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Desenho da amostra

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A Ecinf (2005) foi realizada por meio de uma amostra probabilística proporcional ao total de domicílios ocupados existentes na época do Censo Demográfico de 2000. O IBGE preocupou-se com a equiprobabilidade em cada estrato, mantendo assim a proporcionalidade.

Como a pesquisa teve âmbito nacional e foi focada na informalidade, concentraram-se também em levantamentos nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia, por serem considerados pontos de grande

concentração nessas atividades. Os setores urbanos foram estratificados por sua condição geográfica, buscando-se assim garantir a representatividade para a pesquisa.

Como parte dessa estratificação, foi feito um novo recorte em cada estrato geográfico, e considerou-se a média da renda domiciliar de cada setor, convertida em salários mínimos obtidos a partir dos resultados definitivos do questionário da amostra do Censo Demográfico de 2003, como forma de minimização de erros, mas percebemos que grande parte não respondera a questão.

O tamanho da amostra foi planejado pelo IBGE para um coeficiente de variação associado à estimativa de 5%, com exceção das unidades da região Norte, onde, por razões de custo, o coeficiente de variação adotado foi de 6%. Dessa forma, diante do tipo de atividade (informal), consideramos uma boa amostragem.

Após o dimensionamento, o IBGE identificou os domicílios que faziam parte do universo da pesquisa e o grupo de atividade a que pertenciam.

Os domicílios entrevistados pelo IBGE foram selecionados de forma a manter a proporcionalidade entre os diversos grupos de atividade identificados, em cada setor. Ao todo foram selecionados 54.595 domicílios em todo o país e algumas regiões metropolitanas, citadas anteriormente (destes incluem 2.869 em São Paulo). O estudo abrangeu os domicílios situados em áreas urbanas no Brasil, tomando-se o cuidado de usar a reponderação para compensar a falta de respostas dentro de cada estrato.

O questionário estava dividido em dois tipos, um dos quais objetivava a característica do domicilio e do morador (Ecinf 2.01) e o outro (Ecinf 2.02) focava o setor informal e seus proprietários.

O questionário suplementar procurou obter dados como o acesso do empreendedor a diversos tipos de serviços, financeiros ou não, bem como as formas de pagamento das matérias-primas ou mercadorias e a localização dos clientes.

Há alguns conceitos adotados pelo IBGE que foram utilizados na pesquisa e termos para sua definição. Como exemplo, a título ilustrativo, citamos o conceito (IBGE, 2005) de empreendimento como sendo “a empresa, a instituição, entidade, firma, negócio, etc., ou, ainda, a atividade econômica desenvolvida, individualmente ou com a ajuda de outras pessoas (empregados, sócios ou trabalhadores não- remunerados), com ou sem estabelecimento”.

As pessoas abrangidas pela pesquisa são compostas pela população residente em áreas urbanas, excluindo pontos como embaixadas, consulados, presídios, instalações militares, etc.

Em relação à idade, o limite inicial considerado como trabalhador fora os moradores de 10 anos ou mais de idade, que tinham pelo menos uma atividade como trabalhador por conta própria ou empregador com até 5 empregados, em atividades não agrícolas.

O IBGE também classificou como ocupação remunerada os aprendizes e estagiários, que não recebem remuneração em dinheiro, produtos ou mercadorias, mas recebem treinamento ou aprendizado como retribuição, excluindo inclusive as pessoas que trabalhavam exclusivamente para o próprio consumo, por este ser apenas meio de subsistência. As atividades voluntárias também não foram consideradas neste estudo.

Para o estudo baseado no Ecinf, fora considerado como empresa do setor informal (ECINF, 2003), o empreendimento de atividade não agrícola, explorado por pessoa por conta própria ou empregadora com até cinco empregados, com ou sem sócios, e com ou sem trabalhadores não remunerados. Sua constituição jurídica não pertence ao grupo das Sociedades Anônimas ou cuja declaração anual do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica do ano anterior não foi preenchida no formulário de Lucro Real.

Os dados levantados tiveram como referência o período de outubro de 2003, mas algumas variáveis, como investimentos feitos no ano, dificuldades enfrentadas no ano, referem-se ao período de novembro de 2002 a outubro de 2003 (últimos 12

meses). No caso de acesso e utilização de créditos e financiamentos, considerou-se o período de agosto de 2003 a outubro de 2003 (últimos 3 meses).

Conforme comentado anteriormente, utilizamos o software SPSS para análise e tratamento dos dados, e a função optimal scaling, pois alguns dados são categóricos.

No processo de desenvolvimento do estudo, será aprofundada cada variável do banco de dados, pois, conforme Hair et al. (2005), antes que qualquer técnica mais complexa de análise quantitativa possa ser utilizada, é necessário que o pesquisador conheça os dados coletados.

Para a descrição do perfil da amostra e das freqüências obtidas, devemos identificar os dados ausentes ou faltantes e os valores discrepantes (outliers), tanto univariados como multivariados.

Entre as técnicas utilizadas na validação das relações está a análise das medidas de associações entre variáveis e construtos. Segundo Hair et al. (2005), são técnicas associativas que auxiliam a determinar se há uma relação coerente entre duas ou mais variáveis.

Não podemos esquecer que utilizamos um estudo transversal, onde dispomos de dados do período de outubro de 2003, sendo também uma limitação nessa análise. Ao termos mais dados de anos anteriores e seguintes, poderemos futuramente, em outros estudos, produzir uma análise confirmatória em relação aos resultados deste estudo.

Vale aqui novamente relembrar nossas questões de estudo, onde o principal objetivo é avaliar se o construto está de fato medindo o que deve ser medido:

 A relação entre informalidade e crescimento nas MPE.

 A relação entre o uso de crédito e o crescimento da microempresa.

 Fatores que, de forma geral, dificultam a condição para a formalização dos microempresários no contexto em que os dados foram coletados.

Todas as variáveis utilizadas e todas as disponíveis no estudo da Ecinf encontram-se relacionadas no Anexo B.

Algumas variáveis serão comuns a todas as perguntas de pesquisa por destinarem-se a identificação de cada relação a ser verificada e que serão empregadas, portanto, nas análises de informalidade, uso de crédito e crescimento, exploradas mais abaixo. Estas variáveis são:

 V01 – Unidade da Federação que será utilizada para a criação de hierarquias para análise e correção das regressões.

 V03 – Grupo da atividade em que, alternativamente, em caso de itens classificados categoricamente como outros, poderemos classificar os dados por meio da variável V4301 (código CNAE), em substituição a V03 (grupo de atividade).

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