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Explorando os problemas enfrentados pelas MPE

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Estudos mostram que, apesar da característica potencial do empreendedor brasileiro (GEM), 29% das novas empresas criadas no estado de São Paulo encerram suas atividades antes de completar 1 ano de atividade e 56% finalizam em até 5 anos (Sebrae 2005). Em 2008, a pesquisa aponta que 27% das empresas paulistas não conseguem dar continuidade aos seus empreendimentos no primeiro ano de existência, não restando assim alternativa senão encerrar suas atividades.

Segundo boletim do IBGE 2008, o número de empresas ativas no Cadastro Central de Empresas (Cempre) apresentou um crescimento contínuo entre 2000 e 2006, passando de 3,7 milhões para 5,1 milhões. Ao ano, foram criadas em média,

726.567 empresas e extintas 493.766, totalizando um saldo médio anual de 232.800, o que equivale a 67% de mortalidade.

Em um levantamento com empresas entre 2001 e 2005, os números mostram um crescimento, ao longo dos anos, do índice de mortalidade, conforme o Quadro 7.

Quadro 7 – Taxa de Mortalidade das MPEs

Índice de Mortalidade em Função do Tempo de Vida

Ano vida % 1 27 2 38 3 46 4 50 5 62 6 64

Fonte: Sebrae/Jucesp. Adaptado pelo autor.

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (Sebrae, 2005), só no estado de São Paulo, em 2004, o custo da mortalidade das empresas implicou a perda de 281 mil ocupações de postos de trabalho e de quase R$ 15 bilhões no PIB nacional, representando números muito significativos para nosso país, que luta pelo desenvolvimento e melhor distribuição de renda.

O Quadro 7 apresenta dados ainda longe do esperado, os quais em anos anteriores foram mais negativos, em torno de 71% segundo o IBGE e o Sebrae, acenando para a busca de soluções.

Conforme análise de Singer (1998), a “ocupação compreende toda atividade que proporciona sustento a quem a exerce”. Assim aponta que a probabilidade de encerramento de uma atividade depende muito da ocupação das pessoas nas empresas, e se não há sustento, tende a encerrar suas atividades.

Quadro 8 – Número de Empresas, Pessoal Ocupado e Participação nos Nascimentos e Mortes de Empresas em Função do Porte (Brasil, 2005)

Porte da Empresa

Número de empresas Pessoal ocupado Total Participação

relativa

Total Participação relativa Nascimentos Postos de trabalho Faixas de pess. ocupado

0 a 4 5 a 19 20 a 99 100 a mais 792.030 100,0 747.270 94,4 48.227 5,1 4.168 0,5 365 0,0 1.586.360 100,0 1.008.877 63,6 321.811 20,3 48.883 9,4 106.789 6,7

Mortes Postos de trabalho Faixas de pess. ocupado

0 a 4 5 a 19 20 a 99 100 a mais 544.067 100,0 529.025 97,2 13.000 2,4 1.762 0,3 280 0,1 960.813 100,0 711.461 74,1 124.846 10,6 64.847 6,6 84.233 8,7

Restantes Postos de trabalho Faixas de pess. ocupado

0 a 4 5 a 19 20 a 99 100 a mais 255.963 100,0 218.245 85,3 35.227 13,8 2.406 0,9 85 0,0 600.973 100,0 297.416 49,5 196.965 32,8 84.036 14,0 22.556 3,8 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Cadastro Central de Empresas, 2004-2005. Elaborado pelo autor.

No estudo apresentado pelo Sebrae (2004) como contexto geral, destacam- se como principais os fatores que influenciam e impactam o encerramento das atividades:

 Perfil do empreendedor pouco desenvolvido, despreparado para tal.

 Falta de planejamento em relação ao tipo de empreendimento, principalmente antes de sua abertura.

 Má gestão empresarial durante os primeiros anos de atividade.

 Políticas públicas de apoio aos pequenos negócios insuficiente, como, por exemplo, as condições tributárias, trabalhistas, de crédito, etc.

 Problemas pessoais dos proprietários das empresas como: divergências entre os sócios, espaço físico insuficiente, e a dependência da presença do dono, que, ao ter problemas de saúde, acaba afastado.

Com ênfase neste enfoque, afirma Falcão (2009):

[...] os novos empreendedores têm pouca formação educacional e baixa qualificação profissional e dificilmente as instituições capacitadoras brasileiras terão estrutura para operar na escala suficiente para atender o tamanho da demanda a ser desencadeada a partir da regulamentação da Lei Geral. Este é um ponto que merece reflexão, pois as pequenas empresas terão que elas próprias operarem entre si processos indiretos de formação de uma cultura empresarial que lhes permita prolongar a sobrevivência [...]. (FALCÃO 2009).

Objetivando incentivar a regularização das MPE e direcioná-las para que se tornem formais, foi estipulado o Simples Complementar, que está embasado na Lei Complementar Federal nº 123, de 14/12/06, da qual constam normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no tratamento de:

I – apuração e recolhimento dos impostos e contribuições; II – cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias; III – acesso a crédito e ao mercado.

Partindo do princípio da criação da empresa de forma regular, o Simples Nacional objetiva incentivar a aderência dos informais para a regularização e, como conseqüência, uma arrecadação que antes não acontecia. Conforme o artigo 13 do Simples Nacional, esta arrecadação mensal é feita através do uso de documento único incorporando os seguintes impostos e contribuições:

 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ;

 Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo;

 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL;

 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins;

 Contribuição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei no 8.212, de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5o-C do art. 18 desta Lei Complementar (Redação dada pela Lei Complementar nº 128, de 2008);

 Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS;

 Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS.

Não são excluídas outras contribuições como:

 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);

 Manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador;

 Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual;

 Imposto de Renda relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica a pessoas físicas.

As microempresas e EPP optantes pelo Simples Nacional não necessitam de despesas com contribuições às entidades privadas de serviço social e de formação profissional ligadas ao sistema sindical e entidades de serviço social independentes.

Muitas empresas, contudo, não se enquadram na categoria do Simples, conforme descrito no artigo 17 desta mesma lei (Sebrae, 2008), principalmente em relação a atividades intelectuais e técnicas, setor em que muitos dos trabalhadores da atividade assalariada partiram para montar suas atividades.

Das vedações ao ingresso no Simples Nacional segue abaixo citações do artigo 17:

“Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte:

XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios;

XII – que realize cessão ou locação de mão-de-obra; XIII – que realize atividade de consultoria; [...].”

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