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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. ANDRÉ LUÍS PELARIN. ANÁLISE DA INFORMALIDADE: uso de crédito e crescimento perante a pesquisa da Ecinf. Dissertação de Mestrado. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2010.

(2) ANDRÉ LUÍS PELARIN. ANÁLISE DA INFORMALIDADE: uso de crédito e crescimento perante a pesquisa da Ecinf. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre.. Área de Concentração: Gestão de Organizações Orientador: Prof. Dr. Otávio Próspero Sanchez. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2010.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA P361a. Pelarin, André Luís Análise da informalidade: uso de crédito e crescimento perante a pesquisa da Ecinf / André Luís Pelarin. 2010. 182 f. Dissertação (mestrado em Administração) -- Faculdade de Administração e Economia da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2010. Orientação: Otávio Próspero Sanchez 1. Pequenas empresas - Administração de crédito 2. Análise de crédito 3. Economia informal 4. Ecinf I.Título. CDD 658.

(4) ANDRÉ LUÍS PELARIN. ANÁLISE DA INFORMALIDADE: uso de crédito e crescimento perante a pesquisa da Ecinf. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre.. Área de Concentração: Gestão de Organizações. Data da Defesa: 01 de março de 2010. BANCA EXAMINADORA:. Prof. Dr. Otávio Próspero Sanchez Orientador Universidade Metodista de São Paulo – UMESP Prof. Dr. Felipe Zambaldi Examinador Externo Centro Universitário – FEI Prof. Dr. Mateus Ponchio Examinador Externo Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM.

(5) Aos meus pais Nicanor e Maria, e minha esposa Ione, que sempre tiveram paciência comigo, e principalmente aos meus filhos Lucas e Felipe, pelos vários dias em que eu não pude parar e brincar com vocês. Obrigado por fazerem parte de minha vida..

(6) AGRADECIMENTOS. A Deus, que orienta minha vida, mostra caminhos, sabe de minhas necessidades, e apesar de minha teimosia, procura não me desamparar. Agradeço, imensamente, às pessoas que colaboraram e contribuíram para a realização deste trabalho. Em especial aos professores Dr. Otávio Próspero Sanchez e Dr. Felipe Zambaldi, pelos valiosos conselhos, paciência, contribuições teóricas, assistência e acompanhamento como orientadores e amigos, o que permitiu a realização deste trabalho. Aos professores do Programa de Pós-Graduação, referências pela minha formação e ampla visão em todo o contexto acadêmico. Aos amigos de Mestrado pela troca de experiências, pelas demonstrações de apoio e companheirismo. Aos amigos da Faculdade de Administração e Economia da Universidade Metodista de São Paulo: meus agradecimentos pela discussão, formação de novos planos e idéias. A todos os meus amigos e amigas que souberam me compreender nas dificuldades e me incentivaram, quando muitas vezes acreditava não ser capaz, obrigado por acreditarem em mim..

(7) RESUMO. Este trabalho procura entender um pouco mais e discutir, partindo dos dados disponíveis do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através de sua pesquisa de economia informal urbana (ECINF) gerada em 2003 (ultima disponível), aspectos ligados à informalidade, crescimento e uso do crédito. Procura explorar, neste contexto, aspectos relevantes ao crescimento e continuidade da micro e pequena empresa. Para atingir este objetivo, procura-se entender inicialmente conceitos sobre estes aspectos (informalidade, crescimento e uso de crédito) e suas características, e através de dados secundários e com o uso de software estatístico, procurar entender as suas relações, através de ANOVA e regressões, bem como optimal scaling contribuindo para o conhecimento deste cenário. Os dados levantandos e comparados com a teoria apontam as relações entre empregador e trabalhador por conta própria indicando dos fatores adotados no estudo quais mais contribuem e os que indicam pouca contribuição dentro deste contexto. Em conclusões acena para uma tendência onde o individamento através do uso de crédito tende a gerar um maior crescimento até um determinado ponto e a partir desta inflecção tende a dificultar a atividade bem como acena dificultar a formalização. PALAVRAS-CHAVE Informalidade, crescimento, micro e pequena empresa, crédito..

(8) ABSTRACT. This work seeks to understand a little more and discuss, available data from the Brazilian Institute of geography and statistics (IBGE), through its urban informal economy research (ECINF) generated in 2003 (latest available), aspects of informality, growth and use of credit. Search explore this context relevant aspects of growth and continuity micro and small business. To achieve this goal, seeks to understand initially concepts about these aspects (informality, growth and use of your credit) and their characteristics, and use secondary data and statistical software, browse to understand its relations, through ANOVA and data regression as well as optimal scaling contributing to the knowledge of this scenario. Data observated and compared with the theory suggests that relations between employers and selfemployed indicating factors adopted in the study which contributors and those that indicate little contribution within this context. In conclusions bait for a trend where the debit through the use of credit tends to generate more growth up to a certain point and from this inflecção tends to impede the activity as well as bait impede the formalization Keywords Informality, growth, micro and small enterprises, credit..

(9) LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Impactos da Informalidade. 50. Figura 2 – Formas de Financiamento nas MPEs (1999). 65.

(10) LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Evolução da Taxa de Empreendedorismo Inicial (2001 a 2008). 28. Quadro 2 – Estimativa por Empreendedorismo. 29. Quadro 3 – Comparativo da Taxa de Oportunidades com Necessidade, PIB e Taxa de Desemprego. 32. Quadro 4 – Classificação das MPE pelo Número de Empregados. 35. Quadro 5 – Classificação das MPE pelo Faturamento. 35. Quadro 6 – Classificação das MPE pelo Faturamento. 36. Quadro 7 – Taxa de Mortalidade das MPEs. 37. Quadro 8 – Número de Empresas, Pessoal Ocupado e Participação nos Nascimentos e Mortes de Empresas em Função do Porte (Brasil, 2005). 38. Quadro 9 – Caracterização das MPEs Brasileiras (em 2000). 58. Quadro 10 – Relação das Variáveis de Medição. 81. Quadro 11 – Variáveis Observáveis nos Construtos para Análise de Regressão. 82. Quadro 12 – Desenho do Estudo. 85. Quadro 13 – Local Onde se Desenvolve a Atividade. 86. Quadro 14 – Local Destinado Exclusivamente à Atividade. 87. Quadro 15 – Utiliza Equipamento ou Instalações para Exercer a Atividade. 88. Quadro 16 – Faixa de Valores de Bens. 89. Quadro 17 – Investimento/ Aquisição ao Negócio Valores de Bens. 90. Quadro 18 – Origem dos Recursos dos Investimentos. 91. Quadro 19 – Valores Gastos com Salários e Comissões. 93. Quadro 20 – Valores Gastos com INSS. 94. Quadro 21 – Valores Gastos com Impostos e Taxas. 95. Quadro 22 – Parte do Produto/Serviço Utilizado como Consumo ou Pagamento. 96. Quadro 23 – Utilização Empréstimo, crédito, Financiamento Para a Atividade. 97. Quadro 24 – Fonte de Recursos para Empréstimo, Crédito, Financiamento. 98. Quadro 25 – Possui Dívida que Esteja Pagando. 99. Quadro 26 – Possui Constituição Jurídica. 100. Quadro 27 – Formas de Constituição Jurídica. 101.

(11) Quadro 28 – Registro de Microempresa. 103. Quadro 29 – Relação entre CNPJ e Microempresa. 103. Quadro 30 – Preencheu a IRPJ em 2003. 104. Quadro 31 – Tipo de Formulário de IRPJ em 2003. 105. Quadro 32 – Possuir Licença Estadual ou Municipal para Exercer a Atividade. 106. Quadro 33 – Número de Pessoas que Exercem Atividade. 108. Quadro 34 – Percepção do Desempenho pelo Empreendedor. 109. Quadro 35 – Dificuldades de Crédito Afetam o Desempenho. 111. Quadro 36 – Fiscalização e Regularização Afetam o Desempenho. 111. Quadro 37 – Rotatividade de Mão-de-obra Afeta o Desempenho. 112. Quadro 38 – Dificuldades que o Empreendedor Considera Importantes. 113. Quadro 39 – Plano de Negócio (opinião dos entrevistados). 114. Quadro 40 – Dificuldade de Regularização (opinião dos entrevistados). 115. Quadro 41 – Dificuldade de Regularização (motivos). 116. Quadro 42 – Fator Crédito Impulsiona a Condução do Negócio. 117. Quadro 43 – Forma Freqüente de Pagamento de MP e Mercadorias do Negócio. 117. Quadro 44 – Possuía Conta Corrente em Banco em Outubro 03. 118. Quadro 45 – Possuía Cheque Especial em Banco em Outubro 03. 119. Quadro 46 – Possuía Cheque em Banco em Outubro 03. 119. Quadro 47 – Possuía Caderneta de Poupança em Banco em Outubro 03. 120. Quadro 48 – Possuia Cheque Especial em Banco em Outubro 03. 120. Quadro 49 – Teve Dificuldades com Serviços Financeiros. 120. Quadro 50 – Principais Dificuldades de Acesso a Serviços Financeiros. 121. Quadro 51 – Variáveis Disponíveis para o Construto INF. 125. Quadro 52 – Procura de Regularização entre Conta Própria e Empregador. 128. Quadro 53 – Variáveis Potenciais para Uso na Regressão Logística. 129. Quadro 54 – Resumo Geral. 130. Quadro 55 – Relação Dependência. 130. Quadro 56 – Análise da Equação Significância. 131. Quadro 57 – Análise da Equação para Explicação sem o Modelo. 131. Quadro 58 – Análise da Significância em Cada Passo Simulado. 132.

(12) Quadro 59 – Análise de Hosmer Lemeshow. 133. Quadro 60 – Análise de Capacidade de Explicação do Construto INF pela Variável V4345. 134. Quadro 61 – Análise da Equação e Significâncias de Cada Variável. 135. Quadro 62 – Variáveis Potenciais. 140. Quadro 63 – Análise das Variáveis Disponíveis para Criação do Score Crescimento CRES. 140. Quadro 64 – Análise do número de interações para criação do score Crescimento CRES. 141. Quadro 65 – Análise da Equação para Explicação sem o Modelo. 141. Quadro 66 – Análise das Correlações. 142. Quadro 67 – Dimensões para Variável Investimento. 143. Quadro 68 – Dimensões para Variável Desempenho. 143. Quadro 69 – Variáveis Potenciais. 146. Quadro 70 – Explicação para USOCRED com todas as Variáveis através do Optimal Scaling. 146. Quadro 71 – Correlações para Variáveis no Construto USOCRED. 147. Quadro 72 – Número de Dados Utilizados para o Construto USOCRED. 148. Quadro 73 – Número de Interações para o Construto USOCRED. 148. Quadro 74 – Correlações Transformadas para o Construto USOCRED. 148. Quadro 75 – Explicação para USOCRED com as Variáveis Selecionadas através do Optimal Scaling. 149. Quadro 76 – Análise da Dimensão Utilização de Empréstimo. 149. Quadro 77 – Análise da Dimensão Existência de Dívida. 150. Quadro 78 – Participação de cada Variável no Construto. 151. Quadro 79 – Disponibilidade de Variáveis. 153. Quadro 80 – Variáveis a serem Desconsideradas. 153. Quadro 81 – Resíduos. 154. Quadro 82 – Análise ANOVA. 155. Quadro 83 – Coeficientes do Modelo. 156. Quadro 84 – Análise do Resíduo. 158. Quadro 85 – Correlaçôes. 159.

(13) Quadro 86 – Comportamento Informalidade (Licença) x Crescimento (Exploratório). 160. Quadro 87 – Análise ANOVA de Crescimento. 160. Quadro 88 – Análise ANOVA de Crescimento entre Grupos. 162. Quadro 89 – Comparação entre os Grupos de Crescimento. 164. Quadro 90 – Resumo das Variáveis Disponíveis para a Regressão Uso de Crédito. 166. Quadro 91 – Sugestão de Variáveis. 167. Quadro 92 – Análise dos Resíduos. 168. Quadro 93 – Análise de ANOVA. 169. Quadro 94 – Distribuição dos Coeficientes. 171. Quadro 95 – Teste ANOVA para Uso de Crédito. 173.

(14) LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Local onde Desenvolve Atividade. 86. Gráfico 2 – Local Destinado Exclusivamente à Atividade. 87. Gráfico 3 – Utiliza Equipamento ou Instalações para Exercer a Atividade. 88. Gráfico 4 – Faixa de Valores de Bens. 89. Gráfico 5 – Investimento / Aquisição ao Negócio Valores de Bens. 91. Gráfico 6 – Origem dos Recursos dos Investimentos. 92. Gráfico 7 – Valores Gastos com INSS. 94. Gráfico 8 – Valores Gastos com Impostos e Taxas. 95. Gráfico 9 – Parte do Produto/Serviço Utilizado como Consumo ou Pagamento. 96. Gráfico 10 – Utilização Empréstimo, crédito, Financiamento Para a Atividade. 97. Gráfico 11 – Fonte de Recursos para Empréstimo, Crédito, Financiamento. 98. Gráfico 12 – Possui Dívida que Esteja Pagando. 99. Gráfico 13 – Possui Constituição Jurídica. 100. Gráfico 14 – Formas de Constituição Jurídica. 101. Gráfico 15 – Possui CNPJ. 102. Gráfico 16 – Preencheu IRPJ em 2003. 104. Gráfico 17 – Preencheu IRPJ em 2003 (após filtro – somente com CNPJ). 105. Gráfico 18 – Tipo de Formulário de IRPJ em 2003. 106. Gráfico 19 – Possui Licença Estadual ou Municipal para Exercer a Atividade. 107. Gráfico 20 – Número de Pessoas que Exercem Atividade. 108. Gráfico 21 – Número de Pessoas que Exercem Atividade (por condição). 109. Gráfico 22 – Percepção do Desempenho pelo Empreendedor. 110. Gráfico 23 – Percepção do Desempenho pelo Empreendedor (tipo atividade). 110. Gráfico 24 – Dificuldades de Crédito Afetam o Desempenho. 111. Gráfico 25 – Fiscalização e Regularização Afetam o Desempenho. 112. Gráfico 26 – Rotatividade de Mão-de-obra Afeta o Desempenho. 112. Gráfico 27 – Dificuldades que o Empreendedor Considera Importantes. 114. Gráfico 28 – Plano de Negócio (opinião dos entrevistados). 115. Gráfico 29 – Dificuldade de Regularização (opinião dos entrevistados). 116. Gráfico 30 – Fator Crédito Impulsiona a Condução do Negócio. 117. Gráfico 31 – Forma Freqüente de Pagamento de MP e Mercadorias do. 118.

(15) Negócio Gráfico 32 – Possuía Conta Corrente em Banco em Outubro 03. 119. Gráfico 33 – Principais Dificuldades de Acesso a Serviços Financeiros. 121. Gráfico 34 – Análise dos Resíduos. 138. Gráfico 35 – Análise da Freqüência dos Resíduos. 139. Gráfico 36 – Análise do Resíduo. 158. Gráfico 37 – Dispersão dos Resíduos. 159. Gráfico 38 – Box Plot entre Crescimento e Uso Licença. 161. Gráfico 39 – Comportamento do Uso de Crédito. 163. Gráfico 40 – Histograma dos Resíduos de Uso de Crédito. 172. Gráfico 41 – Box Plot entre Uso de Crédito e Ser Formal (possuir licença). 174.

(16) SUMÁRIO 1 CONTEXTUALIZAÇÃO ......................................................................................... 17 1.1 Problema da pesquisa e objetivo ....................................................................... 19 1.2 Metodologia ......................................................................................................... 20 1.3 Justificativa do problema .................................................................................. 223 1.4 Delimitações do trabalho .................................................................................... 24 2 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO .......................................................................... 26 2.1 A atividade empreendedora no Brasil ................................................................. 26 2.2 Importância da micro e pequena empresa e seus empreendedores .................. 27 2.3 Conceituando as MPES ...................................................................................... 33 2.4 Explorando os problemas enfrentados pelas MPE .............................................. 36 2.5 Informalidade....................................................................................................... 41 2.5.1 Os trabalhadores por conta própria .................................................................. 46 2.5.2 Os trabalhadores assalariados sem carteira assinada ..................................... 48 2.6 A relação entre informalidade e a questão previdenciária ................................... 53 2.7 Dificuldades na formalização das empresas ....................................................... 54 2.8 Definição do papel do crédito .............................................................................. 57 2.9 Desempenho e crescimento ................................................................................ 65 2.9.1 Medida do desempenho – A composição do mix de indicadores ..................... 67 3 METODOLOGIA .................................................................................................... 72 3.1 Metodologia da pesquisa..................................................................................... 75 3.2 Desenho da amostra ........................................................................................... 75.

(17) 3.3 Definição dos construtos ..................................................................................... 79 4 ANÁLISE DOS DADOS ......................................................................................... 86 4.1 Análise exploratória dos dados ........................................................................... 86 4.2 Análise com SPSS dos dados ........................................................................... 124 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E ESTUDOS FUTUROS ......................................... 175 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 177 ANEXOS ................................................................................................................. 191.

(18) 17. 1 CONTEXTUALIZAÇÃO As constantes modificações mundiais exigem cada vez mais das empresas. Umas procuram em ritmo acelerado cada vez mais a globalização, enquanto outras, em menor intensidade, também caminham nessa direção ou procuram espaço e oportunidades no mercado local. Há diversas visões e estratégias adotadas e diferenciadas em cada companhia. Algumas acreditam que o caminho para o sucesso seja a fusão e/ou aquisição, preparando dessa forma sua estratégia para a competitividade procurando aumentar sua atividade, enquanto outras acreditam que a melhor solução é a divisão fragmentando-se em pequenas empresas tornando-se prestadoras de serviços e/ou produtos.. Vários autores abordaram esse tema, como Guth e Ginsberg (1990), Covin (1991), Covin e Slevin (1991), Tachizawa e Faria (2004) e Besanko et al. (2006). Com a divisão, as empresas passam a focar o objetivo fim de sua existência, produzindo o que o concorrente não pode e/ou não sabe fazer, em outras palavras o que é necessário deter de tecnologia ou especificidade enquanto as empresas parceiras providenciam e suportam o que não é essencial ao produto. Nesse processo de divisão aparecem os ex-colaboradores que se tornam prestadores de serviços ou desempregados na busca de uma nova atividade.. O mercado consumidor atual tem a tendência de procurar produtos cada vez mais diferenciados também chamados de customizados (Royer, 2007), e nessas condições empresas dimensionadas e projetadas para grandes volumes de produção, normalmente seriadas, podem ser prejudicadas, pois muitas vezes devido ao volume de produção não têm condições para diferenciar o mesmo produto, ou prejudicam a produtividade. Junto a esse cenário, tem-se a abertura da economia nacional, até então fechada à entrada do mercado externo e protecionista.. Em função do contexto acima o aumento de tecnologia, fusões e necessidade de redução de custo, muitas empresas para serem mais competitivas procuram como uma das alternativas dispensar parte de seus colaboradores e colocar tais atividades a serem executadas por parceiros terceiros. Juntamente com a possibilidade da redução de custos e associação com novos e pequenos parceiros.

(19) 18. surge à possibilidade de customização de produtos, um desejo do mercado consumidor.. De modo geral, Leite (2004) enfoca que muitos desses parceiros foram originados por ex-colaboradores que formaram microempresas para prestar atividades, alguns dos objetivos estão na redução das despesas com custos de produção, estrutura, responsabilidades e problemas trabalhistas, excesso de pessoal nos períodos de baixa produção e, conseqüentemente, custos. A redução de tarefas gerou novas profissões, e, segundo Grenaud et al. (2002), a mão-de-obra sem oportunidade de adequação e a nova exigência profissional (novo cenário) foi forçada a procurar oportunidades na informalidade.. Nesse cenário, surgem profissionais que vivem no mercado informal sem nenhuma empresa legalmente constituída e de porte muito pequeno, à qual denominaremos, neste ponto, micro ou pequena empresa (MPE).. Ao longo da história, o mercado informal sempre existiu, no Brasil não é diferente. No período colonial, segundo Apolinário (2006), não se fala sobre a informalidade, apenas da exploração de riquezas do Brasil colônia, como madeiras e metais preciosos, porém percebe-se que muitos não eram formais em nossa nação, indicando assim a complexidade do termo. Em concordância com esse ponto, há citações feitas por North (1994), e por Prado (2000).. Dutra e Previdelli (2003) reforçam tal posição, citando a atividade empreendedora desde os tempos mais remotos, referindo civilizações como fenícios e árabes. Comentam que até meados do século XX não havia registros, no Ocidente, de uma ação governamental planejada com o objetivo de gerar empresas e que só mais recentemente iniciou-se um trabalho de políticas e ações que estimularam a criação das mesmas, dando-lhes subsídios e bases sólidas.. Conforme estudos dos dados de Name e Bugarin (2003), Fernandes et al. (2004) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae, 2005), pode-se afirmar que, ao criar uma empresa muitos empresários alegam que.

(20) 19. sobrevivem na informalidade devido à alta carga tributária, tornando-se competitivos apenas nessa condição; outros partem para a sonegação fiscal a fim de minimizar gastos e aumentar ou conseguir gerar lucro, portanto possuem empresas constituídas, mas que não declaram todo o seu movimento, o que reforça a informalidade.. Conforme Moraes (2006b), algumas situações citadas anteriormente geram condições que dificultam o crédito, dificultando também a geração de recursos e investimentos. Diante dos fatos pode-se imaginar o quanto é dificil a captação de recursos externos, principalmente se o montante necessário for maior do que o volume de faturamento, ou ainda se não houver como provar a existência formal da empresa.. Autores como Ross, Westerfield e Jaffe (2002) e Assaf (2006) dizem que, com o aumento do risco (incerteza) há também um aumento da taxa de juros, fato esse explicável devido ao risco de quem empresta ser maior frente ao do tomador, e por existir a possibilidade de inadimplência.. Diante. de. dificuldades. como. essas. (incertezas,. pouca. garantia,. informalidade), percebe-se que quanto mais altas as taxas de juros forem cobradas, mais difícil será a liberação de crédito, o que certamente pode prejudicar o desenvolvimento da empresa. Para agravar esse contexto, os estudos da Sebrae (2005a) indicam que o empresário acaba utilizando sua conta pessoal e a condição de pessoa física para captar recursos para a empresa (pessoa jurídica),. o que. dificulta ainda mais a análise e os critérios para a concessão de financiamentos.. O empresário mutas vezes não controla financeiramente o resultado econômico-financeiro da companhia e, portanto, dificilmente visualiza a necessidade de reação.. 1.1 Problema da pesquisa.

(21) 20. O objetivo desta pesquisa é contribuir para a discussão sobre o tema mais geral da MPE em relação à formalidade, ao desempenho e acesso ao crédito, visando á continuidade da empresa no cenário atual (dinâmico e competitivo, terceirizado e como alternativa de sobrevivência), bem como a crescente importância do assunto no país e a relativa necessidade de estudos acadêmicos sobre o tema no Brasil. Muito é escrito sobre informalidade e desempenho, porém essa associação, principalmente para a microempresa, é bastante recente e atual.. Esta pesquisa objetiva contribuir para a procura de respostas a quatro questões norteadoras:. . Analisar a relação entre informalidade e crescimento nas MPE.. . Verificar a relação entre o uso de crédito e o crescimento da microempresa.. . A relação entre informalidade e o uso do crédito.. . Quais fatores de forma geral dificultam a condição para formalização dos microempresários no contexto em que os dados foram coletados?. 1.2 Metodologia. Trata-se de uma pesquisa exploratória, com análise quantitativa por meio da utilização de dados secundários.. Conforme Hair et al. (2005), a análise exploratória tem grande aplicação quando o responsável pela pesquisa dispõe de pouca informação, orientando assim para a descoberta. Nesta pesquisa, a informalidade normalmente gera, em alguns aspectos: a) pouca informação pela sua própria característica de não estar totalmente explícita na sociedade, b) pelos mais diversos motivos. Apesar de terem sido propostos alguns aspectos que estão na literatura a seguir, não existe a certeza de suas relações, e, portanto, será seguido o método exploratório para investigação..

(22) 21. Para Selltiz et al. (1987), os principais objetivos de uma pesquisa exploratória são a formulação do problema, o levantamento de hipóteses, o aumento do conhecimento do pesquisador sobre o tema e o esclarecimento de conceitos. Enfatizam-se, como sequência para este trabalho de pesquisa, o exame da literatura, o levantamento de pessoas que tiveram experiência prática com o problema a ser estudado – e, nessa condição, o Sebrae e o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) têm sido de grande auxílio.. Por meio de um survey oriundo do IBGE, que fora aplicado em 2003, obtiveram-se os dados para as análises aos questionamentos anteriores, em outras palavras, a pesquisa será realizxada com dados secundários para a análise.. A coleta de dados foi feita em uma pesquisa realizada pelo IBGE, denominada Economia Informal Urbana (Ecinf), com o objetivo de produzir informações para estudos de planejamento do desenvolvimento socioeconômico com abrangência nacional. Toda a metodologia aplicada pelo IBGE na coleta de dados procurou garantir que os desvios fossem os mínimos possíveis, garantindo a proporção de entrevistas considerando cada região do estudo e cada condição da pesquisa.. Os dados trazem informações sobre a evolução dos indicadores e da formalização das MPE que participam na geração de emprego e renda, e no desenvolvimento do país. Esses dados estão relacionados em um momento especifico, não tendo uma projeção ao longo de um período; em outras palavras, o estudo concentra-se em uma análise transversal, em um dado momento, conforme afirma Hair et al. (2005).. Entre as técnicas utilizadas na validação das relações está a análise da correlação e da regressão. Segundo Hair et al. (2005), são técnicas associativas que auxiliam a determinar se há uma relação coerente entre duas ou mais variáveis..

(23) 22. Uma das formas utilizadas para a mensuração de construto é a optimal scaling, que transforma variáveis categóricas em contínuas.. Conforme Pestana e Gageiro (2000), esse método atribui quantificação às variáveis do tipo categóricas, como as nominais e ordinais, possibilitando relações entre elas. Outro ponto importante é que pode-se procurar uma melhor relação em função do número de categorias predefinidas, ou seja, uma otimização dessa escala incorporando valores numéricos às categorias. Procurou-se, enfim, por meio da optimal scaling, encontrar um escore para medir o que não conseguiu-se observar diretamente, conforme Perreault e Young (1980).. O software que utilizado para tais cálculos é o SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), também para avaliar as relações com os dados calculados por regressão. Conforme. Hair. et. al.. (2005),. procurou-se. descrever. as. variáveis. denominadas “latentes”, definidas como um construto não observado, a partir de variáveis observáveis ou “mensuráveis”, percebidas por indicadores e utilizadas como medida de um conceito ou construto.. Considerando a classificação apresentada por Martins (2002), este trabalho tem uma abordagem analítica, natureza exploratória e quantitativa, e é baseado em técnicas estatísticas com o intuito de obter inferências para a população objeto a partir de uma amostra selecionada.. Para obter-se uma visão geral e evolução do estudo, primeiramente foi realizado um resgate do empreendedorismo (gerador das atividades das MPEs) e os motivos para a criação das micro e pequenas empresas, bem como apresentou-se o seu perfil, seguido pela conceituação das MPE, seus maiores problemas, a relação com a informalidade, as causas de mortalidade, e a relação com o crédito.. Posteriormente, detalhou-se as variáveis relacionadas ao problema de.

(24) 23. pesquisa e os dados teóricos.. 1.3 Justificativa do problema. Este trabalho mostra-se relevante por abordar a microempresa nacional com maior enfoque na sua visualização perante a informalidade, o uso do crédito e ao crescimento. Há um grande interesse, neste estudo, pelo fato dele contribuir para a busca da relação entre crescimento e informalidade num contexto voltado à microempresa nacional. Para grande parcela da população que participa dessa condição, estudos como este são importantes por serem utilizados e comentados por órgãos como o Sebrae e Global Entrepreneurship Monitor (GEM).. O país busca incessantemente uma melhor condição humana e social, o que se vê inclusive nas campanhas governamentais com o objetivo do desenvolvimento do país e da humanidade.. O tema da informalidade normalmente tem sido abordado pelas médias e grandes corporações, principalmente com relação à sonegação fiscal (Okimura, 2003) e aos registros trabalhistas, mas muito pouco ocorre pela não existência formal da empresa, ou seja, pela não constituição da empresa frente à legislação vigente. Outros pontos relevantes são a abordagem do acesso e uso ao crédito na informalidade, a sobrevivência da MPE e o seu impacto socioeconômico como geradora de emprego e renda no desenvolvimento do país e mesmo do ser humano.. Um aspecto importante é o fato de ser muito elevado o número de empreendedores no Brasil, comparado ao de outros países.. Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2008), no Brasil no período de 2001 a 2008 a média a taxa de empreendedorismo em estado inicial (TEA), calculada pela relação entre o número de empreendedores dividido pelo numero de habitantes foi de 12,72%. Desses dados, percebe-se que o Brasil está 75,58% em média mais empreendedor do que outros países do estudo..

(25) 24. Comparados, os anos 2007 e 2008 indicam a vocação empreendedora do brasileiro, apresentando uma taxa de atividade empreendedora de 12,7% em 2007 e 12,02% em 2008, ou seja, aproximadamente 12 brasileiros em 100 estão ligados a alguma atividade empreendedora, fato que posiciona o Brasil entre os 10 mais empreendedores dos participantes no estudo em 2007 e o 13° em 2008.. Para exemplificar, como referencial, os resultados do Brasil estão próximos aos do Uruguai (11,9%), do Chile (13,08%), da Índia (11,49%) e do México (13,09%), sendo que a média geral dos participantes gira em torno de 7,25% (GEM, 2008). Porém, não pode-se esquecer que o número de habitantes no Brasil é muito superior comparado ao do Uruguai ou Chile. Isso implica um montante ainda maior de empreendedores em termos absolutos e, portanto, expressivo impacto social e econômico do país.. Segundo estudo do Sebrae, a previsão para 2015 é de 8,8 milhões de estabelecimentos de MPE no país, reforçando sua importância, nesse contexto, tanto ao nível nacional como mundial.. No Brasil, segundo o Sebrae (2006) o PIB arrecadado pelas MPE corresponde a 20% do total, com 2,7% do valor das exportações, evidenciando-se assim o impacto que elas geram na economia e na ocupação das pessoas. Segundo o Ministério da Indústria e Comércio (2006), os negócios informais representam 40% da renda nacional, e, em média, 60% dos trabalhadores brasileiros não possuem registro em carteira reforçando assim esta importância.. Pode-se assim perceber que a informalidade desempenha um papel importante na sociedade, na economia, no desenvolvimento e continuidade do país e das pessoas.. 1.4 Delimitações do trabalho.

(26) 25. Neste estudo procurou-se abordar as MPE tendo como base amostral dados do IBGE. Sendo uma amostra da população, a qual pela competência e desempenho renomado do IBGE pela qualidade de seus estudos procura a minimização do viés através de amostras estatísticas levando em consideração os erros amostrais e a quantidade de respondentes para redução de perda de dados.. Os dados coletados na Ecinf abrangem todo o país e disponibilizam 54.595 observações para análise, gerando recursos para a pesquisa das quais priorizou-se os dados do estado de São Paulo com 2.869 observações e que após tratamento dos dados faltantes serão tratados podendo reduzir parte das observações disponíveis. Em seu estudo, a população de atividade informal agrícola não fora contemplada devido aos custos, bem como ao fato da população de rua, apesar de viver com atividades informais, não possuir residência fixa, o que trouxe, portanto, dificuldades ao controle das observações.. Dessa forma, a abrangência da pesquisa foi com São Paulo e região metropolitana que em levantamento pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS, 2006) indica em estudo realizado com os dados da ECINF bastante representativo para todo o Brasil, independente deste, sugere-se estudos futuros para avaliar particularidades ou confirmações..

(27) 26. 2 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO 2.1 A atividade empreendedora no Brasil O ambiente competitivo nacional sofreu grandes alterações nos últimos anos. Autores como Francischini e Azevedo (2003) enfatizam tais alterações, e pode-se citar o cenário atual com as constantes oscilações do mercado acionário e bolsas mundiais em manchetes, principalmente com maior ênfase as ocorridas no ano de 2008.. A abertura de inúmeros mercados nos anos anteriores aliada à estabilidade de preços conquistada por alguns planos econômicos nacionais (Sebrae, 2005a e GEM, 2007), proporcionou ao mundo a possibilidade de ultrapassar barreiras, chegando produtos importados inclusive ao Brasil. O país buscou também novos mercados por meio da exportação, incentivando o comércio e exigindo o desenvolvimento de tecnologia para tornar-se competitivo e poder aproveitar esse crescimento.. Essa perspectiva sofre uma mudança ainda mais radical e traumática no ano de 2008, quando há uma reviravolta financeira mundial gerada principalmente no mercado americano e que se espalha por todo o mundo. Para Almeida (2007), as últimas décadas do século XX foram assinaladas por transformações em todo o planeta, incentivadas pela democratização de vários países e por seus regimes políticos, pela abertura de fronteiras comerciais e por um desenvolvimento tecnológico sem precedentes.. Com a abertura comercial, o crescimento do mercado interno e externo foi incentivado, e, segundo Lucato (2005), os proprietários das micro e pequenas empresas procuraram modificar sua postura, passando de empresários com estratégias defensivas a produtores competitivos com produtos internacionais, exigindo qualidade superior e menores preços do que os similares nacionais.. Conforme Lucato (2005), a busca da adaptação passou a ser um fator primordial nesse caminho. Pode-se perceber na atualidade, na convivência com o.

(28) 27. mercado, que muitas empresas ainda procuram esse processo de adaptação e outras buscam descobrir como mudar vivendo condições econômicas anteriores à abertura de mercado, não atentando para uma mudança do cenário inflacionário e, com algumas reservas para situações protecionistas por parte dos governantes. Quando tal processo demora, os efeitos são muitas vezes desastrosos para o negócio, levando ao fechamento da MPE e a provável frustração por parte de seus fundadores.. A necessidade de inovação para se ajustar ao novo cenário mundial passa a ser a palavra-chave, e nesse clima muitas empresas procuram a reestruturação. Parte desse processo ocorre com a redução de seu quadro de pessoal, a abertura de oportunidades aos prestadores de serviços, e novos parceiros, parte dos quais muitas vezes formados por ex-colaboradores que surgiram das demissões havidas com o objetivo de otimização. Nesse cenário, a participação da MPE é cada vez mais solicitada, e a figura do empreendedor no processo é fundamental.. Filion (1998) trata o empreendedorismo como um novo campo das ciências sociais, posicionando-se na busca de alternativas de sobrevivência das pessoas e, assim, reforçando ainda mais a sua importância na sociedade.. O Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) coordena a equipe do Projeto GEM Brasil em conjunto com o Sebrae, que exerce um trabalho de pesquisa sobre empreendedorismo e têm participado de estudos de comparação com outros 40 países em 2007 e 60 países em 2008. O GEM é um projeto de pesquisa de âmbito internacional, coordenado por duas mundialmente conceituadas escolas de administração, a London Business School, na Inglaterra, e o Babson College, nos Estados Unidos, que selecionaram indicadores para avaliar e comparar o nível do empreendedorismo a partir de pontos comuns a todos os países que compõem a amostra da pesquisa, da qual o Brasil participa há nove anos.. 2.2 Importância da micro e pequena empresa e seus empreendedores.

(29) 28. Os resultados encontrados no Relatório GEM 2007 e 2008 indicam a vocação empreendedora do brasileiro. Para efeito comparativo com países mais desenvolvidos, a pesquisa mostrou que os Estados Unidos possuem uma taxa de 10,76% de total entrepreneurial activity (TEA), sendo uma exceção à regra, se comparados aos países mais desenvolvidos que participaram da pesquisa, e que apresentaram resultados muito inferiores; para referência, as últimas posições na taxa de empreendedorismo, que estão inclusive relacionadas, apresentam valores de 2,8% a 4%.. No Quadro 1, observamos o comportamento do Brasil nessa análise da evolução do empreendedorismo e sua importância no cenário mundial. Quadro 1 – Evolução da Taxa de Empreendedorismo Inicial (2001 a 2008) Evolução Taxas de Empreendedores Iniciais - 2001 a 2008 – GEM. Países Brasil Desenvolvidos Estados Unidos Itália Japão BRIC Rússia China Índia Sul-americanos Argentina Chile Uruguai. 2001 14,2. 2002 13,53. 2003 12,9. 2004 13,55. 2005 11,32. 2006 11,65. 2007 12,72. 2008 12,02. 11,61 10,16 5,19. 10,51 5,9 1,81. 11,94 3,19 2,76. 11,33 4,32 1,48. 12,44 4,94 2,20. 10,03 3,47 2,90. 9,61 5,01 4,34. 10,76 4,62 5,42. 6,93. 2,52 12,34 17,88. 13,72. 2,67 16,43 8,53. 3,49. 11,59. 4,86 16,19 10,42. 11,49. 14,15 15,68. 19,7 16,87. 10,24 9,19 12,56. 14,4 13,43 12,21. 16,5 13,08 11,9. 11,55 11,11. 12,84. 9,49 11,15. Fonte: Pesquisa GEM 2008, adaptada pelo autor.. Estes dados representam o número de empreendedores para cada 100 habitantes em idade adulta.. Verificando-se os dados que a GEM considera os informais na análise, percebe-se que os valores dos países sul-americanos são mais propícios para a característica do subemprego devido à alta TEA entre eles.. No ano 2008, a China não participou da pesquisa. Porém, ao analisar-se o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), nota-se que, após a China, o Brasil tem uma.

(30) 29. posição mais alta, o que reforça essa característica do empreendedorismo. Quanto à China, devido à grande intensidade da participação do Estado na economia, apresenta variáveis de difícil comparação não havendo ação somente do empreendedor; sendo assim seus dados não serão utilizados no estudo.. Os números do Quadro 1 reforçam a importância do empreendedorismo, e observou-se que o número de empreendedores por habitantes coloca o Brasil como um grande investidor na MPE, havendo atualmente 5,1 milhões delas no país (Sebrae-SP, 2009). Partindo de dados do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade. (IBQP). conjuntamente. com. a. GEM. 2008,. o. número. de. empreendedores ultrapassa os 17 milhões de estabelecimentos; portanto, deve-se considerar este como outro ponto importante dentro desse contexto, pois o Sebrae aponta em seus documentos as empresas formais, e na pesquisa de GEM há inclusive a consideração das empresas informais. Desse modo, visualizou-se que o número de empresas informais (valores estimados) no Brasil é de 12,6 milhões, que equivalem a 71% do levantamento. Quadro 2 – Estimativa por Empreendedorismo Estimativa Empreendedores Países. Estimativa número empreendedores (nascentes + Novos). Quantidade população adulta 18 a 64 anos. Habit/Empr (%) (nascentes + novos). Empreend estabelecidos (total). ETA Total (%). Brasil Desenvolvidos Estados Unidos Itália Japão BRIC Rússia Índia Sulamericanos Argentina Chile Uruguai. 14.644.000. 121.832.000. 12,02. 17.775.000. 14,59. 20.546.000 1.703.000 4.267.000. 190.951.000 36.868.000 78.718.000. 10,76 4,62 5,42. 15.925.000 2.389.000 6.187.000. 8,34 6,48 7,86. 3.298.000 76.045.000. 94.488.000 661.837.000. 3,49 11,49. 1.049.000 109.203.000. 1,11 16,50. 4.006.000 1.229.000 246.000. 24.220.000 9.394.000 2.066.000. 16,54 13,08 11,91. 3.275.000 625.000 164.000. 13,52 6,65 7,94. Fonte: Pesquisa GEM 2008, adaptada pelo autor.. Dados levantados pelo Sebrae indicam numa previsão para 2015 que o país terá uma empresa para cada 24 habitantes, atingindo um patamar de 9 milhões de.

(31) 30. MPEs para 210 milhões de habitantes (23,3 habitantes por empresa), isto é, 8,8 milhões de estabelecimentos de MPE. Considerando-se o comparativo com a GEM, e respeitando-se as mesmas proporções pode-se estimar que os números seriam ainda mais expressivos na faixa de 20 milhões de MPE para 210 milhões de habitantes (mantendo a taxa de 12 habitantes por empresa como dado da GEM).. Pesquisa realizada pelo Sebrae em 2006 apontou que no Brasil 98% das empresas são do tipo MPE (Sebrae 2007), ocupando 67% das pessoas sem carteira assinada (Sebrae, 2000) e 56% com carteira assinada.. O PIB arrecadado pelas MPE segundo o Sebrae (2006), corresponde a 20% do total, com 2,7% do valor das exportações, evidenciando-se assim o impacto que elas geram na economia e na ocupação das pessoas.. Pelos dados apresentados, há uma colocação positiva do Brasil quanto à atividade empreendedora, sendo na pesquisa o terceiro maior empreendedor no G20 (constituído pelos ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais de 19 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e a União Européia, representada pelo presidente rotativo do Conselho da União Européia). Alguns países não participaram da análise deste ano, em função disso o Brasil poderá sofrer alguma alteração nessa posição, porém essa colocação não modifica a sua importância em relação ao empreendedorismo.. Há um ponto importante a ser questionado no contexto da MPE que se refere aos motivos para a criação do novo empreendimento, ou seja, a natureza da abertura de uma empresa. O GEM divide os motivos em duas categorias gerais de oportunidade equivalente: uma na qual o empreendedor visualiza a possibilidade de criação de um empreendimento, e outra por necessidade, na qual uma condição alheia à sua escolha o direciona para a abertura de uma empresa como opção de sobrevivência, ou tentativa disso. Normalmente, essa segunda opção ocorre pela reestruturação profissional, quando há uma perda da condição de trabalho assalariado ou, como no último.

(32) 31. relatório do GEM, quando muitos jovens que ainda não entraram no mercado de trabalho por não conseguirem oportunidades também procuram essa alternativa. Dados do GEM apontam para uma tendência de concentração de maiores taxas de abertura de empresas por necessidade em países menos desenvolvidos do que em países com maior desenvolvimento.. Em países como a França, que obteve taxa de desemprego similar à dos países em desenvolvimento, a abertura de empresas por necessidade foi menor, apontando para uma tendência de que em países desenvolvidos o número de aberturas por esse motivo não está necessariamente ligado à taxa de desemprego, vista que possuem um desenvolvimento social elevado.. O fator cultural, nessa situação, impacta esse comportamento. Em países como o Brasil e a Argentina a alta taxa de desemprego também é acompanhada por uma maior participação dos empreendedores por necessidade.. No Brasil, os dados do GEM (2008) mostram a razão de dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade, acenando com uma tendência no caminho do desenvolvimento do país, que, apesar de ainda distante da condição de desenvolvido, acena com oportunidades. Em anos anteriores da pesquisa, por vezes os valores eram de uma proporção igual para ambos, em outras, maior o número por necessidade frente ao número por oportunidade. Pode-se aqui refletir se o cenário econômico impacta esse desempenho gerando maiores oportunidades quando há um aquecimento na economia.. Considerando a visão do empresário de buscar a oportunidade e objetivando maior independência ou aumento de renda, a proporção desse tipo de motivação para o brasileiro subiu de 38,5% em 2007 para 45,8% em 2008, o que representa um aumento de 18,96% (GEM, 2008).. No caso brasileiro, os dados do Quadro 3, para efeito de comparação e análise, estão com pelo menos dois anos de defasagem, mas o seu objetivo é a conceituação e o direcionamento quanto à importância da MPE..

(33) 32. Quadro 3 – Comparativo da Taxa de Oportunidades com Necessidade, PIB e Taxa de Desemprego Comparativo Taxa Oportunidade, Necessidade, PIB e Taxa Desemprego País. Brasil. Taxa oportun. (%) 8. Taxa necess. (%) 4. PIB-PPP (Bilhões US$) média 2006 a 2008 1.815,31. Taxa desemprego médio 2006 a 2008 (%) 9,73. Índia. 8. 2,5. 3.934,31. 8,68. Estados Unidos. 8,9. 1,3. 13.649,48. 4,77. Itália. 3,6. 0,7. 1.800,04. 6,86. França. 4,8. 0,6. 2.015,09. 9,07. Argentina. 9,9. 6,4. 603,12. 9,43. Fonte: Pesquisa GEM 2008, adaptada pelo autor.. O Quadro 3 demonstra a relação entre taxas de oportunidade e necessidade de perceber que o Brasil estava com 4%, enquanto os países desenvolvidos, como os EUA, em 1,3%; porém, em comparação, a taxa de desemprego é a mais alta dos países. Análises feitas pelo GEM e pelo Sebrae indicam que vários fatores influenciam as iniciativas de empreendedorismo, e o empreendedor deve estar disposto ao risco. Nessa direção alguns aspectos devem ser destacados, como o discernimento e o conhecimento do produto por parte dos prováveis consumidores, a quantidade de concorrentes existentes, a idade das tecnologias utilizadas, em conjunto com a expectativa de geração de empregos, e uma visão do mercado que se pretende conquistar. Autores como Porter (1986) e Besanko et al. (2006) já exploraram esse tema.. Em 2007, o IBQP propôs um modelo associando às variáveis tecnológicas, à concorrência e ao conhecimento do produto, denominado, na pesquisa do GEM, Potencial de Inovação do Empreendimento (PIE). O conjunto gerou também o potencial tecnológico, que combina o conhecimento do produto com a idade da tecnologia utilizada, e o poder de mercado, que combina a quantidade de concorrentes com a expectativa de exportação..

(34) 33. Essa é uma das formas de tentativa de comparação e indicação de continuidade na empresa, um indicador a ser utilizado pelo empreendedor na possível comparação entre o desempenho e a busca do caminho da continuidade da empresa.. O empresário atualmente conta com a Lei Geral das MPE para negócios de pequeno porte e com a criação do Microempreendedor Individual (MEI). Porém, para muitos, há a necessidade de conhecer a importância da legalização do seu negócio, retirando-o da informalidade. No entanto, para isso, é fundamental o entendimento por parte do empresário, das condições e simplificações tributárias, bem como a capacitação (SEBRAE, 2005).. 2.3 Conceituando as MPEs Caracterizar a pequena e a média empresa no Brasil não é uma tarefa muito fácil, pois a diversidade de visões de cada sistema de gestão ou controle, entidades credoras, governamentais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Sebrae, instituições financeiras, são das mais variadas.. Para Falcão (2009), entre 1996 a 2002, a quantidade de micro e pequenas empresas cresceu, respectivamente, 57% e 51%, enquanto os números de estabelecimentos de médio e grande porte avançaram apenas 15% e 12% respectivamente, notadamente com decréscimos nos setores da indústria e do comércio.. As MPE desenvolvem várias atividades na sociedade e economia. Para Falcão (2009), há basicamente cinco funções que se destacam: . Geração de emprego e renda.. . Atuação enquanto centro dinâmico produtivo de bens e serviços.. . Indução do desenvolvimento territorial que redesenha uma nova geografia econômica no país, descentralizando atividades e as posicionando ao longo de todo o país..

(35) 34. . Integração de cadeias produtivas (relação entre as duas anteriores); parte deste contexto ocorre devido à terceirização produtiva, que, na busca de diversificação, diminui os volumes produzidos; conseqüentemente, as empresas também reduzem o seu porte e focam na especialização, produzindo bens intermediários, serviços de consultorias especializadas, como de contabilidade, manutenção, segurança e apoio logístico.. . Formação de uma cultura empresarial pela modificação do perfil de absorção do excedente de trabalho qualificado das médias e grandes empresas, para no futuro forçar a capacitação do gigantesco fluxo de empreendedores do setor informal que busca entrar no mercado formal.. Os tipos de classificação normalmente utilizados são: microempresas, empresas de pequeno porte (EPP), médias e grandes empresas; além de serem conhecidas dessa forma popularmente, há referencias de vários autores e também da Receita Federal.. A classificação é utilizada para fins de enquadramento fiscal, para fins de liberação de empréstimos, entre outros.. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2000), composta por 30 países, dentre eles Alemanha, Canadá, Coréia, Dinamarca, Eslováquia, Grécia, Japão, México, República Checa e Turquia. É uma organização com 2.500 funcionários e um orçamento de 342,9 milhões de euros. Possui como objetivos coordenar políticas econômicas e sociais, apoiar o crescimento econômico sustentado, aumentar o emprego e a qualidade de vida dos cidadãos e manter a estabilidade financeira, entre outros.. O critério adotado pelos países ou pelas instituições varia, mas normalmente é em função do número de empregados ou do faturamento anual da empresa. O Sebrae, além desse faturamento, subdivide os dois critérios em função do número de empregados, agrupando-os por atividades (indústria ou serviços / comércio)..

(36) 35. O limite máximo de empregados acaba também variando, em virtude dos sistemas de controle estatísticos de cada nação. Para exemplificar, nos Estados Unidos, a pequena empresa não tem mais do que 50 funcionários.. No Brasil, o porte das empresas é definido pelo faturamento anual, pelo número de empregados e pela atividade comercial, de serviços, ou industrial. Quadro 4 – Classificação das MPE pelo Número de Empregados Tipo Empresa Micro EPP Média Grande. Número de Empregados Indústria Até 19 20 a 99 100 a 499 Maior 500. Comércio / serviços Até 09 10 a 49 50 a 99 Maior 100. Fonte: Sebrae, 2008, adaptado pelo autor.. Quadro 5 – Classificação das MPE pelo Faturamento Tipo de empresa. Simples Nacional. Microempresa EPP (Empresa de pequeno porte). Até R$ 240 mil Acima R$ 240 mil até 2,4 milhões. Exportações Comércio e Indústria serviços Até U$ 200 mil Até US$ 400 mil Acima US$ 200 Acima US$ 400 mil mil até US$ 1,5 até US$ 3,5 milhão milhão. Fonte: Sebrae, 2008, adaptado pelo autor, baseado na Lei nº 9.317/96.. Segundo o Sebrae (2008), atualmente há duas leis federais que definem microempresa e empresa de pequeno porte: a lei nº 9.317/96, conforme o Quadro 5, e a Lei nº 9.841/99.. O estatuto da microempresa e da EPP (Lei nº 9.841/99), que estabelece incentivo por meio da utilização da simplificação de suas obrigações administrativas, previdenciárias e creditícias, e pela eliminação ou redução destas por meio de lei, assim as define: . Microempresa é a pessoa jurídica com receita bruta anual igual ou inferior a R$ 433.755,14..

(37) 36. . Empresa de pequeno porte é caracterizada por uma receita anual bruta de R$ 433.755,15 a R$ 2.133.222,00. Quadro 6 – Classificação das MPE pelo Faturamento. Porte da Empresa. Faturamento Anual. Microempresas. Até R$ 433.755,14. Empresas de pequeno porte. De R$ 433.755,14 até R$ 2.133.222,00. Pequenas empresas. De R$ 2.133.222,00 até R$ 10.500.000,00. Médias empresas. De R$ 10.500.000,00 até R$ 60.000.000,00. Grandes empresas. Acima de R$ 60.000.000,00. Fonte: Adaptado do Decreto nº 5.028/2004 e da Carta Circular nº 64/02, de 14/10/2002, do BNDES.. Para efeitos legais, o conceito de microempresa e de EPP estão no artigo 966 da Lei n° 10.406 de janeiro de 2002, considerando o empresário como sendo o trabalhador que executa profissionalmente uma atividade econômica de modo organizado, objetivando produção ou a circulação de produtos (que podem ser bens ou serviços). Para o estudo, o IBGE em sua pesquisa ECINF (2003) não classificou explicitamente como MPE, limitou o seu estudo com trabalhadores por conta própria ou empregador com até 5 empregados. 2.4 Explorando os problemas enfrentados pelas MPE Estudos mostram que, apesar da característica potencial do empreendedor brasileiro (GEM), 29% das novas empresas criadas no estado de São Paulo encerram suas atividades antes de completar 1 ano de atividade e 56% finalizam em até 5 anos (Sebrae 2005). Em 2008, a pesquisa aponta que 27% das empresas paulistas não conseguem dar continuidade aos seus empreendimentos no primeiro ano de existência, não restando assim alternativa senão encerrar suas atividades.. Segundo boletim do IBGE 2008, o número de empresas ativas no Cadastro Central de Empresas (Cempre) apresentou um crescimento contínuo entre 2000 e 2006, passando de 3,7 milhões para 5,1 milhões. Ao ano, foram criadas em média,.

(38) 37. 726.567 empresas e extintas 493.766, totalizando um saldo médio anual de 232.800, o que equivale a 67% de mortalidade.. Em um levantamento com empresas entre 2001 e 2005, os números mostram um crescimento, ao longo dos anos, do índice de mortalidade, conforme o Quadro 7. Quadro 7 – Taxa de Mortalidade das MPEs Índice de Mortalidade em Função do Tempo de Vida Ano vida % 1 27 2 38 3 46 4 50 5 62 6 64 Fonte: Sebrae/Jucesp. Adaptado pelo autor.. Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (Sebrae, 2005), só no estado de São Paulo, em 2004, o custo da mortalidade das empresas implicou a perda de 281 mil ocupações de postos de trabalho e de quase R$ 15 bilhões no PIB nacional, representando números muito significativos para nosso país, que luta pelo desenvolvimento e melhor distribuição de renda.. O Quadro 7 apresenta dados ainda longe do esperado, os quais em anos anteriores foram mais negativos, em torno de 71% segundo o IBGE e o Sebrae, acenando para a busca de soluções. Conforme análise de Singer (1998), a “ocupação compreende toda atividade que proporciona sustento a quem a exerce”. Assim aponta que a probabilidade de encerramento de uma atividade depende muito da ocupação das pessoas nas empresas, e se não há sustento, tende a encerrar suas atividades..

(39) 38. Quadro 8 – Número de Empresas, Pessoal Ocupado e Participação nos Nascimentos e Mortes de Empresas em Função do Porte (Brasil, 2005) Porte da Empresa. Pessoal ocupado. Número de empresas Total. Participação relativa Nascimentos. Total. Participação relativa Postos de trabalho. Faixas de pess. ocupado. 792.030. 100,0. 1.586.360. 100,0. 0a4. 747.270. 94,4. 1.008.877. 63,6. 5 a 19. 48.227. 5,1. 321.811. 20,3. 20 a 99. 4.168. 0,5. 48.883. 9,4. 100 a mais. 365. 0,0. 106.789. 6,7. Mortes 544.067 100,0. Postos de trabalho 960.813 100,0. 0a4. 529.025. 97,2. 711.461. 74,1. 5 a 19. 13.000. 2,4. 124.846. 10,6. 20 a 99. 1.762. 0,3. 64.847. 6,6. 100 a mais. 280. 0,1. 84.233. 8,7. Faixas de pess. ocupado. Faixas de pess. ocupado. Restantes 255.963 100,0. Postos de trabalho 600.973 100,0. 0a4. 218.245. 85,3. 297.416 49,5. 5 a 19. 35.227. 13,8. 196.965 32,8. 20 a 99. 2.406. 0,9. 84.036. 14,0. 85. 0,0. 22.556. 3,8. 100 a mais. Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Cadastro Central de Empresas, 2004-2005. Elaborado pelo autor.. No estudo apresentado pelo Sebrae (2004) como contexto geral, destacamse como principais os fatores que influenciam e impactam o encerramento das atividades: . Perfil do empreendedor pouco desenvolvido, despreparado para tal.. . Falta. de planejamento. em. relação. ao tipo. de empreendimento,. principalmente antes de sua abertura. . Má gestão empresarial durante os primeiros anos de atividade.. . Políticas públicas de apoio aos pequenos negócios insuficiente, como, por exemplo, as condições tributárias, trabalhistas, de crédito, etc.. . Baixo crescimento da economia brasileira..

(40) 39. . Problemas pessoais dos proprietários das empresas como: divergências entre os sócios, espaço físico insuficiente, e a dependência da presença do dono, que, ao ter problemas de saúde, acaba afastado. Com ênfase neste enfoque, afirma Falcão (2009): [...] os novos empreendedores têm pouca formação educacional e baixa qualificação profissional e dificilmente as instituições capacitadoras brasileiras terão estrutura para operar na escala suficiente para atender o tamanho da demanda a ser desencadeada a partir da regulamentação da Lei Geral. Este é um ponto que merece reflexão, pois as pequenas empresas terão que elas próprias operarem entre si processos indiretos de formação de uma cultura empresarial que lhes permita prolongar a sobrevivência [...]. (FALCÃO 2009).. Objetivando incentivar a regularização das MPE e direcioná-las para que se tornem formais, foi estipulado o Simples Complementar, que está embasado na Lei Complementar Federal nº 123, de 14/12/06, da qual constam normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no tratamento de: I – apuração e recolhimento dos impostos e contribuições; II – cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias; III – acesso a crédito e ao mercado. Partindo do princípio da criação da empresa de forma regular, o Simples Nacional objetiva incentivar a aderência dos informais para a regularização e, como conseqüência, uma arrecadação que antes não acontecia. Conforme o artigo 13 do Simples Nacional, esta arrecadação mensal é feita através do uso de documento único incorporando os seguintes impostos e contribuições: . Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ;. . Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo;. . Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL;. . Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins;. . Contribuição para o PIS/Pasep;.

(41) 40. . Contribuição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei n o 8.212, de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5o-C do art. 18 desta Lei Complementar (Redação dada pela Lei Complementar nº 128, de 2008);. . Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre. Prestações. de. Serviços. de. Transporte. Interestadual. e. Intermunicipal e de Comunicação - ICMS; . Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS.. Não são excluídas outras contribuições como: . Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);. . Manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador;. . Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual;. . Imposto de Renda relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica a pessoas físicas.. As microempresas e EPP optantes pelo Simples Nacional não necessitam de despesas com contribuições às entidades privadas de serviço social e de formação profissional ligadas ao sistema sindical e entidades de serviço social independentes. Muitas empresas, contudo, não se enquadram na categoria do Simples, conforme descrito no artigo 17 desta mesma lei (Sebrae, 2008), principalmente em relação a atividades intelectuais e técnicas, setor em que muitos dos trabalhadores da atividade assalariada partiram para montar suas atividades. Das vedações ao ingresso no Simples Nacional segue abaixo citações do artigo 17: “Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte:.

(42) 41. XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; XII – que realize cessão ou locação de mão-de-obra; XIII – que realize atividade de consultoria; [...].”. 2.5 Informalidade As referências ao termo „informal‟ foram publicadas inicialmente em 1970 na Organização Internacional do Trabalho (OIT).. O mercado informal é caracterizado em parte pela facilidade de entrada, com empreendimento de propriedade individual ou familiar, operação de pequena escala, muitas vezes com tecnologia adaptada. Outra visão esta relacionada ao não pagamento de impostos ou irregularidade dos trabalhadores perante a lei ou ao pagamento de impostos. Conforme a OIT (1972, p.6), “a atuação em mercados não regulamentados e altamente competitivos, e qualificações dos trabalhadores adquiridas fora do sistema escolar formal” é uma forma de classificação para este mercado, ou seja, o sem formação, e portanto exerce atividade de forma não regular. Outro aspecto bastante abordado em relação ao conceito está relacionado à ilegalidade, ou seja, ao fato de a atividade não ser oficialmente registrada perante os órgãos governamentais ou não cumprir as regulamentações ou legislações fiscais, laborais, financeiras, etc.. Nesse aspecto, para a OIT (1993), as empresas informais em geral não possuem um conjunto completo de contabilidade (balancetes), que constitui um dos critérios básicos da definição internacional de setor informal. Segundo Falcão (2009), “é importante esclarecer que, contrariamente ao que se pensa, esse setor informal não é uma economia completamente ilegal”. Complementa ainda que o termo “informal” é usado para denominar os.

Referências

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