumo de bebidas alcoólicas na vida (p=0,005), no ano (p<0,001) e pesado (0,004); consumo de energéticos na vida (p<0,001); consumo pesado de cigarro (p=0,048); consumo de anfetaminas na vida (p<0,001), no ano (p=0,002) e pesado (p=0,041); e o uso na vida (p=0,046) e no ano de ansiolíticos (p=0,041) relacionaram-se aos estudantes da escola particular. Isto quer dizer que os estudantes da escola particular apresentaram maior prevalência no consumo destas substâncias. Não houve relação entre o tipo de escola e consumo de substâncias psicoativas nos estudantes da escola pública.

Para obter os níveis de ansiedade da escala, as pontuações foram distribuídas em quartis. Dessa forma, os níveis de ansiedade foram classificados como: mínimo, leve, moderado e grave (tabela 10).

Tabela 10: Resultados dos níveis de ansiedade dos 407 estudantes.

Ansiedade Freqüência Porcentagem

Mínimo 101 24,8%

Leve 96 23,6%

Moderado 114 28%

Grave 96 23,6%

Total 407 100%

Conforme demonstrou a tabela acima, 101 (24,8%) participantes apresentaram grau mínimo, 96 (23,6%) grau leve, 114 (28%) grau moderado e 96 (23,6%) grau grave.

Em relação ao gênero masculino, 53 (31,2%) apresentaram grau mínimo, 46 (27,1%) grau leve, 41(24,1%) grau moderado, e 30 (17,6%) grau grave. No gênero feminino, 48 (20,3%) apresentaram grau mínimo, 50 (21,1%) grau leve, 73 (30,8%) grau moderado, e 66 (27,8%) grau grave. A tabela 11 apresenta gênero em relação aos níveis de ansiedade.

Tabela 11: Gênero conforme níveis de ansiedade.

Gênero Níveis de ansiedade p

Mínimo Leve Moderado Grave

Masculino n (%) 53(31,2%) 46(27,1%) 41(24,1%) 30(17,6%)

0,007**

Feminino n (%) 48(20,3%) 50(21,1%) 73(30,8%) 66(27,8%)

(31)

O teste qui-quadrado apontou diferença estatisticamente significativa entre o gênero e a ansiedade (p=0,007). Nos homens, observou-se maior prevalência de ansiedade mínima e, nas mulheres, ansiedade moderada.

No que se refere à escola pública, 57 (25,6%) possuem grau mínimo; 62 (27,8%) possuem grau leve; 55 (24,7%) grau moderado; e 49 (22%) grau grave. Na escola particular, 44 (23,9%) possuem grau mínimo; 34 (18,5%) grau leve; 59 (32,1%) grau moderado; e 47 (25,5%) grau grave. O teste qui-quadrado não apontou diferença significativa entre a ansiedade e o tipo de escola (p=0,096).

Verificou-se a relação entre o consumo de substâncias psicoativas e a ansiedade através do teste qui-quadrado. As tabelas a seguir demonstram o consumo de cigarro (tabela 12), álcool (tabela 13), solvente (tabela 14) e energéticos (tabela 15), segundo os níveis de ansiedade.

Tabela 12: Consumo de cigarro na vida, ano, mês, freqüente e pesado segundo os níveis de ansiedade.

Cigarro

Níveis de ansiedade

p

Mínimo Leve Moderado Grave

Vida Não n (%) 82(26,7%) 78(25,4%) 79(25,7%%) 68(22,1%) 0,073 Sim n (%) 19(19%) 18(18%) 35(35%) 28(28%) Ano Não n (%) 90(26,5%) 85(25%) 88(25,9%) 77(22,6%) 0,043* Sim n (%) 11(16,4%) 11(16,4%) 26(38,8%) 19(28,4%) Mês Não n (%) 96(24,8%) 93(24%) 109(28,2%) 89(23%) 0,596 Sim n (%) 5(25%) 3(15%) 5(25%) 7(35%) Freqüente Não n (%) 100(24,8%) 96(23,8%) 113(28%) 95(23,5%) 0,812 Sim n (%) 1(33,3%) 0(0%) 1(33,3%) 1(33,3%) Pesado Não n (%) 100(25,2%) 93(23,4%) 110(27,7%) 94(23,7%) 0,644 Sim n (%) 1(10%) 3(30%) 4(40%) 2(20%) * Diferença significativa (p<0,05).

(32)

Tabela 13: Consumo de álcool na vida, ano, mês, freqüente e pesado segundo os níveis de ansiedade.

Álcool

Níveis de ansiedade

p

Mínimo Leve Moderado grave

Vida Não n (%) 26(31,3%) 25(30,1%) 18(21,7%) 14(14,9%) 0,067 Sim n (%) 75(23,1%) 71(21,9%) 96(29,6%) 82(25,3%) Ano Não n (%) 39(30%) 40(30,8%) 26(20%) 25(19,2%) 0,007** Sim n (%) 62(22,4%) 56(20,2%) 88(31,8%) 71(25,6%) Mês Não n (%) 80(25,6%) 74(23,7%) 90(28,8%) 68(21,8%) 0,470 Sim n (%) 21(22,1%) 22(23,2%) 24(25,3%) 28(29,5%) Freqüente Não n (%) 96(26,4%) 91(25,1%) 92(25,3%) 84(23,1%) <0,001** Sim n (%) 5(11,4%) 5(11,4%) 22(50%) 12(27,3%) Pesado Não n (%) 88(24%) 88(24%) 103(28,1%) 88(24%) 0,672 Sim n (%) 13(32,5%) 8(20%) 11(27,5%) 8(20%) ** Diferença significativa (p<0,01).

Tabela 14: Consumo de solventes na vida, ano, mês, freqüente e pesado segundo os níveis de ansiedade.

Solventes

Níveis de ansiedade

p

mínimo leve Moderado Grave

Vida Não n (%) 93(26,8%) 85(24,5%) 91(26,2%) 78(22,5%) 0,037* Sim n (%) 8(13,3%) 11(18,3%) 23(38,3%) 18(30%) Ano Não n (%) 96(26,3%) 89(24,4%) 97(26,6%) 83(22,7%) 0,051 Sim n (%) 5(11,9%) 7(16,7%) 17(40,5%) 13(31%) Mês Não n (%) 99(25,3%) 91(23,3%) 108(27,6%) 93(23,8%) 0,545 Sim n (%) 2(12,5%) 5(31,3%) 6(37,5%) 3(18,8%) Freqüente Não n (%) 100(24,9%) 95(23,7%) 112(27,9%) 94(23,4%) 0,898 Sim n (%) 1(16,7%) 1(16,7%) 2(33,3%) 2(33,3%) Pesado Não n (%) 100(24,8%) 96(23,8%) 112(27,7%) 96(23,8%) 0,373 Sim n (%) 1(33,3%) 0(0%) 2(66,7%) 0(0%) * Diferença significativa (p<0,05).

Tabela 15: Consumo de energéticos na vida segundo os níveis de ansiedade. Energéticos

Níveis de ansiedade p

mínimo leve Moderado grave

Vida Não n(%) 83(27,4%) 77(25,4%) 76(25,1%) 67(22,1%) 0,023*

Sim n(%) 18(17,3%) 19(18,3%) 38(36,5%) 29(27,9%)

* Diferença significativa (p<0,05).

Houve diferença estatisticamente significativa entre o uso na vida de solventes (p=0,037) e energéticos (p=0,023); uso no ano de cigarro (p=0,043) e bebidas alcoólicas (p=0,007); e uso freqüente (p<0,001) de bebidas alcoólicas com ansiedade. Verificou-se uma

(33)

relação entre os participantes que consumiram solventes e energéticos na vida; cigarro e bebidas alcoólicas no ano; e nos que afirmaram fazer uso freqüente de bebidas alcoólicas com a ansiedade moderada. Os participantes que consumiram as substâncias nas modalidades citadas acima apresentaram maior prevalência de ansiedade moderada.

O teste qui-quadrado verificou diferença estatisticamente significativa do consumo de substâncias com os níveis de ansiedade nos tipos de escola. As tabelas a seguir apresentam o consumo de cigarro (tabela 16), álcool (tabela 17), solvente (tabela 18) e energéticos (tabela 19), conforme os níveis de ansiedade nos tipos de escolas.

(34)

Tabela 16: Consumo de cigarro na vida, ano, mês, freqüente e pesado conforme os níveis de ansiedade nos tipos de escola.

Cigarro Pública Níveis de ansiedade p

mínimo Leve Moderado Grave

Vida Não N (%) 50(29,1%) 51(29,7%) 39(22,7%) 32(18,6%) 0,022* Sim N (%) 7(13,7%) 11(21,6%) 16(31,4%) 17(33,3%) Ano Não N (%) 54(28,4%) 57(30%) 43(22,6%) 36(18,9%) 0,003** Sim N (%) 3 (9,1%) 5(15,2%) 12(36,4%) 13(39,4%) Mês Não N (%) 55 (26,1%) 60 (28,4%) 52 (24,6%) 44 (20,9%) 0,362 Sim N (%) 2 (16,7%) 2 (16,7%) 3 (25%) 5(41,7%) Freqüente Não N (%) 57(25,7%) 62(27,9%) 55(24,8%) 48(21,6%) 0,312 Sim N (%) 0(0%) 0(0%) 0(0%) 1(100%) Pesado Não N (%) 57(25,8%) 61(27,6%) 55(24,9%) 48(21,7%) 0,553 Sim N (%) 0(0%) 1(50%) 0(0%) 1(50%) Cigarro Particular Vida Não N (%) 32(23,7%) 27(20%) 40(29,6%) 36(26,7%) 0,608 Sim N (%) 12(24,5%) 7(14,3%) 19(38,8%) 11(22,4%) Ano Não N (%) 36(24%) 28(18,7%) 45(30%) 41(27,3%) 0,549 Sim N (%) 8(23,5%) 6(17,6%) 14(41,2%) 6(17,6%) Mês Não N (%) 41 (23,3%) 33 (18,8%) 57 (32,4%) 45 (25,6%) 0,816 Sim N (%) 3 (37,5%) 1 (12,5%) 2 (25%) 2 (25%) Freqüente Não N (%) 43(23,6%) 34(18,7%) 58(31,9%) 47(25,8%) 0,644 Sim N (%) 1(50%) 0(0%) 1(50%) 0(0%) Pesado Não N (%) 43(24,4%) 32(18,2%) 55(31,3%) 46(26,1%) 0,563 Sim N (%) 1(12,5%) 2(25%) 4(50%) 1(12,5%) * Diferença significativa (p<0,05) ** Diferença significativa (p<0,01)

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